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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desejar, comprar e descartar: da persuasão publicitária à obsolescência programada]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> LIXO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desejar, comprar e descartar: da persuas&atilde;o publicit&aacute;ria &agrave; obsolesc&ecirc;ncia programada</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Valqu&iacute;ria Padilha</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora de sociologia no Departamento de Administra&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Economia, Administra&ccedil;&atilde;o e Contabilidade de Ribeir&atilde;o Preto (FEA-RP), Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), com p&oacute;s-doutorado realizado na T&eacute;luq/UQAM, em Montreal, Canad&aacute;. Autora de Shopping Center, a catedral das mercadorias (Boitempo, 2006). Email: <a href="mailto:valpadilha@usp.br">valpadilha@usp.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O meu pai tem uma m&aacute;quina de lavar roupas que comprou h&aacute; quase 30 anos. Claro que ela j&aacute; foi consertada algumas vezes, mas ainda funciona. Na l&oacute;gica da sociedade de consumo, ela j&aacute; deveria estar morta e meu pai, nessas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, deveria ter tido algumas m&aacute;quinas de lavar. Vamos considerar esse breve exemplo pessoal para analisar pelo menos dois aspectos da sociedade de consumo: 1) hoje em dia, quando algu&eacute;m compra uma m&aacute;quina de lavar roupas, uma geladeira, uma televis&atilde;o ou um computador, quanto tempo dura? As coisas s&atilde;o feitas para quebrar, afirma Slade (1), e isso se chama <b>obsolesc&ecirc;ncia programada</b> e, 2) a <b>publicidade</b> e a obsolesc&ecirc;ncia programada s&atilde;o os principais trunfos da sociedade de consumo para nos convencer que seremos mais modernos, mais felizes e livres se estivermos constantemente desejando e comprando produtos novos – o que implica em descartar, muitas vezes, produtos que ainda est&atilde;o em boas condi&ccedil;&otilde;es de uso. Vamos analisar criticamente a sociedade de consumo a partir desses dois pontos, come&ccedil;ando pela publicidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Partimos da premissa de que nossos desejos pelas mercadorias s&atilde;o criados e manipulados pela publicidade direta e indireta (em filmes do cinema comercial, por exemplo) e que isso &eacute; fundamental para que a sociedade de consumo fa&ccedil;a cada vez mais consumidores persuadidos e motivados a consumir. As ind&uacute;strias capitalistas, definitivamente, n&atilde;o dependem dos desejos espont&acirc;neos e genu&iacute;nos das pessoas. Caso contr&aacute;rio, as publicidades n&atilde;o seriam t&atilde;o necess&aacute;rias como s&atilde;o. Na sociedade de consumo, a publicidade &eacute; a principal fonte de instiga&ccedil;&atilde;o do desejo de consumir sabonete, sab&atilde;o em p&oacute;, sapato, roupa, alimentos, celular, autom&oacute;vel etc. Isso se deve ao fato de que, no capitalismo, h&aacute; uma produ&ccedil;&atilde;o excedente de mercadorias, ou seja, o ciclo de produ&ccedil;&atilde;o e consumo, que alimenta a acumula&ccedil;&atilde;o de capital gerando lucro aos donos das empresas, precisa produzir muito mais do que apenas os produtos que satisfariam as necessidades mais b&aacute;sicas das pessoas, como comer, vestir-se e morar. O capitalismo precisou desenvolver o que chamamos de "sociedade de consumo", em que as necessidades e os desejos s&atilde;o costurados numa trama confusa e complexa. Fica cada dia mais dif&iacute;cil escrevermos uma lista de coisas essenciais para nossas vidas. H&aacute; 80 anos era mais f&aacute;cil. Precisamos de comida tanto quanto de um celular? Que tipo de comida? Tudo se mistura em nossa mente. Isso se agravou a partir dos anos 1930, com o desenvolvimento do fordismo, sistema de produ&ccedil;&atilde;o e de consumo de massa. A inten&ccedil;&atilde;o da sociedade de consumo &eacute; essa mesma: confundir-nos, nos fazer crer que n&atilde;o podemos viver sem o &uacute;ltimo celular lan&ccedil;ado, o &uacute;ltimo carro com GPS (<i>Global Positioning System</i>), a roupa que a atriz famosa usa na novela, o <i>notebook </i>ultrafino que se converte em <i>tablet </i>e por a&iacute; vai.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quantas publicidades estamos expostos todos os dias quando assistimos &agrave; televis&atilde;o, lemos uma revista, um jornal, acessamos a internet, vemos <i>outdoors </i>ou<i> merchandising</i>? O c&aacute;lculo surpreende. Leonard (2) conta que um cidad&atilde;o estadunidense v&ecirc;, por dia, em m&eacute;dia, mais de 3 mil an&uacute;ncios publicit&aacute;rios. Isso vale para pessoas de todas as idades. As crian&ccedil;as hoje j&aacute; s&atilde;o alvos dos publicit&aacute;rios e os efeitos dessa superexposi&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as ao <i>marketing</i> j&aacute; s&atilde;o denunciados (3): obesidade infantil (devido ao aumento de consumo de alimentos cal&oacute;ricos e pouco nutritivos), depress&atilde;o, ansiedade, hiperatividade. Vale a pena assistir ao document&aacute;rio <i>Crian&ccedil;a: a alma do neg&oacute;cio</i>, de Estela Renner. &Eacute; assustador imaginar que estamos todos, desde crian&ccedil;as, sendo fortemente seduzidos pelo que Marcondes Filho (4) chamou de "ind&uacute;stria da consci&ecirc;ncia". A partir dos anos 1950, especialmente, podemos pensar sobre o poder de manipula&ccedil;&atilde;o que as publicidades exercem sobre n&oacute;s. Desde ent&atilde;o, as empresas gastam milh&otilde;es em pesquisas de motiva&ccedil;&atilde;o de consumo e em campanhas publicit&aacute;rias, nos formatando como consumidores na sociedade de mercado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para vender mais e aumentar os lucros das empresas, num cen&aacute;rio muito competitivo do capitalismo globalizado, os especialistas em <i>marketing</i> descobriram que os produtos devem corresponder a necessidades mais psicol&oacute;gicas do que efetivamente materiais. &Eacute; por isso que as publicidades atuam no campo do simb&oacute;lico, atingindo nossos desejos conscientes e inconscientes por meio de cores, cheiros, sons, personalidades famosas do cinema, da televis&atilde;o, do esporte. Mazoyer explica como, para vender mais, os produtos devem corresponder a pelo menos oito desejos inconscientes dos consumidores: 1. alimentar o narcisismo; 2. dar-lhes seguran&ccedil;a emotiva; 3. garantir-lhes que ele merece; 4. inscrever-lhes na sua &eacute;poca (ser moderno); 5. dar-lhes um sentimento de poder, 6. de autoridade, 7. de autenticidade e, 8. de criatividade. Brune (6), que chama a publicidade de narc&oacute;tico, analisa que ela opera com as seguintes estrat&eacute;gias: 1. reduzir: a publicidade faz com que os indiv&iacute;duos acreditem que o consumo ser&aacute; suficiente para sua vida sociocultural; 2. frustar: a oferta da plenitude pelo consumo aviva no consumidor o sentimento de suas faltas, de seu vazio - faz parte da estrat&eacute;gia publicit&aacute;ria frustrar continuamente as pessoas para relan&ccedil;ar novos desejos de compra; 3. erotizar: a erotiza&ccedil;&atilde;o dos produtos &eacute; intencional para implantar a ideologia de que as coisas do amor s&atilde;o antes de tudo o amor das coisas, ou seja, que a puls&atilde;o sexual deve ser reduzida &agrave; puls&atilde;o de compra; 4. alienar: atrav&eacute;s da publicidade, as pessoas n&atilde;o perdem somente sua pr&oacute;pria personalidade como tamb&eacute;m veem a elas mesmas pelo olhar do outro; 5. condicionar: a tese do <i>complexo de castra&ccedil;&atilde;o</i>, explicada por Freud, atingiu a publicidade - o consumo de mercadorias ajudaria as mulheres a preencherem o que lhes falta por natureza  (o falo com o qual sonham sem saber) e, 6. infantililzar: a crian&ccedil;a moderna, que adora publicidade como adora a&ccedil;&uacute;car, sente-se segura no universo dos objetos e cresce buscando reconhecer-se na crian&ccedil;a feliz dos comerciais que s&oacute; vive do consumo de brinquedos e guloseimas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v68n4/a15fig01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v68n4/a15fig01thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ent&atilde;o, o que se conclui sobre o primeiro ponto abordado &eacute; que a publicidade &eacute; a espinha dorsal da sociedade de consumo, sem a qual n&atilde;o ter&iacute;amos tantos desejos e n&atilde;o ser&iacute;amos formatados mais como consumidores do que como cidad&atilde;os. Dito de outra forma, nossa identidade est&aacute; mais ancorada na atua&ccedil;&atilde;o que temos na esfera privada do consumo que como cidad&atilde;os atuando na esfera p&uacute;blica da vida em coletividade. Como muito bem analisou Severiano (7), a publicidade, "n&uacute;cleo privilegiado da produ&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica", atua de forma determinante na constru&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o da "cultura do narcisismo". O narcisismo, estado em que as pessoas elegem a si pr&oacute;prios como objetos de amor, est&aacute; no campo do individualismo, onde o sujeito &eacute; estimulado, o tempo todo, a satisfazer seus prazeres e desejos sem culpa. A atua&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; exige outro tipo de personalidade, voltada para os interesses e direitos sociais coletivos, com base numa cultura do altru&iacute;smo que a sociedade de consumo tem subtra&iacute;do de nossa exist&ecirc;ncia humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O outro aspecto da sociedade de consumo que podemos apontar a partir do exemplo da antiga m&aacute;quina de lavar roupas que meu pai ainda tem - j&aacute; que ele &eacute; um ponto fora da curva e n&atilde;o se deixou seduzir pelos apelos da publicidade para trocar de eletrodom&eacute;stico e ser mais moderno e feliz -, &eacute; a chamada obsolesc&ecirc;ncia programada ou planejada. Juntos, publicidade e obsolesc&ecirc;ncia programada s&atilde;o combust&iacute;veis essenciais para manter funcionando o ciclo de produ&ccedil;&atilde;o-consumo-mais produ&ccedil;&atilde;o-mais consumo de nossa atual sociedade capitalista. Podemos acrescentar, ainda, para formar um trip&eacute;, o sistema de cr&eacute;ditos, que estimula a compra parcelada com base na propaga&ccedil;&atilde;o da l&oacute;gica do "satisfa&ccedil;a agora os teus desejos e pague depois". Mas, para n&atilde;o ampliar o foco deste artigo, devemos analisar melhor a estrat&eacute;gia da obsolesc&ecirc;ncia programada e suas consequ&ecirc;ncias sociais e ambientais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os donos das empresas t&ecirc;m interesse de ver seus lucros aumentados e, para isso, como vimos, &eacute; preciso que as pessoas sintam necessidade de comprar. Se o ciclo de produ&ccedil;&atilde;o e consumo for acelerado, ou seja, mais produ&ccedil;&atilde;o e mais consumo em menos tempo, os capitalistas lucram mais. Simples assim. O discurso hegem&ocirc;nico da economia de mercado &eacute; o de que a acelera&ccedil;&atilde;o desse ciclo &eacute; necess&aacute;ria para manter o crescimento econ&ocirc;mico, mantendo empregos. Isso n&atilde;o &eacute; verdade, pois podemos pensar novas formas de trabalho (inclusive, com menos precariza&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o) num outro tipo de organiza&ccedil;&atilde;o social e econ&ocirc;mica, como bem j&aacute; apontaram Latouche (8), Mongeau (9), Prieto e Slim (10) e muitos outros autores. Por ora, o importante &eacute; saber o que &eacute; e como funciona a obsolesc&ecirc;ncia programada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo M&eacute;sz&aacute;ros (11), vivemos numa sociedade descart&aacute;vel que se baseia na "taxa de uso decrescente dos bens e servi&ccedil;os produzidos pela sociedade", ou seja, o capitalismo n&atilde;o &eacute; a favor da produ&ccedil;&atilde;o de bens dur&aacute;veis e reutiliz&aacute;veis. O capitalismo &eacute; um sistema essencialmente destrutivo, pois precisa destruir a natureza no in&iacute;cio e no final do ciclo produtivo: quando esgota os recursos naturais a fim de sustentar a produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias e quando estimula o descarte r&aacute;pido dessas mercadorias aumentando a quantidade de res&iacute;duos/lixos na natureza. Quanto menos tempo os produtos durarem nas m&atilde;os das pessoas, mais r&aacute;pido essas pessoas ir&atilde;o comprar novamente, usar rapidamente, descartar e assim sucessivamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Precisamos, ent&atilde;o, cada vez mais, desejar novos produtos ou substituir os que j&aacute; temos, seja por falha, seja por acharmos que surgiu outro exemplar mais desenvolvido tecnologicamente ou, simplesmente, porque saiu de moda. &Eacute; disso que se trata a obsolesc&ecirc;ncia programada. Foi nos anos 1920 que o princ&iacute;pio da obsolesc&ecirc;ncia programada come&ccedil;ou a ser pensado como solu&ccedil;&atilde;o para a crise de 1929. O document&aacute;rio espanhol <i>Obsolesc&ecirc;ncia planejada</i> (12) &eacute; muito educativo e deve ser visto por todos que queiram compreender melhor o cen&aacute;rio que estamos analisando neste artigo. O filme  mostra a hist&oacute;ria da primeira v&iacute;tima da obsolesc&ecirc;ncia programada, que foi a l&acirc;mpada el&eacute;trica, com a cria&ccedil;&atilde;o do primeiro cartel mundial para controlar a produ&ccedil;&atilde;o de l&acirc;mpadas: o Phoebus. Os produtores de l&acirc;mpadas se deram conta que as l&acirc;mpadas duravam tempo demais e, assim, as pessoas n&atilde;o precisavam compr&aacute;-las com frequ&ecirc;ncia, o que atrapalhava o ritmo das vendas. Assim, reunidos nesse cartel, decidiram diminuir a vida &uacute;til das l&acirc;mpadas. Eis que se descobre uma excelente estrat&eacute;gia para os neg&oacute;cios: planejar estrategicamente o tempo de vida dos produtos. Podemos afirmar que assim come&ccedil;a nossa tr&aacute;gica hist&oacute;ria do excesso de res&iacute;duos descartados na natureza. "Aquilo que n&atilde;o se desgasta n&atilde;o &eacute; bom para os neg&oacute;cios" &eacute; o lema da obsolesc&ecirc;ncia programada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Packard (13) e Slade (1) nos apresentam tr&ecirc;s tipos de obsolesc&ecirc;ncia: a obsolesc&ecirc;ncia de fun&ccedil;&atilde;o, a obsolesc&ecirc;ncia de qualidade e a obsolesc&ecirc;ncia de desejabilidade. A <b>obsolesc&ecirc;ncia de fun&ccedil;&atilde;o</b> seria a menos perversa, digamos assim, pois um produto existente torna-se antiquado quando &eacute; introduzido um produto que executa melhor a fun&ccedil;&atilde;o. Slade (1) chama de "obsolesc&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica". De certa forma, &eacute; bom que nossa sociedade produtivista incremente tecnologia e ofere&ccedil;a produtos melhores tecnologicamente falando. Os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos contribuem muito para a parte da popula&ccedil;&atilde;o que pode ter acesso a bons exames m&eacute;dicos e diagn&oacute;sticos feitos em equipamentos de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; bom. Uma nova tecnologia torna um equipamento obsoleto. Como afirmou Packard (13), quando uma telefonista n&atilde;o precisa mais completar nossa liga&ccedil;&atilde;o ou quando conseguimos voar num avi&atilde;o a jato e n&atilde;o mais num avi&atilde;o com motor movido a pist&atilde;o, tudo isso merece aplausos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <b>obsolesc&ecirc;ncia de qualidade</b> pode ser uma pouco mais complicada, porque um produto tem sua vida &uacute;til encurtada propositadamente, como &eacute; o caso de uma impressora que j&aacute; vem com um <i>chip</i> que determina o seu tempo de vida de funcionamento em dois anos, por exemplo. Trata-se de uma obsolesc&ecirc;ncia cong&ecirc;nita, ou seja, o produto j&aacute; sai da f&aacute;brica com um prazo curto de validade da sua qualidade. "Troque o velho pelo novo" &eacute; o lema desse tipo de obsolesc&ecirc;ncia, por causa do apelo de que a qualidade do produto novo vai ser melhor. Segundo o espanhol Benito Muros, presidente de um movimento contra a obsolesc&ecirc;ncia programada (SOP, ou Sem Obsolesc&ecirc;ncia Programada), algumas pe&ccedil;as essenciais para eletrodom&eacute;sticos s&atilde;o colocadas propositalmente pr&oacute;ximas das partes que mais aquecem no objeto, diminuindo seu tempo de vida. Soma-se a isso, o uso de materiais de menor qualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o &eacute; que as f&aacute;bricas poderiam fazer e faziam produtos com mais qualidade, mais dur&aacute;veis - como &eacute; o caso da antiga m&aacute;quina de lavar roupas do meu pai. Com o passar dos anos, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, os produtos j&aacute; saem das f&aacute;bricas, estrategicamente, com qualidade reduzida. No document&aacute;rio espanhol indicado acima, mostra-se o caso das meias de <i>nylon </i>feitas pela DuPont. Elas eram muito resistentes e n&atilde;o rasgavam nunca, ou seja, um fracasso para os neg&oacute;cios! Os engenheiros qu&iacute;micos foram intimados a produzirem um <i>nylon </i>de pior qualidade. As pir&acirc;mides de <i>Teotihuacan</i>, na cidade do M&eacute;xico, que datam aproximadamente de 200 anos a.C, possuem afrescos que est&atilde;o ali pintados nas pedras com as tintas ainda originais. Por que essas tintas feitas h&aacute; mais de dois mil anos ainda est&atilde;o ali, sem retoques, e n&oacute;s temos que pintar as paredes de casa a cada dez anos, pelo menos? Evolu&iacute;mos tanto e nossos cientistas n&atilde;o s&atilde;o capazes de fazer uma tinta que dure para sempre? Sim, esse conhecimento existe, mas n&atilde;o &eacute; rent&aacute;vel para as empresas. O espanhol Muros denuncia que est&aacute; sendo amea&ccedil;ado de morte porque criou uma l&acirc;mpada que dura 100 anos (14).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O &uacute;ltimo tipo &eacute; a obsolec&ecirc;ncia de desejabilidade ou psicol&oacute;gica, que consiste em tirar o desejo de ter algo que ainda funciona para ter algo novo e assim sucessivamente. Os consumidores s&atilde;o levados a acreditar que o novo &eacute; sin&ocirc;nimo de melhor. Nesse caso, um fabricante pode causar uma mudan&ccedil;a de estilo (uma tend&ecirc;ncia) de diferentes formas: modificar a cor predominante usada (mudar as cores da moda), mudar o grau de ornamenta&ccedil;&atilde;o (mais simples ou mais rebuscado) e mudar o perfil (barra da saia mais longa ou mais curta). A moda &eacute; o melhor exemplo desse tipo de obsolesc&ecirc;ncia. As mudan&ccedil;as de estilo, mais do que de mec&acirc;nica, garantem novos consumidores a cada ano: eis a ideia de dar mais op&ccedil;&otilde;es de escolha aos consumidores. Os profissionais de <i>design</i> entram em a&ccedil;&atilde;o e devem criar novas formas, novas tend&ecirc;ncias, novos estilos o tempo todo - o que vale de roupas a autom&oacute;veis. Num ano a tend&ecirc;ncia dos carros &eacute; de linhas retas, dois anos depois as linhas s&atilde;o curvas. Num ano as saias s&atilde;o curtas, um ano depois s&atilde;o longas e assim sucessivamente. Trata-se, ent&atilde;o, de gastar os produtos na cabe&ccedil;a das pessoas para que elas queiram e "precisem" descartar os velhos e comprar os novos. A publicidade &eacute; grande aliada aqui.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ent&atilde;o, podemos nos perguntar: planejar o fim de um produto, acelerando o ciclo produ&ccedil;&atilde;o consumo-mais produ&ccedil;&atilde;o-mais consumo em favor da acumula&ccedil;&atilde;o do capital de poucos empres&aacute;rios, agora, destruindo o meio ambiente para sempre, &eacute; &eacute;tico? O nosso modelo produtivista-consumista &eacute; &eacute;tico? Onde est&aacute; a &eacute;tica dos profissionais que colocam o seu saber a servi&ccedil;o dos interesses do mercado e n&atilde;o do bem comum? N&atilde;o temos espa&ccedil;o aqui para discutir essas quest&otilde;es t&atilde;o provocativas. Mas, vale ficarmos com elas em mente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Num breve e interessante artigo, L&ouml;wy (15) lembra uma passagem de Antonio Gramsci muito interessante: os revolucion&aacute;rios socialistas precisam saber combinar o pessimismo da raz&atilde;o com o otimismo da vontade. Assim, precisamos saber apontar os problemas com capacidade cr&iacute;tica agu&ccedil;ada, sem perder o desejo de agir com otimismo. E L&ouml;wy afirma: "as coisas v&atilde;o mal", e esse &eacute; o pessimismo da an&aacute;lise. O atual modelo de capitalismo industrial, baseado no princ&iacute;pio do crescimento econ&ocirc;mico infinito, baseado na acelera&ccedil;&atilde;o do ciclo do produtivismo e do consumismo "est&aacute; conduzindo a humanidade (...) a uma cat&aacute;strofe ecol&oacute;gica ou ambiental sem precedentes em sua hist&oacute;ria", afirma L&ouml;wy (15, p.8).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais do que apenas discutirmos os 3R (reduzir, reaproveitar e reciclar), que s&atilde;o importantes, repensar o modelo de crescimento econ&ocirc;mico que temos seguido nos &uacute;ltimos 200 anos &eacute; urgente. Os franceses, com o economista Serge Latouche (8) &agrave; frente, defendem um movimento que cresce a cada ano no mundo: o decrescimento econ&ocirc;mico. Outros, como Michael L&ouml;wy, defendem o ecossocialismo como parte do otimismo da vontade. Para ele, o ecossocialismo &eacute; tanto uma cr&iacute;tica aos modelos de socialismo n&atilde;o ecol&oacute;gicos quanto aos modelos ecol&oacute;gicos sem socialismo. O ecossocialismo faz uma cr&iacute;tica ao ecologismo de mercado. O modelo de produ&ccedil;&atilde;o e consumo vigentes no capitalismo atual &eacute; incompat&iacute;vel com a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente. Qualquer solu&ccedil;&atilde;o proposta dentro dessa ordem ser&aacute; apenas paliativa, o que n&atilde;o deixa de ser importante, mas temos que ser honestos e assumirmos sua insufici&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; preciso mudar o sistema social, econ&ocirc;mico e cultural, superando o capitalismo hegem&ocirc;nico - tarefa para muito tempo e para muita gente. Para isso, &eacute; preciso seguir as duas linhas de propostas, que s&atilde;o complementares: o decrescimento econ&ocirc;mico (8; 9; 10; 15) e o ecossocialismo (14; 16). Em ambas as propostas, &eacute; preciso descolonizar nosso pensamento formatado nesse modelo produtivista-consumista e "colocar em quest&atilde;o o paradigma da civiliza&ccedil;&atilde;o capitalista, ocidental, industrial, moderna." (15, p.14). Nessas duas linhas de an&aacute;lise, n&atilde;o se aceita pensar em "desenvolvimento sustent&aacute;vel" ou "crescimento verde", pois se trata de uma enorme contradi&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que nosso sistema &eacute; essencialmente insustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre o decrescimento econ&ocirc;mico, temos as seguintes passagens para nos instigar:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>     <p>O decrescimento &eacute; um <i>slogan</i> pol&iacute;tico (...) que visa acabar com o jarg&atilde;o do produtivismo (...). A palavra de ordem 'decrescimento' tem como principal meta enfatizar fortemente o abandono do objetivo do crescimento ilimitado (...) com consequ&ecirc;ncias desastrosas para o meio ambiente e, portanto, para a humanidade. (8, p.4)</p>     <p> As pessoas aspiram por um conforto material e padr&otilde;es de consumo crescentes. O crescimento, contudo, &eacute;, de um lado, limitado pela finitude de mat&eacute;rias-primas e energia e, de outro, pela capacidade restrita do planeta de processar os res&iacute;duos. Assim, n&atilde;o ser&atilde;o resolvidos os problemas ambientais tratando-se apenas os sintomas (16, p.14).</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; isso: temos que ultrapassar o modelo funcionalista de tratar apenas os sintomas e dar rem&eacute;dios. Trata-se, antes de tudo, de uma mudan&ccedil;a de valores t&atilde;o necess&aacute;ria quanto dif&iacute;cil. Utopia, dir&atilde;o muitos. Claro, a ideia de decrescimento e de supera&ccedil;&atilde;o do capitalismo &eacute; insuport&aacute;vel a todos que veem na media&ccedil;&atilde;o mercantil o la&ccedil;o social por excel&ecirc;ncia. &Eacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o chamar nosso sistema atual de produtivo, quando &eacute; extremamente destrutivo - do come&ccedil;o ao fim da cadeia. Uma das tantas dificuldades &eacute; saber que existem muito mais economistas (e tantos jornalistas que atuam como seus portavozes) para nos convencer da necessidade de crescimento econ&ocirc;mico pela l&oacute;gica da produ&ccedil;&atilde;o e consumo - porque se baseiam no mito do princ&iacute;pio da raridade - do que para pensar conosco um outro mundo poss&iacute;vel. Quando as necessidades s&atilde;o ajustadas aos recursos dispon&iacute;veis e n&atilde;o ao objetivo do lucro privado de poucos, n&atilde;o h&aacute; mais o fen&ocirc;meno da raridade. Como tamb&eacute;m refor&ccedil;a Harvey (17), o modelo de crescimento material infinito est&aacute; acabando.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A natureza &eacute; finita, isso &eacute; indiscut&iacute;vel. A finalidade das atividades econ&ocirc;micas n&atilde;o pode ser apenas a produ&ccedil;&atilde;o de lixo, como bem lembrou Cechin (15). Temos, ent&atilde;o, de encontrar as respostas para pelo menos tr&ecirc;s perguntas centrais nesse debate: 1. O que realmente queremos que tenha sentido em nossas vidas?; 2. Como frear os desejos infinitos e antropoc&ecirc;ntricos de lucro?; 3. Como a natureza vai conseguir absorver tantos res&iacute;duos descartados diariamente em seus oceanos, aterros, rios? O desafio est&aacute; lan&ccedil;ado! Sigamos pessimistas na an&aacute;lise, mas otimistas na a&ccedil;&atilde;o, da melhor forma que pudermos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Slade, G. <i>Made to break: Technology and obsolescence in America. </i>Harvard University Press, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Leonard, A. <i>A hist&oacute;ria das coisas. Da natureza ao lixo, o que acontece com tudo que consumimos</i>. RJ: Zahar, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Schor, J., <i>Nascidos para comprar</i>. SP: Gente, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Marcondes Filho, C. <i>A linguagem da sedu&ccedil;&atilde;o. A conquista das consci&ecirc;ncias pela fantasia. </i>SP: Perspectiva, 1988.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Mazoyer, F. "Consommateurs sous influence". <i>Le Monde Diplomatique</i>, ano 47, nº 561, dez. 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Brune, F., <i>Le bonheur conforme: essai sur la normalisation publicitaire. </i>Paris: Gallimard, 1981.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Severiano, M.F. <i>Narcisismo e publicidade. Uma an&aacute;lise psicossocial dos ideais de consumo na contemporaneidade. </i>SP: Annablume, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Latouche, S. <i>Pequeno tratado do decrescimento sereno. </i>SP: Martins Fontes, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Mongeau, S. (org.), <i>Objecteurs de croissance. Pour sortir de l'impasse: la d&eacute;croissance. </i>Montr&eacute;al: Les Editions &Eacute;cosoci&eacute;t&eacute;, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Prieto, M.; Slim, A. <i>Consommer moins pour vivre mieux? Id&eacute;es re&ccedil;ues sur la d&eacute;croissance. </i>Paris: Le Cavalier Bleu, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. M&eacute;sz&aacute;ros, I. <i>Produ&ccedil;&atilde;o destrutiva e Estado capitalista. </i>SP: Ensaio, 1989.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. <i>Obsolesc&ecirc;ncia programada. Comprar, tirar, comprar</i>. Dire&ccedil;&atilde;o: Cosima Dannoritzer. Produ&ccedil;&atilde;o: Joan &Uacute;beda. Barcelona, Spain: Media 3.14, 2010. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=3pb7HOfp8PU" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=3pb7HOfp8PU</a>&gt;    .</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Packard, V. <i>Estrat&eacute;gia do desperd&iacute;cio</i>. SP: Ibrasa, 1965.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. "Espanhol &eacute; amea&ccedil;ado de morte por inventar l&acirc;mpada que dura 100 anos". 14/07/2013, <i>&Eacute;poca Neg&oacute;cios Online</i>. Dispon&iacute;vel online.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. L&ouml;wy, M. "Ecossocialismo: alternativas de desenvolvimento para superar o modelo produtivista-consumista". <i>In:</i> Abong (org.). <i>Por um outro desenvolvimento. </i>SP: Maxprint Editora e Gr&aacute;fica, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Cechin, A. <i>A natureza como limite da economia. </i>SP: Senac/Edusp, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. L&ouml;wy, M. <i>O que &eacute; ecossocialismo</i>. SP: Cortez, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Harvey, D. <i>O enigma do capital e as crises do capitalismo</i>. SP: Boitempo, 2011.    </font></p>      ]]></body><back>
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