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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> LIXO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O problema do lixo e algumas perspectivas para redu&ccedil;&atilde;o de impactos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fernanda de C&aacute;ssia Israel Cardoso<sup>I</sup>; Jean Carlos Cardoso<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Enfermeira no Departamento de Assuntos Comunit&aacute;rios e Estudantis (DeACE-Ar) da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar), com mestrado em enfermagem pela Universidade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho (Unesp)    <br> <sup>II</sup>Professor na &aacute;rea de horticultura do Departamento de Desenvolvimento Rural da UFSCar, com doutorado na &aacute;rea de biologia na agricultura e ambiente pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das caracter&iacute;sticas dos animais &eacute; a gera&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos. No entanto, os animais em geral produzem res&iacute;duos biodegrad&aacute;veis e de simples decomposi&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o utilizados por outros organismos para a transforma&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria em nutrientes que retornam ao solo e devolvem parte dos nutrientes retirados desse mesmo ambiente, completando um ciclo ecol&oacute;gico importante para a sobreviv&ecirc;ncia de milh&otilde;es de esp&eacute;cies.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da mesma maneira e como outros animais, o ser humano fazia parte desse processo. Por&eacute;m, algumas mudan&ccedil;as hist&oacute;ricas observadas no seu comportamento tornaram os res&iacute;duos gerados por humanos um problema ainda n&atilde;o resolvido, sem solu&ccedil;&atilde;o definitiva e que gera grandes impactos ao meio ambiente e &agrave; pr&oacute;pria sociedade. Dentre as mudan&ccedil;as hist&oacute;ricas observadas no ser humano e que desequilibraram o processo de gera&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos est&atilde;o: 1) a passagem de nomadismo para uma condi&ccedil;&atilde;o mais sedent&aacute;ria de sociedade, concentrando tamb&eacute;m os res&iacute;duos produzidos numa &aacute;rea espacial limitada; 2) o aumento exponencial da sociedade humana e sua aglomera&ccedil;&atilde;o em centros urbanos, limitando o espa&ccedil;o de ocupa&ccedil;&atilde;o com incremento exponencial da gera&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos; 3) a descoberta do petr&oacute;leo como fonte de combust&iacute;vel e outros materiais como o pl&aacute;stico, e a explora&ccedil;&atilde;o de outros recursos naturais n&atilde;o renov&aacute;veis como parte do processo de expans&atilde;o econ&ocirc;mica e tecnol&oacute;gica da humanidade, com consumo direto e desenfreado das riquezas naturais n&atilde;o renov&aacute;veis do planeta; 4) a descoberta do lixo como uma fonte potencial de riscos sanit&aacute;rios e a solu&ccedil;&atilde;o por distanciar os res&iacute;duos produzidos nas cidades em lix&otilde;es, aterros sanit&aacute;rios e similares, colocados em suas &aacute;reas marginais e pelo seu despejo em cursos d'&aacute;gua sem o devido ou correto tratamento; 5) o distanciamento da agropecu&aacute;ria (grande utilizadora de recursos naturais) para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos para as &aacute;reas urbanas, o que leva a perdas de alimentos no transporte, armazenamento e comercializa&ccedil;&atilde;o desses produtos; 6) a disparidade econ&ocirc;mica da atual sociedade, levando ao consumo exagerado e superficial de bens pelos mais ricos, enquanto faltam itens b&aacute;sicos para os mais pobres, o que gera uma grande quantidade de res&iacute;duos pela falta da correta distribui&ccedil;&atilde;o dos recursos; e 7) a diversidade de materiais e produtos gerados pela evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e pelos processos de marketing, a exemplo das embalagens, para diferencia&ccedil;&atilde;o dos produtos utilizados por essa sociedade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A TRANSFORMA&Ccedil;&Atilde;OO DO LIXO EM RES&Iacute;DUOS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando o lixo como um problema real para o ambiente, e que ainda &eacute; tratado de maneira simplista pela sociedade, que o coloca &agrave; dist&acirc;ncia, &eacute; preciso providenciar solu&ccedil;&otilde;es alternativas para repensar o lixo, como a cria&ccedil;&atilde;o de legisla&ccedil;&otilde;es internacionais. No Brasil, desde sua implementa&ccedil;&atilde;o em 2010, a Pol&iacute;tica Nacional de Res&iacute;duos S&oacute;lidos (Lei nº12.305) tem sido utilizada como base para o gerenciamento dos res&iacute;duos, visando a redu&ccedil;&atilde;o na gera&ccedil;&atilde;o, reutiliza&ccedil;&atilde;o, reciclagem, tratamento e disposi&ccedil;&atilde;o ambientalmente adequada dos rejeitos gerados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa forma, considerando a complexidade do lixo produzido e a necessidade de separa&ccedil;&atilde;o dos tipos de res&iacute;duos gerados de acordo com sua natureza e quantidade, iremos utilizar a palavra res&iacute;duos como forma mais atual de designar todo o tipo de material gerado e inutilizado a partir de um produto ou processo estabelecido. Uma primeira classifica&ccedil;&atilde;o est&aacute; na separa&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos org&acirc;nicos e inorg&acirc;nicos, podendo estes &uacute;ltimos serem ou n&atilde;o recicl&aacute;veis. Dentre esses res&iacute;duos podemos destacar: 1) os res&iacute;duos recicl&aacute;veis, que incluem pap&eacute;is, pl&aacute;sticos, metais, vidros, entre outros de menor import&acirc;ncia em quantidade, permanecendo no ambiente por pouco a at&eacute; milhares de anos sem serem decompostos; 2) os res&iacute;duos org&acirc;nicos, que incluem os restos de alimentos, de podas de jardinagem, as fezes, entre muitos outros de origem industrial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A separa&ccedil;&atilde;o dos res&iacute;duos em recicl&aacute;veis e org&acirc;nicos possibilitou a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova ind&uacute;stria de reciclados. Esse &eacute; o caso das latinhas de alum&iacute;nio que entram novamente no processo de produ&ccedil;&atilde;o, a partir de processos seguros, com a gera&ccedil;&atilde;o de empregos e renda.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SEPARANDO OS RES&Iacute;DUOS FACILITAMOS AS SOLU&Ccedil;&Otilde;ES </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa a&ccedil;&atilde;o simples de separa&ccedil;&atilde;o dos res&iacute;duos permite uma diminui&ccedil;&atilde;o consider&aacute;vel na quantidade de lixo descartada diretamente no ambiente sem tratamento. &Eacute; v&aacute;lido lembrar que essa &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios m&uacute;tuos, em que uma cooperativa realiza o servi&ccedil;o de coleta desse lixo para a prefeitura e esta se beneficia da comercializa&ccedil;&atilde;o dos produtos obtidos a partir da coleta. As outras formas de coleta seletiva s&atilde;o a realiza&ccedil;&atilde;o pela pr&oacute;pria prefeitura do munic&iacute;pio ou por contrata&ccedil;&atilde;o de empresas particulares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dois desafios para esse processo continuam sendo a n&atilde;o separa&ccedil;&atilde;o do recicl&aacute;vel pela popula&ccedil;&atilde;o, mesmo havendo coleta seletiva, e o fato de que apenas 18% das cidades brasileiras disp&otilde;em de coleta seletiva. No entanto, o aumento do n&uacute;mero de cidades que se engajam no processo foi de 138% entre 2010 e 2015. As regi&otilde;es Sul e Sudeste concentram 81% das cidades que disp&otilde;e de sistema de coleta seletiva (1).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existem ainda outros tipos de res&iacute;duos de reciclagem mais complexa, como as embalagens de res&iacute;duos de agrot&oacute;xicos, os medicamentos com data de validade vencida, os materiais que representam riscos biol&oacute;gicos como aqueles provenientes de unidades de sa&uacute;de e laborat&oacute;rios de an&aacute;lises cl&iacute;nicas, as pilhas e baterias inutilizadas de aparelhos eletr&ocirc;nicos, os pr&oacute;prios aparelhos eletr&ocirc;nicos como computadores obsoletos, os res&iacute;duos da constru&ccedil;&atilde;o civil, as l&acirc;mpadas frias do tipo fluorescente, os diferentes tipos de res&iacute;duos de laborat&oacute;rios e ind&uacute;strias, dentre outros. Esses tipos de res&iacute;duos t&ecirc;m um destino ou tratamento recomendado por legisla&ccedil;&atilde;o e empresas especializadas na reciclagem desses materiais, mas ainda apresentam dificuldades relativas, sobretudo, ao alto custo do processo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, muitas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas j&aacute; possuem equipes que atuam no gerenciamento dos res&iacute;duos gerados diretamente na unidade, reduzindo fortemente seus impactos e custos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RES&Iacute;DUOS ORG&Acirc;NICOS: UM RES&Iacute;DUO F&Aacute;CIL E DE POUCO IMPACTO?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os res&iacute;duos org&acirc;nicos podem representar grande risco para a sociedade e ambiente no qual s&atilde;o descartados, principalmente pela alta quantidade, concentra&ccedil;&atilde;o e forma de deposi&ccedil;&atilde;o dos res&iacute;duos, que &eacute; feita em lix&otilde;es e aterros sanit&aacute;rios localizados &agrave;s margens de cidades. Esses m&eacute;todos n&atilde;o permitem a correta aera&ccedil;&atilde;o dos res&iacute;duos, levando &agrave; decomposi&ccedil;&atilde;o anaer&oacute;bica (sem a presen&ccedil;a de oxig&ecirc;nio) e, portanto, gerando produtos extremamente t&oacute;xicos ao ambiente (por exemplo, o g&aacute;s metano que contribui para o aquecimento global), como o chorume liberado do lixo, que contamina solos e mananciais de &aacute;gua. Esse tipo de res&iacute;duo ainda representa um risco para a pr&oacute;pria sociedade, para a sa&uacute;de ou pela reprodu&ccedil;&atilde;o de transmissores de doen&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; uma diversidade enorme de tipos de res&iacute;duos org&acirc;nicos e, portanto, o tratamento separado de alguns res&iacute;duos &eacute; necess&aacute;rio para que o descarte seja feito de forma a reduzir impactos. Os res&iacute;duos org&acirc;nicos dom&eacute;sticos representam aproximadamente metade de todo o lixo gerado dentro de casa (restos de alimentos consumidos, podas de jardinagem, &oacute;leo usado e as fezes s&atilde;o os principais), sendo que uma fam&iacute;lia com aproximadamente quatro pessoas gera em m&eacute;dia 2 a 7 kg de lixo org&acirc;nico por dia,  normalmente descartado <i>in natura</i> no ambiente. Isso &eacute; exponencialmente agravado, quando n&oacute;s, enquanto cidad&atilde;os, n&atilde;o separamos os  diferentes tipos de lixo ou a prefeitura n&atilde;o oferece a op&ccedil;&atilde;o de coleta  seletiva. Neste caso, os res&iacute;duos org&acirc;nicos s&atilde;o misturados a outros,  aumentando o volume e dificultando a decomposi&ccedil;&atilde;o e a reciclagem,  gerando outros subprodutos com maior poder de contamina&ccedil;&atilde;o ou  persist&ecirc;ncia no ambiente de descarte.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LIX&Otilde;ES E ATERROS SANIT&Aacute;RIOS EST&Atilde;O LONGE DA SUSTENTABILIDADE</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os lix&otilde;es e aterros sanit&aacute;rios continuam sendo os principais  destinos utilizados pelos munic&iacute;pios para o descarte de res&iacute;duos  dom&eacute;sticos, org&acirc;nicos ou n&atilde;o, "distanciando" o problema do lixo  das nossas resid&ecirc;ncias e entorno. A maioria dos lix&otilde;es e aterros &eacute;  posicionada nas &aacute;reas marginais das cidades, onde esses res&iacute;duos  s&atilde;o somente depositados (lix&otilde;es), ou formam camadas de lixo e solo  (aterros sanit&aacute;rios).  Mesmo n&atilde;o sendo a ideal, os aterros sanit&aacute;rios  s&atilde;o considerados uma solu&ccedil;&atilde;o melhor que o uso de lix&otilde;es, sendo  que, segundo dados do Banco Mundial, mais da metade do lixo  produzido &eacute; descartado em aterros sanit&aacute;rios, ao inv&eacute;s de lix&otilde;es (2).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m da satura&ccedil;&atilde;o com res&iacute;duos, prejudicando o meio ambiente, esses locais vivenciam e proporcionam condi&ccedil;&otilde;es sub-humanas para muitos dos chamados catadores de lixos, que coletam parte do material descartado e de valor econ&ocirc;mico, em meio a todo o restante do lixo que representa risco a sua pr&oacute;pria sa&uacute;de. De acordo com o Banco Mundial, de todos os 15 milh&otilde;es de catadores, aproximadamente 75% trabalham sob condi&ccedil;&otilde;es insalubres, coletando os res&iacute;duos diretamente nos lix&otilde;es, ao inv&eacute;s de atuar em cooperativas com condi&ccedil;&otilde;es melhores e com direitos trabalhistas mais assegurados (3).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse &eacute; um impacto de nossas a&ccedil;&otilde;es irrespons&aacute;veis, que se iniciam com a nossa neglig&ecirc;ncia em separar o lixo recicl&aacute;vel daquele n&atilde;o recicl&aacute;vel. Se o lixo fosse separado na fonte por cada cidad&atilde;o, 90% deste poderia ser transformado em combust&iacute;vel ou reciclado (4). Al&eacute;m de prejudicar o meio ambiente, ainda geramos uma condi&ccedil;&atilde;o para que essa forma n&atilde;o organizada de trabalho, que envolve trabalho infantil, semiescravid&atilde;o e outras formas ilegais de uso da m&atilde;o de obra, se fortale&ccedil;a, prejudicando inclusive a expans&atilde;o das cooperativas de catadores nas cidades. Vale lembrar que a cada latinha de cerveja ou refrigerante que descartamos nos cursos d'&aacute;gua ou junto ao lixo org&acirc;nico, contribu&iacute;mos para que o trabalho infantil e de semiescravid&atilde;o se mantenham ativo nesses locais de descarte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse contexto, podemos imaginar o quanto os atuais aterros sanit&aacute;rios e lix&otilde;es ainda geram processos economicamente invi&aacute;veis, pois esse tipo de descarte somente gera custos &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e cidad&atilde;os, ambientalmente incorretos, gerando ac&uacute;mulo e concentra&ccedil;&atilde;o de grandes quantidades de res&iacute;duos, contaminando o solo e a &aacute;gua, e socialmente injustos, criando uma classe marginal de trabalhadores que vivem em condi&ccedil;&otilde;es sub-humanas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Precisamos de solu&ccedil;&otilde;es mais consistentes quanto &agrave; sustentabilidade do descarte em lix&otilde;es e aterros, bem como para o esgoto dom&eacute;stico que leva fezes e urina diretamente aos cursos d'&aacute;gua. Um exemplo de solu&ccedil;&atilde;o para o esgoto dom&eacute;stico est&aacute; no uso dessa &aacute;gua para a irriga&ccedil;&atilde;o de plantas n&atilde;o comest&iacute;veis, como no paisagismo urbano, na floricultura e plantas agr&iacute;colas utilizadas para a fabrica&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis como na cana-de-a&ccedil;&uacute;car, visando a produ&ccedil;&atilde;o de &aacute;lcool combust&iacute;vel, e para a produ&ccedil;&atilde;o de culturas visando a produ&ccedil;&atilde;o de biodiesel. Nos Estados Unidos da Am&eacute;rica, j&aacute; existem exemplos de utiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua de reuso (&aacute;gua proveniente de esgotos urbanos previamente tratados) na irriga&ccedil;&atilde;o de campos de golfe, jardins e agricultura visando a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos (5).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SOLU&Ccedil;&Otilde;ES VI&Aacute;VEIS PARA OS RES&Iacute;DUOS ORG&Acirc;NICOS, LIX&Otilde;ES E ATERROS SANIT&Aacute;RIOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma solu&ccedil;&atilde;o vi&aacute;vel para os res&iacute;duos org&acirc;nicos produzidos em nossas resid&ecirc;ncias &eacute; o processo de compostagem aer&oacute;bica, que transforma a mat&eacute;ria org&acirc;nica em composto, possibilitando a redisponibiliza&ccedil;&atilde;o de grande parte dos nutrientes, reduzindo a quantidade de lixo, gerando um produto tecnol&oacute;gico que pode ser utilizado como fertilizante em jardins e culturas agr&iacute;colas, diminuindo a necessidade de fertilizantes sint&eacute;ticos e gerando, inclusive, renda para o setor p&uacute;blico ou privado. Essas a&ccedil;&otilde;es e projetos de compostagem podem ser adotados de forma coletiva por prefeituras ou condom&iacute;nios, ou mesmo individualmente na pr&oacute;pria casa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O processo de compostagem aer&oacute;bica (na presen&ccedil;a de O<sub>2</sub>) &eacute; preferido em rela&ccedil;&atilde;o ao anaer&oacute;bico, atualmente utilizado em lix&otilde;es e aterros sanit&aacute;rios, pois reduz consideravelmente a emiss&atilde;o de g&aacute;s metano no ambiente, favorece a recupera&ccedil;&atilde;o de nutrientes desses res&iacute;duos em mat&eacute;ria org&acirc;nica e nutrientes que poder&atilde;o ser utilizados para o cultivo de plantas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A diferen&ccedil;a entre um processo e outro &eacute; que no processo aer&oacute;bico de compostagem h&aacute; necessidade de alguns cuidados, como a escolha da mistura de res&iacute;duos org&acirc;nicos, bem como de outros processos como manuten&ccedil;&atilde;o da umidade e reviramento peri&oacute;dico das leiras de compostagem, para que somente os microrganismos ben&eacute;ficos se desenvolvam, acelerando o processo de decomposi&ccedil;&atilde;o, sem os odores e ac&uacute;mulo de animais indesej&aacute;veis.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No campus de Araras da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar) temos esse processo com res&iacute;duos de poda de grama das &aacute;reas de jardinagem do campus, com res&iacute;duos de alimentos do restaurante universit&aacute;rio ou com esterco bovino proveniente da cria&ccedil;&atilde;o de animais na pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o. Da mesma forma, em casa, os res&iacute;duos de alimentos vegetais e cascas de ovos podem ser utilizados em mistura com a poda de grama ou de folhas de &aacute;rvores do jardim como forma de produzir adubo para as plantas (6). Para acelerar o processo e reduzir a necessidade de aplica&ccedil;&atilde;o constante de &aacute;gua nas composteiras, pode-se utilizar um pl&aacute;stico de cobertura, como o preto, adquirido em lojas de materiais de constru&ccedil;&atilde;o ou outro mais resistente. Em geral, &eacute; necess&aacute;rio revirar as leiras e verificar a umidade ao menos uma vez por semana para tornar o processo aer&oacute;bico. O composto fica pronto entre 40 e 60 dias, a depender da &eacute;poca do ano e condi&ccedil;&otilde;es da compostagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O mesmo processo pode ser feito em larga escala por empresas particulares, prefeituras ou mesmo em condom&iacute;nios residenciais ou de forma coletiva por moradores de um bairro. No entanto, isso tamb&eacute;m requer mudan&ccedil;as em nosso comportamento, sendo necess&aacute;rio que todos contribuam separando o lixo adequadamente para que todo o processo seja beneficiado, sem custos adicionais ou contamina&ccedil;&atilde;o com res&iacute;duos como a presen&ccedil;a de papel higi&ecirc;nico em meio &agrave; composteira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O processamento em larga escala pode ser feito com trituradores e maquin&aacute;rios especializados j&aacute; dispon&iacute;veis e podem ser utilizados por prefeituras e empresas particulares para fabrica&ccedil;&atilde;o de fertilizantes org&acirc;nicos ou organo-minerais comerciais. Atualmente, algumas empresas especializadas em compostagem, em parcerias com empresas e restaurantes comerciais, t&ecirc;m realizado esse processo. Outro processo &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos da ind&uacute;stria aliment&iacute;cia em subprodutos ou linhas de produtos de aplica&ccedil;&atilde;o na agricultura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as solu&ccedil;&otilde;es caseiras para a compostagem est&aacute; a chamada vermicompostagem, que se utiliza de minhocas para degrada&ccedil;&atilde;o dos restos de alimentos depositados e produ&ccedil;&atilde;o de h&uacute;mus a partir desses res&iacute;duos. A vantagem do processo &eacute; que pode ser feito de maneira artesanal, mantendo uma caixa pl&aacute;stica contendo um pouco de solo e res&iacute;duos de grama ou poda de jardins como folhas de &aacute;rvores ou similares, com a coloca&ccedil;&atilde;o de minhocas dentro dessa caixa. Nesse caso, os res&iacute;duos de alimentos s&atilde;o depositados na caixa e as pr&oacute;prias minhocas realizam o processo de decomposi&ccedil;&atilde;o de parte dessa mat&eacute;ria org&acirc;nica, transformando-a em h&uacute;mus que tamb&eacute;m pode ser utilizado posteriormente nos jardins e no cultivo de plantas. Aten&ccedil;&atilde;o especial deve ser dada para a coloca&ccedil;&atilde;o preferencial de res&iacute;duos vegetais, evitando a coloca&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos de carne, por exemplo, que podem propiciar o surgimento de odores, insetos e roedores indesej&aacute;veis na resid&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro res&iacute;duo org&acirc;nico produzido nas casas &eacute; o &oacute;leo utilizado para frituras e outros processos, que geralmente se acumula e &eacute; descartado diretamente no ralo, levando a um processo extremamente oneroso de tratamento de &aacute;gua. Nesse caso, o &oacute;leo j&aacute; pode ser reciclado e em diferentes cidades &eacute; poss&iacute;vel encontrar pontos de coleta do &oacute;leo usado, em geral realizado para a fabrica&ccedil;&atilde;o de sab&atilde;o artesanal ou mesmo industrial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m de diminuir a quantidade de res&iacute;duos descartada, por meio da compostagem, h&aacute; que gerar alternativas e solu&ccedil;&otilde;es para os atuais locais de deposi&ccedil;&atilde;o do lixo, pois esses locais tamb&eacute;m necessitam de cuidados especiais, como forma de redu&ccedil;&atilde;o dos riscos e impactos ambientais a que essas &aacute;reas e arredores j&aacute; est&atilde;o submetidos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>FLORESTAS EM LOCAIS DE DESCARTE</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma alternativa para os lix&otilde;es e aterros, proposta e concretizada no Centro de Ci&ecirc;ncias Agr&aacute;rias da UFSCar, localizado em Araras (SP), em especial pela parceria entre a Comiss&atilde;o de Gerenciamento de Res&iacute;duos (Gest&atilde;o 2013-2015), a se&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e a diretoria, foi utilizar um local com descarte sist&ecirc;mico de res&iacute;duos, local similar a um lix&atilde;o de res&iacute;duos org&acirc;nicos em uma &aacute;rea para a implanta&ccedil;&atilde;o de um reflorestamento. Para que o processo ocorresse de forma a propiciar conquistas positivas na implanta&ccedil;&atilde;o do reflorestamento, foram necess&aacute;rios alguns procedimentos para uniformizar a &aacute;rea, visto a grande quantidade de res&iacute;duos que havia no local.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso foi realizado com aux&iacute;lio de um trator de esteira que auxiliou na distribui&ccedil;&atilde;o uniforme dos res&iacute;duos dentro da &aacute;rea total utilizada para essa finalidade. Ap&oacute;s, um trator acoplado com grade pesada foi utilizado como instrumento para misturar esse res&iacute;duo org&acirc;nico com o solo da pr&oacute;pria &aacute;rea, acelerando o processo de decomposi&ccedil;&atilde;o no solo. Isso foi realizado por tr&ecirc;s vezes, de agosto e setembro, meses em que h&aacute; poucas chuvas e o solo est&aacute; menos encharcado, facilitando o trabalho com m&aacute;quinas. Durante os meses de setembro a janeiro, a &aacute;rea foi mantida em pousio. Em janeiro de 2014 foram escolhidas mudas de diferentes esp&eacute;cies nativas da regi&atilde;o, para constitui&ccedil;&atilde;o de reflorestamento. Com aux&iacute;lio de um sulcador, foram feitas as linhas de plantio, e as mudas foram plantadas. Atualmente, as plantas j&aacute; se encontram em reprodu&ccedil;&atilde;o, produzindo frutos e sementes, constituindo uma &aacute;rea de reflorestamento de sucesso.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A implanta&ccedil;&atilde;o de reflorestamentos em lix&otilde;es ou aterros sanit&aacute;rios pode ser uma alternativa sustent&aacute;vel. Ela possibilita a reativa&ccedil;&atilde;o da vida nesses locais, que preferencialmente poderiam ser constitu&iacute;das com esp&eacute;cies nativas da regi&atilde;o ou bioma de origem, diminuindo o processo de contamina&ccedil;&atilde;o do ar e da &aacute;gua. O processo faz o aproveitamento dos nutrientes liberados do lixo pelas plantas, evitando a exposi&ccedil;&atilde;o do solo e contamina&ccedil;&atilde;o de mananciais de &aacute;gua, promove a forma&ccedil;&atilde;o de uma cobertura natural para o solo, al&eacute;m de contribuir para a redu&ccedil;&atilde;o dos impactos gerados pelo aquecimento global, pois parte dos gases do efeito estufa liberados pelo lixo podem ser parcialmente recuperados pelas plantas, que o transformam em energia para a sua pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia e manuten&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, esses processos permitem a inativa&ccedil;&atilde;o desses locais para outras finalidades como a constru&ccedil;&atilde;o de resid&ecirc;ncias em locais de risco &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Essa implanta&ccedil;&atilde;o de florestas em locais de descarte do lixo deve ser planejada, sendo realizada parceladamente &agrave; medida que um m&aacute;ximo de res&iacute;duos &eacute; descartado em determinado setor do aterro, mantendo liberado os demais setores ainda em atividade de descarte. Nesse caso o objetivo n&atilde;o seria a inativa&ccedil;&atilde;o desses aterros, visto o caos que poderia trazer &agrave;s cidades uma a&ccedil;&atilde;o imediatista, mas sim o reaproveitamento das &aacute;reas j&aacute; saturadas visando o aumento das &aacute;reas de florestas no pa&iacute;s. No longo prazo, essas &aacute;reas poder&atilde;o servir de parques e de reservas naturais de conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade local.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RES&Iacute;DUOS DE SA&Uacute;DE: NECESSIDADE DE GERENCIAMENTO PARA PROCEDER CORRETAMENTE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O gerenciamento dos res&iacute;duos de sa&uacute;de constitui-se de uma importante ferramenta de gest&atilde;o para que o processo de segrega&ccedil;&atilde;o, manejo, acondicionamento e todas as outras etapas envolvidas para que o descarte final aconte&ccedil;a de maneira correta. Sabe-se que os servi&ccedil;os de sa&uacute;de geram quantidades enormes de res&iacute;duos diariamente e de v&aacute;rios tipos. Esses res&iacute;duos s&atilde;o classificados em grupos pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa) a fim de tornar aplic&aacute;vel o Regulamento T&eacute;cnico para descarte dos res&iacute;duos dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de (7). Esse regulamento tem a fun&ccedil;&atilde;o de orientar o gerenciamento correto dos res&iacute;duos e de padronizar os processos nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de atrav&eacute;s da elabora&ccedil;&atilde;o de um plano de gerenciamento de res&iacute;duos que deve ser criado nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e de conhecimento de todos os profissionais daquele local. Quando tratamos de res&iacute;duos provenientes de servi&ccedil;os de sa&uacute;de, n&atilde;o podemos nos esquecer do risco de contamina&ccedil;&atilde;o de solo, &aacute;gua, animais, plantas e principalmente de outras pessoas que podem adquirir doen&ccedil;as em contato com esses res&iacute;duos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os res&iacute;duos de sa&uacute;de s&atilde;o classificados em grupos A, B, C, D e E, de acordo com a Anvisa, e dentro dessas classifica&ccedil;&otilde;es h&aacute; subclassifica&ccedil;&otilde;es que detalham os tipos de materiais. O grupo A se define como o grupo de res&iacute;duos com risco de contamina&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, dentre os quais est&atilde;o os materiais da sa&uacute;de, de laborat&oacute;rios, res&iacute;duos de cl&iacute;nicas ou hospitais veterin&aacute;rios, que cont&ecirc;m secre&ccedil;&otilde;es humanas ou de animais, materiais utilizados em procedimentos, pe&ccedil;as anat&ocirc;micas, res&iacute;duos de laborat&oacute;rios, de vacinas, cultura ou estoque de microrganismos e todos os outros res&iacute;duos que contenham restos de materiais biol&oacute;gicos. Alguns desses res&iacute;duos precisam de tratamento pr&eacute;vio antes de deixar a unidade geradora. Os res&iacute;duos do grupo A que s&atilde;o gerados pelo servi&ccedil;o de assist&ecirc;ncia domiciliar s&atilde;o coletados por agentes de sa&uacute;de treinados a fim de evitar o contato e exposi&ccedil;&atilde;o de familiares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No grupo B est&atilde;o alocados os res&iacute;duos que apresentam riscos qu&iacute;micos para a sa&uacute;de e ao ambiente; no grupo C est&atilde;o classificados os res&iacute;duos radioativos; no grupo D os materiais destinados a reciclagem ou reutiliza&ccedil;&atilde;o; e, por fim, o grupo E s&atilde;o os materiais perfuro-cortantes. Os materiais perfuro-cortantes s&atilde;o materiais que apresentam res&iacute;duos biol&oacute;gicos, por&eacute;m s&atilde;o classificados em outro grupo devido &agrave; import&acirc;ncia de um descarte adequado. Esses devem ser descartados em recipiente adequado, r&iacute;gido, resistente a puncturas e vazamentos, tampados e devem ser descartados na pr&oacute;pria unidade geradora, imediatamente ap&oacute;s o uso. No grupo E enquadram-se agulhas, cateteres, l&acirc;minas de bisturi e outros dispositivos utilizados em procedimentos invasivos da sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m desses res&iacute;duos espec&iacute;ficos, os servi&ccedil;os de sa&uacute;de tamb&eacute;m geram res&iacute;duos comuns, recicl&aacute;veis e res&iacute;duos org&acirc;nicos. Dessa forma, percebe-se como &eacute; grande a quantidade de res&iacute;duos gerados diariamente pela sa&uacute;de. Pensando em um hospital de grande porte, a gera&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos, se n&atilde;o conduzida de maneira adequada, &eacute; um problema importante para o ambiente e pessoas que possam ficar expostas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste ponto, chamamos ainda mais a aten&ccedil;&atilde;o para a quest&atilde;o do descarte correto dos res&iacute;duos de sa&uacute;de. Hoje, como citado acima, temos uma ag&ecirc;ncia que regulariza e supervisiona os processos de sa&uacute;de, regras institucionais, in&uacute;meras normas e rotinas presentes no dia a dia dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, entre outras condutas educativas e fiscalizat&oacute;rias nos servi&ccedil;os. Dessa forma, por que a quest&atilde;o do descarte dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de &eacute; um fator impactante e que merece aten&ccedil;&atilde;o? Ser&aacute; que existe o risco ou s&atilde;o apenas orienta&ccedil;&otilde;es com excesso de cuidado? Observando nesta dire&ccedil;&atilde;o, percebemos que, infelizmente, o descarte incorreto e, por vezes, irrespons&aacute;vel dos res&iacute;duos gerados pelos servi&ccedil;os de sa&uacute;de ainda &eacute; frequente. Os entraves para que esse processo ocorra incorretamente s&atilde;o in&uacute;meros e v&atilde;o desde a falta de orienta&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de, at&eacute; falta de insumos para o descarte correto ou mesmo destino final impr&oacute;prio ap&oacute;s o res&iacute;duo deixar a unidade geradora. Essa quest&atilde;o &eacute; grave e envolve uma rede de profissionais que fazem parte desta engrenagem, facilitando que erros aconte&ccedil;am e fragilizando o processo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O descarte dos res&iacute;duos inicia-se no pr&oacute;prio servi&ccedil;o de sa&uacute;de, imediatamente ap&oacute;s os procedimentos com o descarte realizado pelos profissionais. Para auxiliar o descarte, temos cores de lixos padronizados e dispositivos pr&oacute;prios para o descarte de perfuro-cortantes, todos regulamentados pela Anvisa. Os pr&oacute;ximos profissionais que t&ecirc;m contato com esses materiais s&atilde;o os colaboradores da equipe de higiene. Importante salientar que h&aacute; um treinamento diferenciado para higiene hospitalar, na qual as equipes s&atilde;o treinadas para o desempenho correto das fun&ccedil;&otilde;es. Os profissionais da higiene retiram os res&iacute;duos e os transportam para locais espec&iacute;ficos onde estes ficam acondicionados at&eacute; a retirada para o destino final. A retirada dos res&iacute;duos at&eacute; o destino final geralmente &eacute; realizada por empresas especializadas, com ve&iacute;culos apropriados e equipe treinada. O valor cobrado para esse trabalho varia para cada tipo de lixo, devido &agrave;s diferen&ccedil;as no tratamento final. Dessa forma, as equipes s&atilde;o orientadas que, al&eacute;m da seguran&ccedil;a de todo o processo, existe o fator financeiro que tamb&eacute;m impacta se o material for descartado erroneamente. Suponha que todo o res&iacute;duo hospitalar fosse descartado como res&iacute;duo infectante. Al&eacute;m do valor a ser pago ser imensamente maior, tamb&eacute;m teremos o impacto de mais materiais que receber&atilde;o um tratamento espec&iacute;fico, podendo este agredir o meio ambiente. O processo &eacute; longo, mas se realizado de maneira correta, reduz os riscos de contamina&ccedil;&atilde;o de pessoas e meio ambiente. No entanto, como j&aacute; citado acima, esse processo ainda &eacute; falho e causa muitos problemas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os impactos que os res&iacute;duos da sa&uacute;de causam para a popula&ccedil;&atilde;o e para o meio ambiente frequentemente viram not&iacute;cias e nos mostram uma realidade que n&atilde;o gostamos de ver, mas que acontece em nosso pa&iacute;s. Como exemplo, trazemos um caso ocorrido em fevereiro de 2016, quando o pa&iacute;s se preparava para receber as Olimp&iacute;adas e todo o glamour que acompanha este megaevento (8). Este caso mostra uma catadora de lixo que se feriu com uma seringa que estava descartada incorretamente no lixo comum. Ela foi atendida, mas optou por n&atilde;o aderir ao tratamento e nem ao uso dos equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual (EPIs). Este fato &eacute; lament&aacute;vel, mas nosso foco aqui &eacute; para o descarte incorreto dos res&iacute;duos e, como apenas uma seringa descartada erroneamente, pode mudar o curso de vida de uma pessoa, podendo transmitir doen&ccedil;as, infec&ccedil;&otilde;es ou mesmo expondo a pessoa a tratamentos dif&iacute;ceis e acompanhamentos de longa data.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O gerenciamento dos res&iacute;duos de sa&uacute;de &eacute; um desafio para os profissionais da sa&uacute;de e gestores. No entanto, &eacute; tamb&eacute;m um assunto de responsabilidade e mudan&ccedil;a de atitude de toda a popula&ccedil;&atilde;o. Temos que lembrar e refletir quando estamos em nossas casas e vamos descartar um medicamento vencido ou por materiais utilizados em medica&ccedil;&otilde;es injet&aacute;veis. Qual &eacute; a forma correta de fazer o descarte? &Eacute; importante enfatizar que todo res&iacute;duo proveniente de medicamentos, insumos utilizados na sa&uacute;de, frascos, s&atilde;o res&iacute;duos que necessitam de um descarte especial. No caso das resid&ecirc;ncias, o correto &eacute; levar medicamentos vencidos, seringas e agulhas utilizadas para que sejam descartados em uma unidade b&aacute;sica de sa&uacute;de (UBS) do seu bairro. As UBSs est&atilde;o orientadas e t&ecirc;m essa pr&aacute;tica de receber res&iacute;duos de sa&uacute;de gerados nos domic&iacute;lios para descarte. J&aacute; os res&iacute;duos dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de enfrentam uma problem&aacute;tica maior para serem descartados corretamente. Ainda n&atilde;o temos uma solu&ccedil;&atilde;o eficiente para acabar ou diminuir a quantidade desses res&iacute;duos, at&eacute; porque a maior deles parte &eacute; impr&oacute;pria para reuso e outros fins. A estrat&eacute;gia &eacute; investir em educa&ccedil;&atilde;o, orienta&ccedil;&atilde;o e incitar a responsabilidade de toda a popula&ccedil;&atilde;o para que possamos investir em um cen&aacute;rio mais promissor para o descarte de res&iacute;duos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma grande parte do problema do lixo ou dos res&iacute;duos est&aacute; na forma como o tratamos nas nossas pr&oacute;prias resid&ecirc;ncias. A simples separa&ccedil;&atilde;o do lixo na fonte pode garantir possibilidades de tratamento, reciclagem e uma redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica na quantidade de lixo descartada inadequadamente. Algumas a&ccedil;&otilde;es de baixo custo, e outras que podem inclusive gerar renda, podem ainda reduzir os impactos atuais causados pelo lixo dispon&iacute;vel em lix&otilde;es e aterros sanit&aacute;rios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem). "Coleta seletiva ainda &eacute; um desafio para o pa&iacute;s, aponta Ciclosoft 2016". <i>Cempre Informa</i>, n.147, maio/junho 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://cempre.org.br/cempre-informa/id/70/coleta-seletiva-ainda-e-um-desafio-para-o-pais--aponta-ciclosoft-2016" target="_blank">http://cempre.org.br/cempre-informa/id/70/coleta-seletiva-ainda-e-um-desafio-para-o-pais--aponta-ciclosoft-2016</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. The World Bank. "N&atilde;o desperdice, n&atilde;o queira - residuos s&oacute;lidos no cora&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento sustent&aacute;vel". Not&iacute;cia publicada em 03 de mar&ccedil;o de 2016. <a href="http://www.worldbank.org/pt/news/feature/2016/03/03/waste-not-want-not---solid-waste-at-the-heart-ofsustainable-development" target="_blank">http://www.worldbank.org/pt/news/feature/2016/03/03/waste-not-want-not---solid-waste-at-the-heart-ofsustainable-development</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. The World Bank. "Brasil: a vida depois do lix&atilde;o". Not&iacute;cia publicada em 07 de Maio de 2015. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.worldbank.org/pt/news/feature/2015/05/07/brasil-reciclaje-basura-vertederos" target="_blank">http://www.worldbank.org/pt/news/feature/2015/05/07/brasil-reciclaje-basura-vertederos</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem). "Desenvolvimento do sistema passa pelo fim dos lix&otilde;es". <i>Cempre Informa</i>, n.139, janeiro/fevereiro 2015. Dispon&iacute;vel em <a href="http://cempre.org.br/cempre-informa/id/33/desenvolvimento-do-sistema-passa-pelo-fim-dos-lixoes" target="_blank">http://cempre.org.br/cempre-informa/id/33/desenvolvimento-do-sistema-passa-pelo-fim-dos-lixoes</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Bizari, D. R; Cardoso, J. C. Reuse water and urban horticulture: alliance towards more sustainable cities. <i>Horticultura Bras</i>ileira v. 34, n. 3, p. 311-317, Sept. 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Para mais instru&ccedil;&otilde;es de como montar a sua composteira ver v&iacute;deo dispon&iacute;vel em <a href="http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/06/grama-cortada-produz-adubo-ate-50-mais-potente-diz-pesquisa-da-ufscar.html" target="_blank">http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/06/grama-cortada-produz-adubo-ate-50-mais-potente-diz-pesquisa-da-ufscar.html</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Dispon&iacute;vel em (<a href="http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2004/res0306_07_12_2004.html" target="_blank">http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2004/res0306_07_12_2004.html</a>).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Veja a not&iacute;cia em <a href="http://gazetaweb.globo.com/portal/especial.php?c=4939" target="_blank">http://gazetaweb.globo.com/portal/especial.php?c=4939</a>.    </font></p>     ]]></body>
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