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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br> ARQUITETURA E URBANISMO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resili&ecirc;ncia e capital social nas cidades</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patricia Mariuzzo </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n1/a08fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Resili&ecirc;ncia &eacute; um conceito emergente na arquitetura, que ganhou import&acirc;ncia nos &uacute;ltimos 10 anos. Uma das causas s&atilde;o os efeitos das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas nas cidades e a crescente vulnerabilidade da popula&ccedil;&atilde;o urbana. Transforma&ccedil;&otilde;es do meio ambiente, maior densidade populacional, mobilidade social e cultural e crescimento das constru&ccedil;&otilde;es informais t&ecirc;m aumentado o n&iacute;vel de vulnerabilidade das grandes cidades e, consequentemente, o risco de viver nesses territ&oacute;rios. "As cidades s&atilde;o onde os fen&ocirc;menos naturais se transformam em cat&aacute;strofes", afirma o arquiteto e urbanista chileno Sergio Baeriswyl Rada, professor da Faculdade de Arquitetura, Constru&ccedil;&atilde;o e Desenho da Universidade de B&iacute;o-B&iacute;o, no Chile. "Cada vez que acontece uma cat&aacute;strofe o pa&iacute;s se mobiliza, as autoridades comprometem recursos p&uacute;blicos e capital humano para empreender complexos processos de reconstru&ccedil;&atilde;o, mas s&oacute; uma pequena parte dessas iniciativas vai al&eacute;m de criar uma capacidade de rea&ccedil;&atilde;o", diz.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Rada acredita que o investimento deveria ocorrer em planos voltados para a preven&ccedil;&atilde;o e minimiza&ccedil;&atilde;o dos riscos. Um dos grandes desafios da arquitetura no s&eacute;culo XXI &eacute;, portanto, desenhar novos modelos de ocupa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas metropolitanas, que resultem em cidades mais resilientes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Um dos fatores-chave em um processo de reconstru&ccedil;&atilde;o &eacute; que as solu&ccedil;&otilde;es estruturais e de habita&ccedil;&atilde;o permitam restabelecer o capital social das comunidades, ou seja, suas redes de apoio, suas redes sociais e de trabalho", aponta o arquiteto chileno. Neste sentido, o especialista afirma ser essencial que as fam&iacute;lias possam voltar a viver nos mesmos locais, ou ao menos que possam manter a estrutura social existente antes do desastre. "O grande desafio &eacute; desenvolver propostas arquitet&ocirc;nicas capazes de reconstruir o tecido social".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONVIVER COM O RISCO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Foi esse caminho que o arquiteto trilhou na elabora&ccedil;&atilde;o do plano de reconstru&ccedil;&atilde;o urbana da regi&atilde;o metropolitana de Grand Concepci&oacute;n ap&oacute;s o terremoto de 2010. O projeto lhe rendeu o Pr&ecirc;mio Nacional de Urbanismo do Chile, em 2014. Localizada na costa centro-sul, a regi&atilde;o &eacute; a segunda mais populosa do pa&iacute;s e tem grande import&acirc;ncia econ&ocirc;mica por abrigar o maior centro industrial do Chile. "O principal desafio da reconstru&ccedil;&atilde;o em Concepci&oacute;n, e nas cidades afetadas, foi a introdu&ccedil;&atilde;o de modifica&ccedil;&otilde;es e medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o para evitar danos em eventos futuros. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para aumentar a resili&ecirc;ncia, todo o desenho da &aacute;rea costeira de Grand Concepci&oacute;n foi refeito. No povoado de Dichato, por exemplo, famoso por suas praias de &aacute;guas calmas e frias, 80% das edifica&ccedil;&otilde;es e infraestrutura foram destru&iacute;das pelo terremoto, seguido pelo tsunami, que elevou o n&iacute;vel do mar em at&eacute; quatro metros. O plano de reconstru&ccedil;&atilde;o da borda costeira estabeleceu a desapropria&ccedil;&atilde;o de constru&ccedil;&otilde;es localizadas pr&oacute;ximas da orla para ampliar a avenida beira-mar e criar um parque de mitiga&ccedil;&atilde;o com vegeta&ccedil;&atilde;o mais densa. Tamb&eacute;m foi constru&iacute;do um muro costeiro com cinco metros de altura e 800 metros de comprimento. Cerca de 600 casas foram reconstru&iacute;das em setores mais altos e longe do mar. Como muitas pessoas preferiram viver no mesmo lugar, independentemente do risco, algumas casas foram refeitas em palafitas. Escolas, postos de sa&uacute;de, quart&eacute;is de bombeiros e pol&iacute;cia foram transferidos para &aacute;reas seguras. "Essas solu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o eliminam os riscos, mas podem reduzir os danos &agrave;s cidades", explica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PARTICIPA&Ccedil;&Atilde;O CIDAD&Atilde;</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O plano de reconstru&ccedil;&atilde;o, no entanto, n&atilde;o foi unanimidade. As desapropria&ccedil;&otilde;es e o atraso na constru&ccedil;&atilde;o das casas e edif&iacute;cios danificados geraram conflitos com as comunidades envolvidas. "Essa insatisfa&ccedil;&atilde;o pode ser resumida em uma frase com a qual nos deparamos durante os trabalhos de recupera&ccedil;&atilde;o: 'a reconstru&ccedil;&atilde;o &eacute; como Deus, todo mundo sabe que existe, mas ningu&eacute;m v&ecirc;'", contou Rada. Segundo ele, essa invisibilidade &eacute; um fator que amea&ccedil;a o processo de constru&ccedil;&atilde;o de uma cidade resiliente porque produz incerteza, descren&ccedil;a ou perda de confian&ccedil;a da comunidade. "A li&ccedil;&atilde;o aprendida foi que a comunica&ccedil;&atilde;o permanente com a comunidade &eacute; t&atilde;o importante quanto a reconstru&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica", afirma. De acordo com ele, os projetos de reconstru&ccedil;&atilde;o foram aprovados em todos os munic&iacute;pios e comunidades locais. Contudo, os processos participativos foram r&aacute;pidos porque as decis&otilde;es tiveram que ser tomadas para garantir sua execu&ccedil;&atilde;o. "Em minha opini&atilde;o, os modelos atuais de participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os, n&atilde;o s&atilde;o projetados para situa&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia, nas quais a resposta r&aacute;pida &eacute; um fator determinante para as fam&iacute;lias afetadas". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A compreens&atilde;o de um desastre deve ir al&eacute;m dos aspectos f&iacute;sicos e naturais. Segundo as pesquisadoras do Departamento de Geografia da Universidade do Chile, Yasna del Carmem Gatica e Maricel Benitez, as experi&ecirc;ncias de terremotos e tsunamis no Chile mostram que o verdadeiro desastre resulta da incapacidade das autoridades e dos planejadores de estabelecer estrat&eacute;gias que reduzam a vulnerabilidade e os riscos frente a novos eventos. Em artigo de 2015 (revista<i> Invi</i>, nº 83, v. 30), elas enfatizam que pensar a resili&ecirc;ncia no ambiente urbano exige pensar o territ&oacute;rio como um constructo socioespacial, onde homem e natureza se relacionam e se transformam.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>GENTRIFICA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Outro risco, latente em processos de reconstru&ccedil;&atilde;o, &eacute; a expuls&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o local seguida da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria. Na opini&atilde;o das pesquisadoras da Universidade do Chile, foi o que aconteceu em Constituci&oacute;n, tamb&eacute;m na costa chilena, cidade localizada na regi&atilde;o de Maule, ao sul de Santiago. Boa parte das constru&ccedil;&otilde;es do centro hist&oacute;rico da cidade foi destru&iacute;da com os abalos e pelo tsunami subsequente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Desconsiderando o capital social, as popula&ccedil;&otilde;es afetadas que ocupavam a regi&atilde;o foram realocadas. "A reconstru&ccedil;&atilde;o tensiona o territ&oacute;rio e converte sua planta urbana em objeto de desejo ante os olhos do capital, especialmente porque existem terrenos dispon&iacute;veis em pleno centro hist&oacute;rico para a constru&ccedil;&atilde;o do parque de mitiga&ccedil;&atilde;o e com pre&ccedil;os muito baixos", analisam as pesquisadoras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em Concepci&oacute;n, segundo Sergio Rada, no processo de reconstru&ccedil;&atilde;o, eles tentaram, sem muito sucesso, impedir a realoca&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias afetadas, para evitar as reocupa&ccedil;&otilde;es informais e o desenraizamento das comunidades. O risco de um processo de elitiza&ccedil;&atilde;o se instalar nas regi&otilde;es revitalizadas continua existindo, e ainda n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel avaliar o impacto das mudan&ccedil;as implantadas no processo de reconstru&ccedil;&atilde;o", finaliza.</font></p>      ]]></body>
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