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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br> ESPORTE</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Competi&ccedil;&otilde;es de alto risco</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Chris Bueno</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016, a delega&ccedil;&atilde;o russa sofreu um enorme corte na equipe que participaria da competi&ccedil;&atilde;o no Rio de Janeiro. Isso porque uma investiga&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Mundial Antidoping (World Anti-Doping Angency - Wada) revelou que o governo da R&uacute;ssia operava um intrincado esquema estatal de dopagem de seus atletas - que inclu&iacute;a at&eacute; mesmo troca de frascos de urina por amostras "limpas" e desaparecimento de exames positivos. O epis&oacute;dio teve repercuss&atilde;o global, evidenciando um grave problema na pr&aacute;tica de esportes de alto n&iacute;vel, cuja solu&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; um desafio para as ag&ecirc;ncias reguladoras.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso da R&uacute;ssia, o esquema de dopagem foi acobertado - e at&eacute; mesmo estimulado - por membros do pr&oacute;prio governo ainda durante os preparat&oacute;rios para as Olimp&iacute;adas de Londres, em 2012, e nos Jogos de Inverno sediados pelo pr&oacute;prio pa&iacute;s, em 2014. O Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional (COI) chegou a cogitar barrar a participa&ccedil;&atilde;o de toda a delega&ccedil;&atilde;o russa dos jogos de 2016, mas decidiu liberar 271 atletas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n2/a09fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A puni&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o entanto, n&atilde;o impediu novos casos de doping durante os Jogos Ol&iacute;mpicos do Rio de Janeiro. Pegos em exames de urina e de sangue, a nadadora chinesa Chen Xinyi, a atleta b&uacute;lgara Silvia Danekova e o halterofilista polon&ecirc;s Adrian Zielinski n&atilde;o puderam sequer iniciar as competi&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O caso mais recente ocorreu em janeiro deste ano. Em uma rean&aacute;lise das amostras das Olimp&iacute;adas de Pequim, realizada em 2008, o COI anunciou que o velocista jamaicano Nesta Carter utilizou a subst&acirc;ncia metilhexanamina. Com isso, toda a equipe da Jamaica foi desclassificada do revezamento 4x100 rasos, modalidade na qual havia conquistado a medalha de ouro e estabelecido um novo recorde mundial. Com a decis&atilde;o, o Brasil, que havia ficado em quarto lugar na prova, fica com a medalha de bronze.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> "A regulamenta&ccedil;&atilde;o evoluiu muito nos &uacute;ltimos 10 anos, pelo esfor&ccedil;o da Wada, que passou a ser um &oacute;rg&atilde;o regulador internacional. Os pa&iacute;ses tiveram de assinar uma conven&ccedil;&atilde;o da Unesco e se comprometer a seguir seus regulamentos", explica o qu&iacute;mico Francisco Radler de Aquino Neto, coordenador do Laborat&oacute;rio de Apoio ao Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico (Ladetec) e professor do Instituto de Qu&iacute;mica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "A dificuldade, por&eacute;m, n&atilde;o s&atilde;o as leis, mas a evolu&ccedil;&atilde;o do conhecimento em farmacologia e medicina, que constantemente coloca &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos atletas dispostos a se doparem novas formas de driblar exames de urina e sangue. Isso obriga o sistema de laborat&oacute;rios a uma atualiza&ccedil;&atilde;o permanente, com enorme esfor&ccedil;o em pesquisa e desenvolvimento e necessidade de investimentos vultosos na atualiza&ccedil;&atilde;o de seus equipamentos", completa. No Brasil, o &uacute;nico laborat&oacute;rio com a certifica&ccedil;&atilde;o da Wada para realizar os testes antidoping &eacute; o Laborat&oacute;rio Brasileiro de Controle de Dopagem, ligado ao Ladetec.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VALE-TUDO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos casos mais not&oacute;rios de doping &eacute; do ciclista norte-americano Lance Armstrong, considerado uma verdadeira lenda do esporte por ter vencido sete vezes a Tour de France, uma das competi&ccedil;&otilde;es mais tradicionais do ciclismo. Armstrong assumiu o uso de eritropoietina (EPO) e acabou tendo todos os seus t&iacute;tulos cassados e sendo banido do esporte. Outro caso recente &eacute; o da tenista russa Maria Sharapova, suspensa por dois anos por uso de meldonium, um agente antiisqu&ecirc;mico. A tenista perdeu os pontos no ranking mundial que havia conquistado por ter chegado &agrave;s quartas de final do Aberto da Austr&aacute;lia no ano passado, assim como o pr&ecirc;mio em dinheiro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os atletas vivem sob enorme press&atilde;o para alcan&ccedil;ar resultados cada vez melhores e se superarem em suas competi&ccedil;&otilde;es. No caso da R&uacute;ssia, o que levou ao esquema estatal de dopagem foi a performance bem abaixo de seus padr&otilde;es nos Jogos de Inverno de Vancouver, em 2010, em que o pa&iacute;s - que costuma sempre liderar o quadro de medalhas nas olimp&iacute;adas de inverno e de ver&atilde;o - conquistou apenas 15 medalhas. Al&eacute;m da press&atilde;o da vit&oacute;ria, os esportistas precisam lidar com dores frequentes e com o desgaste do organismo. Esses motivos levam muitos atletas a buscarem subst&acirc;ncias que possam ajudar a melhorar seu rendimento. No entanto, elas podem causar problemas &agrave; sa&uacute;de e at&eacute; mesmo levar &agrave; morte.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CORRENDO RISCOS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esportes como levantamento de peso, rugby, lan&ccedil;amentos e modalidades de sprint precisam de muita massa muscular e for&ccedil;a. E algumas subst&acirc;ncias podem ajudar o atleta a obter bons resultados mais rapidamente. A principal delas s&atilde;o os esteroides anab&oacute;licos, derivados do colesterol e usados para aumentar a for&ccedil;a por meio do crescimento de novos m&uacute;sculos. Os mais conhecidos s&atilde;o a dihidrotestosterona, a androstenediona (andro), a dehidroepiandrosterona (DHEA), o clostebol e a nandrolona, que podem ser injetados ou tomados em forma de p&iacute;lula. Entre os efeitos colaterais est&atilde;o n&aacute;useas, dor de cabe&ccedil;a, vertigem, c&acirc;imbras e taquicardia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra subst&acirc;ncia utilizada para ganhar m&uacute;sculos &eacute; o horm&ocirc;nio do crescimento humano (hGH). Altos n&iacute;veis de hGH aumentam o volume de massa muscular, pois estimulam a s&iacute;ntese de prote&iacute;nas, fortalecem os ossos e reduzem a gordura corporal porque aceleram a quebra das c&eacute;lulas adiposas. Por&eacute;m, com a inje&ccedil;&atilde;o do horm&ocirc;nio sint&eacute;tico, o organismo para de produzir o horm&ocirc;nio naturalmente. Al&eacute;m disso, o uso da sust&acirc;ncia pode levar ao desenvolvimento de diabetes, hipertens&atilde;o e de problemas card&iacute;acos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; em competi&ccedil;&otilde;es de resist&ecirc;ncia, como maratonas, ciclismo ou esqui, s&atilde;o utilizadas subst&acirc;ncias para aumentar a oxigena&ccedil;&atilde;o dos tecidos, o que acarreta aumento da pot&ecirc;ncia muscular e, portanto, maior velocidade de recupera&ccedil;&atilde;o. A mais utilizada &eacute; a eritropoietina (EPO), um horm&ocirc;nio pept&iacute;deo produzido naturalmente pelo organismo e respons&aacute;vel pela produ&ccedil;&atilde;o de hem&aacute;cias. A EPO come&ccedil;ou a ser fabricada sinteticamente em 1985 para tratar pacientes com anemia. Em pessoas saud&aacute;veis, no entanto, o aumento da densidade dos gl&oacute;bulos vermelhos pode engrossar o sangue, que passa a n&atilde;o fluir bem pelos vasos sangu&iacute;neos o que aumenta as chances de ataque card&iacute;aco e derrame cerebral. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n2/a09fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitas vezes, para aumentar a resist&ecirc;ncia, os atletas tamb&eacute;m recorrem aos estimulantes, utilizados para manter o organismo em estado de alerta, propiciando melhor desempenho moment&acirc;neo e reduzindo a fadiga. A cafe&iacute;na, as anfetaminas e a coca&iacute;na s&atilde;o exemplos de subst&acirc;ncias que atuam no corpo fazendo o cora&ccedil;&atilde;o, pulm&otilde;es e o c&eacute;rebro trabalharem mais r&aacute;pido. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, causam nervosismo, agita&ccedil;&atilde;o, batimentos card&iacute;acos irregulares, aumento da press&atilde;o sangu&iacute;nea e podem at&eacute; mesmo levar &agrave; morte s&uacute;bita. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existem tamb&eacute;m esportes que imp&otilde;em restri&ccedil;&otilde;es de peso, como levantamento de peso, corrida a cavalo e remo. Nesses, os diur&eacute;ticos s&atilde;o utilizados para ajudar a perder peso ou ent&atilde;o para esconder o uso de outra sust&acirc;ncia, pois, como aumentam a produ&ccedil;&atilde;o de urina, diluem a concentra&ccedil;&atilde;o de outras drogas. Os efeitos colaterais incluem desidrata&ccedil;&atilde;o, vertigem, c&acirc;imbras e problemas no cora&ccedil;&atilde;o e rins.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ANTIDOPING</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Atualmente, os atletas s&atilde;o selecionados aleatoriamente para fazer o exame de sangue ou urina para testar doping. O exame pode ser realizado ap&oacute;s o t&eacute;rmino de uma prova ou a qualquer momento, fora da competi&ccedil;&atilde;o. A maioria das subst&acirc;ncias utilizadas por atletas podem ser detectadas em amostras de urina. Testes tamb&eacute;m podem ser feitos minutos antes da competi&ccedil;&atilde;o, pr&aacute;tica mais frequente no ciclismo e em esportes de inverno como a patina&ccedil;&atilde;o. No caso do hipismo, o teste &eacute; feito no cavalo. "As tecnologias mais utilizadas nos testes s&atilde;o as cromatografias (m&eacute;todo de separa&ccedil;&atilde;o de misturas) acopladas &agrave;s espectrometrias de massas (m&eacute;todo de detec&ccedil;&atilde;o e identifica&ccedil;&atilde;o das subst&acirc;ncias)", explica Aquino Neto. "S&atilde;o aplicadas a todas as amostras de urina recebidas no laborat&oacute;rio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, h&aacute; m&eacute;todos eletrofor&eacute;ticos (t&eacute;cnica para an&aacute;lise de macromol&eacute;culas como prote&iacute;nas e &aacute;cidos nucl&eacute;icos) para detectar em especial as eritropoientinas, e tamb&eacute;m h&aacute; imunoan&aacute;lise e radioimunoensaios para subst&acirc;ncias espec&iacute;ficas". O atleta flagrado pelo exame antidoping tem direito &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de um exame de contraprova e a se defender em julgamento, mas caso o doping seja comprovado, ser&aacute; punido conforme a subst&acirc;ncia utilizada. A penalidade mais comum &eacute; a suspens&atilde;o, que pode variar de tr&ecirc;s meses a dois anos. Em caso de reincid&ecirc;ncia, o competidor pode ser banido do esporte.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ALIVIAR OU ESCONDER A DOR</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esportistas de alto rendimento tamb&eacute;m podem utilizar drogas para diminuir a dor causada pela intensidade dos treinos. Narc&oacute;ticos (como morfina, metadona e hero&iacute;na), horm&ocirc;nios proteicos, cortisona ou analg&eacute;sicos s&atilde;o utilizados nessas situa&ccedil;&otilde;es. Eles podem reduzir inflama&ccedil;&otilde;es e aliviar a dor momentaneamente, mas seus efeitos colaterais incluem irrita&ccedil;&atilde;o g&aacute;strica, &uacute;lceras, fraqueza nos ossos e nos m&uacute;sculos - sem contar que alguns s&atilde;o viciantes e causam altera&ccedil;&otilde;es mentais. Contudo, o maior problema &eacute; que eles apenas disfar&ccedil;am a dor, permitindo que os atletas continuem competindo machucados, correndo o risco de agravar as les&otilde;es ou ter complica&ccedil;&otilde;es posteriores.</font></p>      ]]></body>
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