<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252016000300011</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602016000300011</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desastre da Samarco/Vale/BHP no Vale do Rio Doce: aspectos econômicos , políticos e socio ambientais]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wanderley]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luiz Jardim]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mansur]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maíra Sertã]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
<xref ref-type="aff" rid="A04"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Milanez]]></surname>
<given-names><![CDATA[Bruno]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A04"/>
<xref ref-type="aff" rid="A05"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pinto]]></surname>
<given-names><![CDATA[Raquel Giffoni]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A04"/>
<xref ref-type="aff" rid="A06"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Estado do Rio de Janeiro Departamento de Geografia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,UFRJ Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A04">
<institution><![CDATA[,Grupo PoEMAS  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A05">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Juiz de Fora Departamento de Engenharia de Produção e Mecânica Mestrado em Geografia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A06">
<institution><![CDATA[,Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<volume>68</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>30</fpage>
<lpage>35</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252016000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252016000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252016000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   MARIANA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desastre da Samarco/Vale/BHP no Vale do Rio Doce: aspectos econ&ocirc;micos , pol&iacute;ticos e socio ambientais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Luiz Jardim Wanderley<sup>I</sup>; Ma&iacute;ra Sert&atilde; Mansur<sup>II</sup>; Bruno Milanez<sup>III</sup>; Raquel Giffoni Pinto<sup>IV</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professor do Departamento de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e integrante do Grupo Pol&iacute;tica, Economia, Minera&ccedil;&atilde;o, Ambiente e Sociedade (PoEMAS)    <br>   <sup>II</sup>Doutoranda do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sociologia e Antropologia (PPGSA/UFRJ) e integrante do Grupo PoEMAS    <br>   <sup>III</sup>Professor do Departamento de Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o e Mec&acirc;nica e do Mestrado em Geografia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), coordenador do Grupo PoEMAS    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>IV</sup>Professora do Instituto Federal de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia do Rio de Janeiro e integrante do Grupo PoEMAS</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente artigo sobre o desastre da Samarco/Vale/BHP Billinton tem como base as hip&oacute;teses, ind&iacute;cios e dados formulados e levantados no &acirc;mbito do relat&oacute;rio coletivo do grupo de pesquisa Pol&iacute;tica, Economia, Minera&ccedil;&atilde;o, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) (1). Pretendemos aqui elucidar alguns pontos que consideramos essenciais para compreender os processos e antecedentes econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos que culminaram com o rompimento da barragem de Fund&atilde;o em 5 de novembro de 2015, no munic&iacute;pio de Mariana (MG), e seus efeitos socioambientais na bacia do rio Doce.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O rompimento da barragem de Fund&atilde;o, em Mariana, caminha para se tornar um s&iacute;mbolo do fim do megaciclo das <i>commodities</i> e, em particular, da forma com que o Brasil se inseriu nele. O megaciclo pode ser associado ao per&iacute;odo entre 2003 e 2013, quando as importa&ccedil;&otilde;es globais de min&eacute;rios saltaram de US$38 bilh&otilde;es para US$277 bilh&otilde;es (um aumento de 630%). E, em particular, quando a tonelada do min&eacute;rio de ferro passou de US$32 (jan./2003) ao pico de US$196 (abr./2008) e, a partir de 2011, iniciou uma tend&ecirc;ncia de queda, chegando a US$53 (out./2015) (2).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, a crescente demanda por min&eacute;rios recaiu sobre poucos pa&iacute;ses e regi&otilde;es. Em 2013, apenas cinco pa&iacute;ses foram respons&aacute;veis por dois ter&ccedil;os das exporta&ccedil;&otilde;es globais de min&eacute;rios, tendo o Brasil ocupado o segundo lugar, respondendo por 14,3% das exporta&ccedil;&otilde;es de min&eacute;rio no mundo. Nesse per&iacute;odo, aprofundou-se a depend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica do Brasil com rela&ccedil;&atilde;o ao setor m&iacute;nero-exportador. A participa&ccedil;&atilde;o dos min&eacute;rios na exporta&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s passou de 5% para 14,5%, tendo o min&eacute;rio de ferro correspondido a 92,6% desse total (3).</font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Samarco pode ser identificada como um &iacute;cone desse modelo de inser&ccedil;&atilde;o global no megaciclo. O complexo mina-mineroduto-pelotizadora-porto da empresa tem como principal fun&ccedil;&atilde;o abastecer o mercado global com bens naturais semitransformados extra&iacute;dos do territ&oacute;rio nacional. Al&eacute;m disso, seu comportamento empresarial durante os &uacute;ltimos anos se enquadra perfeitamente no modelo que explica o car&aacute;ter estrutural do rompimento da barragem dentro da din&acirc;mica c&iacute;clica do setor mineral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo a hip&oacute;tese de Davies e Martin (4), h&aacute; um aumento da ocorr&ecirc;ncia dos rompimentos de barragens de rejeitos durante o processo recessivo dos ciclos de pre&ccedil;os dos min&eacute;rios. Para os autores, as causas para esse comportamento s&atilde;o v&aacute;rias, entre elas: a pressa para iniciar as opera&ccedil;&otilde;es no per&iacute;odo de pre&ccedil;os elevados, levando ao uso de tecnologias inapropriadas e &agrave; escolha de locais n&atilde;o adequados para a instala&ccedil;&atilde;o dos projetos; a press&atilde;o sobre as ag&ecirc;ncias ambientais pela celeridade no licenciamento, o que pode gerar avalia&ccedil;&otilde;es incompletas ou inadequadas dos reais riscos e impactos dos projetos; movimento setorial de expans&atilde;o, tamb&eacute;m durante o per&iacute;odo de alta, causando contrata&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de engenharia e consultoria a pre&ccedil;os mais elevados (aumentando o endividamento das firmas), contrata&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos menos experientes ou sobrecarga dos mais experientes (comprometendo a qualidade dos projetos ou a execu&ccedil;&atilde;o das obras); e a intensifica&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o por redu&ccedil;&atilde;o nos custos a partir do momento de retra&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O problema se torna ainda mais contundente ao considerarmos a an&aacute;lise de Bowker e Chambers (5). Ao avaliar rompimentos de barragens ocorridos entre 1910 e 2010, eles notam o crescimento da ocorr&ecirc;ncia de rompimentos graves e muito graves, identificando mais de 30 rompimentos ap&oacute;s a d&eacute;cada de 1990 no mundo. Os auto-res argumentam que tal tend&ecirc;ncia &eacute; um reflexo das tecnologias modernas de minera&ccedil;&atilde;o, que permitem a implanta&ccedil;&atilde;o de megaminas, constru&iacute;das para extrair min&eacute;rios a partir de reservas caracterizadas por concentra&ccedil;&otilde;es minerais cada vez menores. &Agrave; medida que a qualidade dos min&eacute;rios diminui, aumenta a quantidade de rejeitos e, consequentemente, o tamanho das barragens. Os autores preveem, ainda, para o per&iacute;odo 2010-2019, custos totais para a sociedade de US$6 bilh&otilde;es devido ao rompimento de grandes barragens, e alertam para a necessidade de mudan&ccedil;as nos sistemas regulat&oacute;rios para se adequar a essa proje&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ambas as hip&oacute;teses acima podem ser associadas ao processo de constru&ccedil;&atilde;o e rompimento da barragem de Fund&atilde;o e do comportamento da Samarco durante o megaciclo, como pretendemos demonstrar neste artigo. Assumindo suas plausibilidades, deve-se considerar que, se a volatilidade dos pre&ccedil;os &eacute; uma caracter&iacute;stica intr&iacute;nseca ao mercado de min&eacute;rios, assim tamb&eacute;m seria o rompimento das barragens. Dessa forma, os diversos epis&oacute;dios de rompimento das barragens de rejeitos, em particular os de elevada gravidade, n&atilde;o deveriam ser vistos como eventos fortuitos, mas como elementos inerentes &agrave; din&acirc;mica econ&ocirc;mica do setor mineral, internos aos processos capitalistas de acumula&ccedil;&atilde;o por espolia&ccedil;&atilde;o e de reprodu&ccedil;&atilde;o ampliada do capital.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>COMPORTAMENTO ECON&Ocirc;MICO DA SAMARCO DURANTE O MEGACICLO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Samarco Minera&ccedil;&atilde;o S.A. &eacute; uma sociedade de economia fechada, fundada em 1973 para promover o conjunto de opera&ccedil;&otilde;es que vai desde a extra&ccedil;&atilde;o mineral, passando pelo processamento secund&aacute;rio, at&eacute; o transporte transoce&acirc;nico de <i>pellet feed</i> e, principalmente, de pelotas de min&eacute;rio de ferro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Samarco se organiza como <i>joint venture </i>societ&aacute;ria - uma associa&ccedil;&atilde;o entre duas empresas independentes dotada de personalidade jur&iacute;dica. Desde 2000, ela &eacute; dividida igualitariamente entre Vale (50%) e BHP Billiton Brasil Ltda. (50%), a subsidi&aacute;ria brasileira do grupo anglo-australiano BHP Billiton. Entretanto, o formato organizacional espec&iacute;fico da Samarco assumiu para a anglo-australiano o car&aacute;ter de uma <i>non operated joint venture</i>, de maneira que a responsabilidade operacional recai sobre a Vale.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os arranjos de propriedade e controle de ambos os grupos apresentam estruturas acion&aacute;rias pulverizadas e financeirizadas, revelando uma rede ampla de responsabilidade sobre o desastre tecnol&oacute;gico da Samarco/Vale/BHP. A cadeia de controle operacional da Vale, que se estende &agrave; Valepar S.A. e &agrave; Litel Participa&ccedil;&otilde;es S.A., explicita esses elos de responsabilidade, abrangendo grupos financeiros nacionais (Bradesco), intermedi&aacute;rios comerciais internacionais (Mitsui), o Estado brasileiro (BNDESPar e Tesouro Nacional) e fundos de pens&atilde;o de trabalhadores (Previ, Petros e Funcef).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As opera&ccedil;&otilde;es da Samarco envolvem as atividades: de extra&ccedil;&atilde;o (em tr&ecirc;s cavas principais no complexo de Alegria, em Mariana); de beneficiamento prim&aacute;rio (envolvendo tr&ecirc;s usinas de concentra&ccedil;&atilde;o mineral); de log&iacute;stica dutovi&aacute;ria (com tr&ecirc;s minerodutos); de pelotiza&ccedil;&atilde;o (em quatro unidades localizadas no Esp&iacute;rito Santo); e de transporte transoce&acirc;nico (por meio do terminal de Uso Privativo de Ponta Ubu) de pelotas, principalmente, e finos de min&eacute;rio de ferro, direcionados a mercados da &Aacute;frica e Oriente M&eacute;dio (23,1%), &Aacute;sia - exceto China - (22,4%), Europa (21%), Am&eacute;ricas (17%) e China (16,5%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As estrat&eacute;gias de investimento e financiamento da Samarco, nos &uacute;ltimos anos, explicita bem a centralidade da dimens&atilde;o financeira e dos acionistas na configura&ccedil;&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es da empresa. A mudan&ccedil;a no macrocen&aacute;rio econ&ocirc;mico da minera&ccedil;&atilde;o de uma fase de <i>boom </i>para uma de p&oacute;s-<i>boom </i>das <i>commodities</i> induziu uma "aposta" por parte das principais empresas do setor na cria&ccedil;&atilde;o e amplia&ccedil;&atilde;o de economias de escala (6). Na Samarco, o Projeto Quarta Pelotiza&ccedil;&atilde;o (P4P), conclu&iacute;do em 2014, representou uma expans&atilde;o significativa da capacidade instalada da empresa (37%), assim como a redu&ccedil;&atilde;o de descontinuidades no processo de produ&ccedil;&atilde;o, diminuindo os custos operacionais relativamente &agrave;s demais empresas do setor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a amplia&ccedil;&atilde;o dos investimentos dependeu adicionalmente de pr&aacute;ticas de eleva&ccedil;&atilde;o da produtividade (do capital, do trabalho e do uso de recursos naturais), que implicam na press&atilde;o cont&iacute;nua sobre os trabalhadores pela amplia&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de produ&ccedil;&atilde;o e qualidade. &Eacute; importante notar, contudo, que a aposta em ganhos de escala foi decisiva na eleva&ccedil;&atilde;o expressiva do endividamento absoluto da Samarco a partir de 2009, alcan&ccedil;ando R$11,65 bilh&otilde;es, em 2014. A confronta&ccedil;&atilde;o entre o endividamento e a receita operacional da companhia aponta para uma press&atilde;o crescente pela eleva&ccedil;&atilde;o da produtividade como forma de manuten&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de remunera&ccedil;&atilde;o aos acionistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tr&ecirc;s elementos merecem maior &ecirc;nfase no que tange ao ganho de escala de produ&ccedil;&atilde;o para compreendermos os antecedentes do rompimento da barragem: 1) a amplia&ccedil;&atilde;o da escala operacional da empresa nos &uacute;ltimos anos condicionou e interagiu com os determinantes fisiogr&aacute;ficos da reserva, intensificando sua deple&ccedil;&atilde;o mineral quantitativa e qualitativa e, portanto, impulsionando a expans&atilde;o significativa da gera&ccedil;&atilde;o de est&eacute;ril e rejeitos de min&eacute;rio; 2) essa expans&atilde;o demandou, consequentemente, amplia&ccedil;&otilde;es correspondentes da capacidade de disposi&ccedil;&atilde;o de est&eacute;ril e, principalmente, rejeitos, determinando o aumento significativo do uso de recursos naturais (em especial da &aacute;gua, nos processos de beneficiamento prim&aacute;rio e disposi&ccedil;&atilde;o) e da escala dos riscos associados &agrave; op&ccedil;&atilde;o preferencial por barragens; 3) finalmente, esses elementos mant&ecirc;m uma orienta&ccedil;&atilde;o exclusivamente exportadora, definida em fun&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias privadas e p&uacute;blicas de acesso a recursos minerais, assim como do pr&oacute;prio Estado brasileiro na entrada de divisas e equil&iacute;brio da balan&ccedil;a comercial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, observou-se entre 2011 e 2014 uma eleva&ccedil;&atilde;o em 260% do n&uacute;mero de acidentes de trabalhos (7), indicando uma tend&ecirc;ncia de deteriora&ccedil;&atilde;o ampliada das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. Poss&iacute;veis explica&ccedil;&otilde;es para tal fato seriam a&ccedil;&otilde;es que visariam &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o de gastos operacionais, causando precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho e redu&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a das opera&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda, entre 2013 e 2014, a Samarco aumentou em 50% seu consumo de &aacute;gua - o que j&aacute; era apontado nos relat&oacute;rios da empresa na an&aacute;lise de suas opera&ccedil;&otilde;es de beneficiamento prim&aacute;rio e disposi&ccedil;&atilde;o de rejeitos - diminuindo os n&iacute;veis de efici&ecirc;ncia em sua utiliza&ccedil;&atilde;o nos processos de extra&ccedil;&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o e transporte (7). No mesmo per&iacute;odo, o munic&iacute;pio de Mariana viveu uma situa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de escassez h&iacute;drica, que culminou no estabelecimento e intensifica&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de rod&iacute;zio de abastecimento (8), o que demonstra um privil&eacute;gio ao uso industrial em detrimento do consumo humano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do ponto de vista do retorno financeiro aos acionistas da Samarco, Vale e BHP Billinton, as estrat&eacute;gias financeiras e gerenciais trouxeram resultados substancialmente positivos, possibilitando a manuten&ccedil;&atilde;o de altos lucros l&iacute;quidos, mesmo em um cen&aacute;rio recessivo, de retra&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os e recuo da demanda por min&eacute;rio de ferro e derivados. Desde 2011, a empresa manteve ganhos de lucratividade superiores a R$2,5 bilh&otilde;es, sendo o &uacute;ltimo registrado, em 2014, da ordem de R$2,81 bilh&otilde;es (9).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ROMPIMENTO DA BARRAGEM E OS PROBLEMAS INSTITUCIONAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; fundamental enquadrarmos a ruptura da barragem de Fund&atilde;o em uma trajet&oacute;ria de desastres de barragens em Minas Gerais e sua rela&ccedil;&atilde;o com procedimentos de licenciamento e monitoramento prec&aacute;rios, o que tamb&eacute;m vale para o restante do pa&iacute;s. Desde 1986 foram registrados, apenas no estado de Minas Gerais, sete casos de rompimento de barragens de rejeito (10). O monitoramento e controle da seguran&ccedil;a de barragens s&atilde;o de responsabilidade da Funda&ccedil;&atilde;o Estadual de Meio Ambiente (Feam), que os realizam em conjunto com o Departamento Nacional de Produ&ccedil;&atilde;o Mineral (DNPM). Anualmente, a Feam publica o "Invent&aacute;rio de barragens do estado de Minas Gerais", no qual essas estruturas s&atilde;o classificadas de acordo com seu tamanho e estabilidade. No invent&aacute;rio de 2014, a barragem de Fund&atilde;o foi considerada est&aacute;vel. Entretanto, o mesmo documento apontava 27 barragens cuja estabilidade n&atilde;o estava garantida (sendo sete consideradas de grande impacto social e ambiental), sendo duas n&atilde;o est&aacute;veis desde 2012 (11). O sistema de monitoramento apresenta limita&ccedil;&otilde;es estruturais, associadas &agrave; incapacidade e ina&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os estatais em garantir n&iacute;veis m&iacute;nimos de seguran&ccedil;a &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es e ecossistemas a jusante das barragens de rejeito em opera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A cat&aacute;strofe socioambiental causada &agrave; bacia do rio Doce explicita tamb&eacute;m, de maneira ampla, a inefic&aacute;cia dos estudos e relat&oacute;rios de impacto ambiental (EIA-Rimas) e dos processos de licenciamento ambiental em prognosticar e avaliar poss&iacute;veis efeitos de grande magnitude. An&aacute;lises deficientes e/ou pr&aacute;ticas profissionais anti&eacute;ticas na elabora&ccedil;&atilde;o dos estudos t&ecirc;m produzido a subestima&ccedil;&atilde;o dos impactos negativos e a superestima&ccedil;&atilde;o dos efeitos positivos de grandes empreendimentos sobre as sociedades e o meio ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O processo de licenciamento ambiental referente &agrave; barragem de Fund&atilde;o se iniciou em 2005, sendo a primeira licen&ccedil;a de opera&ccedil;&atilde;o do empreendimento concedida em 2008 - licen&ccedil;a que se encontrava em processo de renova&ccedil;&atilde;o no dia do rompimento. O EIA-Rima da barragem possui s&eacute;rios problemas t&eacute;cnicos, o que impossibilitou a previs&atilde;o da cat&aacute;strofe provocada pelo rompimento da barragem e agravou os impactos sobre as comunidades atingidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A op&ccedil;&atilde;o pelo vale do c&oacute;rrego Fund&atilde;o era a &uacute;nica das tr&ecirc;s alternativas locacionais que produzia impactos e efeitos cumulativos diretos sobre as barragens de Germano e Santar&eacute;m, podendo gerar um efeito domin&oacute; ainda mais catastr&oacute;fico no rompimento, al&eacute;m de ser tamb&eacute;m a &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o que drenava de maneira frontal em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; comunidade rural de Bento Rodrigues, em Mariana, ampliando ainda mais o potencial de risco socioambiental e de morte. A an&aacute;lise das justificativas locacionais apresentadas no EIA-Rima indicam que a escolha por essa op&ccedil;&atilde;o foi prioritariamente operacional, aproveitando-se do sistema de barragens de Germano-Santar&eacute;m em funcionamento e diminuindo os custos da obra e opera&ccedil;&atilde;o para a destina&ccedil;&atilde;o do rejeito. Ainda, a an&aacute;lise de risco do EIA-Rima classificou a possibilidade de rompimento da barragem no grau mais baixo, "improv&aacute;vel" (12), desconsiderando o hist&oacute;rico de repetidos rompimentos em Minas Gerais, no Brasil e no mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolha tecnol&oacute;gica, em nenhum momento o documento apresentou outra tecnologia alternativa para gest&atilde;o e tratamento de res&iacute;duos da minera&ccedil;&atilde;o, apesar de j&aacute; existirem outros m&eacute;todos de tratamento no mercado e at&eacute; mesmo possibilidades de reuso da lama. A disposi&ccedil;&atilde;o do rejeito em barragem &eacute; compreendida no estudo como uma t&eacute;cnica dada, como se n&atilde;o houvesse outras op&ccedil;&otilde;es para solucionar o problema dos rejeitos. Nesse sentido, nem mesmo a possibilidade de outros m&eacute;todos construtivos foi considerada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O rompimento de Fund&atilde;o tornou not&oacute;ria a neglig&ecirc;ncia pela Samarco, no que se refere &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o de um sistema de alarme sonoro e &agrave; disponibiliza&ccedil;&atilde;o de pessoas treinadas para assessorar a comunidade em casos de emerg&ecirc;ncia. Sem um plano de emerg&ecirc;ncia efetivo, a popula&ccedil;&atilde;o de Bento Rodrigues tomou conhecimento da necessidade de evacuar os im&oacute;veis e se organizou para deslocar-se em dire&ccedil;&atilde;o a um local seguro por conta pr&oacute;pria. A lama de rejeitos contaminou o rio Doce, fazendo com que diversos munic&iacute;pios interrompessem a capta&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua do rio, criando crises de abastecimento. Mesmo assim, a mineradora, sete dias ap&oacute;s o rompimento, n&atilde;o havia executado um plano de fornecimento de &aacute;gua pot&aacute;vel para os munic&iacute;pios afetados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As primeiras a&ccedil;&otilde;es da Samarco demonstram, al&eacute;m da aus&ecirc;ncia de um plano de emerg&ecirc;ncia estruturado, uma inoper&acirc;ncia acompanhada de um total desconhecimento ou compreens&atilde;o das poss&iacute;veis propor&ccedil;&otilde;es e magnitudes do rompimento de uma barragem daquele porte. O EIA-Rima que seria o documento respons&aacute;vel por projetar os cen&aacute;rios e eventuais efeitos de um evento extremo n&atilde;o o fez, deixando, portanto, lacunas fundamentais e perigosas, que, de algum modo, se reflete na inexist&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es emergenciais efetivas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DIMENS&Atilde;O DOS IMPACTOS DO ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE FUND&Atilde;O </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diferentemente do que estipulava o EIA-Rima, o impacto do rompimento de Fund&atilde;o n&atilde;o se restringiu &agrave;s &aacute;reas de influ&ecirc;ncia preestabelecidas tecnicamente (a &aacute;rea das barragens da empresa mais o povoado de Bento Rodrigues). A lama produziu destrui&ccedil;&atilde;o socioambiental por 663 km nos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce at&eacute; chegar na foz do &uacute;ltimo, onde adentrou 80 km<sup>2</sup> ao mar (<a href="/img/revistas/cic/v68n3/a11fig01.jpg">Mapa 1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Gesteira, a cidade de Barra Longa e outros cinco povoados no distrito de Camargo, em Mariana, foram arrasados pela lama, causando inclusive perdas humanas em Bento Rodrigues. Mortos e desaparecidos, trabalhadores da Samarco, em grande maioria subcontratados, e moradores de Bento Rodrigues, totalizaram 19 pessoas. Mais de 1.200 pessoas ficaram desabrigadas. Pelo menos 1.469 hectares de terras ficaram destru&iacute;dos, incluindo &aacute;reas de prote&ccedil;&atilde;o permanente (APPs) e unidades de conserva&ccedil;&atilde;o (UCs) - como o Parque Estadual do Rio Doce; o Parque Estadual Sete Sal&otilde;es; a Floresta Nacional Goytacazes; e o Corredor da Biodiversidade Sete Sal&otilde;es-Aymor&eacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Houve preju&iacute;zo a pescadores, ribeirinhos, agricultores, assentados da reforma agr&aacute;ria e popula&ccedil;&otilde;es tradicionais, como os ind&iacute;genas do povo Krenak, na zona rural, e aos moradores das cidades ao longo dos rios atingidos. Sete cidades mineiras e duas capixabas tiveram que interromper o abastecimento de &aacute;gua. Trinta e cinco munic&iacute;pios de Minas Gerais ficaram em situa&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia ou calamidade p&uacute;blica e quatro do Esp&iacute;rito Santo sofreram com os impactos do rompimento da barragem. Os efeitos da lama e da falta de &aacute;gua refletiram sobre resid&ecirc;ncias, e prejudicaram atividades econ&ocirc;micas, de gera&ccedil;&atilde;o de energia e industriais (13).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em uma primeira an&aacute;lise sobre a conduta da Samarco nos momentos que se seguiram ao rompimento, as medidas fundamentais e urgentes para a garantia dos direitos humanos dos atingidos, como, sistema de avisos sonoros e um plano de emerg&ecirc;ncia, estadia para os desabrigados e o fornecimento de &aacute;gua pot&aacute;vel s&atilde;o tr&ecirc;s exemplos da conduta violadora de direitos da empresa. Medidas s&oacute; foram tomadas ap&oacute;s solicita&ccedil;&atilde;o das equipes de resgate, press&atilde;o popular e intercess&atilde;o judicial, embora a empresa as tenha divulgado como a&ccedil;&otilde;es assistenciais e volunt&aacute;rias (veja o <a href="/img/revistas/cic/v68n3/a11fig01.jpg">Mapa 1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deve-se ressaltar que a lama liberada pelo rompimento da barragem de Fund&atilde;o provocou um rastro de destrui&ccedil;&atilde;o sobre territ&oacute;rios coletivos ocupados por popula&ccedil;&otilde;es rurais e ribeirinhas no vale do rio Doce e seus afluentes. As condi&ccedil;&otilde;es cotidianas de vida e trabalho dessas popula&ccedil;&otilde;es foram arruinadas comprometendo fontes locais de gera&ccedil;&atilde;o de renda e amea&ccedil;ando as condi&ccedil;&otilde;es materiais e imateriais de sobreviv&ecirc;ncia. H&aacute; ind&iacute;cios de que o desastre possa ser enquadrado ainda, na condi&ccedil;&atilde;o de racismo ambiental, tendo em vista que h&aacute; uma tend&ecirc;ncia de intensifica&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es de risco sobre comunidades predominantemente negras. Foram, sobretudo, estas comunidades negras rurais, com destaque para Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, as que sofreram perdas humanas e maior impacto material, simb&oacute;lico e psicol&oacute;gico com o rompimento (15).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a presen&ccedil;a de grupos &eacute;tnicos politicamente minorit&aacute;rios, economicamente vulner&aacute;veis e, por isso, com pequenas possibilidades de fazer ouvir suas demandas por direitos na esfera p&uacute;blica, pode ser compreendida enquanto elemento central na localiza&ccedil;&atilde;o das barragens de rejeitos, bem como em sua sobrecarga, a aus&ecirc;ncia de controle e de fiscaliza&ccedil;&atilde;o estatal, no descaso com a implanta&ccedil;&atilde;o de alertas sonoros e planos de emerg&ecirc;ncia e na forma como foi conduzido o atendimento &agrave;s v&iacute;timas. Essa correspond&ecirc;ncia pode ser explicada pelas injusti&ccedil;as e ind&iacute;cios de racismo ambiental presentes nos processos de flexibiliza&ccedil;&atilde;o do licenciamento ambiental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O rompimento da barragem de rejeitos tende a causar, ainda, uma s&eacute;rie de impactos socioambientais de curto, m&eacute;dio e longo prazos. O principal impacto imediato foi a total destrui&ccedil;&atilde;o de resid&ecirc;ncias, infraestrutura e ainda de &aacute;reas de pastagem, ro&ccedil;as e floresta. Al&eacute;m da perda de vidas humanas, houve tamb&eacute;m a morte de animais dom&eacute;sticos e silvestres. Uma parte consider&aacute;vel da calha do rio Doce foi assoreada, o que dever&aacute; aumentar os riscos de enchentes nos pr&oacute;ximos anos e mudar a din&acirc;mica de inunda&ccedil;&otilde;es nas cidades, com partes que antes n&atilde;o eram ocupadas pelas &aacute;guas durante as cheias passando a ser atingidas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diferentes estudos t&ecirc;m apresentado evid&ecirc;ncias variadas sobre a presen&ccedil;a de metais pesados no rio, tanto na &aacute;gua quanto nos sedimentos (estes misturados &agrave; &aacute;gua, depositados nas margens e plan&iacute;cies de inunda&ccedil;&atilde;o ou ainda no fundo do leito). Estudos anteriores j&aacute; mostravam a contamina&ccedil;&atilde;o do rio por metais, decorrente do beneficiamento mineral no alto rio Doce. A presen&ccedil;a desses materiais exigir&aacute; esfor&ccedil;os consider&aacute;veis na recupera&ccedil;&atilde;o ambiental e colocam em risco a sa&uacute;de das pessoas no longo prazo, com a possibilidade de um aumento consider&aacute;vel de doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas (16).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A lama de rejeito pode ter comprometido tamb&eacute;m a &aacute;gua dos rios e &aacute;reas de solos f&eacute;rteis por onde passou. Propriedades rurais, dependentes da cria&ccedil;&atilde;o de gado e dos rios pr&oacute;ximos foram diretamente afetadas. At&eacute; o momento de elabora&ccedil;&atilde;o deste artigo n&atilde;o havia laudos claros e definitivos referente &agrave; qualidade da &aacute;gua, &agrave; fertilidade dos solos e aos prov&aacute;veis riscos de contamina&ccedil;&atilde;o aos animais (aqu&aacute;ticos em particular) e aos humanos. Deste modo, a condi&ccedil;&atilde;o de vida dos agricultores, ribeirinhos, pescadores, ind&iacute;genas e popula&ccedil;&otilde;es urbanas que vivem ao longo de toda a extens&atilde;o afetada pela lama se encontra sob risco grave de comprometimento por tempo ainda indeterminado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A barragem de Fund&atilde;o entrou em opera&ccedil;&atilde;o em 2008, exatamente quando o pre&ccedil;o do min&eacute;rio de ferro alcan&ccedil;ava o seu &aacute;pice. Seu licenciamento ambiental foi realizado por institui&ccedil;&otilde;es que passam por intenso processo de precariza&ccedil;&atilde;o e interfer&ecirc;ncia pol&iacute;tica, sendo, mesmo assim, sua aprova&ccedil;&atilde;o vinculada a uma s&eacute;rie de condicionantes, nem sempre cumpridas de forma efetiva. Da mesma forma, a empresa passou por um processo de eleva&ccedil;&atilde;o consider&aacute;vel de endividamento, sem o correspondente aumento de receita, dentro de um contexto de crescente press&atilde;o de investidores pela manuten&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de rentabilidade (17). H&aacute; ind&iacute;cios, principalmente associados ao aumento significativo dos acidentes de trabalho e &agrave; n&atilde;o execu&ccedil;&atilde;o de planos de seguran&ccedil;a, de que tal press&atilde;o causou uma intensifica&ccedil;&atilde;o no processo produtivo e, possivelmente, neglig&ecirc;ncia com aspectos de seguran&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As opera&ccedil;&otilde;es de disposi&ccedil;&atilde;o de rejeitos na ind&uacute;stria extrativa mineral no Brasil, em geral, e na Samarco, em particular, constituem uma op&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e tecnol&oacute;gica determinada por incentivos de mercado, pr&aacute;ticas corporativas inadequadas e intensificadoras de riscos socioambientais e da ina&ccedil;&atilde;o estatal no que concerne &agrave; fiscaliza&ccedil;&atilde;o e controle. Em grande medida, a ind&uacute;stria de extra&ccedil;&atilde;o mineral no Brasil sofre de uma esp&eacute;cie de "depend&ecirc;ncia de barragens" que configura um horizonte de risco ampliado para popula&ccedil;&otilde;es e ecossistemas no entorno dessas estruturas de disposi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De um lado, prevalecem no setor pr&aacute;ticas corporativas orientadas &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de custos operacionais quanto &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de rejeitos, exemplificadas pela aus&ecirc;ncia e/ou defici&ecirc;ncia de projetos de engenharia, automatiza&ccedil;&atilde;o e/ou subcontrata&ccedil;&atilde;o de atividades de inspe&ccedil;&atilde;o etc. De outro, o refor&ccedil;o do marco regulat&oacute;rio de barragens no Brasil e em Minas Gerais n&atilde;o se faz acompanhar de responsabilidades definidas e capacidades tecno-operacionais ao n&iacute;vel dos sistemas de controle e fiscaliza&ccedil;&atilde;o de barragens, em especial no que se refere aos pap&eacute;is da Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas (ANA), do DNPM e dos &oacute;rg&atilde;os ambientais estaduais e federais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De maneira geral, a (in)a&ccedil;&atilde;o do Estado, no que diz respeito a um entendimento amplo e democr&aacute;tico da matriz de disposi&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o de rejeitos de minera&ccedil;&atilde;o no Brasil, provoca uma armadilha de eleva&ccedil;&atilde;o exponencial dos riscos para os grupos sociais, econ&ocirc;mica e politicamente vulner&aacute;veis. De modo fundamental, tecnologias de disposi&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos voltadas &agrave; expans&atilde;o de densidade e redu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do l&iacute;quido (elemento crucial na defini&ccedil;&atilde;o de riscos socioambientais em barragens) se encontram plenamente difundidas e devem ser o objeto central de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica ambiental e socialmente referenciada de disposi&ccedil;&atilde;o de rejeitos de minera&ccedil;&atilde;o, implicando inclusive em restri&ccedil;&otilde;es limitadas a processos tecnol&oacute;gicos (barragens de rejeito, em especial) e suas escalas operacionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Luiz Jardim Wanderley &eacute; professor do Departamento de Geografia da Universidade do  Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e integrante do Grupo Pol&iacute;tica, Economia, Minera&ccedil;&atilde;o,  Ambiente e Sociedade (PoEMAS). Ma&iacute;ra Sert&atilde; Mansur &eacute; doutoranda do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sociologia e  Antropologia (PPGSA/UFRJ) e integrante do Grupo PoEMAS.  Bruno Milanez &eacute; professor do Departamento de Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o e Mec&acirc;nica e  do Mestrado em Geografia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), coordenador  do Grupo PoEMAS. Raquel Giffoni Pinto &eacute; professora do Instituto Federal de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia  do Rio de Janeiro e integrante do Grupo PoEMAS. </i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. PoEMAS. <i>Antes fosse mais leve a carga: avalia&ccedil;&atilde;o dos aspectos econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos e sociais do desastre da Samarco/Vale/BHP em Mariana (MG)</i>. Mimeo. 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. World Bank. <i>Commodity Markets</i>. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.worldbank.org/en/research/commodity-markets" target="_blank">http://www.worldbank.org/en/research/commodity-markets</a> &#91;Acesso em: 22/11/2015&#93;    .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. ITC. &ldquo;Trade Map: trade statistics for international business development&rdquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.trademap.org/" target="_blank">http://www.trademap.org/</a> &#91;Acesso em: 22/11/2015&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Davies, M.; Martin, T.. &ldquo;Mining market cycles and tailings dam incidents&rdquo;. In: 13th International Conference on Tailings and Mine Waste, Banff, AB, 2009.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Bowker, L.; Chambers, D. &ldquo;The risk, public liability &amp; economics of tailings storage facility failures&rdquo;. Research Paper. Stonington, ME, 2015.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Santos, R. &ldquo;Minera&ccedil;&atilde;o e a conjuntura do p&oacute;s-boom das commodities&rdquo;. In: Audi&ecirc;ncia P&uacute;blica da Comiss&atilde;o Especial – PL 37/11 – Minera&ccedil;&atilde;o Bras&iacute;lia, 2015.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Samarco Minera&ccedil;&atilde;o, 2010, 2011, 2012, 2013a, 2014a, 2015d Apud PoEMAS op. Cit</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Prefeitura de Mariana. &ldquo;Estiagem afeta abastecimento de &aacute;gua&rdquo;. (27/08/2014) Dispon&iacute;vel online.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Samarco Minera&ccedil;&atilde;o, 2014d, 2015e Apud PoEMAS, op. cit.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Sobre rompimento de barragens em Minas Gerais ver: Faria, M. 2015; Ibama, 2009; Oliveira, N. 2015; Souza, S. 2008, apud PoEMAS op. cit.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Feam. Invent&aacute;rio de Barragem do Estado de Minas Gerais. Ano 2014. Belo Horizonte: FEAM. Funda&ccedil;&atilde;o Estadual do Meio Ambiente, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Brandt Meio Ambiente. <i>Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Barragem de Rejeito do Fund&atilde;o</i>. Nova Lima, 2005. p. 214.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Sobre o conjunto de danos provocados pelo rompimento da barragem de Fund&atilde;o, ver as seguintes not&iacute;cias, todas dispon&iacute;veis online: &ldquo;Barragem se rompe, e enxurrada de lama destr&oacute;i distrito de Mariana&rdquo;, <i>G1</i> (05/11/2015); &ldquo;Imagens da Nasa mostram caminho da lama at&eacute; foz do rio Doce&rdquo;. <i>O Globo</i>. (02/12/2015); Mota, T.. &ldquo;Rompimento de barragem deixa 35 cidades mineiras em situa&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia&rdquo;. <i>R7 Not&iacute;cias</i> (27/11/2015).</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Barcelos, E. (Cart&oacute;grafo). O rastro da destrui&ccedil;&atilde;o. O caminho da lama... na bacia do Rio Doce, elaborado em 2015.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Wanderley, L. J.. &ldquo;Ind&iacute;cios de racismo ambiental na trag&eacute;dia de Mariana&rdquo;, 2015. Relat&oacute;rio preliminar. Grupo PoEMAS. Dispon&iacute;vel no site: <a href="http://www.ufjf.br/poemas/" target="_blank">http://www.ufjf.br/poemas/</a></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Sobre as informa&ccedil;&otilde;es referentes &agrave; presen&ccedil;a de qu&iacute;micos no rio Doce ver: Bonella, M.. &ldquo;Lama de rompimento de barragens contamina &aacute;gua da regi&atilde;o&rdquo;. <i>Jornal Hoje</i>. (11/09/2015); Costa, A.; Nalini Jr., H.; Lena, J.; Mages, M.; Friese, K.. &ldquo;Surface water quality parameters in an iron mine region, Quadril&aacute;tero Ferr&iacute;fero, Minas Gerais, Brazil&rdquo;. <i>In</i>: International Mine Water Association (IMWA) Symposium, Belo Horizonte, 2001; Cunha, F.. <i>Resultados anal&iacute;ticos de metais em amostras de sedimentos de corrente</i> (18 nov 2015). Rio de Janeiro: Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais, 2015;    <!-- ref --> IGAM. <i>Monitoramento da qualidade das &aacute;guas superficiais do rio Doce no estado de Minas Gerais </i>(30/nov/2015). Belo Horizonte: Instituto Mineiro de Gest&atilde;o das &Aacute;guas, 2015;    <!-- ref --> Governador Valadares. <i>SAAE analisa regularmente &aacute;gua do Rio Doce</i>. Prefeitura de Governador Valadares. (11/13/2015), 2015.    <!-- ref --> Tommasi Anal&iacute;tica. Relat&oacute;rio anal&iacute;tico parcial 002-63866-96-01. Vila Velha: Tommasi Anal&iacute;tica, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Nieponice, G.; Vogt, T.; Koch, A.; Middleton, R.. <i>Value creation in mining 2015: beyond basic productivity</i>. Boston: BCG. The Boston Consulting Group, 2015.    </font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>PoEMAS</collab>
<source><![CDATA[Antes fosse mais leve a carga: avaliação dos aspectos econômicos, políticos e sociais do desastre da Samarco/Vale/BHP em Mariana (MG)]]></source>
<year>2015</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>World Bank</collab>
<source><![CDATA[Commodity Markets]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>ITC</collab>
<source><![CDATA[Trade Map: trade statistics for international business development”]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Davies]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Martin]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Mining market cycles and tailings dam incidents]]></article-title>
<source><![CDATA[13th International Conference on Tailings and Mine Waste, Banff, AB]]></source>
<year>2009</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bowker]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Chambers]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The risk, public liability & economics of tailings storage facility failures]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[Stonington^eME ME]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mineração e a conjuntura do pós-boom das commodities]]></article-title>
<source><![CDATA[Audiência Pública da Comissão Especial - PL 37/11 - Mineração Brasília]]></source>
<year>2015</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>Prefeitura de Mariana</collab>
<source><![CDATA[Estiagem afeta abastecimento de água]]></source>
<year>27/0</year>
<month>8/</month>
<day>20</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Feam</collab>
<source><![CDATA[Inventário de Barragem do Estado de Minas Gerais: Ano 2014]]></source>
<year>2014</year>
<publisher-loc><![CDATA[Belo Horizonte ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[FEAM. Fundação Estadual do Meio Ambiente]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>Brandt Meio Ambiente</collab>
<source><![CDATA[Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Barragem de Rejeito do Fundão]]></source>
<year>2005</year>
<page-range>214</page-range><publisher-loc><![CDATA[Nova Lima ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Barragem se rompe, e enxurrada de lama destrói distrito de Mariana]]></article-title>
<source><![CDATA[G1]]></source>
<year>05/1</year>
<month>1/</month>
<day>20</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Imagens da Nasa mostram caminho da lama até foz do rio Doce]]></article-title>
<source><![CDATA[O Globo]]></source>
<year>02/1</year>
<month>2/</month>
<day>20</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mota]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Rompimento de barragem deixa 35 cidades mineiras em situação de emergência]]></article-title>
<source><![CDATA[R7 Notícias]]></source>
<year>27/1</year>
<month>1/</month>
<day>20</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barcelos]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O rastro da destruição. O caminho da lama... na bacia do Rio Doce]]></source>
<year>2015</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wanderley]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Indícios de racismo ambiental na tragédia de Mariana]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-name><![CDATA[Grupo PoEMAS]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bonella]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Lama de rompimento de barragens contamina água da região]]></article-title>
<source><![CDATA[Jornal Hoje]]></source>
<year>11/0</year>
<month>9/</month>
<day>20</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Costa]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nalini Jr.]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lena]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mages]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Friese]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Surface water quality parameters in an iron mine region, Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais, Brazil]]></article-title>
<source><![CDATA[International Mine Water Association (IMWA) Symposium]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Belo Horizonte ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cunha]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Resultados analíticos de metais em amostras de sedimentos de corrente (18 nov 2015)]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>IGAM</collab>
<source><![CDATA[Monitoramento da qualidade das águas superficiais do rio Doce no estado de Minas Gerais (30/nov/2015)]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[Belo Horizonte ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto Mineiro de Gestão das Águas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Governador Valadares</collab>
<source><![CDATA[SAAE analisa regularmente água do Rio Doce]]></source>
<year>11/1</year>
<month>3/</month>
<day>20</day>
<publisher-name><![CDATA[Prefeitura de Governador Valadares]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Tommasi Analítica</collab>
<source><![CDATA[Relatório analítico parcial 002-63866-96-01]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[Vila Velha ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Tommasi Analítica]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nieponice]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Vogt]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Koch]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Middleton]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Value creation in mining 2015: beyond basic productivity]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[Boston ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[BCG. The Boston Consulting Group]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
