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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br> CI&Ecirc;NCIAS DA TERRA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O Antropoceno em disputa</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Meghie Rodrigues </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estamos vivendo no limiar de uma nova &eacute;poca. Muitos ge&oacute;logos e especialistas em estratigrafia, e de outras &aacute;reas, com o argumento de que a a&ccedil;&atilde;o humana tem mudado enormemente o funcionamento e os fluxos do planeta, afirmam que entramos em uma nova &eacute;poca geol&oacute;gica, o Antropoceno. E suas marcas s&atilde;o bastante vis&iacute;veis em todos os lugares por onde a esp&eacute;cie humana transita ou j&aacute; esteve. Polui&ccedil;&atilde;o de rios e oceanos por micro pl&aacute;sticos e um sem fim de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, a altera&ccedil;&atilde;o nos fluxos de nitrog&ecirc;nio pelo uso extensivo de fertilizantes na agricultura e, principalmente, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas discutidas nas altas esferas da pol&iacute;tica mundial s&atilde;o algumas evid&ecirc;ncias de uma "&eacute;poca dos humanos". </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n1/a10fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A nomenclatura tem sido objeto de intensa discuss&atilde;o nos c&iacute;rculos cient&iacute;ficos - em especial entre ge&oacute;logos. Cunhado pelo bi&oacute;logo Eugene Stoermer na d&eacute;cada de 1980 e popularizado pelo Nobel de Qu&iacute;mica Paul Crutzen, o termo deriva de ra&iacute;zes gregas: "anthropos" (homem) e "cenos" (novo), sufixo usado em geologia para todas as &eacute;pocas dentro do per&iacute;odo Quatern&aacute;rio, em que estamos atualmente. No momento, vivemos no Holoceno, iniciado h&aacute; cerca de 11.700 anos, logo ap&oacute;s os efeitos da &uacute;ltima glacia&ccedil;&atilde;o - nele, a humanidade cresceu e se desenvolveu at&eacute; chegar onde est&aacute;. Esta &eacute;, tamb&eacute;m, a &uacute;ltima &eacute;poca do per&iacute;odo Quatern&aacute;rio. A transi&ccedil;&atilde;o de Holoceno para Antropoceno na denomina&ccedil;&atilde;o de uma nova &eacute;poca implica uma escolha - n&atilde;o apenas cient&iacute;fica, mas tamb&eacute;m pol&iacute;tica - que coloca a altera&ccedil;&atilde;o do funcionamento do planeta na conta da esp&eacute;cie humana.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EVID&Ecirc;NCIAS E DISPUTAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Muitos ambientalistas usam o termo para chamar a aten&ccedil;&atilde;o para os efeitos do aquecimento global em curso e o aumento da taxa de extin&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies da fauna e da flora mundiais - muitas delas extintas antes mesmo de podermos identific&aacute;-las e estud&aacute;-las. O conceito, segundo o professor e pesquisador em geografia humana no Departamento de Geografia da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), Wagner Costa Ribeiro, diz respeito &agrave; possibilidade de identificar nas a&ccedil;&otilde;es humanas "uma capacidade de transforma&ccedil;&atilde;o importante que afeta processos de origem natural no planeta" - principalmente no tocante a processos geol&oacute;gicos. Por isso, "n&atilde;o por acaso, a pol&ecirc;mica vem desse campo do conhecimento e vemos a Uni&atilde;o Internacional de Ci&ecirc;ncias Geol&oacute;gicas discutindo o assunto", observa. A controv&eacute;rsia acerca do Antropoceno gira ao redor da formaliza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do termo, cuja utiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; ampla, por&eacute;m informal. Se formalizado, o Antropoceno entra para a tabela cronoestratigr&aacute;fica internacional - que fatia a escala temporal geol&oacute;gica em &eacute;ons, eras, per&iacute;odos, &eacute;pocas e idades. A palavra final pertence &agrave; Comiss&atilde;o Internacional de Estratigrafia (ICS, na sigla em Ingl&ecirc;s), bra&ccedil;o da Uni&atilde;o Internacional de Ci&ecirc;ncias Geol&oacute;gicas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O principal defensor da entrada do Antropoceno na escala geol&oacute;gica &eacute; o Grupo de Trabalho sobre o Antropoceno (AWG, na sigla em ingl&ecirc;s), coordenado pelo paleobi&oacute;logo Jan Zalasiewicz, professor e pesquisador do Departamento de Geologia da Universidade de Leicester, no Reino Unido. A proposta do AWG, abrigado pela Subcomiss&atilde;o de Estratigrafia do Quatern&aacute;rio - ela mesma uma ramifica&ccedil;&atilde;o da ICS - &eacute; a de que o ponto de in&iacute;cio da nova &eacute;poca seja a d&eacute;cada de 1950, ocasi&atilde;o que muitos estudiosos chamam de "Grande Acelera&ccedil;&atilde;o" - quando a atividade humana provoca um salto em gr&aacute;ficos de concentra&ccedil;&atilde;o de di&oacute;xido de carbono na atmosfera, de volume de desmatamento, perda de biodiversidade e diversos outros ind&iacute;cios que sugerem que o funcionamento do planeta j&aacute; n&atilde;o seria como em um passado de mais de 60 anos atr&aacute;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, a decis&atilde;o sobre se o Antropoceno ser&aacute; ou n&atilde;o parte da nomenclatura formal em ci&ecirc;ncias da Terra ainda deve levar alguns anos para sair. O grupo de trabalho sobre o Antropoceno precisa submeter oficialmente o pedido de formaliza&ccedil;&atilde;o do termo &agrave; Comiss&atilde;o Internacional de Estratigrafia, que votar&aacute; o pedido em assembleia - muito provavelmente em um congresso geol&oacute;gico internacional, que acontece a cada quatro anos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BUSCANDO MARCAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> De acordo com John Andrews, professor em&eacute;rito do Instituto de Pesquisa &Aacute;rtica e Alpina da Universidade do Colorado, em Boulder, nos Estados Unidos, para que um impacto tenha peso de uma nova &eacute;poca geol&oacute;gica &eacute; preciso que tenha uma signific&acirc;ncia ou ocorr&ecirc;ncia global - "e, idealmente, um 'golden spike' que marque o estratotipo globalmente".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Este "golden spike" seria, mais precisamente, um "global stratotype section and point", ou GSSP ("ponto e se&ccedil;&atilde;o de estratotipo de limite global"), um ponto que marca o limite entre tempos geol&oacute;gicos diferentes. &Eacute; um registro nas rochas que deixa vis&iacute;vel, por exemplo, em que camada estratigr&aacute;fica termina o Pleistoceno e se inicia o Holoceno - as duas &uacute;ltimas &eacute;pocas do per&iacute;odo Quatern&aacute;rio. O grande desafio &eacute; encontrar um GSSP que determine o in&iacute;cio do Antropoceno para que o termo passe a fazer parte do rol de nomenclaturas da geologia mundial. Andrews acredita ser "dif&iacute;cil medir a extens&atilde;o da influ&ecirc;ncia humana sobre o planeta". Ele lembra que h&aacute; pesquisadores que consideram que o impacto come&ccedil;a a ser notado no advento da agricultura, que j&aacute; modificava as concentra&ccedil;&otilde;es de diversos gases na atmosfera. Outros, no entanto, consideram que a industrializa&ccedil;&atilde;o acelerada &eacute; capaz de fornecer pistas para o "golden spike". "Sinto que o maior impacto est&aacute; relacionado ao crescimento populacional e ao aumento do uso de recursos naturais", pondera.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> &Eacute; uma disputa complexa. Quem advoga pela revolu&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola de cerca de 10 mil anos atr&aacute;s como ponto de in&iacute;cio considera, segundo Wagner Ribeiro, que desmatar e revolver o solo, introduzindo culturas que n&atilde;o est&atilde;o presentes na &aacute;rea de plantio s&atilde;o forte ind&iacute;cio da a&ccedil;&atilde;o humana modificando o planeta. Isso impulsionaria o transporte de sedimentos de um lugar a outro em larga escala, de uma forma que n&atilde;o aconteceria n&atilde;o fosse a interven&ccedil;&atilde;o humana. H&aacute; tamb&eacute;m pesquisadores que defendem que a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, iniciada no Reino Unido em meados do s&eacute;culo XVIII, seja esse ponto de in&iacute;cio - foi quando passamos a usar combust&iacute;veis f&oacute;sseis massivamente. "Esses elementos, antes acondicionados na litosfera, passaram a se disseminar pela atmosfera, contribuindo para elevar os &iacute;ndices de aquecimento global", explica Ribeiro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; um outro grupo de pesquisadores que, tal como os do AWG, creem que a acelera&ccedil;&atilde;o intensa a partir da Segunda Guerra Mundial seria esse ponto de ruptura entre Holoceno e Antropoceno. Essa fase de amplia&ccedil;&atilde;o da sociedade de consumo &eacute;, conta Ribeiro, "a &eacute;poca em que se tem processos de urbaniza&ccedil;&atilde;o acelerados, mercantiliza&ccedil;&atilde;o em larga escala, fazendo com que a quantidade de objetos que produzimos cres&ccedil;a enormemente, gerando res&iacute;duos e alterando drasticamente a superf&iacute;cie terrestre". Os anos 1950 marcam um salto em progress&atilde;o geom&eacute;trica nos gr&aacute;ficos que mostram consumo de recursos naturais, aumento populacional, produ&ccedil;&atilde;o de materiais sint&eacute;ticos como pl&aacute;stico - al&eacute;m da emiss&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o de di&oacute;xido de carbono na atmosfera, um dos maiores respons&aacute;veis pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"As tr&ecirc;s posi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o muito defens&aacute;veis", diz o professor da USP. "Mas as primeiras a&ccedil;&otilde;es da agricultura foram muito localizadas. Embora tenham causado grande impacto no ambiente, n&atilde;o ocorreram na escala que tiveram as <i>plantations </i>que os portugueses introduziram no Brasil depois, por exemplo". Ele acredita que a vasta utiliza&ccedil;&atilde;o de carv&atilde;o, durante a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, e de petr&oacute;leo, pouco depois, seriam o in&iacute;cio do Antropoceno. E v&ecirc; que o problema em considerar a Grande Acelera&ccedil;&atilde;o da d&eacute;cada de 1950 como "globaliza&ccedil;&atilde;o" &eacute; fundamentalmente uma falha conceitual. "S&atilde;o ge&oacute;logos em sua maioria, e acho que falta um pouco de forma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica aos meus colegas, um pouco do ponto de vista das ci&ecirc;ncias humanas", alfineta Ribeiro. Segundo ele, o que pesquisadores do AWG tomam por "globaliza&ccedil;&atilde;o" seria melhor definido como "periferiza&ccedil;&atilde;o do fordismo". O conceito, articulado pelo economista franc&ecirc;s Alain Lipietz, considera que o fordismo - que transformava massas trabalhadoras em consumidoras, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX em pa&iacute;ses desenvolvidos - se espalhou por pa&iacute;ses perif&eacute;ricos da d&eacute;cada de 1950 em diante, aumentando a capacidade de compra das classes mais baixas. A globaliza&ccedil;&atilde;o, por outro lado, seria o casamento entre capital financeiro e capital produtivo tempos depois, l&aacute; pela metade da d&eacute;cada de 1980. O processo vai al&eacute;m do aumento do poder de compra de trabalhadores porque "inclui a pessoa que n&atilde;o tem capacidade de renda - que consegue ter um smartphone devido a uma s&eacute;rie de subs&iacute;dios. Ainda que n&atilde;o tenha renda, tem cr&eacute;dito para comprar", conta Ribeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Lucy Edwards, pesquisadora especialista em estratigrafia no US Geological Survey, tamb&eacute;m considera que encontrar um ponto estratigr&aacute;fico que delimite esta nova &eacute;poca &eacute; delicado: "se formos tomar vest&iacute;gios da era romana por base, chamar&iacute;amos isso de Antropoceno ou n&atilde;o?". Ela diz que, quando se fala do termo sob um ponto de vista "cient&iacute;fico", &eacute; preciso levar em conta de que ci&ecirc;ncia se est&aacute; falando - se estratigrafia, arqueologia, geologia, qu&iacute;mica atmosf&eacute;rica, ci&ecirc;ncias sociais ou outro campo. S&atilde;o todos v&aacute;lidos na discuss&atilde;o do termo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Um grupo de pesquisadores pode usar o Antropoceno para falar de como os humanos est&atilde;o mudando o planeta. Outro, para dizer que as rochas foram impactadas depois dos anos 1950 e outro, ainda, para falar de tais mudan&ccedil;as nas rochas independentemente de quando foram feitas - e qualquer um desses conceitos seria cient&iacute;fico. Mas seriam especialistas diferentes falando de coisas diferentes", ressalta. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a discuss&atilde;o sobre o Antropoceno levar o mesmo tempo que outros termos geol&oacute;gicos para se estabilizar, &eacute; poss&iacute;vel que a disputa esteja bem longe do fim. Edwards lembra que o Holoceno, enquanto termo, vem do s&eacute;culo XIX, mas s&oacute; foi formalizado em 2008 - e as outras camadas estratigr&aacute;ficas come&ccedil;aram a ser formalizadas na d&eacute;cada de 1970 pela ICS, mesmo que j&aacute; tivessem um nome h&aacute; muito mais tempo. "O Cret&aacute;ceo, por exemplo, &eacute; um termo cient&iacute;fico, mas algumas partes de seus limites estratigr&aacute;ficos n&atilde;o foram formalmente estabelecidos ainda", observa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Todo o processo, no entanto, &eacute; inerente ao funcionamento do campo cient&iacute;fico: "as palavras se originam antes que o conceito se estabilize - &eacute; assim que a terminologia cient&iacute;fica se desenvolve", pontua a pesquisadora.</font></p>     ]]></body>
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