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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Rock para balan&ccedil;ar o ensino da f&iacute;sica e da astronomia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Germana Barata </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n3/a19fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pink Floyd, Led Zeppelin, Queen, Black Sabbath e David Bowie n&atilde;o s&atilde;o comuns no repert&oacute;rio musical das novas gera&ccedil;&otilde;es, mas ainda fascinam aqueles que cresceram com esses artistas subversivos que questionaram da Guerra Fria at&eacute; a chegada do homem &agrave; Lua e contestavam os valores conservadores da sociedade, sobretudo no final dos anos 1960. Mas, se a quest&atilde;o for o ensino da f&iacute;sica e da astronomia, Emerson Ferreira Gomes, doutor em educa&ccedil;&atilde;o pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), aposta que o mais puro rock'n roll &eacute; capaz de inspirar o debate em sala de aula e ainda enriquecer a cultura musical.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tese de Gomes, defendida em abril deste ano, analisa nove can&ccedil;&otilde;es de rock, dentre as quais duas brasileiras: "Viagens espaciais, comunica&ccedil;&otilde;es e observa&ccedil;&atilde;o do c&eacute;u", de Os Mutantes, e "&Oacute;rbita dos planetas, imagem da ci&ecirc;ncia", dos Novos Baianos. As m&uacute;sicas foram trabalhadas com alunos de gradua&ccedil;&atilde;o e do ensino m&eacute;dio e com professores da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, de modo a contemplar diferentes n&iacute;veis da educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar da maioria das letras ser em ingl&ecirc;s, Gomes e seus monitores trabalhavam com as can&ccedil;&otilde;es traduzidas, fornecendo seus contextos hist&oacute;ricos, seguidos de um debate em grupo sobre a letra, melodia e harmonia. Ap&oacute;s os debates era elaborada uma s&iacute;ntese das discuss&otilde;es geradas e das conclus&otilde;es dos participantes. "O rock n&atilde;o &eacute; unanimidade entre os jovens. No entanto, percebi que mesmo os estudantes que n&atilde;o tinham esse estilo musical como favorito, sentiam um certo estranhamento das atividades e acabavam se envolvendo e engajando", conta o autor da pesquisa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n3/a19fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&Uacute;SICA PARA O ESPA&Ccedil;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gomes atua no grupo R.I.T.A (Rock na Investiga&ccedil;&atilde;o da Tecnoci&ecirc;ncia para Adolescentes), voltado para estudantes da Escola de Artes e Ci&ecirc;ncias Humanas da USP e para alunos dos &uacute;ltimos dois anos do ensino fundamental II. Ele percebeu cedo que a ci&ecirc;ncia serviu de inspira&ccedil;&atilde;o para muitos artistas do rock. "Lembro que a primeira refer&ecirc;ncia que tive &agrave; invari&acirc;ncia da velocidade da luz, foi numa m&uacute;sica da banda brit&acirc;nica de rock progressivo Van der Graaf Generator, na can&ccedil;&atilde;o 'Pioneers over c', cuja letra <i>c</i>, utilizamos para representar a velocidade da luz. Outros grupos como Genesis, Pink Floyd e Yes apresentariam can&ccedil;&otilde;es com letras sobre o espa&ccedil;o sideral. Mas esse tema n&atilde;o aparecia apenas nas letras, diversos artistas ainda utilizariam a tem&aacute;tica cient&iacute;fica nas capas dos discos e na sonoridade que emulava o espa&ccedil;o sideral. Isso, aliado ao meu interesse em fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, foram fundamentais para que escolhesse o curso de f&iacute;sica". A explora&ccedil;&atilde;o espacial &eacute; tamb&eacute;m bastante presente desde a primeira inf&acirc;ncia, quando foguetes, astronautas e planetas iniciam a ocupa&ccedil;&atilde;o de nosso imagin&aacute;rio e, portanto, essa conex&atilde;o afetiva entre f&iacute;sica e rock se torna importante no ensino da f&iacute;sica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa teve como base tr&ecirc;s pensadores que guiaram a an&aacute;lise: o psic&oacute;logo russo Lev Vigotski que aponta a media&ccedil;&atilde;o como primordial no processo de aprendizado, o pedagogo franc&ecirc;s George Snyders, que via a escola como espa&ccedil;o de liberdade, transforma&ccedil;&atilde;o e satisfa&ccedil;&atilde;o; e o pedagogo brasileiro Paulo Freire que defendia o di&aacute;logo entre educador e educando para promover uma educa&ccedil;&atilde;o libertadora. Contribui&ccedil;&otilde;es com as quais a educa&ccedil;&atilde;o tradicional deveria ter bastante familiaridade, mas que se afastaram das salas de aula ao longo dos anos, sobretudo com curr&iacute;culos escolares cada vez mais densos e com a desvaloriza&ccedil;&atilde;o da carreira pedag&oacute;gica, fatos que limitaram a atua&ccedil;&atilde;o criativa do professor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A experi&ecirc;ncia do rock com os estudantes e professores, proposta por Gomes, foi palco de debates sobre a explora&ccedil;&atilde;o espacial, o papel da mulher na ci&ecirc;ncia, al&eacute;m de conceitos da f&iacute;sica e da astronomia. Dentre eles a dilata&ccedil;&atilde;o do tempo, parte da Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, e que aparece na can&ccedil;&atilde;o "39", do Queen; fen&ocirc;menos eletromagn&eacute;ticos em "Iron man", do Black Sabbath; os conceitos de espa&ccedil;o e viagem no tempo na m&uacute;sica "Kashmir", de Led Zeppelin, e o cl&aacute;ssico "Space oddity", de David Bowie, que apresenta quest&otilde;es que "v&atilde;o al&eacute;m dos conceitos", tocando na quest&atilde;o da fragilidade do trabalho do astronauta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CI&Ecirc;NCIA DO ROCK</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O uso do rock para o ensino de ci&ecirc;ncias se faz especialmente relevante pois sua cria&ccedil;&atilde;o est&aacute; intimamente relacionada ao desenvolvimento de ci&ecirc;ncia e tecnologia. O uso da guitarra, que se confunde com esse estilo musical, depende de eletricidade para produzir a distor&ccedil;&atilde;o do som, reflexo das profundas transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial. "Essa rela&ccedil;&atilde;o do rock com a ci&ecirc;ncia e tecnologia se consolida n&atilde;o apenas pela tem&aacute;tica em algumas das letras ou nome dos conjuntos, mas tamb&eacute;m pela pr&oacute;pria manifesta&ccedil;&atilde;o de sua musicalidade, seja nas suas condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o ou na forma de tocar, uma vez que a eletricidade &eacute; fundamental em sua execu&ccedil;&atilde;o", afirma Gomes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n3/a19fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O rock nasceu nos Estados Unidos ainda nos anos 1940, mas o primeiro grande sucesso s&oacute; veio em 1952, com a can&ccedil;&atilde;o "Rocket 88", de Ike Turner. O t&iacute;tulo se referia ao cl&aacute;ssico carro V8 Oldsmobile 88, conhecido como o mais veloz dos Estados Unidos. Depois ele se popularizou com guitarristas ex&iacute;mios como Chuck Berry, Bo Diddley e Buddy Holly, Erick Clapton, Jimi Hendrix e Jimmy Page.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Emerson Gomes pretende transformar o trabalho de pesquisa em livro para que as experi&ecirc;ncias de uso do rock no ensino de ci&ecirc;ncias possam chegar at&eacute; os professores. "Acredito que o uso da can&ccedil;&atilde;o pode ser, inclusive, associado ao uso de outros produtos culturais como filmes, document&aacute;rios e experimentos l&uacute;dicos, tanto nos processos formais de ensino quanto em projetos de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica como feira de ci&ecirc;ncias, museus, entre outros", conclui.</font></p>     ]]></body>
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