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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As experiências da diversidade sexual e de gênero no interior da Amazônia: apontamentos para estudos nas ciências sociais]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> G&Ecirc;NERO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>As experi&ecirc;ncias da diversidade sexual e de g&ecirc;nero no interior da Amaz&ocirc;nia: apontamentos para estudos nas ci&ecirc;ncias sociais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fabiano Gontijo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor associado do Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA) e bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq). Email: <a href="mailto:fgontijo2@hotmail.com">fgontijo2@hotmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tentativa de caracteriza&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias, express&otilde;es, pr&aacute;ticas e viv&ecirc;ncias da diversidade sexual e de g&ecirc;nero na Amaz&ocirc;nia deve levar em considera&ccedil;&atilde;o, inicialmente, o que Peter Fry relatou na d&eacute;cada de 1970, a partir de sua pesquisa realizada no Par&aacute; (1). Fry s&oacute; teria podido perceber as particularidades e as singularidades das experi&ecirc;ncias da diversidade sexual e de g&ecirc;nero no Brasil como um todo porque teve a oportunidade de comparar dois contextos sociais t&atilde;o distantes um do outro: o da metr&oacute;pole amaz&ocirc;nica, Bel&eacute;m, e o da megal&oacute;pole nacional, S&atilde;o Paulo. A partir da&iacute;, criou-se uma esp&eacute;cie de paradigma nos estudos sobre a diversidade sexual e de g&ecirc;nero no Brasil (2), voltados sobretudo para as realidades urbanas do centro-sul do Brasil, deixando-se de lado as realidades interioranas, rurais e etnicamente diferenciadas e as realidades amaz&ocirc;nicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os escritos de Fry, assim como o que ele publicou com Edward MacRae (3), e as obras de Carmen Dora Guimar&atilde;es (4), Richard Parker (5), Nestor Perlongher (6), Luiz Mott (7), publicadas na d&eacute;cada de 1980, e de Jaqueline Muniz de Oliveira (8), Maria Luiza Heilborn (9) e Jurandir Freire Costa (10),  publicadas na d&eacute;cada de 1990, dentre outras, geralmente com propostas de tipologias e mapeamentos, contribu&iacute;ram decisivamente para a <i>institui&ccedil;&atilde;o </i>do campo dos estudos sobre a diversidade sexual e de g&ecirc;nero no Brasil. Mas, quase sempre, tratando da homossexualidade masculina, urbana, branca (ou negra urbana) e das regi&otilde;es Sudeste ou Sul.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde as d&eacute;cadas de 1980/90, a diversidade sexual e de g&ecirc;nero vem se consolidando como um forte objeto de estudo nas mais diversas institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa nacionais, principalmente nas ci&ecirc;ncias humanas e sociais. S&atilde;o abordados temas variados que v&atilde;o desde as quest&otilde;es b&aacute;sicas acerca do que &eacute; ser homossexual e como se constituem as categorias de designa&ccedil;&atilde;o vinculadas &agrave;s identidades, &agrave;s identifica&ccedil;&otilde;es e &agrave; diversidade sexual e de g&ecirc;nero eventualmente decorrentes das pr&aacute;ticas sexuais entre sujeitos considerados (ou que se consideram) como sendo do mesmo sexo/g&ecirc;nero e as formas de sociabilidades homossexuais, at&eacute; quest&otilde;es mais particulares ou singulares acerca da literatura e das produ&ccedil;&otilde;es culturais homossexuais ou homocultura; do mercado e do consumo "gays" ou "mercado rosa"; da especificidade da sa&uacute;de de mulheres homossexuais ou de sujeitos transexuais e do envolvimento no combate &agrave; epidemia de HIV/Aids; do envelhecimento em homossexuais; da organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de gays, l&eacute;sbicas, travestis e transexuais; das tecnologias da transexualiza&ccedil;&atilde;o, dos sexos e dos g&ecirc;neros; dos novos regimes morais; das experi&ecirc;ncias religiosas homossexuais; do preconceito, da discrimina&ccedil;&atilde;o e da homofobia; dos direitos e do acesso &agrave; cidadania; das conjugalidades, das parentalidades e dos arranjos familiais homossexuais; dentre tantos outros temas. No entanto, pouco ou nada se escreveu sobre esses e outros temas em contextos rurais e interioranos e/ou em situa&ccedil;&otilde;es etnicamente diferenciadas, sobretudo amaz&ocirc;nicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na sociedade brasileira contempor&acirc;nea, assim, presencia-se uma efervesc&ecirc;ncia de pr&aacute;ticas (de pesquisa e de ativismo pol&iacute;tico) que questionam o padr&atilde;o heteronormativo ou a heterossexualidade compuls&oacute;ria enquanto poderoso sistema ideol&oacute;gico ou sistema cultural, a partir de sujeitos l&eacute;sbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais, com todas as peculiaridades que o contexto sociocultural e hist&oacute;rico comp&otilde;e. Motivado por e motivando esse fen&ocirc;meno, os movimentos sociais vinculados aos direitos sexuais e os intelectuais afeitos &agrave; tem&aacute;tica colocam, cada vez mais, quest&otilde;es visando desestabilizar a normatiza&ccedil;&atilde;o de condutas que encerram essas experi&ecirc;ncias e, logo, interpelar a "anal&iacute;tica da normaliza&ccedil;&atilde;o" (11), ou seja, a forma como as fronteiras da diferen&ccedil;a s&atilde;o constitu&iacute;das ou a maneira como se d&aacute; a constru&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es que regulam a vida dos sujeitos em suas pr&aacute;ticas cotidianas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Percebe-se que, embora Fry tenha iniciado os estudos sobre homossexualidade no Brasil pela capital paraense, pouco (ou nada?) foi escrito sobre o assunto na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica at&eacute; a d&eacute;cada de 1990. Nos jornais cotidianos locais de Bel&eacute;m, tanto n'<i>O Liberal</i>, quanto no <i>Di&aacute;rio do Par&aacute;</i>, verificou-se uma aus&ecirc;ncia quase total dessa tem&aacute;tica ao longo das d&eacute;cadas de 1970, 1980 e 1990 - os poucos relatos aparecem geralmente nos cadernos policiais. Com alguns trabalhos de conclus&atilde;o de curso de ci&ecirc;ncias sociais, da Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA), entre o final da d&eacute;cada de 1980 e ao longo da d&eacute;cada de 1990, tem-se um rein&iacute;cio do interesse pela tem&aacute;tica na regi&atilde;o. A partir da d&eacute;cada de 2000, uma pequena s&eacute;rie de estudos realizados na &aacute;rea das ci&ecirc;ncias humanas e sociais aplicadas (ci&ecirc;ncias sociais, servi&ccedil;o social, direito, psicologia etc) nas institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior da regi&atilde;o Norte, culminam no final da d&eacute;cada de 2000 e in&iacute;cio de 2010 com as primeiras disserta&ccedil;&otilde;es de mestrado e teses de doutorado sobre o assunto, defendidas. Assim como acontece no centro-sul do Brasil, os t&iacute;midos estudos sobre a diversidade sexual e de g&ecirc;nero realizados na Amaz&ocirc;nia tamb&eacute;m v&ecirc;m dando &ecirc;nfase (mas, n&atilde;o exclusivamente) &agrave;s realidades urbanas, brancas e masculinas (12).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que os estudos rurais, no Brasil, dizem sobre as experi&ecirc;ncias homossexuais? O que os estudos sobre etnicidade dizem sobre as experi&ecirc;ncias homossexuais? O que os estudos sobre a diversidade sexual e de g&ecirc;nero dizem sobre as experi&ecirc;ncias homossexuais rurais, interioranas e/ou em situa&ccedil;&otilde;es etnicamente diferenciadas? Enfim, o que os estudos amaz&ocirc;nicos dizem sobre as experi&ecirc;ncias homossexuais?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na d&eacute;cada de 1990, artigos de Ellen e Klaas Woortmann (13) j&aacute; haviam atentado para algumas particularidades da sexualidade no mundo rural, embora esse n&atilde;o fosse o foco dos estudos. Em 2006, a tese de doutorado de Silva Nascimento e a disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado de Paulo Rogers Ferreira, ambas em antropologia, defendidas respectivamente na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e na Universidade de Bras&iacute;lia (UnB) (14), trataram, com abordagens diferentes, de aspectos relativos &agrave; tem&aacute;tica da sexualidade no mundo rural brasileiro, acrescentando, assim, novidades aos j&aacute; t&atilde;o consolidados estudos rurais brasileiros, por um lado, e, por outro, aos tamb&eacute;m j&aacute; t&atilde;o consolidados estudos sobre g&ecirc;nero e sexualidade no Brasil, inclusive na perspectiva "<i>queer</i>". Depois, a disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado de Luanna Mirella, intitulada "Localidade ou metr&oacute;pole? Demonstrando a capacidade de atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das travestis no mundo-comunidade", defendida em 2010 no programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em antropologia social da UnB (15), apresentou a trajet&oacute;ria biogr&aacute;fica de K&aacute;tia Tapety, travesti que exerceu cargos pol&iacute;ticos em um pequeno munic&iacute;pio rural piauiense, mas n&atilde;o se tratou especificamente de uma pesquisa sobre a sexualidade de travestis no mundo rural brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais recentemente, na d&eacute;cada de 2010, as pesquisas realizadas por Martinho Tota (16) e por Roberto Marques (17), ambos no Nordeste, v&ecirc;m abordando com primor a sexualidade divergente em contextos interioranos - seja entre ind&iacute;genas, como Tota junto aos potiguar da Para&iacute;ba, seja em festas de forr&oacute; eletr&ocirc;nico, como Marques, no interior do Cear&aacute;. Vale ressaltar ainda as pesquisas recentes de Mois&eacute;s Lopes (18), na capital mato-grossense, junto a militantes e ativistas dos direitos de gays, l&eacute;sbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transg&ecirc;neros, e as pesquisas de Guilherme Passamani (19), na regi&atilde;o pantaneira de Corumb&aacute;, Mato Grosso do Sul, junto a idosos homossexuais interioranos, dentre outras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns desses trabalhos, assim como alguns artigos que Silvana Nascimento vem publicando nos &uacute;ltimos anos sobre as experi&ecirc;ncias da diversidade sexual e de g&ecirc;nero consideradas como desviantes em contextos rurais e interioranos da Para&iacute;ba, serviram de inspira&ccedil;&atilde;o inicial para nossas indaga&ccedil;&otilde;es sobre a experi&ecirc;ncia das sexualidades no mundo rural piauiense, num primeiro momento, e, em seguida, no interior do Par&aacute;. Na pesquisa bibliogr&aacute;fica desenvolvida durante o est&aacute;gio p&oacute;s-doutoral, foi feita uma an&aacute;lise dos artigos e dossi&ecirc;s em peri&oacute;dicos especializados e das publica&ccedil;&otilde;es que re&uacute;nem textos com o "estado da arte" sobre os temas da ruralidade e do g&ecirc;nero/sexualidade nas ci&ecirc;ncias sociais confirmando as in&uacute;meras lacunas e quase total aus&ecirc;ncia dos relatos sobre a viv&ecirc;ncia sexual e das experi&ecirc;ncias da sexualidade dos camponeses, n&atilde;o somente nos estudos rurais, mas tamb&eacute;m nos estudos de g&ecirc;nero e sexualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s algumas viagens ao interior do Piau&iacute; (regi&otilde;es centro-sul e norte do estado) para conversar com sujeitos cujas trajet&oacute;rias e experi&ecirc;ncias n&atilde;o se encaixavam exatamente naquilo que se vinha lendo, por um lado, sobre aquele campon&ecirc;s tal qual tratado pelos estudos rurais, e, por outro lado, sobre identidades e transgress&otilde;es sexuais e de g&ecirc;nero nos estudos de g&ecirc;nero e sexualidade, decidiu-se indagar-se sobre o porqu&ecirc; (e o como) desses desencaixes ou lacunas, aus&ecirc;ncias e poss&iacute;veis silenciamentos. A inser&ccedil;&atilde;o no contexto amaz&ocirc;nico levou-nos a acrescentar a essa preocupa&ccedil;&atilde;o aquela com os desencaixes, lacunas, aus&ecirc;ncias e poss&iacute;veis silenciamentos verificados tamb&eacute;m no que diz respeito &agrave; experi&ecirc;ncia da diversidade sexual e de g&ecirc;nero em contextos etnicamente diferenciados e em pequenas e m&eacute;dias cidades amaz&ocirc;nicas, nos "interiores", onde as categorias do rural utilizadas para o entendimento das realidades espec&iacute;ficas das regi&otilde;es Sul e Sudeste parecem n&atilde;o ter o mesmo vigor diante da entrada em cena de categorias como "caboclo", "ribeirinho" e "homem amaz&ocirc;nico", tornando a realidade ainda mais complexa. Essa complexidade tem nos levado &agrave; proposta, ainda que t&iacute;mida, da no&ccedil;&atilde;o de "interioridade": um espa&ccedil;o-tempo que transita entre ruralidade e urbanidade, confundido pela din&acirc;mica da etnicidade, em contexto amaz&ocirc;nico, nas figuras do cabloco e do ribeirinho, al&eacute;m do ind&iacute;gena e do quilombola. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Algumas importantes refer&ecirc;ncias sobre o assunto das experi&ecirc;ncias da diversidade sexual e de g&ecirc;nero nos contextos interioranos e nas situa&ccedil;&otilde;es etnicamente diferenciadas foram encontradas at&eacute; agora em nossas buscas bibliogr&aacute;ficas. Para os estudos sobre sexualidades entre povos ind&iacute;genas, parece fundamental o artigo de Cristina Donza Cancela, Fl&aacute;vio Leonel da Silveira e Almires Machado (este &uacute;ltimo, ind&iacute;gena Guarani do Mato Grosso do Sul) (20) abordando a maneira como os pesquisadores e o ind&iacute;gena constru&iacute;ram um di&aacute;logo sobre a possibilidade de exist&ecirc;ncia das pr&aacute;ticas sexuais entre pessoas consideradas como sendo do mesmo sexo nas aldeias da etnia de origem de Almires. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A colet&acirc;nea intitulada G&ecirc;nero e povos ind&iacute;genas, organizada por &Acirc;ngela Sacchi e M&aacute;rcia Maria Gramkow (21), traz textos que tamb&eacute;m contribuem para instigar a discuss&atilde;o sobre o assunto, mas que pouco problematizam a diversidade sexual e de g&ecirc;nero nas situa&ccedil;&otilde;es objetivas abordadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O n&uacute;mero 41, de 2013, do peri&oacute;dico <i>Cadernos Pagu</i>, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), trouxe uma grande contribui&ccedil;&atilde;o para os estudos sobre g&ecirc;nero e sexualidades em contextos ind&iacute;genas, em particular com os artigos de Vanessa Lea ("O som do sil&ecirc;ncio (Paul Simon)", pp. 87-93, onde a autora aborda o fato de que "a necessidade de acomodar-se ao mundo n&atilde;o-ind&iacute;gena ati&ccedil;a a curiosidade dos povos ind&iacute;genas a respeito da sociedade envolvente", em particular no que diz respeito ao interesse de ind&iacute;genas pela pornografia e as fontes de erotismo dos n&atilde;o-ind&iacute;genas) e Cec&iacute;lia MacCallum ("Notas sobre as categorias 'g&ecirc;nero' e 'sexualidade' e povos ind&iacute;genas", pp. 53-61, que trata da fragilidade do uso das categorias de g&ecirc;nero e sexualidade para tratar de realidades ind&iacute;genas) - embora pouco se tenha falado de pr&aacute;ticas sexuais entre pessoas consideradas como sendo do mesmo sexo nas situa&ccedil;&otilde;es concretas analisadas pelos autores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tese de Est&ecirc;v&atilde;o Fernandes (22) sobre "homossexualidade ind&iacute;gena no Brasil", defendida em 2015, trata do que ele afirma n&atilde;o ter encontrado na literatura, apesar das diversas refer&ecirc;ncias a sexualidades ind&iacute;genas em alguns textos j&aacute; considerados cl&aacute;ssicos, como em Charles Wagley, Pierre Clastres, Claude L&eacute;vi-Strauss, Alfred M&eacute;traux, Darcy Ribeiro, dentre outros, por um lado, e, por outro, em alguns textos da historiografia tamb&eacute;m cl&aacute;ssica sobre os nativos americanos nos primeiros momentos dos contatos com os europeus.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um semin&aacute;rio organizado por Luisa Elvira Belaunde (MN) e Els Lagrou (IFCS), ambas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Marina Vanzolini (PPGAS) da USP, realizado no Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Sociais  da UFRJ em junho de 2015, tinha por objetivo discutir a sexualidade ind&iacute;gena - com o instigante t&iacute;tulo de "Foucault na Amaz&ocirc;nia? Sexualidades ind&iacute;genas" -, abrindo uma nova arena para a discuss&atilde;o do assunto. Algumas das comunica&ccedil;&otilde;es apresentadas durante o evento encontram-se no dossi&ecirc; tem&aacute;tico intitulado "O estudo da sexualidade na etnologia", publicado pela <i>Revista Cadernos de Campo</i>, em seu volume 24, n&uacute;mero 24, de 2015. Importante tamb&eacute;m foi o F&oacute;rum Tem&aacute;tico "Diversidade sexual e de g&ecirc;nero: interseccionalidade, viol&ecirc;ncia e regionalidade" (do qual fizemos parte), coordenado por J&uacute;lio Sim&otilde;es, na V Reuni&atilde;o Equatorial de Antropologia, realizada em Macei&oacute;, em julho de 2015.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale ressaltar, ainda, a mesa-redonda "Diversidade sexual e de g&ecirc;nero em &aacute;reas rurais, contextos interioranos e/ou situa&ccedil;&otilde;es etnicamente diferenciadas - novos descentramentos em outras axialidades", coordenada por Laura Moutinho e Fabiano Gontijo, na XXX Reuni&atilde;o Brasileira de Antropologia, realizada em Jo&atilde;o Pessoa, em agosto de 2016, que gerou um dossi&ecirc; com o mesmo t&iacute;tulo publicado na <i>Revista de Antropologia do Centro-Oeste </i>(Aceno) (23).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, concluem-se as pesquisas bibliogr&aacute;ficas realizadas at&eacute; o momento percebendo que, no que diz respeito aos estudos rurais, parece que a maior parte dos artigos e textos analisados est&atilde;o ora voltados para a organiza&ccedil;&atilde;o social vinculada aos aspectos econ&ocirc;micos da vida no campo, ora voltados para as quest&otilde;es morais relativas &agrave; fam&iacute;lia e aos arranjos familiares camponeses - o g&ecirc;nero aparece quase sempre na forma da mulher trabalhadora e/ou militante ou dos pap&eacute;is familiares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que diz respeito aos estudos de g&ecirc;nero e sexualidade, quando h&aacute; articula&ccedil;&atilde;o com a ruralidade, nota-se um grande n&uacute;mero de artigos e textos que abordam, num primeiro momento, a condi&ccedil;&atilde;o da mulher camponesa (reprodutora e eventualmente produtora), &agrave;s vezes vinculada aos movimentos sociais no campo, e/ou, em seguida, as rela&ccedil;&otilde;es de poder que permeiam as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero e as transforma&ccedil;&otilde;es dessas rela&ccedil;&otilde;es no mundo rural contempor&acirc;neo. A sexualidade (a)parece relegada &agrave; vida urbana como algo que n&atilde;o &eacute; conveniente &agrave; realidade rural.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A sexualidade e, mais particularmente, a diversidade sexual e de g&ecirc;nero e as pr&aacute;ticas sexuais - que podem se tornar marcadores sociais da diferen&ccedil;a, interseccionalizados nas pesquisas sobre o mundo rural ou na etnologia ind&iacute;gena ou nos estudos de realidades quilombolas, caboclas e ribeirinhas - n&atilde;o teriam se transformado em objetos de estudo <i>per se,</i> por diversas raz&otilde;es, n&atilde;o necessariamente por uma suposta incapacidade dos pesquisadores em perceber sua import&acirc;ncia para a compreens&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais marcadas pelas ruralidades, pela etnicidade ou pela regionalidade. Talvez a principal dessas raz&otilde;es seja a pr&oacute;pria agenda de pesquisas, tanto nos estudos rurais ou nos estudos &eacute;tnicos ou sobre realidades interioranas, como nos estudos de g&ecirc;nero e sexualidade, pautada por outros interesses de pesquisa ligados a certas tradi&ccedil;&otilde;es intelectuais (muitas vezes, a montagem da agenda se faz de acordo com demandas oriundas dos mais diversos pontos do campo de for&ccedil;a em jogo nas ci&ecirc;ncias sociais). No caso dos estudos rurais, em algumas tradi&ccedil;&otilde;es intelectuais que buscam entender as sociedades camponesas como sistemas sociais espec&iacute;ficos, a economia e a pol&iacute;tica se tornam dimens&otilde;es mais privilegiadas do que a sexualidade, entendida, esta &uacute;ltima, como secund&aacute;ria (pensamos aqui, como exemplo, em uma certa tradi&ccedil;&atilde;o j&aacute; cl&aacute;ssica desenvolvida, por um lado, por Eric Wolf e Sydney Mintz, e, por outro, por Henri Mendras).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora historicamente as ci&ecirc;ncias humanas e, em particular, as ci&ecirc;ncias sociais e a antropologia, venham deixando de lado esses aspectos da vida social no meio rural e interiorano ou em situa&ccedil;&otilde;es etnicamente diferenciadas, problematizados aqui, percebe-se que, tamb&eacute;m historicamente, outros campos de produ&ccedil;&atilde;o de saberes e conhecimentos, como a literatura brasileira consagrada ou as artes pl&aacute;sticas celebradas, est&atilde;o repletos de refer&ecirc;ncias (muitas vezes expl&iacute;citas) &agrave; sexualidade do campon&ecirc;s ou do homem que vive no campo, do ind&iacute;gena ou do africano do interior do pa&iacute;s, do caboclo e do ribeirinho amaz&ocirc;nida e do interiorano em geral (24).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, &eacute; sabido que as ci&ecirc;ncias humanas se constitu&iacute;ram, <i>enquanto ci&ecirc;ncias</i>, como leg&iacute;timas provedoras de "verdades" sobre o mundo, por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; literatura, esta relegada ao campo da "fic&ccedil;&atilde;o" e, eventualmente, da produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o despreocupada com as "verdades". Coube &agrave;s ci&ecirc;ncias, assim, a institui&ccedil;&atilde;o do que seria <i>bon &agrave; penser</i>; e, &agrave; literatura e &agrave;s artes pl&aacute;sticas, o "resto", a saber a sexualidade no mundo rural ou nos contextos interioranos e situa&ccedil;&otilde;es etnicamente diferenciadas, dentre outros temas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os estudos rurais, assim como os estudos sobre realidades interioranas, contextos ind&iacute;genas e etnicamente diferenciados, deixaram de lado (ou abordaram tangencialmente), durante muito tempo, essas tem&aacute;ticas consideradas perif&eacute;ricas, por um lado, por n&atilde;o tratarem da rela&ccedil;&atilde;o do campon&ecirc;s ou interiorano com sua produ&ccedil;&atilde;o, privilegiando-se, assim, os estudos sobre economia dom&eacute;stica, conflitos agr&aacute;rios, sindicatos rurais, migra&ccedil;&otilde;es, dentre outros - isso se deve, talvez, &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o dos estudos rurais pelos ideais desenvolvimentistas e heteronormativos... ou, por outro lado, simplesmente, porque essas tem&aacute;ticas n&atilde;o faziam parte da agenda de pesquisas naqueles momentos; ou, enfim, por n&atilde;o considerarem relevantes os discursos sobre a sexualidade proferidos por ind&iacute;genas e quilombolas para o entendimento das cosmologias locais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando despontam sujeitos que vivenciam o seu direito &agrave; liberdade de escolha e que destoam dos sujeitos com comportamentos "funcionais", tidos como "padr&atilde;o", s&atilde;o logo taxados de "desviantes". Assim, no que diz respeito &agrave; diversidade sexual e de g&ecirc;nero, os mundos rural e interiorano amaz&ocirc;nicos e os contextos ind&iacute;genas e etnicamente diferenciados estariam apresentando uma ruptura com uma forte discursividade, aquela referente &agrave; longa tradi&ccedil;&atilde;o heteronormativa? Ou as rela&ccedil;&otilde;es observadas nos mundos rural e interiorano amaz&ocirc;nicos e em contextos ind&iacute;genas e etnicamente diferenciados seriam simplesmente o retrato - agora em cores - de uma realidade complexa e diversificada, muitas vezes negada pelos estudiosos dessas realidades e contextos? Ou o que vemos diz respeito simplesmente &agrave; din&acirc;mica mesmo da vida social como um todo, em qualquer contexto?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Exortamos para que se reconhe&ccedil;am as complexas e din&acirc;micas intera&ccedil;&otilde;es desses sujeitos rurais, interioranos, ind&iacute;genas e/ou quilombolas, caboclos e ribeirinhos, sobretudo amaz&ocirc;nicos, e sua maneira criativa de constituir rela&ccedil;&otilde;es afetivas, voltando-se assim para a maneira como os "padr&otilde;es hegem&ocirc;nicos de normalidade" seriam (re)interpretados e experimentados (talvez &agrave;s avessas) em contextos culturais distintos, criando novos ou outros sujeitos imbu&iacute;dos de novas ou outras moralidades e (at&eacute; mesmo) constituindo novas ou outras legalidades. Somente assim, enquanto pesquisadores engajados, estaremos aptos para pensar, com nossos interlocutores, sobre a maneira como os direitos - geralmente elaborados por sujeitos envolvidos num jogo pol&iacute;tico que desconsidera as realidades rurais, etnicamente diferenciadas e interioranas das express&otilde;es da diversidade sexual e de g&ecirc;nero -, podem ser negociados, a partir de um di&aacute;logo mais sim&eacute;trico, de modo a atender &agrave;s demandas dos povos, popula&ccedil;&otilde;es e grupos subalternizados em seu reconhecimento identit&aacute;rio, principalmente quando suas experi&ecirc;ncias (da diversidade sexual e de g&ecirc;nero) os tornam duplamente subalternos, inferiores e marginais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Ao CNPq, nosso agradecimento pela bolsa de produtividade em pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Ver Fry, P. "Homossexualidade masculina e cultos afro-brasileiros". In: Fry, P. <i>Para ingl&ecirc;s ver: identidade e pol&iacute;tica na cultura brasileira</i>. Rio de Janeiro: Zahar, 1982, pp. 54-86. E tamb&eacute;m Fry, P. "Da hierarquia &agrave; igualdade: a constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da homossexualidade no Brasil". In: <i>op. cit</i>., pp. 87-115.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Fry, P. e MacRae, E. <i>O que &eacute; homossexualidade</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 1983</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091142&pid=S0009-6725201700010001700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Guimar&atilde;es, C. D. <i>O homossexual visto por entendidos</i>. Rio de Janeiro: Garamond, 2004 &#91;1977&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091143&pid=S0009-6725201700010001700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Parker, R G.. "Masculinity, feminility, and homosexuality: on the anthropological interpretation of the sexual meanings in Brazil". In: Blackwood, E. (org.). <i>Anthropology and homosexual behavior</i>. Nova Iorque: The Haworth Press, 1986</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091145&pid=S0009-6725201700010001700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Perlongher, N. <i>O neg&oacute;cio do mich&ecirc;: prostitui&ccedil;&atilde;o viril em S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 1987</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091146&pid=S0009-6725201700010001700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Mott, L. <i>Dez viados em quest&atilde;o: tipologia dos homossexuais da Bahia</i>. Salvador: Ed. Bleff, 1987</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091147&pid=S0009-6725201700010001700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Muniz de Oliveira, J. "Mulher com mulher d&aacute; jacar&eacute;: uma abordagem antropol&oacute;gica da homossexualidade feminina". Disserta&ccedil;&atilde;o (mestrado em antropologia social). PPGAS/MN/UFRJ. Rio de Janeiro, 1992</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091148&pid=S0009-6725201700010001700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Heilborn, M. L. "Ser ou estar homossexual: dilemas de constru&ccedil;&atilde;o de identidade social". In: Parker, Richard &amp; Barbosa, Regina (orgs.). <i>Sexualidades brasileiras</i>. Rio de Janeiro: Relume-Dumar&aacute;, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091149&pid=S0009-6725201700010001700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Costa, J. F. <i>A inoc&ecirc;ncia e o v&iacute;cio</i>. Rio de Janeiro: Relume-Dumar&aacute;, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091151&pid=S0009-6725201700010001700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Miskolci, R. "A teoria queer e a sociologia: o desafio de uma anal&iacute;tica da normaliza&ccedil;&atilde;o". <i>Sociologias, </i>11, 21, 2009, pp. 150-182.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091153&pid=S0009-6725201700010001700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Ver Gontijo, F. e Erick, I. "A experi&ecirc;ncia da diversidade sexual e de g&ecirc;nero no Par&aacute;: espa&ccedil;o p&uacute;blico, representa&ccedil;&otilde;es e discursividades". <i>Revista FSA</i>, 13, 4, 2016, pp. 40-59.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091155&pid=S0009-6725201700010001700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Woortmann, E. e Woortmann, K. "Fuga a tr&ecirc;s vozes". <i>Anu&aacute;rio Antropol&oacute;gico/91</i>; Rio de Janeiro: Ed. Tempo Brasileiro, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091157&pid=S0009-6725201700010001700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Nascimento, S. S. "Faculdades femininas e saberes rurais. Uma etnografia sobre g&ecirc;nero e sociabilidade no interior de Goi&aacute;s". Tese (doutorado em ci&ecirc;ncia social - antropologia). S&atilde;o Paulo: Universidade de S&atilde;o Paulo, 2006;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091159&pid=S0009-6725201700010001700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> e Ferreira, P. R. "Os afectos malditos: o indiz&iacute;vel das sociedades camponesas". Disserta&ccedil;&atilde;o (mestrado em antropologia social). Bras&iacute;lia: Universidade de Bras&iacute;lia, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091160&pid=S0009-6725201700010001700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Mirella, L. "Localidade ou metr&oacute;pole? Demonstrando a capacidade de atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das travestis no mundo-comunidade".  Disserta&ccedil;&atilde;o (mestrado em antropologia). Bras&iacute;lia: Universidade de Bras&iacute;lia, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091162&pid=S0009-6725201700010001700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Tota, M. "Entre as diferen&ccedil;as: g&ecirc;nero, gera&ccedil;&atilde;o e sexualidades em contexto inter&eacute;tnico". Tese. (doutorado em antropologia social). Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091164&pid=S0009-6725201700010001700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Marques, R. "Homoerotismo no Cariri Cearense: inscri&ccedil;&otilde;es de um objeto em suas rela&ccedil;&otilde;es com o sil&ecirc;ncio". <i>M&eacute;tis: hist&oacute;ria &amp; cultura</i>, 10, 2012, pp. 197-217.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091166&pid=S0009-6725201700010001700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Lopes, M. O "Movimento LGBT da baixada cuiabana e a segmenta&ccedil;&atilde;o de identidades". In: Anais do III Simp&oacute;sio G&ecirc;nero e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas. Londrina: EdUEL, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091168&pid=S0009-6725201700010001700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Passamani, G. "Batalha de confete e outras mem&oacute;rias: condutas homossexuais e curso de vida no carnaval do Pantanal". In: Anais da V Reuni&atilde;o Equatorial de Antropologia. Macei&oacute;: EdUFAL, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091170&pid=S0009-6725201700010001700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Cancela, C. D.; Silveira, F. L. da; e Machado, A. "Caminhos de uma pesquisa acerca da sexualidade em aldeias ind&iacute;genas no Mato Grosso do Sul". <i>Revista de Antropologia </i>(USP), 1, 53, 2010, pp. 199-235.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091172&pid=S0009-6725201700010001700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. Sacchi, A. e Gramkow, M. M. (org.). <i>G&ecirc;nero e povos ind&iacute;genas</i>. Rio de Janeiro/Bras&iacute;lia: Museu do &Iacute;ndio e Funai, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091174&pid=S0009-6725201700010001700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. Fernandes, E. R. "Descolonizando sexualidades: enquadramentos coloniais e homossexualidade ind&iacute;gena no Brasil e nos Estados Unidos". Tese de doutorado, Estudos Comparados sobre as Am&eacute;ricas, UnB, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091176&pid=S0009-6725201700010001700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. Ver dossi&ecirc; "Diversidade sexual e de g&ecirc;nero, ruralidade, interioridade e etnicidade no Brasil: aus&ecirc;ncias, silenciamentos e... exorta&ccedil;&otilde;es". <i>Aceno: revista de antropologia do Centro-Oeste</i>, 2, 4, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=091178&pid=S0009-6725201700010001700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. Para citar somente um caso emblem&aacute;tico da literatura brasileira, pensemos na rela&ccedil;&atilde;o dos personagens Diadorim e Riobaldo, de <i>Grande sert&atilde;o: veredas</i>, de 1956, de autoria de Guimar&atilde;es Rosa. E nas artes pl&aacute;sticas, n&atilde;o passa despercebida a sensualidade e a sexualidade de alguns personagens rurais e/ou etnicamente marcados de C&acirc;ndido Portinari ou at&eacute; mesmo de Djanira. Nas ci&ecirc;ncias humanas e sociais brasileiras em sua forma&ccedil;&atilde;o, encontramos refer&ecirc;ncias &agrave; experi&ecirc;ncia sexual dos sujeitos que vivem no <i>interior </i>do Brasil na obra majestosa de Gilberto Freyre, por exemplo, e at&eacute; mesmo nas obras de Caio Prado J&uacute;nior, S&eacute;rgio Buarque de Holanda, Paulo Prado ou Ant&ocirc;nio C&acirc;ndido, obras muitas vezes consideradas ensa&iacute;sticas.</font></p>      ]]></body>
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