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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OLIMP&Iacute;ADAS    <br>   ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nta"></a><b>Olimpismo para o s&eacute;culo XXI<a href="#nt"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jim Parry</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor visitante da Universidade Charles em Praga, da Universidade Ol&iacute;mpica Internacional da R&uacute;ssia, e da Academia Ol&iacute;mpica Internacional (Gr&eacute;cia). Foi professor e chefe do Departamento de Filosofia da Universidade de Leeds, no Reino Unido</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Suponho que, para a maioria das pessoas, a palavra "ol&iacute;mpico" evoque imagens dos Jogos Ol&iacute;mpicos, antigos ou modernos. As pessoas comumente associam esta palavra ao festival esportivo de duas semanas, realizado uma vez a cada quatro anos, entre atletas de elite que representam seus pa&iacute;ses em competi&ccedil;&otilde;es internacionais ou, em se tratando dos Jogos Ol&iacute;mpicos da Gr&eacute;cia Antiga, entre atletas que representavam suas cidades-Estados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poucos, entretanto, ter&atilde;o ouvido falar de "olimpismo", a filosofia desenvolvida pelo fundador do movimento ol&iacute;mpico moderno,  o bar&atilde;o Pierre de Coubertin, um aristocrata franc&ecirc;s muito influenciado pela tradi&ccedil;&atilde;o das escolas p&uacute;blicas brit&acirc;nicas de usar o esporte na educa&ccedil;&atilde;o. Essa filosofia abarca n&atilde;o apenas o atleta de elite, mas todo mundo; n&atilde;o apenas um per&iacute;odo curto de tempo, mas a vida toda; n&atilde;o apenas a competi&ccedil;&atilde;o e a vit&oacute;ria, mas tamb&eacute;m os valores de participa&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o; n&atilde;o apenas o esporte enquanto atividade, mas tamb&eacute;m enquanto influ&ecirc;ncia formativa, contribuindo para o desenvolvimento de caracter&iacute;sticas desej&aacute;veis de personalidade individual e da vida social.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OLIMPISMO: UMA FILOSOFIA SOCIAL UNIVERSAL </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O olimpismo, dessa maneira, &eacute; uma filosofia social que enfatiza o papel do esporte no desenvolvimento mundial, na compreens&atilde;o internacional, na coexist&ecirc;ncia pac&iacute;fica e na educa&ccedil;&atilde;o social e moral. De Coubertin compreendeu, no final do s&eacute;culo XIX, que o esporte estava prestes a se tornar um importante fator de crescimento na cultura popular - e que, como atividade f&iacute;sica, tinha o potencial de ser universaliz&aacute;vel, proporcionando um meio de contato e comunica&ccedil;&atilde;o entre culturas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma filosofia universal, por defini&ccedil;&atilde;o, entende-se como relevante a todos, independentemente de na&ccedil;&atilde;o, g&ecirc;nero, classe social, etnia, religi&atilde;o ou ideologia e, assim, o movimento ol&iacute;mpico tem buscado uma representa&ccedil;&atilde;o universal e coerente de si mesmo - um conceito de olimpismo que identifique uma gama de valores com que cada na&ccedil;&atilde;o possa sinceramente se comprometer, ao mesmo tempo em que possa encontrar nessa ideia geral uma forma de express&atilde;o singular, gerada por sua pr&oacute;pria cultura, localiza&ccedil;&atilde;o, hist&oacute;ria, tradi&ccedil;&atilde;o e futuro almejado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De Coubertin, sendo um produto do liberalismo no final do s&eacute;culo XIX, enfatizou os valores de igualdade, equidade, justi&ccedil;a, respeito pelas pessoas, racionalidade e compreens&atilde;o, autonomia e excel&ecirc;ncia (1). Esses s&atilde;o valores que abrangem cerca de 3.000 anos de hist&oacute;ria ol&iacute;mpica, embora alguns deles possam ser interpretados de maneiras diferentes em momentos diferentes. Eles s&atilde;o, basicamente, os principais valores do humanismo liberal - ou talvez dev&ecirc;ssemos dizer simplesmente humanismo, uma vez que as sociedades socialistas n&atilde;o tiveram dificuldades de incluir os ideais ol&iacute;mpicos em sua postura ideol&oacute;gica em rela&ccedil;&atilde;o ao esporte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tarefa contempor&acirc;nea do movimento ol&iacute;mpico &eacute; promover este projeto: tentar entender mais claramente o que os Jogos Ol&iacute;mpicos (e o esporte na sociedade em geral) poder&aacute; vir a significar. Essa tarefa ser&aacute; realizada tanto no plano das ideias quanto das a&ccedil;&otilde;es. Se a pr&aacute;tica do esporte deve ser buscada e desenvolvida de acordo com os valores ol&iacute;mpicos, a teoria deve se esfor&ccedil;ar para desenvolver uma concep&ccedil;&atilde;o de olimpismo que suporte essa pr&aacute;tica. O ideal seria buscar, ao mesmo tempo, sustentar a pr&aacute;tica esportiva e conduzir  o esporte para uma vis&atilde;o do olimpismo que ajude a lidar com os desafios que est&atilde;o por vir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A ANTROPOLOGIA FILOS&Oacute;FICA DO OLIMPISMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Baseado em sua  heran&ccedil;a e tradi&ccedil;&atilde;o, cada sociedade (e cada ideologia) tem uma antropologia pol&iacute;tica e filos&oacute;fica - uma concep&ccedil;&atilde;o idealizada do tipo  de pessoa que aquela sociedade (ou ideologia) valoriza, e tenta produzir e reproduzir atrav&eacute;s de suas institui&ccedil;&otilde;es formais e informais.  Olimpismo &eacute; uma dessas antropologias filos&oacute;ficas, incluindo uma  teoria da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica (2). O ideal ol&iacute;mpico se traduz em algumas  frases simples que capturam a ess&ecirc;ncia do que um ser humano ideal  deve ser e aspirar. Ele promove os ideais de:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> desenvolvimento harmonioso e integral do ser humano;</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> para excel&ecirc;ncia e realiza&ccedil;&atilde;o;</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> atrav&eacute;s do esfor&ccedil;o na atividade esportiva competitiva; </p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> em condi&ccedil;&otilde;es de respeito m&uacute;tuo, justi&ccedil;a, equidade e igualdade;</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> com vistas &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de relacionamentos duradouros de amizade entre as pessoas;</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> rela&ccedil;&otilde;es internacionais de paz, toler&acirc;ncia e compreens&atilde;o;</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> e alian&ccedil;as culturais com as artes. </p></blockquote></font>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ESPORTE E UNIVERSALISMO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, o olimpismo realiza seus objetivos por meio do esporte, e por isso n&atilde;o pode escapar &agrave; exig&ecirc;ncia de fornecer uma vis&atilde;o do esporte que revele tanto sua natureza quanto seu potencial &eacute;tico. Podemos sugerir brevemente um conjunto de crit&eacute;rios que indicam a natureza fundamentalmente &eacute;tica do esporte.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> <i>humano </i>(enquanto os animais podem brincar, o esporte &eacute; exclusivamente <i>humano</i>); </p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> <i>f&iacute;sico </i>(por este motivo, &eacute; necess&aacute;rio <i>esfor&ccedil;o</i>);</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> <i>habilidade </i>(esfor&ccedil;o, portanto, n&atilde;o &eacute; suficiente - temos de <i>desenvolver habilidades</i>);</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> <i>disputa </i>(exige <i>contrato para disputa </i>- <i>competi&ccedil;&atilde;o </i>e <i>excel&ecirc;ncia</i>); </p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> <i>controlado por regras</i> (<i>obriga&ccedil;&atilde;o</i> de respeitar as regras, <i>jogo limpo, igualdade </i>e <i>justi&ccedil;a</i>);</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> <i>institucionalizado </i>(requer <i>autoridade legal</i>);</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> <i>valores e compromissos compartilhados </i>(os advers&aacute;rios devem ser tratados com o <i>devido respeito </i>como co-facilitadores). </p></blockquote></font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Chega a ser dif&iacute;cil elencar as caracter&iacute;sticas do esporte sem nos apoiarmos em termos que carregam significado &eacute;tico e tais significados devem ser aplicados em todo o universo de participa&ccedil;&atilde;o esportiva. Sem acordo de ades&atilde;o &agrave;s regras, a autoridade do &aacute;rbitro e valores comuns centrais da atividade, n&atilde;o poderia haver esporte. A primeira tarefa de uma federa&ccedil;&atilde;o internacional &eacute; esclarecer regras e harmonizar entendimentos de modo a facilitar a pr&aacute;tica universal do seu esporte.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OLIMPISMO: VALORES IMUT&Aacute;VEIS? </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os princ&iacute;pios do olimpismo, para serem universais, devem ser imut&aacute;veis e, ainda, aparentemente, serem diferentes em toda parte. Eles n&atilde;o devem mudar ao longo do tempo mas, em todos os tempos, observamos mudan&ccedil;as nos princ&iacute;pios do olimpismo que refletem mudan&ccedil;as sociais. Como esses paradoxos podem ser resolvidos?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais diferen&ccedil;as, ao longo do tempo e do espa&ccedil;o, s&atilde;o inevit&aacute;veis. Ideias sociais, ou ideias inscritas em pr&aacute;ticas sociais, dependem de uma ordem social espec&iacute;fica ou um determinado conjunto de rela&ccedil;&otilde;es sociais para que seu significado pleno seja exemplificado. Isso parece sugerir que esses significados s&atilde;o culturalmente relativos e que, portanto, n&atilde;o poderia haver tal coisa como uma ideia universal do olimpismo. Ser&aacute;, ent&atilde;o, que estamos condenados ao relativismo?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A distin&ccedil;&atilde;o de Rawls (3) entre conceitos e concep&ccedil;&otilde;es &eacute; &uacute;til aqui. O <i>conceito</i> do olimpismo, sendo uma abstra&ccedil;&atilde;o, situa-se em um alto n&iacute;vel de generalidade, embora isso n&atilde;o signifique que ele n&atilde;o seja claro. O que isso significa &eacute; que as ideias gerais que formam o seu significado admitem possivelmente disputas de interpreta&ccedil;&atilde;o. Assim, o conceito do olimpismo vai encontrar express&otilde;es diferentes, dependendo de tempo e lugar, hist&oacute;ria e geografia - assim como acontece com os conceitos de democracia, arte e religi&atilde;o. Haver&aacute; diferentes <i>concep&ccedil;&otilde;es</i> de olimpismo, que ir&atilde;o interpretar o conceito geral de forma a traz&ecirc;-lo para a realidade de um contexto particular.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tomados em conjunto, a promo&ccedil;&atilde;o desses valores ser&aacute; vista como tarefa educativa, e o esporte ser&aacute; visto como meio. Esses valores, sendo articulados em elevado n&iacute;vel de generalidade, admitir&atilde;o uma vasta gama de interpreta&ccedil;&otilde;es. Mas, apesar disso, fornecem uma base para o acordo entre grupos sociais com compromissos muito distintos. Isso levanta a quest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre essas diferentes forma&ccedil;&otilde;es culturais e nossas pr&oacute;prias atitudes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; diferen&ccedil;a cultural. Uma forma de abordar essa quest&atilde;o &eacute; pela considera&ccedil;&atilde;o do importante conceito de multiculturalismo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LIBERALISMO E MULTICULTURALISMO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A import&acirc;ncia da ideia de multiculturalismo para o liberalismo (5) na contemporaneidade j&aacute; foi tratada em artigo anterior (4). O Estado liberal entende-se como n&atilde;o escolhendo, deliberadamente, qualquer concep&ccedil;&atilde;o particular do que seja uma <i>vida boa</i> para seus cidad&atilde;os seguirem. Ao inv&eacute;s disso, se v&ecirc; como uma posi&ccedil;&atilde;o neutra frente &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es alternativas do bem que s&atilde;o encontradas nas democracias liberais mais modernas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse ponto, distingue-se acentuadamente dos Estados n&atilde;o liberais, que incorporam e imp&otilde;e um entendimento espec&iacute;fico de <i>vida boa</i>. Ao inv&eacute;s de promover uma cultura sobre outra, entende-se como multicultural. Os cidad&atilde;os podem escolher a sua pr&oacute;pria vers&atilde;o do bem e adotar os seus pr&oacute;prios objetivos e valores, independentemente do Estado. Em tal Estado, a aten&ccedil;&atilde;o aos ideais multiculturais como reconhecimento, respeito e igualdade de status para todas as culturas se tornar&aacute; cada vez mais importante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O multiculturalismo &eacute; um fato atual para a maioria das sociedades ocidentais, e requer que uma sociedade pol&iacute;tica reconhe&ccedil;a a igualdade de posi&ccedil;&otilde;es de todas as comunidades est&aacute;veis e vi&aacute;veis existentes na sociedade, proibindo, assim, a discrimina&ccedil;&atilde;o contra grupos e indiv&iacute;duos em raz&atilde;o da etnia, ra&ccedil;a, nacionalidade, religi&atilde;o, classe, g&ecirc;nero ou prefer&ecirc;ncia sexual. No entanto, algumas dessas comunidades podem ser autorit&aacute;rias, n&atilde;o liberais e opressivas - de modo que cabe perguntar se "multiculturalismo" se aplica igualmente a todas as comunidades, ou apenas &agrave;quelas que s&atilde;o liberais?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rawls (6) procura tra&ccedil;ar diretrizes para um direito dos povos aceit&aacute;vel para os membros de ambas culturas, liberais e n&atilde;o liberais, atrav&eacute;s da introdu&ccedil;&atilde;o do conceito de <i>sociedades razo&aacute;veis</i>. Essas sociedades seguem certos princ&iacute;pios fundamentais:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> paz (busca dos seus fins atrav&eacute;s da diplomacia e do com&eacute;rcio);</p>       <p> <img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> bem comum (uma concep&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a);</p>       <p> <img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> consulta (uma hierarquia razo&aacute;vel das mesmas);</p>       <p> <img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> responsabilidade (cidad&atilde;os reconhecem suas  obriga&ccedil;&otilde;es e desempenham seu papel na vida social);</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> liberdade (alguma liberdade de consci&ecirc;ncia/pensamento). </p></blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Sociedades razo&aacute;veis</i>, mesmo as n&atilde;o liberais, poderiam concordar com um direito dos povos com base em um "liberalismo raso" como esse - e isso pode ser visto de forma muito positiva, por oferecer experi&ecirc;ncias de aprendizagem em ambos os sentidos, j&aacute; que cada cultura aprende com a outra. Mas o multiculturalismo tem seus limites, e esses limites s&atilde;o delineados pelas pretens&otilde;es universalistas do "liberalismo raso", apoiadas por alguma forma de teoria dos direitos humanos. Como diz Hollis (7), sociedades liberais: "(...) devem lutar por ao menos uma tese minimalista e processual sobre a liberdade, a justi&ccedil;a, a igualdade e os direitos individuais."</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No curto prazo, no interesse da paz e do desenvolvimento (ou do ganho pol&iacute;tico ou econ&ocirc;mico), esses compromissos morais b&aacute;sicos podem ser temporariamente dilu&iacute;dos ou arquivados - mas eles s&atilde;o a base inalien&aacute;vel da possibilidade de um multiculturalismo global. H&aacute; limites para a toler&acirc;ncia. A democracia liberal (ainda) &eacute; um sistema excludente - algumas culturas est&atilde;o al&eacute;m da fronteira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por que devemos ser multiculturalistas? Porque queremos honrar e respeitar a mais ampla variedade da cultura humana. Por qu&ecirc;? Porque isso enriquece a todos n&oacute;s. Valorizamos a diversidade, porque cada cultura expressa uma forma de vida humana e nos ajuda a apreciar toda a gama de diferen&ccedil;a e escolha. &Eacute; pela mesma raz&atilde;o que valorizamos o conhecimento da hist&oacute;ria da evolu&ccedil;&atilde;o social humana: para nos ajudar a entender melhor a nossa identidade como seres humanos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas isso significa que temos de tolerar as diferen&ccedil;as e temos que aceitar que, por vezes, pontos de vista de outras pessoas v&atilde;o influenciar o nosso. O cidad&atilde;o liberal permite que a democracia aconte&ccedil;a - as pessoas podem entender a raz&atilde;o para (e, portanto, aceitar) as decis&otilde;es, mesmo que n&atilde;o concordem com elas. Tal "pluralismo racional" &eacute; caracter&iacute;stico do liberalismo, mas doutrinas "n&atilde;o razo&aacute;veis" n&atilde;o aceitar&atilde;o tal pluralismo. Os liberais entendem que o problema est&aacute; naqueles que se op&otilde;em &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o de qualquer coisa que n&atilde;o seja sua pr&oacute;pria cultura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que fazer, ent&atilde;o? Internamente, procurar, pelo menos em alguma pequena extens&atilde;o, liberalizar essas culturas (por exemplo, fazendo valer os direitos liberais b&aacute;sicos dos Estados liberais). Assim, em culturas minorit&aacute;rias, n&atilde;o permitir escravos, mutila&ccedil;&atilde;o, casamento for&ccedil;ado, prostitui&ccedil;&atilde;o infantil etc - ou permitir que os indiv&iacute;duos escapem de tais circunst&acirc;ncias se quiserem; negar aos outros o direito de colocar "cabresto" em indiv&iacute;duos para seus pr&oacute;prios fins. Externamente, buscar pol&iacute;ticas internacionais que visem conter sociedades n&atilde;o liberais hostis de forma a minimizar sua amea&ccedil;a para as liberais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O UNIVERSALISMO &Eacute; ETNOC&Ecirc;NTRICO?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cr&iacute;ticos do projeto liberal afirmam que a ideia de democracia liberal &eacute; um produto hist&oacute;rico, uma esp&eacute;cie de etnocentrismo ocidental, uma esp&eacute;cie de imperialismo p&oacute;s-colonial, impingindo valores ocidentais locais ao resto do mundo. O tipo de "universalismo" que tanto o liberalismo quanto o olimpismo defendem seria apenas uma cortina de fuma&ccedil;a etnoc&ecirc;ntrica. N&atilde;o h&aacute; base para tal universalismo dos valores, porque todos os valores surgem dentro das culturas e, portanto, perdem a validade quando atravessam fronteiras culturais - s&atilde;o culturalmente relativos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos chamar essa tese de "a heresia do antrop&oacute;logo": liberalismo para os liberais! Canibalismo para os canibais! (8). Esta tese sustenta que todas as culturas s&atilde;o igualmente v&aacute;lidas, porque elas s&oacute; podem ser julgadas internamente, em seus pr&oacute;prios termos - por normas e princ&iacute;pios que se aplicam somente a elas mesmas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OBJE&Ccedil;&Otilde;ES AO RELATIVISMO: </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Essa tese n&atilde;o explica a cr&iacute;tica moral entre culturas - pois como podemos criticar as pr&aacute;ticas injustas se isso &eacute; tudo que elas s&atilde;o - pr&aacute;ticas dos outros?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Seria o pr&oacute;prio relativismo um tipo de etnocentrismo dissimulado? &Eacute; verdade que respeitar outras culturas &eacute; abster-se de critic&aacute;-las? Ou este &eacute; um tipo de desrespeito - n&atilde;o aplicar a outros (negando a outros) os padr&otilde;es de justificativa e argumento que aplicamos a n&oacute;s mesmos?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. O relativismo &eacute; autorrefut&aacute;vel. &Eacute; uma teoria que afirma que n&atilde;o existem verdades interculturais. Mas ser&aacute; que o relativismo se aplica a si pr&oacute;prio? Se assim for, o relativismo n&atilde;o &eacute; verdade (porque diz que n&atilde;o existem verdades interculturais, de modo que o pr&oacute;prio relativismo &eacute; apenas uma pr&aacute;tica cultural de antrop&oacute;logos, sem a pretens&atilde;o de verdade, e, portanto, nada tem a dizer a quem est&aacute; de fora, como eu). Assim, mesmo que o relativismo seja verdadeiro, ele se torna falso. Mas o relativismo n&atilde;o pode ser "verdadeiro", uma vez que afirma que n&atilde;o existe tal coisa como "verdade".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. O conceito de cultura tamb&eacute;m &eacute; assunto complicado. O relativismo, diz Lukes (2002), flerta com a no&ccedil;&atilde;o de "cultura da pobreza", segundo a qual as culturas s&atilde;o conjuntos coerentes e homog&ecirc;neos. Mas as culturas n&atilde;o s&atilde;o "caixas fechadas". Conflitos surgem dentro das culturas, bem como entre elas, mas o relativismo n&atilde;o nos oferece nenhum modo de progredir nessa &aacute;rea.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Finalmente, a ades&atilde;o &agrave; "heresia do antrop&oacute;logo" significa uma rejei&ccedil;&atilde;o de todas as organiza&ccedil;&otilde;es que pretendem valores universalistas, incluindo Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de e Anistia Internacional. Isso significa que n&atilde;o existe tal coisa como direitos humanos, uma ideia que, &eacute; claro, est&aacute; enraizada em no&ccedil;&otilde;es de nossa humanidade universal comum.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa forma, Lukes (2002) e Hollis (1999) rejeitam o relativismo como uma forma sensata de lidar com a diversidade. Evidentemente, h&aacute; uma diversidade consider&aacute;vel, e o trabalho do antrop&oacute;logo &eacute; procur&aacute;-la e descrev&ecirc;-la para n&oacute;s. Mas o antrop&oacute;logo excede sua compet&ecirc;ncia profissional, quando procura converter suas experi&ecirc;ncias em uma teoria &eacute;tica. A import&acirc;ncia de tal pesquisa n&atilde;o pode ser subestimada. Ela nos lembra continuamente que devemos reconhecer o valor da mod&eacute;stia ou reserva no julgamento moral e cr&iacute;tico, e evitar os perigos da moraliza&ccedil;&atilde;o abstrata. Mas a experi&ecirc;ncia antropol&oacute;gica n&atilde;o &eacute; uma base suficiente para uma teoria &eacute;tica. Os fatos da diversidade exigem explica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica - mas os fatos, por si s&oacute;, n&atilde;o a explicam.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A DEMOCRACIA LIBERAL, UM PRODUTO HIST&Oacute;RICO? </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o devemos aceitar o liberalismo simplesmente por ser o ponto de vista da nossa pr&oacute;pria tribo, porque qualquer perspectiva pol&iacute;tica exige uma justificativa, e teremos sempre argumentos a favor e contra determinados sistemas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A democracia liberal &eacute; um produto hist&oacute;rico". Bem, &eacute; verdade que os benef&iacute;cios de sociedades liberais resultam de uma s&eacute;rie de inven&ccedil;&otilde;es europeias:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> a constitui&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo como sujeito legal;</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> ceticismo quanto &agrave; verdade;</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> autocr&iacute;tica;</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> separa&ccedil;&atilde;o entre igreja e pol&iacute;tica (e o surgimento do Estado laico);</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n2/quad01.jpg"> separa&ccedil;&atilde;o de igreja e conhecimento (e desenvolvimento da vis&atilde;o cient&iacute;fica de mundo). </p></blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, o fato de que o liberalismo aconteceu pela primeira vez no Ocidente n&atilde;o nos confere maior virtude. Talvez ele apenas <i>aconteceu</i> aqui - por assim dizer, contingencialmente. Na Europa, historicamente, as pessoas ficaram simplesmente exaustas das guerras religiosas, e o pluralismo surgiu como uma forma pragm&aacute;tica de levar a vida adiante sem a presen&ccedil;a permanente de uma guerra debilitante e destrutiva como pano de fundo. E esse desenvolvimento foi longo e doloroso no Ocidente - atrav&eacute;s de persegui&ccedil;&atilde;o religiosa e social (havia julgamentos de acusados de "feiti&ccedil;aria" em toda Europa, cat&oacute;licos na Inglaterra ainda n&atilde;o tinham direitos pol&iacute;ticos em meados do s&eacute;culo XIX, o mesmo valendo para as mulheres at&eacute; depois da Primeira Guerra Mundial e os afroamericanos at&eacute; depois da Segunda Guerra Mundial etc). As mudan&ccedil;as precisaram de centenas de anos para acontecer, e ainda n&atilde;o estamos satisfeitos com nossos sistemas pol&iacute;ticos. &Eacute; uma longa e dolorosa luta para alcan&ccedil;ar estabilidade com liberdade e desenvolvimento, e talvez as condi&ccedil;&otilde;es pr&eacute;vias ainda n&atilde;o existam em todos os lugares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A democracia liberal &eacute; um produto hist&oacute;rico". A frase faz parecer que n&atilde;o h&aacute; nenhum argumento que justifique o liberalismo, embora um elemento muito importante do pensamento liberal, que &eacute; parte do projeto liberal, &eacute; a afirma&ccedil;&atilde;o de que o liberalismo expressa uma esp&eacute;cie de "verdade" sobre os seres humanos e a condi&ccedil;&atilde;o humana; que &eacute; o melhor modo de organiza&ccedil;&atilde;o social para o benef&iacute;cio de todos os cidad&atilde;os do mundo. Os argumentos que apresentamos em favor do liberalismo afirmam que &eacute; o sistema dentro do qual as pessoas podem encontrar a liberdade m&aacute;xima para o autodesenvolvimento e a m&aacute;xima possibilidade de escolha de estilo de vida, e atrav&eacute;s do qual as comunidades podem progredir ao longo do caminho de desenvolvimento escolhido por elas mesmas, em paz e conc&oacute;rdia com outras comunidades. &Eacute; um fato marcante que nenhuma democracia liberal jamais declarou guerra &agrave; outra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas temos de permanecer autoconscientes e autocr&iacute;ticos. S&oacute; porque uma comunidade reivindica o status de democracia liberal isso n&atilde;o significa automaticamente que eles s&atilde;o os "mocinhos". Assim, esperamos ver democracias liberais cr&iacute;ticas, esfor&ccedil;ando-se na dire&ccedil;&atilde;o de ideais expressos em termos de direitos humanos e coexist&ecirc;ncia pac&iacute;fica. Uma vez que s&atilde;o cria&ccedil;&otilde;es humanas, elas ser&atilde;o imperfeitas e cometer&atilde;o erros. Diz-se frequentemente que a democracia n&atilde;o &eacute; um bom sistema de governo - &eacute; ineficiente, pesada, conduzida por meio de compromissos desarrumados e insatisfat&oacute;rios, e com muitas outras falhas e desvantagens -, mas todos os outros sistemas de governo concebidos pela humanidade s&atilde;o piores!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OLIMPISMO DE NOVO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Est&atilde;o delineados, acima, a distin&ccedil;&atilde;o entre conceitos e concep&ccedil;&otilde;es, e o argumento de que o conceito do olimpismo tem um alto grau de generalidade. De fato, ele estabelece uma gama de valores liberais "rasos", aliados aos valores superficiais subjacentes ao conceito de esporte. No entanto, os valores que comp&otilde;em o seu significado admitem interpreta&ccedil;&otilde;es conflitantes, exibindo uma gama de valores "profundos", conforme o conceito do olimpismo encontra diferentes express&otilde;es de acordo com o tempo e o lugar, a hist&oacute;ria e a geografia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que diz respeito &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de seus objetivos de compreens&atilde;o internacional e multiculturalismo, &eacute; da maior import&acirc;ncia que o movimento ol&iacute;mpico continue trabalhando para uma representa&ccedil;&atilde;o universal e coerente de si mesmo - um conceito de olimpismo com o qual cada na&ccedil;&atilde;o possa sinceramente se comprometer, ao mesmo tempo em que encontre para essa ideia geral uma forma de express&atilde;o (uma concep&ccedil;&atilde;o) que seja exclusiva para si, gerada por sua pr&oacute;pria cultura, localiza&ccedil;&atilde;o, hist&oacute;ria, tradi&ccedil;&atilde;o e futuro almejado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Oferecer educa&ccedil;&atilde;o multicultural na e para as democracias modernas &eacute; uma tarefa nova e urgente, que deve se colocar para funcionar se quisermos garantir uma heran&ccedil;a pol&iacute;tica vi&aacute;vel para as gera&ccedil;&otilde;es futuras. No presente contexto pol&iacute;tico global, isso significa promover a compreens&atilde;o internacional e respeito m&uacute;tuo; e um compromisso com a resolu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica de conflitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso do olimpismo, os valores "rasos" subjacentes &agrave; estrutura de regras do esporte, cuja aceita&ccedil;&atilde;o por todos os participantes &eacute; uma pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o para a exist&ecirc;ncia permanente da competi&ccedil;&atilde;o esportiva, apoiam tais esfor&ccedil;os pol&iacute;ticos nos n&iacute;veis educacional e cultural. As crian&ccedil;as que s&atilde;o trazidas para as pr&aacute;ticas esportivas, e que est&atilde;o informadas sobre as competi&ccedil;&otilde;es internacionais como os Jogos Ol&iacute;mpicos, est&atilde;o se tornando conscientes das possibilidades de coopera&ccedil;&atilde;o internacional, respeito e valoriza&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje em dia a pr&oacute;pria ideia de uma "sociedade fechada" est&aacute; sob amea&ccedil;a em toda parte - as pessoas j&aacute; n&atilde;o dependem mais de formas restritas e controladas de informa&ccedil;&otilde;es. A internet, televis&atilde;o por sat&eacute;lite e formas globais de comunica&ccedil;&atilde;o est&atilde;o contribuindo para a democratiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o, e a extensa migra&ccedil;&atilde;o de pessoas em todos os continentes est&aacute; produzindo um novo cosmopolitismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ser&aacute; necess&aacute;rio n&iacute;veis cada vez mais altos de dogmatismo, autoritarismo, isolacionismo e extremismo para sustentar sociedades fechadas e exclusivistas. As vidas dessas sociedades est&atilde;o limitadas. Isso, de qualquer forma, deve ser a nossa esperan&ccedil;a, e a esperan&ccedil;a de qualquer tipo de internacionalismo pac&iacute;fico baseado nas ideias de liberdade individual e de direitos humanos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. De Coubertin, P. "Forty years of olympism", (1894/1934). In: Carl-Diem-Institut (ed). <i>The Olympic Idea: Pierre de Coubertin - discourses and essays</i>. Stuttgart: Olympischer Sportverlag, 1966, pp.126-130.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Parry, J. "Physical education as olympic education"<i>. European Physical Education Review</i>, v. 4, nº. 2, pp. 153-167, 1998a.    <!-- ref --> Parry, J. "The justification of physical education". In: Green, K.; Hardman, K. (eds), <i>Physical education -a reader</i>. Aachen: Meyer and Meyer, 1998b, pp. 36-68,    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Rawls, J. "The law of peoples". In: Shute, S.; Hurley, S. (eds). <i>On human rights. </i>New York: Basic Books, 1993, pp. 41-82.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Parry, J. "Sport and olympism: universals and multiculturalism"<i>. Journal of the Philosophy of Sport, </i>v. 33, nº. 2, 2006, pp. 188-204.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Neste artigo, os termos "liberal" e "liberalismo" referem-se ao liberalismo cl&aacute;ssico e devem ser claramente distinguidos da ideologia neoliberal (principalmente norte-americana), que enfatiza os princ&iacute;pios econ&ocirc;micos, especialmente a primazia das for&ccedil;as de mercado na economia global. O liberalismo cl&aacute;ssico, ideologia pol&iacute;tica desenvolvida no s&eacute;culo XIX na Europa e nos Estados Unidos, enfatiza os princ&iacute;pios pol&iacute;ticos de igualdade, liberdade, reciprocidade e justi&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Na obra <i>The law of peoples</i>, o fil&oacute;sofo pol&iacute;tico norte-americano John Rawls, se refere ao direito dos povos como: "uma concep&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica particular de direito e justi&ccedil;a que se aplica aos princ&iacute;pios e normas do direito e da pr&aacute;tica internacional."</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Hollis, M. "Is universalism ethnocentric?". In: Joppke, C.; Lukes, S. (eds), <i>Multicultural questions, </i>Oxford: OUP, 1999, pp. 27-43.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Lukes, S. <i>Liberals and cannibals.</i> London: Verso, 2002.    <!-- ref --> Ver tamb&eacute;m: Hollis, M. "Is universalism ethnocentric?". In: Joppke, C.; Lukes, S. (eds), <i>Multicultural questions, </i>Oxford: OUP, 1999, pp. 27-43.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tradu&ccedil;&atilde;o de Gilberto Stam    <br>   <a name="nt"></a>(<a href="#nta">*</a>) Este artigo foi traduzido por Gilberto Stam a partir do original em ingl&ecirc;s.</font></p>      ]]></body><back>
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