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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Olhos no céu: as implicações éticas do uso de drones desafia legisladores em todo mundo]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOT&Iacute;CIAS DO MUNDO    <br>   TECNOLOG&Iacute;A</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Olhos no c&eacute;u: as implica&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas do uso de drones desafia legisladores em todo mundo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sarah Schmidt</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n2/a08fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em abril, o filme Eye in the sky (Decis&atilde;o de risco, em portugu&ecirc;s) estreou nos cinemas brasileiros. Estrelado por Helen Mirren, Alan Rickman e Aaron Paul, o longa narra uma opera&ccedil;&atilde;o secreta dos governos do Reino Unido e dos Estados Unidos, que usam drones para combater terroristas no Qu&ecirc;nia. Os agentes percebem que um atentado suicida est&aacute; em curso e decidem impedi-lo eliminando os suspeitos por meio do lan&ccedil;amento de um m&iacute;ssil, com a ajuda de um drone. Mas, a entrada de uma crian&ccedil;a no local inicia um dilema na equipe: disparar ou n&atilde;o o m&iacute;ssil? O debate &eacute;tico por tr&aacute;s do uso de drones para espionar e matar tamb&eacute;m preocupa, cada vez mais, os pesquisadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os drones t&ecirc;m ganhado os c&eacute;us das cidades mundo afora. Tamb&eacute;m chamados de ve&iacute;culos a&eacute;reos n&atilde;o tripulados (VANTs), essas tecnologias t&ecirc;m amplo uso para fins militares, inclusive para os EUA, cujas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a possuem um centro de comando de drones no estado de Nevada. Gr&eacute;goire Chamayou, fil&oacute;sofo pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Cient&iacute;fica (CNRS) da Fran&ccedil;a, classifica os drones voadores armados como "dispositivos de vigil&acirc;ncia a&eacute;rea convertidos em m&aacute;quinas de matar". Em seu livro Teoria do drone (Cosac Naify, 2015), Chamayou critica o uso militar dos drones e destaca a frase de um oficial da Air Force, David Deptula: "a verdadeira vantagem dos sistemas de aeronaves n&atilde;o pilotadas &eacute; que permitem projetar poder sem projetar vulnerabilidade". Para ele, a ideia de "projetar poder" pode ser entendida como estender a for&ccedil;a militar al&eacute;m das fronteiras. "&Eacute; a quest&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o militar no estrangeiro (...). A preserva&ccedil;&atilde;o pelo drone se d&aacute; pela remo&ccedil;&atilde;o do corpo vulner&aacute;vel, deixando-o fora do alcance", escreve.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eles tamb&eacute;m podem ser desarmados mas acoplados a c&acirc;meras, para uso comercial, por autoridades civis e policiais ou mesmo para recrea&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma pesquisa recente da Administra&ccedil;&atilde;o Federal da Avia&ccedil;&atilde;o dos EUA (FAA), que ouviu pilotos de avi&otilde;es e helic&oacute;pteros de voos comerciais e n&atilde;o comerciais, mostrou que, entre agosto de 2015 e janeiro deste ano, aconteceram 582 ocorr&ecirc;ncias relacionadas com o avistamento de drones no pa&iacute;s. No Brasil, esses ve&iacute;culos t&ecirc;m variados tipos de uso, como em filmagens de eventos e fotografia a&eacute;rea. A prefeitura de S&atilde;o Paulo, por sua vez, adotou drones para monitorar focos da dengue; eles tamb&eacute;m foram usados para mapear os estragos do desastre ambiental em Mariana (MG); a For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira (FAB) comprou o drone israelense Hermes 900, com dez c&acirc;meras de alta resolu&ccedil;&atilde;o, para patrulhar &aacute;reas de grande concentra&ccedil;&atilde;o populacional durante a &uacute;ltima Copa do Mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De fato, o uso de drones no Brasil ainda est&aacute; em fase de regulamenta&ccedil;&atilde;o. A Anac apresentou uma proposta de regulamento para consulta p&uacute;blica online, que ficou dispon&iacute;vel at&eacute; novembro de 2015. Agora, segundo o site da ag&ecirc;ncia, as contribui&ccedil;&otilde;es est&atilde;o sendo analisadas e a previs&atilde;o &eacute; de que a norma seja publicada at&eacute; as Olimp&iacute;adas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PRIVACIDADE E USO SOCIAL DOS DRONES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Essa quest&atilde;o dos drones est&aacute; quase virando um problema restrito de prote&ccedil;&atilde;o de dados. Muitos pa&iacute;ses est&atilde;o se movimentando para fazer algum tipo de regulamenta&ccedil;&atilde;o nesse sentido", avalia Danilo Doneda, doutor em direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e consultor da Secretaria de Prote&ccedil;&atilde;o ao Consumidor do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a para o anteprojeto de lei sobre prote&ccedil;&atilde;o de dados pessoais no Brasil. Ele avalia que a tend&ecirc;ncia &eacute; que esses dispositivos fiquem cada vez mais baratos e menores, o que pode dificultar sua fiscaliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Doneda, a tentativa da regulamenta&ccedil;&atilde;o feita pela Anac &eacute; importante, mas n&atilde;o est&aacute; focada na quest&atilde;o da privacidade. "Na Argentina, por exemplo, a regulamenta&ccedil;&atilde;o de drones foi feita pela autoridade de prote&ccedil;&atilde;o de dados, pensando na privacidade", explica. Aqui no Brasil, o anteprojeto de lei de dados pessoais, que est&aacute; em tramita&ccedil;&atilde;o na Casa Civil, pode auxiliar nesse sentido. "Qualquer coleta de dados est&aacute; abrangida no texto, e o drone pode ser usado como uma tecnologia para coleta de dados pessoais. Hoje os drones s&atilde;o vis&iacute;veis, mas vai chegar um momento em que talvez eles n&atilde;o o sejam", alerta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o pesquisador, outra a&ccedil;&atilde;o que precisa ser levada em conta &eacute; a da educa&ccedil;&atilde;o. "Quando uma pessoa compra um drone com uma c&acirc;mera, ela precisa ser educada para saber que aquilo n&atilde;o pode ser utilizado para saber o que tem no quintal do vizinho, para n&atilde;o ver mais do que ela veria normalmente. Muito menos invadir a casa do vizinho com o drone, porque a&iacute; cometer&aacute; um delito".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O uso que &eacute; feito de drones na quest&atilde;o da privacidade dos usu&aacute;rios tamb&eacute;m &eacute; tema do projeto #DroneHackademy, uma academia hackativista de ci&ecirc;ncia aberta, criada pelos pesquisadores Pablo de Soto e Lot Amor&oacute;s em parceria com o MediaLab.UFRJ e apoio da Rede Lavits. Uma das a&ccedil;&otilde;es do projeto &eacute; a publica&ccedil;&atilde;o do guia "Como e por que se proteger dos ve&iacute;culos a&eacute;reos n&atilde;o tripulados", dispon&iacute;vel online. Segundo o guia, a experi&ecirc;ncia de ter um ve&iacute;culo desses sobrevoando, sem informa&ccedil;&otilde;es de quem &eacute; o piloto, qual &eacute; a natureza do voo ou mesmo qual ser&aacute; o destino final das imagens captadas por suas c&acirc;meras pode ser intimidante. De acordo com trecho da publica&ccedil;&atilde;o, "o voo pode parecer especialmente violento se pairar ostensivamente a baixa altitude sobre uma propriedade privada, violando o direito &agrave; privacidade dos moradores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os drones s&atilde;o ferramentas de poder e controle para os governos, for&ccedil;as de seguran&ccedil;a e organiza&ccedil;&otilde;es privadas, mas agora tamb&eacute;m est&atilde;o ao alcance de quase qualquer indiv&iacute;duo".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O guia deixa claro que n&atilde;o se trata de um manifesto antidrone, porque tais equipamentos podem ser &uacute;teis para a sociedade, mas traz instru&ccedil;&otilde;es para que as pessoas saibam se defender de um eventual uso abusivo. O pesquisador Pablo de Soto explica, em artigo na revista Teknocultura (vol.12, no3, 2015) que a ideia do projeto &eacute; promover o uso de drones como uma tecnologia social. Para isso, suas a&ccedil;&otilde;es envolvem, al&eacute;m do guia, a cria&ccedil;&atilde;o de um ve&iacute;culo a&eacute;reo n&atilde;o tripulado, batizado de Flone, constru&iacute;do com hardware e software livres, e a realiza&ccedil;&atilde;o de uma cartografia a&eacute;rea da Vila Aut&oacute;dromo, uma comunidade local do Rio de Janeiro que resiste &agrave; expuls&atilde;o em uma &aacute;rea anexa &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do Parque Ol&iacute;mpico. Falar sobre drones e pensar sobre sua utiliza&ccedil;&atilde;o, a se julgar pelos n&uacute;meros, se mostra cada vez mais necess&aacute;rio. Se a proje&ccedil;&atilde;o da Admistra&ccedil;&atilde;o Federal dos Estados Unidos (AFA) se concretizar, at&eacute; 2020 ser&atilde;o sete milh&otilde;es de drones voando somente pelos c&eacute;us do pa&iacute;s. De acordo com a ag&ecirc;ncia Lusa, ser&aacute; o triplo do n&uacute;mero que se espera estar em circula&ccedil;&atilde;o no final de 2016.</font></p>      ]]></body>
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