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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS &amp; ENSAIOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Lagoa Santa: em busca dos primeiros americanos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Walter A. Neves<sup>I</sup>; Pedro Da-Gloria<sup>II</sup>; Mark Hubbe<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professor titular do Departamento de Gen&eacute;tica e Biologia Evolutiva e coordenador do Laborat&oacute;rio de Estudos Evolutivos e Ecol&oacute;gicos Humanos, ambos no Instituto de Bioci&ecirc;ncias da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). E-mail: <a href="mailto:waneves@ib.usp.br">waneves@ib.usp.br</a>     <br> <sup>II</sup>Formado em biologia pela USP e doutor em antropologia pela The Ohio State University (EUA). Atualmente &eacute; pesquisador do Laborat&oacute;rio de Estudos Evolutivos e Ecol&oacute;gicos Humanos da USP. E-mail: <a href="mailto:da-gloria@ib.usp.br">da-gloria@ib.usp.br</a>    <br> <sup>III</sup>Doutor em antropologia biol&oacute;gica pela USP. Atualmente, &eacute; professor associado do Departamento de Antropologia da The Ohio State University. E-mail: <a href="mailto:hubbe.1@osu.edu">hubbe.1@osu.edu</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A regi&atilde;o de Lagoa Santa, a cerca de 50 km ao norte de Belo Horizonte, Minas Gerais (figura 1), tem tido especial destaque no cen&aacute;rio cient&iacute;fico brasileiro por ser um dos primeiros locais de investiga&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica do material arqueol&oacute;gico e paleontol&oacute;gico no nosso territ&oacute;rio, abarcando mais de 180 anos de pesquisas. Os achados na regi&atilde;o cruzaram as fronteiras nacionais, impactando diretamente as concep&ccedil;&otilde;es sobre a antiguidade e o modo de ocupa&ccedil;&atilde;o do continente americano. Todavia, entender essa longa hist&oacute;ria de pesquisa em Lagoa Santa sempre demandou um esfor&ccedil;o enorme para o pesquisador. Entre outras coisas, porque as fontes prim&aacute;rias est&atilde;o distribu&iacute;das em arquivos em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo e Copenhague, sendo algumas delas apenas manuscritos ou relat&oacute;rios internos dessas institui&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste artigo, buscamos contar a hist&oacute;ria de pesquisas arqueol&oacute;gicas e paleontol&oacute;gicas em Lagoa Santa, incluindo estudos das m&uacute;ltiplas institui&ccedil;&otilde;es que contribu&iacute;ram para a pesquisa na regi&atilde;o, tais como no cen&aacute;rio nacional o Museu Nacional do Rio de Janeiro, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), e no cen&aacute;rio internacional as miss&otilde;es americana e francesa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os estudos em Lagoa Santa sempre se caracterizaram por sua multidisciplinaridade, incluindo di&aacute;logos entre biologia, arqueologia e antropologia. Dessa forma, este artigo cumpre o papel de mostrar uma &aacute;rea de pesquisa que &eacute; movida por quest&otilde;es cient&iacute;ficas espec&iacute;ficas ao inv&eacute;s de se enquadrar em uma disciplina tradicional. Muitas das perguntas, tais como sobre a antiguidade do homem nas Am&eacute;ricas, s&atilde;o legados de Peter Lund, naturalista dinamarqu&ecirc;s que trabalhou na regi&atilde;o no s&eacute;culo XIX, em uma &eacute;poca em que os naturalistas transitavam livremente por campos cient&iacute;ficos bastante diversos (1).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n4/a17fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os estudos em Lagoa Santa apresentam tamb&eacute;m uma grande relev&acirc;ncia para o patrim&ocirc;nio nacional. Durante muito tempo a regi&atilde;o atraiu mineradoras em busca de calc&aacute;rio, cujas atividades amea&ccedil;avam a preserva&ccedil;&atilde;o de grutas e abrigos. A destrui&ccedil;&atilde;o de s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos por depreda&ccedil;&atilde;o ou por escava&ccedil;&otilde;es n&atilde;o controladas, essas &uacute;ltimas realizadas at&eacute; mesmo nos anos 1970, impactaram muito significativamente o material arqueol&oacute;gico da regi&atilde;o. Dentro desse contexto de preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio brasileiro, nada mais crucial do que divulgar a riqueza de conhecimentos produzidos em Lagoa Santa, que conta com cole&ccedil;&otilde;es armazenadas em museus e universidades p&uacute;blicas nacionais e internacionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho pioneiro de Peter Lund em Lagoa Santa ocorreu entre 1835 e 1844. Das centenas de grutas e abrigos localizados pelo naturalista dinamarqu&ecirc;s com potencial fossil&iacute;fero, ele explorou aproximadamente 80 deles, localizando mais de 12 mil f&oacute;sseis. Entretanto, o s&iacute;tio mais pol&ecirc;mico escavado por Lund foi a Gruta do Sumidouro. Nela, Lund encontrou restos de megafauna associados a restos humanos. A partir dessa associa&ccedil;&atilde;o, Lund prop&ocirc;s que a ocupa&ccedil;&atilde;o do continente americano tinha sido muito anterior ao que se pensava e que o homem e a megafauna tinham convivido em Lagoa Santa. Todas as miss&otilde;es que sucederam o trabalho de Lund na regi&atilde;o tiveram, em alguma medida, o objetivo de testar essas propostas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, as grutas de Lagoa Santa voltaram a ser pesquisadas sistematicamente somente no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, quando duas grandes equipes se dedicaram a novas escava&ccedil;&otilde;es: do Museu Nacional do Rio de Janeiro e da Academia de Ci&ecirc;ncias de Minas Gerais. Essas pesquisas levaram a um acirrado debate entre os pesquisadores dessas duas institui&ccedil;&otilde;es. Aqueles ligados ao Museu Nacional n&atilde;o encontraram evid&ecirc;ncias da contemporaneidade entre o homem e a megafauna. J&aacute; os especialistas da Academia de Ci&ecirc;ncias defenderam ferozmente a vis&atilde;o lundiana: o homem e a megafauna de fato teriam convivido em Lagoa Santa. Essa posi&ccedil;&atilde;o era sustentada principalmente pela associa&ccedil;&atilde;o entre restos de megafauna e o c&eacute;lebre Homem de Confins, encontrado pelos pesquisadores da Academia de Ci&ecirc;ncias na c&acirc;mara interna da Lapa Mortu&aacute;ria de Confins (2). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O problema de ambas as interven&ccedil;&otilde;es &eacute; que na &eacute;poca em que foram realizadas n&atilde;o se dispunha de m&eacute;todos de data&ccedil;&atilde;o absoluta para os restos encontrados, como, por exemplo, o m&eacute;todo do carbono-14. Esse quadro s&oacute; viria a se modificar nos anos 1950 com a miss&atilde;o americana na regi&atilde;o. Das minuciosas escava&ccedil;&otilde;es realizadas por essa miss&atilde;o, com controle estratigr&aacute;fico r&iacute;gido, sobretudo em sete abrigos e grutas no complexo de Cerca Grande, duas respostas &agrave;s hip&oacute;teses de Lund emergiram: primeiro, ao contr&aacute;rio do que Lund acreditava, n&atilde;o teria havido uma conviv&ecirc;ncia entre homem e megafauna em Lagoa Santa, j&aacute; que nenhum osso de megamam&iacute;fero foi encontrado nos s&iacute;tios escavados; segundo, Lund estava correto quanto a uma de suas hip&oacute;teses: a ocupa&ccedil;&atilde;o humana na regi&atilde;o era de fato muito antiga (3). Na d&eacute;cada de 1960, a miss&atilde;o americana produziu as primeiras data&ccedil;&otilde;es por carbono-14 para Lagoa Santa, tendo encontrado ali vest&iacute;gios de ocupa&ccedil;&atilde;o humana desde aproximadamente 10 mil anos (4).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v68n4/a17fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa data recuada no tempo estimulou Annette Laming-Emperaire, destacada arque&oacute;loga francesa, a estabelecer em Lagoa Santa a famosa miss&atilde;o franco-brasileira, durante a d&eacute;cada de 1970. Al&eacute;m de po&ccedil;os-testes realizados em v&aacute;rios s&iacute;tios da regi&atilde;o, a miss&atilde;o dedicou-se, sobretudo, &agrave; escava&ccedil;&atilde;o do s&iacute;tio Lapa Vermelha IV (5). Duas importantes constata&ccedil;&otilde;es foram feitas pela miss&atilde;o: a ocupa&ccedil;&atilde;o humana em Lagoa Santa podia ser recuada at&eacute; 11 mil anos e um esqueleto humano encontrado a cerca de 12 metros de profundidade tinha idade estimada entre 11 e 12 mil anos. Na d&eacute;cada de 1990, esse esqueleto foi batizado de Luzia pelo bioantrop&oacute;logo Walter Neves, coordenador do Laborat&oacute;rio de Estudos Evolutivos e Ecol&oacute;gicos Humanos do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Ainda hoje, Luzia &eacute; um dos esqueletos mais antigos encontrados no continente americano (6). Entretanto, a miss&atilde;o francesa tamb&eacute;m n&atilde;o encontrou vest&iacute;gios inequ&iacute;vocos de contemporaneidade entre homem e megafauna na regi&atilde;o. Em outros termos, mais uma vez, apenas uma das hip&oacute;teses de Lund foi confirmada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">V&aacute;rias d&eacute;cadas se passaram at&eacute; que novas escava&ccedil;&otilde;es foram estabelecidas em Lagoa Santa por meio do projeto "Origens" (7). A equipe do projeto, coordenada por Walter Neves, realizou v&aacute;rias escava&ccedil;&otilde;es arqueol&oacute;gicas e paleontol&oacute;gicas em v&aacute;rios abrigos e grutas da regi&atilde;o (figura 2) no per&iacute;odo entre 2000 e 2009. O objetivo do projeto era testar uma s&eacute;rie de hip&oacute;teses, algumas ainda remetendo &agrave;s ideias de Lund. Dentre elas, se destacam: 1. que houve na regi&atilde;o uma ocupa&ccedil;&atilde;o recuada no Pleistoceno, ou seja, com mais de 11 mil anos; 2. que o homem e a megafauna conviveram na regi&atilde;o; 3. que a subsist&ecirc;ncia dessas primeiras popula&ccedil;&otilde;es ca&ccedil;adoras-coletoras n&atilde;o era baseada na ca&ccedil;a de grandes animais; 4. que os grupos que ocuparam Lagoa Santa na transi&ccedil;&atilde;o Pleistoceno/Holoceno tamb&eacute;m ocuparam locais em campo aberto, al&eacute;m das grutas e abrigos; 5. que os abrigos foram usados como cemit&eacute;rios desde o in&iacute;cio da ocupa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o; e, 6. que os sepultamentos antigos de Lagoa Santa eram simples e homog&ecirc;neos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nossas pesquisas foram incapazes de encontrar vest&iacute;gios arqueol&oacute;gicos em Lagoa Santa com mais de 11 mil anos. Com refer&ecirc;ncia &agrave; segunda hip&oacute;tese, o projeto, pela primeira vez, confirmou de forma inequ&iacute;voca a ideia de Lund sobre a megafauna. Com a obten&ccedil;&atilde;o de datas ao redor de nove mil anos para uma pregui&ccedil;a gigante e para um tigre dentes-de-sabre, ficou claro que de fato o homem e a megafauna conviveram na regi&atilde;o por pelo menos dois mil&ecirc;nios. Por outro lado, n&atilde;o encontramos evid&ecirc;ncias de que os primeiros habitantes da regi&atilde;o ca&ccedil;aram esses grandes animais. Em realidade, o alto &iacute;ndice de c&aacute;ries dent&aacute;rias e a aus&ecirc;ncia de ossos de grandes mam&iacute;feros nos s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos nos levam a pensar em uma dieta com &ecirc;nfase em plantas n&atilde;o domesticadas, tais como as frutas jatob&aacute; e pequi (8). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quarta hip&oacute;tese tamb&eacute;m foi apoiada. Os primeiros s&iacute;tios antigos em campo aberto foram identificados em Lagoa Santa atrav&eacute;s das prospec&ccedil;&otilde;es do projeto "Origens". Escava&ccedil;&otilde;es concentradas no entorno da Lagoa do Sumidouro, uma das maiores da regi&atilde;o, revelaram ali s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos datados de at&eacute; 10 mil anos. J&aacute; a hip&oacute;tese de que as cavidades naturais de Lagoa Santa foram usadas como cemit&eacute;rios desde o in&iacute;cio da ocupa&ccedil;&atilde;o humana na regi&atilde;o n&atilde;o foi confirmada. Apesar dos humanos terem ali chegado por volta de 11 mil anos, os primeiros sepultamentos n&atilde;o ultrapassam os nove mil anos, com exce&ccedil;&atilde;o de Luzia (que talvez nem seja um sepultamento deliberado). Al&eacute;m disso, atrav&eacute;s de dezenas de data&ccedil;&otilde;es realizadas sobre restos &oacute;sseos humanos depositados em museus ou exumados no contexto do "Origens", ficou claro que os abrigos e grutas foram intensivamente usados como cemit&eacute;rios at&eacute; sete mil anos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, a hip&oacute;tese de que esses sepultamentos eram simples e homog&ecirc;neos tamb&eacute;m n&atilde;o acolheu confirma&ccedil;&atilde;o. Um estudo detalhado sobre os padr&otilde;es mortu&aacute;rios encontrados na Lapa do Santo, o principal s&iacute;tio escavado pelos pesquisadores do projeto "Origens", mostrou, muito pelo contr&aacute;rio, que os lagoassantenses do in&iacute;cio do Holoceno tinham um elaborado sistema funer&aacute;rio. Essa complexidade, entretanto, n&atilde;o se expressava atrav&eacute;s de uma prepara&ccedil;&atilde;o meticulosa da cova, ou da deposi&ccedil;&atilde;o de oferendas mortu&aacute;rias, como costuma ocorrer, por exemplo, nos sambaquis da costa brasileira. O que encontramos foi um intrincado sistema de manipula&ccedil;&atilde;o dos corpos logo ap&oacute;s a morte do indiv&iacute;duo. Entre outros tipos de manipula&ccedil;&atilde;o do cad&aacute;ver, destacam-se a remo&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica de partes dos ossos longos quando os membros ainda estavam cobertos por m&uacute;sculos, calotas cranianas pintadas por ocre vermelho (p&oacute; de hematita) contendo v&aacute;rios ossos do resto do corpo de um ou mais indiv&iacute;duos e at&eacute; mesmo um exemplo de decapita&ccedil;&atilde;o (9). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro objetivo sempre percolou o projeto "Origens": exumar novos esqueletos humanos de grande antiguidade atrav&eacute;s de escava&ccedil;&otilde;es minuciosas e bem datadas. Nesse sentido o projeto obteve grande &ecirc;xito. Cerca de 30 novos esqueletos dos s&iacute;tios Lapa das Boleiras e Lapa do Santo, sobretudo do segundo, foram exumados. Cabe relembrar que a maioria dos cerca de 250 esqueletos antigos de Lagoa Santa, at&eacute; ent&atilde;o depositados em museus no Brasil e no exterior, emergiram de escava&ccedil;&otilde;es sem controle estratigr&aacute;fico r&iacute;gido. Ainda mais, as escava&ccedil;&otilde;es do projeto "Origens" deixaram um legado riqu&iacute;ssimo para estudos de fauna, flora e tecnologia das primeiras ocupa&ccedil;&otilde;es na regi&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo desses novos esqueletos, em particular de seus cr&acirc;nios, permitiu confirmar aquilo que, desde 1989, Neves vem defendendo, juntamente com v&aacute;rios colaboradores: que a Am&eacute;rica foi ocupada por duas migra&ccedil;&otilde;es distintas. A primeira teria sido realizada por popula&ccedil;&otilde;es n&atilde;o mongoloides (com cr&acirc;nios alongados e faces baixas) e a segunda por povos mongoloides (com cr&acirc;nios arredondados e faces altas), muito similares aos povos que hoje ocupam o noroeste da &Aacute;sia. Esses &uacute;ltimos teriam dado origem aos ind&iacute;genas atuais. A primeira popula&ccedil;&atilde;o, por outro lado, apresentava caracter&iacute;sticas cranianas muito similares aos africanos e australianos atuais. O fato dos primeiros migrantes apresentarem uma morfologia similar a dos africanos e australianos n&atilde;o significa que esses povos tenham vindo diretamente da Austr&aacute;lia ou da &Aacute;frica para as Am&eacute;ricas. Esses povos tamb&eacute;m ocupavam a &Aacute;sia at&eacute; 10 mil anos atr&aacute;s e, portanto, tamb&eacute;m entraram no Novo Mundo pelo norte, atrav&eacute;s do estreito de Bering (10). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o da morfologia craniana peculiar dos antigos habitantes de Lagoa Santa tamb&eacute;m remete a Lund. O naturalista dinamarqu&ecirc;s, observando os cr&acirc;nios do Sumidouro, j&aacute; sugeria que sua morfologia era diferente da dos ind&iacute;genas atuais. Antrop&oacute;logos do Museu Nacional do Rio de Janeiro chegaram &agrave; mesma conclus&atilde;o, na d&eacute;cada de 1870, examinando o &uacute;nico cr&acirc;nio de Lagoa Santa que Lund deixou no Brasil (11). Na primeira metade do s&eacute;culo XX, Paul Rivet, c&eacute;lebre antrop&oacute;logo franc&ecirc;s, tamb&eacute;m notou que os cr&acirc;nios antigos da Am&eacute;rica do Sul, a&iacute; inclu&iacute;dos os de Lagoa Santa, apresentavam uma morfologia australo-melan&eacute;sica (12). Caiu em desgra&ccedil;a, entretanto, por sugerir que teria havido uma migra&ccedil;&atilde;o direta da Austr&aacute;lia para o continente americano. Na sua &eacute;poca ainda n&atilde;o se sabia que povos n&atilde;o-mongoloides tamb&eacute;m teriam habitado o nordeste da &Aacute;sia no final do Pleistoceno.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enfim, esperamos ter demonstrado que Lagoa Santa foi extensiva e intensivamente explorada nos &uacute;ltimos 180 anos, fazendo dela uma regi&atilde;o &uacute;nica nas Am&eacute;ricas pela presen&ccedil;a de grande quantidade de material arqueol&oacute;gico e paleontol&oacute;gico antigo. Mas por que essa singularidade? Por uma conflu&ecirc;ncia de fatores: em primeiro lugar, ao fato da regi&atilde;o ter sido densamente ocupada na transi&ccedil;&atilde;o Pleistoceno/Holoceno. Em segundo lugar, porque os mortos eram enterrados em abrigos e, portanto, mais f&aacute;ceis de serem encontrados; e, finalmente, porque, sendo uma regi&atilde;o calc&aacute;ria, os restos org&acirc;nicos, incluindo os ossos humanos, s&atilde;o excelentemente preservados. Por isso, qualquer interessado em estudar a biologia e o comportamento dos primeiros americanos tem que passar necessariamente por Lagoa Santa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Holten, B.; Sterll, M. P.W. <i>Lund e as grutas com ossos em Lagoa Santa</i>. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Walter, H.V.; Cathoud, A.; Mattos, A. "The Confins Man: a contribuition to the study of early man in South America". In:<i> Early Man</i>. Philadelphia: J. B. Lippincott, p 341-348. 1937.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Hurt, W.; Blasi, O. <i>Arquivos do Museu Paranaense, NS, Arqueologia</i>, 4, 1-63. 1969.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Hurt, W. <i>American Antiquity</i>, 113, 3-10. 1964.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Laming-Emperaire, A. <i>Revista de Pr&eacute;-Hist&oacute;ria</i>, 1, 54-89. 1979.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Neves, W. A.; Powell, J. F.; Ozolins, E.G. <i>Homo</i>, 50, 263-282. 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Araujo, A. G. M.; Neves, W. A.; Kipnis, R. <i>Latin American Antiquity</i>, 23, 533-550. 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Da-Gloria, P.; Larsen, C. S. <i>American Journal of Physical Anthropology</i>, 154, 11-26. 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Strauss, A.; De-Oliveira, R.; Bernardo, D.; Garcia, D. C. S.; Talamo, S.; Jaouen, K.; Hubbe, M.; Black, S.; Wilkinson, C.; Richards, M.; Araujo, A.; Kipnis, R.; Neves, W. <i>PLoS ONE</i>, 10(9), e0137456. 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Neves, W. A.; Hubbe, M. <i>Proceedings of the National Academy of Science of USA</i>, 102, 18309-18314. 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Lacerda, J. B.; Peixoto, R. <i>Archivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro</i>, 1, 47-79. 1876.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Rivet, P. <i>Bulletins et M&eacute;moires de la Soci&eacute;t&eacute; D'Anthropologie de Paris</i>, 19, 209-275. 1908.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da-Gloria P.; Neves, W. A.; Hubbe, M. <i>Lagoa Santa: Hist&oacute;ria das pesquisas arqueol&oacute;gicas e paleontol&oacute;gicas</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Annablume. 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neves, W.; Pil&oacute;, L. B. <i>O povo de Luzia: em busca dos primeiros americanos</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Globo. 2008.    </font></p>      ]]></body><back>
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