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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> ARTES PL&Aacute;STICAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>80 anos do Grupo Santa Helena</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Mariuzzo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alfredo Volpi, Rebolo Gonsales e M&aacute;rio Zanini eram decoradores, pintavam frisos e flor&otilde;es em casas, Fulvio Penacchi trabalhou com publicidade e tinha um a&ccedil;ougue, Aldo Bonadei era pintor e bordador, Cl&oacute;vis Graciano pintava postes e tabuletas de avisos para a Estrada de Ferro Sorocabana, Manuel Martins era ourives, Humberto Rosa, professor de desenho e Alfredo Rizzotti exerceu as atividades de torneiro mec&acirc;nico, mec&acirc;nico de carros e fresador. Todos eles eram tamb&eacute;m pintores que formaram, mesmo sem essa inten&ccedil;&atilde;o, o Grupo Santa Helena, que este ano completa 80 anos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O nome surgiu porque todos se conheceram quando trabalhavam pr&oacute;ximos em salas transformadas em ateli&ecirc;s no palacete Santa Helena, edif&iacute;cio imponente no cora&ccedil;&atilde;o da cidade de S&atilde;o Paulo. De acordo com Enock Sacramento, curador de uma exposi&ccedil;&atilde;o em homenagem aos 80 anos do grupo, o Santa Helena surgiu espontaneamente, n&atilde;o realizou exposi&ccedil;&otilde;es exclusivas, n&atilde;o lan&ccedil;ou manifestos, como fizeram alguns anos antes os artistas da Semana de Arte Moderna. "A maioria dos santelenistas era de origem italiana. Volpi e Pennacchi eram imigrantes; Bonadei, Graciano, Rizzotti, Rosa e Zanini, descendentes de italianos; Rebolo era filho de espanh&oacute;is e Manuel Martins, de portugueses. Eram, em sua maioria, praticamente autodidatas, no sentido de n&atilde;o terem frequentado academias de arte; apenas Bonadei, Pennacchi e Rizzotti fizeram cursos na It&aacute;lia e Graciano, por indica&ccedil;&atilde;o de Portinari, foi aluno informal do pintor Waldemar da Costa (1904-1982). Rebolo e Zanini eram frequentadores das sess&otilde;es de modelo vivo da Escola Paulista de Belas-Artes", descreve Sacramento no cat&aacute;logo na mostra "Grupo Santa Helena - 80 anos", organizada pela Pro Arte Galeria, em S&atilde;o Paulo. "Como n&atilde;o conseguiam viver do produto do trabalho como artistas pl&aacute;sticos, eles se dividiam entre a arte e outros of&iacute;cios", complementa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n3/a20fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTISTAS OPER&Aacute;RIOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo um dos mais importantes estudiosos do grupo, o professor do Departamento de Artes Pl&aacute;sticas da Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade de S&atilde;o Paulo (ECA/USP), Walter Zanini (1925-2013), a origem oper&aacute;ria e a ascend&ecirc;ncia imigrante s&atilde;o fundamentais para explicar a obra que produzem. "O que evidenciam &eacute; uma imagin&aacute;ria onde o proletarismo est&aacute; embutido naturalmente. Na sua evolu&ccedil;&atilde;o, recebem influ&ecirc;ncias v&aacute;rias, sobretudo da pintura italiana, que lhes &eacute; em geral naturalmente familiar, e francesa", afirma Zanini em artigo de 1995.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Santa Helena surge em um cen&aacute;rio de transforma&ccedil;&atilde;o da cidade de S&atilde;o Paulo que, nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, vive intenso processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; tamb&eacute;m na capital paulista que nasce um dos mais importantes eventos art&iacute;sticos do pa&iacute;s, a Semana de Arte Moderna de 1922. "O Grupo Santa Helena vem de uma origem diferente dos modernistas, tanto em termos de forma&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, como em rela&ccedil;&atilde;o ao seu lugar na sociedade. Eles eram formados em uma tradi&ccedil;&atilde;o ligada &agrave;s artes decorativas e, por isso mesmo, pelo preconceito que esse g&ecirc;nero sofria no Brasil, s&oacute; ganharam notoriedade de fato quando foram destacados nos textos de cr&iacute;ticos importantes, como Mario de Andrade e Sergio Milliet", acredita Patr&iacute;cia Freitas, pesquisadora de hist&oacute;ria da arte do Instituto de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Enquanto os chamados modernistas pintavam figuras e elementos da natureza brasileira, os santelenistas registravam as paisagens urbanas e os sub&uacute;rbios paulistanos, um pouco &agrave; moda do que fizeram os pintores modernos franceses na virada do s&eacute;culo XIX e XX", diz.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora seja poss&iacute;vel identificar caracter&iacute;sticas &uacute;nicas em cada artista do grupo, os temas fabris e o mundo trabalho - como casebres oper&aacute;rios, esta&ccedil;&otilde;es de trens, f&aacute;bricas -, e tamb&eacute;m a paisagem da periferia, multid&otilde;es urbanas, assim como lavadeiras junto ao rio ou crian&ccedil;as que brincam nas ruas s&atilde;o frequentes na arte santelenista. Eles captam essas cenas no centro da cidade e tamb&eacute;m em bairros como Canind&eacute;, Cambuci, Ipiranga e Casa Verde, mostrando uma cidade transformada pelas f&aacute;bricas, "cen&aacute;rios de uma exist&ecirc;ncia humilde prestes a desaparecer com a expans&atilde;o urbana", conforme escreve Zanini.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v68n3/a20fig02.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v68n3/a20fig02thumb.jpg">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v68n3/a20fig03.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v68n3/a20fig03thumb.jpg">    <br>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>HIST&Oacute;RIA URBANA</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Freitas, em S&atilde;o Paulo, ao contr&aacute;rio do que aconteceu em outras cidades que se urbanizaram no final do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do XX, os artistas consagrados como modernos demonstraram um interesse quase nulo pelas mudan&ccedil;as no perfil urbano. &ldquo;Pelo contr&aacute;rio, o manifesto mais contundente do modernismo paulista clamou pela volta &agrave;s origens e pelo resgate de um Brasil imaculado pelo estrangeiro, entendido aqui tamb&eacute;m como imigrante. Imigrante este que foi, em grande parte, o agente principal da pr&oacute;pria urbaniza&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo&rdquo;, explica. Neste contexto, ainda segundo essa pesquisadora, o que o Grupo Santa Helena fez, foi registrar de maneira muito particular, uma transforma&ccedil;&atilde;o na identidade de S&atilde;o Paulo e em suas paisagens. Um registro que nos permite notar, por exemplo, como se espalhavam as f&aacute;bricas e casas pelos sub&uacute;rbios da cidade e como a pr&oacute;pria malha urbana foi crescendo a partir do centro, at&eacute; encontrar esses espa&ccedil;os e, por fim, absorv&ecirc;-los. &ldquo;Sem este registro, que &eacute;, este sim, moderno, no sentido mais amplo da palavra, dificilmente ter&iacute;amos pistas de como era a cidade naquele per&iacute;odo pela vis&atilde;o dos artistas&rdquo;, conclui.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PALACETE SANTA HELENA</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De arquitetura ecl&eacute;tica, o Santa Helena foi projetado pelo arquiteto italiano Giacomo Corberi. Continha 10 andares e 38 metros de altura, era um dos pr&eacute;dios mais altos do centro de S&atilde;o Paulo na &eacute;poca em foi constru&iacute;do e considerado um dos mais luxuosos. De acordo com Freitas, o cen&aacute;rio do centro paulistano passava por uma verticaliza&ccedil;&atilde;o, deixando para tr&aacute;s os vest&iacute;gios do passado colonial e buscando transfigurar-se em um centro moderno, urbano, de acordo com o crescimento econ&ocirc;mico e com as mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas e sociais pelas quais S&atilde;o Paulo passava. Durante seus anos &aacute;ureos, entre as d&eacute;cadas de 1920 e 1940, o Santa Helena foi frequentado por artistas, intelectuais e pol&iacute;ticos. No entanto, ap&oacute;s abrigar o grupo de artistas que, com seus pinc&eacute;is, contou parte da hist&oacute;ria da urbaniza&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo, o palacete Santa Helena tamb&eacute;m foi engolido pelo crescimento da cidade. No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1970, o edif&iacute;cio foi demolido para constru&ccedil;&atilde;o do metr&ocirc; na Pra&ccedil;a da S&eacute;.</font></p>      ]]></body>
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