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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS     <br>   APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desastre da Samarco: aproxima&ccedil;&otilde;es iniciais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Celina Maria Modena<sup>I</sup>;    L&eacute;o Heller<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Pesquisadora do Centro de Pesquisas Ren&eacute; Rachou, Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e l&iacute;der do Grupo de Pesquisa em Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas e Direitos Humanos em Sa&uacute;de e Saneamento    <br>   <sup>II</sup>Pesquisador do Centro de Pesquisas Ren&eacute; Rachou, Fiocruz, relator especial do Direito Humano &agrave; &Aacute;gua e ao Esgotamento Sanit&aacute;rio, das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e l&iacute;der do Grupo de Pesquisa em Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas e Direitos Humanos em Sa&uacute;de e Saneamento</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A trag&eacute;dia do rompimento da barragem de Fund&atilde;o, de propriedade da Samarco, controlada pela Vale e BHP Billiton, &eacute; considerada o maior desastre socioambiental ocorrido no Brasil e um dos maiores relacionados &agrave; minera&ccedil;&atilde;o no mundo. Transcorridos mais de seis meses do evento, diversos relat&oacute;rios t&eacute;cnicos foram produzidos por diferentes institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas, para an&aacute;lise dos impactos e estrutura&ccedil;&atilde;o de planos de resposta ao desastre, estudos acad&ecirc;micos v&ecirc;m se preocupando em compreender a magnitude e extens&atilde;o dos impactos provocados, bem como a forma como institui&ccedil;&otilde;es e popula&ccedil;&otilde;es v&ecirc;m se comportando e se expressando. Dado esse ac&uacute;mulo preliminar de informa&ccedil;&otilde;es, a revista <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura </i>decidiu, muito oportunamente, dedicar este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico &agrave; veicula&ccedil;&atilde;o de apontamentos que parte da comunidade acad&ecirc;mica desenvolveu sobre a trag&eacute;dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sob o ponto de vista das negocia&ccedil;&otilde;es judiciais e institucionais, &eacute; relevante o acordo firmado entre os governos federal e dos estados de Minas Gerais e Esp&iacute;rito Santo e as empresas respons&aacute;veis, visando &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o, mitiga&ccedil;&atilde;o e compensa&ccedil;&atilde;o dos impactos socioecon&ocirc;micos e socioambientais do rompimento da barragem. Um dos artigos deste n&uacute;mero analisa tal acordo e conclui que, de maneira geral, este atribui poder excessivo &agrave;s empresas respons&aacute;veis pelo rompimento da barragem, enfatizando o afastamento do Estado no atendimento aos afetados (1). Sob esse mesmo tema, o manifesto: "Respeito &agrave;s v&iacute;timas da trag&eacute;dia provocada pela Samarco (Vale/BHP Billiton) &eacute; o m&iacute;nimo que se pode exigir dos respons&aacute;veis!", de 1º de fevereiro de 2016, assinado por diversas entidades, defende que a gest&atilde;o de todas as medidas p&oacute;s-desastre tenham o protagonismo do Estado, com transpar&ecirc;ncia e controle social (2).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Fiocruz, em "Mo&ccedil;&atilde;o de apoio e de solidariedade &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es atingidas pelo crime ambiental da mineradora Samarco" enfatiza que (3):</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>O cen&aacute;rio atual mostra a urg&ecirc;ncia de uma mobiliza&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico e de toda sociedade. (...) &Eacute; absolutamente indispens&aacute;vel que o cuidado com os atingidos nesta trag&eacute;dia seja abordado a partir do princ&iacute;pio de seus direitos humanos e que sejam garantidas adequadas condi&ccedil;&otilde;es, que minimamente restaurem a sua qualidade de vida. (3)</blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No trajeto dos rejeitos remobilizados da barragem, o distrito de Bento Rodrigues, moradia de aproximadamente 600 pessoas, foi totalmente destru&iacute;do, soterrado pela lama. A revista <i>Curinga </i>(vol.16, 2016), em edi&ccedil;&atilde;o especial, reconstr&oacute;i a hist&oacute;ria do distrito atrav&eacute;s dos recortes do s&eacute;culo XVII e XXI (4):</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>Existem dois bentos, o criador e a criatura. Do primeiro, Bento Godoy Rodrigues, pouco se sabe. &Eacute; fragmento de textos em livros antigos. Pela origem, nascimento e sepulcro, seria um eterno desconhecido. Por&eacute;m, deixou seu nome marcado na hist&oacute;ria e fez do caminho do ouro sua pr&oacute;pria estrada real. (...) Desbravando a mata, j&aacute; ao p&eacute; da Serra do Cara&ccedil;a, conseguiu, em um dia e meio de trabalho, o feito de encontrar quase uma arroba do metal precioso. Os aproximados 13kg em pepitas de ouro fez com que desse ao lugar seu pr&oacute;prio nome: Bento Rodrigues. (...) em um tempo de muita f&eacute;, S&atilde;o Bento foi designado padroeiro do lugarejo. (...) a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica fez do povoado um subdistrito da cidade de Mariana. As fazendas viraram casas, as trilhas viraram ruas, o lombo de animais e de escravos deram espa&ccedil;o para carros com motor e para pessoas livres. S&atilde;o Bento ganhou novena - todos os anos, no m&ecirc;s de julho. Houve um tempo que existia coral. Apareceu o time de futebol. Em 1950 a escola foi inaugurada. No final da d&eacute;cada de 1970, chegou a energia el&eacute;trica. Tinha bar, tinha pra&ccedil;a, tinha p&aacute;ssaros e planta&ccedil;&otilde;es. Bento Rodrigues esteve de p&eacute; por 307 anos, at&eacute; ser enterrado por um rio de lama. (...) N&atilde;o enterraram a pessoa. No lugar, tudo que estava &agrave; vista foi sepultado. Sem direito a despedidas ou a l&aacute;grimas de "adeus". &Eacute; estranho, mas houve uma invers&atilde;o da ordem. O natural era que tudo acabasse, que com o tempo ca&iacute;sse no esquecimento. Mas &eacute; diferente. Do enterro, veio o vel&oacute;rio. As mem&oacute;rias de 600 "filhos" de Bento fazem com que a tristeza vire esperan&ccedil;a. A troca de flores &eacute; di&aacute;ria, at&eacute; que venha o renascimento: tiram as m&aacute;goas, cultivam a f&eacute;.(...) O bandeirante Bento Godoy Rodrigues viveu na travessia do s&eacute;culo XVII para o s&eacute;culo XVIII. Mas Bento Rodrigues &eacute; infinito. O subdistrito Bento j&aacute; n&atilde;o &eacute; apenas Rodrigues. Bento agora &eacute; Damasceno, &eacute; Lucas, &eacute; Santos, &eacute; Souza, &eacute; Silva. &Eacute; uma por&ccedil;&atilde;o de outros sobrenomes (pg. 16). (4).</blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os danos ambientais e humanos estenderam-se por 600 km. A popula&ccedil;&atilde;o tem se mobilizado de diferentes formas. O jornal <i>A Sirene-para n&atilde;o esquecer</i> remete &agrave; sirene da mineradora, que n&atilde;o soou para alertar os moradores da chegada do mar de lama. O jornal tamb&eacute;m denuncia o impacto da trag&eacute;dia e os direitos e reivindica&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o afetada. Na mat&eacute;ria "Papo de cumadi" (5), do mesmo jornal, transcrevemos algumas falas relativas ao impacto na sa&uacute;de:</font> </p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>       <p>(...) c&ecirc; viu que tanto de gente que t&aacute; doente depois      desse barro? Doente do corpo e da cabe&ccedil;a. &Eacute; dengue, &eacute; zica, e chico bunha.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p> (...) &eacute; homem de bem que da ro&ccedil;a foi tirado. Olha cumpadi Malaquia,      aqui no mato quase nem bibia, na cidade bebe todo dia.</p>       <p> (...) entr&ocirc; barro na minha casa, entr&ocirc; barro no meu guarda-roupa,      entr&ocirc; barro no meu sonho, entr&ocirc; barro na minha vida, entr&ocirc; barro na      minha esperan&ccedil;a.</p>       <p> (...) &eacute; doen&ccedil;a du corpo e da cabe&ccedil;a que mata o povo e faz o povo se mat&aacute;. </p>       <p>(...) ser&aacute; que t&aacute; fartano &eacute; rez&aacute;?</p>       <p> (...) Cumadi, nois precisa di rez&aacute;: mas &eacute; prus h&ocirc;me que ganha dinheiro      sem se preocup&aacute; se a gente vai se dan&aacute;.</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A trag&eacute;dia que impactou tantas vidas tem diferentes determina&ccedil;&otilde;es acumuladas, cuja g&ecirc;nese pode ser elucidada por decis&otilde;es t&eacute;cnico-organizacionais tomadas ao longo da hist&oacute;ria do sistema. Contribu&iacute;-ram para a ocorr&ecirc;ncia do acidente: dispositivos de monitoramento ausentes por supress&atilde;o e/ou inoperantes; dispositivo de monitoramento inexistente; n&atilde;o cumprimento do programa de manuten&ccedil;&atilde;o; adiamento de neutraliza&ccedil;&atilde;o/elimina&ccedil;&atilde;o de risco conhecido; falta de crit&eacute;rios para corre&ccedil;&atilde;o de inconformidades; aus&ecirc;ncia de projeto; falta de manuten&ccedil;&atilde;o preventiva (6). Adicione-se &agrave;s falhas de engenharia a inaceit&aacute;vel conduta do Estado que, em seus procedimentos de licenciamento, autoriza&ccedil;&atilde;o e fiscaliza&ccedil;&atilde;o, propiciaram o ambiente institucional para que tais falhas se convertessem em trag&eacute;dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico, aspectos referentes ao desastre s&atilde;o aprofundados pelos autores com expertise na &aacute;rea. No artigo "O desastre na barragem de minera&ccedil;&atilde;o da Samarco - fratura exposta dos limites do Brasil na redu&ccedil;&atilde;o de riscos de desastres", Carlos Machado de Freitas, Mariano Andrade da Silva e Fernanda Carvalho de Menezes buscam, a partir da refer&ecirc;ncia das prioridades do Marco de Sendai (2015), extrair li&ccedil;&otilde;es para redu&ccedil;&atilde;o nos riscos de desastres e impactos ambientais, sanit&aacute;rios e socioecon&ocirc;micos decorrentes. Os autores apresentam o quadro dos desastres em barragens de minera&ccedil;&atilde;o no mundo e seus riscos para o Brasil, sistematizam o conjunto de impactos e de a&ccedil;&otilde;es de mitiga&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o e discutem os desafios centrais para a redu&ccedil;&atilde;o de riscos de desastres como o da Samarco. Em complemento, o artigo "Desastre da Samarco/ Vale/BHP no vale do Rio Doce: aspectos econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos e socioambientais", de Luiz Jardim Wanderley, Ma&iacute;ra Sert&atilde; Mansur, Bruno Milanez e Raquel Giffoni Pinto, elucida pontos essenciais para a compreens&atilde;o da determina&ccedil;&atilde;o relacionada a processos e antecedentes econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos do rompimento da barragem de Fund&atilde;o, bem como de seus efeitos socioambientais na bacia do rio Doce.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"O desastre da Samarco e a pol&iacute;tica das afeta&ccedil;&otilde;es: classifica&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es que produzem o sofrimento social", dos autores Andr&eacute;a Zhouri, Norma Valencio, Raquel Oliveira, Marcos Zucarelli, Klemens Laschefski, Ana Fl&aacute;via Santos, discute a n&atilde;o neutralidade de conceitos como desastre, conflito ambiental e desastre tecnol&oacute;gico. Questiona arranjos institucionais estabelecidos para confrontar as consequ&ecirc;ncias do desastre e trabalha as dimens&otilde;es do sofrimento social. Segundo os autores, "muito oportuno seria a garantia de espa&ccedil;os de autoexpress&atilde;o dos grupos afetados, em toda a sua diversidade sociocultural, com respaldo jur&iacute;dico, capaz de recuperar esperan&ccedil;as, cada vez mais escassas, de justi&ccedil;a ambiental".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Norma Valencio em "Elementos constitutivos de um desastre catastr&oacute;fico: os problemas cient&iacute;ficos por tr&aacute;s dos contextos cr&iacute;ticos", a partir do pano de fundo do desastre da Samarco, traz uma reflex&atilde;o sociol&oacute;gica sobre temas relacionados aos desastres: o problema de defini&ccedil;&atilde;o de desastre e o uso de qualificativos; desastres e crises; os diversos tempos e escalas envoltos em um desastre e outras facetas da desumaniza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na narrativa "A trag&eacute;dia da minera&ccedil;&atilde;o e a experi&ecirc;ncia da caravana territorial da bacia do rio Doce: encontro de saberes e pr&aacute;ticas para a transforma&ccedil;&atilde;o", Marcelo Firpo Porto - que participou da caravana -, apresenta um relato que nos aproxima intensamente das v&iacute;timas e do meio ambiente agredido pela trag&eacute;dia, mostrando a import&acirc;ncia da alian&ccedil;a entre grupos cient&iacute;ficos e movimentos sociais que buscam juntos conhecer os territ&oacute;rios, vivenciar solidariamente o drama dos atingidos, sistematizar as den&uacute;ncias e tamb&eacute;m reconhecer, anunciar e promover experi&ecirc;ncias de transforma&ccedil;&atilde;o. Trata-se de uma fonte que pode inspirar a "ecologia de saberes" para compreender situa&ccedil;&otilde;es similares que afetam t&atilde;o dramaticamente um contingente expressivo de pessoas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa qualitativa exposta no artigo "O desastre da Samarco/Vale/BHP: an&aacute;lise cr&iacute;tica de alguns discursos, racionalidades e percep&ccedil;&otilde;es"<i>, </i>de M&aacute;rio Freitas, Elisa Alves, Mariane Santo e Sergio Portella, aponta que houve falha na preven&ccedil;&atilde;o, mitiga&ccedil;&atilde;o e prepara&ccedil;&atilde;o, tanto por parte da empresa quanto do poder p&uacute;blico. A n&atilde;o exist&ecirc;ncia de plano de conting&ecirc;ncia implicou a incapacidade de dar uma primeira resposta adequada e dificuldades posteriores, em especial as relacionadas com o progresso da lama at&eacute; o litoral do Esp&iacute;rito Santo. Constataram-se indiscut&iacute;veis ang&uacute;stia e desconforto associados ao ocorrido e &agrave; s&uacute;bita e dr&aacute;stica altera&ccedil;&atilde;o do modo de vida dos atingidos. Segundo os atores entrevistados, fica clara a enorme influ&ecirc;ncia da empresa sobre as pessoas, os pol&iacute;ticos e a vida social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seu conjunto, os artigos que comp&otilde;em este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico lan&ccedil;am uma primeira luz sobre o que foi, o que est&aacute; sendo e o que poder&aacute; ser o maior desastre socioambiental brasileiro. Neste rico conjunto de contribui&ccedil;&otilde;es, podem ser visualizadas diferentes abordagens metodol&oacute;gicas e conceituais para dar resposta a essas indaga&ccedil;&otilde;es, ao lado da perspectiva de diferentes atores sociais afetados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, natural de Itabira, terra de minera&ccedil;&atilde;o, nos convoca para uma profunda reflex&atilde;o, necess&aacute;ria e urgente sobre o tema:</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E vir&aacute; a companhia inglesa e por sua vez comprar&aacute; tudo    <br>   e por sua vez perder&aacute; tudo e tudo volver&aacute; a nada    <br>   e secado o ouro escorrer&aacute; o ferro, e secos morros de ferro    <br>   tapar&atilde;o o vale sinistro onde n&atilde;o mais haver&aacute; privil&eacute;gios,    <br>   e se ir&atilde;o os &uacute;ltimos escravos, e vir&atilde;o os primeiros camaradas;    <br>   e a besta Belisa render&aacute; os arrogantes corc&eacute;is da monarquia,    <br>   e a vaca Belisa dar&aacute; leite no curral vazio para o menino doentio,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   e o menino crescer&aacute; sombrio, e os antepassados no cemit&eacute;rio se rir&atilde;o    <br>   se rir&atilde;o porque os mortos n&atilde;o choram.    <br>   (Carlos Drummond de Andrade)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Milanez, B.; Giffoni Pinto, R. "Considera&ccedil;&otilde;es sobre o termo de transa&ccedil;&atilde;o e de ajustamento de conduta firmado entre o governo federal, governo do estado de Minas Gerais, governo do estado do Esp&iacute;rito Santo, Samarco Minera&ccedil;&atilde;o S.A., Vale S.A., e BHP Billiton Brasil Ltda". <i>Poemas-pol&iacute;tica, economia, minera&ccedil;&atilde;o, ambiente e sociedade</i>. Abril, 2016, 11 p&aacute;ginas.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Agroecologia (ABA–Agroecologia); Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Antropologia (ABA-Antropologia); Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Centros e Museus de Ci&ecirc;ncia (ABCMC); Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Engenharia Sanit&aacute;ria e Ambiental (Abes); Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Estudos Populacionais (Abep); Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Limnologia (ABLimno); Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Pesquisa em Educa&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias (Abrapec); Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Sa&uacute;de Coletiva (Abrasco); Associa&ccedil;&atilde;o dos Ge&oacute;grafos Brasileiros (AGB); Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Ambiente e Sociedade (Anppas); Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Ci&ecirc;ncias Sociais (Anpocs); Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur); Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Servi&ccedil;os Municipais de Saneamento (Assemae); Centro Brasileiro de Estudos de Sa&uacute;de (Cebes); Coletivo de Luta pela &Aacute;gua–SP; Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Urbanit&aacute;rios (FNU); Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental (FNSA); Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz); Instituto Brasileiro de Pesquisa e Gest&atilde;o de Carbono (CO2 Zero).</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz). VII Congresso Interno. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Mesquita, M.; Tavares, M.; Alves, E. O. "Em nomes que nunca morrem". <i>Revista Curinga</i>. Laborat&oacute;rio de Jornalismo/UFOP. Pag. 17. Mar&ccedil;o, 2016. Ano VI. Edi&ccedil;&atilde;o especial</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Papagaio, S. "Papo di cumadi". In: <i>A Sirene-para n&atilde;o esquecer</i>. Ed.nº 2, abril de 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Minist&eacute;rio do Trabalho e Previd&ecirc;ncia Social - Superintend&ecirc;ncia Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais - Se&ccedil;&atilde;o de Seguran&ccedil;a e Sa&uacute;de no Trabalho. Relat&oacute;rio de an&aacute;lise de acidente. Rompimento da barragem de rejeitos Fund&atilde;o em Mariana- MG. Abril, 2016, 138 p&aacute;ginas.    </font></p>      ]]></body><back>
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