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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOT&Iacute;CIAS DO BRASIL    <br>   BIOTECNOLOGIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Novas tecnologias, novos desafios</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Karina Yanagui</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em uma lavoura de batatas, pequenos besouros amarelos com listras pretas come&ccedil;am a devorar avidamente as folhas das plantas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para conter a praga, o fazendeiro pulveriza a superf&iacute;cie das folhas com um tipo de spray capaz de desligar a express&atilde;o de um gene do besouro, bloqueando a produ&ccedil;&atilde;o de uma prote&iacute;na, sem a qual ele morre. A praga &eacute;, ent&atilde;o, contida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse &eacute; um exemplo de uma das novas tecnologias de engenharia gen&eacute;tica aplicada ao controle de pragas e melhoramento de plantas chamada de RNA de interfer&ecirc;ncia (RNAi). Seu objetivo &eacute; desligar a express&atilde;o de determinados genes, que suprimem a produ&ccedil;&atilde;o de uma prote&iacute;na espec&iacute;fica de um organismo. Se considerarmos os investimentos feitos por grandes multinacionais do setor de biotecnologia, o RNAi pode ser a pr&oacute;xima revolu&ccedil;&atilde;o no controle de pragas, desde a introdu&ccedil;&atilde;o dos organismos geneticamente modificados (OGMs) nos anos 1980.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, da mesma forma que acontece com os transg&ecirc;nicos, a tecnologia est&aacute; longe de ser um consenso na comunidade cient&iacute;fica e deve levantar novas quest&otilde;es sobre as vantagens, riscos e diretrizes (ou novas diretrizes) para sua regulamenta&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rios pa&iacute;ses, incluindo o Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n3/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>COMO FUNCIONA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O spray que controla o besouro da batata est&aacute; sendo desenvolvido pela norte-americana Monsanto. Ao ser aplicado na planta&ccedil;&atilde;o ele carrega mol&eacute;culas RNA que entram no besouro, selecionam um RNA mensageiro (RNAm, respons&aacute;vel por levar a informa&ccedil;&atilde;o do DNA do n&uacute;cleo at&eacute; o citoplasma, onde a prote&iacute;na ser&aacute; produzida) entre milhares de mol&eacute;culas e se ligam a ele para, ent&atilde;o, desligar a produ&ccedil;&atilde;o de uma prote&iacute;na espec&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Monsanto aponta como vantagens da tecnologia baseada no RNAi, a possibilidade de desligar seletiva e temporariamente a express&atilde;o dos genes alvo sem alterar o genoma da planta, ou seja, sem produzir uma planta transg&ecirc;nica, o que poderia encurtar - e baratear - o caminho para sua aprova&ccedil;&atilde;o por &oacute;rg&atilde;os reguladores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, uma das maiores preocupa&ccedil;&otilde;es dos especialistas em rela&ccedil;&atilde;o ao RNAi recai justamente sobre um de seus pontos fortes: a especificidade do alvo. Ao direcionar um pequeno RNA para silenciar um RNAm do besouro, por exemplo, &eacute; poss&iacute;vel atingir outros polinizadores e insetos, caso a sequ&ecirc;ncia do RNAm desses insetos seja parecida. Como o genoma de muitos polinizadores e insetos ainda &eacute; desconhecido, garantir a seguran&ccedil;a da tecnologia com RNAi &eacute; um desafio. De acordo com Paulo Paes de Andrade, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ex-membro da Comiss&atilde;o T&eacute;cnica Nacional de Biosseguran&ccedil;a (CTNBio), pela Lei de Biosseguran&ccedil;a (11.105/2015), qualquer atividade envolvendo OGMs t&ecirc;m que ser autorizada pelo Minist&eacute;rio da Agricultura, entretanto, no caso do produto da Monsanto, como as batatas seriam apenas pulverizadas com o RNAi e n&atilde;o teriam a incorpora&ccedil;&atilde;o de DNA ou RNA recombinante ao seu genoma, elas n&atilde;o seriam consideradas transg&ecirc;nicas. J&aacute; o spray poderia ser objeto de regulamenta&ccedil;&atilde;o dependendo da interpreta&ccedil;&atilde;o que se faz da normativa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EDITANDO GENOMAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra ferramenta de engenharia gen&eacute;tica que tem animado produtores agr&iacute;colas e tamb&eacute;m pesquisadores da &aacute;rea &eacute; a tecnologia CRISPR/Cas9.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao comparar v&aacute;rias bact&eacute;rias, cientistas observaram um padr&atilde;o curioso em certas regi&otilde;es de DNA: trechos formados por sequ&ecirc;ncias pal&iacute;ndromas espa&ccedil;adas entre si por sequ&ecirc;ncias &uacute;nicas - nomeadas de Repeti&ccedil;&otilde;es Palindr&ocirc;micas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespa&ccedil;adas ou CRISPR (na sigla em ingl&ecirc;s). Essas sequ&ecirc;ncias &uacute;nicas eram id&ecirc;nticas ao DNA de v&iacute;rus que atacam bact&eacute;rias e que funcionam como uma "etiqueta" para identificar os v&iacute;rus invasores. As enzimas Cas (prote&iacute;nas associadas a CRISPR) reconhecem a "etiqueta" e usam essa informa&ccedil;&atilde;o para localizar e clivar o DNA dos v&iacute;rus, impedindo sua a&ccedil;&atilde;o nas bact&eacute;rias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por engenharia gen&eacute;tica &eacute; poss&iacute;vel direcionar o sistema CRISPR/ Cas9 para clivar o DNA em uma localiza&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tecnologia &eacute; revolucion&aacute;ria porque permite "editar" a sequ&ecirc;ncia do genoma com precis&atilde;o n&atilde;o somente de v&iacute;rus, mas tamb&eacute;m de plantas, fungos e animais, inclusive em embri&otilde;es humanos, o que tem gerado discuss&otilde;es a respeito dos aspectos &eacute;ticos de sua utiliza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o por acaso, o CRISPR vem despertando o interesse de v&aacute;rias empresas de biotecnologia. Uma parceria da gigante norte-americana DuPont com a spin of Caribou Biosciences, resultou no desenvolvimento de um milho resistente &agrave; seca que deve chegar ao mercado entre cinco a dez anos, tempo inferior ao que o melhoramento convencional levaria. Alguns pa&iacute;ses j&aacute; aprovaram a comercializa&ccedil;&atilde;o de plantas editadas com a tecnologia CRISPR/Cas sem a necessidade de avalia&ccedil;&atilde;o de risco, como acontece com outros organismos geneticamente modificados (OGMs).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, por exemplo, declarou que n&atilde;o vai regular culturas editadas com essa tecnologia porque ela n&atilde;o envolve a transfer&ecirc;ncia de genes entre esp&eacute;cies (ou seja, n&atilde;o produz um transg&ecirc;nico).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OGM E OGE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"No entanto, a n&atilde;o regulamenta&ccedil;&atilde;o da tecnologia em alguns pa&iacute;ses ocorre para os casos de muta&ccedil;&atilde;o simples, sem inser&ccedil;&atilde;o de novas sequ&ecirc;ncias", explica Celso Fiori, da empresa da &aacute;rea de biotecnologia GranBio Ltda. De todo modo, esse posicionamento abre um imenso campo de oportunidade para um mercado que era de dif&iacute;cil acesso pelo custo da regula&ccedil;&atilde;o de um transg&ecirc;nico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"As novas tecnologias (sobretudo edi&ccedil;&atilde;o de genes) s&atilde;o muito mais baratas e f&aacute;ceis de dominar. Mas se forem regulamentadas com o rigor aplicado aos transg&ecirc;nicos, somente as grandes corpora&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o pagar os custos", acredita Andrade. Para ele, a oposi&ccedil;&atilde;o cega &agrave; biotecnologia leva ao monop&oacute;lio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Se houver uma redu&ccedil;&atilde;o de custos regulat&oacute;rios para produtos dessas novas tecnologias, muitas empresas poder&atilde;o trabalhar com uma grade de produtos al&eacute;m das commodities", aponta o pesquisador da UFPE.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda segundo ele, como a engenharia gen&eacute;tica s&oacute; lida com a informa&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica in vitro, todo organismo cujo genoma for modificado in vivo, sem incorpora&ccedil;&atilde;o de um DNA recombinante, n&atilde;o &eacute; OGM e, portanto, n&atilde;o est&aacute; regulado pela legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, que s&oacute; trata de OGMs. Apesar de afirmar que a lei brasileira, pelos moldes em que foi escrita h&aacute; mais de dez anos, n&atilde;o abrange os organismos geneticamente editados (OGEs). Mesmo assim, do ponto de vista pr&aacute;tico, para Andrade, ambos s&atilde;o organismos modificados e n&atilde;o deveriam ser diferenciados na avalia&ccedil;&atilde;o de riscos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, esses avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos podem demandar que o marco regulat&oacute;rio da biosseguran&ccedil;a seja modernizado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; o que pensa Celso Fiori: "O Brasil possui potencial agr&iacute;cola e industrial extraordin&aacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nossos representantes do executivo precisam de agilidade e conhecimento para viabilizar o desenvolvimento e aplica&ccedil;&atilde;o das tecnologias, sem colocar em risco a popula&ccedil;&atilde;o, o meio ambiente, os produtores e consumidores dessas tecnologias", diz.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; para o professor do Centro de Ci&ecirc;ncias Agr&aacute;rias, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rubens Onofre Nodari, os OGEs se enquadram na Lei de Biosseguran&ccedil;a e deveriam ser regulamentados e avaliados como qualquer OGM. A avalia&ccedil;&atilde;o de risco proposta pela Lei de Biosseguran&ccedil;a possibilitaria, por exemplo, limitar o tamanho da altera&ccedil;&atilde;o no DNA por meio das chamadas NBTs (new breeding techniques) ou novas tecnologias de melhoramento. "Uma muta&ccedil;&atilde;o, ou mesmo uma mudan&ccedil;a na conforma&ccedil;&atilde;o de uma prote&iacute;na pode ter um efeito dr&aacute;stico", afirma ele.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>TEMA POL&Ecirc;MICO</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A adequa&ccedil;&atilde;o ou moderniza&ccedil;&atilde;o das normas de seguran&ccedil;a para as NBTs, est&atilde;o sendo discutidas por um grupo espec&iacute;fico na CTNBio. Segundo informa Fiori, esse grupo j&aacute; elaborou uma vers&atilde;o normativa com diretrizes para essas novas tecnologias que ser&aacute; discutida na plen&aacute;ria e votada pela comiss&atilde;o dentro de alguns meses. "Podemos adiantar que essa norma caminha no mesmo sentido do entendimento de outros pa&iacute;ses, criando um mecanismo de 'fast track' para avaliar os organismos modificados por essas t&eacute;cnicas sem a presen&ccedil;a de novas mol&eacute;culas de DNA no produto final. O processo de aprova&ccedil;&atilde;o dever&aacute; consistir em uma consulta &agrave; CTNBio, com informa&ccedil;&otilde;es que permitam avaliar o caso em um per&iacute;odo curto e sem a necessidade de apresenta&ccedil;&atilde;o de resultados experimentais extensos" acrescenta Fiori.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Andrade, a CTNBio j&aacute; tem longa experi&ecirc;ncia com avalia&ccedil;&atilde;o de risco e pode assumir essa nova categoria de produtos sem qualquer adicional de complexidade. Ele destaca, no entanto, que o foco da avalia&ccedil;&atilde;o deve ser o produto e n&atilde;o a tecnologia: "a CTNBio deve orientar o legislativo nesse aspecto, mas &eacute; preciso fugir &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de regulamentar tecnologias, isso &eacute; danoso ao pa&iacute;s: o que importa &eacute; o produto, independentemente de como tenha sido produzido", avalia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A lei deve se basear nos riscos avaliados e n&atilde;o em hipot&eacute;ticos, percebidos pelo legislador ou pelo p&uacute;blico", acrescenta. Na mesma linha de racioc&iacute;nio, Fiori acredita que ferramentas como CRISPR e o RNAi representam uma evolu&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de modifica&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica e controle de pragas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Conhecendo os mecanismos de a&ccedil;&atilde;o, creio que os efeitos ser&atilde;o positivos e de certa forma controlados. N&atilde;o &eacute; prudente generalizar, uma vez que as t&eacute;cnicas s&atilde;o apenas ferramentas que nos permitem realizar modifica&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas. Cada produto ter&aacute; uma modifica&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica diferente e, por isso, deve passar por uma an&aacute;lise individual", acredita.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A avalia&ccedil;&atilde;o do produto deve levar em conta o contexto de sua aplica&ccedil;&atilde;o. Essa &eacute; a opini&atilde;o do pesquisador da UFSC. Se a tecnologia ser&aacute; aplicada para plantas, em que modelo de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola? Uma monocultura, sem rotatividade do cultivo e com baixa diversidade gen&eacute;tica, poderia esconder quest&otilde;es problem&aacute;ticas sobre as pr&aacute;ticas tecnol&oacute;gicas, tratando apenas o sintoma e n&atilde;o a causa (que pode ser o pr&oacute;prio modelo, isto &eacute;, o monocultivo). Assim, a reflex&atilde;o sobre novas ferramentas biotecnol&oacute;gicas na agricultura deveria considerar alternativas de pr&aacute;ticas de manejo como por exemplo misturar sementes, explorando a diversidade das variedades tamb&eacute;m como estrat&eacute;gia para controle de doen&ccedil;as, tanto para eliminar a necessidade de aplica&ccedil;&atilde;o de fungicidas quanto como alternativa para o aumento da produtividade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As novas tecnologias, como o RNAi e a CRISPR/Cas, podem revolucionar a biotecnologia vegetal, permitindo a modifica&ccedil;&atilde;o de plantas de maneira mais r&aacute;pida e precisa. Al&eacute;m disso, essas t&eacute;cnicas podem revolucionar tamb&eacute;m a forma com que a regulamenta&ccedil;&atilde;o e a sociedade entendem o melhoramento de culturas. Entretanto, &eacute; preciso considerar os riscos e potenciais impactos dessas tecnologias em campo, o que coloca novos desafios para a regulamenta&ccedil;&atilde;o dessas tecnologias. A participa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios atores - empresas, produtores, cientistas e a sociedade - &eacute; fundamental para direcionar a aplica&ccedil;&atilde;o dessas ferramentas biotecnol&oacute;gicas na agricultura.</font></p>      ]]></body>
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