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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOT&Iacute;CIAS DO BRASIL    <br>   RESIDUOS SOLIDOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Lix&otilde;es continuam por toda parte</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Leonor Assad; Thais Siqueira</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em meio a campanhas de combate ao Aedes aegypti, que incluem mosquitos virtuais passeando pelas p&aacute;ginas dos sites de institui&ccedil;&otilde;es do governo federal, a popula&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios munic&iacute;pios brasileiros continua se deparando com um tipo de criadouro que parece se proliferar com a mesma facilidade que os mosquitos: lixo acumulado nas cidades e em &aacute;reas rurais. Mesmo assim, em Bras&iacute;lia, onde est&aacute; o maior lix&atilde;o a c&eacute;u aberto das Am&eacute;ricas, a 15 km do Pal&aacute;cio do Planalto e do Congresso Nacional, continuam fortes as press&otilde;es para que os munic&iacute;pios brasileiros tenham mais tempo para extinguir os lix&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s tramitar por 20 anos no Congresso Nacional, a Lei nº 12.305/10 instituiu a Pol&iacute;tica Nacional de Res&iacute;duos S&oacute;lidos (PNRS).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A PNRS determina que a gest&atilde;o de res&iacute;duos s&oacute;lidos tem que ser compartilhada entre os geradores (fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes) e o cidad&atilde;o. Tamb&eacute;m proibiu o lan&ccedil;amento de res&iacute;duos a c&eacute;u aberto - o que inclui os lix&otilde;es -, excetuados os de minera&ccedil;&atilde;o, e determinou a disposi&ccedil;&atilde;o final ambientalmente adequada dos rejeitos (por exemplo, em aterros sanit&aacute;rios), a ser implantada em at&eacute; quatro anos ap&oacute;s a data de publica&ccedil;&atilde;o da Lei. Ou seja, at&eacute; agosto de 2014.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MAIS DO QUE COLETAR, GERIR</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A necessidade de adiar o fim dos lix&otilde;es e a constru&ccedil;&atilde;o de aterros, mostra que a gest&atilde;o de res&iacute;duos s&oacute;lidos urbanos n&atilde;o tem sido prioridade em boa parte dos munic&iacute;pios brasileiros. Gabriela Otero, coordenadora t&eacute;cnica da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Empresas de Limpeza P&uacute;blica e Res&iacute;duos Especiais (Abrelpe), lembra que, a rigor, lix&otilde;es s&atilde;o proibidos desde 1981, quando entrou em vigor a Pol&iacute;tica Nacional de Meio Ambiente (Lei nº 6.938, de 31/08/1981). Posteriormente, a chamada Lei dos Crimes Ambientais (Lei nº 9.605, de 12/02/1998) considerou crime ambiental, pass&iacute;vel de pena de um a cinco anos de reclus&atilde;o, lan&ccedil;ar res&iacute;duos s&oacute;lidos, l&iacute;quidos ou gasosos, ou detritos, &oacute;leos ou subst&acirc;ncias oleosas, em desacordo com as exig&ecirc;ncias estabelecidas em leis ou regulamentos. Otero salienta que o diferencial da PNRS foi regulamentar e estabelecer prioridades no tratamento de res&iacute;duos, indicando que n&atilde;o basta coletar, &eacute; preciso gerir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A PNRS n&atilde;o trata expressamente do encerramento de lix&otilde;es; mas, ao estabelecer a disposi&ccedil;&atilde;o final ambientalmente adequada dos rejeitos, imp&otilde;e que nos planos municipais de res&iacute;duos s&oacute;lidos devem existir metas para a elimina&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o desses lix&otilde;es. No entanto, "em meados de 2015, tr&ecirc;s anos ap&oacute;s ter se esgotado o prazo estabelecido pela PNRS, apenas 35% dos 5.570 munic&iacute;pios brasileiros possu&iacute;am um plano de gest&atilde;o integrada e de gerenciamento de res&iacute;duos s&oacute;lidos", acrescenta Otero.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O professor de administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Vin&iacute;cius Ferreira Baptista, considera que a PNRS reflete uma vontade de se pensar na gest&atilde;o de res&iacute;duos s&oacute;lidos urbanos de forma moderna, ampla, com seguran&ccedil;a, sem desperd&iacute;cio, r&aacute;pida e eficiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na opini&atilde;o dele, a dificuldade de consolidar a PNRS relaciona-se com a falta de recursos, de quadros t&eacute;cnicos e gerenciais qualificados e de vontade pol&iacute;tica. "O gestor p&uacute;blico de um munic&iacute;pio de pequeno porte n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas, financeiras, pol&iacute;ticas e estruturais para implantar a PNRS, afirma Baptista. "F&iacute;sica, porque n&atilde;o tem espa&ccedil;o para construir um aterro sanit&aacute;rio; financeira, porque, al&eacute;m do aterro, precisa de instrumentos, m&aacute;quinas, ve&iacute;culos e demais bases de suporte para log&iacute;stica de lixo comum, log&iacute;stica reversa e coleta seletiva; pol&iacute;tica, porque ter um aterro evoca quest&otilde;es est&eacute;ticas, de sa&uacute;de, humanit&aacute;rias e legais que muitos n&atilde;o querem enfrentar; e estrutural, por envolver a municipalidade em projetos e programas que precisam ser conduzidos por pessoal capacitado para al&eacute;m da dualidade comando-controle de gest&atilde;o usual", explica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; Otero considera que n&atilde;o faltam recursos nem profissionais capacitados: "na verdade, por um lado, faltam oportunidades para profissionais atuarem na gest&atilde;o de res&iacute;duos s&oacute;lidos na esfera municipal e, por outro, articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, pois &eacute; necess&aacute;rio integrar secretarias de meio ambiente, sa&uacute;de, saneamento, educa&ccedil;&atilde;o e priorizar a gest&atilde;o dos res&iacute;duos".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n2/a04fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MAIS TEMPO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As a&ccedil;&otilde;es de prefeitos para adiar prazos da PNRS s&atilde;o lideradas pela Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional de Munic&iacute;pios (CNM) sob a alega&ccedil;&atilde;o de que as responsabilidades com rela&ccedil;&atilde;o ao destino do lixo t&ecirc;m sido repassadas &agrave;s administra&ccedil;&otilde;es municipais sem a devida contrapartida t&eacute;cnica e financeira. Por isso os prefeitos lutam para que os prazos da lei sejam revistos. Na Medida Provis&oacute;ria (MP) 678, vetada em 2015, os governos municipais teriam at&eacute; 2016 para elaborar os planos de gest&atilde;o integrada e de gerenciamento de res&iacute;duos s&oacute;lidos e at&eacute; 2018 para promover a disposi&ccedil;&atilde;o final dos rejeitos em aterros sanit&aacute;rios. Agora o objetivo da CNM &eacute; aprovar o PL 2.289/2015, ainda em tramita&ccedil;&atilde;o, que determina prazos diferenciados conforme o tamanho da popula&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio e destaca a necessidade de apoio t&eacute;cnico e financeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Manfred Fehr, professor da Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia (UFU), que atua na &aacute;rea de gest&atilde;o ambiental, considera que n&atilde;o houve tempo suficiente para os munic&iacute;pios se adequarem &agrave;s regras e metas impostas pela lei de 2010. Para ilustrar sua opini&atilde;o ele utiliza uma par&aacute;bola: "Imagine um di&aacute;logo entre um mestre e um disc&iacute;pulo. Disc&iacute;pulo: Mestre, como faz para ser s&aacute;bio? Mestre: fa&ccedil;o boas escolhas. Disc&iacute;pulo: e como aprendeu a fazer boas escolhas? Mestre: experi&ecirc;ncia. Disc&iacute;pulo: e como adquiriu experi&ecirc;ncia? Mestre: fazendo m&aacute;s escolhas". Fehr informa que o Plano Nacional de Res&iacute;duos S&oacute;lidos, que regulamenta a PNRS, tem vig&ecirc;ncia indeterminada e horizonte de 20 anos, com atualiza&ccedil;&atilde;o a cada quatro anos. O plano, de 2011, manteve o prazo at&eacute; 2014 para se eliminar os lix&otilde;es. "Mas, em tr&ecirc;s anos, os administradores municipais apenas chegam a fazer as m&aacute;s escolhas a que t&ecirc;m direito. Ningu&eacute;m nasce s&aacute;bio", pondera. Para ele, os crit&eacute;rios a partir dos quais as metas do Plano Nacional de Res&iacute;duos S&oacute;lidos foram fixadas n&atilde;o s&atilde;o claros. Isso criou a falsa impress&atilde;o de que a culpa do atraso &eacute; dos munic&iacute;pios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LIXO E LUCRO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra quest&atilde;o importante a ser considerada quando se avalia a PNRS s&atilde;o os interesses econ&oacute;micos, porque os res&iacute;duos t&ecirc;m valor. Nesse sentido, segundo Baptista, "a PNRS deu visibilidade aos catadores de materiais recicl&aacute;veis. Eles tiveram que ser inclu&iacute;dos, mesmo que indiretamente, nas pol&iacute;ticas de gest&atilde;o dos recursos s&oacute;lidos urbanos. Prefeitura, atravessadores e a ind&uacute;stria da reciclagem como um todo perceberam a import&acirc;ncia do trabalho dos catadores", afirma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E acrescenta: "o lixo &eacute; um bom neg&oacute;cio quando existe a coleta seletiva que gera materiais de valor com baixo custo, a partir do trabalho dos catadores, e tamb&eacute;m quando n&atilde;o existe nenhum tipo de pol&iacute;tica para gest&atilde;o dos res&iacute;duos, porque nessa situa&ccedil;&atilde;o o munic&iacute;pio n&atilde;o tem responsabilidade sobre nada". Para o professor da UFRRJ, a PNRS &eacute; uma pol&iacute;tica p&uacute;blica que nasceu desagregada e segue assim. "N&atilde;o importa o quanto se ajuste, n&atilde;o vai dar certo se o principal n&atilde;o for feito: um pacto baseado nos interesses comuns a todos os atores envolvidos".</font></p>      ]]></body>

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