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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dinheiro público em megaeventos esportivos: a eficácia de uma justificativa inconsistente]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OLIMP&Iacute;ADAS    <br>   ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Dinheiro p&uacute;blico em megaeventos esportivos: a efic&aacute;cia de uma justificativa inconsistente</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Arlei Sander Damo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Antrop&oacute;logo e professor do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os Jogos Ol&iacute;mpicos e a Copa do Mundo de Futebol s&atilde;o competi&ccedil;&otilde;es que possuem hist&oacute;rias pr&oacute;prias e s&atilde;o agenciadas por corpora&ccedil;&otilde;es distintas – o COI e a Fifa, respectivamente. Todavia, no que concerne &agrave; parceria entre estas ag&ecirc;ncias e o Estado, tendo em vista a realiza&ccedil;&atilde;o das competi&ccedil;&otilde;es, h&aacute; muitos aspectos em comum. Do ponto de vista das justificativas ou das cr&iacute;ticas ao aporte de recursos p&uacute;blicos para a organiza&ccedil;&atilde;o de megaeventos esportivos as diferen&ccedil;as em termos discursivos &eacute; t&ecirc;nue. Isto ficou evidente no caso brasileiro, em que os eventos foram organizados consecutivamente. J&aacute; o fato da Copa e da Fifa terem recebido mais destaque, nos m&iacute;dias ou mesmo nos protestos de rua ocorridos em 2013, n&atilde;o se explica pela discrep&acirc;ncia entre o montante de recursos p&uacute;blicos aportados num e noutro evento. Mas, sobretudo, &agrave; constata&ccedil;&atilde;o de que a mobiliza&ccedil;&atilde;o em torno da Copa antecedeu os Jogos, mobilizando mais amplamente a na&ccedil;&atilde;o e pelo fato do futebol e das copas ocuparem um espa&ccedil;o hegem&ocirc;nico na cr&ocirc;nica esportiva e no gosto dos brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pol&ecirc;micas em torno da parceria entre as ag&ecirc;ncias esportivas e os Estados nacionais n&atilde;o constituem novidade, mas o que se passou no Brasil constitui um cap&iacute;tulo importante na hist&oacute;ria pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica dessas competi&ccedil;&otilde;es. Afinal, jamais o COI e, sobretudo, a Fifa, foram objeto de contesta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica t&atilde;o expl&iacute;cita. Tanto o COI quanto a Fifa, ag&ecirc;ncias que det&ecirc;m legalmente os direitos de organizar os megaeventos, dependem de parcerias, tanto privadas quanto estatais, para realiz&aacute;-los.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde as primeiras competi&ccedil;&otilde;es – que datam do final do s&eacute;culo XIX e a primeira metade do s&eacute;culo XX – houve aporte de recursos p&uacute;blicos para a realiza&ccedil;&atilde;o dos eventos e, sem eles, nem as Olimp&iacute;adas e tampouco as Copas teriam prosperado. A parceria acompanhou o crescimento do nacionalismo triunfante da primeira metade do s&eacute;culo XX e contribuiu para a dissemina&ccedil;&atilde;o do gosto esportivo, especialmente na Europa e nas Am&eacute;ricas. A simbologia nacionalista tornou-se um catalizador das competi&ccedil;&otilde;es esportivas transnacionais, um diferencial que passou a ser precificado a partir da d&eacute;cada de 1960, sobretudo depois que a tecnologia permitiu a difus&atilde;o das imagens ao vivo e a cores em escala planet&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Fifa primeiro, e com entusiasmo, e o COI na sequ&ecirc;ncia, com certa resist&ecirc;ncia, ampliaram as parcerias privadas nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo passado, consolidando o prot&oacute;tipo de megaevento que chegou ao Brasil (1). Na medida em que a dimens&atilde;o econ&ocirc;mica foi adquirindo maior import&acirc;ncia e tornou-se imposs&iacute;vel ocultar a presen&ccedil;a ostensiva do dinheiro – at&eacute; porque ele vem com a publicidade, basicamente –, houve a necessidade de aperfei&ccedil;oar os discursos acerca da raz&atilde;o de ser dessas competi&ccedil;&otilde;es e, sobretudo, de incrementar a justificativa para o aporte de recursos p&uacute;blicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O discurso hegem&ocirc;nico do tempo do amadorismo, de que as Olimp&iacute;adas e as Copas seriam um momento de &ldquo;congra&ccedil;amento entre os povos&rdquo;, deixou de parecer veross&iacute;mil dada a presen&ccedil;a de marcas de multinacionais por toda a parte. Com o suporte do marketing esportivo, influenciado pelo vi&eacute;s corporativo, emergiram novas modalidades discursivas e nelas se destacou o vi&eacute;s econ&ocirc;mico. Categorias como &ldquo;investimento&rdquo;, &ldquo;oportunidade&rdquo; e &ldquo;legado&rdquo;, que impregnaram a divulga&ccedil;&atilde;o dos megaeventos no Brasil, s&atilde;o cria&ccedil;&otilde;es do marketing e cumpriram a finalidade de auxiliar no convencimento da opini&atilde;o p&uacute;blica, pelo menos durante a fase de escolha do Brasil como sede da Copa e dos Jogos Ol&iacute;mpicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o se pretende aqui apresentar qualquer den&uacute;ncia contra o marketing esportivo, tampouco marcar uma posi&ccedil;&atilde;o moral acerca da rela&ccedil;&atilde;o entre pol&iacute;tica, dinheiro e esporte. Pelo contr&aacute;rio, parte-se do princ&iacute;pio que o marketing esportivo &eacute; uma frente discursiva leg&iacute;tima, que se enuncia publicamente – portanto sujeita &agrave; contesta&ccedil;&atilde;o – e sua finalidade &eacute; justamente criar mecanismos de sedu&ccedil;&atilde;o, imagina&ccedil;&atilde;o e justifica&ccedil;&atilde;o para o consumo. A prop&oacute;sito, &ldquo;o marketing de m&iacute;dia social tem como principal atividade performar as redes sociais, nas quais circulam os produtos, sob a forma de discursos procurando explicit&aacute;-los e qualific&aacute;-los&rdquo; (2-3). Uma das estrat&eacute;gias de performa&ccedil;&atilde;o – no sentido de tornar cr&iacute;vel um ponto de vista; de constituir uma verdade sobre algo – largamente utilizadas pelo marketing esportivo s&atilde;o os &ldquo;relat&oacute;rios&rdquo;, &ldquo;consultorias&rdquo;, &ldquo;dossi&ecirc;s&rdquo; e &ldquo;pesquisas&rdquo; apontando as proje&ccedil;&otilde;es grandiloquentes sobre a Copa e os Jogos. A esses diferentes artefatos d&aacute;-se o nome de &ldquo;dispositivos sociot&eacute;cnicos&rdquo; e este artigo pretende mostrar como eles exercem seu poder, agenciando opini&otilde;es e decis&otilde;es (4).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DISCURSOS COMO PRODU&Ccedil;&Otilde;ES SIMB&Oacute;LICAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dispositivos sociot&eacute;cnicos n&atilde;o constituem novidade no espectro dos megaempreendimentos. N&atilde;o se encontram parceiros comerciais nem se aprovam legalmente grandes instala&ccedil;&otilde;es sem projetos bem detalhados. Em certos casos, como na constru&ccedil;&atilde;o de hidroel&eacute;tricas, autoestradas e polos pretroqu&iacute;micos, por exemplo, as obras s&oacute; s&atilde;o aprovadas depois de debates p&uacute;blicos tendo por base relat&oacute;rios de impactos e assembleias p&uacute;blicas. N&atilde;o h&aacute;, em rela&ccedil;&atilde;o aos megaeventos esportivos, um tipo de exig&ecirc;ncia equivalente, nem no Brasil e, tampouco, em outros pa&iacute;ses. E, portanto, inexiste um espa&ccedil;o espec&iacute;fico no qual os megaeventos pudessem ser confrontados, ocasi&atilde;o em que certamente viriam &agrave; tona, n&atilde;o um, mas muitos dispositivos sociot&eacute;cnicos. Mas isso n&atilde;o impediu que a apari&ccedil;&atilde;o desses dispositivos fosse ocorrendo no decurso da prepara&ccedil;&atilde;o das competi&ccedil;&otilde;es e, tampouco, que a confronta&ccedil;&atilde;o ocorresse, ainda que de forma ca&oacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Discursos s&atilde;o produ&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas por excel&ecirc;ncia e os dispositivos sociot&eacute;cnicos poderiam ser considerados uma modalidade espec&iacute;fica de discurso ou, para ser mais preciso, um discurso cient&iacute;fico destinado a fins pol&iacute;ticos, pois a verdade que tais dispositivos enunciam tem uma clara inten&ccedil;&atilde;o de convencer as ag&ecirc;ncias governamentais e a opini&atilde;o p&uacute;blica. A no&ccedil;&atilde;o de discurso aqui empregada tem, em parte, uma influ&ecirc;ncia de Foucault (5), com uma pequena adapta&ccedil;&atilde;o, pois utiliza o termo "frente discursiva" ao inv&eacute;s de "forma discursiva", para dar mais &ecirc;nfase &agrave; dimens&atilde;o perform&aacute;tica desta modalidade de discurso que visa justificar ou desmistificar a grandiloqu&ecirc;ncia dos megaeventos. Certos discursos agem como dispositivos que antecipam a a&ccedil;&atilde;o, eles criam um cen&aacute;rio do poss&iacute;vel, do leg&iacute;timo e at&eacute; mesmo do desej&aacute;vel (ou do interdito, abomin&aacute;vel etc).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um exemplo de frente discursiva &eacute; a afirma&ccedil;&atilde;o, repetida &agrave; exaust&atilde;o e por toda a parte, de que o COI e a Fifa possuem mais filia&ccedil;&otilde;es nacionais do que a ONU (206, 205 e 193, respectivamente). &Eacute; uma afirma&ccedil;&atilde;o verdadeira, sem d&uacute;vidas. Mas o que ela faz, os efeitos que ela produz, excede a mera enuncia&ccedil;&atilde;o da contabilidade de pa&iacute;ses membros. Ela sugere, a partir da compara&ccedil;&atilde;o, um alinhamento em termos de import&acirc;ncia e de prop&oacute;sitos entre as diferentes ag&ecirc;ncias, algo muito ben&eacute;fico &agrave; imagem que as entidades esportivas desejam veicular acerca de si pr&oacute;prias. Por que a Fifa n&atilde;o escreve em seu site que &eacute; uma <i>holding</i> multinacional presente em tantos ou mais pa&iacute;ses do que a Coca-Cola, o Visa ou o McDonald's? Efeito muito parecido tem a divulga&ccedil;&atilde;o de dados sobre a audi&ecirc;ncia das Copas, em bilh&otilde;es de espectadores. Eles podem ser verdadeiros (ainda que ordenados de maneira tal que o somat&oacute;rio seja o mais espetacular poss&iacute;vel), mas repetidos &agrave; exaust&atilde;o e em toda a parte - m&iacute;dia, discursos pol&iacute;ticos, textos acad&ecirc;micos - exercem um poder extraordin&aacute;rio, porque fazem crer que toda a humanidade &eacute; fan&aacute;tica pela Copa, ent&atilde;o deve haver algo de errado com quem n&atilde;o &eacute; ou com quem n&atilde;o queira t&ecirc;-la em sua cidade. Tanto um quanto outro exemplo, entre tantos que poderiam ser elencados, ajudam a compreender como a no&ccedil;&atilde;o de grandiloqu&ecirc;ncia das competi&ccedil;&otilde;es &eacute; constru&iacute;da e o qu&atilde;o eficiente pode ser esta constru&ccedil;&atilde;o, porque ela &eacute; realizada de forma quase impercept&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, essa n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica frente discursiva acionada pelas ag&ecirc;ncias esportivas. Durante a prepara&ccedil;&atilde;o da Copa 2014, repetiu-se exaustivamente que a sua realiza&ccedil;&atilde;o significava uma "oportunidade" para o pa&iacute;s sede. O termo &eacute; origin&aacute;rio do circuito empresarial e ocupou o espa&ccedil;o que o termo "honra", associado ao universo da pol&iacute;tica e das rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, ocupara em outros per&iacute;odos. No ritual de an&uacute;ncio do Brasil como sede, em 2007, o ent&atilde;o presidente da Fifa, Joseph Blatter, foi perempt&oacute;rio ao afirmar, de dedo em riste, que aquela era uma "oportunidade" que a Fifa estava concedendo ao Brasil (6). Blatter, J&eacute;r&ocirc;me Valcke, ent&atilde;o secret&aacute;rio-geral da Fifa, e na esteira deles, pol&iacute;ticos de todas as matizes, empres&aacute;rios, jornalistas e tantos outros (salvo exce&ccedil;&otilde;es) usaram, com frequ&ecirc;ncia, um segundo conceito importante dessa frente discursiva: o de "investimento". O termo n&atilde;o &eacute; nenhuma descoberta recente, sendo amplamente utilizado na linguagem do marketing como um eufemismo para "custo" ou "gasto". Investimento, sugere n&atilde;o apenas a possibilidade de reaver o que foi empenhado, mas de faz&ecirc;-lo com vantagem. A trilogia conceitual da Fifa tinha um terceiro termo, chamado "legado", uma esp&eacute;cie de contrapartida ao conceito de investimento. Quem ousasse contestar o empenho de recursos p&uacute;blicos para a realiza&ccedil;&atilde;o dos megaeventos estava sujeito a ouvir uma "ladainha" acerca dos legados. A certa altura essa no&ccedil;&atilde;o passou por um desdobramento, de onde surgiu o conceito de "legado intang&iacute;vel", um tipo de contrapartida aos investimentos imposs&iacute;vel de ser mensurado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas frentes discursivas certamente influenciam - ou influenciaram - parte da opini&atilde;o p&uacute;blica a aceitar o empenho estatal na realiza&ccedil;&atilde;o dos megaeventos. Mas elas n&atilde;o parecem ser suficientemente convincentes, raz&atilde;o pela qual proliferam as acusa&ccedil;&otilde;es - em espa&ccedil;os de bastidores, normalmente - de que os megaeventos s&atilde;o o produto de um conluio entre elites econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas. Em outro artigo (6) expus com mais detalhes as raz&otilde;es pelas quais este tipo de insinua&ccedil;&atilde;o &eacute; inconsistente. N&atilde;o se quer com isso afirmar que inexistam acordos esp&uacute;rios, tramas de bastidores e favorecimentos seletivos, mas se deter neste tipo de suposi&ccedil;&atilde;o &eacute; ignorar o fato de que o universo social &eacute; permeado por disputas e o fato de que algumas envolvam estrat&eacute;gias tidas como ilegais ou imorais n&atilde;o as torna menos relevantes de serem investigadas. Todavia, o que nos interessa aqui s&atilde;o os modos como funcionam alguns dispositivos p&uacute;blicos, como &eacute; o caso dos relat&oacute;rios sociot&eacute;cnicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tendo um vi&eacute;s cient&iacute;fico autoproclamado, funcionam como um conjunto de verdades sem as quais as frentes discursivas anteriormente referidas n&atilde;o se sustentariam.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DIVERSIDADE DE DISPOSITIVOS DE LEGITIMA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A "Lei Geral da Copa" (Lei nº 12.663, de 5 de junho de 2012) (7), o "Caderno de Encargos da Fifa" ("Estadios de f&uacute;tbol - recomendaciones t&eacute;cnicas y requisitos") (8), o dossi&ecirc; de candidatura do Rio de Janeiro &agrave; sede dos Jogos Ol&iacute;mpicos e Paraol&iacute;mpicos (9), s&atilde;o exemplos de documentos importantes que orientaram a prepara&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o dos megaeventos no Brasil, dando apar&ecirc;ncia de consist&ecirc;ncia, seriedade e legitimidade aos empreendimentos. Como estes, poder&iacute;amos citar dezenas de outros, pois cada estado da federa&ccedil;&atilde;o e cidade sede constituiu seu pr&oacute;prio documento, mobilizando um verdadeira ind&uacute;stria de experts na produ&ccedil;&atilde;o desses dispositivos. Todavia, aqueles que gostaria de enfatizar s&atilde;o de natureza um pouco distinta, pois t&ecirc;m por objetivo produzir, ordenar, enunciar (por vezes contestar) n&uacute;meros e circularam com desenvoltura nas mais diversas m&iacute;dias. A diversidade desses dispositivos poderia ser agrupada, para os fins deste artigo, em quatro categorias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>a) Relat&oacute;rios de ag&ecirc;ncias governamentais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitos &oacute;rg&atilde;os estatais dispunham de documentos sociot&eacute;cnicos, quase sempre encomendados de empresas de consultorias privadas. No entanto, algumas ag&ecirc;ncias de governo, como foi o caso do Tribunal de Contas da Uni&atilde;o (TCU), disponibilizaram um corpo t&eacute;cnico de profissionais - economistas, advogados, engenheiros etc - para acompanhar o desenrolar das obras e produzir documenta&ccedil;&atilde;o. Um desses relat&oacute;rios em particular, publicado no in&iacute;cio de 2013, exerceu impacto consider&aacute;vel, sendo desse documento que se tirou uma cifra, de R$27 milh&otilde;es de gastos com a Copa, cuja utiliza&ccedil;&atilde;o foi generalizada nos protestos de junho daquele ano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>b) Dossi&ecirc;s de contesta&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Documentos como o "Megaeventos e viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos no Brasil", organizado pela articula&ccedil;&atilde;o dos Comit&ecirc;s Populares da Copa, constituem um bom exemplo de outra modalidade de dispositivo sociot&eacute;cnico, pois o objetivo deles era oferecer um contraponto a uma vis&atilde;o ufanista dos megaeventos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>c) Produ&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aqui podem ser inclu&iacute;dos os diversos produtos com o r&oacute;tulo acad&ecirc;mico: <i>papers</i>, disserta&ccedil;&otilde;es, teses, monografias, dentre outros, que formam um conjunto de produ&ccedil;&otilde;es forjadas no espectro das mais diversas ci&ecirc;ncias (administra&ccedil;&atilde;o, marketing, turismo, ci&ecirc;ncias do esporte, ci&ecirc;ncias humanas etc) e que seguidamente transcenderam esses espa&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>d) Consultorias privadas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Documentos produzidos por empresas privadas (especializadas em economia do esporte ou n&atilde;o), por vezes em parceria com universidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas quatro modalidades de dispositivos sociot&eacute;cnicos, dadas as diferen&ccedil;as em termos de produ&ccedil;&atilde;o, prop&oacute;sitos, usos, redes de influ&ecirc;ncia e di&aacute;logos, ilustram de maneira satisfat&oacute;ria, um conjunto bem mais amplo. Est&aacute; fora de prop&oacute;sito analisar aqui os conte&uacute;dos, os itiner&aacute;rios ou os efeitos desses documentos. Destaca-se aqui o relat&oacute;rio "Brasil sustent&aacute;vel - impactos socioecon&ocirc;micos da Copa 2014" (10), pois se trata do mais perform&aacute;tico entre todos os documentos que circularam antes da Copa 2014. A preocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; com a desconstru&ccedil;&atilde;o, no sentido de explicitar suas contradi&ccedil;&otilde;es, seus erros, mesmo que isto seja fundamental para se obter certos progn&oacute;sticos. Trata-se, antes, de pensar o lugar estrat&eacute;gico desempenhado na constru&ccedil;&atilde;o de uma justificativa para os investimentos p&uacute;blicos destinados ao evento enquanto tal, neste caso servindo de suporte para atestar a grandiloqu&ecirc;ncia do mesmo, dando tons espetaculares a proje&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o se realizaram.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este relat&oacute;rio foi apresentado pelo Servi&ccedil;o Brasileiro de Apoio &agrave;s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Porto Alegre, em evento que objetivava orientar gestores p&uacute;blicos e privados para melhor aproveitamento da oportunidade ensejada pela Copa de 2014. O Sebrae organizou eventos em todas as cidades-sedes, com o slogan "1000 dias para a Copa", e o semin&aacute;rio de Porto Alegre reuniu aproximadamente duas centenas de pessoas, em sua maioria agentes p&uacute;blicos vinculados ao com&eacute;rcio e ao turismo. As interven&ccedil;&otilde;es, de pol&iacute;ticos de todas as tend&ecirc;ncias e especialistas nacionais e internacionais, refor&ccedil;avam a diversidade de oportunidades com os megaeventos, valendo-se de dados de relat&oacute;rios diversos, incluindo-se o da Ernst &amp; Young em parceria com a Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas (E&amp;Y/FGV). Al&eacute;m de encorajar o empreendedorismo, o evento tinha por objetivo localizar, de modo mais preciso, o tipo de neg&oacute;cio que poderia prosperar - e os que n&atilde;o teriam chances - dadas as caracter&iacute;sticas do megaevento. Noutra ocasi&atilde;o, tamb&eacute;m em Porto Alegre, um evento organizado por uma grande rede de comunica&ccedil;&atilde;o do sul do Brasil com o patroc&iacute;nio de v&aacute;rias empresas privadas teve suas concorridas credenciais distribu&iacute;das, basicamente, entre empres&aacute;rios, jornalistas esportivos, gestores p&uacute;blicos e estudantes de marketing. Na programa&ccedil;&atilde;o do evento foi destaque, uma vez mais, o discurso do empreendedorismo, e o relat&oacute;rio da E&amp;Y/FGV foi outra vez nomeado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O relat&oacute;rio em quest&atilde;o &eacute; parte da s&eacute;rie "Brasil sustent&aacute;vel", que re&uacute;ne 7 publica&ccedil;&otilde;es realizadas pela parceria entre a E&amp;Y/FGV, tratando de proje&ccedil;&otilde;es de neg&oacute;cios para setores fundamentais da economia brasileira - petr&oacute;leo, etanol e g&aacute;s; Copa do Mundo; agroind&uacute;stria; competitividade industrial; energia; consumo; mercado habitacional. Diz o an&uacute;ncio que apresenta a s&eacute;rie: "A abordagem dos temas leva em conta as potencialidades do pa&iacute;s em sua intera&ccedil;&atilde;o com o mercado mundial, delineando cen&aacute;rios at&eacute; o ano de 2030. O resultado &eacute; um conjunto de informa&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas indispens&aacute;veis para o planejamento das empresas e seu crescimento sustent&aacute;vel" (11).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artefato da E&amp;Y/FGV sobre os impactos da Copa 2014 foi publicado em junho de 2010 com pouco mais de 50 p&aacute;ginas, e segue o padr&atilde;o dos relat&oacute;rios da s&eacute;rie, n&atilde;o destoando de outros documentos do g&ecirc;nero: apresenta&ccedil;&atilde;o s&oacute;bria, textos e argumentos diretos, abund&acirc;ncia de gr&aacute;ficos e organogramas, e muitos n&uacute;meros. No layout da parte superior direita na p&aacute;gina 7 uma proje&ccedil;&atilde;o animadora, daquelas que faria qualquer c&eacute;tico desejar sediar n&atilde;o uma, mas todas as copas no Brasil: "A Copa dever&aacute; gerar 3,63 milh&otilde;es de empregos/ano e R$63,48 bilh&otilde;es de renda para a popula&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo 2010-2014, al&eacute;m de uma arrecada&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria adicional de R$ 18,13 bilh&otilde;es" (10).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pr&oacute;ximo ao in&iacute;cio da Copa 2014 outros progn&oacute;sticos, bem menos alvissareiros daqueles da E&amp;Y/FGV, passaram a ser divulgados. Um deles, cujos dados foram compilados pela Funda&ccedil;&atilde;o Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;micas (Fipe), sob encomenda do Minist&eacute;rio do Turismo, dava conta de que a Copa geraria um aporte de R$30 bilh&otilde;es &agrave; economia brasileira (0,5% do PIB). Quanto ao n&uacute;mero de empregos, a Fipe estimou em 710 mil fixos e 200 tempor&aacute;rios, a partir de dados do Cadastro Geral de Empregos (Caged), entre 2011 e 2014. N&atilde;o h&aacute; estimativas precisas de quantos empregos foram efetivamente gerados pela Copa 2014 - um c&aacute;lculo deveras complexo. Em todo o caso, &eacute; poss&iacute;vel tomar como par&acirc;metro os dados do Caged, pelo menos para uma proje&ccedil;&atilde;o imaginativa. O n&uacute;mero de empregos gerados pela Copa prognosticados pela E&amp;Y/FGV (3,63 milh&otilde;es/ano) &eacute; superior ao total de novos empregos gerados no Brasil durante os anos de 2011 e 2012 - 3,4 milh&otilde;es, aproximadamente (12). O relat&oacute;rio n&atilde;o explicita como fez a proje&ccedil;&atilde;o de empregos, mas ela n&atilde;o parece ser o produto de uma metodologia consistente. Certo mesmo &eacute; que eles n&atilde;o passaram da proje&ccedil;&atilde;o, como tantos outros progn&oacute;sticos alvissareiros, dessa e de v&aacute;rias consultorias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme Wladimir Andreff (13), um dos mais respeitados economistas do esporte, n&atilde;o existe no presente uma metodologia confi&aacute;vel capaz de projetar os impactos econ&ocirc;micos dos megaeventos esportivos, dada a quantidade de vari&aacute;veis implicadas e a efemeridade dos mesmos. Os argumentos de Andreff s&atilde;o consistentes e, talvez por isso, n&atilde;o tenhamos dado a import&acirc;ncia devida ao relat&oacute;rio da E&amp;Y/FGV ao longo das suas in&uacute;meras apari&ccedil;&otilde;es. A mudan&ccedil;a de perspectiva, que nos fez pensar nos efeitos desses artefatos para al&eacute;m da coer&ecirc;ncia dos seus conte&uacute;dos, se deu, em boa medida, pelo fato de que o relatoria da E&amp;Y/FGV continuou sendo citada at&eacute; as v&eacute;speras da Copa 2014. Uma pesquisa mais detalhada a prop&oacute;sito das refer&ecirc;ncias ao relat&oacute;rio na m&iacute;dia mostrou que elas decresceram depois dos protestos de junho de 2013, quando os megaeventos passaram a ser criticados e poucos se atreviam a justific&aacute;-los publicamente (14). Ainda assim, o "n&uacute;mero m&aacute;gico" (e n&atilde;o caberia outro adjetivo) de R$142 bilh&otilde;es, a serem supostamente gerados adicionalmente pela economia (incluindo-se os aportes direitos e os efeitos indiretos), seguiu sendo citado em discursos oficiais, embora alguns jornalistas j&aacute; tivessem embarcado em outro discurso, de que o Brasil havia perdido a oportunidade - este era tamb&eacute;m o discurso velado dos dirigentes da Fifa tentando se eximir de qualquer justifica&ccedil;&atilde;o diante das cr&iacute;ticas avassaladoras (15).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>HEGEMONIA DISCURSIVA FAVOR&Aacute;VEL AOS MEGAEVENTOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O an&uacute;ncio da realiza&ccedil;&atilde;o da Copa 2014 e dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016 no Brasil coincidiu com um momento singular no cen&aacute;rio pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico nacional. A Copa foi definida em tratativas de bastidores, iniciadas em 2004 e finalizadas em 2006, embora a celebra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica tenha ocorrido em novembro de 2007. Na ocasi&atilde;o, o Brasil passava por uma fase de crescimento econ&ocirc;mico destacado e buscava afirmar-se internacionalmente como um ator pol&iacute;tico relevante. Sediar uma Copa n&atilde;o parecia despropositado, embora n&atilde;o houvesse tanta clareza entre os brasileiros da diferen&ccedil;a entre jogar e organizar o evento futebol&iacute;stico - at&eacute; porque entre as bravatas de Ricardo Teixeira, ent&atilde;o presidente da CBF, constava que essa seria "a Copa da iniciativa privada" (16). O circuito empresarial tinha bons motivos para assimilar o discurso da oportunidade e boa parte daqueles que usualmente fazem o contraponto - partidos, organiza&ccedil;&otilde;es civis e intelectuais de esquerda - estavam comprometidos com a defesa do governo de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, salvo exce&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O cen&aacute;rio deixava pouco espa&ccedil;o para o contradit&oacute;rio e tudo parecia se encaminhar para uma grande festa. A crise que afetou quase todas as principais economias mundiais em 2008 foi assimilada sem maiores percal&ccedil;os pelo Brasil, de tal forma que a disputa vitoriosa pela sede dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016, em 2009, constituiu o ponto mais elevado da euforia. O ent&atilde;o presidente Lula estava no auge da sua popularidade, nacional e internacional, e aproveitou a ocasi&atilde;o para exaltar a grandeza do Brasil e criticar todos quantos subestimassem a compet&ecirc;ncia da na&ccedil;&atilde;o quaisquer que fossem os desafios. Realizar a Copa e as Olimp&iacute;adas constitu&iacute;a uma oportunidade merecida, ainda que tardia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A hip&oacute;tese - e o termo n&atilde;o pode ser outro - &eacute; que tais eventos teriam vindo para o Brasil independente de quem estivesse no governo. Os argumentos em favor da candidatura pareciam inquestion&aacute;veis ou, quando eram, careciam de consist&ecirc;ncia. Toda a verdade aparentava estar do lado dos realizadores e da legi&atilde;o de entusiastas, dispersos na cr&ocirc;nica esportiva, no mundo dos neg&oacute;cios, na pol&iacute;tica, entre outros. Havia uma hegemonia discursiva favor&aacute;vel aos megaeventos, para o qual os dispositivos sociot&eacute;cnicos haviam contribu&iacute;do, atualizando para a ocasi&atilde;o a verdade do trip&eacute; oportunidade-investimento-legado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De todas as pol&ecirc;micas em torno da realiza&ccedil;&atilde;o dos megaeventos no Brasil a mais empolgante foi sobre o questionamento p&uacute;blico sobre o uso de aportes p&uacute;blicos, que efetivamente saiu das m&iacute;dias e foi para as ruas. Em todo o caso, foi uma manifesta&ccedil;&atilde;o tardia, capaz de minar a reputa&ccedil;&atilde;o das ag&ecirc;ncias esportivas e dos pol&iacute;ticos locais, mas n&atilde;o de impedir mudan&ccedil;as substantivas - exceto em obras que estavam atrasadas, quase todas relacionadas &agrave; mobilidade urbana. Essa mobiliza&ccedil;&atilde;o tardia n&atilde;o pode ser explicada por uma &uacute;nica vari&aacute;vel, porque as Jornadas de Junho t&ecirc;m v&aacute;rias frentes discursivas, incluindo-se a contrariedade com os "gastos com a Copa". No entanto, o questionamento p&uacute;blico veio &agrave; tona com tanta efervesc&ecirc;ncia que minou os discursos apolog&eacute;ticos em torno dos megaeventos. Essa dist&acirc;ncia entre uma posi&ccedil;&atilde;o francamente favor&aacute;vel e outra hostil tem muito a ver com a disparidade entre o prometido e o realizado. O descompasso n&atilde;o foi produzido apenas pela empolga&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos e de dirigentes esportivos, mas tamb&eacute;m deve-se aos excessos cometidos pelos dispositivos de credita&ccedil;&atilde;o, avalizados por empresas de consultoria que disseminaram progn&oacute;sticos retratando um cen&aacute;rio muito diferente daquele que haveria de se concretizar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS E NOTAS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Sobre as diferen&ccedil;as de posicionamento da Fifa e do COI em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a do dinheiro no esporte, seja atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o de atletas remunerados (primeiro foco de conflito, d&eacute;cada de 1930), seja de patrocinadores (1960/70), conferir Giglio, S. &ldquo;COI x Fifa: A hist&oacute;ria pol&iacute;tica do futebol nos Jogos Ol&iacute;mpicos&rdquo;. Tese de doutorado. Escola de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica e Esporte, USP, S&atilde;o Paulo, 2013.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Callon, M. &ldquo;Qu'est-ce qu'un agencement marchand?&rdquo;. In: Callon, M. et al. <i>Sociologie des agencements marchands</i> – Textes choisis. Paris: Presses des Mines, 2013, p. 325-440. p.368.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. No original: &ldquo;<i>Le social media marketing</i> a pour principale activit&eacute; de performer des r&eacute;seaux sociaux dans lesquels circulent les produits sous la forme de discours cherchant &agrave; les expliciter et &agrave; les qualifier&rdquo; (tradu&ccedil;&atilde;o do autor).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Os dados aqui utilizados s&atilde;o resultado do projeto de pesquisa &ldquo;<i>Megaeventos esportivos no Brasil – uma perspectiva antropol&oacute;gica</i>&rdquo; realizado entre 2010 e 2016. Durante o bi&ecirc;nio 2013-2014 o referido projeto contou com o financiamento do CNPq, atrav&eacute;s do edital MCTI/ CNPq/MEC/Capes nº18/2012. Este projeto resultou em diversas publica&ccedil;&otilde;es, incluindo-se o livro Megaeventos no Brasil – um olhar antropol&oacute;gico, de Arlei Damo e Ruben Oliven (autores associados, 2014), no qual constam, de forma mais detalhada e documentada, alguns dos argumentos aqui utilizados.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Foucault, M. <i>Microf&iacute;sica do poder</i>. Rio de Janeiro: Graal, 1995.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Damo, A. &ldquo;O desejo, o direito e o dever - A trama que trouxe a Copa ao Brasil&rdquo;. In: <i>Revista Movimento</i>, vol. 18, no. 2, abr/jun 2012, p. 41-81.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/Lei/L12663.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/Lei/L12663.htm</a>. Acesso em 20/2/2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://es.slideshare.net/marcelogreuel/caderno-de-encargos-fifa" target="_blank">http://es.slideshare.net/marcelogreuel/caderno-de-encargos-fifa</a>. Acesso em 20/2/2016.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.rio2016.com/sites/default/files/parceiros/dossie_de_candidatura_v1.pdf" target="_blank">http://www.rio2016.com/sites/default/files/parceiros/dossie_de_candidatura_v1.pdf</a>. Acesso em 20/2/2016.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. &ldquo;Brasil sustent&aacute;vel: impactos econ&ocirc;micos da Copa do Mundo 2014&rdquo;. Ernest &amp; Young Terco. Dispon&iacute;vel online em PDF.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. S&eacute;rie de documentos dispon&iacute;veis em: <a href="http://www.ey.com/BR/pt/Issues/Driving-growth" target="_blank">http://www.ey.com/BR/pt/Issues/Driving-growth</a>. Acesso em 15/2/2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Evolu&ccedil;&atilde;o de Emprego do CAGED – EEC. Dispon&iacute;vel no site do Minist&eacute;rio do Trabalho e Trabalho em: http: <a href="http://bi.mte.gov.br/eec" target="_blank">http://bi.mte.gov.br/eec</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Andreff, W. <i>&Eacute;conomie internationale du sport</i>. Grenoble: PUG, 2010.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Esta pesquisa foi realizada no &acirc;mbito do projeto &ldquo;Megaeventos esportivos no Brasil – uma perspectiva antropol&oacute;gica&rdquo;, referido na nota 4.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. &ldquo;Coupe du Monde, Sepp Blatter: Le Br&eacute;sil s'est pr&eacute;par&eacute; &ldquo;trop tard&rdquo;. 06/01/2014. Eurosport. AFP.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. &ldquo;Verba p&uacute;blica financiar&aacute; 94% dos est&aacute;dios da Copa-2014&rdquo;. Por Mariana Bastos e Paulo Cobos. 04/02/2010. Copa do Mundo 2010. Uol Not&iacute;cias.</font></p>      ]]></body><back>
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