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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> LIXO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o - lixo:  uma ressignifica&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Leonor Assad</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora de agronomia no Departamento de Recursos Naturais e Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental, do Centro de Ci&ecirc;ncias Agr&aacute;rias (CCA), Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar), com p&oacute;s-doutorado realizado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e especializa&ccedil;&atilde;o em jornalismo cient&iacute;fico no LabJor/Unicamp. Email: <a href="mailto:assad@cca.ufscar.br">assad@cca.ufscar.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lixo &eacute; um produto da cultura humana. Palavra de origem controversa, segundo muitas fontes o termo vem do latim <i>lix</i>, que significa cinzas e est&aacute; vinculado &agrave;s cinzas dos fog&otilde;es (1). Antes das transforma&ccedil;&otilde;es provocadas pela Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, a maioria dos res&iacute;duos dom&eacute;sticos era composta por restos de alimentos e por cinzas do fog&atilde;o e da lareira. Enquanto o material org&acirc;nico era dado aos animais ou usado como esterco, as cinzas eram descartadas e constitu&iacute;am o lixo. Atualmente, usamos o termo lixo para nos referir a qualquer material de origem dom&eacute;stica, industrial, agr&iacute;cola ou comercial que se joga fora por n&atilde;o ter utilidade, ou porque nos repugna por estar suja, ou porque n&atilde;o gostamos mais, ou ainda porque consideramos velho, ultrapassado ou fora de moda. Lixo tamb&eacute;m &eacute; usado para se referir ao local ou recipiente onde se acumulam esses materiais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tecnicamente, o que chamamos de lixo &eacute; constitu&iacute;do por materiais que podem ser reaproveitados (os res&iacute;duos) e por materiais que n&atilde;o podem ser aproveitados (os rejeitos). No Brasil, a Pol&iacute;tica Nacional de Res&iacute;duos S&oacute;lidos (PNRS) estabelece que res&iacute;duo &eacute; todo o material, subst&acirc;ncia, objeto ou bem que j&aacute; foi descartado, mas que ainda comporta alguma possibilidade de uso (2), por meio da reciclagem, do reaproveitamento ou de processamento industrial. No lixo temos uma grande parte que &eacute; res&iacute;duo e uma pequena parte que &eacute; rejeito (3). A diferen&ccedil;a entre um e outro depende, muitas vezes, de conhecimento tecnol&oacute;gico sobre como tratar, como reaproveitar, como reciclar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ou seja, a no&ccedil;&atilde;o de lixo depende do que o gerador do lixo considera in&uacute;til, indesej&aacute;vel ou descart&aacute;vel. Al&eacute;m disso, a gera&ccedil;&atilde;o de lixo, em particular de res&iacute;duos s&oacute;lidos, &eacute; geralmente considerada um problema urbano. Isto porque as taxas de produ&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos tendem a ser muito mais baixas em &aacute;reas rurais. Em m&eacute;dia, os residentes em &aacute;reas rurais s&atilde;o geralmente mais pobres, consomem menos produtos comprados em lojas – o que resulta em menos embalagens – e tendem a ter n&iacute;veis mais elevados de reutiliza&ccedil;&atilde;o e reciclagem (4). A urbaniza&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento econ&ocirc;mico geram aumento de poder aquisitivo, aumento no consumo de bens e servi&ccedil;os e, consequentemente, aumento na quantidade de res&iacute;duos gerados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A taxa de urbaniza&ccedil;&atilde;o tem aumentado rapidamente, tanto no Brasil como no mundo (5). Isto traz desafios cada vez maiores &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos. Cidad&atilde;os e corpora&ccedil;&otilde;es, provavelmente, ter&atilde;o de assumir responsabilidades crescentes pela gera&ccedil;&atilde;o e elimina&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos s&oacute;lidos urbanos (RSU) e, em especial, no design de produtos e na separa&ccedil;&atilde;o de materiais (4).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A m&eacute;dia global de gera&ccedil;&atilde;o de RSU &eacute; de 1,2 kg por pessoa por dia, um pouco acima dos 1,1 kg por pessoa por dia, estimados para o Brasil (6). Mas esses valores escondem as fortes desigualdades mundiais e brasileiras. Enquanto Hong Kong produz 2,47 kg de RSU por pessoa por dia, Delhi produz 0,57 kg (4); no Brasil, a m&eacute;dia da regi&atilde;o Sul &eacute; de 0,77 kg de RSU por pessoa por dia enquanto que na regi&atilde;o Sudeste a m&eacute;dia de gera&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos &eacute; de 1,2 kg (6). Na verdade, as taxas <i>per capita</i> reais s&atilde;o altamente vari&aacute;veis, pois existem consider&aacute;veis diferen&ccedil;as nas taxas de gera&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos entre pa&iacute;ses, entre e dentro de cidades. E nada exp&otilde;e mais essas desigualdades sociais, e os impactos que somos capazes de causar ao ambiente onde vivemos, do que o lixo que prolifera em bairros e favelas da periferia de grandes cidades, principalmente quando se v&ecirc; crian&ccedil;as brincando ou catando no lixo material que possa ser vendido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atualmente, as cidades no mundo geram cerca de 1,3 bilh&atilde;o de toneladas de RSU por ano e este volume dever&aacute; aumentar para 2,2 bilh&otilde;es de toneladas em 2025 (4). Os custos de gest&atilde;o dos RSU tamb&eacute;m aumentar&atilde;o (para cerca de 375,5 bilh&otilde;es de d&oacute;lares) em 2025 e ser&atilde;o mais graves em pa&iacute;ses de baixa renda, onde aumentar&aacute; mais de cinco vezes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, em 2014, foram gerados aproximadamente 78,6 milh&otilde;es de toneladas de RSU, representando um aumento de 2,9% em rela&ccedil;&atilde;o a 2013, &iacute;ndice superior &agrave; taxa de crescimento populacional no pa&iacute;s no per&iacute;odo, que foi de 0,9% (6). O porcentual de res&iacute;duos encaminhados para lix&otilde;es ou aterros sanit&aacute;rios permaneceu praticamente inalterado nos &uacute;ltimos anos - 57,6%, em 2010 e 58,4%, em 2014. Entretanto, as quantidades destinadas inadequadamente aumentaram e chegaram a cerca de 30 milh&otilde;es de toneladas por ano, em 2014 (6). Do ponto de vista ambiental, aterros sanit&aacute;rios pouco se diferenciam dos lix&otilde;es, pois n&atilde;o possuem o conjunto de sistemas necess&aacute;rios para a prote&ccedil;&atilde;o do ambiente e da sa&uacute;de p&uacute;blica e o que se constata &eacute; que boa parte desse lixo poderia ser reaproveitado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De um modo geral, os res&iacute;duos, ou lixo reaproveit&aacute;vel, podem ser classificados em org&acirc;nico e inorg&acirc;nico, este &uacute;ltimo englobando principalmente papel, pl&aacute;stico, vidro e metal. Tem-se tamb&eacute;m os res&iacute;duos de constru&ccedil;&atilde;o e demoli&ccedil;&atilde;o - como entulho, concreto e alvenaria - que, em algumas cidades, podem constituir quase a metade dos res&iacute;duos inorg&acirc;nicos, dependendo da import&acirc;ncia da ind&uacute;stria da constru&ccedil;&atilde;o civil. Em pa&iacute;ses de baixa renda, como Mo&ccedil;ambique, Guin&eacute;,  Malawi e S&eacute;rvia, a fra&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica representa em m&eacute;dia 64% dos  res&iacute;duos s&oacute;lidos urbanos, enquanto que nos pa&iacute;ses de renda alta,  como Estados Unidos, Jap&atilde;o, It&aacute;lia, Nova Zel&acirc;ndia e Cingapura, a  fra&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica &eacute; de 28% em m&eacute;dia (4).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A PNRS estabelece a log&iacute;stica reversa (7) como um dos instrumentos de implementa&ccedil;&atilde;o da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Os produtos e respectivos res&iacute;duos compreendidos por essa obrigatoriedade s&atilde;o: os agrot&oacute;xicos, seus res&iacute;duos e embalagens; pilhas e baterias; pneus; &oacute;leos lubrificantes, seus res&iacute;duos e embalagens; l&acirc;mpadas fluorescentes, de vapor de s&oacute;dio e merc&uacute;rio e de luz mista; produtos eletroeletr&ocirc;nicos e seus componentes; e medicamentos e suas embalagens. Atualmente, 94% das embalagens pl&aacute;sticas prim&aacute;rias, que entram em contato direto com o agrot&oacute;xico, e cerca de 80% do total de embalagens vazias de defensivos agr&iacute;colas que s&atilde;o comercializadas, t&ecirc;m destino adequado e confere ao Brasil o papel de l&iacute;der mundial na destina&ccedil;&atilde;o adequada desses materiais, a frente de pa&iacute;ses como a Alemanha, Canad&aacute; e Fran&ccedil;a (6). O programa de reciclagem de &oacute;leos lubrificantes est&aacute; presente em 14 estados (todos das regi&otilde;es Sul e Sudeste, e Nordeste com exce&ccedil;&atilde;o de Maranh&atilde;o e Piau&iacute;) e no Distrito Federal, cobrindo 2.950 munic&iacute;pios, com 42.000 pontos geradores cadastrados e visitados regularmente (6).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tr&ecirc;s setores industriais brasileiros - alum&iacute;nio, papel e pl&aacute;stico - possuem consider&aacute;vel participa&ccedil;&atilde;o nas atividades de reciclagem. Estudo do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea), citando dados do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), aponta que apenas 13% do total de res&iacute;duos urbanos gerados no Brasil s&atilde;o encaminhados para reciclagem (8). Apesar desse baixo percentual de reaproveitamento, o Brasil possui certo destaque. Os dados dispon&iacute;veis apontam que, em 2012, 35% do alum&iacute;nio, 46% do papel e 21% do pl&aacute;stico s&atilde;o reciclados (6). Se considerarmos latas de alum&iacute;nio e garrafas PET os porcentuais de reciclagem sobem para 98% e 59%, respectivamente (6). Alguns produtos, como o vidro, n&atilde;o obt&ecirc;m n&iacute;veis maiores de reciclagem devido &agrave; insufici&ecirc;ncia de f&aacute;bricas para seu processamento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escala em que &eacute; feita a coleta, al&eacute;m de constitu&iacute;rem processos de transforma&ccedil;&atilde;o ainda muito onerosos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses &iacute;ndices s&atilde;o, em grande parte, devidos aos catadores de materiais recicl&aacute;veis, que desempenham papel fundamental na implementa&ccedil;&atilde;o da PNRS. Com organiza&ccedil;&atilde;o de trabalho bastante heterog&ecirc;nea, os empreendimentos econ&ocirc;micos coletivos de catadores s&atilde;o tamb&eacute;m heterog&ecirc;neos, sobretudo no que tange a fatores como posse de maquin&aacute;rios e infraestrutura f&iacute;sica; acesso a cr&eacute;dito e conhecimento t&eacute;cnico; local de atividade e tipos de produtos trabalhados; hist&oacute;rico de forma&ccedil;&atilde;o e crit&eacute;rios de aceita&ccedil;&atilde;o de novos s&oacute;cios; tempo dedicado pelos cooperados e divis&atilde;o interna de trabalho; processos de gest&atilde;o; estabelecimento de parcerias; caracter&iacute;sticas regionais em que se inserem os empreendimentos; entre outros (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todos esses n&uacute;meros fazem dos temas res&iacute;duos s&oacute;lidos e lixo, assuntos bastante pesquisados no pa&iacute;s. No banco de dados de Grupos de Pesquisa (GP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq), aplicando-se os termos res&iacute;duos s&oacute;lidos ou lixo no nome do grupo, no nome da linha de pesquisa, ou nas palavras chave, encontram-se registrados 312 grupos de pesquisa atualizados com res&iacute;duos s&oacute;lidos, 40 com termo lixo e tr&ecirc;s com ambos. A t&iacute;tulo de compara&ccedil;&atilde;o, e usando o mesmo procedimento, foram identificados 22 grupos com a express&atilde;o jogos eletr&ocirc;nicos, 86 com doen&ccedil;as negligenciadas, 171 com o termo neuroci&ecirc;ncia e 1.047 com solos.  Uma caracter&iacute;stica importante &eacute; o car&aacute;ter multidisciplinar da pesquisa na &aacute;rea. Res&iacute;duos e lixo s&atilde;o temas estudados nas engenharias, nas ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias, nas ci&ecirc;ncias exatas e da terra, nas ci&ecirc;ncias aplicadas, nas ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas, nas ci&ecirc;ncias da sa&uacute;de e nas ci&ecirc;ncias humanas (10).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atenta &agrave; import&acirc;ncia do tema, a revista <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i> tem publicado nos &uacute;ltimos anos v&aacute;rias mat&eacute;rias relacionadas ao assunto. Com este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico a revista reconhece, mais uma vez, a import&acirc;ncia social, pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica do tema lixo. O conjunto de artigos que se segue foi elaborado com o intuito de trazer algumas abordagens sobre o tema, mas n&atilde;o tem a pretens&atilde;o de trazer um panorama completo da &aacute;rea.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro artigo foi elaborado pelo agr&ocirc;nomo Jean Carlos Cardoso e pela enfermeira Fernanda de C&aacute;ssia Israel Cardoso, ambos da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar), campus de Araras (SP). Os autores abordam diferentes aspectos relacionados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o do lixo e sua transforma&ccedil;&atilde;o em res&iacute;duos, discutem a reciclagem de res&iacute;duos e os cuidados no gerenciamento de res&iacute;duos da &aacute;rea de sa&uacute;de. O segundo artigo foi elaborado pelo economista Armindo dos Santos de Sousa Teod&oacute;sio, em parceria com a administradora Sylmara Francelino Lopes Gon&ccedil;alves Dias e com a fil&oacute;sofa Maria Cec&iacute;lia Loschiavo dos Santos. Como resultado dessa parceria interdisciplinar, tem-se um texto que discute a rela&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es dos catadores de materiais recicl&aacute;veis com atores do Estado, com as empresas e com a sociedade civil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No terceiro artigo, o administrador Vin&iacute;cius Ferreira Baptista discute as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para cooperativas de catadores de materiais recicl&aacute;veis. Baptista aponta que ind&uacute;strias, prefeituras e atravessadores t&ecirc;m conseguido materiais a baix&iacute;ssimo custo a expensas do trabalho muitas vezes invis&iacute;vel de catadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dois artigos seguintes focam na reciclagem de res&iacute;duos org&acirc;nicos, que representam em torno de 55% do total dos res&iacute;duos s&oacute;lidos urbanos. Assim, o quarto artigo, escrito pela bi&oacute;loga Thais Menina Oliveira de Siqueira e pelo agr&ocirc;nomo Marcos Jos&eacute; de Abreu, reflete a experi&ecirc;ncia de ambos em compostagem de res&iacute;duos org&acirc;nicos e em atividades junto a comunidades urbanas e periurbanas, estimulando a agroecologia, a agricultura familiar e a constru&ccedil;&atilde;o de hortas em escolas. No quinto artigo, Manfred Fehr, engenheiro qu&iacute;mico pela Universit&eacute; Laval, Canad&aacute;, com vasta experi&ecirc;ncia no Brasil e no exterior, demonstra a viabilidade econ&ocirc;mica da compostagem e prop&otilde;e um esquema de coleta e compostagem de aproximadamente metade dos res&iacute;duos biodegrad&aacute;veis do munic&iacute;pio de Toribat&eacute; (MG), com 655 mil habitantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico se fecha com o instigante texto da soci&oacute;loga Valqu&iacute;ria Padilha, que discute a nossa sociedade de consumo, a qual nos induz a um consumismo atrelado &agrave; obsolesc&ecirc;ncia programada de produtos. A autora critica com clareza nosso modelo produtivista-consumista e pondera que n&atilde;o basta reduzir, reaproveitar e reciclar: "&eacute; necess&aacute;rio repensar o modelo de crescimento econ&ocirc;mico que temos seguido nos &uacute;ltimos 200 anos visto que nosso sistema &eacute; essencialmente insustent&aacute;vel".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os artigos deste dossi&ecirc; refletem a multidisciplinaridade e a abrang&ecirc;ncia do tema e confirmam que o lixo que estamos produzindo &eacute; um problema contempor&acirc;neo que afeta a todos, mas para o qual existem solu&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Mucelin, C. A.; Bellini, M. "Lixo e impactos ambientais percept&iacute;veis no ecossistema urbano". <i>Sociedade &amp; Natureza</i>, 20, n. 1, p. 111-124. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Brasil. <i>Lei n. 12.305, de 2 de agosto de 2010</i>. Institui a Pol&iacute;tica Nacional de Res&iacute;duos S&oacute;lidos (PNRS); altera a Lei nº. 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, Bras&iacute;lia: C&acirc;mara dos Deputados, n. 81, 2010.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Segundo a PNRS, s&atilde;o considerados rejeitos os materiais que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recupera&ccedil;&atilde;o por processos tecnol&oacute;gicos dispon&iacute;veis e economicamente vi&aacute;veis, n&atilde;o possuem outra possibilidade que n&atilde;o a disposi&ccedil;&atilde;o final.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. World Bank. <i>What a waste: a global review of solid waste management</i>. Urban Development Series - Knowledge Papers, 15. 2012. 98 p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. O &uacute;ltimo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), realizado em 2010, estima que 84% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira &eacute; urbana. Mas pesquisa apoiada pelo Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio estima que o porcentual da popula&ccedil;&atilde;o residente em munic&iacute;pios essencialmente e relativamente rurais corresponde a 37% da popula&ccedil;&atilde;o total do pa&iacute;s. A taxa de popula&ccedil;&atilde;o urbana brasileira seria ent&atilde;o de 63%, superior &agrave; estimativa global, que considera que, hoje, mais de 50% da popula&ccedil;&atilde;o mundial vive em cidades. Detalhes dessa pesquisa encontram-se em Bitoun, J.; Miranda, L. I. B. de. "A tipologia regional das ruralidades brasileiras como refer&ecirc;ncia estrat&eacute;gica para a pol&iacute;tica de desenvolvimento rural". <i>Ra&iacute;zes</i>, 35, n.1, jan-jun, p. 21-33. 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Abrelpe - Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Empresas de Limpeza P&uacute;blica e Res&iacute;duos Especiais. <i>Panorama dos Res&iacute;duos S&oacute;lidos no Brasil 2014</i>. S&atilde;o Paulo, 2014. 120 p.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. A PNRS define a log&iacute;stica reversa como um instrumento de desenvolvimento econ&ocirc;mico e social caracterizado por um conjunto de a&ccedil;&otilde;es, procedimentos e meios destinados &agrave; viabilizar a coleta e a restitui&ccedil;&atilde;o dos res&iacute;duos s&oacute;lidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destina&ccedil;&atilde;o final ambientalmente adequada.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Ipea - Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada. <i>Situa&ccedil;&atilde;o social das catadoras e dos catadores de caterial recicl&aacute;vel e reutiliz&aacute;vel</i>, 2012. 68 p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Ipea - Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada. <i>Diagn&oacute;stico sobre os catadores de res&iacute;duos s&oacute;lidos</i>. Bras&iacute;lia: Ipea, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Dispon&iacute;vel em <a href="http://lattes.cnpq.br/web/dgp" target="_blank">http://lattes.cnpq.br/web/dgp</a>. Acesso em 15 de agosto de 2016.    </font></p>      ]]></body><back>
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