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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O desastre na barragem de mineração da Samarco: fratura exposta dos limites do Brasil na redução de risco de desastres]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   MARIANA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O desastre na barragem de minera&ccedil;&atilde;o da Samarco - fratura exposta dos limites do Brasil na redu&ccedil;&atilde;o de risco de desastres</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Machado de Freitas; Mariano Andrade da Silva; Fernanda Carvalho de Menezes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na tarde de 5 novembro de 2015 a barragem  de Fund&atilde;o, da mineradora Samarco, uma empresa <i>joint venture </i>da companhia Vale do Rio Doce e da anglo-australiana BHP- Billiton, se rompeu liberando um volume estimado de 34 milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos (m3) de lama, contendo rejeitos de minera&ccedil;&atilde;o, resultando em intensa destrui&ccedil;&atilde;o nos povoados pr&oacute;ximos &agrave; jusante da mineradora e diversos outros impactos que se estenderam por 650 km (1). Foi o maior desastre mundial desse tipo desde os anos 1960, resultando em danos humanos e ambientais que podem ter um horizonte temporal de longo prazo, efeitos irrevers&iacute;veis e de dif&iacute;cil gest&atilde;o (2).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tendo como refer&ecirc;ncia as prioridades do Marco de Sendai (2015), que norteiam em n&iacute;vel global a gest&atilde;o do risco de desastres, este artigo tem como objetivo extrair li&ccedil;&otilde;es para a redu&ccedil;&atilde;o substancial, no Brasil, dos riscos de desastres e de impactos ambientais, sanit&aacute;rios e socioecon&ocirc;micos que os mesmos provocam. Isto requer: 1) compreens&atilde;o ampla das causas e impactos ambientais, humanos e socioecon&ocirc;micos desses desastres; 2) compreens&atilde;o sist&ecirc;mica da capacidade de governan&ccedil;a para a redu&ccedil;&atilde;o de risco de desastres; 3) compreens&atilde;o das capacidades de prepara&ccedil;&atilde;o para respostas eficazes - n&atilde;o como algo limitado ao per&iacute;odo imediatamente p&oacute;s-evento, mas como integrantes dos processos de recupera&ccedil;&atilde;o, reabilita&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s os eventos iniciais que resultam nos desastres.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1) DESASTRES EM BARRAGENS DE MINERA&Ccedil;&Atilde;O E SEUS RISCOS NO BRASIL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo do s&eacute;culo XX e, mais particularmente, nos &uacute;ltimos 50 anos a exposi&ccedil;&atilde;o das pessoas aos riscos de desastres vem crescendo no Brasil e no mundo mais rapidamente do que as capacidades de redu&ccedil;&atilde;o da vulnerabilidade, resultando em intensos e extensos (no tempo e no espa&ccedil;o) impactos. Nesta perspectiva, o desastre da Samarco deve ser compreendido n&atilde;o como uma excepcionalidade, mas sim como parte dos custos humanos, sociais e ambientais que esse tipo de desastre vem provocando no mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tomando como refer&ecirc;ncia a base de dados sobre desastres em barragens de minera&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o World Information Service on Energy (Wise), que cobre os impactos humanos e ambientais da minera&ccedil;&atilde;o de ur&acirc;nio e produ&ccedil;&atilde;o de energia nuclear em n&iacute;vel global, podemos verificar que, ao longo dos &uacute;ltimos 50 anos, ocorreram pelo menos 37 desastres em barragens de minera&ccedil;&atilde;o considerados muito graves (ver Quadro 1 na vers&atilde;o online). O desastre da Samarco &eacute;, dentre todos, o maior em termos de quantidade de material lan&ccedil;ado no meio ambiente e de extens&atilde;o territorial dos danos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rico e colaboradores (3), ao analisarem 147 incidentes em barragens de minera&ccedil;&atilde;o, apontam um conjunto de causas, das quais destacamos: a manuten&ccedil;&atilde;o deficiente das estruturas de drenagem; aus&ecirc;ncia de monitoramento cont&iacute;nuo e controle durante constru&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o; crescimento das barragens sem adequados procedimentos de seguran&ccedil;a; a sobrecarga a partir de rejeitos de minera&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m chamam a aten&ccedil;&atilde;o para a falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o sobre os crit&eacute;rios de projetos espec&iacute;ficos. Combinada com pol&iacute;ticas fr&aacute;geis e institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de controle e preven&ccedil;&atilde;o desestruturadas, constitui cen&aacute;rio f&eacute;rtil para a ocorr&ecirc;ncia de desastres no Brasil, em que anormalidades s&atilde;o cotidianamente transformadas em normalidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O processo de licenciamento ambiental referente &agrave; barragem de Fund&atilde;o se iniciou em 2005, sendo a primeira licen&ccedil;a de opera&ccedil;&atilde;o (LO) concedida em 2008 - licen&ccedil;a que se encontrava em processo de renova&ccedil;&atilde;o no dia do rompimento. Da primeira LO at&eacute; o desastre v&aacute;rias mudan&ccedil;as na estrutura da barragem de Fund&atilde;o ocorreram. As modifica&ccedil;&otilde;es no projeto inicial iniciaram-se em 2012, tendo como justificativa a necessidade de um dreno, devido ao material de rejeito da minera&ccedil;&atilde;o em estado mais l&iacute;quido recebido da empresa Vale. Em 2009, teve in&iacute;cio o plano de expans&atilde;o da empresa e mais modifica&ccedil;&otilde;es no projeto inicial, realizando o recuo n&atilde;o previsto na estrutura da barragem. Em setembro de 2014, o engenheiro projetista da barragem alertou sobre um princ&iacute;pio de ruptura que apareceu ap&oacute;s a modifica&ccedil;&atilde;o da estrutura. Em junho de 2015, a mineradora recebeu as licen&ccedil;as pr&eacute;vias e de instala&ccedil;&atilde;o (LP e LI, respectivamente) para amplia&ccedil;&atilde;o da barragem de Fund&atilde;o, que passaria da cota de 920m de altitude para 940m e posterior unifica&ccedil;&atilde;o com a barragem de Germano, que tamb&eacute;m estava sendo alterada. A LP e a LI foram aprovadas pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Minas Gerais (4).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s diversas modifica&ccedil;&otilde;es no projeto, a barragem se rompeu na cota de 898m. As causas do rompimento ainda est&atilde;o sendo investigadas. Sem resultados conclusivos, encontram-se entre as hip&oacute;teses (5; 6; 7):</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n3/quad01.jpg"> Entupimento do sistema de drenagem de l&iacute;quido da barragem que impede infiltra&ccedil;&otilde;es e eros&otilde;es de dentro para fora da estrutura.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/cic/v68n3/quad01.jpg"> Exist&ecirc;ncia de uma falha &ldquo;princ&iacute;pio de ruptura&rdquo;, devido ao aparecimento de uma trinca. Para o engenheiro projetista da barragem, a situa&ccedil;&atilde;o era severa e necessitava de provid&ecirc;ncias al&eacute;m das que foram tomadas pela empresa.</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n3/quad01.jpg"> Aumento no ritmo da deposi&ccedil;&atilde;o de rejeitos. Entre 2009 e 2014, o ritmo de despejos de rejeitos cresceu 83%, chegando a 55 milh&otilde;es, fator que contribuiria para desestabiliza&ccedil;&atilde;o da barragem.</p>       <p><img src="/img/revistas/cic/v68n3/quad01.jpg"> A empresa Samarco informou que todas as opera&ccedil;&otilde;es estavam devidamente licenciadas e regularizadas no momento do acidente, inclusive em rela&ccedil;&atilde;o ao volume de material depositado. Ap&oacute;s o desastre, a empresa alegou que a principal linha de investiga&ccedil;&atilde;o seria um tremor de terra (2.6 de magnitude) que ocorreu a 5 km da barragem de Fund&atilde;o.</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com os dados do Departamento Nacional de Produ&ccedil;&atilde;o Mineral (8) o Brasil possui 662 barragens e cavas exauridas com barramento distribu&iacute;das em 164 munic&iacute;pios pelo pa&iacute;s (ver <a href="#fig1">Mapa 1</a>), destas 80% s&atilde;o classificadas, pela categoria de risco, como sendo de baixo risco de desastres (mesma classifica&ccedil;&atilde;o da barragem de Fund&atilde;o) e apenas 5% como de alto risco. Se considerarmos que o desastre da Samarco &eacute; n&atilde;o s&oacute; uma fratura exposta das falhas na gest&atilde;o de riscos de barragem por parte da empresa mas, tamb&eacute;m, das fr&aacute;geis pol&iacute;ticas e institui&ccedil;&otilde;es existentes para a redu&ccedil;&atilde;o de riscos, podemos considerar que temos um grande conjunto de s&eacute;rias amea&ccedil;as e riscos de desastres em barragens de minera&ccedil;&atilde;o espalhado pelo pa&iacute;s.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n3/a10fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2) IMPACTOS DO DESASTRE </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O impacto do desastre foi classificado pela for&ccedil;a tarefa do governo do estado de Minas Gerais em duas escalas: A primeira <b>microrregional</b>, relacionada aos impactos com maior efeito destrutivo, por extrapolar a calha dos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce atingindo quatro munic&iacute;pios mineiros: Mariana, Barra Longa, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado em um trecho de aproximadamente 77 km. No munic&iacute;pio de Rio Doce, a lama foi retida pela barragem da Usina Hidrel&eacute;trica de Candonga e, ap&oacute;s essa barreira, o material seguiu pela calha do rio Doce. A segunda escala <b>macrorregional</b> relacionada aos impactos nos munic&iacute;pios ao longo de mais de 570 km da calha do rio Doce at&eacute; a foz no oceano Atl&acirc;ntico, envolvendo comunidades de outros 31 munic&iacute;pios em Minas Gerais e 3 munic&iacute;pios no Esp&iacute;rito Santo, incluindo uma reserva ind&iacute;gena de etnia Krenak (9; 1).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2.1. Impactos ambientais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escala microrregional, a grande quantidade de lama provocou impactos intensos comprometendo solo, cobertura vegetal e rios, dos quais destacamos alguns.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Degrada&ccedil;&atilde;o da qualidade do solo. Mesmo n&atilde;o sendo t&oacute;xico os rejeitos, quando sedimentados, comprometem a infiltra&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua e o n&iacute;vel de mat&eacute;ria org&acirc;nica necess&aacute;rio para a vida microbiana do solo, afetando as condi&ccedil;&otilde;es para a germina&ccedil;&atilde;o de sementes e o desenvolvimento radicular das plantas, comprometendo a variabilidade gen&eacute;tica das &aacute;reas ciliares (10). Na &aacute;rea rural de Barra Longa, a mais diretamente afetada, devido &agrave; composi&ccedil;&atilde;o da lama, a reconstitui&ccedil;&atilde;o do solo pode levar at&eacute; centenas de anos, que &eacute; a escala geol&oacute;gica para a forma&ccedil;&atilde;o de um novo solo (11).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aumento da intensidade dos processos erosivos resultante do ravinamento (depress&atilde;o do solo), elevando o risco de ocorr&ecirc;ncia de poss&iacute;veis deslocamentos de massas de terra no per&iacute;odo chuvoso, com potencial de intensificar o processo de assoreamento nos rios, para al&eacute;m da pr&oacute;pria lama que atingiu os mesmos (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assoreamento dos rios Gualaxo do Norte, Carmo e parte do rio Doce at&eacute; a barragem de Candonga (numa extens&atilde;o de 77 km), comprometendo &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente nas faixas marginais dos mesmos. Uma &aacute;rea de 1.587 hectares (ha), dos quais 1.026,65 ha de cobertura vegetal, sendo que 511,08 ha de Mata Atl&acirc;ntica foi muito danificada nesse trecho. As modifica&ccedil;&otilde;es, registradas no curso das bacias, causadas pela enxurrada de lama, foram degressivas, alterando o curso do rio e, com isso, a din&acirc;mica fluvial (9; 12).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escala macrorregional no longo prazo, as altera&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicoqu&iacute;micas no rio Doce impactaram toda a cadeia tr&oacute;fica que envolve desde a comunidade planct&ocirc;nica, invertebrados aqu&aacute;ticos, peixes, anf&iacute;bios, r&eacute;pteis e mam&iacute;feros que dependem direta e indiretamente das &aacute;guas do mesmo (12).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o aos contaminantes inorg&acirc;nicos associadas &agrave; lama de rejeitos, foram aferidos elevados teores de &oacute;xido de ferro, mangan&ecirc;s e s&iacute;lica. Segundo a Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas (ANA) (1), a for&ccedil;a da passagem da lama revolveu e colocou em suspens&atilde;o os sedimentos contaminados dos processos de minera&ccedil;&atilde;o do passado, contribuindo para eleva&ccedil;&otilde;es significativas nas concentra&ccedil;&otilde;es de metais pesados como alum&iacute;nio, ars&ecirc;nio, c&aacute;dmio, cobre, cromo, mangan&ecirc;s e n&iacute;quel, sendo que alguns destes, como chumbo e merc&uacute;rio com n&iacute;veis superiores ao limite da legisla&ccedil;&atilde;o de 165 e 1465 vezes, respectivamente (12; 1). Identificou-se que o padr&atilde;o de acumula&ccedil;&atilde;o dos metais nos zoopl&acirc;nctons coincidem com o padr&atilde;o dos n&iacute;veis de contamina&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, observado para todos os metais analisados, indicando que os metais associados &agrave; foz do rio Doce encontram-se dispon&iacute;veis para assimila&ccedil;&atilde;o pela fauna planct&ocirc;nica, organismos que est&atilde;o na base da cadeia alimentar. E, resultados de an&aacute;lises em amostras de peixes (roncador,  linguado e pero&aacute;) e crust&aacute;ceos (camar&atilde;o rosa e camar&atilde;o sete barbas) apresentaram grande parte das amostras com n&iacute;veis de ars&ecirc;nio, c&aacute;dmio e chumbo acima da legisla&ccedil;&atilde;o (13).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa forma, evidencia-se que a mortalidade instant&acirc;nea da fauna aqu&aacute;tica &eacute; apenas um dos impactos causados pelo desastre. Os processos ecol&oacute;gicos foram alterados, os danos provocados no ecossistema podem ser ainda maiores considerando que os peixes e crust&aacute;ceos encontram-se no per&iacute;odo de reprodu&ccedil;&atilde;o (1). O resultado &eacute; a potencial extin&ccedil;&atilde;o de algumas esp&eacute;cies t&iacute;picas do rio, exigindo d&eacute;cadas para a recupera&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e do assoreamento em muitos trechos do leito do rio Doce (11).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2.2. Impactos sobre a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os impactos mais diretos sobre a vida e sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o exposta ao desastre se concentraram nos munic&iacute;pios situados na escala microrregional. Foram 19 &oacute;bitos, concentrados em Mariana, sendo dois ter&ccedil;os de trabalhadores terceirizados. Os outros &oacute;bitos envolveram crian&ccedil;as entre 5 e 7 anos e idosos entre 60 e 73 anos. Em rela&ccedil;&atilde;o aos lesionados e feridos, concentraram-se em Mariana (231) e Barra Longa (305) (9).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do total de 10.482 afetados, Barra Longa n&atilde;o teve s&oacute; mais da metade (5.745) da popula&ccedil;&atilde;o total afetada, mas a quase totalidade da mesma nessa condi&ccedil;&atilde;o. Para os outros munic&iacute;pios o percentual variou entre 6% (Mariana) e pouco mais de 10% (Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estes mais de 10 mil foram afetados de diferentes modos, simples ou combinados, para al&eacute;m da perda de parentes e amigos ou ter sofrido alguma les&atilde;o ou dano direto &agrave; sa&uacute;de, perdas materiais e imateriais, podem sofrer diferentes impactos sobre a sa&uacute;de, simples ou combinados, dos quais destacamos: a) comprometimento dos servi&ccedil;os de provis&atilde;o de alimentos e &aacute;gua pot&aacute;vel; b) de regula&ccedil;&atilde;o do clima (destrui&ccedil;&atilde;o de mais de mil hectares de cobertura vegetal) e dos ciclos das &aacute;guas (contribuindo para enchentes nos per&iacute;odos chuvosos), contribuindo para altera&ccedil;&atilde;o nos ciclos de vetores e de hospedeiros de doen&ccedil;as (dengue, chikungunya e zika, al&eacute;m de outras doen&ccedil;as como esquistossomose, doen&ccedil;as de Chagas, leishmaniose, que podem surgir meses ap&oacute;s o per&iacute;odo inicial do desastre); c) animais pe&ccedil;onhentos, que tamb&eacute;m tiveram seus habitats completamente alterados ou destru&iacute;dos; d) doen&ccedil;as respirat&oacute;rias e contamina&ccedil;&atilde;o dos organismos com a transforma&ccedil;&atilde;o da lama de rejeitos em grande fonte de poeiras e material particulado (contendo &oacute;xido de ferro, s&iacute;lica e mat&eacute;ria org&acirc;nica, al&eacute;m da hip&oacute;tese de outros metais como alum&iacute;nio e mangan&ecirc;s) inalado pelas pessoas (14); e) impactos psicossociais e na sa&uacute;de mental, resultantes do comprometimento das heran&ccedil;as culturais e da perda da sensa&ccedil;&atilde;o de lugar, bem como a sensa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a e medo da viol&ecirc;ncia para os que foram deslocados para abrigos ou casas tempor&aacute;rias, contribuindo para futuras doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas, como as cardiovasculares. N&atilde;o menos grave foram tamb&eacute;m os impactos sobre os &iacute;ndios Krenak, que tiveram seus modos de vida, cultura e religi&atilde;o afetados pelo desastre.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escala macrorregional os impactos mais evidentes se relacionam &agrave; qualidade da &aacute;gua para consumo humano em diferentes escalas de tempo. No curto prazo os valores dos par&acirc;metros alteraram a potabilidade da &aacute;gua para uso humano, impedindo o consumo da mesma (9). Este impacto traz o potencial de aumento de casos de diarreias e outras doen&ccedil;as transmitidas pelo uso de &aacute;gua n&atilde;o adequada para o consumo humano, principalmente nos munic&iacute;pios onde a busca de fontes alternativas de &aacute;gua e o fornecimento de &aacute;gua atrav&eacute;s de caminh&otilde;es pipa contratados n&atilde;o forem acompanhados de fiscaliza&ccedil;&atilde;o e vigil&acirc;ncia de qualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para al&eacute;m dos riscos de curto e m&eacute;dio prazo relacionados ao abastecimento de &aacute;gua, no longo prazo os impactos ambientais ocorridos nos mananciais foram graves e envolvem, como j&aacute; descrito, metais pesados. Seus efeitos se apresentar&atilde;o no tempo, nas &aacute;guas, solo e cadeia alimentar, resultando tamb&eacute;m em efeitos sobre a sa&uacute;de que, se n&atilde;o forem monitorados, simplesmente se tornar&atilde;o invis&iacute;veis e esquecidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2.3. Impactos socioecon&ocirc;micos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escala microrregional, no trecho compreendido entre a barragem e a foz do rio do Carmo (77 km), a lama extravasou o leito do rio causando a destrui&ccedil;&atilde;o de edifica&ccedil;&otilde;es (foram destru&iacute;das 389 unidades habitacionais, 2 instala&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de sa&uacute;de e 6 de ensino, principalmente em Mariana), pontes, vias e demais equipamentos urbanos. Com rela&ccedil;&atilde;o aos preju&iacute;zos econ&ocirc;micos p&uacute;blicos, relacionados a a&ccedil;&otilde;es emergenciais de garantia ao funcionamento dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos municipais, bem como estimativas para a sua retomada plena, os valores totais, assumidos pelos munic&iacute;pios da microrregi&atilde;o analisada representam R$5 milh&otilde;es, sendo 36,5% concentrados no munic&iacute;pio de Barra Longa (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Preju&iacute;zos imensos impactaram os servi&ccedil;os p&uacute;blicos essenciais, como gera&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de energia (40% dos preju&iacute;zos econ&ocirc;micos totais), seguidos de servi&ccedil;os de tratamento de esgotos, sa&uacute;de p&uacute;blica, limpeza urbana e destina&ccedil;&atilde;o dos res&iacute;duos, transporte e educa&ccedil;&atilde;o, entre outros. Tamb&eacute;m resultou em impactos e preju&iacute;zos econ&ocirc;micos no setor privado, na ordem de R$253 milh&otilde;es, concentrados principalmente nas atividades industriais (84%) e no munic&iacute;pio de Mariana (88%) (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A retra&ccedil;&atilde;o na base tribut&aacute;ria ap&oacute;s a abrupta paralisa&ccedil;&atilde;o da atividade de minera&ccedil;&atilde;o da empresa Samarco e de sua economia de entorno, ocasionou o colapso da economia regional. Nas localidades que apresentaram os maiores impactos, este foi devido ao sistema econ&ocirc;mico pouco diversificado e com forte min&eacute;rio-depend&ecirc;ncia (95% da atividade econ&ocirc;mica baseada em extra&ccedil;&atilde;o de min&eacute;rio de ferro) (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s atividades agropecu&aacute;rias, apesar do percentual e abund&acirc;ncia deste setor n&atilde;o ser expressivo na economia da microrregi&atilde;o, parte significativa do sustento da popula&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea rural provinha do mesmo, sendo os preju&iacute;zos estimados em aproximadamente R$23 milh&otilde;es. Por outro lado, setores de com&eacute;rcio e servi&ccedil;o tamb&eacute;m registraram danos diretos, al&eacute;m das perdas indiretas influenciadas pela redu&ccedil;&atilde;o do turismo e do poder de compra, existindo a tend&ecirc;ncia de decaimento no faturamento por per&iacute;odos prolongados (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escala macrorregional os danos socioecon&ocirc;micos causados na bacia do rio Doce est&atilde;o basicamente relacionados &agrave; dificuldade do uso e capta&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua do manancial. Em 15 dos 31 munic&iacute;pios da macrorregi&atilde;o os preju&iacute;zos giram em torno de R$287 milh&otilde;es em danos diretos e indiretos. As atividades industriais, agr&iacute;colas e pecu&aacute;rias relataram danos em torno de R$230 milh&otilde;es, sendo o setor industrial respons&aacute;vel por 90% do total. Em rela&ccedil;&atilde;o aos danos indiretos, os setores de com&eacute;rcio e servi&ccedil;o respondem por 18% do total (9).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os preju&iacute;zos econ&ocirc;micos p&uacute;blicos ocorreram em menor escala na regi&atilde;o, sendo os maiores preju&iacute;zos concentrados no abastecimento de &aacute;gua, ultrapassando R$80 milh&otilde;es e, em menor escala, servi&ccedil;os de gera&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de energia, na ordem de R$2 milh&otilde;es. O sistema de esgoto de &aacute;gua pluvial e o sistema de esgotamento sanit&aacute;rio foram impactados, no entanto apenas 7 munic&iacute;pios do estado de Minas Gerais declararam preju&iacute;zos p&uacute;blicos nesse setor (9).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3) A&Ccedil;&Otilde;ES DE MITIGA&Ccedil;&Atilde;O E RECUPERA&Ccedil;&Atilde;O AP&Oacute; O DESASTRE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3.1. A&ccedil;&otilde;es de mitiga&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o ambientais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentre o conjunto dessas a&ccedil;&otilde;es, destacamos cinco, tendo como principal fonte o relat&oacute;rio da for&ccedil;a tarefa de MG (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira est&aacute; relacionada &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o de um plano emergencial de recupera&ccedil;&atilde;o da bacia do rio Doce contento estrat&eacute;gias de solu&ccedil;&otilde;es para o abastecimento de &aacute;gua. Envolvem a recupera&ccedil;&atilde;o da qualidade e disponibilidade da &aacute;gua e o monitoramento cont&iacute;nuo das &aacute;guas brutas e tratadas, considerando-se a contamina&ccedil;&atilde;o por subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, particularmente metais pesados. No curto prazo, a defini&ccedil;&atilde;o de fontes alternativas de &aacute;gua prevendo a vigil&acirc;ncia da qualidade para consumo humano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A segunda a&ccedil;&atilde;o est&aacute; relacionada ao zoneamento ecol&oacute;gico ambiental dos rios e suas margens e recomposi&ccedil;&atilde;o da mata ciliar em toda a bacia, principalmente em &acirc;mbito microrregional, devido ao grande ac&uacute;mulo de material depositado &agrave;s margens dos rios, que provoca a continuidade de entrada de sedimentos nos cursos d'&aacute;gua.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A terceira a&ccedil;&atilde;o relaciona-se &agrave; concep&ccedil;&atilde;o de um sistema de previs&atilde;o de eventos cr&iacute;ticos (cheias e polui&ccedil;&atilde;o ambiental) na bacia do rio Doce, mitiga&ccedil;&atilde;o dos efeitos da cheia e enfrentamento de desastres. Esse sistema envolve o levantamento batim&eacute;trico dos rios, prevendo: a modelagem hidrol&oacute;gica, hidr&aacute;ulica, hidrosedimental&oacute;gica e de ruptura de barragens considerando-se seus impactos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quarta a&ccedil;&atilde;o se relaciona ao monitoramento e recupera&ccedil;&atilde;o do solo, envolvendo: 1) estudos e pesquisas sobre a nova din&acirc;mica do solo que teve sua fertilidade comprometida, de modo a subsidiar as comunidades locais no manejo do mesmo; 2) zoneamento da &aacute;rea em que as margens est&atilde;o recobertas por rejeitos (trecho entre o complexo de Germano e a Usina Hidrel&eacute;trica de Candonga) com a caracteriza&ccedil;&atilde;o geot&eacute;cnica, para subsidiar a elabora&ccedil;&atilde;o de um plano de corre&ccedil;&atilde;o priorizando as &aacute;reas mais afetadas, plano de deposi&ccedil;&atilde;o final dos rejeitos, pass&iacute;veis ou n&atilde;o de serem retirados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E a quinta a&ccedil;&atilde;o envolve o levantamento de fauna e flora para avalia&ccedil;&atilde;o dos impactos e para subsidiar medidas para a prote&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o da biodiversidade. Esse levantamento deve ser acompanhado do monitoramento e an&aacute;lise toxicol&oacute;gica da &aacute;gua, solo e vegeta&ccedil;&atilde;o para avaliar o impacto dos rejeitos na din&acirc;mica biol&oacute;gica da regi&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3.2. A&ccedil;&otilde;es de mitiga&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No curto prazo foi estruturado um protocolo assistencial contendo informa&ccedil;&otilde;es sobre atendimento &agrave;s v&iacute;timas (cadastro, triagem, vacina&ccedil;&atilde;o, assist&ecirc;ncia psicol&oacute;gica e social) e acionamento do plano de crise do hospital Jo&atilde;o XXIII em Belo Horizonte, al&eacute;m de recomenda&ccedil;&otilde;es para aten&ccedil;&atilde;o e vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de (15). Do curto ao m&eacute;dio prazos a estrutura&ccedil;&atilde;o de planos de conting&ecirc;ncia envolvendo a cria&ccedil;&atilde;o de comit&ecirc;s operativos, protocolos de aten&ccedil;&atilde;o (psicossocial e para doen&ccedil;as e agravos, comunidades afetadas e trabalhadores envolvidos, direta e indiretamente, como bombeiros, policiais, trabalhadores da sa&uacute;de)  e vigil&acirc;ncia (incluindo o suporte laboratorial para monitoramento da qualidade da &aacute;gua e alimentos; controle de pragas e vetores de doen&ccedil;as; investiga&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as e agravos relacionados ao desastre), estrutura&ccedil;&atilde;o das unidades de sa&uacute;de e fluxos de atendimento (16; 17; 9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas escalas micro e macrorregional, foram propostos quatro con-juntos de medidas, sendo no curto prazo: 1) o cont&iacute;nuo recolhimento e limpeza dos leitos e margens dos rios, uma vez que a mortandade de peixes aumenta os riscos relacionados aos insetos que s&atilde;o vetores de doen&ccedil;as; 2) conscientiza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o para limpeza de reservat&oacute;rios de &aacute;gua, de modo a reduzir os riscos de sedimenta&ccedil;&atilde;o de poluentes/ contaminantes nos mesmos. No m&eacute;dio e longo prazos duas a&ccedil;&otilde;es foram propostas. A primeira, o monitoramento epidemiol&oacute;gico da popula&ccedil;&atilde;o exposta na bacia do rio Doce articulado com o monitoramento cont&iacute;nuo das &aacute;guas brutas e tratadas, considerando-se a contamina&ccedil;&atilde;o por subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, particularmente metais pesados, al&eacute;m da realiza&ccedil;&atilde;o de um inqu&eacute;rito de sa&uacute;de. A segunda &eacute; a estrutura&ccedil;&atilde;o de planos de conting&ecirc;ncias nos munic&iacute;pios, acoplado ao fortalecimento dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de locais e capacita&ccedil;&atilde;o dos agentes locais de sa&uacute;de (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3.3. A&ccedil;&otilde;es de mitiga&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de mitiga&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica, tomamos como principal refer&ecirc;ncia o relat&oacute;rio da for&ccedil;a tarefa de MG (9). Entre essas a&ccedil;&otilde;es, foi destacada a prioriza&ccedil;&atilde;o da sustentabilidade da economia microrregional em um cen&aacute;rio sem a retomada da minera&ccedil;&atilde;o, que resulta em impactos fiscais e nas condi&ccedil;&otilde;es de vida (perda de empregos e renda) nos curto e m&eacute;dio prazos para as popula&ccedil;&otilde;es afetadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como objetivo imediato foi apontada a manuten&ccedil;&atilde;o do emprego e da renda. Como primeira iniciativa de curto prazo, foi proposto que os mun&iacute;cipios que tiveram estruturas danificadas invistam prioritariamente em obras de recupera&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o das mesmas, considerando-se que a constru&ccedil;&atilde;o civil &eacute; capaz de absorver rapidamente a m&atilde;o de obra ociosa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em m&eacute;dio prazo, na perspectiva de investimentos futuros, prop&otilde;e-se estudar a retomada das atividades econ&ocirc;micas paralisadas, bem como o desenvolvimento de outras atividades que podem iniciar um processo de maior inser&ccedil;&atilde;o de capitais na economia regional - como o fortalecimento do com&eacute;rcio e outros servi&ccedil;os, como a explora&ccedil;&atilde;o da atividade tur&iacute;stica -, bastante impactada com o desastre.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s atividades relacionadas &agrave; minera&ccedil;&atilde;o, que fortemente integram a economia regional, prop&otilde;em-se a retomada das mesmas em bases sustent&aacute;veis, com implanta&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias e processos. Ao mesmo tempo, prop&otilde;e-se que essa retomada envolva maior integra&ccedil;&atilde;o da minera&ccedil;&atilde;o com outras atividades como, por exemplo, o desenvolvimento de atividades de beneficiamento mais complexas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escala macrorregional &eacute; proposto o imediato mapeamento e estudo detalhado das atividades econ&ocirc;micas prejudicadas, ao longo da calha do rio Doce, de modo a minimizar, o mais rapidamente poss&iacute;vel, os processos cr&ocirc;nicos de degrada&ccedil;&atilde;o das economias no n&iacute;vel local. Prop&otilde;em-se priorizar as atividades agropecu&aacute;rias, pesca, areeiros, al&eacute;m de atividades de servi&ccedil;os relacionadas ao uso do rio Doce e o turismo, levando em conta que as comunidades relacionadas &agrave;s mesmas tiveram, de modo parcial ou integral, suas condi&ccedil;&otilde;es de vida, produ&ccedil;&atilde;o e trabalho impactadas pelo desastre.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4) DESAFIOS PRESENTES E FUTUROS PARA A REDU&Ccedil;&Atilde;O DE RISCOS DE DESASTRES COMO O DA SAMARCO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tendo como refer&ecirc;ncia o Marco de Sendai, a primeira li&ccedil;&atilde;o que podemos extrair do desastre provocado pela empresa Samarco &eacute; que o Brasil ser&aacute; incapaz de avan&ccedil;ar nas pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es de redu&ccedil;&atilde;o de risco de desastre em barragens de minera&ccedil;&atilde;o, sem que se estabele&ccedil;a uma clara compreens&atilde;o integral sobre suas causas nas dimens&otilde;es temporais (horas, dias, semanas, meses e anos anteriores ao desastre) e de seus determinantes e condicionantes socioecon&ocirc;micos. Para tanto, &eacute; preciso que se considere desde o papel que o Brasil ocupa no mercado global no fornecimento de min&eacute;rios e os aumentos na demanda desta mat&eacute;ria-prima; o modo como os &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, nos seus diferentes n&iacute;veis - federal e estadual - encontram-se estruturados (ou melhor, cada vez mais desestruturados), para cumprir suas fun&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de controle e preven&ccedil;&atilde;o de riscos; a estrutura e din&acirc;mica das atividades econ&ocirc;micas nas escalas microrregional (fortemente dependente da minera&ccedil;&atilde;o) e macrorregional. As decis&otilde;es da Samarco que levaram ao maior desastre desse tipo foram tomadas seguindo as orienta&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;tica da empresa atendendo as demandas, press&otilde;es e varia&ccedil;&otilde;es no mercado global de min&eacute;rios sem que os diferentes &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos envolvidos na regula&ccedil;&atilde;o, controle e preven&ccedil;&atilde;o de riscos nos n&iacute;veis federal e estadual (meio ambiente, recursos minerais, recursos h&iacute;dricos, s&oacute; para citar alguns) fossem capazes de cumprir seu papel de regula&ccedil;&atilde;o. Aos criadores de riscos foi permitido que suas decis&otilde;es privadas e relacionadas aos seus neg&oacute;cios se sobrepusessem aos interesses e bens p&uacute;blicos, resultando em &oacute;bitos, danos e destrui&ccedil;&atilde;o. Investimentos privados que geram riscos para a vida e bens p&uacute;blicos t&ecirc;m de ser efetivamente regulados e controlados pelos &oacute;rg&atilde;os, com permanente transpar&ecirc;ncia e participa&ccedil;&atilde;o da sociedade (principalmente comunidades sob riscos e trabalhadores diretos e indiretos, principais v&iacute;timas fatais)</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m seremos incapazes de aprender li&ccedil;&otilde;es desse desastre se n&atilde;o analisarmos e compreendermos os impactos de modo sist&ecirc;mico, pois os impactos socioecon&ocirc;micos se mesclam com as altera&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas e nos servi&ccedil;os dos ecossistemas, assim como o surgimento de doen&ccedil;as e agravos na sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o nas diferentes escalas de espa&ccedil;o (local, microrregional e macrorregional) e tempo (curto, m&eacute;dio e longo prazos). As diferentes escalas espaciais e temporais envolvem diferentes tempos para a reabilita&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica, na sa&uacute;de e na esfera socioecon&ocirc;mica. Al&eacute;m disso, encontra-se como grande desafio incorporar os diferentes conhecimentos e saberes no n&iacute;vel local, possibilitando compreender que se os aspectos macro e microrregionais apontam para padr&otilde;es comuns, existem tamb&eacute;m diversidades expressas no n&iacute;vel local e que envolvem suas popula&ccedil;&otilde;es que devem ser consideradas, n&atilde;o s&oacute; como objetos de pesquisas e interven&ccedil;&otilde;es, mas como atores fundamentais para a&ccedil;&otilde;es de recupera&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma compreens&atilde;o sist&ecirc;mica das causas e impactos desse desastre aponta diretamente para os desafios que est&atilde;o colocados em termos da governan&ccedil;a para a redu&ccedil;&atilde;o de risco de desastres. Esta envolve desde as pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o at&eacute; as de prepara&ccedil;&atilde;o e respostas, como integrantes dos processos de recupera&ccedil;&atilde;o, reabilita&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s os eventos iniciais que resultam nos desastres. A governan&ccedil;a envolve tanto a estrutura&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o dos setores de governo nos diferentes n&iacute;veis (minas e energia, meio ambiente, defesa civil e sa&uacute;de, para citar alguns), como tamb&eacute;m a transpar&ecirc;ncia dos mesmos e a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade. O que vimos nesse desastre foi n&atilde;o s&oacute; uma fragmenta&ccedil;&atilde;o dessas pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es, como um conjunto de anormalidades transformadas em normalidades que permitiram e permitem que a barragem de minera&ccedil;&atilde;o onde se deu o maior desastre desse tipo no mundo, nos &uacute;ltimos 50 anos, fosse classificada como de baixo risco, como tantas outras centenas de barragens, conforme exemplificado no <a href="#fig1">Mapa 1</a>. Anormalidades t&atilde;o normalizadas que tornaram aceit&aacute;vel a aus&ecirc;ncia de um requisito b&aacute;sico, como um plano de emerg&ecirc;ncia e de um sistema de alerta e alarme envolvendo defesa civil e sistema de sa&uacute;de, com a participa&ccedil;&atilde;o das comunidades locais (18). Planos de emerg&ecirc;ncia no papel, quando n&atilde;o exercitados e atualizados pelos atores diretamente envolvidos e potencialmente afetados, n&atilde;o s&atilde;o nada mais do que planos que, no m&aacute;ximo, cumprem requisitos burocr&aacute;ticos para os &oacute;rg&atilde;os de governo, mas que n&atilde;o cumprem, em nada, sua fun&ccedil;&atilde;o de proteger e salvar vidas, assim como n&atilde;o evitam os danos e a destrui&ccedil;&atilde;o ambiental.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. ANA, Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas. Encarte Especial Sobre a Bacia do Rio Doce-Rompimento da Barragem em Mariana MG. (Superintend&ecirc;ncia de Planejamento de Recursos H&iacute;dricos - SPR/Minist&eacute;rio de Meio Ambiente, Bras&iacute;lia DF, 2016)</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Funtowicz, S.; De Marchi, B.. "Ciencia posnormal, complejidad reflexiva y sustentabilidad", In: Enrique Leff. <i>La complejidad ambiental</i>. Cidade do M&eacute;xico: PNUMA e Siglo Veintiuno, 54 -84, 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Rico, M.; Benito, G.; Salgueiro, A.R.; D'iez-Herrero A.; Pereira, H.G.. "Reported tailings dam failures. A review of the european incidents in the worldwide contexto". <i>Journal of Hazardous Materials</i>, vol.152, pp.846-852, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Cexbarra. Relat&oacute;rio Preliminar. (Comiss&atilde;o Externa do Rompimento de Barragem na R=regi&atilde;o de Mariana MG/C&acirc;mara dos Deputados Federal, Bras&iacute;lia DF, 2015)</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Kawaguti, L.. "Um tremor de terra pode ter destru&iacute;do as barragens em Mariana?" BBC Brasil, 06/11/2015. Dispon&iacute;vel online.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Bertoni E.. "Engenheiro que projetou barragem diz que alertou Samarco sobre risco". <i>Folha de S. Paulo</i>, 16/01/2016. Dispon&iacute;vel online.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Parreiras M.. "Samarco acelerou deposi&ccedil;&atilde;o de rejeitos na barragem de Fund&atilde;o". EM Not&iacute;cias, 04/12/2015. Dispon&iacute;vel online.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. DNPM. Cadastro Nacional das Barragens da Minera&ccedil;&atilde;o (Departamento Nacional de Produ&ccedil;&atilde;o Mineral) Minist&eacute;rio de Minas e Energia. 2016. <a href="http://www.dnpm.gov.br/assuntos/barragens/arquivos-barragens/BARRAGENS_PNSB_04_2014.pdf/view" target="_blank">http://www.dnpm.gov.br/assuntos/barragens/arquivos-barragens/BARRAGENS_PNSB_04_2014.pdf/view</a>.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. For&ccedil;a-tarefa, Avalia&ccedil;&atilde;o dos efeitos e desdobramentos do rompimento da barragem de Fund&atilde;o em Mariana-MG. (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Pol&iacute;tica Urbana e Gest&atilde;o Metropolitana-Governo de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016)</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Embrapa, Avalia&ccedil;&atilde;o dos impactos causados ao solo pelo rompimento de barragem de rejeito de minera&ccedil;&atilde;o em Mariana, MG: Apoio ao plano de recupera&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria, 2015)</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Matos R.. "A trag&eacute;dia do rio Doce a lama, o povo e a &aacute;gua". Universidade Federal de Minas Gerais; Universidade Federal de Juiz de Fora. Belo Horizonte, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Ibama, Laudo T&eacute;cnico Preliminar: Impactos ambientais decorrentes do desastre envolvendo o rompimento da barragem de Fund&atilde;o, em Mariana, Minas Gerais. Minist&eacute;rio do Meio Ambiente, Bras&iacute;lia, Brasil, 2015)</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. ICM-BIO, Instituto Chico Mendes de Conserva&ccedil;&atilde;o da Biodiversidade- Of&iacute;cio nº 22/2016-GABIN/PRESI/ICMBio (Minist&eacute;rio do Meio Ambiente, Bras&iacute;lia, 2016) <a href="http://www.mpf.mp.br/es/sala-de-imprensa/docs/doc-3_20160036149-1-ibama.pdf/view" target="_blank">http://www.mpf.mp.br/es/sala-de-imprensa/docs/doc-3_20160036149-1-ibama.pdf/view</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Como noticiado pelo jornal <i>Folha de S.Paulo </i>e segundo a Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de Barra Longa, quase seis meses depois, a prolongada estiagem vinha resultando no aumento expressivo dos casos de insufici&ecirc;ncia respirat&oacute;ria, doen&ccedil;as de pele e diarreias. Marques, J. "Seis meses ap&oacute;s trag&eacute;dia, poeira de lama da Samarco invade cidade de MG". <i>Folha de S.Paulo</i>, 26/04/2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. (SMSM). O protocolo assistencial para abordagem ambulatorial e orienta&ccedil;&otilde;es sobre as a&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de &agrave;s v&iacute;timas do desastre ambiental decorrente do rompimento das barragens de rejeito da mineradora Samarco (Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de Mariana) Prefeitura de Mariana/MG., 2015a).    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. (SMSM). Plano Municipal de planejamento e gerenciamento de a&ccedil;&otilde;es de recupera&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de ap&oacute;s o rompimento da barragem de rejeitos da Samarco em Bento Rodrigues, Mariana –MG (Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de Mariana) Prefeitura de Mariana, (2015b)</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. MS. Informe especial Mariana/MG &#91;Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de - 13/11/2015 (2015)&#93;    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Porto, M. F.S.. "A trag&eacute;dia da minera&ccedil;&atilde;o e do desenvolvimento no Brasil: o desafio para a sa&uacute;de coletiva". <i>Cad. Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>, vol.32 (2), pp.1-3, 2016.    </font></p>      ]]></body><back>
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