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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br> GENEALOGIA ACAD&Ecirc;MICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Perspectivas para a hist&oacute;ria e para a produ&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carolina Medeiros; Germana Barata</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n1/a11fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A &aacute;rvore que simboliza as origens biol&oacute;gicas entre as esp&eacute;cies ficou consagrada em um esbo&ccedil;o feito por Charles Darwin, em 1837, em seu caderno de campo. H&aacute; s&eacute;culos a genealogia recupera a mem&oacute;ria sobre ascendentes familiares, mas para historiadores de ci&ecirc;ncia e acad&ecirc;micos, a &aacute;rvore geneal&oacute;gica traz novas perspectivas de an&aacute;lise a partir do estudo das heran&ccedil;as intelectuais entre orientadores e orientandos e a dissemina&ccedil;&atilde;o do conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Apesar de, &agrave;s vezes, ser vista como uma forma de homenagear cientistas ou de saciar a curiosidade sobre os ancestrais de maior prest&iacute;gio, a genealogia acad&ecirc;mica pode contribuir para entendermos o papel do cientista na forma&ccedil;&atilde;o de novas gera&ccedil;&otilde;es, a origem, desenvolvimento e desdobramentos de &aacute;reas do conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jes&uacute;s Mena-Chalco, cientista da computa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do ABC (UFABC), explica que a genealogia acad&ecirc;mica pode ser utilizada de cinco formas diferentes. Em homenagens, a genealogia acad&ecirc;mica enfatiza a descend&ecirc;ncia de um pesquisador para evidenciar o impacto nas gera&ccedil;&otilde;es posteriores de acad&ecirc;micos; a egocentrista estabelece a ascend&ecirc;ncia de um pesquisador com o objetivo de destacar os ancestrais mais importantes. J&aacute; a genealogia do tipo hist&oacute;rica tra&ccedil;a a hist&oacute;ria do desenvolvimento de uma determinada &aacute;rea, apontando os fundadores ou pioneiros no pa&iacute;s. No caso da paradigm&aacute;tica ou institucional, o enfoque est&aacute; em como o conhecimento e a pr&aacute;tica cient&iacute;fica s&atilde;o transmitidos entre os diferentes acad&ecirc;micos de uma &aacute;rea, por exemplo a evolu&ccedil;&atilde;o do pensamento pedag&oacute;gico a partir de S&oacute;crates. A genealogia anal&iacute;tica, por sua vez, faz uso de modelos computacionais e matem&aacute;ticos para demonstrar as rela&ccedil;&otilde;es de orienta&ccedil;&atilde;o entre diferentes acad&ecirc;micos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>HIST&Oacute;RIA DOS MATEM&Aacute;TICOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Um dos trabalhos mais completos quando o assunto &eacute; genealogia acad&ecirc;mica &eacute; um mapeamento sobre a comunidade de matem&aacute;ticos, o Mathematics Genealogy Project (MGP). Iniciado em 1996, quando a internet ainda engatinhava, o projeto re&uacute;ne mais de 205 mil matem&aacute;ticos do mundo inteiro, subdivididos em 24 fam&iacute;lias com origem no s&eacute;culo XIV. Criada pelo matem&aacute;tico e hoje diretor administrativo da Universidade Estadual da Dakota do Norte (EUA), Harry Coonce, a &aacute;rvore foi sendo constru&iacute;da a partir de doutores em institui&ccedil;&otilde;es norte-americanas. Uma an&aacute;lise sobre o MGP, realizada por David Castelvecchi, em 2016, e publicada na Nature, concluiu que no come&ccedil;o os estudos da matem&aacute;tica eram fortemente ligados &agrave; f&iacute;sica, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX observa uma aproxima&ccedil;&atilde;o com a matem&aacute;tica pura, at&eacute; se especializarem em outras sub&aacute;reas como a estat&iacute;stica e a ci&ecirc;ncia da computa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Baseado nos dados desse colossal projeto internacional, Mena-Chalco e Luciano Rossi, ambos da UFABC, analisaram a contribui&ccedil;&atilde;o do tronco brasileiro com 1.615 matem&aacute;ticos doutores, ou 0,9% do total da comunidade internacional. Os autores identificaram as universidades e faculdades mais influentes, os matem&aacute;ticos mais relevantes, bem como a representatividade da comunidade brasileira de matem&aacute;ticos no cen&aacute;rio internacional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A estrutura da comunidade foi elaborada a partir dos relacionamentos de orienta&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica de cada um dos matem&aacute;ticos com titula&ccedil;&atilde;o brasileira, o que resultou no que Mena-Chalco chama de floresta geneal&oacute;gica, ou seja, diversas interliga&ccedil;&otilde;es que representam as rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas entre os acad&ecirc;micos. Mena-Chalco concluiu que a comunidade acad&ecirc;mica de matem&aacute;tica no Brasil &eacute; muito jovem, por&eacute;m, com forte influ&ecirc;ncia europeia, em especial brit&acirc;nica, belga e polonesa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As pesquisas costumam se basear em doutores, pois &eacute; a partir dessa fase de especializa&ccedil;&atilde;o que os cientistas se profissionalizam, passam a entender o funcionamento de seu campo de atua&ccedil;&atilde;o com autonomia. Mesmo que os doutores mudem de &aacute;rea de conhecimento, h&aacute; mais chances que eles repassem seus conhecimentos, como orientadores, para as novas gera&ccedil;&otilde;es. Os t&iacute;tulos modernos de doutor, o chamado doutor em filosofia (ou PhD,) surgiram apenas em in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX na Alemanha, descreve Joseph Tenn, da Universidade Estadual Sonoma, em artigo publicado no <i>Journal of Astrophysical History and Heritage</i> (v.19: 3, 2016). Desde ent&atilde;o, certamente, a maior parte das primeiras gera&ccedil;&otilde;es de uma &aacute;rvore s&atilde;o inseridas com base em trabalhos cient&iacute;ficos e documentos hist&oacute;ricos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Tenn &eacute; diretor do Astrogen, projeto que re&uacute;ne astr&ocirc;nomos de dez pa&iacute;ses e quase 19 mil doutores, dentre os quais o primeiro recebeu o t&iacute;tulo em 1861, nos EUA. O Chile (37, das quais 31 s&atilde;o em ingl&ecirc;s) e a &Aacute;frica do Sul (97) aparecem no grupo como pa&iacute;ses com menores contribui&ccedil;&otilde;es mais recentes na forma&ccedil;&atilde;o de doutores na &aacute;rea, sobretudo considerando que s&atilde;o s&iacute;tios de observa&ccedil;&atilde;o astron&ocirc;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A Universidade da Calif&oacute;rnia, em Berkeley, &eacute; a que mais formou doutores (652). Dentre as conclus&otilde;es dos dados existentes, Tenn menciona que doutorandas parecem preferir orientadoras, assim como estudantes de origem latina, eslovena, asi&aacute;tica tendem a escolher orientadores da mesma origem. Em m&eacute;dia, os dez pa&iacute;ses formaram 50% de seus doutores a partir de 1999. O Astrogen convoca volunt&aacute;rios para inserir informa&ccedil;&otilde;es de teses no banco de dados, traduzir informa&ccedil;&otilde;es e fazer an&aacute;lises. Quem sabe, em alguns anos, poderemos ver os descendentes ou a quantos graus nossos astr&ocirc;nomos est&atilde;o de Cop&eacute;rnico, Galileo e Kepler. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa forma de contar a evolu&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica ou a mais completa, como explica Mena-Chalco. "Este tipo de estudo oferece uma vis&atilde;o alternativa a outros estudos j&aacute; realizados na &aacute;rea, e esta an&aacute;lise de produ&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica n&atilde;o &eacute; a mais completa hist&oacute;ria da evolu&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e sim uma parte dela", destacou. E, embora muitas &aacute;reas j&aacute; tenham sido estudadas a partir da genealogia acad&ecirc;mica, existem algumas ainda a serem exploradas na tentativa de se obter uma pequena dimens&atilde;o desse cen&aacute;rio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INDICADOR DE PRODU&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Cassidy Sugimoto, cientista da informa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Indiana, EUA, "trazer &agrave; luz essas rela&ccedil;&otilde;es &#91;acad&ecirc;micas&#93; poder&aacute; revelar caminhos de difus&atilde;o do conhecimento, mobilidade acad&ecirc;mica e o desenvolvimento de disciplinas, particularmente quando a genealogia acad&ecirc;mica for usada em conjun&ccedil;&atilde;o com outras m&eacute;tricas cient&iacute;ficas e vari&aacute;veis sociais para fornecer uma vis&atilde;o multidimensional sobre o cen&aacute;rio acad&ecirc;mico. Certamente, a genealogia acad&ecirc;mica poder&aacute; trazer relev&acirc;ncia ao papel dos cientistas, na forma&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de suas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o, e contribuir para minimizar a centralidade dos artigos cient&iacute;ficos na carreira cient&iacute;fica", afirmou a pesquisadora no livro <i>Beyond bibliometrics: harnessing multidimensional indicators of scholarly impact</i>, publicado em 2014 (MIT Press). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os cientistas brasileiros ser&atilde;o personagens de uma importante iniciativa na maior base de curr&iacute;culos cient&iacute;ficos do mundo, o brasileiro curr&iacute;culo Lattes, com mais de 4,5 milh&otilde;es de cadastros, pertencente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq). Neste ano, um projeto piloto e pioneiro est&aacute; em desenvolvimento com cruzamento de dados do Lattes, da base de teses e disserta&ccedil;&otilde;es da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes) e membros da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC). Mena-Chalco, coordenador do projeto, conta com parceria da USP, UFABC e apoio do CNPq.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>HERAN&Ccedil;A DE CARLOS CHAGAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2016, a equipe coordenada por Mena-Chalco publicou na revista Mem&oacute;rias do Instituto Oswaldo Cruz (v.111, n.1) uma genealogia da centen&aacute;ria &aacute;rea fundada por Carlos Chagas, a protozoologia. A an&aacute;lise, conseguiu identificar 20 pioneiros e fundadores da &aacute;rea que hoje re&uacute;ne ao menos 907 pesquisadores. "Surpreendentemente, nenhum descendente de Carlos Chagas foi identificado, provavelmente porque eles eram cl&iacute;nicos m&eacute;dicos e, portanto, n&atilde;o eram classificados como protozoogistas, de acordo com os crit&eacute;rios usados neste estudo. O levantamento permitiu identificar que 85% dos doutores, formados na &aacute;rea, permanecem atuantes na protozoologia e que houve duas ondas migrat&oacute;rias importantes que impulsionaram a pesquisa e a capacita&ccedil;&atilde;o: de 1976 a 1993, como consequ&ecirc;ncia do Programa Integrado de Doen&ccedil;as End&ecirc;micas (Pide), financiado pelo CNPq, e outra depois de 1998, provavelmente fruto de grandes investimentos do CNPq como bolsas e editais, por exemplo.</font></p>     ]]></body>
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