<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252017000100012</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602017000100012</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Apresentação: gênero - vicissitudes de uma categoria e seus "problemas"]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[Eliane]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mello]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luiz]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
<xref ref-type="aff" rid="A04"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Goiás Faculdade de Ciências Sociais Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Grupo Transas do Corpo  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,UFG Faculdade de Ciências Sociais Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A04">
<institution><![CDATA[,Universidad Complutense de Madrid  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<volume>69</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>26</fpage>
<lpage>30</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252017000100012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252017000100012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252017000100012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> G&Ecirc;NERO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o: g&ecirc;nero -  vicissitudes de uma categoria e seus "problemas"</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Eliane Gon&ccedil;alves<sup>I</sup>; Luiz Mello<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professora adjunta da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade Federal de Goi&aacute;s (UFG), com atua&ccedil;&atilde;o no programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em sociologia e no Ser-T&atilde;o, N&uacute;cleo de Estudos e Pesquisas em G&ecirc;nero e Sexualidade. &Eacute; doutora em ci&ecirc;ncias sociais e co-fundadora e colaboradora permanente do Grupo Transas do Corpo, organiza&ccedil;&atilde;o feminista, desde 1987. Email: <a href="mailto:elianego@uol.com.br">elianego@uol.com.br</a>     <br> <sup>II</sup>Professor associado da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais da UFG, com atua&ccedil;&atilde;o no Ser-T&atilde;o, N&uacute;cleo de Estudos e Pesquisas em G&ecirc;nero e Sexualidade. &Eacute; doutor em sociologia, com p&oacute;s-doutorado na Universidad Complutense de Madrid, Espanha. Email: <a href="mailto:luizman@gmail.com">luizman@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; muitas coisas j&aacute; ditas sobre g&ecirc;nero. Alguns acordos e alguns desacordos. Em tr&ecirc;s d&eacute;cadas de circula&ccedil;&atilde;o, o verbete, que n&atilde;o estava dicionarizado, e continua ausente dos principais dicion&aacute;rios de l&iacute;ngua portuguesa, est&aacute; espalhado em dicion&aacute;rios de diversas disciplinas, inclusive um espec&iacute;fico do feminismo (1). Em 1983, a bi&oacute;loga e epistem&oacute;loga feminista estadunidense Donna Haraway foi convidada a escrever este verbete para um dicion&aacute;rio marxista alem&atilde;o e a empreitada lhe consumiu seis anos! (2). A exist&ecirc;ncia deste conceito tem produzido efeitos interessantes e desdobramentos pol&iacute;ticos inesperados. Vejamos como g&ecirc;nero se desloca de um conceito <i>explanans</i> (3) que promete explicar muitas coisas, que &eacute; bem recebido nos c&iacute;rculos acad&ecirc;micos por ser aparentemente mais neutro do que "mulheres" ou "feminismo", para o atual debate em torno da "ideologia de g&ecirc;nero" que o reputa como categoria sat&acirc;nica. Antes, por&eacute;m, &eacute; necess&aacute;rio revisitar alguns acordos sobre este conceito. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em termos de sua historicidade enquanto conceito e categoria na teoria social, tem se tornado lugar comum a men&ccedil;&atilde;o aos trabalhos de Robert Stoller e John Money nos Estados Unidos entre os anos 1950 e 1960 (2), quando ambos defendiam a separa&ccedil;&atilde;o entre sexo, dado da natureza ou biologia, e g&ecirc;nero, construto social. Essa sedutora separa&ccedil;&atilde;o foi proposta para justificar as cirurgias de mudan&ccedil;a (ou redesigna&ccedil;&atilde;o, em termos m&eacute;dicos) de sexo em pessoas nascidas com ambiguidade sexual (intersexos, entre outras), que resultava na "fabrica&ccedil;&atilde;o" de um sexo definido pelo cirurgi&atilde;o em acordo com a fam&iacute;lia e que seria convenientemente adequado &agrave;s normas de g&ecirc;nero daquela cultura, ou seja, aos padr&otilde;es de feminilidade e de masculinidade. Neste paradigma, o axioma &eacute; que sexo &eacute; anterior ao g&ecirc;nero, j&aacute; que nascemos com ele, a diferen&ccedil;a sexual prim&aacute;ria &eacute; da ordem da natureza, enquanto o g&ecirc;nero &eacute; aprendido. Assim, a cultura organiza e distribui feminilidades e masculinidades em termos de expectativas que s&atilde;o aprendidas e fixadas pelas normas sociais (6).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O pensamento feminista dos anos 1970 pareceu acolher, com bons olhos, essa proposi&ccedil;&atilde;o, afinal ela trazia promessas de uma desconstru&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel nos pap&eacute;is definidos socialmente para homens e mulheres. A separa&ccedil;&atilde;o natureza/cultura encontra seu &aacute;pice com a publica&ccedil;&atilde;o do c&eacute;lebre texto de Gayle Rubin, <i>The traffic in women,</i> em 1975, quando cunhou o "sistema sexo/g&ecirc;nero". Pelas lentes de Rubin somos levadas/os a uma revis&atilde;o dos cl&aacute;ssicos - Levi Strauss, Engels/Marx, Lacan e Freud - para entender a origem da subordina&ccedil;&atilde;o universal das mulheres atrav&eacute;s das teorias do parentesco: circula&ccedil;&atilde;o das mulheres, divis&atilde;o sexual do trabalho, tabu do incesto e da homossexualidade. Esse seria o quadro geral que imporia o g&ecirc;nero bin&aacute;rio, a heterossexualidade compuls&oacute;ria e a ordena&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia como institui&ccedil;&atilde;o central da organiza&ccedil;&atilde;o social, lugar de confinamento das mulheres &agrave; esfera dom&eacute;stica.  Bem, esta &eacute; uma hist&oacute;ria altamente disputada, contestada e a literatura sobre ela, vast&iacute;ssima. Localizamos alguns desacordos para prosseguir na discuss&atilde;o sobre o conceito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como dissemos anteriormente, no sistema sexo/g&ecirc;nero (natureza/cultura) o sexo antecede o g&ecirc;nero e &eacute; significado por este, a natureza funcionando como recurso para a cultura (4). Neste esquema, o feminino e o masculino, definidos culturalmente, "vestem" os corpos sexuados de mulheres e homens numa opera&ccedil;&atilde;o coerente. Homens e mulheres se constroem como seres marcados pela diferen&ccedil;a sexual bin&aacute;ria cuja orienta&ccedil;&atilde;o er&oacute;tica se volta para o sexo oposto, forjando a ideia de complementaridade, mais tarde alimentada pelo amor rom&acirc;ntico. Esta matriz heterossexual d&aacute; inteligibilidade &agrave;s normas de g&ecirc;nero e pela socializa&ccedil;&atilde;o que n&oacute;s reproduzimos como natural. Uma vez naturalizada, todos os outros arranjos ficam de fora, s&atilde;o considerados anormais. Mas o que define uma mulher ou um homem? Como n&atilde;o h&aacute; um &uacute;nico padr&atilde;o cultural universal, respostas a essa pergunta podem ser extremamente variadas. Para Judith Butler, a identidade de g&ecirc;nero &eacute; produzida num quadro de normas r&iacute;gidas, mas os processos que resultam dessa produ&ccedil;&atilde;o s&atilde;o altamente imprevis&iacute;veis, j&aacute; que, para a autora, g&ecirc;nero &eacute; feito e desfeito performaticamente, n&atilde;o &eacute; uma atividade mec&acirc;nica ou autom&aacute;tica, mas "uma pr&aacute;tica de improvisa&ccedil;&atilde;o em um cen&aacute;rio constritivo" (5). Esta ideia de "performatividade" tem sido mal interpretada por setores conservadores ou fundamentalistas como uma amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a e estabilidade do "eu", da fam&iacute;lia e da pr&oacute;pria vida social.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PALAVRAS QUE AMEA&Ccedil;AM: BREVE INCURS&Atilde;O SOBRE A ATUAL "GENEROFOBIA" NO BRASIL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se antes a palavra sexo ou sexualidade era a amea&ccedil;a, porque fazia pensar em libera&ccedil;&atilde;o, prazer, transgress&atilde;o &agrave;s normas e identidades, nos discursos correntes que se op&otilde;em &agrave;s pol&iacute;ticas da igualdade e &agrave; diversidade/pluralidade no &acirc;mbito da democracia, h&aacute; uma invers&atilde;o e g&ecirc;nero passa ser a palavra demonizada. Dizemos invers&atilde;o porque, ao ser cunhado e disseminado como conceito cient&iacute;fico, g&ecirc;nero parecia ser capaz de neutralizar as potenciais m&aacute;s influ&ecirc;ncias das palavras "mulher" ou feminismo (6) no ambiente acad&ecirc;mico. J&aacute; sexualidade e sexo sempre receberam investidas de grupos conservadores cada vez que pol&iacute;ticas visando &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o sexual na escola eram sugeridas e demandadas (7). O que se observa hoje, por&eacute;m, &eacute; que, para as mentes mais conservadoras, dizer que g&ecirc;nero &eacute; performativo &eacute; crer que podemos escolher varia&ccedil;&otilde;es quase instant&acirc;neas, o que &eacute; uma vis&atilde;o inocente dos processos de mudan&ccedil;a social. Se g&ecirc;nero antecede e informa a diferen&ccedil;a sexual, porque est&aacute; no campo do simb&oacute;lico, funcionando com uma estrutura estruturante (8), parece ser mais amea&ccedil;ador.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como dito anteriormente, as identidades (n&atilde;o apenas de g&ecirc;nero) s&atilde;o socialmente constru&iacute;das em contextos de constrangimentos, opress&otilde;es, assujeitamentos. No entanto, n&atilde;o se trata de uma estrutura r&iacute;gida ao ponto de impedir brechas, escapes, fraturas, aberturas para a ag&ecirc;ncia (capacidade de agir dos sujeitos) que, por sua vez, impulsionam a mudan&ccedil;a nos pr&oacute;prios padr&otilde;es normativos. Tendemos a ver o social como aquilo que muda, mas nos esquecemos de que o social &eacute; lenta e tenazmente inculcado, tornando-se nossa "segunda natureza" e assim sendo pode levar consider&aacute;vel tempo para mudar (9). As tentativas de desfazer e refazer a norma podem ser frustradas, j&aacute; que n&atilde;o h&aacute; caminho seguro. Mas a mudan&ccedil;a social &eacute; a &uacute;nica constante que conhecemos, mesmo quando levamos em conta a afirma&ccedil;&atilde;o de Daniele Kergoat: "tudo muda, mas tudo permanece igual" (10), referindo-se &agrave; estabilidade e longevidade das desigualdades de g&ecirc;nero, sexualidade, ra&ccedil;a e classe.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas desigualdades que se interconectam, interseccionam ou est&atilde;o articuladas requerem ainda algumas palavras. G&ecirc;nero tem sido considerado a categoria da diferen&ccedil;a com anterioridade sobre as demais, por informar, desde muito cedo, as expectativas em torno dos seres humanos, sendo, segundo Joan Scott, uma forma prim&aacute;ria de significar o poder (11). "&Eacute; menino ou menina?" &eacute; uma interpela&ccedil;&atilde;o recorrente que parece romper fronteiras de classe e ra&ccedil;a, l&iacute;ngua e nacionalidade. No entanto, em sociedades como a brasileira, marcadas pela exist&ecirc;ncia de agudas segrega&ccedil;&otilde;es de classe, ra&ccedil;a e sexualidade, g&ecirc;nero jamais deve ser tratado isoladamente, sendo necess&aacute;rias leituras com enfoques que privilegiam esse entrela&ccedil;amento na perspectiva de ver como aquelas funcionam e quais as formas de enfrent&aacute;-las (12). Quando movimentos sociais ligados &agrave;s causas da igualdade e defesa da diversidade se manifestam, colocam em quest&atilde;o os privil&eacute;gios que se perpetuam historicamente no pa&iacute;s.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando o Estado se nega a tratar com equidade e justi&ccedil;a os seres humanos em virtude de suas marcas constitutivas, ele atenta contra a democracia. O Brasil vive esta crise profunda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Bonetti (13), os discursos sobre "ideologia de g&ecirc;nero", que inflacionaram a m&iacute;dia nos &uacute;ltimos tempos no Brasil, t&ecirc;m praticamente todos uma origem comum. Trata-se de um livro (<i>The gender agenda </i>ou a Agenda de g&ecirc;nero) publicado pela jornalista cat&oacute;lica estadunidense Dale O'Leary em 1997, com o objetivo de denunciar uma "concerta&ccedil;&atilde;o mundial voltada &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia". No livro, de acordo com Bonetti, O'Leary culpa as feministas por trocar a palavra sexo por g&ecirc;nero para negarem as "diferen&ccedil;as naturais" e promoverem a homossexualidade. Essa obra teria sido a grande fonte de sustenta&ccedil;&atilde;o dos argumentos que levaram ao debate sobre "g&ecirc;nero" e "ideologia de g&ecirc;nero" quando da aprecia&ccedil;&atilde;o, no Congresso Nacional, do Projeto de Lei (PL) nº 8.035/2010, apresentado pelo poder executivo, que estabelece o Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (PNE), aprovado na forma da Lei nº 13.005, de 25/06/14, e de v&aacute;rios de seus corol&aacute;rios nas esferas estadual e municipal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As express&otilde;es "orienta&ccedil;&atilde;o sexual" e " identidade de g&ecirc;nero", previstas uma &uacute;nica vez no PL em quest&atilde;o, nos termos da Meta 3.9 "Implementar pol&iacute;ticas de preven&ccedil;&atilde;o &agrave; evas&atilde;o motivada por preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o sexual ou &agrave; identidade de g&ecirc;nero, criando rede de prote&ccedil;&atilde;o contra formas associadas de exclus&atilde;o", foram suprimidas quando da defini&ccedil;&atilde;o, agora na Lei nº 13.005/14, da Meta 3.13, a saber: "Implementar pol&iacute;ticas de preven&ccedil;&atilde;o &agrave; evas&atilde;o motivada por preconceito ou quaisquer formas de discrimina&ccedil;&atilde;o, criando rede de prote&ccedil;&atilde;o contra formas associadas de exclus&atilde;o". Essa sutil, mas expressiva supress&atilde;o, promovida a partir da atua&ccedil;&atilde;o de parlamentares, majoritariamente homens, ligadas/os &agrave; bancada evang&eacute;lica no Congresso Nacional, foi suficiente para que a possibilidade de forma&ccedil;&atilde;o escolar, voltada ao combate &agrave;s formas de discrimina&ccedil;&atilde;o relativas &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o sexual e identidade de g&ecirc;nero, se tornasse objeto de uma batalha entre perspectivas laicas e religiosas da vida em sociedade. Nesse cen&aacute;rio, a express&atilde;o "ideologia de g&ecirc;nero" foi estabelecida pelos detratores do direito &agrave; cidadania de pessoas LGBT como alvo de um imperativo divino que fundamentaria o combate &agrave; homossexualiza&ccedil;&atilde;o da sociedade, a partir da atua&ccedil;&atilde;o deliberada de professoras/es engajadas/os no fim da heterossexualidade compuls&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos debates travados em c&acirc;maras municipais, assembleias legislativas, redes sociais e, especialmente, nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o vinculados a grupos religiosos, as categorias anal&iacute;ticas "ideologia" e "g&ecirc;nero" foram dessubstancializadas de seus sentidos hist&oacute;rico, socioantropol&oacute;gico e pol&iacute;tico e passaram a ser utilizadas indiscriminadamente, na forma da express&atilde;o "ideologia de g&ecirc;nero", como o novo "lobo mau" a ser combatido pelas/os defensoras/es da moral e dos bons costumes. Secundarizou-se, antes de tudo, que g&ecirc;nero &eacute; conceito estruturante para a compreens&atilde;o da domina&ccedil;&atilde;o de homens sobre mulheres - e de cisg&ecirc;neros sobre transg&ecirc;neros e de heterossexuais sobre homossexuais -, fundamental para a compreens&atilde;o da viol&ecirc;ncia end&ecirc;mica produzida por homens, especialmente heterossexuais, contra mulheres (incluindo as l&eacute;sbicas), pessoas trans e homens gays, e para o hist&oacute;rico contexto de desigualdade social e econ&ocirc;mica entre homens e mulheres, especialmente quando fundada tamb&eacute;m em outros atributos legitimadores de opress&atilde;o e exclus&atilde;o social, como ra&ccedil;a/cor e idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse contexto, a compreens&atilde;o da din&acirc;mica de funcionamento das casas legislativas no Brasil, especialmente no que diz respeito a debates p&uacute;blicos de temas que de alguma maneira se conectam &agrave; categoria g&ecirc;nero, passa pela an&aacute;lise das implica&ccedil;&otilde;es do machismo, da misoginia e da LGBTfobia intr&iacute;nsecos a parlamentos constitu&iacute;dos majoritamente por homens, a exemplo do Congresso Nacional, no qual menos de 10% de seus integrantes s&atilde;o mulheres. Talvez essa seja uma das raz&otilde;es por que a grande maioria de autores de projetos de leis, nas esferas municipal, estadual e federal, relacionados &agrave; institui&ccedil;&atilde;o do "Programa Escola sem Partido", tamb&eacute;m sejam homens. Tais projetos t&ecirc;m como uma de suas prioridades vedar, em sala de aula, a pr&aacute;tica de "doutrina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica", na forma de atividades e/ou conte&uacute;dos, que "possam estar em conflito com as convic&ccedil;&otilde;es religiosas ou morais dos pais ou respons&aacute;veis pelos estudantes", especialmente no que diz respeito &agrave; "ideologia de g&ecirc;nero", conforme disposto em diferentes vers&otilde;es de proposi&ccedil;&otilde;es legislativas que tratam da institui&ccedil;&atilde;o do "Programa Escola sem Partido".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se hoje tramitam na C&acirc;mara dos Deputados e no Senado Federal projetos de lei distintos, mas praticamente id&ecirc;nticos, com o objetivo de incluir, entre as diretrizes e bases da educa&ccedil;&atilde;o nacional, de que trata a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, o "Programa Escola sem Partido", as primeiras iniciativas nesse sentido foram apresentadas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e na C&acirc;mara Municipal do Rio de Janeiro, em 2014, nos mesmos moldes dos projetos que tramitam no Congresso Nacional, antes referidos. Mas foi o estado de Alagoas o primeiro, e at&eacute; agora &uacute;nico, em que a Assembleia Legislativa aprovou a Lei nº 7.800, de 05/05/16, que "institui, no &acirc;mbito do sistema estadual de ensino, o programa 'Escola Livre"" - por "Escola Livre" leia-se "Escola sem Partido" -, ap&oacute;s derrubar o veto total aposto ao projeto pelo governador do estado. A lei alagoana foi objeto de uma a&ccedil;&atilde;o direta de inconstitucionalidade, proposta pela Advocacia-Geral da Uni&atilde;o no &acirc;mbito do Supremo Tribunal Federal, o qual concluiu pela plausibilidade jur&iacute;dica necess&aacute;ria para o fim de suspender, cautelarmente, sua efic&aacute;cia, por ferir preceitos constitucionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os debates acerca do "Programa Escola sem Partido" e do PNE, no &acirc;mbito do Congresso Nacional e de casas legislativas em n&iacute;veis estadual e municipal, s&atilde;o exemplos de como a garantia da equidade de g&ecirc;nero e da n&atilde;o discrimina&ccedil;&atilde;o por orienta&ccedil;&atilde;o sexual e identidade de g&ecirc;nero ainda est&atilde;o sob uma mirada fortemente conservadora, em que o vi&eacute;s religioso, especialmente de cunho fundamentalista, nos coloca frente aos riscos da universaliza&ccedil;&atilde;o de vis&otilde;es de mundo parciais, em que os privil&eacute;gios de g&ecirc;nero s&atilde;o tidos como uma prerrogativa natural, sagrada e inconteste do mundo dos homens. Tal entendimento tamb&eacute;m pareceu evidenciado ao longo do processo de linchamento androc&ecirc;ntrico que culminou com o impeachment da ex-presidenta Dilma Roussef e com a constitui&ccedil;&atilde;o de um novo governo, comandado por um vice n&atilde;o legitimado pelo crivo das urnas, que comp&ocirc;s um minist&eacute;rio integralmente constitu&iacute;do por homens, brancos, e com a extin&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; nesse cen&aacute;rio generof&oacute;bico e de pouca tangibilidade da cidadania e dos direitos humanos de grupos historicamente oprimidos no Brasil que este dossi&ecirc; se situa. Re&uacute;ne cinco textos de autoras/es com diferentes vincula&ccedil;&otilde;es institucionais e trajet&oacute;rias intelectuais, refletindo sobre a centralidade do g&ecirc;nero e de suas interseccionalidades com outros atributos identit&aacute;rios para pensar a democracia no contexto do Brasil atual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carla Rodrigues abre este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico promovendo uma reflex&atilde;o em torno dos limites e das possibilidades de amplia&ccedil;&atilde;o da democracia com o artigo "Problemas de g&ecirc;nero <i>na</i> e <i>para</i> a democracia".  Tecendo com Judith Butler, Jacques Ranci&egrave;re e Jacques Derrida, a autora demonstra como o corpo &eacute; elemento que atravessa a democracia como o elo mais vulner&aacute;vel em virtude de suas marcas de diferen&ccedil;a (<i>diff&eacute;rence</i>) ou diferencia&ccedil;&atilde;o (<i>diff&eacute;rance</i>). A democracia n&atilde;o saiu ainda da sua circunscri&ccedil;&atilde;o classe dominante (corpos dominantes) sobre classes dominadas (corpos dominados). A democracia radical como a possibilidade de todos serem part&iacute;cipes - ser ouvido, falar, governar e ser governado - est&aacute; por vir, &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o sem pausa &agrave; qual devemos estar atentas/os. Enquanto isso, os grupos e corpos marcados como diferentes e percebidos como subordinados e exclu&iacute;dos das esferas de poder e decis&atilde;o n&atilde;o deixar&atilde;o de causar "problemas", uma alus&atilde;o aos pobres, &agrave;s mulheres, aos ind&iacute;genas, negros, homossexuais, transg&ecirc;neros, e povos colonizados e oprimidos de todas as "marcas" em todos os tempos da nossa hist&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Talvez seja necess&aacute;rio morrer para voltar &agrave; vida, na dial&eacute;tica que povoa tanto o argumento de Carla Rodrigues quanto o de Ma&iacute;ra Kub&iacute;k Mano, no segundo artigo deste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico, "Da suspei&ccedil;&atilde;o &agrave; suspens&atilde;o: reflex&otilde;es sobre os caminhos recentes da democracia brasileira sob uma perspectiva de g&ecirc;nero". A democracia por vir, de Derrida, e tantos outros, atesta a falibilidade do estatuto atual da democracia brasileira que, literalmente, parece morrer. Tendo experimentado um breve per&iacute;odo de amplia&ccedil;&atilde;o de direitos do ponto de vista da justi&ccedil;a de g&ecirc;nero a exemplo da PEC das dom&eacute;sticas (Proposta de Emenda &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o nº 478/2010, posteriormente Emenda Constitucional nº 72/2013), o pa&iacute;s retoma sua pol&iacute;tica dominante - feita majoritariamente por homens brancos, adultos, cisg&ecirc;neros, heterossexuais, das classes abastadas. De 2016 em diante, apenas interroga&ccedil;&otilde;es pairam no ar sem qualquer ind&iacute;cio de que estejamos minimamente trilhando um caminho pr&oacute;-igualdade de g&ecirc;nero, ou seja, de democratizar a democracia para al&eacute;m de vagas "reformas", como listas fechadas com altern&acirc;ncia de "sexo" e financiamento p&uacute;blico de campanha. Resta-nos resistir &agrave; morte prematura, escavar fundo e fazer emergir a pot&ecirc;ncia, a vontade de viver e de continuar lutando, criando problemas em busca de uma democracia radical, a partir de referenciais anticolonialistas, antirracistas e antipatriarcais, numa cena pol&iacute;tica em que debates sobre "ideologia de g&ecirc;nero" e "escola sem partido" s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es dos riscos do fascismo social e do fascismo pol&iacute;tico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um ponto forte na dimens&atilde;o segregacionista da democracia brasileira se expressa no cruzamento g&ecirc;nero/ra&ccedil;a. Flavia Rios, Ana Claudia Pereira e Patricia Rangel, no artigo "Paradoxo da igualdade: g&ecirc;nero, ra&ccedil;a e democracia", examinam o perfil da C&acirc;mara dos Deputados na 55ª legislatura (2015-2019), considerando os grupos de homens brancos, mulheres brancas, homens negros e mulheres negras, &agrave; luz da produ&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica acerca da sub-representa&ccedil;&atilde;o racial e de g&ecirc;nero. Enquanto estudos trataram abundantemente das aus&ecirc;ncias das mulheres na pol&iacute;tica e na produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, n&atilde;o se observam com a mesma frequ&ecirc;ncia investimentos intelectuais que busquem compreender a matriz da pr&oacute;pria exclus&atilde;o de negras/os da pol&iacute;tica. As autoras observam que a sub-representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica na esfera parlamentar contrasta com ativa participa&ccedil;&atilde;o nos movimentos feminista e negro. H&aacute; a hist&oacute;rica estratifica&ccedil;&atilde;o social na qual negros e negras est&atilde;o em posi&ccedil;&otilde;es desvantajosas em termos de letramento, trabalho e renda, como h&aacute;, tamb&eacute;m, aspectos culturais que s&oacute; se explicam pelo racismo. De que outra forma soariam compreens&iacute;veis as afrontas, inj&uacute;rias e ofensas sofridas por parlamentares negras/os quando se pronunciam publicamente nos espa&ccedil;os institucionais? Desigualdade social e desigualdade pol&iacute;tica funcionam e se estabilizam num continuado processo que se retroalimenta, como enfatizam as autoras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em "Democracia e direito da antidiscrimina&ccedil;&atilde;o: interseccionalidade e discrimina&ccedil;&atilde;o m&uacute;ltipla no direito brasileiro", Roger Raupp Rios e Rodrigo da Silva ressaltam como a constru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e a afirma&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos s&atilde;o processos concomitantes e desafiadores, particularmente em sociedades com tradi&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria e excludente. Essa compreens&atilde;o aponta para a complexifica&ccedil;&atilde;o da realidade social e de sua abordagem quando se observa o car&aacute;ter interseccional dos processos discriminat&oacute;rios, concebidos no universo jur&iacute;dico como "discrimina&ccedil;&atilde;o m&uacute;ltipla", fen&ocirc;meno irredut&iacute;vel ao somat&oacute;rio de crit&eacute;rios proibidos de discrimina&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea. No texto, a reflex&atilde;o sobre a interseccionalidade e seus efeitos jur&iacute;dicos &eacute; problematizada a partir de uma perspectiva que recorre ao direito internacional dos direitos humanos, bem como da an&aacute;lise de dois casos emblem&aacute;ticos, um apreciado no &acirc;mbito do Comit&ecirc; de Elimina&ccedil;&atilde;o de Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher (Cedaw) e outro na Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos. Conceito-chave para pensar g&ecirc;nero e democracia na contemporaneidade, interseccionalidade sem d&uacute;vida &eacute; hoje uma das categorias mais promissoras para compreender as complexas l&oacute;gicas de discrimina&ccedil;&atilde;o, exclus&atilde;o e opress&atilde;o que est&atilde;o a caracterizar a globaliza&ccedil;&atilde;o do machismo, do racismo, da xenobobia e da LGBTfobia, entre outras formas de destrui&ccedil;&atilde;o da alteridade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, Fabiano Gontijo, no artigo "As experi&ecirc;ncias da diversidade sexual e de g&ecirc;nero no interior da Amaz&ocirc;nia: apontamentos para estudos nas ci&ecirc;ncias sociais" destaca como s&atilde;o incipientes os estudos relativos a g&ecirc;nero, sexualidade e temas afins em contextos rurais e interioranos e/ou em situa&ccedil;&otilde;es etnicamente diferenciadas e, quando existentes, tamb&eacute;m focados em realidades urbanas, brancas e masculinas, como tamb&eacute;m prevalece no caso da maioria dos estudos feitos no Centro-Sul do Brasil. O autor tamb&eacute;m chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de os estudos amaz&ocirc;nicos, rurais e sobre etnicidade pouco tratarem de diversidade sexual e de g&ecirc;nero, incluindo experi&ecirc;ncias homossexuais. A partir dessa constata&ccedil;&atilde;o, o artigo apresenta um conjunto de importantes, por&eacute;m incipientes, estudos socioantropol&oacute;gicos sobre g&ecirc;nero e sexualidade em contextos rurais, ao mesmo tempo em que ressalta que os estudos rurais ignoram os temas afins &agrave; sexualidade e, quando muito, abordam g&ecirc;nero a partir de quest&otilde;es morais relativas &agrave; fam&iacute;lia e aos arranjos familiares camponeses, com &ecirc;nfase no lugar da mulher trabalhadora e/ou militante. Na perspectiva do autor, sexualidade, e seus corol&aacute;rios, ainda n&atilde;o seria categoria problematizada de maneira substantiva quando se pensa o mundo rural em uma perspectiva de opress&otilde;es interseccionadas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">* Gostar&iacute;amos de agradecer a M&aacute;rcia Sardinha da Costa, graduada em ci&ecirc;ncias sociais, habilita&ccedil;&atilde;o em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas (UFG, 2015), atualmente cursando a licenciatura em ci&ecirc;ncias sociais na mesma institui&ccedil;&atilde;o, por seu inestim&aacute;vel trabalho de assistente na elabora&ccedil;&atilde;o deste dossi&ecirc;. Agradecemos &agrave;s autoras e aos autores a aten&ccedil;&atilde;o, disponibilidade e receptividade ao nosso convite.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Hirata, H. at all. <i>Dicion&aacute;rio Cr&iacute;tico do Feminismo</i>. Unesp, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Haraway, D. "G&ecirc;nero" para um dicion&aacute;rio marxista: a pol&iacute;tica sexual de uma palavra. <i>Cad. Pagu, </i>Campinas, nº. 22, 2004, p. 201-246.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Hawkesworth, M. "Confounding gender". In: <i>Debate Feminista: G&eacute;nero </i>(n. 20). M&eacute;xico: Metis, 1999, p. 3-48.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Ortner, S. B. "Est&aacute; a mulher para o homem assim como a natureza para a cultura?". In: Rosaldo, M. e Lamphere, L. (orgs.), <i>A mulher, a cultura e a sociedade. </i>Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979, p. 95-120.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Butler, J. <i>Deshacer el g&eacute;nero</i>. Barcelona: Paid&oacute;s, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Piscitelli, A. "(Re)criando a categoria mulher?". In: Algranti, L. M. (org.), "A pr&aacute;tica feminista e o conceito de g&ecirc;nero". Campinas-SP: <i>Textos Did&aacute;ticos</i>, nº. 48, 2002, p. 7-42.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Gon&ccedil;alves, E." Educa&ccedil;&atilde;o sexual em contexto escolar: da forma&ccedil;&atilde;o de professores/as &agrave; sala de aula". Goi&acirc;nia: FE/UFG, 1998, disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Bourdieu, P. <i>A domina&ccedil;&atilde;o masculina</i>. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Rubin, G.; Butler, J. "Tr&aacute;fico sexual: entrevista". <i>Cad. Pagu</i>, Campinas nº. 21, 2003, p. 157-209.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Kergoat, D. "Consubstancialidade das rela&ccedil;&otilde;es sociais". <i>Novos Estudos </i>(84), 2010, p.93-103.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Scott, J. "G&ecirc;nero: uma categoria &uacute;til de an&aacute;lise hist&oacute;rica". <i>Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Realidade</i>, vol. 20, nº. 2, 1995, p. 71-99.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Crenshaw, K. Documento para o Encontro de Especialistas em Aspectos da Discrimina&ccedil;&atilde;o Racial Relativos ao G&ecirc;nero. <i>Estudos Feministas</i>, ano 10, 1º semestre 2002, p. 171-88.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Bonetti, A. "Entre armadilhas ideol&oacute;gicas e confus&otilde;es propositais: reflex&otilde;es sobre a pol&ecirc;mica em torno da 'ideologia de g&ecirc;nero'". In: Bonetti, A.; Silva, F. F. da (orgs.). <i>G&ecirc;nero, interseccionalidades e feminismos: desafios contempor&acirc;neos para a educa&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Leopoldo, RS: Oikos, 2015, p.47-62.    </font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hirata]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Dicionário Crítico do Feminismo]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-name><![CDATA[Unesp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Haraway]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Gênero" para um dicionário marxista: a política sexual de uma palavra]]></article-title>
<source><![CDATA[Cad. Pagu]]></source>
<year>2004</year>
<numero>22</numero>
<issue>22</issue>
<page-range>201-246</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hawkesworth]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Confounding gender]]></article-title>
<source><![CDATA[Debate Feminista: Género (n. 20)]]></source>
<year>1999</year>
<page-range>3-48</page-range><publisher-loc><![CDATA[México ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Metis]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ortner]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Está a mulher para o homem assim como a natureza para a cultura?]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Rosaldo]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lamphere]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A mulher, a cultura e a sociedade]]></source>
<year>1979</year>
<page-range>95-120</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Paz e Terra]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Butler]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Deshacer el género]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Paidós]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Piscitelli]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["(Re)criando a categoria mulher?"]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Algranti]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A prática feminista e o conceito de gênero]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>7-42</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas^eSP SP]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Textos Didáticos]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Educação sexual em contexto escolar: da formação de professores/as à sala de aula]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Goiânia ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[FE/UFG]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bourdieu]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A dominação masculina]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Bertrand Brasil]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rubin]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Butler]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tráfico sexual: entrevista]]></article-title>
<source><![CDATA[Cad. Pagu]]></source>
<year>2003</year>
<numero>21</numero>
<issue>21</issue>
<page-range>157-209</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kergoat]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Consubstancialidade das relações sociais]]></article-title>
<source><![CDATA[Novos Estudos]]></source>
<year>2010</year>
<volume>84</volume>
<page-range>93-103</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Scott]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Gênero: uma categoria útil de análise histórica]]></article-title>
<source><![CDATA[Educação & Realidade]]></source>
<year></year>
<volume>20</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>71-99</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Crenshaw]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Documento para o Encontro de Especialistas em Aspectos da Discriminação Racial Relativos ao Gênero]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos Feministas]]></source>
<year></year>
<volume>10</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>171-88</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bonetti]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Entre armadilhas ideológicas e confusões propositais: reflexões sobre a polêmica em torno da 'ideologia de gênero']]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Bonetti]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. F. da]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Gênero, interseccionalidades e feminismos: desafios contemporâneos para a educação]]></source>
<year>2015</year>
<page-range>47-62</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Leopoldo^eRS RS]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oikos]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
