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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VIGIL&Acirc;NCIA    <br>   ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nta"></a><b>Rastrear, classificar, performar<a href="#nt"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fernanda Bruno</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadora do CNPq, coordenadora do MediaLab da UFRJe membro da Rede Latino-Americana de Estudos em Vigil&acirc;ncia, Tecnologia e Sociedade (Lavits)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No o ano de 2010, o <i>Wall Street Journal</i> (WSJ) lan&ccedil;ou une s&eacute;rie de mat&eacute;rias e documentos revelando que in&uacute;meros sites da internet utilizam quantidades expressivas de rastreadores das navega&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es de seus visitantes. O <i>dictionary.com</i>, por exemplo, figura no topo da lista divulgada pelo <i>WSJ</i> (1), utilizando 234 tipos de rastreadores. A s&eacute;rie, intitulada <i>What they know</i> (O que eles sabem) (2), mostra ainda como in&uacute;meras corpora&ccedil;&otilde;es coletam e categorizam os rastros que deixamos na web, constituindo perfis de h&aacute;bito, consumo, empregabilidade, longevidade, periculosidade etc. Em pesquisa realizada no mesmo ano no Brasil, identificamos a presen&ccedil;a de 362 rastreadores de dados de usu&aacute;rios (cookies, flash cookies e web beacons) em apenas cinco sites da internet brasileira (Terra, UOL, Yahoo, Globo.com, YouTube) e de 295 rastreadores nas duas redes sociais mais populares no Brasil na ocasi&atilde;o (Orkut e Facebook). Cerca de 68% desses rastreadores atuam no campo do marketing online (3;4). Entretanto, ainda que habitualmente se enfatize o papel e os interesses do marketing neste contexto, &eacute; fundamental ressaltar que, al&eacute;m do marketing e da publicidade direcionada, o monitoramento de rastros pessoais na internet &eacute; de interesse comum a diferentes dom&iacute;nios: seguran&ccedil;a, entretenimento, sa&uacute;de, gest&atilde;o do trabalho e recrutamento de pessoal, consultoria e propaganda pol&iacute;tica, desenvolvimento de produtos e servi&ccedil;os, vigil&acirc;ncia e controle, inspe&ccedil;&atilde;o policial e estatal etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tecnicamente, o rastreamento e arquivamento das a&ccedil;&otilde;es cotidianas na internet &eacute; poss&iacute;vel gra&ccedil;as &agrave; pr&oacute;pria estrutura desta rede de comunica&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da e de seus navegadores, onde toda a&ccedil;&atilde;o deixa um rastro potencialmente recuper&aacute;vel, constituindo um vasto, din&acirc;mico e polif&ocirc;nico arquivo de nossas a&ccedil;&otilde;es, escolhas, interesses, h&aacute;bitos, opini&otilde;es etc. (3). Na s&eacute;rie de mat&eacute;rias do WSJ, encontramos diversos exemplos de empresas cujo neg&oacute;cio consiste na coleta de rastros pessoais na internet e sua correlata categoriza&ccedil;&atilde;o em bancos de dados e sistemas de <i>profiling,</i> visando orientar tanto escolhas de clientes de seguro de vida quanto ofertas de cr&eacute;dito e alvos de propaganda pol&iacute;tica, por exemplo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Acxiom Corp. (5), uma das maiores empresas de com&eacute;rcio e tratamento de dados da internet, monitora e categoriza diversas informa&ccedil;&otilde;es provenientes do comportamento online de milh&otilde;es de americanos, cruzando-as com suas bases de dados offline. Tais dados, combinados a outros de natureza diversa, orientam, por exemplo, defini&ccedil;&otilde;es de bons e maus candidatos a seguros de vida. Os convencionais exames de sangue, considerados pouco amig&aacute;veis e explicitamente invasivos, d&atilde;o lugar a an&aacute;lises preditivas que levam em conta h&aacute;bitos de vida, muitos deles sutilmente rastre&aacute;veis na internet, como "detalhes de compras online e por cat&aacute;logo, assinaturas de revistas, atividades de lazer e informa&ccedil;&otilde;es de sites de redes sociais" (6).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Deloitte Consulting (7), por sua vez, oferece servi&ccedil;os e tecnologias a seguros de vida, prometendo dimensionar o risco-sa&uacute;de dos indiv&iacute;duos e predizer suas expectativas de vida baseando-se em dossi&ecirc;s elaborados a partir de an&aacute;lise de dados coletados online e offline. No material promocional da empresa, conforme a mat&eacute;ria mencionada, consta uma suposta lista de dados coletados das figuras hipot&eacute;ticas de Sarah e Beth, para as quais a empresa elabora perfis prospectivos de risco-sa&uacute;de que categorizariam o bom e o mau cliente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este breve exemplo exp&otilde;e n&atilde;o apenas uma categoriza&ccedil;&atilde;o de bons e maus clientes de seguro de vida, mas um encadeamento de diversos sistemas de perfis que se apoiam — de risco financeiro, de estilo de vida saud&aacute;vel, de longevidade —, para os quais os dados comportamentais dos usu&aacute;rios da internet se tornam uma fonte valiosa para diversos fins.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O mesmo tipo de dados serve ao <i>profiling</i> de potenciais eleitores, permitindo orientar propaganda pol&iacute;tica para alvos supostamente certeiros. Consultores de partidos e candidatos pol&iacute;ticos contratam empresas que monitoram os fluxos de atividades e rastros online, de modo a conhecer o que chamam de "linguagem corporal online" de republicanos e democratas nos EUA, por exemplo (8).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se os tra&ccedil;os de nossas atividades na rede permitem projetar perfis de longevidade, de sa&uacute;de, de prefer&ecirc;ncias pol&iacute;ticas, por que eles n&atilde;o seriam utilizados para montar perfis de cr&eacute;dito e consumo? H&aacute; empresas que chegam a anunciar serem capazes de fazer previs&otilde;es sobre o "valor de vida &uacute;til" de internautas com base em um simples clique em seu website (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Perfis de longevidade de consumo ou de prefer&ecirc;ncias pol&iacute;ticas operam como mecanismos de decis&atilde;o e escolha de corpora&ccedil;&otilde;es sobre as qualidades potenciais de indiv&iacute;duos, com efeitos expressivos sobre as oportunidades que lhes s&atilde;o ofertadas, bem como sobre o seu campo de a&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel, previamente limitado ao que est&aacute; previsto nas bases de perfis. Uma l&oacute;gica comum os atravessa e ela vale n&atilde;o apenas para os exemplos aqui mencionados, mas tamb&eacute;m para perfis de periculosidade e de empregabilidade, entre outros, dado que o monitoramento de atividades online para montagem de bancos de dados e sistemas de <i>profiling</i> s&atilde;o hoje pr&aacute;ticas comuns tanto a inst&acirc;ncias de seguran&ccedil;a (10) quanto aos procedimentos de sele&ccedil;&atilde;o de pessoal por parte de empresas (11). A l&oacute;gica que lhes &eacute; comum conjuga alguns princ&iacute;pios centrais, dos quais destaco brevemente os seguintes aspectos:</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. O RASTRO COMO EVID&Ecirc;NCIA </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A topologia dos rastros digitais na internet n&atilde;o &eacute; uniforme. Tais rastros s&atilde;o inscritos segundo camadas informacionais mais ou menos vis&iacute;veis e mais ou menos vinculadas a indiv&iacute;duos identific&aacute;veis. Al&eacute;m ou aqu&eacute;m das informa&ccedil;&otilde;es pessoais que divulgamos voluntariamente na web (postagens em blogs, dados de perfil e conversa&ccedil;&otilde;es nas redes sociais), toda a&ccedil;&atilde;o efetuada na rede — navega&ccedil;&atilde;o, busca, simples cliques em links, downloads, produ&ccedil;&atilde;o ou reprodu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do — deixa potencialmente um rastro, um vest&iacute;gio, uma inscri&ccedil;&atilde;o mais ou menos expl&iacute;cita, suscet&iacute;vel de ser capturada, recuperada, classificada. O rastro pessoal digital &eacute;, assim, o vest&iacute;gio de uma a&ccedil;&atilde;o efetuada por um indiv&iacute;duo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os atuais dispositivos e redes de comunica&ccedil;&atilde;o digital funcionam como um dispositivo de inscri&ccedil;&atilde;o e mem&oacute;ria : n&atilde;o apenas enviamos e recebemos mensagens, n&atilde;o apenas buscamos e produzimos informa&ccedil;&atilde;o, como tamb&eacute;m, ao fazer tudo isso, deixamos automaticamente, e n&atilde;o raro involuntariamente, rastros de nossa presen&ccedil;a e de nossa a&ccedil;&atilde;o (3). Tais rastros s&atilde;o monitorados e capturados, nutrindo bancos de dados complexos que tratam tais informa&ccedil;&otilde;es para extrair categorias supraindividuais ou interindividuais segundo par&acirc;metros de afinidade e similaridade entre os elementos, permitindo tra&ccedil;ar perfis — de consumo, de interesse, de comportamento, de compet&ecirc;ncias etc. Como se viu nos exemplos apresentados, tais perfis ir&atilde;o atuar ou diferenciar indiv&iacute;duos ou grupos com base num suposto saber que conteriam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das vias pela qual este tipo de saber busca legitimar-se (veremos outras vias no pr&oacute;ximo t&oacute;pico) consiste na pretensa objetividade pr&oacute;pria &agrave; coleta, &agrave; an&aacute;lise e &agrave; categoriza&ccedil;&atilde;o automatizadas desses rastros. Um dos argumentos de legitima&ccedil;&atilde;o desta objetividade afirma que tais dados seriam coletados <i>in natura,</i> ou seja, diretamente das a&ccedil;&otilde;es dos indiv&iacute;duos no contexto mesmo de sua produ&ccedil;&atilde;o. Como se a coleta automatizada desses rastros em tempo real permitisse dispensar mediadores e media&ccedil;&otilde;es (e suas consequentes tradu&ccedil;&otilde;es), atribuindo ao rastro um estatuto de "evid&ecirc;ncia". A pretens&atilde;o de objetividade tamb&eacute;m est&aacute; atrelada ao car&aacute;ter automatizado do tratamento desses rastros, que n&atilde;o seriam submetidos &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o humana, mas a procedimentos algor&iacute;tmicos. Estes, por sua vez, revelam padr&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o pr&eacute;-definidos <i>(top down),</i> mas que emergem no pr&oacute;prio cruzamento dos dados <i>(bottom-up</i>). Categorias que expressariam, portanto, um grau de objetividade mais agudo que quaisquer outras teorias, observa&ccedil;&otilde;es ou interpreta&ccedil;&otilde;es permitiriam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eis um argumento fr&aacute;gil e question&aacute;vel, tanto do ponto de vista cognitivo quanto pol&iacute;tico: uma nova neutralidade e objetividade poderiam ser conquistadas gra&ccedil;as a esse tipo de saber extra&iacute;do de rastros digitais entendidos como evid&ecirc;ncias. &Eacute; curioso perceber como a alegada "transpar&ecirc;ncia" dos dados e do conhecimento que deles deriva n&atilde;o &eacute; posta em quest&atilde;o, em nenhum momento, pela not&aacute;vel opacidade do m&eacute;todo e das ferramentas de rastreamento, arquivo e tratamento desses mesmos dados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O valor econ&ocirc;mico, estrat&eacute;gico e heur&iacute;stico dos rastros digitais e do <i>profiling</i> reside, sobretudo, no tipo de conhecimento que eles permitem gerar. Qual &eacute; a especificidade deste saber, se considerarmos historicamente os diferentes modelos de conhecimento a partir de rastros, elaborados em diversos campos (semiologia, hist&oacute;ria, filologia, arqueologia, literatura, psican&aacute;lise, entre outros)? Primeiramente, o volume &eacute; determinante. Sup&otilde;e-se, de modo geral, que fato mesmo de sua imensa quantidade esconde ou guarda estruturas e regras inscritas nas correla&ccedil;&otilde;es sutis entre os dados. O termo <i>big data</i> prop&otilde;e uma nova grandeza que procede tanto do aumento da capacidade de estocagem como da emerg&ecirc;ncia de um novo tipo de saber que tais volumes de dados gerariam (12-14). Conforme um dos promotores dessa nova escala de saber:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote><i>Este &eacute; um mundo onde grandes quantidades de dados e matem&aacute;tica aplicada substituem qualquer outra ferramenta que poderia ser usada. Descarte toda a teoria do comportamento humano, da lingu&iacute;stica &agrave; sociologia, esque&ccedil;a a taxonomia, ontologia, e psicologia. Quem sabe por que as pessoas fazem o que fazem? O ponto &eacute; que eles fazem isso, e podemos acompanhar e medir com fidelidade semprecedentes. Com dados suficientes, os n&uacute;meros falam por si.</i> (15).   </p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O termo t&eacute;cnico empregado para designar o processo que permitiria fazer emergir o que estaria oculto &eacute; "minera&ccedil;&atilde;o", proveniente do termo ingl&ecirc;s <i>data-mining</i> (literalmente, minera&ccedil;&atilde;o de dados). Ainda no plano t&eacute;cnico, dois procedimentos complementares s&atilde;o essenciais: minera&ccedil;&atilde;o de dados <i>e profiling.</i> A minera&ccedil;&atilde;o de dados consiste no tratamento algor&iacute;tmico de grandes volumes de dados cuja fun&ccedil;&atilde;o central &eacute; a extra&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es que geram conhecimento espec&iacute;fico a partir da correla&ccedil;&atilde;o entre elementos segundo princ&iacute;pios de similaridade, vizinhan&ccedil;a e afinidade, por exemplo. N&atilde;o por acaso, este procedimento &eacute; chamado "<i>descoberta de conhecimento em bases de dados"</i> (16). O postulado dessas t&eacute;cnicas sup&otilde;e que o tratamento automatizado seja capaz de revelar correla&ccedil;&otilde;es imprevistas entre os dados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2. "CORRELA&Ccedil;&Atilde;O &Eacute; SUFICIENTE"</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais correla&ccedil;&otilde;es resultam numa longa e diversificada taxonomia dos usu&aacute;rios da web, revelando categorias engendradas pelas t&eacute;cnicas de<i> profiling,</i> complementar &agrave; minera&ccedil;&atilde;o de dados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que tal conhecimento pode dizer sobre os indiv&iacute;duos? De fato, ele diz menos sobre indiv&iacute;duos pessoalmente identific&aacute;veis (ou seja, sobre "quem" s&atilde;o essas pessoas do ponto de vista de suas identidades civis) do que sobre suas a&ccedil;&otilde;es, condutas, escolhas, as quais podem ser consequentemente suscitadas, orientadas, conjuradas. Se h&aacute; uma individualidade vinculada a esse tipo de rastro e ao conhecimento que se pretende gerar a partir dele, ela &eacute; menos da ordem do passado que do futuro, menos da ordem da interioridade que da exterioridade, menos relativa a uma singularidade do que a regras de similaridade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vejamos cada um desses contrastes com mais detalhes (17). Ainda que os rastros digitais que comp&otilde;em os perfis sejam vinculados a a&ccedil;&otilde;es passadas, eles valem menos pela possibilidade de retra&ccedil;ar fatos ou identificar suas origens do que pela capacidade de projetar desejos, comportamentos e inten&ccedil;&otilde;es futuras ou potenciais (18). Segundo defini&ccedil;&atilde;o proposta por Hildebrand (19):</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Neste sentido, o <i>profiling</i> &eacute; um modo indutivo de gerar conhecimento; as correla&ccedil;&otilde;es representam uma probabilidade de que as coisas ter&atilde;o o mesmo resultado no futuro. O que elas n&atilde;o revelam &eacute; porque este deve ser o caso. Na verdade, criadores de perfil n&atilde;o est&atilde;o muito interessados em causas ou raz&otilde;es, o seu interesse reside em uma previs&atilde;o fi&aacute;vel, de modo a permitir a tomada de decis&atilde;o adequada (19, p. 40). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Notemos que tais correla&ccedil;&otilde;es presentes no perfil n&atilde;o exprimem um nexo causal nem explicativo entre os elementos. Em nenhum momento cabe explicar a rela&ccedil;&atilde;o entre a&ccedil;&otilde;es, indiv&iacute;duos e circunst&acirc;ncias. Trata-se apenas de revelar correla&ccedil;&otilde;es, estimar probabilidades de ocorr&ecirc;ncia e, se for o caso, intervir no curso das a&ccedil;&otilde;es e condutas dos indiv&iacute;duos. "A correla&ccedil;&atilde;o &eacute; suficiente" &eacute; um dos princ&iacute;pios deste modelo de saber (20). E tal princ&iacute;pio &eacute; claro nos exemplos que acabamos de mencionar. N&atilde;o se sup&otilde;e que haja um v&iacute;nculo causal ou explicativo entre "assistir pouco a televis&atilde;o" e "ter uma expectativa de vida mais longa"; tampouco entre "amar fotografia" e "ser republicano", ou entre "adorar viajar" e "ser um bom cliente de cr&eacute;dito". A correla&ccedil;&atilde;o ou a copresen&ccedil;a de um n&uacute;mero significativo de fatores numa popula&ccedil;&atilde;o massiva &eacute; julgada suficiente para legitimar o perfil e suas categoriza&ccedil;&otilde;es, mesmo que haja, evidentemente, uma margem consider&aacute;vel de incerteza ou imprecis&atilde;o em jogo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O rastro digital de nossas a&ccedil;&otilde;es, assim concebido, &eacute; tanto o vest&iacute;gio de uma presen&ccedil;a ou de uma a&ccedil;&atilde;o passada quanto o &iacute;ndice de uma a&ccedil;&atilde;o futura, mas este conhecimento n&atilde;o designa nem a trajet&oacute;ria singular de um indiv&iacute;duo, nem o caminho que vai de sua a&ccedil;&atilde;o a uma interioridade que a justificaria ou lhe daria sentido. Este conhecimento, pelo rastro digital, opera na superf&iacute;cie da a&ccedil;&atilde;o e busca apreender n&atilde;o uma singularidade atr&aacute;s do rastro mas modelos de similaridade, em vias de projetar condutas ou a&ccedil;&otilde;es pass&iacute;veis de interven&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3. PERFIL, PROATIVIDADE E PERFORMATIVIDADE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O car&aacute;ter proati-vo desse saber algor&iacute;tmico dos rastros pessoais &eacute; not&aacute;vel e decisivo para os seus efeitos de poder e controle. A evid&ecirc;ncia supostamente revelada n&atilde;o tem a pretens&atilde;o de ser uma "prova" e<i>x post facto</i> mas um vetor que permitiria agir antes do fato, ou antes da a&ccedil;&atilde;o. A defini&ccedil;&atilde;o de poder como "a&ccedil;&atilde;o sobre a a&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel" ganha uma atualidade particular, assim como a concep&ccedil;&atilde;o de governo como a arte de conduzir condutas (21-22). Pois &eacute; precisamente a a&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel dos indiv&iacute;duos que atrai a aten&ccedil;&atilde;o e o interesse dos diversos ramos que se dedicam ao monitoramento dos rastros digitais e ao <i>profiling.</i> Trata-se aqui da ilus&atilde;o de transformar o porvir num "futuro anterior", como aponta Didier Bigo (23). Um futuro de car&aacute;ter imediato, pois atua no presente, e cuja efetividade pretende-se proativa, pois trata-se menos de assegurar uma acuidade na previs&atilde;o do que a performatividade da antecipa&ccedil;&atilde;o, que visa justamente tornar mais prov&aacute;vel o que &eacute; antecipado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A recompensa e a puni&ccedil;&atilde;o que tais individualidades trazem consigo &eacute; menos da ordem do ser do que da ordem do acesso. O perfil funciona como um mecanismo de triagem algor&iacute;tmica do acesso a circuitos de consumo, bem-estar, civilidade etc. Os rastros heterog&ecirc;neos coletados e minerados constituem gigantescos arquivos que operam como "mem&oacute;rias do futuro", a partir das quais se projetam perfis que pretendem agir antes do ato ou do fato.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesta gest&atilde;o de poss&iacute;veis e de rastreamento proativo, identidades algor&iacute;tmicas s&atilde;o constru&iacute;das atrav&eacute;s das t&eacute;cnicas de <i>profiling</i>. Mas &eacute; preciso ressaltar que o indiv&iacute;duo surge como um alvo <i>a posteriori,</i> sendo antes um efeito do processo de monitoramento, ao inv&eacute;s de estar presente <i>ab initio</i>. Os perfis s&atilde;o menos o espelho de uma identidade do que uma proje&ccedil;&atilde;o algor&iacute;tmica de categorias que se pretendem ajustadas a indiv&iacute;duos particulares, seja na forma de ofertas personalizadas de produtos e servi&ccedil;os potencialmente desej&aacute;veis, seja sob a forma de antecipa&ccedil;&atilde;o de comportamentos ou riscos a evitar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O problema em jogo &eacute; percept&iacute;vel: tal proje&ccedil;&atilde;o de comportamentos e individualidades pode condenar o presente ao futuro antecipado. As implica&ccedil;&otilde;es sobre as oportunidades informacionais, cognitivas, sociais e pol&iacute;ticas dos indiv&iacute;duos s&atilde;o diversas e ainda indefinidas. Tal categoriza&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o de poss&iacute;veis pode funcionar, como vimos, como triagem ou filtro automatizado de acesso a espa&ccedil;os, informa&ccedil;&otilde;es, produtos, experi&ecirc;ncias, envolvendo por vezes mecanismos de discrimina&ccedil;&atilde;o automatizada (24).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CATEGORIAS EM DEL&Iacute;RIO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estranhamento diante dessas categoriza&ccedil;&otilde;es vistas ao longo do texto traz a lembran&ccedil;a do conhecido texto de Jorge Luis Borges, no qual menciona uma enciclop&eacute;dia chinesa intitulada <i>Emp&oacute;rio celestial de conhecimentos ben&eacute;volos,</i> cuja engenhosa classifica&ccedil;&atilde;o dos animais consistia em:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>a) pertencentes ao imperador, b) embalsamados, c) domesticados, d) leit&otilde;es, e) sereias, f) fabulosos, g) c&atilde;es em liberdade, h) inclu&iacute;dos na presente classifica&ccedil;&atilde;o, i) que se agitam como loucos, j) inumer&aacute;veis, k) desenhados com um pincel muito fino de pelo de camelo l) et cetera, m) que acabam de quebrar a bilha, n) que de longe parecem moscas (25, p. 170). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal classifica&ccedil;&atilde;o nos provoca o "riso que perturba todas as familiaridades do pensamento" (21, p.12), pois ela nos indica o nosso pr&oacute;prio limite, a nossa impossibilidade de pens&aacute;-la. A inquieta&ccedil;&atilde;o provocada por essa ordem impens&aacute;vel faz vir &agrave; tona a suspeita t&aacute;cita de que os crit&eacute;rios com que ordenamos as coisas n&atilde;o lhes pertencem (26). Num mesmo golpe, nos for&ccedil;a a pensar na multiplicidade de formas de ordena&ccedil;&atilde;o poss&iacute;veis (Cf. 21).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os regimes de ordena&ccedil;&atilde;o do mundo, sempre vari&aacute;veis conforme sociedades e tempos, nos causam t&atilde;o mais estranhamento quanto mais afastados de nossa idade e nossa geografia. Quanto mais longe do nosso presente e do nosso espa&ccedil;o, mais gritante se torna a sua conting&ecirc;ncia. Ainda assim, muitas vezes eles nos dizem algo, seja sobre o seu autor ou autores, seja sobre a cultura e a sociedade em que se constroem, seja sobre o momento hist&oacute;rico em que se constituem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um belo exemplo taxon&ocirc;mico, delicadamente feminino e de grande beleza po&eacute;tica, &eacute; o <i>Livro de cabeceira,</i> de Sei Shonagon (27), dama de honra da princesa japonesa Sadako, escrito no s&eacute;culo XI. Este livro, de profunda sensibilidade, &eacute; todo composto de listas que n&atilde;o apenas enumeram coisas, mas as classificam e avaliam. Listas que acabam descrevendo menos as coisas mesmas e muito mais a percep&ccedil;&atilde;o e a perspectiva de quem as ordena daquela maneira. As anota&ccedil;&otilde;es de cabeceira de Sei Shonagon incluem, por exemplo, entre as "Coisas elegantes":</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Sobre um colete lil&aacute;s, uma t&uacute;nica branca; Filhotes de ganso; Numa tigela nova de metal, foi vertido xarope de cip&oacute;, com gelo socado; Um ros&aacute;rio de cristal de rocha; Neve depositada sobre as flores das glic&iacute;nias e das ameixeiras; Um lindo beb&ecirc; comendo morangos (27, p.23). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as "Coisas que devem ser curtas", est&atilde;o:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>O fio para coser algo de que se precisa logo em seguida; Um pedestal de abajur; Os cabelos de uma mulher de condi&ccedil;&atilde;o inferior. &Eacute; bom que sejam cortados graciosamente curtos; O que diz uma mo&ccedil;a (27, p.25). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m destes, muitos outros itens recobrem suas listas: "Coisas de aspecto sujo"; "Coisas que dizem respeito a uma casa"; "Coisas que s&atilde;o distantes, embora pr&oacute;ximas"; "Coisas consternantes"; "Coisas que s&oacute; fazem passar"; "Coisas de bater o cora&ccedil;&atilde;o", entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas duas classifica&ccedil;&otilde;es estranhas e distantes de n&oacute;s — a que nos apresenta Borges e a de Sei Shonagon — de algum modo nos ensinam a desconfiar de nossas pr&oacute;prias taxonomias e interrog&aacute;-las n&atilde;o tanto quanto &agrave; sua adequa&ccedil;&atilde;o &agrave;s coisas que elas categorizam, mas sim quanto ao mundo e aos modos de vida que produzem. Os perfis e as taxonomias proativas profusamente constru&iacute;das a partir do monitoramento de rastros pessoais digitais pretendem saber e decidir, muitas vezes a despeito dos sujeitos em quest&atilde;o, sobre o que eles podem e n&atilde;o podem desejar, conhecer, escolher. Sob a &eacute;gide da multiplica&ccedil;&atilde;o de ofertas personalizadas, &eacute; o pr&oacute;prio campo de experi&ecirc;ncia e de a&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel dos indiv&iacute;duos que est&aacute; em perigo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Retornemos a Borges (28), no mesmo texto citado, em que nos lembra o que est&aacute; em jogo, ao final: o imenso problema das palavras e das coisas, da ordem e da linguagem. Problema de que nos d&aacute; a "mais l&uacute;cida defini&ccedil;&atilde;o", em sua ilustre opini&atilde;o, atribu&iacute;da a Chesterton:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O homem sabe que h&aacute; na alma matizes mais desconcertantes, mais inumer&aacute;veis e mais an&ocirc;nimos que as cores de um bosque outonal. Cr&ecirc;, no entanto, que esses matizes, em todas as suas fus&otilde;es e convers&otilde;es, podem ser representados com precis&atilde;o por meio de um mecanismo arbitr&aacute;rio de grunhidos e chiados. Cr&ecirc; que mesmo de dentro de um corretor da Bolsa realmente saem ru&iacute;dos que significam todos os mist&eacute;rios da mem&oacute;ria e todas as agonias do desejo. (28, p. 177).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFERENCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. A lista divulgada pelo <i>Wall Street Journal</i> est&aacute; dispon&iacute;vel em <a href="http://blogs.wsj.com/wtk/" target="_blank">http://blogs.wsj.com/wtk/</a></font><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Cf. <i>Wall Street Journal,</i> "What they know", dispon&iacute;vel em <a href="http://on.wsj.com/apQ9IN" target="_blank">http://on.wsj.com/apQ9IN</a></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Bruno, F.; Nascimento L. et alii. "Rastros humanos en internet: privacidad y seguimiento online em s&iacute;tios web populares del Brasil". <i>Nov&aacute;tica,</i> Madrid, ano XXXVIII, n. 217, may/jun. 2012.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Sobre o relat&oacute;rio completo da pesquisa, Cf. Firmino, R.; Bruno, F. et alii. <i>Social impacts of the use and regulation of personal data in Latin America.</i> IDRC/Lavits, 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://lavits.org/?p=193&amp;lang=en" target="_blank">http://lavits.org/?p=193&lang=en</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Acxiom Corp. (<a href="http://bit.ly/8Uz4BI" target="_blank">http://bit.ly/8Uz4BI</a>). Na mat&eacute;ria mencionada, executivos da empresa afirmam que seu banco de dados cont&eacute;m informa&ccedil;&otilde;es sobre 500 milh&otilde;es de consumidores ativos no mundo todo, com cerca de 1.500 dados por pessoa, sendo a maioria de adultos nos Estados Unidos. Seu lucro declarado no &uacute;ltimo ano fiscal foi de 77,26 milh&otilde;es de d&oacute;lares sobre um total de vendas de US$ 1,13 bilh&atilde;o.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. <i>Wall Street Journal,</i> 19 novembre 2010. <a href="http://on.wsj.com/crQVCW" target="_blank">http://on.wsj.com/crQVCW</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Deloitte Consulting. <a href="http://www.deloitte.com/" target="_blank">www.deloitte.com/</a></font><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Cf. <a href="http://www.lotame.com/" target="_blank">http://www.lotame.com/</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. &Eacute; o caso da empresa &#91;x+1&#93;, reportado pelo <i>Wall Street Journal.</i> Cf. <a href="http://on.wsj.com/bUlR5G" target="_blank">http://on.wsj.com/bUlR5G</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Os arquivos da Ag&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a dos Estados Unidos, revelados por Edward Snowden, especialmente os documentos do programa PRISM, s&atilde;o uma demonstra&ccedil;&atilde;o clara das rela&ccedil;&otilde;es entre pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a de Estados e grandes corpora&ccedil;&otilde;es da internet, implicando o monitoramento de seus usu&aacute;rios em escala global. Greenwald, G. <i>No place to hide.</i> Brilliance Audio, 2014.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Diversos sites como fyiscreening; EmployeeScreenlQ; Abika prestam servi&ccedil;os de rastreamento de dados pessoais em redes sociais e afins, oferecendo a empresas dossi&ecirc;s detalhados dos rastros de indiv&iacute;duos na web.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Bollier, D. <i>The promise and peril of big data.</i> Washington: The Aspen Institute, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Boyd, D.; Crawford, K. "Six provocations for big data". <i>In: A decade in internet time: Symposium on the dynamics of the internet and society,</i> 2011. Oxford: SSRN eLibrary. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.1926431" target="_blank">http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.1926431</a>&gt;. Acesso em: 05 Mar. 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Manovich, L. "Trending: The promises and the challenges of big social data". <i>In:</i> Gold, <i>M. (Org.). Debates in the digital humanities.</i> Minneapolis: The University Of Minnesota Press, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Traduzido do original em ingl&ecirc;s: "This is a world where massive amounts of data and applied mathematics replace every other tool that might be brought to bear. Out with every theory of human behavior, from linguistics to sociology. Forget taxonomy, ontology, and psychology. Who knows why people do what they do? The point is they do it, and we can track and measure it with unprecedented fidelity. With enough data, the numbers speak for themselves" Anderson, C. "The end of theory: The data deluge makes the scientific method obsolete". <i>Wired Magazine</i> 16.07, 23 June 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Gandy, O. H. Data mining and surveillance in the post-9.11 environment. Political Economy Section, IAMCR. Barcelona, jul. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Estes contrastes inspiram-se, por contraste, em algumas caracter&iacute;sticas do modelo indici&aacute;rio que o historiador Carlo Ginzburg (1989) atribui &agrave;s ci&ecirc;ncias humanas e sociais modernas. Ginzburg, C. <i>Mitos, emblemas, sinais.</i> S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1989.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Vale notar, contudo, que o foco estrat&eacute;gico do <i>profiling</i> nas a&ccedil;&otilde;es potenciais convive com outros procedimentos de rastreamento de dados na internet que visam retra&ccedil;ar origens de a&ccedil;&otilde;es e identificar seus respons&aacute;veis.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Hildebrandt, M. and S. Gutwirth (eds). <i>Profiling the european citizen. Cross-disciplinary perspectives.</i> Dordrecht: Springer Science, 2008.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Anderson, Op. Cit., 2008.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. Foucault, M. As <i>palavras e as coisas.</i> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. Foucault, M. <i>Naissance de la biopolitique.</i> Paris: Gallimard/Seuil, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. Bigo, D. "Security, surveillance and democracy". LISS Cost Conference, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. Gangadharan, S. "Digital inclusion and data profiling". <i>First Monday, </i>Chicago, v. 17, n. 5, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25. Borges, J.L. "O idioma anal&iacute;tico de John Wilkins". In: <i>Obras completas. </i>Porto Alegre: Globo, 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26. Vaz, P. <i>O inconsciente artificial.</i> S&atilde;o Paulo: Unimarco, 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">27. Sei Sh&ocirc;nagon. <i>Notes de chevet.</i> Traduction par Andr&eacute; Beaujard. Paris: Gallimard, 1997.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">28. Borges, J.L., Op. Cit., 1999.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nt"></a>(<a href="#nta">*</a>) Este artigo &eacute; uma vers&atilde;o em portugu&ecirc;s do cap&iacute;tulo "Grilles de nos traces sur internet" publicado originalmente em franc&ecirc;s no livro <i>Derri&egrave;rre lesgrilles: sortons du tout-&eacute;valuation</i>, Barbara Cassin (Org.), Editora Mille et une nuits, Paris, 2013. <i>Escrito em 2010, este artigo permanece pertinente e, ao mesmo tempo, mereceria ser atualizado. Nos cinco anos que afastam a escrita do texto e esta publica&ccedil;&atilde;o, as t&eacute;cnicas epr&aacute;ticas de rastreamento e monitoramento online se ampliaram e se diversificaram, bem como o debate sobre o tema, especialmente impulsionado pelas revela&ccedil;&otilde;es de Edward Snowden em 2013. Percebemos, assim, o quanto as tecnologias e as pol&iacute;ticas em torno da apropria&ccedil;&atilde;o de nossos dados online s&atilde;o marcadas por uma grande acelera&ccedil;&atilde;o. Entretanto, os argumentos aqui propostos permanecem v&aacute;lidos para compreendermos as engrenagens envolvidas no rastreamento e classifica&ccedil;&atilde;o das nossas a&ccedil;&otilde;es online, bem como as formas de controle que lhes s&atilde;o associadas. Neste sentido, o artigo segue contribuindo para questionarmos as pol&iacute;ticas de dados em curso na web.</i></font></p>      ]]></body><back>
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