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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Viver de pôquer: como o jogo profissional ajuda a entender a exposição de si e o trabalho não remunerado nas redes sociais]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VIGIL&Acirc;NCIA    <br>   ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Viver de p&ocirc;quer: como o jogo profissional ajuda a entender a exposi&ccedil;&atilde;o de si e o trabalho n&atilde;o remunerado nas redes sociais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Rafael Evangelista</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Doutor em antropologia social, pesquisador do Laborat&oacute;rio de Estudos Avan&ccedil;ados em Jornalismo (Labjor) e professor do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Cultural da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Email: <a href="mailto:rae@unicamp.br">rae@unicamp.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poderiam os ambientes das redes sociais da internet — que em suas caracter&iacute;sticas aditivas (1) unem divers&atilde;o/brincadeira/jogo — serem comparados aos sistemas de p&ocirc;quer online? Por um lado, ambos funcionam como entretenimento, divertem, prendem a aten&ccedil;&atilde;o e "fazem o tempo passar" para milh&otilde;es de usu&aacute;rios diariamente. Ao mesmo tempo, s&atilde;o um ambiente de trabalho, muitas vezes fora da rela&ccedil;&atilde;o salarial, para milhares de pessoas — milh&otilde;es, no caso das redes sociais. As redes s&atilde;o usadas para expor as mais variadas produ&ccedil;&otilde;es intelectuais, de sujeitos que tentam atrair aten&ccedil;&atilde;o para si, como escritor, m&uacute;sico, poeta, intelectual, comediante, comunicador, fot&oacute;grafo, ou para links externos que hospedem essas obras. Os sites de p&ocirc;quer s&atilde;o a arena em que acontece a performance de milhares de jogadores de p&ocirc;quer profissionais, vigiada e verificada por dispositivos de registro, que atravessam os dias participando de mesas de cartas, por vezes v&aacute;rias simultaneamente, com objetivo de, ao menos, obterem ganhos m&iacute;nimos. Nas suas redes espec&iacute;ficas, ou nas redes sociais gerais, os n&uacute;meros que mostram o bom desempenho ser&atilde;o usados para conseguirem contratos e patroc&iacute;nios, que podem lev&aacute;-los a um est&aacute;gio mais confort&aacute;vel na carreira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este relato preliminar de pesquisa, que usa de entrevistas semies-truturadas, observa&ccedil;&atilde;o de campo, revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica e an&aacute;lise de publica&ccedil;&otilde;es, pretende, a partir do exame da figura, do cotidiano e das ideias dos jogadores autoreferidos como profissionais, indagar sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre jogo, divers&atilde;o, trabalho e profissionaliza&ccedil;&atilde;o nas redes sociais. Mais do que um ambiente de conversa&ccedil;&atilde;o entre pessoas, elas ganharam centralidade enquanto n&oacute; de rela&ccedil;&otilde;es comerciais e de valoriza&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica e informacional, de pessoas e produtos, na sociedade contempor&acirc;nea. Operam a partir de registros permanentes de todas as trocas informacionais. A extra&ccedil;&atilde;o de valor dessas informa&ccedil;&otilde;es se d&aacute; por meio de sofisticados mecanismos de vigil&acirc;ncia e an&aacute;lise dos dados produzidos, que funcionam como o combust&iacute;vel a alimentar an&aacute;lises comportamentais &uacute;teis, entre outros, ao mercado publicit&aacute;rio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PROFISSIONALIZA&Ccedil;&Atilde;O EM UM JOGO DE HABILIDADE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O n&uacute;mero de jogadores de p&ocirc;quer, online e offline, vem crescendo ao longo dos anos (2). Estimativas da ind&uacute;stria do p&ocirc;quer online afirmam que, em 2014, esse foi um neg&oacute;cio de 2 bilh&otilde;es de euros (3). Ainda segundo a pr&oacute;pria ind&uacute;stria, entre os fatores principais que t&ecirc;m contribu&iacute;do para o crescimento est&atilde;o: a expans&atilde;o da infraestrutura de banda larga; inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica do setor da tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o; aumento no uso de <i>tablets</i> e <i>smartphones;</i> investimentos da ind&uacute;stria de jogos; e confian&ccedil;a dos jogadores nos mecanismos de pagamentos online. Informes da ind&uacute;stria ressaltam ainda que, desse p&uacute;blico crescente, destacam-se dois perfis: os apostadores offline, que passaram a ganhar confian&ccedil;a nas plataformas online; e jovens aficionados por videogames e jogos eletr&ocirc;nicos online em geral, que estariam sendo conquistados pelo mundo do p&ocirc;quer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; fato que o p&ocirc;quer passou a receber grandes investimentos da ind&uacute;stria em sua promo&ccedil;&atilde;o. Programas esportivos de televis&atilde;o s&atilde;o intermediados por an&uacute;ncios de sites de jogo online; torneios de p&ocirc;quer ao redor do mundo recebem extensiva cobertura televisiva; astros do futebol (Ronaldo, Cristiano Ronaldo, Neymar) e do t&ecirc;nis (Boris Becker, Rafael Nadal) s&atilde;o contratados como garotos propaganda e se envolvem em competi&ccedil;&otilde;es promocionais; atores como Ben Affleck, Meg Tilly e Tobey Maguire s&atilde;o conhecidos jogadores e reality shows figurando atores se tornaram populares; revistas especializadas promovem torneios, cultuam jogadores habilidosos e d&atilde;o dicas de como profissionalizar-se.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O mundo do p&ocirc;quer online n&atilde;o se reduz aos sites que hospedam os jogos. Ele se constitui como um sistema em que se relacionam os j&aacute; mencionados sites; f&oacute;runs de discuss&atilde;o na internet utilizados pelos jogadores; publica&ccedil;&otilde;es profissionais online e offline; programas de televis&atilde;o; blogs e perfis de redes sociais mantidos por jogadores, contendo dicas, estrat&eacute;gias de jogo, relatos sobre performance, estat&iacute;sticas pessoais e participa&ccedil;&otilde;es em torneios; empresas de cart&atilde;o de cr&eacute;dito localizadas em para&iacute;sos fiscais; e empresas que trocam cr&eacute;ditos virtuais por moeda corrente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Celebridade, visibilidade, notoriedade e promo&ccedil;&atilde;o de si s&atilde;o fundamentais para as ideias que desenvolvemos aqui. Ao mesmo tempo que a populariza&ccedil;&atilde;o do jogo e o incentivo &agrave; profissionaliza&ccedil;&atilde;o passam por promover a percep&ccedil;&atilde;o de que mesmo pessoas ditas comuns, ainda que c&eacute;lebres em outros campos de atua&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o capazes de conseguirem bons ganhos com o jogo, obter sucesso em uma tentativa de profissionaliza&ccedil;&atilde;o passa quase que necessariamente por ser socialmente reconhecido e notabilizar-se como um jogador h&aacute;bil capaz de auferir altos ganhos. Nisso os sites sat&eacute;lites aos ambientes onde o jogo realmente acontece s&atilde;o importantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tornar-se um profissional do p&ocirc;quer significa fazer dele sua principal ou &uacute;nica fonte de renda, dedicando ao jogo, online e offline, significativa parte do dia de trabalho. McCormack &amp;Griffiths (2) procuraram entender, em estudo, as diferen&ccedil;as entre os jogadores recreativos e profissionais. Para isso, entrevistaram nove jogadores, sendo tr&ecirc;s autointitulados profissionais, um semiprofissional e cinco recreativos, todos ingleses. Algumas de suas observa&ccedil;&otilde;es v&atilde;o na mesma dire&ccedil;&atilde;o dos achados deste trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O jogador profissional trata o p&ocirc;quer como um trabalho, o que implica uma determinada assiduidade e postura com rela&ccedil;&atilde;o ao jogo. Em geral, esses jogadores repetem uma frequ&ecirc;ncia (de 5 a 6 dias por semana) e uma quantidade m&iacute;nima de horas por dia. No artigo</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Playing poker for a living" (4), publicado em um site dedicado a jogadores frequentes (5), a rotina &eacute; descrita da seguinte forma: "Eu acordo cedo, como meu caf&eacute; da manh&atilde; e tomo um banho antes de ir para as mesas. ( ) Eu tipicamente jogo p&ocirc;quer por tr&ecirc;s ou quatro horas de manh&atilde; e ent&atilde;o vou fazer algo para almo&ccedil;ar. Na tarde, eu procuro fazer alguma outra coisa ( ). &Agrave; noite inicio outra sess&atilde;o, para encontrar os jogadores amadores do fim do dia". Ele ent&atilde;o descreve jogar at&eacute; o limite em que identifica n&atilde;o estar mais alerta o suficiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse &eacute; um comportamento que tamb&eacute;m &eacute; registrado por McCormack &amp;Griffiths (2) e que igualmente encontramos descrito em nossas entrevistas: no m&iacute;nimo oito horas por dia, chegando a 12 ou 14 em alguns momentos. Com o diferencial de que, por serem jogadores brasileiros, em outro fuso hor&aacute;rio, os per&iacute;odos n&atilde;o s&atilde;o necessariamente os mesmos. H&aacute; uma busca pelo fim do dia nos pa&iacute;ses centrais, "quando o gringo volta meio b&ecirc;bado do bar", quando os advers&aacute;rios amadores est&atilde;o mais fragilizados. Aparece aqui, ainda, a diferen&ccedil;a cambial, de custo de vida e de ganhos nos pa&iacute;ses mais desenvolvidos. O dinheiro que o trabalhador comum em um pa&iacute;s mais rico pode desperdi&ccedil;ar em jogos se torna o ganho di&aacute;rio no pa&iacute;s mais pobre. As diferen&ccedil;as entre Sul e Norte, entre pa&iacute;ses pobres e pa&iacute;ses ricos, n&atilde;o desaparecem no pano verde das mesas de jogos. O que &eacute; dinheiro mi&uacute;do, a ser desperdi&ccedil;ado em um hemisf&eacute;rio pode virar o lucro cotidiano em outro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n1/a14fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os entrevistados de McCormack &amp; Griffiths relatam ganhos anuais de US$ 150 mil para os jogadores profissionais e US$ 30 mil para o entrevistado semiprofissional. S&atilde;o n&uacute;meros muito distantes dos descritos em sites brasileiros que d&atilde;o dicas para que um amador se torne um profissional. &Eacute; bastante dif&iacute;cil chegar a um n&uacute;mero concreto, j&aacute; que a maioria das hist&oacute;rias gira em torno de nomes j&aacute; famosos e vitoriosos. Estes, em in&iacute;cio de carreira, quando estariam ganhando mais experi&ecirc;ncia ganhariam de US$ 2 mil a US$ 6 mil (6). No entanto, como padr&atilde;o m&iacute;nimo para um jogador iniciante fala-se em R$ 1 mil mensais. "Precisar de mil reais por m&ecirc;s n&atilde;o &eacute; problema, o que n&atilde;o d&aacute; &eacute; pra querer ter um padr&atilde;o de vida alto ou sustentar uma fam&iacute;lia sem saber onde est&aacute; pisando" (7).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma constante nesses textos de dicas para a profissionaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o as compara&ccedil;&otilde;es entre a administra&ccedil;&atilde;o da carreira de jogador e o gerenciamento de um fundo de a&ccedil;&otilde;es ou de aplica&ccedil;&otilde;es em mercado financeiro. Por um lado, fala-se em investimento, em estar preparado para per&iacute;odos longos, de at&eacute; dois anos, amealhando preju&iacute;zo enquanto se adquire experi&ecirc;ncia e conhecimento. Por outro, em correr riscos e enfrentar preju&iacute;zos mas tamb&eacute;m vislumbrar a possibilidade de ganhos extraordin&aacute;rios. "Mas isso n&atilde;o &eacute; exclusivo do p&ocirc;quer. Quem trabalha com mercado financeiro ou bolsa de valores, por exemplo, est&aacute; sujeito aos mesmos riscos. A boa administra&ccedil;&atilde;o de seu capital na bolsa equivale ao que um profissional deve fazer de seu <i>bankroll.</i> Administrar envolve ter registros acurados, planejar os investimentos, as retiradas mensais etc", diz um deles (8). McCormack &amp;Griffiths registram fala parecida: "Quer dizer, eu vejo como bancos de investimento, eles investem dinheiro e eles est&atilde;o basicamente apostando todos os dias se as a&ccedil;&otilde;es v&atilde;o subir ou descer e num dia espec&iacute;fico eles n&atilde;o sabem o que vai acontecer, mas a longo prazo a habilidade deles busca prever o que vai acontecer para faz&ecirc;-los ganhar dinheiro".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O longo prazo tamb&eacute;m aparece como maneira para driblar o azar, vencer a vari&acirc;ncia. Al&eacute;m de jogarem por longos per&iacute;odos de tempo os profissionais jogam muitas mesas simultaneamente, de alguma maneira aumentando sua "produtividade". Busca-se diminuir o risco pelo excesso, pela repeti&ccedil;&atilde;o, os momentos de azar s&atilde;o compensados pela possibilidade de uma melhor sorte na m&atilde;o seguinte. Quanto mais experiente o jogador mais capaz ele se torna de atuar em v&aacute;rias mesas ao mesmo tempo, bastando uma olhadela nas cartas para que se tome a decis&atilde;o necess&aacute;ria. Os relatos s&atilde;o de at&eacute; dez mesas sendo jogadas ao mesmo tempo pelo mesmo profissional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel pois estilo de jogo desenvolvido n&atilde;o requer intensidade. O jogador profissional evita correr riscos que os inexperientes, os cansados e os b&ecirc;bados podem correr. O profissional deve se distanciar emocionalmente do jogo, aceitar as perdas como normais, n&atilde;o buscando compens&aacute;-las imediatamente e evitar ao m&aacute;ximo o risco. A busca pelo lucro no dia a dia n&atilde;o vem de grandes ganhos e ocasi&otilde;es, mas de pequenas e repetidas vit&oacute;rias em muitas mesas ao longo do dia de trabalho. Isso aparece tamb&eacute;m nas recomenda&ccedil;&otilde;es de que &eacute; preciso estar relaxado e de cabe&ccedil;a fresca para se jogar bem. O jogador estressado "<i>tilta</i>" (como as m&aacute;quinas de pinball entravam em <i>tilt)</i> e n&atilde;o toma decis&otilde;es racionais. Do mesmo modo, o jogador em dificuldades financeiras costuma jogar mal, pois est&aacute; pressionado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A AUTOMATIZA&Ccedil;&Atilde;O </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Profissionais e amadores — menos frequentemente — t&ecirc;m se utilizado de outros softwares como auxiliares nesse estilo de jogo mec&acirc;nico, racional. Um tipo desses programas faz c&aacute;lculos matem&aacute;ticos das cartas na mesa, apresentando as chances de vit&oacute;ria de cada jogador. Esse tipo de estimativa &eacute; uma constante nos jogos offline televisionados. Acompanha-se a oscila&ccedil;&atilde;o desse n&uacute;mero ao longo do jogo para cada um dos jogadores, criando-se tens&atilde;o e suspense. O jogador profissional, ainda que n&atilde;o possa ler as m&atilde;os dos oponentes como na televis&atilde;o, usa os n&uacute;meros para diminuir as chances de perdas. Consegue, assim, calcular quando agir de maneira mais conservadora ou agressiva com menos riscos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra modalidade de software auxiliar s&atilde;o os que "leem" as estat&iacute;sticas de outros jogadores, para que se possa entender o estilo do oponente e melhor jogar contra ele. Como &eacute; preciso um registro fixo, um nome de usu&aacute;rio constante para se fazer os saques em moeda corrente, os jogadores costumam ter somente um nome de usu&aacute;rio. Isso permite o ranqueamento e o acompanhamento dessas identidades. A partir dos nomes de usu&aacute;rio extrai-se um perfil de jogo, &uacute;til para se saber contra que estilo de jogo e n&iacute;vel de jogador se est&aacute; competindo. Jovens acostumados com videogames notadamente manuseiam mais facilmente esses programas, que envolvem a habilidade de controlar v&aacute;rias aplica&ccedil;&otilde;es diferentes ao mesmo tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das dificuldades apontadas pelos profissionais tem sido lidar com rob&ocirc;s, <i>bots</i>, advers&aacute;rios n&atilde;o humanos totalmente automatizados utilizados por terceiros, como os reportados pelo jornal <i>The New York Times,</i> que registra um avan&ccedil;o recente na qualidade desses programas (9). H&aacute;, inclusive, um mercado que vende esses rob&ocirc;s, desenvolvidos para serem usados em sites espec&iacute;ficos, podendo ainda serem adaptados pelo comprador com varia&ccedil;&otilde;es no estilo de jogo. Ao dono malicioso desses rob&ocirc;s cabe encontrar ou desenvolver falsos perfis hospedeiros, perfis que possam sacar o dinheiro ganho, j&aacute; que a retirada de valores costuma ser um processo burocraticamente complicado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O combate aos rob&ocirc;s &eacute; feito mais eficazmente pelos maiores sites e redes de jogo online. Al&eacute;m de melhores mecanismos tecnol&oacute;gicos de detec&ccedil;&atilde;o, esses sites t&ecirc;m um processo mais complicado de retirada de valores e de verifica&ccedil;&atilde;o da identidade real dos perfis utilizados. Os sites de menor prest&iacute;gio s&atilde;o mais vulner&aacute;veis e tamb&eacute;m lenientes aos rob&ocirc;s. No entanto, oferecem mais b&ocirc;nus e cobram menos taxas dos jogadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A reclama&ccedil;&atilde;o contra os rob&ocirc;s, especialmente por parte dos profissionais, ainda que justa, tem um algo de ir&ocirc;nico. O estilo de jogo "rob&oacute;tico" &eacute; justamente uma das caracter&iacute;sticas desses jogadores e os mais jovens s&atilde;o apontados como mais h&aacute;beis exatamente por melhor se utilizarem de softwares auxiliares, por melhor se hibridarem com as novas tecnologias de jogo online.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda nesse sentido, pode-se apontar como o uso de rob&ocirc;s no p&ocirc;quer guarda rela&ccedil;&otilde;es com trabalhadores bra&ccedil;ais sendo substitu&iacute;dos nas linhas de montagem por m&aacute;quinas. Outro fen&ocirc;meno, mais recente, tem sido a amea&ccedil;a vivida por profiss&otilde;es vistas como mais intelectualizadas, como o jornalismo, de substitui&ccedil;&atilde;o por algoritmos escritores de not&iacute;cias. A pr&aacute;tica profissional primeiro &eacute; robotizada via processos de trabalho — e de escrita — muito normatizados e regulados. Depois substitui-se esse profissional por aut&ecirc;nticos rob&ocirc;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OS AMBIENTES DE TROCAS DE INFORMA&Ccedil;&Otilde;ES </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como dito acima, uma das dificuldades dos profissionais do p&ocirc;quer est&aacute; no recebimento do dinheiro ganho, o chamado <i>cashout.</i> Este &eacute;, inclusive, um fator para a escolha do site a se jogar (10). Trata-se de um processo que, a depender do site, pode ser demorado (&agrave;s vezes meses), complicado e, como envolve transfer&ecirc;ncias internacionais, bastante custoso devido a taxas banc&aacute;rias e impostos. Geralmente evita-se receber por vias tradicionais, sendo poss&iacute;vel duas alternativas, ou conta internacional em para&iacute;sos fiscais ou um mercado paralelo de cr&eacute;ditos, amador ou profissional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As contas internacionais servem bem para ganhos m&eacute;dios e para gastos cotidianos. S&atilde;o servi&ccedil;os prestados pelos bancos mirando tamb&eacute;m esse p&uacute;blico de apostadores (no caso n&atilde;o somente em p&ocirc;quer, mas em cassinos e competi&ccedil;&otilde;es esportivas). Pede-se ao site a convers&atilde;o dos cr&eacute;ditos para moeda real e o dinheiro &eacute; depositado em uma conta internacional. O cliente recebe, em seu pa&iacute;s, um cart&atilde;o de cr&eacute;dito comum, com o qual consegue fazer saques na moeda do pa&iacute;s e compras em lojas que aceitam cart&otilde;es de cr&eacute;dito internacionais. O banco ganha cobrando taxas nas opera&ccedil;&otilde;es de retirada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; o mercado de cr&eacute;ditos acontece principalmente em f&oacute;runs de discuss&atilde;o. Tem a vantagem de ser r&aacute;pido e direto, com os cr&eacute;ditos sendo transferidos instantaneamente e o dinheiro sendo trocado informalmente entre contas banc&aacute;rias no pa&iacute;s. Taxas de c&acirc;mbio, tarifas e descontos s&atilde;o negociados entre compradores e vendedores, num mercado que envolve n&atilde;o somente os jogadores, mas intermedi&aacute;rios que lucram com essas transa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Redes sociais, sites de informa&ccedil;&atilde;o, blogs de jogadores e f&oacute;runs de discuss&atilde;o s&atilde;o parte importante do mundo do jogo profissional. Os sites de jogos costumam variar a porcentagem que cobram do jogador (o chamado <i>rake),</i> os b&ocirc;nus oferecidos por dinheiro inserido e os descontos para aqueles que passam muito tempo jogando (o <i>rakeback).</i> Informa&ccedil;&otilde;es atualizadas sobre essas oportunidades s&atilde;o importantes, o <i>rakeback</i> &eacute; um dos mecanismos de fideliza&ccedil;&atilde;o e atra&ccedil;&atilde;o de jogadores mais significativo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, os jogadores costumam repetir que o aprendizado nunca acaba, e este acontece jogando-se repetidas vezes, para se ganhar experi&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m a partir de dicas, macetes e reflex&otilde;es de outros jogadores, n&atilde;o s&oacute; sobre o jogo em si mas tamb&eacute;m sobre o gerenciamento da carreira profissional. Livros, sites e blogs s&atilde;o importantes nesse aspecto, s&atilde;o os espa&ccedil;os de aconselhamento e aprendizagem do jogo de p&ocirc;quer e do jogo envolvido na administra&ccedil;&atilde;o do dinheiro, no planejamento financeiro, onde o profissional do p&ocirc;quer imagina-se como investidor de uma empresa de si mesmo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; os f&oacute;runs s&atilde;o um espa&ccedil;o mais diverso e, de alguma forma, democr&aacute;tico. Al&eacute;m do citado com&eacute;rcio informal de cr&eacute;ditos, trata-se de um espa&ccedil;o nivelado de intera&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duos. Sites e revistas, ainda que na internet, t&ecirc;m suas linhas editoriais e prop&oacute;sitos definidos. Blogs s&atilde;o pessoais, t&ecirc;m seus donos, que s&atilde;o os gerentes e as estrelas desses espa&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os f&oacute;runs s&atilde;o como pra&ccedil;as abertas, onde as pessoas circulam, se mostram e onde h&aacute; mais abertura tem&aacute;tica. Fazer o famigerado <i>networking, </i>recomenda&ccedil;&atilde;o t&atilde;o comum no mundo do trabalho gerencial, est&aacute; entre as dicas sobre o que &eacute; necess&aacute;rio para tornar-se profissional (11).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse mostrar-se, construir um nome e uma reputa&ccedil;&atilde;o nesses espa&ccedil;os informacionais pode ser um atalho para uma carreira profissional de sucesso. Galgar os passos de uma carreira profissional sozinho &eacute; poss&iacute;vel, mas bastante dif&iacute;cil. O jogador precisa ter ou construir um capital que o permita vencer as instabilidades, a vari&acirc;ncia inerente ao p&ocirc;quer, tanto diariamente, administrando seu jogo de maneira cuidadosa e correndo poucos riscos, como no m&eacute;dio e longo prazo, tentando vencer poss&iacute;veis per&iacute;odos de vacas magras. V&aacute;rios relatos d&atilde;o conta de que o jogador pressionado a pagar as contas do m&ecirc;s tem desempenho pior. Levam vantagem aqueles que conseguem entrar paulatinamente na carreira ou que tenham alguma fonte de renda garantida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para quem n&atilde;o tem, os times podem ser uma alternativa. Eles s&atilde;o grupos de jogadores que se re&uacute;nem, por si mesmos ou por recrutamento, e compartilham treinamento, compromisso de envolvimento e um fundo m&uacute;tuo. O chamado <i>bankroll,</i> o dinheiro para jogar, &eacute; coletivizado, com regras definidas pelo grupo sobre os pagamentos regulares feitos aos jogadores. Ser convidado a estar em um time envolve confian&ccedil;a e talento demonstrado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra op&ccedil;&atilde;o, que tamb&eacute;m envolve contatos feitos principalmente em f&oacute;runs de discuss&atilde;o, &eacute; a "cavalagem" ou <i>staking.</i> Nela o jogador vende cotas — como uma empresa vende a&ccedil;&otilde;es —, para um ou mais interessados, com o objetivo de participar de um conjunto de torneios ou para receber dinheiro a ser apostado durante um per&iacute;odo de tempo. Depois do tempo combinado ou dos torneios o investidor recebe parte dos lucros, descontando o investimento feito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O <i>TRACKING</i> E A VERIFICA&Ccedil;&Atilde;O COMO CONDI&Ccedil;&Atilde;O PARA O SUCESSO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem de si como "winner", como algu&eacute;m com habilidades comprovadas e pass&iacute;vel de recebimento de investimentos com probabilidade de sucesso, requer tanto uma capacidade pessoal de exibir-se nos espa&ccedil;os adequados como depende da exist&ecirc;ncia de mecanismos de verifica&ccedil;&atilde;o, registro e rastreio do desempenho dos jogadores. Mecanismos que se mostrem, por um lado, globais e, por outro, que sejam confi&aacute;veis. Alguns sites fazem isso, mostrando o hist&oacute;rico de desempenho dos jogadores e suas perdas e ganhos ao longo do tempo. S&atilde;o grandes bancos de dados miner&aacute;veis, que mostram o desempenho de jogadores do mundo todo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A centralidade na informa&ccedil;&atilde;o, e especialmente nos bancos de dados informacionais, &eacute; um dos aspectos que une os sites de p&ocirc;quer a outras variadas atividades de entretenimento, trabalho e comunica&ccedil;&atilde;o que ganharam a internet. Os sites disponibilizam hist&oacute;ricos das m&atilde;os dos jogadores, permitindo o estudo e escrut&iacute;nio posterior das a&ccedil;&otilde;es de todos os jogadores. Os investimentos s&atilde;o realizados em grande parte confiando-se nesses dados e tra&ccedil;ando-se cen&aacute;rios para o futuro a partir dessas informa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m das pr&aacute;ticas de minera&ccedil;&atilde;o h&aacute;, como nas redes sociais, os mecanismos de software e sociais que levam &agrave; auto-exposi&ccedil;&atilde;o dos jogadores. Conseguir entrar numa equipe ou obter financiamento para uma "cavalagem" envolve uma promo&ccedil;&atilde;o de si nos espa&ccedil;os de intera&ccedil;&atilde;o. Expor os pr&oacute;prios dados em um blog, por exemplo, contando de suas estrat&eacute;gias, hist&oacute;rico positivo e performance ajuda a atrair a aten&ccedil;&atilde;o. Dar dicas para os iniciantes, ajudar em treinamentos, reunir informa&ccedil;&otilde;es confi&aacute;veis contribui para a constru&ccedil;&atilde;o de uma personalidade p&uacute;blica ligada ao p&ocirc;quer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da mesma maneira que as empresas usam celebridades na promo&ccedil;&atilde;o do jogo, jogadores renomados ajudam a trazer credibilidade para as empresas. Enquanto a Poker Stars, maior empresa do ramo, simbolicamente liga o p&ocirc;quer a um esporte, centralizando sua promo&ccedil;&atilde;o na contrata&ccedil;&atilde;o de atletas renomados, empresas menores buscam por jogadores de p&ocirc;quer famosos, visando inspirar confian&ccedil;a nos jogadores profissionais e significarem-se como espa&ccedil;os especializados e menos amadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nem todos podem ser celebridades, guias, hist&oacute;rias de sucesso. Para haver <i>winners</i> &eacute; preciso haver <i>losers,</i> para existirem famosos &eacute; preciso que existam os an&ocirc;nimos. Mas &eacute; a busca pelo topo, pelo ganho, pela notoriedade, que faz mexer a m&aacute;quina informacional, que produz vida/dados nas redes e nas mesas de p&ocirc;quer. Os pequenos ganhos cotidianos s&atilde;o a etapa intermedi&aacute;ria imagin&aacute;ria que antecede o momento de entrada na elite, a hora em que o grande patroc&iacute;nio ser&aacute; fechado ou o que <i>bankroll</i> acumulado ser&aacute; t&atilde;o grande que jogar ser&aacute; de novo um hobby e n&atilde;o um trabalho. E, por isso mesmo, seria o momento da melhor performance, sem <i>tilt</i>, livre das press&otilde;es que prejudicam o melhor jogo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A MEGA-M&Aacute;QUINA INFORMACIONAL</b></font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>Os inventores dos computadores s&atilde;o os construtores de pir&acirc;mides do nosso tempo: inflados psicologicamente por similar mito de poder sem qualidades, impulsionados por meio de sua ci&ecirc;ncia em sua crescente onipot&ecirc;ncia, se n&atilde;o onisci&ecirc;ncia, movidos por suas obsess&otilde;es e compuls&otilde;es n&atilde;o menos irracionais do que aquelas dos primeiros sistemas absolutistas: particularmente a no&ccedil;&atilde;o de que o sistema em si precisa ser expandido, n&atilde;o importando o eventual custo em vidas (12). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao buscar responder &agrave; pergunta sobre que tipo de tecnologia humana, t&atilde;o poderosa, teria sido utilizada pelos antigos eg&iacute;pcios para a constru&ccedil;&atilde;o de algo t&atilde;o grandioso como as pir&acirc;mides, o historiador e soci&oacute;logo estadunidense Lewis Mumford chega a uma resposta que, em seu tempo, pode ser considerada longe do trivial. A grande inven&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia n&atilde;o teria sido nenhum objeto espec&iacute;fico, nenhuma alavanca gigantesca capaz de fazer o trabalho de mil homens. O que teria possibilitado os esfor&ccedil;os dos eg&iacute;pcios seria uma m&aacute;quina social, uma organiza&ccedil;&atilde;o que integrou animais, homens, mulheres, crian&ccedil;as, institui&ccedil;&otilde;es e, tamb&eacute;m, equipamentos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse mesmo sentido, Christopher May argumenta por uma interpreta&ccedil;&atilde;o da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o como uma megam&aacute;quina. Apoiando-se em Mumford, May faz uma ponte entre a caracteriza&ccedil;&atilde;o da megal&oacute;pole como megam&aacute;quina com uma reflex&atilde;o sobre a sociedade da informa&ccedil;&atilde;o (12).</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>A megal&oacute;pole, em sua forma de cidade invis&iacute;vel, &eacute; o claro precursor da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o no trabalho de Mumford. Ainda que a terminologia seja diferente, h&aacute; uma clara correla&ccedil;&atilde;o entre as oportunidades e os problemas da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o. A sociedade da informa&ccedil;&atilde;o, supostamente, permite acesso a partir de todos os lugares (ou ao menos qualquer lugar com rede) aos bens culturais, informacionais e pol&iacute;ticos que est&atilde;o distribu&iacute;dos pelo sistema. A sociedade da informa&ccedil;&atilde;o como megal&oacute;pole n&atilde;o tem centro formal mas permite contato imediato com qualquer de suas partes componentes (lembra as origens da internet na amorfa estrutura de comando e controle da Arpanet militar dos Estados Unidos, desenhada para n&atilde;o ter estrutura de comunica&ccedil;&atilde;o fixa, a permitir o fluxo de informa&ccedil;&atilde;o mesmo se os elementos estivessem "nocauteados"). J&aacute; no caso das megal&oacute;poles, a sociedade da informa&ccedil;&atilde;o &eacute;, ao mesmo tempo, emancipadora e limitadora da experi&ecirc;ncia humana. Embora os recursos intelectuais estejam agora dispon&iacute;veis, tamb&eacute;m h&aacute; uma centraliza&ccedil;&atilde;o de poder, uma crescente capacidade de controle e vigil&acirc;ncia. A metr&oacute;pole mant&eacute;m seu poder enquanto progressivamente engole outras &aacute;reas da atividade humana dando a impress&atilde;o de ganho de poder individual." (13). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; preciso levar os jogadores profissionais de p&ocirc;quer a s&eacute;rio quando eles argumentam pensar sua atividade como um trabalho. Para al&eacute;m de seus pontos de vista individuais e da disciplina auto imposta, eles parecem cumprir uma fun&ccedil;&atilde;o no mundo do p&ocirc;quer de uma maneira geral e para os sites de jogos em particular. Na aventura que empreendem em busca de uma vida melhor — ou mesmo de pagarem as contas do dia a dia —, s&atilde;o como uma pe&ccedil;a na megam&aacute;quina de gera&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e de produ&ccedil;&atilde;o de valor. Ou uma das m&aacute;quinas que se acopla a outras m&aacute;quinas. Ajudam no entretenimento dos jogadores amadores, que pagam com apostas por esses momentos de divers&atilde;o. Ensinam o jogo, em seus sites e blogs, e estimulam os aspirantes a profissionais a continuarem jogando — que o fazem para aprender a jogar melhor. S&atilde;o recompensados pelos sites de p&ocirc;quer se fazem hora extra, se jogam por muitas horas, recompensa que vem em forma de <i>rakeback</i>, os descontos nas taxas de jogo. E tem sua performance rastreada, vigiada, registrada, armazenada e controlada constantemente, como &eacute; caracter&iacute;stico da internet contempor&acirc;nea.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo a t&iacute;pica trajet&oacute;ria de sucesso no p&ocirc;quer guarda rela&ccedil;&atilde;o com as recentes hist&oacute;rias de sucesso e de profissionaliza&ccedil;&atilde;o das ocupa&ccedil;&otilde;es criativas na era das redes sociais. Estas se tornaram, por excel&ecirc;ncia, o espa&ccedil;o onde &eacute; preciso estar, se expor, dar amostras de seu trabalho e talento, al&eacute;m de se construir rela&ccedil;&otilde;es, se se deseja sucesso nesse tipo de profiss&atilde;o. Vejamos o seguinte<i>post,</i> retirado da p&aacute;gina do Facebook de um popular ve&iacute;culo de informa&ccedil;&atilde;o e entretenimento anunciando a contrata&ccedil;&atilde;o de mais um produtor de conte&uacute;do a integrar a equipe:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>       <p>O &#91;funcion&aacute;rio&#93; &eacute; o novo contratado do &#91;ve&iacute;culo&#93; Brasil e est&aacute; come&ccedil;ando hoje! &#91;funcion&aacute;rio&#93; far&aacute; parte do &#91;corruptela do nome do ve&iacute;culo com a palavra <i>team,</i> time em ingl&ecirc;s&#93;, a parte da reda&ccedil;&atilde;o que escreve posts relacionados a cultura pop, TV, internet e etc.</p>       <p>&#91;funcion&aacute;rio&#93; estava mandando muito bem no Community (d&aacute; pra ver os posts antigos dele aqui &#91;URL com <i>username</i> do funcion&aacute;rio enquanto era colaborador volunt&aacute;rio&#93;, e n&oacute;s da reda&ccedil;&atilde;o nos divert&iacute;amos muito com ele e os leitores do site tamb&eacute;m.</p>       <p>Al&eacute;m disso, ele &eacute; o criador de algumas das pages mais legais aqui &#91;Facebook&#93; &#91;p&aacute;gina de humor 1 e p&aacute;gina de humor 2&#93; e &eacute; f&atilde; de &#91;cantor&#93; (na foto, ele faz o &#91;s&iacute;mbolo do cantor com as m&atilde;os&#93;).</p>       <p>Em breve teremos mais an&uacute;ncios e tamb&eacute;m novas vagas para a reda&ccedil;&atilde;o. Sempre lembrando que o &#91;URL do ve&iacute;culo que re&uacute;ne contribui&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias dos leitores&#93; &eacute; uma das melhores formas de testar se voc&ecirc; curte o &#91;ve&iacute;culo&#93; e da gente conhecer novas pessoas para virem trabalhar conosco.</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entender o mundo do p&ocirc;quer profissional pode ser importante por si mesmo. Nos ajuda a pensar sobre as mudan&ccedil;as no mundo do trabalho: que atividade profissional &eacute; essa que consiste em jogar?; s&atilde;o os pretensos profissionais do p&ocirc;quer mais compar&aacute;veis a pe&ccedil;as de uma m&aacute;quina ou a trabalhadores em uma f&aacute;brica?; ou s&atilde;o como empresas, em que se &eacute; um gerente de si mesmo, administrando-se como um ativo econ&ocirc;mico, em que at&eacute; a sa&uacute;de do corpo e a boa vida social (14) s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es desej&aacute;veis para um melhor desempenho? O p&ocirc;quer tamb&eacute;m nos d&aacute; pistas sobre rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas entre Norte e Sul, como a diferen&ccedil;a cambial e no custo de vida entre os pa&iacute;ses impacta a escolha ou n&atilde;o de uma determinada atividade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas olhar para esse mundo tamb&eacute;m nos ajuda a entender processos que fazem parte das novas caracter&iacute;sticas de circula&ccedil;&atilde;o do trabalho intelectual em tempos de internet. As redes eletr&ocirc;nicas de relacionamento social se tornaram tamb&eacute;m o espa&ccedil;o privilegiado de consumo ou de contato com obras culturais e art&iacute;sticas. &Eacute; ali que os profissionais divulgam seus trabalhos e a si mesmos, entretendo, informando e, de variadas formas, fazendo <i>networking.</i> As redes se tornaram, quase que necessariamente, um lugar a se estar/produzir/ compartilhar para quem deseja se estabelecer profissionalmente nessas &aacute;reas. Mas n&atilde;o &eacute; ali que acontecem os poss&iacute;veis ganhos, nem o m&iacute;nimo. &Eacute; preciso estar ali para sair dali, para habitar outros espa&ccedil;os com rela&ccedil;&otilde;es de venda da for&ccedil;a de trabalho mais formalizadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; os donos desses espa&ccedil;os, as grandes empresas de tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o, encontraram maneiras de fazer dinheiro com essa atividade que passam pelo monitoramento, rastreio e registro eletr&ocirc;nico dos dados trocados entre os usu&aacute;rios, convertendo-os em algo comercializ&aacute;vel principalmente em termos publicit&aacute;rios. O funcionamento da megam&aacute;quina informacional &eacute; o motor de lucro das empresas, que tem os dados como seu combust&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nem todos e nem tudo o que acontece ali tem prop&oacute;sitos profissionais, a maioria est&aacute;, como os amadores do p&ocirc;quer, pela divers&atilde;o, pela amizade, para matar o tempo. Na verdade, como s&atilde;o de m&uacute;ltiplo prop&oacute;sito, essas redes tornam a divis&atilde;o dos indiv&iacute;duos em determinados pap&eacute;is delimitados totalmente insuficiente. Se &eacute; amador e profissional ao mesmo tempo, comediante e cientista, cineasta e poeta, fot&oacute;grafo e escritor. Mas, em termos de dados e informa&ccedil;&otilde;es a serem circulados e valorizados, todas essas facetas servem igualmente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Natasha Schull, antrop&oacute;loga com pesquisa sobre adic&ccedil;&atilde;o e m&aacute;quinas de ca&ccedil;a-n&iacute;queis, relata ter sido procurada por desenvolvedores de aplicativos de celular. Ela compara o "zoning out", a sensa&ccedil;&atilde;o de alhea&ccedil;&atilde;o relatada pelos jogadores de ca&ccedil;a-n&iacute;queis, com sensa&ccedil;&atilde;o relatada e observada em usu&aacute;rios de jogos de celulares. (ver Annechino, R.. "The addiction algorithm: an interview with Natasha Dow Sch&uuml;ll". <i>Ethnography Matters.</i> Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://ethnographymatters.net/blog/2015/02/09/the-addiction-algorithm/" target="_blank">http://ethnographymatters.net/blog/2015/02/09/the-addiction-algorithm/</a>&gt;. Acesso em: 27 out. 2015.    <!-- ref --> Ver tamb&eacute;m "How do people become addicted to online games and social networking sites?". | MIT School of Engineering. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://engineering.mit.edu/ask/how-do-people-become-addicted-online-games-and-social-networking-sites" target="_blank">http://engineering.mit.edu/ask/how-do-people-become-addicted-online-games-and-social-networking-sites</a>&gt;. Acesso em: 27 out. 2015.    )</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. McCormack, A.; Griffiths, M. D. "What differentiates professional poker players from recreational poker players? A qualitative interview study". <i>International Journal of Mental Health and Addiction, </i>v. 10, n. 2, p. 243-257, 2012.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. The online game market. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://www.bwinparty.com/AboutUs/0urMarkets/The%20online%20gaming%20market.aspx" target="_blank">https://www.bwinparty.com/AboutUs/0urMarkets/The%20online%20gaming%20market.aspx</a>&gt;. Acesso em: 27 out. 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Playing poker professionally | Life of an online poker player. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.rakemonkey.com/playing-poker-for-a-living" target="_blank">http://www.rakemonkey.com/playing-poker-for-a-living</a>&gt;. Acesso em: 27 out. 2015.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. O Rakemonkey &eacute; um site especializado em informa&ccedil;&otilde;es sobre b&ocirc;nus e descontos para jogadores online frequentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Akkari, A.; &#91;Artigo&#93; Andr&eacute; Akkari - "Lucratividade no poker". Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.buildagrinder.com/bgcom/index.php?option=com_kunena&amp;func=view&amp;catid=103&amp;id=1555&amp;lang=br&amp;Itemid" target="_blank">http://www.buildagrinder.com/bgcom/index.php?option=com_kunena&amp;func=view&mp;catid=103&amp;id=1555&amp;lang=br&amp;Itemid</a>&gt;. Acesso em: 27 out. 2015.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Begara, V. <i>"Repost" - Jogando por times e por conta pr&oacute;pria!</i> SuperPoker. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.superpoker.com.br/blog/he-adao/repost-jogando-por-times-e-por-conta-propria-" target="_blank">http://www.superpoker.com.br/blog/he-adao/repost-jogando-por-times-e-por-conta-propria-</a>&gt;. Acesso em: 27 out. 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Bello, L. "Dominando a arte do poker: profissional vs. amador -CardPlayerBrasil.com". Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.cardplayer-brasil.com/site/revistas_ver2.asp?ed=27&amp;cod=420" target="_blank">http://www.cardplayer-brasil.com/site/revistas_ver2.asp?ed=27&amp;cod=420</a>&gt;. Acesso em: 27 out. 2015.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Dance, G. "Poker bots invade online gambling". <i>The New York Times, </i>2011. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.nytimes.com/2011/03/14/science/14poker.html" target="_blank">http://www.nytimes.com/2011/03/14/science/14poker.html</a>&gt;. Acesso em: 27 out. 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Wood, R. T. A.; Griffiths, M. D. "Why swedish people play online poker and factors that can increase or decrease trust in poker web sites: a qualitative investigation". <i>Journal of Gambling Issues,</i> p. 80-97, 2008.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Bello, L. op. cit.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Lewis Mumford apud May. No original em ingl&ecirc;s: "The inventors of ... computers are the pyramid builders of our own age: psychologically inflated by a similar myth of unqualified power, boasting through their science of their increasing omnipotence, if not omniscience, moved by obsessions and compulsions no less irrational than those of earlier absolute systems: particularly the notion that system itself must be expanded, at whatever eventual cost to life". (Mumford 1964: 5) <i>apud</i> May.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. May, 2000, p.256. No original em ingl&ecirc;s: "The megalopolis in its form of the invisible city is the clearest precursor to the information society within Mumford's work. Though the terminology is different, there is a clear correlation with the opportunities and problems of the information society. The information society, it is supposed, allows access from anywhere (or at least anywhere within the network) to the cultural, informational and political assets that are distributed throughout the system. The information society as megalopolis has no formal centre but enables immediate contact with any of its component parts (recall the origins of the Internet in the amorphous command and control structure of the US military's Arpanet, designed to have no fixed structure of communication, to allow information to flow even if elements were 'knocked out'). As with the megalopolis, the information society is both empowering and limiting of human experience. Though intellectual resources are now available, there is also a centralization of power, an increased capacity for control and surveillance. The metropole retains its power while progressively swallowing up other areas of human activity and giving an impression of individual empowerment." May, C. <i>op. cit.</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. "( ) quem quer entrar de cara nessa carreira, precisa, antes de saber jogar poker, ter uma vida est&aacute;vel, ter uma "base" para segurar nos primeiros meses, que provavelmente ser&atilde;o duros. Ter amigos "off poker" para se manter no "mundo real (...), procurar um novo hobby tamb&eacute;m &eacute; muito importante, j&aacute; que agora o hobby poker vai passar a ser uma profiss&atilde;o, e por mais que voc&ecirc; ame isso tudo, &eacute; muito diferente voc&ecirc; jogar 10h por dia do que jogar 5 ou 6h por semana, n&oacute;s sempre precisamos estar fazendo algo que nos agrade que n&atilde;o esteja relacionado ao nosso trabalho. Tendo tudo isso a "vida &uacute;til" do jogador vai ser muito maior, o tes&atilde;o no trabalho vai ser maior e consequentemente o desempenho ser&aacute; muito melhor". Begara, V<i>. op. cit.</i></font></p>      ]]></body><back>
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