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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br>   BIOLOGIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Abelhas utilizam campos el&eacute;tricos para identificar flores</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Victoria Fl&oacute;rio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v68n3/a07fig01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v68n3/a07fig01thumb.jpg">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A rela&ccedil;&atilde;o entre abelha e flor &eacute; t&atilde;o intensa que alguns ec&oacute;logos atrelam o surgimento e a prolifera&ccedil;&atilde;o das abelhas na Terra ao aparecimento das plantas com flores e frutos (angiospermas). Para se alimentar, as abelhas utilizam os sentidos de vis&atilde;o e olfato, por meio dos quais reconhecem os diferentes tipos de flores por sua cor e cheiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, existe outra forma de comunica&ccedil;&atilde;o entre flores e abelhas bastante sofisticada. Invis&iacute;veis para os seres humanos, os campos el&eacute;tricos florais s&atilde;o est&iacute;mulos percebidos por um sentido especial das abelhas que elas tamb&eacute;m usam para reconhecer e identificar as flores. Em 2013, um estudo conduzido por Daniel Robert, bi&oacute;logo da Universidade de Bristol, Inglaterra, e publicado pela<i> Science </i>(vol. 340, pp. 66-69), anunciava uma importante descoberta: as flores est&atilde;o cercadas por um potencial eletrost&aacute;tico fraco, que surge da intera&ccedil;&atilde;o com a atmosfera. As abelhas s&atilde;o capazes de detectar esses campos el&eacute;tricos e, por meio do seu formato geom&eacute;trico, identificar o tipo de flor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RECOMPENSA DOCE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme explica o f&iacute;sico &Acirc;ngelo Danilo Faceto, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), "campo el&eacute;trico &eacute; o campo de for&ccedil;a gerado ao redor de cargas el&eacute;tricas sujeitas &agrave; a&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as de atra&ccedil;&atilde;o e repuls&atilde;o, isto &eacute;, for&ccedil;as eletrost&aacute;ticas". A poliniza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; afetada por essas for&ccedil;as. Durante o voo, as abelhas esbarram em pequenas part&iacute;culas - como poeira - que ficam suspensas no ar. Isso faz com que elas percam el&eacute;trons por atrito em um processo conhecido como eletriza&ccedil;&atilde;o por atrito. Resultado: a abelha fica positivamente carregada. J&aacute; as flores, apesar de aterradas, acumulam carga negativa nas p&eacute;talas gra&ccedil;as ao campo el&eacute;trico atmosf&eacute;rico em torno delas - cerca de 100 volts para cada metro acima do solo. Como cargas opostas se atraem, essa diferen&ccedil;a de potencial faz com que as part&iacute;culas de p&oacute;len (carregadas negativamente) "saltem" em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s abelhas (carregadas positivamente) quando elas se aproximam das flores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Robert, que pesquisa os mecanismos atrav&eacute;s dos quais os organismos identificam e reconhecem um ambiente, tanto em n&iacute;vel molecular como comportamental, a rela&ccedil;&atilde;o das abelhas com os campos el&eacute;tricos das flores representou uma pista importante. Ele e sua equipe - formada pelo f&iacute;sico Dominic Clarke e pela bot&acirc;nica Heather Whitney - passaram a estudar o processo de ader&ecirc;ncia eletroest&aacute;tica do p&oacute;len entre as abelhas da fam&iacute;lia <i>Apidae</i>, g&ecirc;nero <i>Bombus</i>, conhecida popularmente como mamangaba (em ingl&ecirc;s <i>bumble bee)</i>, bastante comum no Brasil e que atua na poliniza&ccedil;&atilde;o do maracuj&aacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No experimento em laborat&oacute;rio com flores artificiais, as abelhas aprenderam a distinguir entre as flores que ofereciam como recompensa o a&ccedil;&uacute;car e eram carregadas com voltagem externa de +20 V, e interna de -10V, daquelas com uma solu&ccedil;&atilde;o amarga de quinina, com voltagem homog&ecirc;nea de +20 V. Quando o potencial de ambas as flores foi alterado para +20 V, as abelhas n&atilde;o conseguiam mais distinguir entre elas, demonstrando que o campo el&eacute;trico &eacute; levado em considera&ccedil;&atilde;o na escolha das flores pela abelha. Como essas pistas de natureza eletrost&aacute;tica atuam em conjunto com outras caracter&iacute;sticas como o cheiro e a cor das flores? Os pesquisadores descobriram que, apesar de os campos el&eacute;tricos servirem como elementos identificadores individualmente, eles atuam melhor em conjunto com as demais caracter&iacute;sticas das flores. No experimento realizado na Universidade de Bristol, na Inglaterra, eles observaram que as abelhas conseguem distinguir melhor entre dois tons de verde usando informa&ccedil;&atilde;o do campo el&eacute;trico da flor. Esse sentido especial desses insetos, t&atilde;o importantes na poliniza&ccedil;&atilde;o, funcionaria tamb&eacute;m para aumentar a velocidade e precis&atilde;o com que elas reconhecem e escolhem entre as recompensas oferecidas pelas flores.</font></p>      ]]></body>
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