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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> G&Ecirc;NERO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Paradoxo da igualdade: g&ecirc;nero, ra&ccedil;a e democracia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Flavia Rios<sup>I</sup>; Ana Claudia Pereira<sup>II</sup>; Patr&iacute;cia Rangel<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professora adjunta e integra o Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sociologia da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade Federal de Goi&aacute;s (UFG). Doutorou-se na USP e foi visiting student researcher collaborator na Princeton University, com bolsa sandu&iacute;che da Fapesp (2013). Email: <a href="mailto:flaviamrios@yahoo.com.br">flaviamrios@yahoo.com.br</a>    <br> <sup>II</sup>Doutora em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica (IESP/UERJ). Desenvolve pesquisa nos temas de g&ecirc;nero e ra&ccedil;a e atua no Grupo de Estudos Mulheres Negras da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB). Email: <a href="mailto:anaclaudiapereira@gmail.com">anaclaudiapereira@gmail.com</a>    <br> <sup>III</sup>Doutora em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica (UnB) com miss&atilde;o de estudos na UNGS (Argentina). Atualmente, &eacute; bolsista de p&oacute;s-doutorado da Fapesp, realizando sua pesquisa no Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), junto ao projeto "50 anos de feminismo: Brasil, Argentina e Chile". Email: <a href="mailto:pdrangel@gmail.com">pdrangel@gmail.com</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Onze de maio de 2016. O Senado &eacute; o foco de todos os olhares. Nessa data e nesse local, decidia-se pelo afastamento da primeira e &uacute;nica mulher a ocupar a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, uma das principais p&aacute;ginas do tortuoso processo de impeachment de Dilma Rousseff. Na casa legislativa, a senadora Regina Sousa (PT/PI), negra, fazia seu pronunciamento contr&aacute;rio &agrave; admissibilidade do impedimento da presidenta. Em resposta imediata, um humorista brasileiro lan&ccedil;a uma mensagem no Twitter: "Senadora? Achei que fosse a tia do caf&eacute;..." (1). O esc&aacute;rnio em forma de pergunta, embora tivesse o n&iacute;tido objetivo de provocar risos dos seus seguidores na internet, gerou rea&ccedil;&otilde;es expressivas (de concord&acirc;ncia e desagravo), repercutindo, assim, nas redes sociais e, na sequ&ecirc;ncia, em alguns notici&aacute;rios. A suposta confus&atilde;o do comediante, longe de ser uma opini&atilde;o particular, revela-se, antes, um tipo de ret&oacute;rica padr&atilde;o com base em estere&oacute;tipos racistas, sexistas e de classe, presentes em discursos hegem&ocirc;nicos acionados mediante o estranhamento da presen&ccedil;a de pessoas de certos grupos sociais em posi&ccedil;&otilde;es de poder econ&ocirc;mico, de <i>status </i>social ou prest&iacute;gio pol&iacute;tico, as quais julgam estar "fora do lugar".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pelo menos desde o processo de retomada democr&aacute;tica, ativistas e intelectuais feministas e antirracistas t&ecirc;m destacado a import&acirc;ncia da representa&ccedil;&atilde;o social (2) para a compreens&atilde;o das desigualdades de g&ecirc;nero e ra&ccedil;a nas diversas esferas da vida em sociedade (3). No que compete &agrave; desigualdade na pol&iacute;tica institucional, esfor&ccedil;os acad&ecirc;micos t&ecirc;m sido feito no sentido de descrever, mensurar e explicar a baixa representa&ccedil;&atilde;o de mulheres e negros nos espa&ccedil;os de poder pol&iacute;tico, em especial nas esferas parlamentares. O diagn&oacute;stico comum da literatura acad&ecirc;mica versada na tem&aacute;tica da representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica tem apontado que as institui&ccedil;&otilde;es de poder que conformam a democracia brasileira possuem ocupantes pertencentes a grupos sociais bastante espec&iacute;ficos. A predomin&acirc;ncia de homens brancos em propor&ccedil;&otilde;es muito superiores &agrave;s apresentadas na popula&ccedil;&atilde;o brasileira faz supor que existem mecanismos seletivos que t&ecirc;m favorecido tais segmentos sociais em detrimento de outros, reproduzindo uma hierarquia racial e de g&ecirc;nero, da base ao topo da pol&iacute;tica representativa nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No veio deste debate, o presente artigo tem por objetivo contribuir com esse campo de investiga&ccedil;&atilde;o, ampliando o foco anal&iacute;tico da produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica ao assinalar a pertin&ecirc;ncia da perspectiva interseccional - e n&atilde;o apenas a an&aacute;lise isolada dos atributos de g&ecirc;nero ou ra&ccedil;a - para os estudos das desigualdades persistentes e categ&oacute;ricas na representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (4). Advoga-se aqui que a abordagem interseccional &eacute; sens&iacute;vel aos pontos nodais de desigualdades, uma vez que observa tanto "as diferen&ccedil;as entre as mulheres como as diferen&ccedil;as entre mulheres e homens", conforme formula Crenshaw (5). Esse mesmo racioc&iacute;nio vale tamb&eacute;m para as desigualdades raciais intra e entre grupos, uma vez que o foco anal&iacute;tico est&aacute; nos imbricamentos geradores e reprodutores de desigualdades, especialmente aqueles que articulam g&ecirc;nero, ra&ccedil;a e classe (6).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse tipo de argumenta&ccedil;&atilde;o teve lugar no seio da intelectualidade negra brasileira entre os anos de 1970 e 1980. L&eacute;lia Gonzalez (7), influenciada pelos estudos das rela&ccedil;&otilde;es raciais brasileiras, pelos nascentes estudos nacionais sobre as hierarquias de g&ecirc;nero e pelo marxismo estruturalista, bem como pelo pensamento do <i>Black Feminism</i>, chamou a aten&ccedil;&atilde;o para as desigualdades geradas pelas opress&otilde;es racial e sexista, bem como pela explora&ccedil;&atilde;o de classe (7; 8). Com efeito, os estudos sobre desigualdades no mercado de trabalho e nos rendimentos demostraram as fortes e persistentes assimetrias salariais e de inser&ccedil;&atilde;o ocupacional quando se considera a intersec&ccedil;&atilde;o entre ra&ccedil;a e g&ecirc;nero, reservando maiores vantagens para os homens brancos e maior ac&uacute;mulo de desvantagens para as mulheres negras (9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deslocando essa problem&aacute;tica da vida econ&ocirc;mica e social para o &acirc;mbito da pol&iacute;tica institucional, neste artigo, ser&atilde;o abordados os seguintes aspectos: 1) a caracteriza&ccedil;&atilde;o do perfil das candidaturas e dos eleitos &agrave; 55ª legislatura da C&acirc;mara dos Deputados (2015-2019), por g&ecirc;nero e ra&ccedil;a, considerando o desenvolvimento da produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica versada nas rela&ccedil;&otilde;es raciais e de g&ecirc;nero, com especial destaque para a representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, dialogando, assim, com as contribui&ccedil;&otilde;es das atuais tend&ecirc;ncias interpretativas que entrela&ccedil;am esses temas; e 2) a discuss&atilde;o acerca dos desafios e das perspectivas para uma agenda de pesquisa voltada para o tema da representa&ccedil;&atilde;o de negros e de mulheres na pol&iacute;tica brasileira, uma vez que se nota um paradoxo expresso na vigorosa participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nas esferas civis e extraparlamentares, em contraste com a sua baixa representa&ccedil;&atilde;o nas estruturas representativas do estado democr&aacute;tico de direito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPRESENTA&Ccedil;&Atilde;O PARLAMENTAR DAS MULHERES NEGRAS NA C&Acirc;MARA DOS DEPUTADOS, 55ª LEGISLATURA (2015-2019)</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Por muito tempo, os estudos sobre desigualdades de ra&ccedil;a e g&ecirc;nero andaram apartados. Apesar de trabalharem com a tem&aacute;tica das desigualdades na pol&iacute;tica considerando caracter&iacute;sticas adstritas, as pesquisas sobre as rela&ccedil;&otilde;es raciais nesse campo n&atilde;o dialogavam com as pesquisas sobre g&ecirc;nero e vice-versa. Dentre as diversas raz&otilde;es que explicam tal realidade, uma delas pode ser atribu&iacute;da &agrave; aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es sobre cor nos documentos e estat&iacute;sticas oficiais produzidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A emergente bibliografia sobre a sub-representa&ccedil;&atilde;o feminina contrasta com a escassez de estudos sobre a marginalidade da popula&ccedil;&atilde;o negra nas institui&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica formal no Brasil. Como assinalaram Luiz Campos e Carlos Machado (10), pouco se sabe sobre os mecanismos sociais e institucionais que favorecem o predom&iacute;nio de brancos nos quadros eleitos e at&eacute; mesmo sobre a fase da carreira pol&iacute;tica em que os negros s&atilde;o afastados da representa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Visando contribuir para o debate p&uacute;blico acerca da rela&ccedil;&atilde;o entre desigualdades e democracia, esta se&ccedil;&atilde;o se prop&otilde;e a descrever a representa&ccedil;&atilde;o parlamentar das mulheres negras em contraste com outros grupos de ra&ccedil;a e g&ecirc;nero na atual legislatura da C&acirc;mara dos Deputados. Seguindo as tend&ecirc;ncias das pesquisas acad&ecirc;micas versadas no tema das desigualdades, tomaremos aqui a categoria negro como sendo o somat&oacute;rio dos que se autodeclaram pretos e pardos nas fichas de inscri&ccedil;&atilde;o do TSE. Nas elei&ccedil;&otilde;es de 2014, ano em que a informa&ccedil;&atilde;o sobre ra&ccedil;a/cor foi inclu&iacute;da pela primeira vez nas fichas de candidatura, o n&uacute;mero de negros eleitos para o Congresso Nacional chegou a 108. Dos 540 parlamentares (513 deputados e 27 senadores), 432 eram brancos (22 senadores e 410 deputados), sendo 45 mulheres e 387 homens. Entre os parlamentares negros, havia 11 mulheres e 97 homens (11), como se pode observar na <a href="#tab1">tabela 1</a>.</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n1/a15tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais dados evidenciam um contraste entre eleitos e a popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Dentre os parlamentares escolhidos para integrar o Congresso Nacional em 2014, somente 2% correspondem a mulheres negras - um n&uacute;mero &iacute;nfimo, considerando que as negras representam 25% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Segundo o Censo de 2010 realizado pelo IBGE, 50,7% dos brasileiros consideram-se negros, em contraste com 20% de deputados e 18,5% de senadores autodeclarados negros eleitos para a 55ª legislatura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Afunilando a an&aacute;lise para a casa baixa do Congresso, dentre os 513 deputados da mencionada legislatura, apontamos que os brancos s&atilde;o 79,9% (410 pessoas) e os negros s&atilde;o 20%: os pardos s&atilde;o 15,8% (81) e os/as pretos/as s&atilde;o 4,3% (22). N&atilde;o foram eleitos deputados autodeclarados amarelos ou ind&iacute;genas. Quanto &agrave;s diferen&ccedil;as intra-grupos, vale destacar a dist&acirc;ncia entre as mulheres. Das 51 eleitas, 80,4% s&atilde;o brancas, e 19,6% s&atilde;o negras (13,7% s&atilde;o pardas e 5,9% s&atilde;o pretas). Dos 462 deputados (homens) eleitos, 79,9% s&atilde;o brancos e 20,1% s&atilde;o negros (16% s&atilde;o pardos e 4,1% s&atilde;o pretos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os eleitos brancos s&atilde;o mais numerosos do que os candidatos &agrave; C&acirc;mara dos Deputados: no momento das candidaturas, os autodeclaradosbrancos eram 58,1%, os pardos eram 31,2%, os pretos eram 9,8%, os amarelos 0,5% e os ind&iacute;genas eram 0,3%. Dentre os eleitos, os brancos s&atilde;o 79,9%, os pardos s&atilde;o 15,8% e os pretos s&atilde;o 4,3%. Tais resultados parecem confirmar a hip&oacute;tese apresentada por Campos e Machado, segundo a qual <i>a sub-representa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; causada exclusivamente pelo menor n&uacute;mero de negros entre os candidatos</i>. Apesar de termos contabilizado menos negros que brancos nas listas de candidaturas, acreditamos que a propor&ccedil;&atilde;o das assimetrias nas candidaturas n&atilde;o &eacute; suficiente para explicar a profundidade da sub-representa&ccedil;&atilde;o de negras na C&acirc;mara, ap&oacute;s conclu&iacute;do o pleito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa de Bueno e Dunning (12) tamb&eacute;m mostrou que a sub-representa&ccedil;&atilde;o de negros n&atilde;o &eacute; somente explicada pela desigualdade na apresenta&ccedil;&atilde;o de candidaturas. Esse estudo indicou que o gargalo na participa&ccedil;&atilde;o de negros em cargos eletivos n&atilde;o pode ser atribu&iacute;do a obst&aacute;culos &agrave;s candidaturas e que as candidaturas brancas apresentam taxas maiores de sucesso, como indicamos no <a href="#gra1">gr&aacute;fico 1</a>. Em grande medida, isso se deve &agrave;s singularidades do sistema eleitoral do pa&iacute;s. A ado&ccedil;&atilde;o de listas abertas e a forte individualiza&ccedil;&atilde;o das campanhas pol&iacute;ticas contribuem para que as mulheres negras tenham dificuldades para entrar no jogo eleitoral com possibilidades reais de elei&ccedil;&atilde;o. &Eacute; importante lembrar, como ressalta Clara Ara&uacute;jo (13), que a porcentagem de mulheres eleitas n&atilde;o cresce proporcionalmente &agrave; porcentagem de candidatas.</font></p>     <p><a name="gra1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n1/a15gra01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um estudo da Seppir (14) sobre a legislatura anterior (54ª legislatura: 2011-2015) indicou que houve 1.178 candidaturas femininas sobre um total de 6.028 &agrave; C&acirc;mara dos Deputados em 2010, o que correspondia a 22,2%. Dessas, 241 (3,9%) eram negras. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, contudo, oferecer uma compara&ccedil;&atilde;o fi&aacute;vel com as elei&ccedil;&otilde;es passadas, no que tange aos dados que embasam a an&aacute;lise, pois eles n&atilde;o s&atilde;o oferecidos pela mesma fonte: como o crit&eacute;rio ra&ccedil;a/cor s&oacute; foi inclu&iacute;do nas fichas de candidatura do TSE em 2014, os dados sobre os outros pleitos foram produzidos por pesquisadores independentes, que recorreram &agrave; heteroclassifica&ccedil;&atilde;o racial ou aos partidos e representantes pol&iacute;ticos (12; 14; 15). Para al&eacute;m das diversas dificuldades e limita&ccedil;&otilde;es desse tipo de an&aacute;lise, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel relacionar dados resultados de metodologias de heteroclassifica&ccedil;&atilde;o a informa&ccedil;&otilde;es oficiais (autoclassifica&ccedil;&atilde;o). Por maiores que tenham sido os esfor&ccedil;os para definir com a maior precis&atilde;o poss&iacute;vel a cor/ra&ccedil;a das candidatas, a metodologia possui desvios causados pela maneira subjetiva pela qual se realiza a classifica&ccedil;&atilde;o. Conforme apontou o pesquisador Luiz Augusto Campos, "&eacute; bem prov&aacute;vel que uma parcela significativa dos deputados autodeclarados pardos e pretos n&atilde;o seja vista desse modo pela sociedade como um todo" (10). Esta &eacute;, ademais, uma quest&atilde;o j&aacute; notada no estudo cl&aacute;ssico sobre rela&ccedil;&otilde;es raciais, de Oracy Nogueira, que assinala as flagrantes diferen&ccedil;as entre heteroclassifica&ccedil;&atilde;o e autoclassifica&ccedil;&atilde;o nas classifica&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias de tipo fenot&iacute;pica em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; de origem racial (16).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em que pese essas pondera&ccedil;&otilde;es, podemos nos valer desses dados para refletir sobre os resultados das elei&ccedil;&otilde;es de 2014 em contraste com o pleito anterior. Um levantamento realizado pela Uni&atilde;o de Negros pela Igualdade (Unegro) com base na heteroclassifica&ccedil;&atilde;o (15) indicou que, em 2010, dos 567 parlamentares eleitos para a 54ª legislatura do Congresso Nacional (2011-2015), incluindo C&acirc;mara e Senado, 522 eram pessoas brancas (46 mulheres e 476 homens) e 45 pessoas negras (6 mulheres e 39 homens) (17). Esse levantamento, portanto, indica que a representa&ccedil;&atilde;o parlamentar das mulheres negras mal conseguiu ultrapassar 1%.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Focando na C&acirc;mara, ainda segundo o levantamento da Unegro (15), foram eleitos 43 deputados negros nas elei&ccedil;&otilde;es de 2010. Embora a pesquisa n&atilde;o destaque a presen&ccedil;a de mulheres negras, por meio dos nomes listados no relat&oacute;rio, &eacute; poss&iacute;vel inferir que 7 s&atilde;o parlamentares pretas e pardas, ou seja, representavam 16% do conjunto dos negros eleitos para a casa legislativa federal na 54ª legislatura. Tr&ecirc;s dessas mulheres elegeram-se pelo Partido dos Trabalhadores (Benedita da Silva, Janete Piet&aacute; e Dalva Figueiredo) e duas (Perpetua Almeida e Luciana Santos), pelo Partido Comunista do Brasil. As demais, Nice Lob&atilde;o e Andreia Zito, foram eleitas pelo Partido Democratas (DEM) e pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Segundo o mesmo relat&oacute;rio, parte expressiva dos negros eleitos (18) representava a coliga&ccedil;&atilde;o PT-PCdoB, o que explicaria a maior concentra&ccedil;&atilde;o de mulheres negras eleitas nessas duas siglas partid&aacute;rias. Em 2010, de acordo com dados do TSE, foram eleitas 45 deputadas federais. Se 7 delas eram negras, como indica o relat&oacute;rio da Unegro, as deputadas negras seriam 15,5% das deputadas eleitas naquele ano, e o &iacute;ndice de representa&ccedil;&atilde;o das mulheres negras naquela legislatura teria sido de 1,4%.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto &agrave; legislatura anterior (53ª legislatura: 2007-2011), uma pesquisa do CFEMEA (18) tra&ccedil;ou o perfil da composi&ccedil;&atilde;o do Congresso, ilustrado por uma amostra de 321 (19) parlamentares que responderam ao question&aacute;rio. Os homens foram 92% dos entrevistados e os brancos, 60%. A pesquisa apontou que apenas 3% dos entrevistados se autodeclararam pretos e 30% pardos. O Relat&oacute;rio das Desigualdades Raciais 2007-2008 (20), por sua vez, investigou a quantidade de parlamentares negros da mesma legislatura a partir da heteroclassifica&ccedil;&atilde;o, e considerou que 87% dos deputados federais eram brancos, enquanto somente 9% foram identificados como negros. Entre os 513 eleitos, havia somente uma mulher preta e duas pardas. Como apontaram os pesquisadores, as mulheres negras correspondiam a aproximadamente 0,6% dos deputados eleitos, um n&uacute;mero muito distante do peso das mulheres negras na popula&ccedil;&atilde;o brasileira, que naquele ano era de 24,8%.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para buscar explicar os motivos da sub-representa&ccedil;&atilde;o, apoiamo-nos no amplo estudo de Bueno e Dunning (12) sobre candidatos para cargos majorit&aacute;rios dos n&iacute;veis federal, estadual e municipal (presid&ecirc;ncia, governos dos estados, senado e prefeitura) e proporcionais (C&acirc;mara dos Deputados, Assembleias Legislativas e C&acirc;maras dos Vereadores) de localidades selecionadas. Sua pesquisa indicou que a desigualdade na composi&ccedil;&atilde;o racial dos eleitores e dos eleitos ocorre em todos os n&iacute;veis de governo, mas que as assimetrias favor&aacute;veis aos brancos s&atilde;o menores para cargos legislativos de &acirc;mbito municipal, aumentando no n&iacute;vel estadual e crescendo mais ainda no n&iacute;vel federal. Ademais, apontou que candidatos brancos s&atilde;o "substancialmente mais ricos", ostentando vantagens expressivas tanto no quesito patrim&ocirc;nio pessoal, quanto no volume de recursos recebidos para financiamento de campanha, incluindo recursos provenientes dos pr&oacute;prios partidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa de Campos e Machado (10) indicou, ademais, acentuadas desigualdades entre candidatos brancos e n&atilde;o-brancos no acesso a financiamento de campanha. Entre candidatos negros, homens e com ensino superior, havia maior acesso a financiamento, mas, ainda assim, com desvantagem significativa em rela&ccedil;&atilde;o a candidatos brancos. Ao recortar a receita de campanha declarada pelos candidatos ao TSE, os autores descobrem que "&eacute; no conjunto dos estratos com maior chance de vit&oacute;ria eleitoral, onde h&aacute; maior acirramento da competi&ccedil;&atilde;o, que opera um entrave quanto ao acesso a recursos importantes para candidatos n&atilde;o-brancos" (10). Mesmo quando somente candidatos com ensino superior s&atilde;o comparados, os negros encontram-se em desvantagem. Por fim, &eacute; importante destacar que um elemento que se repete nas duas pesquisas (10; 12) foi a falta de evid&ecirc;ncias de que os candidatos n&atilde;o-brancos sejam discriminados pelos eleitores, sugerindo que os filtros raciais determinantes para o fracasso das candidaturas negras operam no interior dos sistemas partid&aacute;rio e eleitoral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse breve olhar sobre n&uacute;meros relativos &agrave; presen&ccedil;a de mulheres, negros e mulheres negras entre os representantes pol&iacute;ticos eleitos para a 55ª legislatura permite dimensionar o acesso de indiv&iacute;duos que comp&otilde;em esses grupos sociais a assentos nas casas legislativas, identificando o racismo e o sexismo que estruturam as rela&ccedil;&otilde;es sociais no pa&iacute;s e que estabelecem o pano de fundo sobre o qual a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das negras ocorre. Esses dados relevam disparidades ainda mais acentuadas se considerarmos, como apontou a pesquisa de Bueno e Dunning (12), que a sobre-representa&ccedil;&atilde;o de brancos &eacute; maior em cargos executivos do que em cargos legislativos, conforme os dados coletados pela pesquisa da Seppir parecem corroborar na <a href="#tab2">tabela 2</a>. A C&acirc;mara dos Deputados, com 2% de mulheres negras, n&atilde;o &eacute; o locus de maior sub-representa&ccedil;&atilde;o dessas mulheres.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n1/a15tab02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; interessante notar, conforme indicaram os dados da Seppir sobre as elei&ccedil;&otilde;es gerais de 2010, que as mulheres negras estiveram mais presentes percentualmente na disputa ao cargo de vice-governadora (27,6%), menos presentes na disputa ao Senado (17,9%) e tiveram um peso relativamente homog&ecirc;neo na corrida pelas Assembleias Legislativas (20,7%) e pela C&acirc;mara Federal (20,5%). Tal perfil indica que a posi&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica de vice-governadora parece ser uma estrat&eacute;gia partid&aacute;ria para atrair certas parcelas do eleitorado, e indica tamb&eacute;m que as elei&ccedil;&otilde;es executivas e majorit&aacute;rias seguem sendo um dos maiores gargalos para a sub-representa&ccedil;&atilde;o feminina e negra. Estudos futuros que venham a acompanhar, em perspectiva longitudinal e comparativa, os desdobramentos das desigualdades por cor e g&ecirc;nero ter&atilde;o o desafio de explicar as diferen&ccedil;as entre as carreiras pol&iacute;ticas e suas rela&ccedil;&otilde;es com as desigualdades raciais e de g&ecirc;nero na democracia brasileira.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DILEMAS E HORIZONTES PARA A REPRESENTA&Ccedil;&Atilde;O POL&Iacute;TICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tema da qualidade da democracia esteve no centro das preocupa&ccedil;&otilde;es dos movimentos feministas, negros e de mulheres negras, pelo menos, desde o t&eacute;rmino da ditadura militar. Entretanto, os agenciamentos pol&iacute;ticos empreendidos por esses atores e atrizes, j&aacute; nos prim&oacute;rdios da redemocratiza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o foram capazes de reverter as disparidades por g&ecirc;nero e ra&ccedil;a presentes nos espa&ccedil;os pol&iacute;ticos institucionais de poder. Ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, tais movimentos lograram ampliar espa&ccedil;os de participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (a exemplo dos conselhos setoriais, como o da sa&uacute;de e da educa&ccedil;&atilde;o, ou mesmo os espec&iacute;ficos, como o Conselho Nacional de Pol&iacute;ticas da Igualdade Racial e o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher), tornaram-se agentes influentes na formula&ccedil;&atilde;o de leis e de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de equidade racial e de g&ecirc;nero (como no caso das cotas para negros no ensino superior, a reserva de candidaturas para mulheres nas elei&ccedil;&otilde;es proporcionais - leis 9.100/95, 9.504/97 e 12.034/09, a lei contra a discrimina&ccedil;&atilde;o racial e as leis Maria da Penha e do Feminic&iacute;dio, ou ainda leis de reconhecimento, como a 10.639/03 ou 11.645/08, dentre outras). Esses grupos chegaram at&eacute; mesmo a constituir secretarias e minist&eacute;rios no governo federal, como a Secretaria de Pol&iacute;ticas de Promo&ccedil;&atilde;o da Igualdade Racial e a Secretaria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, durante os governos de Lula e Dilma. Contudo, aqueles agentes n&atilde;o foram capazes de abalar as estruturas de car&aacute;ter racial e patriarcal que conformam a democracia representativa brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com efeito, um dos paradoxos de nossa democracia &eacute; exatamente esse: por que mulheres e negros, agentes t&atilde;o vigorosos na forma&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais, formas pol&iacute;ticas relevantes para a conforma&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica no pa&iacute;s, s&atilde;o t&atilde;o poucos nos espa&ccedil;os de representa&ccedil;&atilde;o institucional? N&atilde;o existe uma explica&ccedil;&atilde;o &uacute;nica. As raz&otilde;es que levam &agrave; sub-representa&ccedil;&atilde;o das mulheres - brancas e negras - e dos homens negros t&ecirc;m sido objeto de pesquisas acad&ecirc;micas. Infelizmente, os estudos sobre representa&ccedil;&atilde;o racial s&atilde;o parcos quando comparados aos das mulheres, estes mais numerosos, extensos e longevos. Todavia, observou-se que, com a introdu&ccedil;&atilde;o do quesito ra&ccedil;a/cor na coleta do TSE, houve maior est&iacute;mulo para a produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica interessada em monitorar, descrever e analisar as desigualdades raciais no pa&iacute;s articuladas a outros atributos geradores de desigualdades categ&oacute;ricas e dur&aacute;veis, como o g&ecirc;nero. Para o futuro, mais do que um acompanhamento estat&iacute;stico das desigualdades, &eacute; preciso abrir agendas de pesquisas interessadas nas trajet&oacute;rias das minorias pol&iacute;ticas, especialmente quando estas s&atilde;o maiorias demogr&aacute;ficas e est&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es de flagrante desvantagem econ&ocirc;mica e social em outras esferas da vida, o que se faz tamb&eacute;m refletir nos espa&ccedil;os de poder pol&iacute;tico. Da literatura acad&ecirc;mica especializada, destacam-se algumas raz&otilde;es importantes para entender os mecanismos e processos que resultam na sub-representa&ccedil;&atilde;o parlamentar desses grupos sociais, j&aacute; que essas est&atilde;o na conflu&ecirc;ncia dos determinantes de g&ecirc;nero e de ra&ccedil;a:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">a) os obst&aacute;culos enfrentados dentro dos pr&oacute;prios partidos, que dificultam o lan&ccedil;amento de candidaturas femininas e negras. As agremia&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias investem menos recursos em candidaturas de mulheres e de negros, apesar das cotas eleitorais para o primeiro grupo no caso de elei&ccedil;&otilde;es proporcionais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">b) o baixo capital econ&ocirc;mico dos negros que se encontram em estratos sociais menos privilegiados, al&eacute;m das dificuldades referentes ao capital educacional que poderia favorecer amplia&ccedil;&atilde;o das redes de relacionamentos, conhecimentos espec&iacute;ficos e habilidades discursivas, dentre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">c) no caso das mulheres negras e ind&iacute;genas, ademais, acrescente-se o complexo de coer&ccedil;&otilde;es sociais relativas ao imbricamento das condi&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero, ra&ccedil;a e classe, que envolvem desde a dupla jornada at&eacute; os aspectos relativos &agrave; viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica, como a educa&ccedil;&atilde;o normativa colonial e patriarcal, reprodutoras de estere&oacute;tipos que afixam grupos a certos lugares sociais, reduzindo expectativas (das potenciais candidatas e dos agentes que fazem os filtros e sele&ccedil;&otilde;es das candidaturas), excluindo ou reduzindo as chances daquelas de ocuparem espa&ccedil;os de poder com elevado grau de competitividade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em que pesem as cr&iacute;ticas e dilemas relacionados ao tema da representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de natureza descritiva/presen&ccedil;a e substantiva/ideias (21), o peso das desigualdades sociais parecem retroalimentar as desigualdades na pol&iacute;tica, e vice-versa. Do ponto de vista normativo, a diversidade racial e de g&ecirc;nero no espa&ccedil;o institucional da pol&iacute;tica tem implica&ccedil;&otilde;es importantes no que toca &agrave; quebra de estere&oacute;tipos fundamentados em vis&otilde;es coloniais do poder, ou seja, expondo estere&oacute;tipos identit&aacute;rios, como no caso descrito na introdu&ccedil;&atilde;o deste artigo sobre o choque de representa&ccedil;&atilde;o gerado pela presen&ccedil;a da senadora piauiense. Outra implica&ccedil;&atilde;o importante do pluralismo descritivo da representa&ccedil;&atilde;o &eacute; a de criar - e n&atilde;o necessariamente de garantir - condi&ccedil;&otilde;es para que assuntos relevantes em mat&eacute;ria dos direitos das mulheres e dos negros tenham visibilidade nas esferas p&uacute;blicas decis&oacute;rias, especialmente porque se trata de grupos historicamente sub-representados no sistema pol&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quest&otilde;es como essas, de natureza emp&iacute;rica e te&oacute;rica, abrem caminhos para novos e promissores interesses de pesquisas, bem como subsidiam o debate p&uacute;blico acerca das desigualdades em sistemas democr&aacute;ticos. Mais do que descrever as discrep&acirc;ncias entre categorias interseccionadas ao longo do tempo, &eacute; preciso tamb&eacute;m avan&ccedil;ar no debate acerca dos determinantes das desigualdades pol&iacute;ticas resultantes da articula&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos eixos de opress&atilde;o, al&eacute;m de avan&ccedil;ar na reflex&atilde;o sobre os mecanismos  capazes de corrigir disparidades dessa natureza, permitindo assim maior equidade nas inst&acirc;ncias representativas de poder pol&iacute;tico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. "Danilo Gentili &eacute; criticado ap&oacute;s chamar senadora Regina Sousa de 'tia do caf&eacute;" em Catraca Livre, 12/05/2016. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/danilo-gentili-e-criticado-apos-chamar-senadora-regina-sousa-de-tia-do-cafe/" target="_blank">https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/danilo-gentili-e-criticado-apos-chamar-senadora-regina-sousa-de-tia-do-cafe/</a>&gt; Acesso em: 28/09/2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. A fixa&ccedil;&atilde;o de imagens - os estere&oacute;tipos - como bem notou Bell Hooks em <i>Black looks: race and representation </i>(New York: Routledge, 1992) e Stuart Hall em <i>Questions of cultural identity </i>(London,    <!-- ref --> Thousand Oaks, New Delhi: Sage, 1996) tem rela&ccedil;    &atilde;o com representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, j&aacute; que se trata da natureza ideol&oacute;gica do imagin&aacute;rio que determina posi&ccedil;&otilde;es e pap&eacute;is para "minorias" raciais que se veem e s&atilde;o vistas pelos grupos dominantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. N&atilde;o foi por acaso que, nos anos 1980, foram produzidos dois livros com t&iacute;tulos bastante sugestivos: <i>O lugar de negro</i>, de L&eacute;lia Gonzalez e Carlos Hasenbalg (1982 ) e <i>O lugar da mulher </i>(1982), de Paula Monteiro <i>et al</i>.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Tilly, C. <i>Democracia</i>. Petr&oacute;polis: Editora Vozes. 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Crenshaw, K. <i>A intersecionalidade da discrimina&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a e g&ecirc;nero</i>. 2002, p. 173. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.acaoeducativa.org.br/fdh/wpcontent/uploads/2012/09/Kimberle-Crenshaw.pdf" target="_blank">http://www.acaoeducativa.org.br/fdh/wpcontent/uploads/2012/09/Kimberle-Crenshaw.pdf</a>&gt; Acesso em: 13/11/2016.    <!-- ref --> Sobre o conceito de interseccionalidade ver a refer&ecirc;ncia de Kimberl&eacute; Crenshaw. Uma cr&iacute;tica construtiva do conceito pode ser encontrada em Lykke, N. "Intersectional analysis: black box or useful critical feminist thinking technology". In: Lutz, H.; Herrera Vivar, T. M.; Supik, L. (ed.) <i>Framing intersectionality: debates on a multi-faceted concept in gender studies</i>. Farnham: Ashgate Publishing Limited. 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. O debate te&oacute;rico sobre o assunto pode ser encontrado em Kergot, D. "Din&acirc;mica e consubstancialidade das rela&ccedil;&otilde;es sociais". In: <i>Novos Estudos Cebrap</i>, 86. 2010, p. 93-103.    <!-- ref --> Tamb&eacute;m em Hirata, H. "G&ecirc;nero, classe e ra&ccedil;a". In: <i>Tempo Social, revista de sociologia da USP</i>, v. 26, n.1. 2014, p. 61-73.    <!-- ref --> Ou em Biroli, F.; Miguel, L. F. (2015). "G&ecirc;nero, ra&ccedil;a e classe: opress&otilde;es cruzadas e converg&ecirc;ncia na reprodu&ccedil;&atilde;o das desigualdades". <i>Media&ccedil;&otilde;es</i>, v. 20 n. 2, p. 27-55.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Gonzalez, L. "A mulher negra na sociedade brasileira". In: Luz, M. (org.) <i>O lugar da mulher: estudos sobre a condi&ccedil;&atilde;o feminina na sociedade atual. </i>Rio de Janeiro: Graal, 1982.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Rios, F. e Ratts, A. "A perspectiva interseccional de L&eacute;lia Gonzalez". In: Chalhoub, S.; Pinto, F. (org.). <i>Pensadores negros-pensadoras negras do s&eacute;culo XIX e XX</i>. 1a.ed. Belo Horizonte: Tra&ccedil;o Fino Ltda, 2016, p. 387-402.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Sobre as desigualdades a intersecc&ccedil;&atilde;o das desigualdades de g&ecirc;nero e ra&ccedil;a, consultar: Soares, S. S. D. "O perfil da discrimina&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho - homens negros, mulheres brancas e mulheres negras". <i>Texto para discuss&atilde;o, </i>nº 769, Bras&iacute;lia: IPea, novembro 2000.    <!-- ref --> Lima, M.; Rios, F. e Fran&ccedil;a, D. "Articulando g&ecirc;nero e ra&ccedil;a". <i>Dossi&ecirc; Mulheres Negras</i>. Ipea: Bras&iacute;lia, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Campos, L.A.; Machado, C. "A cor dos eleitos". In<i>: Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica</i>, nº16. Bras&iacute;lia, janeiro - abril de 2015, pp. 121-151.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Merece destaque o fato de que n&atilde;o houve senadores/as de cor preta, ind&iacute;gena ou amarela.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Bueno, N.; Dunning T. "Race, resources, and representation: evidence from Brazilian politicians, social science research network". 2014. Dispon&iacute;vel em &lt;<a href="https://ssrn.com/abstract=2498662" target="_blank">https://ssrn.com/abstract=2498662</a>&gt; Acesso em: 13/11/2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Araujo, C. "Mujeres y elecciones legislativas en Brasil: las cuotas y su (in) efic&aacute;cia". In: Archenti, N. &amp; Tula, M.I. (eds.). <i>Mujeres y pol&iacute;tica en Am&eacute;rica Latina: sistemas electorales y cuotas de g&eacute;nero</i>. Buenos Aires: Heliasta, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Seppir - Secretaria de Promo&ccedil;&atilde;o da Igualdade Racial, Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a e Cidadania. "A participa&ccedil;&atilde;o das mulheres negras nos espa&ccedil;os de poder". Bras&iacute;lia. Relat&oacute;rio dispon&iacute;vel online, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Unegro, <i>Balan&ccedil;o eleitoral do voto &eacute;tnico e negro</i>. Belo Horizonte. Dispon&iacute;vel em &lt;<a href="http://congressoemfoco.uol.com.br/upload/congresso/arquivo/balanco%20negro%20eleicoes.pdf" target="_blank">http://congressoemfoco.uol.com.br/upload/congresso/arquivo/balanco%20negro%20eleicoes.pdf</a>&gt; Acesso em: 13/11/2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Nogueira, O. "Preconceito de marca e preconceito de origem". In: <i>Tempo Social, revista de sociologia da USP</i>, v. 19, n. 1, 2007.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Cabe relembrar que a renova&ccedil;&atilde;o do Senado &eacute; parcial: alterna-se entre 1/3 da casa (com a elei&ccedil;&atilde;o de um/a senador/a por unidade federativa) e 2/3 (quando se elegem dois/duas representantes). Desta forma, cada UF possui sempre tr&ecirc;s representantes na C&acirc;mara Alta. Como o n&uacute;mero de vagas &eacute; diferente em cada elei&ccedil;&atilde;o dada a renova&ccedil;&atilde;o parcial da Casa, o n&uacute;mero total de membros eleitos ao Congresso tamb&eacute;m varia.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. CFEMEA. <i>Como parlamentares pensam os direitos das mulheres? Pesquisa na Legislatura 2007-2010 do Congresso Nacional</i>. 1 ed. Bras&iacute;lia: CFEMEA: SAAF/Funda&ccedil;&atilde;o Ford, 2009, p. 32-44.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Deputados e senadores, sendo a maior parte composta de deputados federais (86% da amostra de 321 parlamentares).</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Paix&atilde;o, M.; Carvano, L. (orgs). <i>Relat&oacute;rio Anual das Desigualdades Raciais 2007-2008</i>. Rio de Janeiro: Garamond, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. Phillips, A. <i>The politics of presence</i>. Oxford University Press, 1995.    </font></p>      ]]></body><back>
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