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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OLIMP&Iacute;ADAS    <br>   ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nta"></a><b>Jogos Ol&iacute;mpicos e direito &agrave; moradia adequada<a href="#nt"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Raquel Rolnik </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e foi relatora internacional do direito &agrave; moradia adequada do Conselho de Direitos Humanos da ONU (2008-2014)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">At&eacute; os anos 1930, os Jogos Ol&iacute;mpicos e outros eventos esportivos deixavam poucas marcas na paisagem urbana. Em 1932, pela primeira vez, a cidade de Los Angeles associou os Jogos Ol&iacute;mpicos a uma estrat&eacute;gia de dinamiza&ccedil;&atilde;o da economia local, imersa em recess&atilde;o econ&ocirc;mica, e foi a primeira vez que uma "vila ol&iacute;mpica" com caracter&iacute;sticas de moradia permanente foi constru&iacute;da (1). Depois da Segunda Guerra Mundial, o movimento ol&iacute;mpico ganhou uma for&ccedil;a sem precedentes, atraindo o apoio dos governos para a &aacute;rea do esporte como parte de pol&iacute;ticas de bem-estar social, que inclu&iacute;ram em seus projetos ol&iacute;mpicos a constru&ccedil;&atilde;o de infraestrutura p&uacute;blica permanente para a pr&aacute;tica de atividades esportivas. Nos anos 1970 ficou mais evidente a articula&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o de eventos esportivos internacionais com os processos de transforma&ccedil;&atilde;o urbana, particularmente como estrat&eacute;gia de renova&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas centrais das cidades (2).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde os anos 1980, o Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional adotou uma filosofia de incorporar progressivamente o setor privado na promo&ccedil;&atilde;o dos Jogos. Nos anos 1990, tornou-se hegem&ocirc;nica a pr&aacute;tica de organiza&ccedil;&atilde;o de megaeventos esportivos como um dos componentes do planejamento urbano estrat&eacute;gico, com vistas ao reposicionamento das cidades numa economia globalizada, numa esp&eacute;cie de lan&ccedil;amento midi&aacute;tico da imagem da cidade associado &agrave; renova&ccedil;&atilde;o de algumas de suas infraestruturas, atrav&eacute;s de processos com forte protagonismo da ind&uacute;stria imobili&aacute;ria e do setor de constru&ccedil;&atilde;o de forma geral. A esse processo de transforma&ccedil;&atilde;o, os promotores dos Jogos Ol&iacute;mpicos passaram a denominar "o legado dos jogos" (2a). A realiza&ccedil;&atilde;o de jogos internacionais como estrat&eacute;gia de dinamiza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, implantada atrav&eacute;s de parcerias com grandes corpora&ccedil;&otilde;es e capitais privados locais e globais, incluindo a renova&ccedil;&atilde;o da infraestrutura urbana e desenvolvimento imobili&aacute;rio, se converteu no enfoque contempor&acirc;neo dos megaeventos esportivos por parte das cidades e dos pa&iacute;ses (3).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os Jogos Ol&iacute;mpicos de Barcelona, em 1992, consolidaram esse novo enfoque. Foram utilizados pelo governo da cidade catal&atilde; como estrat&eacute;gia para promover a renova&ccedil;&atilde;o da infraestrutura da cidade e, ao mesmo tempo, lan&ccedil;ar uma nova imagem p&uacute;blica internacional da cidade, associada a um ou mais grandes projetos urbanos (4). Ambos os elementos est&atilde;o presentes, com maior ou menor intensidade, nas rela&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas entre os megaeventos esportivos e as cidades anfitri&atilde;s, com importantes impactos significativos na reestrutura&ccedil;&atilde;o de bairros ou cidades e na vida dos que ali vivem ou viviam. Este artigo se concentra em um desses impactos: sobre as comunidades urbanas, qual seja, sobre seu direito &agrave; moradia adequada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OS MEGAEVENTOS ESPORTIVOS E SEUS IMPACTOS NO DIREITO &Agrave; MORADIA ADEQUADA </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A realiza&ccedil;&atilde;o de megaeventos esportivos poderiam, em tese, ser uma oportunidade para ampliar o direito &agrave; moradia adequada. Os processos de reabilita&ccedil;&atilde;o que se p&otilde;em em marcha para preparar os megaeventos seriam capazes de promover melhorias infraestruturais e ambientais nas cidades anfitri&atilde;s. Isto inclui o aumento da mobilidade, a limpeza de zonas contaminadas, o desenvolvimento da gest&atilde;o de res&iacute;duos e o saneamento, a administra&ccedil;&atilde;o de infraestrutura social e cultural e a constru&ccedil;&atilde;o de novas moradias ou a reabilita&ccedil;&atilde;o de unidades habitacionais. N&atilde;o &eacute;, no entanto, o que tem ocorrido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma vasta experi&ecirc;ncia demonstrou que os projetos de reabilita&ccedil;&atilde;o adotados para os Jogos Ol&iacute;mpicos, frequentemente, d&atilde;o lugar a viola&ccedil;&otilde;es generalizadas dos direitos humanos, particularmente do direito &agrave; moradia adequada. Nas cidades que organizam os eventos, s&atilde;o frequentes as den&uacute;ncias de massivas remo&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas para ceder espa&ccedil;o aos grandes projetos de amplia&ccedil;&atilde;o de infraestrutura e renova&ccedil;&atilde;o urbana, muitas vezes reduzindo - e n&atilde;o ampliando - o acesso &agrave; moradia, como resultado de aumento de pre&ccedil;os de im&oacute;veis e alugu&eacute;is e consequente tomada da &aacute;rea por grupos socais de maior renda, de opera&ccedil;&otilde;es de grande envergadura contra as pessoas sem teto, e de discrimina&ccedil;&atilde;o dos grupos marginalizados. Os que mais sofrem as consequ&ecirc;ncias dessas pr&aacute;ticas s&atilde;o os setores mais desfavorecidos e vulner&aacute;veis da sociedade, tais como os segmentos de baixa renda, minorias &eacute;tnicas, imigrantes, idosos, pessoas com defici&ecirc;ncia e grupos marginalizados (como vendedores ambulantes e trabalhadores sexuais).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A. Consequ&ecirc;ncias positivas para a cidade e a moradia </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A realiza&ccedil;&atilde;o dos Jogos Ol&iacute;mpicos, e de outros megaeventos esportivos, serve habitualmente como catalisador para o in&iacute;cio e aplica&ccedil;&atilde;o de planos de desenvolvimento de moradia nas cidades anfitri&atilde;s. Uma vez designada uma cidade como anfitri&atilde;, se destinam maiores investimentos p&uacute;blicos e privados ao setor de constru&ccedil;&atilde;o. Assim, as cidades anfitri&atilde;s registram normalmente atividades de constru&ccedil;&atilde;o sem precedentes, que se traduzem em uma maior disponibilidade de empregos e de unidades habitacionais. Dado o n&uacute;mero de moradias necess&aacute;rias para alojar o grande n&uacute;mero de visitantes, a cidade enfrenta uma reabilita&ccedil;&atilde;o e urbaniza&ccedil;&atilde;o em grande escala. O desenvolvimento urbano tamb&eacute;m inclui, com frequ&ecirc;ncia, planos p&uacute;blicos de revitaliza&ccedil;&atilde;o urbana, que geralmente consistem no "embelezamento" e na "moderniza&ccedil;&atilde;o" de certas &aacute;reas, mas tanto nas &aacute;reas centrais como nas perif&eacute;ricas das cidades anfitri&atilde;s ocorrem transforma&ccedil;&otilde;es. Uma vez finalizado o evento, as novas moradias podem estar &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos residentes locais, que encontrar&atilde;o transformada sua cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre os exemplos de utiliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas com fins de moradia ap&oacute;s os eventos, figuram: a) em Moscou, onde os Jogos Ol&iacute;mpicos de 1980 marcaram a culmina&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de constru&ccedil;&atilde;o de moradias sociais com a transforma&ccedil;&atilde;o da vila ol&iacute;mpica em 18 edif&iacute;cios de apartamentos com 16 andares, ampliando o estoque de moradia social na cidade; b) em Atenas, onde a vila ol&iacute;mpica erigida para os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2004 deixou 3 mil novas unidades habitacionais subsidiadas em benef&iacute;cio de 10 mil residentes (5); e c) em Londres, em 2008, o plano era converter metade das 2,8 mil unidades da vila ol&iacute;mpica em moradias acess&iacute;veis ap&oacute;s os Jogos, e a &aacute;rea do parque ol&iacute;mpico previa ao redor de 10 mil novas moradias, 35% das quais poderiam ser adquiridas passado o evento (6).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A realiza&ccedil;&atilde;o de megaeventos esportivos habitualmente sup&otilde;e a reabilita&ccedil;&atilde;o dos sistemas de circula&ccedil;&atilde;o e de transporte p&uacute;blico, melhoras ambientais e aumento da disponibilidade de instala&ccedil;&otilde;es culturais e esportivas, bem como de espa&ccedil;os p&uacute;blicos abertos para os habitantes das cidades. Todos esses investimentos, se forem formulados com uma perspectiva includente e em benef&iacute;cio da maioria, podem ter um efeito positivo no direito &agrave; moradia adequada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para oferecer alternativas de circula&ccedil;&atilde;o diversas e de boa qualidade durante o megaevento, e incorpor&aacute;-las &agrave;s estrat&eacute;gias de mobilidade urbana, a maioria das cidades anfitri&atilde;s constroem novas autoestradas e an&eacute;is rodovi&aacute;rios, recuperam ruas do centro urbano, melhoram as redes ferrovi&aacute;rias, ampliam os sistemas de trens subterr&acirc;neos e bondes, e constroem novos aeroportos ou ampliam os j&aacute; existentes. S&atilde;o interven&ccedil;&otilde;es que - se dirigidas para as demandas de melhoria de mobilidade pensadas a partir de planejamento includente da cidade, em longo prazo e n&atilde;o a partir &uacute;nica e exclusivamente do novo grande projeto urbano que pretendem promover -, podem melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de moradia, brindando os moradores com um maior acesso &agrave;s oportunidades econ&ocirc;micas, sociais e culturais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em Atenas, por exemplo, foi constru&iacute;da uma nova linha de bondes e se ampliou o sistema de transporte subterr&acirc;neo como preparativos para os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2004; e em Pequim foram constru&iacute;das novas linhas de trens de superf&iacute;cie e subterr&acirc;neos para os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2008 (7).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As preocupa&ccedil;&otilde;es em mat&eacute;ria ambiental tamb&eacute;m s&atilde;o um importante componente dos preparativos para receber um megaevento esportivo. Este aspecto se tornou mais evidente em consequ&ecirc;ncia dos Jogos Ol&iacute;mpicos de Sydney, em 2000. Submetido &agrave;s press&otilde;es de organiza&ccedil;&otilde;es ambientais e aos novos par&acirc;metros propostos pelo Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional, o comit&ecirc; organizador incorporou as preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais na organiza&ccedil;&atilde;o do evento. Desde ent&atilde;o, as autoridades anfitri&atilde;s locais incluem estrat&eacute;gias de recupera&ccedil;&atilde;o ambiental no seu planejamento e aproveitam a oportunidade para melhorar os servi&ccedil;os de gest&atilde;o de lixo, reorganizar a coleta de res&iacute;duos, limpar &aacute;reas contaminadas, criar parques p&uacute;blicos e adotar outras iniciativas na esfera ambiental. Tamb&eacute;m empreendem campanhas mais complexas, frequentemente para retomar planos atrasados de melhoramento ambiental, tais como limpeza de rios e lagos contaminados, a renova&ccedil;&atilde;o ou amplia&ccedil;&atilde;o do sistema de esgoto, e o reassentamento de ind&uacute;strias contaminantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em T&oacute;quio, tr&ecirc;s esta&ccedil;&otilde;es de tratamento de &aacute;guas residuais foram constru&iacute;das pouco antes dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 1964; em Seul, o rio Hang foi descontaminado e foram criados novos sistemas de gest&atilde;o da contamina&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica e de coleta de res&iacute;duos na prepera&ccedil;&atilde;o para os Jogos; em Pequim, 640 quil&ocirc;metros de tubula&ccedil;&otilde;es de esgoto foram renovadas no per&iacute;odo pr&eacute;vio aos Jogos de 2008 (8).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Receber eventos ol&iacute;mpicos tem consequ&ecirc;ncias positivas para a disponibilidade de instala&ccedil;&otilde;es esportivas para a popula&ccedil;&atilde;o local. Durante esses per&iacute;odos, s&atilde;o constru&iacute;dos est&aacute;dios, centros de treinamento, campos de esporte e outras instala&ccedil;&otilde;es que podem - se planejados para esse fim e localizados junto as &agrave;reas carentes desse tipo de equipamentos e posteriormente abertos para o usufruto dos moradores desses locais - ampliar suas oportunidades de conviv&ecirc;ncia, pr&aacute;tica esportiva e de lazer. As disposi&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o adotadas para os eventos tamb&eacute;m podem aumentar o n&uacute;mero de espa&ccedil;os p&uacute;blicos abertos e de &aacute;reas verdes e de lazer. Al&eacute;m das instala&ccedil;&otilde;es esportivas constru&iacute;das para abrigar os Jogos e posteriormente postas &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, pode-se mencionar os seguintes exemplos de aumento da disponibilidade de instala&ccedil;&otilde;es culturais e esportivas: a) em Seul foram constru&iacute;das novas casas de cultura antes dos Jogos Ol&iacute;mpicos; b) em Barcelona foram renovados teatros, museus e galerias de arte como prepara&ccedil;&atilde;o para os Jogos; e c) em Atenas foi realizado um trabalho de preserva&ccedil;&atilde;o de s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos antes dos Jogos Ol&iacute;mpicos (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>B. Consequ&ecirc;ncias negativas para a moradia </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No per&iacute;odo que transcorre entre a designa&ccedil;&atilde;o da cidade anfitri&atilde; e a realiza&ccedil;&atilde;o do evento, as cidades normalmente sofrem uma s&eacute;rie de transforma&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o s&oacute; afetam sua infraestrutura urbana como tamb&eacute;m produzem mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas, sociais e demogr&aacute;ficas com consequ&ecirc;ncias de longo prazo para a popula&ccedil;&atilde;o local. Como a an&aacute;lise sobre a repercuss&atilde;o desses eventos geralmente se concentra nos benef&iacute;cios econ&ocirc;micos para a cidade anfitri&atilde;, presta-se menos aten&ccedil;&atilde;o &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o dos efeitos na vida dos moradores, especialmente os grupos mais vulner&aacute;veis da sociedade. Lamentavelmente, o legado desses eventos no contexto dessas pessoas est&aacute; longe de ser positivo. Os supostos benef&iacute;cios econ&ocirc;micos decorrentes da realiza&ccedil;&atilde;o dos Jogos Ol&iacute;mpicos n&atilde;o se distribuem equitativamente entre toda a popula&ccedil;&atilde;o local. Ao contr&aacute;rio, parecem exacerbar-se as disparidades existentes, dado que os processos de regenera&ccedil;&atilde;o e embelezamento da cidade geralmente se concentram em &aacute;reas habitadas principalmente por grupos pobres e vulner&aacute;veis. As consequ&ecirc;ncias duradouras dos megaeventos esportivos frequentemente incluem caracter&iacute;sticas inquietantes, que s&atilde;o descritas a seguir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>B.1. Remo&ccedil;&otilde;es </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os despejos e remo&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas s&atilde;o caracter&iacute;sticas comuns dos preparativos dos Jogos Ol&iacute;mpicos. Grandes projetos de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana - associados aos projetos de sede dos Jogos, assim como aos meios de acesso a hot&eacute;is/equipamentos esportivos e aeroportos - frequentemente tornam necess&aacute;ria a demoli&ccedil;&atilde;o de moradias existentes e a abertura de espa&ccedil;os para novas obras. A import&acirc;ncia que se concede &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma nova imagem internacional da cidade, como parte integrante da prepara&ccedil;&atilde;o dos Jogos, sup&otilde;e a elimina&ccedil;&atilde;o de manifesta&ccedil;&otilde;es de pobreza e subdesenvolvimento, por meio de projetos de reurbaniza&ccedil;&atilde;o que d&atilde;o prioridade ao embelezamento urbano em detrimento &agrave;s necessidades dos moradores locais. Posto que as autoridades p&uacute;blicas utilizam a organiza&ccedil;&atilde;o dos megaeventos como catalizador para a regenera&ccedil;&atilde;o da cidade, os moradores de &aacute;reas afetadas podem enfrentar deslocamentos massivos, remo&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas e a demoli&ccedil;&atilde;o de suas casas. Tamb&eacute;m podem ocorrer remo&ccedil;&otilde;es em raz&atilde;o das medidas adotadas pelas autoridades para eliminar rapidamente assentamentos populares, considerados esteticamente negativos, das &aacute;reas frequentadas pelos visitantes, ainda que essas &aacute;reas n&atilde;o sejam necess&aacute;rias para nenhuma constru&ccedil;&atilde;o ou amplia&ccedil;&atilde;o de equipamento p&uacute;blico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na maioria dos casos, as alternativas &agrave;s remo&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o suficientemente exploradas, n&atilde;o s&atilde;o realizadas consultas pr&eacute;vias com as comunidades afetadas e n&atilde;o se garante &agrave;s v&iacute;timas uma indeniza&ccedil;&atilde;o adequada e nem outra moradia. Al&eacute;m disso, as remo&ccedil;&otilde;es quase nunca permitem o regresso dos habitantes anteriores &agrave;s moradias rec&eacute;m constru&iacute;das. O certo &eacute; que os propriet&aacute;rios, os locat&aacute;rios e os ocupantes sem t&iacute;tulo se veem frequentemente submetidos &agrave; press&atilde;o de autoridades p&uacute;blicas, ou de agentes imobili&aacute;rios privados, para que abandonem a &aacute;rea, n&atilde;o recebem garantias de poder regressar ao lugar reabilitado e s&oacute; raramente  seus direitos de compensa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o reconhecidos. Em muitas ocasi&otilde;es, os despejos s&atilde;o levados a cabo acompanhados de viol&ecirc;ncia, amea&ccedil;as e agress&otilde;es contra os moradores. A urg&ecirc;ncia dos prazos de entrega das obras &eacute; usada como justificativa para essas remo&ccedil;&otilde;es violentas e para a inobserv&acirc;ncia dos direitos das comunidades afetadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&atilde;o v&aacute;rios os exemplos de remo&ccedil;&otilde;es devidos &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas esportivas e de alojamento para os visitantes e &agrave;s melhorias na infraestrutura. Em Seul, 15% da popula&ccedil;&atilde;o sofreu despejos for&ccedil;ados, e foram demolidos 48 mil edif&iacute;cios antes dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 1988 (10); em Barcelona, 200 fam&iacute;lias foram desalojadas para dar lugar &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de novos an&eacute;is vi&aacute;rios antes dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 1992 (11); em Pequim, nove projetos relativos &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do local para os Jogos, de superf&iacute;cie de mais de 1 milh&atilde;o de metros quadrados, exigiram o reassentamento dos moradores (12); houve den&uacute;ncias de despejos massivos, realizados &agrave;s vezes por homens n&atilde;o identificados no meio da noite e sem aviso pr&eacute;vio, e durante os quais os moradores e ativistas por moradia foram submetidos &agrave; repress&atilde;o, a amea&ccedil;as e a deten&ccedil;&otilde;es arbitr&aacute;rias (13); em Londres, a ordem de expropria&ccedil;&atilde;o emitida para a organiza&ccedil;&atilde;o dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2012, que outorga atribui&ccedil;&otilde;es &agrave;s autoridades locais para reunir a terra necess&aacute;ria para importantes projetos de regenera&ccedil;&atilde;o, obrigou os residentes a abandonar os distritos ol&iacute;mpicos (14).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>B.2. Deslocamentos indiretos devido &agrave; gentrifica&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo em contextos em que n&atilde;o ocorrem remo&ccedil;&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o de instala&ccedil;&otilde;es esportivas ou projetos de urbaniza&ccedil;&atilde;o destinados a melhorar a imagem da cidade anfitri&atilde;, deslocamentos massivos em raz&atilde;o de processos indiretos, como a gentrifica&ccedil;&atilde;o e o aumento dos custos da moradia, tamb&eacute;m amea&ccedil;am o direito &agrave; moradia adequada. A gentrifica&ccedil;&atilde;o pode ter como origem os projetos de revitaliza&ccedil;&atilde;o que se empreendem vinculados aos eventos. Uma vez submetidos a processos de revitaliza&ccedil;&atilde;o, vizinhan&ccedil;as antes populares passam a atrair pessoas de mais alta renda, que come&ccedil;am a se mudar para essas &aacute;reas. O repentino interesse dos investidores imobili&aacute;rios em &aacute;reas que anteriormente se considerava de baixo valor aumenta os pre&ccedil;os de compra e aluguel, o que repercute na acessibilidade da moradia para os moradores locais, e com frequ&ecirc;ncia tem como resultado sua expuls&atilde;o de fato dessas regi&otilde;es. Em particular os inquilinos, quando n&atilde;o t&ecirc;m meios de alugar as novas unidades, se veem obrigados a se mudar para outras regi&otilde;es e frequentemente n&atilde;o recebem indeniza&ccedil;&atilde;o ou outra moradia. Raramente os antigos moradores s&atilde;o inclu&iacute;dos em projetos mistos de habita&ccedil;&atilde;o (mercado/social) empreendidos por promotores privados, que lhes garantem o acesso a novas resid&ecirc;ncias; na maior parte dos casos, se veem obrigados a vender seus im&oacute;veis e abandonar a &aacute;rea, seja como resultado do aumento dos custos ou do ass&eacute;dio das incorporadoras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desta maneira, o bairro sofre uma profunda mudan&ccedil;a em sua composi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica. Ao mesmo tempo que uma popula&ccedil;&atilde;o de renda m&eacute;dia e alta se muda para regi&otilde;es anteriormente populares e encontra uma maior disponibilidade de moradias, os moradores anteriores se veem empurrados para &aacute;reas externas &agrave; cidade, perdem seus v&iacute;nculos comunit&aacute;rios e sofrem um maior empobrecimento devido &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o das oportunidades de emprego e escolaridade, assim como pelo aumento dos gastos com transporte utilizado para trabalho e lazer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre os exemplos de deslocamento devidos &agrave; gentrifica&ccedil;&atilde;o e aumento de custos de moradia, figuram: a) em Seul, o pre&ccedil;o dos apartamentos aumentou em 20,4% nos primeiros oito meses de 1988, e os pre&ccedil;os da terra se incrementaram em 27% durante o ano, no que foi o maior aumento desde 1978 (15); b) em Barcelona, o aumento dos pre&ccedil;os de moradia num per&iacute;odo de cinco anos em torno dos Jogos alcan&ccedil;ou 131%, enquanto no resto do pa&iacute;s foi de 83% (16); em 1993, um ano depois dos Jogos Ol&iacute;mpicos, esses pre&ccedil;os se elevaram apenas 2% (17); c) em Atlanta, cerca de 15 mil residentes de baixa renda se viram obrigados a abandonar a cidade devido ao fato de que o aumento dos alugu&eacute;is passou de 0,4% em 1991 para 7,9% em 1996, antes dos Jogos Ol&iacute;mpicos daquele ano (18); d) em Sydney, o aumento dos pre&ccedil;os de moradia nos cinco anos precedentes aos Jogos Ol&iacute;mpicos foi de 50%, enquanto no resto do pa&iacute;s ficou em 39% (19); e) em Pequim, aproximadamente 1,5 milh&atilde;o de pessoas foram deslocadas de seus lares para permitir a renova&ccedil;&atilde;o urbana antes dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2008 (20); f) em Londres, os pre&ccedil;os imobili&aacute;rios nas zonas ao redor do s&iacute;tio ol&iacute;mpico se elevaram entre 1,4% e 4,6% depois do an&uacute;ncio de que a cidade seria sede dos jogos, enquanto no restante da cidade os pre&ccedil;os ca&iacute;ram 0,2%(21).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>B.3. Redu&ccedil;&atilde;o da disponibilidade de moradia social e de baixo custo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A repercuss&atilde;o dos processos de revitaliza&ccedil;&atilde;o e embelezamento no acesso &agrave; moradia &eacute; ainda maior quando afeta bairros populares. As moradias sociais, frequentemente situadas em zonas urbanas pobres, d&atilde;o a seus residentes uma oportunidade de habita&ccedil;&atilde;o de baixo custo, &agrave;s vezes subsidiada pelo Estado. Por serem projetos p&uacute;blicos - e habitados por uma popula&ccedil;&atilde;o marcada por pouca renda e poder - muitas dessas moradias sociais s&atilde;o demolidas. Dado que muitos conjuntos habitacionais s&atilde;o propriedade do Estado, os projetos de revitaliza&ccedil;&atilde;o geralmente procedem sua demoli&ccedil;&atilde;o para abrir espa&ccedil;o a novos empreendimentos. Diminui assim, consideravelmente, a disponibilidade de moradia de baixo custo, tornando esses setores da popula&ccedil;&atilde;o ainda mais vulner&aacute;veis &agrave; viola&ccedil;&atilde;o de seus direitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em Atlanta, 1,2 mil unidades de moradia social foram destru&iacute;das antes dos Jogos Ol&iacute;mpicos (22); em Sydney, os informes dispon&iacute;veis indicam que cerca de 6 mil pessoas ficaram sem casa antes dos Jogos (23); em Londres, a Clays Lane State, uma moradia social hist&oacute;rica que ficava na &aacute;rea ol&iacute;mpica e era habitada por cerca de 400 pessoas, foi demolida. Segundo a London Development Agency, o im&oacute;vel n&atilde;o satisfazia as normas do governo em mat&eacute;ria de moradias decentes (24).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>B.4. As consequ&ecirc;ncias nos assentamentos improvisados </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A situa&ccedil;&atilde;o das pessoas que vivem em assentamentos informais &eacute; particularmente preocupante no contexto da prepara&ccedil;&atilde;o dos megaeventos. Como s&iacute;mbolo de pobreza e precariedade, essas constru&ccedil;&otilde;es arruinam a imagem que a cidade procura promover com a organiza&ccedil;&atilde;o dos Jogos Ol&iacute;mpicos. Considerados antiest&eacute;ticos e sem seguran&ccedil;a de posse, os assentamentos informais s&atilde;o os primeiros a ser demolidos quando se organiza um megaevento na cidade. As zonas onde eles ficam s&atilde;o frequentemente utilizadas, seja para constru&ccedil;&atilde;o de locais esportivos e alojamentos para os visitantes, seja para erigir novas moradias para os residentes locais. Em muitos casos, os assentamentos improvisados s&atilde;o removidos para dar lugar a novas vias, equipamentos ou simplesmente porque n&atilde;o se adequam &agrave; nova paisagem urbana. As administra&ccedil;&otilde;es locais habitualmente n&atilde;o oferecem indeniza&ccedil;&atilde;o ou alternativa habitacional aos moradores removidos. Comunidades inteiras se veem obrigadas a reassentar-se, geralmente nas partes mais externas da cidade ou em zonas rurais, onde n&atilde;o encontram meios de sustento e as oportunidades de emprego e de acesso a mercados informais s&atilde;o ex&iacute;guas, e onde j&aacute; n&atilde;o existem seus v&iacute;nculos com a comunidade. Os moradores de assentamentos prec&aacute;rios s&atilde;o quase sempre minorias &eacute;tnicas, migrantes, segmentos de baixa renda e outros grupos vulner&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um exemplo do efeito dos megaeventos em assentamentos improvisados &eacute;, no Rio de Janeiro, a Vila Aut&oacute;dromo (25). Surgida nos anos 1960 para abrigar os oper&aacute;rios que trabalhavam na constru&ccedil;&atilde;o do antigo aut&oacute;dromo do Rio, a comunidade come&ccedil;ou a sofrer amea&ccedil;as de remo&ccedil;&atilde;o no in&iacute;cio dos anos 1990. Na prepara&ccedil;&atilde;o para os Jogos Pan-Americanos de 2007 novas tentativas foram feitas. Mas foi com a confirma&ccedil;&atilde;o do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016 que o projeto da prefeitura ganhou for&ccedil;a e as press&otilde;es pela sa&iacute;da dos moradores aumentaram. Ainda que boa parte dos moradores possu&iacute;sse concess&atilde;o do direito real de uso dos terrenos, concedida na &eacute;poca pelo governo do estado, a prefeitura insistiu na remo&ccedil;&atilde;o e conseguiu que parte dos moradores deixasse a comunidade nos &uacute;ltimos anos, aceitando a oferta de compensa&ccedil;&atilde;o financeira ou de realoca&ccedil;&atilde;o em um conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida. S&oacute; que essa mesma prefeitura come&ccedil;ou a demolir as casas dos moradores que deixaram a vila, sem recolher o entulho, sem limpar o local, deixando os escombros no meio das ruas e junto &agrave;s moradias dos que ficaram, tornando aquele lugar completamente in&oacute;spito. H&aacute; relatos de que algumas casas est&atilde;o isoladas e seus moradores n&atilde;o conseguem ter acesso a elas. A a&ccedil;&atilde;o da prefeitura &eacute; evidentemente estrat&eacute;gica, no intuito de for&ccedil;ar a sa&iacute;da dos moradores que resistem, ao tornar a vida naquele lugar insustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>B.5. Criminaliza&ccedil;&atilde;o da pobreza, da informalidade e da popula&ccedil;&atilde;o de rua</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A situa&ccedil;&atilde;o das pessoas sem teto tamb&eacute;m pode ser agravada no contexto dos Jogos Ol&iacute;mpicos, considerando os relatos de situa&ccedil;&otilde;es em que autoridades locais adotaram medidas para retirar moradores de rua das &aacute;reas frequentadas pelos visitantes durante o per&iacute;odo dos Jogos. Em alguns casos foram oferecidas alternativas de abrigamento para que os moradores de rua deixassem as &aacute;reas, mas na maioria das vezes os moradores foram removidos &agrave; for&ccedil;a. Legisla&ccedil;&otilde;es especiais s&atilde;o produzidas de modo a tipificar como delitos atos como dormir nas ruas e pedir esmola. Da mesma forma, se promulgam leis que pro&iacute;bem os vendedores ambulantes e as trabalhadoras sexuais de levar a cabo suas atividades durante o evento. Recebemos comunicados de casos de utiliza&ccedil;&atilde;o de acampamentos com instala&ccedil;&otilde;es de grande capacidade, fora da cidade, para alojar pessoas sem teto e outros grupos "antiest&eacute;ticos" enquanto se desenvolvia o evento. Trata-se de uma tend&ecirc;ncia inquietante das cidades anfitri&atilde;s de introduzir uma "l&oacute;gica de exce&ccedil;&atilde;o" na gest&atilde;o da vida p&uacute;blica enquanto se prepara o evento, que permite restri&ccedil;&otilde;es dos direitos e das garantias processuais, quando considerado necess&aacute;rio para assegurar a realiza&ccedil;&atilde;o do evento (26). Al&eacute;m disso, como aumenta o n&uacute;mero de despejos e diminui a oferta de moradia social, assentamentos improvisados e resid&ecirc;ncias tempor&aacute;rias, normalmente, incrementa o n&uacute;mero de pessoas sem teto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos Jogos Ol&iacute;mpicos de Seul, em 1988, e de Barcelona, em 1992, moradores de rua foram retirados ou detidos em instala&ccedil;&otilde;es fora da cidade durante os Jogos; em Atlanta, a car&ecirc;ncia de moradia e atividades conexas foram declaradas ilegais e foram expedidos mais de 9 mil indiciamentos contra pessoas sem teto (29).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>B.6. Consequ&ecirc;ncias desproporcionais para os grupos particularmente vulner&aacute;veis &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O legado negativo dos megaeventos esportivos incide particularmente nos setores mais vulner&aacute;veis da sociedade. Estes grupos se veem afetados desproporcionalmente por remo&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas, por despejos, pela diminui&ccedil;&atilde;o da disponibilidade de moradia social, pela redu&ccedil;&atilde;o da acessibilidade &agrave; moradia, pela pr&oacute;pria car&ecirc;ncia de moradias, pelo isolamento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; comunidade e &agrave;s redes sociais existentes, pela restri&ccedil;&atilde;o &agrave;s liberdades civis e pela criminaliza&ccedil;&atilde;o de suas atividades. Os despejos e remo&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas que t&ecirc;m como origem os grandes projetos  afetam comumente a popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda, as minorias &eacute;tnicas, os imigrantes e os idosos, os quais se obriga que abandonem seus lares para reassentar-se em zonas distantes do centro da cidade. Igualmente, as pol&iacute;ticas e leis especiais adotadas para "limpar" a cidade resultam na remo&ccedil;&atilde;o de pessoas sem teto, moradores de rua, vendedores ambulantes, trabalhadores sexuais e outros grupos marginalizados das zonas c&ecirc;ntricas e seu reassentamento em &aacute;reas especiais ou fora da cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em Atenas, as comunidades ciganas foram o principal objeto de remo&ccedil;&otilde;es (30); em Atlanta, as comunidades negras (31); em Sydney, foram removidas comunidades ind&iacute;genas de &aacute;reas pr&oacute;ximas aos s&iacute;tios ol&iacute;mpicos, com o fim de embelezar a cidade (32); e em Pequim, a maioria das v&iacute;timas de remo&ccedil;&otilde;es foi de trabalhadores imigrantes (33).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>C. Tens&otilde;es em torno dos megaeventos: mobiliza&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&otilde;es </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em muitos casos, as comunidades e grupos afetados se d&atilde;o conta de que a proposta inicial das autoridades para a organiz&ccedil;&atilde;o de um megaevento pode trazer consigo viola&ccedil;&otilde;es do direito &agrave; moradia adequada, tais como remo&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas de moradores locais, a criminaliza&ccedil;&atilde;o de pessoas sem teto e outras pr&aacute;ticas similares. Para fazer frente a essas amea&ccedil;as, a popula&ccedil;&atilde;o afetada e as organiza&ccedil;&otilde;es sociais se mobilizam para resistir &agrave; proposta, exigindo que se modifique sua formula&ccedil;&atilde;o. Em alguns casos, a resist&ecirc;ncia social conduziu a negocia&ccedil;&otilde;es com as partes interessadas, &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia diferente e a uma nova concep&ccedil;&atilde;o do plano para incorporar os pedidos da popula&ccedil;&atilde;o afetada e proteger os direitos da popula&ccedil;&atilde;o local.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns exemplos de mobiliza&ccedil;&atilde;o social e renegocia&ccedil;&atilde;o dos megaeventos: a) para os Jogos Ol&iacute;mpicos de Atenas, em 1996, as autoridades previam demolir um complexo habitacional situado defronte a uma das principais rotas ol&iacute;mpicas, mas devido &agrave; firme resist&ecirc;ncia dos moradores e dos ativistas de moradia, os edif&iacute;cios n&atilde;o foram demolidos (34); b) no per&iacute;odo pr&eacute;vio aos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, em 2007, o Comit&ecirc; Social do Pan interveio ante &agrave;s autoridades locais para pedir a modifica&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios planos relativos ao evento, inclu&iacute;da a suspens&atilde;o do despejo da Vila Aut&oacute;dromo (35); c) em 2002, como resposta aos planos oficiais para os Jogos Ol&iacute;mpicos de Inverno de 2010, em Vancouver, a organiza&ccedil;&atilde;o Coaliz&atilde;o sobre o Impacto dos Jogos Ol&iacute;mpicos nas Comunidades defendeu a realiza&ccedil;&atilde;o de um referendo sobre os Jogos e formulou uma s&eacute;rie de recomenda&ccedil;&otilde;es &agrave; Vancouver 2010 Bid Corporation (empresa respons&aacute;vel) que ao final resultou no compromisso das autoridades de que os Jogos beneficiariam &agrave; comunidade e &agrave;s zonas urbanas pobres, promessa que foi incorporada nos documentos de oferta para 2010 (36), n&atilde;o tendo sido, entretanto, completamente implementada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONCLUS&Otilde;ES </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tendo presentes as consequ&ecirc;ncias dos megaeventos esportivos, &eacute; fundamental que todos os envolvidos adotem uma atitude respons&aacute;vel no que diz respeito aos impactos dos Jogos Ol&iacute;mpicos em rela&ccedil;&atilde;o ao direito &agrave; moradia adequada. Todos os participantes devem, em todas as fases, levar devidamente em considera&ccedil;&atilde;o as consequ&ecirc;ncias da realiza&ccedil;&atilde;o do evento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; garantia da manuten&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos. As recomenda&ccedil;&otilde;es para os Estados participantes, assim como para o Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional e Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Futebol, podem ser acessadas no documento dispon&iacute;vel online (37) e cont&eacute;m um rol de condi&ccedil;&otilde;es para o respeito &agrave; moradia adequada durante a prepara&ccedil;&atilde;o de cidades e pa&iacute;ses que sediar&atilde;o os Jogos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS E NOTAS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. As 126 casas de Baldwin Hills, a vila ol&iacute;mpica que foi constru&iacute;da para abrigar os atletas de sexo masculino, foi posteriormente desfeita e as casas, constru&iacute;das de forma que poderiam ser desmontadas depois, vendidas individualmente ap&oacute;s os Jogos. Mu&ntilde;oz, F. &ldquo;Evoluci&oacute;n hist&oacute;rica y tipolog&iacute;a de planificaci&oacute;n urbana de las Villas Ol&iacute;mp&iacute;cas&rdquo;, Centre d'Estudis Ol&iacute;mpic i de l'Esport, Barcelona, 1996.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Mascarenhas, G. &ldquo;Globaliza&ccedil;&atilde;o e governo urbano nos megaeventos ol&iacute;mpicos: os Jogos Panamericanos de Santo Domingo, 2003. Diez a&ntilde;os de cambio en el mundo, en la geografia y en las ciencias sociales, 1999-2008&rdquo;, Universidad de Barcelona, 2008.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2a. Ver Oliveira, N. G. de. &ldquo;O poder dos jogos e os jogos do poder: os interesses em campo na produ&ccedil;&atilde;o de uma cidade para o espet&aacute;culo esportivo&rdquo;, tese (doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, 2012; e Novaes, P. &ldquo;Urbanismo na cidade desigual: o Rio de Janeiro&rdquo;, <i>Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais</i> v.16, nº.1, p.11-33, / maio 2014.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Ver &ldquo;Labor, economy, and transparency in large urban projects&rdquo;, Alberto de Oliveira (UFRRJ), 2009, Congresso da LASA, Brasil, 2009; e &ldquo;From managerialism to entrepreneurialism: the transformation in urban governance in late capitalism&rdquo;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=084921&pid=S0009-6725201600020001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->, e Harvey D., 1989, Geografiska Annaler, s&eacute;rie B 71 (1) 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=084922&pid=S0009-6725201600020001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Stavrides, S., &ldquo;Urban identities: beyond the regional and the global. The case of Athens&rdquo;. In: Al-Qawasmi, J.; Mahmoud, A. e Djerbi, A. (Eds.), 2008. <i>Regional Architecture and Identity in the Age of Globalization</i>, Atas da Segunda Confer&ecirc;ncia Internacional da CSAAR, Tunisia, p. 577 a 588, 2005.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. &ldquo;Fair play for housing rights. Mega-events, Olympic Games and evictions&rdquo;, <i>COHRE</i>, 2007, p.142.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Informa&ccedil;&atilde;o fornecida pelo Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. &ldquo;Fair play and housing rights&rdquo;, <i>op. cit.</i>, p. 74.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Ibid., p.74.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Ibid.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Solomon J. Greene; &ldquo;Staged cities; mega events, slum clearance, and global capital&rdquo; em <i>Yale Human Rights and Development Law Journal</i>, v. 6, 2003, p. 171 y 179.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. &ldquo;Fair play for housing rights&rdquo;, <i>op. cit.</i>, p. 197.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Informa&ccedil;&atilde;o fornecida pelo Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional, com dados provenientes do Comit&ecirc; Organizador dos Jogos Ol&iacute;mpicos de Pequim.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. &ldquo;Beijing 2008. Human rights and the Olympics in China&rdquo; (2004); e &ldquo;Demolished: forced evictions and the tenant's rights movement in China&rdquo;, <i>Human Rights Watch</i>, v.16, nº. 4; 2004.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Ver a p&aacute;gina web da London Development Agency, <a href="http://www.lda.gov.uk" target="_blank">www.lda.gov.uk</a>;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=084934&pid=S0009-6725201600020001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> e &ldquo;Hosting the 2012 Olympic Games: London's Olympic preparations and housing rights concerns&rdquo;, 2001, COHRE, p. 26.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Solomon J. Greene; <i>op. cit.</i>, p. 172 y 179.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. &ldquo;2012 Home Games: a study of the housing and regeneration legacies of recent Olympic and Paralympic Games and the implications for residents of east London&rdquo;, <i>East Thames Group</i>, p. 14.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. &ldquo;Barcelona. International events and housing rights: a focus on the Olympic Games&rdquo;, <i>COHRE</i>, 2007.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. &ldquo;2012 Home Games&rdquo;, <i>op. cit.</i>, p. 14.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Ibid.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. &ldquo;One world, whose dream? Housing rights violations and the Beijing Olympic Games&rdquo;, <i>COHRE</i>, 2008, p.6.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. &ldquo;Hosting the 2012 Olympic Games: London's Olympic preparations and housing rights concerns&rdquo;. <i>COHRE</i>, 2001, p.31.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. &ldquo;2012 Home Games&rdquo;, <i>op. cit.</i>, p.13.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. Ibid., p.16.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. Informa&ccedil;&atilde;o fornecida pelo Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25. &ldquo;Plano ol&iacute;mpico para Rio-2016 prev&ecirc; a remo&ccedil;&atilde;o de favela&rdquo;, <i>Folha de S. Paulo</i>, 8 de outubro de 2009.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26. &ldquo;Fair play for housing rights&rdquo;, <i>op. cit.</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">27. Ibid., p. 198.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">28. &ldquo;2012 Home Games&rdquo;, <i>op. cit.</i>, p. 15.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">29. &ldquo;Fair play for housing rights&rdquo;, <i>op. cit.</i>, p. 198.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">30. Ibid.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">31. Ibid, p. 14.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">32. &ldquo;2012 Home Games&rdquo;, <i>op. cit.</i>, p. 14.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">33. &ldquo;Fair play for housing rights&rdquo;, <i>op. cit.</i>, p. 199.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">34. Stavrides, S. &ldquo;Urban identities: beyond the regional and the global. The case of Athens&rdquo;. In: Al-Qawasmi, J.; Mahmoud, A. e Djerbi, A. (eds.), 2008, <i>Regional Architecture and Identity in the Age of Globalization</i>, Atas da Segunda Confer&ecirc;ncia Internacional da Tun&iacute;sia, 2005.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">35. Ver Lemos Marques, A.; Barros de Moura, B., &ldquo;Pan Rio 2007: manifesta&ccedil;&otilde;es e manifestantes&rdquo;, XIII Encontro da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional, Brasil, maio de 2009.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">36. Elby D., &ldquo;Still waiting at the altar: Vancouver 2010's on-again, off-again, relationship with social sustainability&rdquo;, <i>Pivot Legal Society</i>, junho de 2007.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">37. O relat&oacute;rio completo est&aacute; dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.un.org/wcm/webdav/site/sport/shared/sport/pdfs/Resolutions/A-HRC-13-20/A-HRC-13-20_EN.pdf" target="_blank">http://www.un.org/wcm/webdav/site/sport/shared/sport/pdfs/Resolutions/A-HRC-13-20/A-HRC-13-20_EN.pdf</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=084958&pid=S0009-6725201600020001200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nt"></a>(<a href="#nta">*</a>) Este artigo &eacute; uma vers&atilde;o do relat&oacute;rio anual apresentado pela autora ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, na qualidade de relatora especial para o direito &agrave; moradia adequada, durante seu mandato (2008-2014), abordando o tema dos megaeventos esportivos e o direito &agrave; moradia.</font></p>      ]]></body>
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