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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> CULTURA DIGITAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O fen&ocirc;meno dos memes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ton Torres </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No contexto da internet, meme &eacute; uma mensagem quase sempre de tom jocoso ou ir&ocirc;nico que pode ou n&atilde;o ser acompanhada por uma imagem ou v&iacute;deo e que &eacute; intensamente compartilhada por usu&aacute;rios nas m&iacute;dias sociais. O termo foi cunhado pelo zo&oacute;logo Richard Dawkins em sua obra <i>O gene ego&iacute;sta</i>, de 1976, para fazer uma compara&ccedil;&atilde;o com o conceito de gene. Assim, para Dawkins, meme seria "uma unidade de transmiss&atilde;o cultural, ou de imita&ccedil;&atilde;o", ou seja, tudo aquilo que se transmite atrav&eacute;s da repeti&ccedil;&atilde;o, como h&aacute;bitos e costumes dentro de uma determinada cultura. Adaptado para a internet, especialmente para as redes sociais, o conceito de meme passa a ser uma "unidade" propagada ou transmitida atrav&eacute;s da repeti&ccedil;&atilde;o e imita&ccedil;&atilde;o, de usu&aacute;rio para usu&aacute;rio ou de grupo para grupo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa associa&ccedil;&atilde;o, que resultou no conceito contempor&acirc;neo de meme, nasceu no final da d&eacute;cada de 1990, quando um dos criadores da p&aacute;gina <i>del.icio.us</i>(um site agregador de <i>links</i>) criou a p&aacute;gina <i>Memepool </i>("piscina de memes", em tradu&ccedil;&atilde;o livre), que compilava <i>links</i> e outros conte&uacute;dos compartilhados pelos usu&aacute;rios na web. No final dos anos 2000, Jonah Peretti, um dos fundadores do portal Huffington Post, gerenciava com alguns amigos a p&aacute;gina <i>Contagious Media</i> (algo como m&iacute;dia contagiante), onde realizava "experimentos" com conte&uacute;dos publicados na web. Essas iniciativas culminaram em um "festival de virais", onde a maioria dos participantes se baseava no conceito de Dawkins para remeter a algo que se propagava pela rede.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONTE&Uacute;DO VIRAL </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para a pesquisadora em comunica&ccedil;&atilde;o digital e professora da Faculdade C&aacute;sper L&iacute;bero, Jana&iacute;ra Fran&ccedil;a, os memes s&atilde;o mais antigos que a pr&oacute;pria cultura digital, mas encontraram nela solo f&eacute;rtil para se expandir devido &agrave; capacidade de propaga&ccedil;&atilde;o. "A facilidade com que esses canais permitem que uma dada informa&ccedil;&atilde;o seja repassada adiante &eacute; a for&ccedil;a motriz da linguagem dos memes", comenta. A propaga&ccedil;&atilde;o se d&aacute;, segundo Fran&ccedil;a, por uma s&eacute;rie de fatores inerentes ao meio digital. "Os memes s&atilde;o apropria&ccedil;&otilde;es tem&aacute;ticas que v&atilde;o desde o humor sobre amenidades at&eacute; assuntos como pol&iacute;tica e economia, e que t&ecirc;m, na maioria das vezes, mensagens de compreens&atilde;o f&aacute;cil e r&aacute;pida. Some a isso a facilidade de publica&ccedil;&atilde;o e o compartilhamento, sobretudo pelas redes sociais, e teremos a viraliza&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do", complementa a professora.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n3/a18fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n3/a18fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m emprestado da biologia, o termo viraliza&ccedil;&atilde;o remete a algo que se espalha de maneira contagiosa, infectando e se disseminando na internet. Essa talvez seja uma das caracter&iacute;sticas mais marcantes do fen&ocirc;meno meme na cultura digital, mas n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica. Assim como na concep&ccedil;&atilde;o original de Richard Dawkins, um meme precisa evoluir para conseguir se propagar na rede, j&aacute; que n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil conquistar a aten&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios nesse emaranhado de <i>likes, shares </i>e <i>selfies</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo a professora e jornalista especializada em marketing, Silvia Ferreira, da Universidade Bilac, em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos (SP), na cultura digital os memes devem se adaptar aos mais diferentes contextos para fisgar a aten&ccedil;&atilde;o das pessoas. "Um meme pode ser tudo, menos est&aacute;tico. Se n&atilde;o inovar na mensagem ou na forma, estar&aacute; fadado ao esquecimento", diz. Ferreira lembra que at&eacute; em ambientes corporativos podemos ver essa adapta&ccedil;&atilde;o. "Muitas empresas e institui&ccedil;&otilde;es j&aacute; possuem departamentos de comunica&ccedil;&atilde;o que se encarregam de produzir memes. Se n&atilde;o entregarem algo novo, adaptado ao p&uacute;blico, o meme pode ser subtra&iacute;do da rede e sua evolu&ccedil;&atilde;o cessar&aacute;", enfatiza. O processo adaptativo do meme leva em considera&ccedil;&atilde;o, segundo Fran&ccedil;a, a pr&oacute;pria audi&ecirc;ncia para quem essa mensagem se dirige. "Eles s&atilde;o um tipo de linguagem que tenta expressar o que a audi&ecirc;ncia digital tem interesse em determinado momento. Deve ser l&uacute;dico, divertido", coloca.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>FORMAS H&Iacute;BRIDAS</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os memes podem ter como origem fontes diversas: discursos, falas, costumes, erros de arbitragem no futebol, furos jornal&iacute;sticos, fatos engra&ccedil;ados, personagens pol&iacute;ticos e at&eacute; not&iacute;cias de economia. Tudo que pode gerar interesse em uma dada rede de usu&aacute;rios pode ser fonte para cria&ccedil;&atilde;o de um meme. Os formatos tamb&eacute;m variam, desde imagens simples, montagens propositalmente grotescas, quadrinhos e tirinhas. A reutiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma caracter&iacute;stica marcante de um meme, pois nem sempre regras, como direitos autorais, s&atilde;o respeitadas. Na verdade, a apropria&ccedil;&atilde;o "indevida" e a releitura de uma imagem de um filme, um logotipo de uma empresa, uma fotografia etc. &eacute; parte fundamental da constru&ccedil;&atilde;o de um meme. Para Jana&iacute;ra Fran&ccedil;a, memes s&atilde;o c&oacute;digos de uma linguagem importante da cultura digital e parte intr&iacute;nseca desse ambiente. "Tentar barrar um meme ou desconstru&iacute;-lo por julg&aacute;-lo inadequado, por exemplo por usar uma imagem sem autoriza&ccedil;&atilde;o, pode dar mais for&ccedil;a a ele", comenta. O processo evolutivo e a capacidade de assumir os mais variados formatos &eacute; o que tornam o meme algo t&atilde;o &uacute;nico, pr&oacute;prio do ambiente digital, um cen&aacute;rio igualmente em constante mudan&ccedil;a.</font></p>      ]]></body>
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