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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOT&Iacute;CIAS DO BRASIL    <br>   LEI AROUCA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Experimenta&ccedil;&atilde;o animal em sala de aula</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Renato Santos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Avan&ccedil;os significativos t&ecirc;m sido observados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos alternativos ao uso de animais em aulas de gradua&ccedil;&atilde;o no Brasil. H&aacute; sete anos a revista Ci&ecirc;ncia e Cultura trazia uma reportagem sobre o Decreto 6.899 da Lei 11.794/2008, tamb&eacute;m conhecida como Lei Arouca, que regulamentou a experimenta&ccedil;&atilde;o animal na pesquisa e no ensino em nosso pa&iacute;s e estabeleceu a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Nacional de Controle da Experimenta&ccedil;&atilde;o Animal (Concea) e das Comiss&otilde;es de &Eacute;tica no Uso de Animais (CEUAs), que avaliam os protocolos de atividade pr&aacute;tica envolvendo animais nas institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa. Oito anos ap&oacute;s sua cria&ccedil;&atilde;o, a Lei Arouca obteve &ecirc;xito em reduzir o uso de animais vivos em aulas pr&aacute;ticas de diversos cursos universit&aacute;rios. Ao mesmo tempo, cada vez mais professores utilizam recursos alternativos em sala de aula.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A discuss&atilde;o sobre o uso de animais vivos em salas de aula brasileiras ganhou destaque, a partir de 2006 quando, o ent&atilde;o aluno de biologia R&oacute;ber Freitas Bachinski, hoje diretor do Instituto de Promo&ccedil;&atilde;o e Pesquisa para Substitui&ccedil;&atilde;o da Experimenta&ccedil;&atilde;o Animal (Instituto 1R), ganhou processo de obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia contra a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ap&oacute;s seu pedido de n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o em aulas pr&aacute;ticas envolvendo animais ter sido negado pela universidade. O instrumento de obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia &eacute; utilizado quando uma pessoa se recusa a obedecer uma norma por entender que isso fere o que ela considera tratamento discriminat&oacute;rio e, principalmente, o pluralismo de ideias e de concep&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas no ensino. Um dos principais resultados do trabalho do Instituto 1R foi o reconhecimento pelo Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (MCTI), em 2016, do uso da obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia nas atividades de ensino. Isso aconteceu por meio da publica&ccedil;&atilde;o da Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utiliza&ccedil;&atilde;o de Animais em Atividades de Ensino ou de Pesquisa Cient&iacute;fica (DBCA), em fevereiro deste ano. Conforme explica Bachinski, neste documento o Concea determina que as institui&ccedil;&otilde;es de ensino s&atilde;o obrigadas a oferecer m&eacute;todos alternativos para os alunos que n&atilde;o queiram participar de aulas pr&aacute;ticas envolvendo animais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n2/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUDAN&Ccedil;AS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Wellerson Rodrigo Scarano, professor de embriologia humana do curso de ci&ecirc;ncias biom&eacute;dicas da Universidade Estadual J&uacute;lio de Mesquita Filho (Unesp/Botucatu), menos de 1% dos protocolos que passam pela CEUA s&atilde;o aprovados. "Aulas pr&aacute;ticas com manipula&ccedil;&atilde;o de animais vivos anestesiados j&aacute; n&atilde;o t&ecirc;m sido mais realizadas na universidade e sempre que se comprova a necessidade do uso de animais para uma determinada aula, o professor &eacute; orientado a fazer uma filmagem da pr&aacute;tica, para que o v&iacute;deo (e n&atilde;o um animal) possa ser usado nos anos seguintes", conta o professor. Embora a redu&ccedil;&atilde;o do uso de animais em sala de aula seja bastante consensual em cursos como medicina e farm&aacute;cia, no curso de medicina veterin&aacute;ria ainda existe muita pol&ecirc;mica. Para a professora do curso de ci&ecirc;ncias biom&eacute;dicas da Universidade Federal Fluminense (UFF), Rita Paix&atilde;o, muitos alunos confundem o conceito de uso prejudicial de animais com o necess&aacute;rio envolvimento com animais quando os mesmos s&atilde;o os pacientes. "Por exemplo, na veterin&aacute;ria o aluno frequenta um hospital e precisa ter contato direto com o animal, que est&aacute; ali sendo atendido. Ambos v&atilde;o se beneficiar com essa intera&ccedil;&atilde;o: o animal, que receber&aacute; um atendimento cl&iacute;nico supervisionado por um professor, e o aluno, que aprender&aacute; a lidar com aquele paciente".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOVOS RECURSOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O curso de medicina veterin&aacute;ria da Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR) adotou modelos tridimensionais - bonecos ou manequins - no lugar dos animais. Para a professora Simone Tostes de Oliveira Stedile, com o uso desses modelos, "o animal &eacute; poupado de um procedimento desnecess&aacute;rio e o estudante pode treinar quantas vezes quiser, em um ambiente tranquilo e sem ferir a &eacute;tica". Al&eacute;m de bonecos, Stedile utiliza modelos de &oacute;rg&atilde;os, como a pr&oacute;stata. Segundo ela, isso permite a simula&ccedil;&atilde;o de exames para detectar v&aacute;rias altera&ccedil;&otilde;es nesse &oacute;rg&atilde;o, como um tumor, por exemplo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para estudar a coleta de urina em c&atilde;es e gatos, procedimento denominado cistocinecese, que &eacute; muito comum em cl&iacute;nicas veterin&aacute;rias, Stedile adotou um simulador. Assim, nas aulas pr&aacute;ticas os animais vivos s&atilde;o substitu&iacute;dos por animais de pel&uacute;cia adaptados, nos quais s&atilde;o inseridas estruturas que simulam uma bexiga urin&aacute;ria. "Uma das vantagens de usar os modelos &eacute; que a aula pr&aacute;tica pode ser programada, pois sei que o modelo estar&aacute; dispon&iacute;vel", diz a professora.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde 2013, o professor Scarano, da Unesp/Botucatu, vem trocando as l&acirc;minas com cortes de embri&otilde;es de galinha por l&acirc;minas digitalizadas que podem ser analisadas na tela do computador, sem necessidade de coletar novos embri&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">V&iacute;deos (nesse caso apenas um animal &eacute; utilizado) e simula&ccedil;&otilde;es computacionais da anatomia com grande n&iacute;vel de detalhamento tamb&eacute;m s&atilde;o alternativas ao uso de animais vivos. Um exemplo &eacute; o programa V-Frog, desenvolvido pela Tactus Technologies, que permite acompanhar um procedimento de dissec&ccedil;&atilde;o de sapo. J&aacute; o Virtual Canine Anatomy, da Universidade do Colorado, possibilita estudar a anatomia externa e interna de c&atilde;es.</font></p>      ]]></body>
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