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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Educação em agroecologia: reflexões sobre a formação contra-hegemônica de camponeses no Brasil]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> AGROECOLOGIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Educa&ccedil;&atilde;o em agroecologia: reflex&otilde;es sobre a forma&ccedil;&atilde;o contra-hegem&ocirc;nica de camponeses no Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Romier da Paix&atilde;o Sousa</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Engenheiro agr&ocirc;nomo, doutor em estudos sobre o meio ambiente pela Universidad Pablo de Olavide, na Espanha. Educador do Instituto Federal de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia do Par&aacute; e vice-presidente norte da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Agroecologia (2015-2017)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em geral, as institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola de ensino m&eacute;dio e superior t&ecirc;m formado profissionais baseados em um modelo agr&iacute;cola produtivista procurando a obten&ccedil;&atilde;o de altos rendimentos, atrav&eacute;s da mecaniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, a aplica&ccedil;&atilde;o intensiva de agrot&oacute;xicos, uso de fertilizantes quimicamente sintetizados, o uso de variedades de plantas melhoradas artificialmente, e a utiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas "modernas" de manejo, acompanhando as orienta&ccedil;&otilde;es gerais dos processos de moderniza&ccedil;&atilde;o da agricultura mundial (1). Mas, os impactos sociais, culturais, ambientais e econ&ocirc;micos t&ecirc;m mostrado a necessidade de repensar esses processos formativos (2).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, h&aacute; um caminho significativo de resist&ecirc;ncia, a partir da constru&ccedil;&atilde;o do enfoque agroecol&oacute;gico para a forma&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos, pesquisadores e camponeses, em especial nas ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias. As experi&ecirc;ncias de organiza&ccedil;&otilde;es de camponeses t&ecirc;m resultado em promo&ccedil;&otilde;es diferenciadas da forma de fazer educa&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o rural desde os anos 1970. O caso da educa&ccedil;&atilde;o rural alternativa, que tem sido realizado no M&eacute;xico, Nicar&aacute;gua, Brasil, Cuba e em outros pa&iacute;ses, &eacute; muito importante neste contexto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Iniciativas como essas estiveram presentes em toda a regi&atilde;o, como uma forma de resist&ecirc;ncia pol&iacute;tica, social e pedag&oacute;gica impulsionada por diversas organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais. Por&eacute;m, assim como no Brasil, essas experi&ecirc;ncias geralmente s&atilde;o de car&aacute;ter n&atilde;o formal, caracterizadas por desenvolver-se fora das estruturas do Estado. S&atilde;o trabalhos como: "Capacita&ccedil;&atilde;o para o trabalho, a vida e a sa&uacute;de; educa&ccedil;&atilde;o popular para definir demandas sociais e econ&ocirc;micas espec&iacute;ficas: cursos, semin&aacute;rios, oficinas, interc&acirc;mbios tecnol&oacute;gicos, feiras culturais, publica&ccedil;&otilde;es impressas, v&iacute;deos etc" (3). Essas a&ccedil;&otilde;es est&atilde;o baseadas geralmente em uma educa&ccedil;&atilde;o popular (4).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro momento de resist&ecirc;ncia chave foi atrav&eacute;s dos servi&ccedil;os de assessoramento t&eacute;cnico, realizados a partir da chamada "agricultura alternativa", que sempre estiveram associados aos processos de educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o formal, baseados nas pedagogias populares, em especial &agrave;quelas ligadas &agrave;s a&ccedil;&otilde;es das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Cat&oacute;lica, mas com pouca liga&ccedil;&atilde;o &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o formal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses movimentos de resist&ecirc;ncia foram a base inicial para processos formativos mais estrat&eacute;gicos estabelecidos pelos diferentes movimentos sociais. Os camponeses e suas organiza&ccedil;&otilde;es queriam ter o controle social e pol&iacute;tico da forma&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e dos jovens camponeses, levando em considera&ccedil;&atilde;o o problema que a forma&ccedil;&atilde;o tradicional nas escolas rurais do Estado trazia (isso onde havia escolas), como por exemplo a nega&ccedil;&atilde;o do campo como um espa&ccedil;o de vida e trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na origem dessas iniciativas mais formais, apresentam-se dois importantes movimentos alternativos de educa&ccedil;&atilde;o profissional. Um deles se manifesta com a funda&ccedil;&atilde;o das Escolas Fam&iacute;lias Agr&iacute;colas (EFAs). Outra experi&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o por altern&acirc;ncia s&atilde;o as Casas Familiares Rurais (CFRs) que est&atilde;o ligadas, entre elas, atrav&eacute;s de associa&ccedil;&otilde;es e redes regionais de Centros Familiares de Forma&ccedil;&atilde;o por Altern&acirc;ncia (Ceffa) (5). Nos &uacute;ltimos anos come&ccedil;aram a trabalhar com a forma&ccedil;&atilde;o profissional de <i>n&iacute;vel </i>m&eacute;dio associado aos governos estadual e federal. S&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es coordenadas por associa&ccedil;&otilde;es de camponeses e o principal p&uacute;blico s&atilde;o as crian&ccedil;as e jovens vinculados a essas associa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O outro movimento de educa&ccedil;&atilde;o alternativa no campo surge da cr&iacute;tica da concep&ccedil;&atilde;o, fundamentos e pr&aacute;ticas que guiaram a educa&ccedil;&atilde;o rural e agr&iacute;cola. Na d&eacute;cada de 1990, os movimentos sociais, em particular o Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), conduziram uma proposta para estabelecer o paradigma da "educa&ccedil;&atilde;o do campo" (6). Mas, esses movimentos de constru&ccedil;&atilde;o de alternativas educacionais t&ecirc;m uma proximidade no Brasil e se fundem no conceito da "educa&ccedil;&atilde;o do campo", conforme descreve Queiroz e colaboradores (7):</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>"Compreendemos que, no Brasil, os centros que trabalham com a pedagogia da altern&acirc;ncia, nasceram das necessidades dos agricultores de uma educa&ccedil;&atilde;o que seja um instrumento de luta e de organiza&ccedil;&atilde;o para a conquista e a perman&ecirc;ncia na terra. Entendemos ainda que as Escolas Fam&iacute;lias Agr&iacute;colas s&atilde;o escolas vivas, que est&atilde;o sendo constru&iacute;das baseadas nas associa&ccedil;&otilde;es de agricultores, sindicatos de trabalhadores rurais, comunidades crist&atilde;s, cooperativas, assentamentos da reforma agr&aacute;ria e/ou outras organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais. E, por fim temos consci&ecirc;ncia que, no Brasil, eles formam parte da longa caminhada da constru&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o do campo, como bem mostrou a II Confer&ecirc;ncia Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o do Campo" (7, p. 29).</blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A educa&ccedil;&atilde;o do campo nasce sobre uma l&oacute;gica de mobiliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos camponeses, com uma proposta de desenvolver novas metodologias de ensino, revalorizar os saberes populares e propor pol&iacute;ticas p&uacute;blicas diferenciadas para a popula&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural. Intensos processos de lutas sociais protagonizadas pelos movimentos sociais rurais; os enfrentamentos com a for&ccedil;a ofensiva neoliberal no pa&iacute;s, estabelecida na d&eacute;cada de 1990 e experi&ecirc;ncias educativas inovadoras s&atilde;o a base para o avan&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o coletiva do paradigma da educa&ccedil;&atilde;o do campo. A educa&ccedil;&atilde;o do campo &eacute; um "fen&ocirc;meno da realidade brasileira atual", sendo considerada uma "categoria de an&aacute;lise" das pr&aacute;ticas e pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e camponeses em seus territ&oacute;rios (8).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o do campo tem progredido em diferentes dire&ccedil;&otilde;es, com a cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os de gest&atilde;o espec&iacute;ficos nas estruturas dos governos (secretarias, coordena&ccedil;&otilde;es, grupos de trabalho etc), a cria&ccedil;&atilde;o de cursos espec&iacute;ficos e, mais recentemente, uma articula&ccedil;&atilde;o entre as a&ccedil;&otilde;es da educa&ccedil;&atilde;o do campo com as pol&iacute;ticas de agroecologia come&ccedil;am a ganhar for&ccedil;a de discuss&atilde;o a partir das demandas dos movimentos camponeses.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa perspectiva, o objetivo deste artigo &eacute; refletir sobre o processo de avan&ccedil;o da educa&ccedil;&atilde;o profissional agroecol&oacute;gica articulada ao movimento da educa&ccedil;&atilde;o do campo no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A CONTRA-HEGEMONIA NA CONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O DO CAMPO COM ENFOQUE AGROECOL&Oacute;GICO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> &Eacute; neste ambiente de contradi&ccedil;&otilde;es e em uma l&oacute;gica contra-hegem&ocirc;nica de educa&ccedil;&atilde;o que os movimentos sociais e grupos de pesquisadores/professores das universidades, institutos federais e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil v&ecirc;m fortalecendo a&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas e pol&iacute;ticas como resist&ecirc;ncia. Apesar do contexto de pol&iacute;ticas neoliberais em vigor, em 1998 se estabeleceu o Programa Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o na Reforma Agr&aacute;ria (Pronera), fortemente influenciado pelos movimentos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; aten&ccedil;&atilde;o de suas demandas de educa&ccedil;&atilde;o no meio rural.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Pronera come&ccedil;ou como um programa de governo, ligado ao Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra) com uma estrat&eacute;gia de apoiar cursos de alfabetiza&ccedil;&atilde;o e incremento do n&iacute;vel educativo prim&aacute;rio nos assentamentos rurais (9). Esses cursos eram realizados, em princ&iacute;pio, principalmente pelas universidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, posteriormente, surgiu a preocupa&ccedil;&atilde;o com uma extens&atilde;o rural comprometida com o processo de reforma agr&aacute;ria e ganhou for&ccedil;a a proposta dos cursos de forma&ccedil;&atilde;o de n&iacute;vel t&eacute;cnico, para a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais para atuar a partir de uma compreens&atilde;o da din&acirc;mica e funcionamento dos assentamentos rurais, assim como para apoiar os movimentos sociais e as gest&otilde;es das organiza&ccedil;&otilde;es sociais, como associa&ccedil;&otilde;es e cooperativas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os cursos formais com enfoque agroecol&oacute;gico come&ccedil;am a surgir a partir de rela&ccedil;&otilde;es de colabora&ccedil;&atilde;o entre os movimentos sociais, as universidades e escolas agrot&eacute;cnicas, apoiados pelo Pronera. Os primeiros cursos foram de t&eacute;cnicos em agropecu&aacute;ria com enfoque agroecol&oacute;gico e tinham como objetivo formar profissionais para atuar na assessoria t&eacute;cnica dos movimentos sociais, como diz Molina e Jesus (10): "Foram priorizados cursos relacionados ao apoio &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, na perspectiva de contribuir com a mudan&ccedil;a da matriz tecnol&oacute;gica das &aacute;reas reformadas, como, por exemplo, os cursos t&eacute;cnicos no &acirc;mbito da agroecologia e da administra&ccedil;&atilde;o de cooperativas" (10, p.36).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os movimentos sociais do campo demandavam cursos que pudessem articular com seus princ&iacute;pios de forma&ccedil;&atilde;o, constru&iacute;dos ao longo dos anos no &acirc;mbito do movimento. Em geral, n&atilde;o foi uma tarefa f&aacute;cil introduzir esses princ&iacute;pios nas l&oacute;gicas positivistas das universidades e escolas agrot&eacute;cnicas, em especial das ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias, por serem historicamente conservadoras em suas formas de ensino e pensamento de forma&ccedil;&atilde;o. Geralmente, esses cursos foram motivados pelas demandas dos movimentos em determinados territ&oacute;rios associados a grupos de professores das universidades que j&aacute; trabalhavam, de alguma forma, com educa&ccedil;&atilde;o nos assentamentos rurais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, Michellotti e Guerra (11) expressam que nos projetos de cursos de ci&ecirc;ncias agr&iacute;colas apresentados pelo Pronera, ao menos duas quest&otilde;es inovadoras t&ecirc;m sido frequentes: 1) a agroecologia como base de uma nova matriz cient&iacute;fica-t&eacute;cnica; 2) mudar os tempos e espa&ccedil;os educativos como base de uma nova matriz metodol&oacute;gica (10). No entanto, estes dois elementos presentes na grande maioria dos projetos executados precisam ganhar qualifica&ccedil;&atilde;o, com o risco de serem tratados como reducionistas e est&aacute;ticos. O car&aacute;ter agroecol&oacute;gico do curso n&atilde;o pode ser enxergado apenas como a introdu&ccedil;&atilde;o de algumas quest&otilde;es isoladas. Tamb&eacute;m n&atilde;o pode ser considerado como uma simples substitui&ccedil;&atilde;o de algumas t&eacute;cnicas convencionais por outras "alternativas". &Eacute; necess&aacute;rio, no m&iacute;nimo, construir uma forma&ccedil;&atilde;o baseada nas diferentes dimens&otilde;es da agroecologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses cursos foram ampliados com o passar dos anos. Dados de Molina e coautores (12) comprovam que, durante seus 15 anos, o Pronera/Incra formou 7.700 trabalhadores de n&iacute;vel m&eacute;dio e 3.120 trabalhadores na gradua&ccedil;&atilde;o. Destes, 775 foram formados especificamente nos cursos de agroecologia. Houve 18 cursos de n&iacute;vel m&eacute;dio no modo de educa&ccedil;&atilde;o de jovens e adultos (EJA), n&iacute;veis t&eacute;cnicos m&eacute;dio integrados e de gradua&ccedil;&atilde;o em agroecologia. Al&eacute;m dessa listagem espec&iacute;fica, muitos projetos eram de outros cursos, mas com &ecirc;nfase em agroecologia (13).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em trabalho recente de Molina e colegas (12) confirma que a forma&ccedil;&atilde;o em cursos com enfoque agroecol&oacute;gico, com apoio do Pronera/Incra, ganhou espa&ccedil;o entre as institui&ccedil;&otilde;es de ensino profissional e universit&aacute;rio. Mas, nas regi&otilde;es em que as din&acirc;micas de assentamentos rurais estavam associadas a grupos de professores e institui&ccedil;&otilde;es de ensino, esses processos foram mais intensos. Diversos cursos surgiram com &ecirc;nfase em agroecologia, como os de agrofloresta, agropecu&aacute;ria, agronomia, resid&ecirc;ncia agr&aacute;ria, cooperativismo e agroind&uacute;stria (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n2/a11fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das aprendizagens no processo de constru&ccedil;&atilde;o dos cursos em agroecologia nessas institui&ccedil;&otilde;es foi o papel do apoio do Pronera e sua import&acirc;ncia na promo&ccedil;&atilde;o de reflex&otilde;es coletivas sobre o ensino cl&aacute;ssico nas escolas, em especial de ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias, quest&atilde;o verificada por Santos e coautores (13) em uma avalia&ccedil;&atilde;o mais ampla:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>Ao financiar cursos formais de educa&ccedil;&atilde;o superior e t&eacute;cnica, o Pronera contribui para uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica do ensino tradicional transmitido nas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e comunit&aacute;rias. No caso espec&iacute;fico do ensino de ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias, estes cursos formais executados em parceria com os assentados - os protagonistas do campo e da reforma agr&aacute;ria abrem espa&ccedil;o para um verdadeiro di&aacute;logo de conhecimentos entre a universidade e os camponeses, provocando uma revis&atilde;o cr&iacute;tica dos curr&iacute;culos tradicionais (13, p.10).</blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os cursos apoiados pelo Pronera/Incra permanecem como um importante catalisador de experi&ecirc;ncias de forma&ccedil;&atilde;o alternativas, mas com dificuldades de se manter ap&oacute;s a conclus&atilde;o dos projetos. No entanto, parece ter influenciado as institui&ccedil;&otilde;es de ensino que t&ecirc;m sido desenvolvidas de acordo com a constata&ccedil;&atilde;o citada anteriormente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a l&oacute;gica de forma&ccedil;&atilde;o de profissionais alinhados &agrave;s bases filos&oacute;ficas e pr&aacute;ticas da educa&ccedil;&atilde;o do campo, os movimentos sociais e sindicais nos diversos territ&oacute;rios brasileiros passam a demandar cursos para as institui&ccedil;&otilde;es de ensino profissional. O trabalho feito por Molina e colegas (12) faz uma avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica das diferentes experi&ecirc;ncias de forma&ccedil;&atilde;o com enfoque agroecol&oacute;gico conduzido por institui&ccedil;&otilde;es formais associadas a movimentos sociais, apontando quatro quest&otilde;es importantes na constru&ccedil;&atilde;o dos cursos de agroecologia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; educa&ccedil;&atilde;o do campo:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1) a necess&aacute;ria cr&iacute;tica e ruptura com os fundamentos epistemol&oacute;gicos da ci&ecirc;ncia moderna e, em especial, das ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias, que confi guram seu car&aacute;ter tecnicista, estabelecendo di&aacute;logo de saberes e experi&ecirc;ncias acumuladas e o protagonismo dos educandos-camponeses na produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento novo a partir desses cursos;</p>     <p> 2) a import&acirc;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica dos cursos ser concebida a partir da altern&acirc;ncia, garantindo a presen&ccedil;a do territ&oacute;rio campon&ecirc;s, como tempo e espa&ccedil;o fundamental de aprendizagens; bem como uma estrat&eacute;gia pedag&oacute;gica que promova e garanta uma gest&atilde;o compartilhada entre os docentes, educandos e suas organiza&ccedil;&otilde;es camponesas, cultivando e promovendo espa&ccedil;os e tempo de auto-organiza&ccedil;&atilde;o dos educandos;</p>     <p> 3) &eacute; relevante, na perspectiva do ac&uacute;mulo de for&ccedil;as, que os cursos n&atilde;o fiquem restritos a experi&ecirc;ncias pontuais e marginais nas institui&ccedil;&otilde;es de ensino, sob o risco de serem sufocados e descaracterizados pelas perspectivas hegem&ocirc;nicas de forma&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias; importa, pois, a partir dos cursos do Pronera, desencadear novas atividades acad&ecirc;micas, no &acirc;mbito do ensino; da pesquisa e da extens&atilde;o, que contribuam com a promo&ccedil;&atilde;o da nova matriz tecnol&oacute;gica baseada na agroecologia e na soberania alimentar;</p>     <p> 4) &eacute; fundamental que fortale&ccedil;am as rela&ccedil;&otilde;es entre eles e os movimentos sociais e sindicais parceiros, com interven&ccedil;&otilde;es coletivas na realidade, via engajamento concreto nas perspectivas de desenvolvimento rural compat&iacute;vel com o projeto campon&ecirc;s de campo" (12, p. 160-161).</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base nestas premissas, os autores supracitados exp&otilde;em as caracter&iacute;sticas principais desej&aacute;veis em cursos que consideram os princ&iacute;pios epistemol&oacute;gicos da educa&ccedil;&atilde;o do campo e da agroecologia:</font> </p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote><b>a) Problematiza&ccedil;&atilde;o da realidade</b> dos educandos, no sentido de resgatar, sistematizar e valorizar os espa&ccedil;os de vida como possibilidades de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento significativo (...). <b>b) Aprofundamento das problem&aacute;ticas identificadas</b>, mobilizando os conhecimentos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos para contribuir com a resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas encontrados nas comunidades rurais e/ou outros espa&ccedil;os de problematiza&ccedil;&atilde;o. A mobiliza&ccedil;&atilde;o e a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos com enfoque agroecol&oacute;gico s&atilde;o centrais para evitar a superficialidade das reflex&otilde;es e proposi&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es generalistas aos problemas identificados. <b>c) Proposi&ccedil;&atilde;o e resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas identificados</b>, articulando docentes, educandos, movimentos sociais e camponeses para encontrar novas formas de produzir conhecimentos e superar as dificuldades enfrentadas, seja no campo produtivo ou no campo organizativo. A experimenta&ccedil;&atilde;o participativa nas comunidades, desenvolvendo iniciativas com base nos princ&iacute;pios agroecol&oacute;gicos pode ser um importante catalisador do fortalecimento das rela&ccedil;&otilde;es entre institui&ccedil;&otilde;es de ensino, movimentos sociais, institui&ccedil;&otilde;es de assessoria e camponeses. A implanta&ccedil;&atilde;o de unidades de experimenta&ccedil;&atilde;o com enfoque agroecol&oacute;gico e/ou envolvimento com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas podem fortalecer os cursos a partir da dimens&atilde;o pol&iacute;tico-organizativa (12, p. 283). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desta forma, o movimento da educa&ccedil;&atilde;o do campo vem construindo as bases pedag&oacute;gicas e opera&ccedil;&otilde;es da concep&ccedil;&atilde;o de uma educa&ccedil;&atilde;o profissional em agroecologia, com &ecirc;nfase na cr&iacute;tica radical ao modelo de desenvolvimento hegem&ocirc;nico; a procura da ruptura epistemol&oacute;gica com a ci&ecirc;ncia dominante; uma concep&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica que valorize os espa&ccedil;os e a sabedoria dos povos do campo, garantindo os diferentes tempos e espa&ccedil;os de forma&ccedil;&atilde;o; bem como uma proposta de forma&ccedil;&atilde;o que consiga dialogar com a realidade do campo, n&atilde;o simplesmente procurando conhec&ecirc;-la, mas tamb&eacute;m transform&aacute;-la.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, &eacute; importante refletir que esses cursos que recebem apoio do Pronera/Incra s&atilde;o direcionados para jovens e adultos camponeses provenientes dos assentamentos rurais, deixando milhares de jovens com outras territorialidades sem a possibilidade de acesso a esse tipo de forma&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o existe, hoje, uma pol&iacute;tica p&uacute;blica geral para o ensino m&eacute;dio de outros camponeses, que est&atilde;o fora das &aacute;reas de assentamentos rurais, com uma proposta diferenciada de forma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em termos de forma&ccedil;&atilde;o profissional prim&aacute;ria com enfoque em agroecologia, al&eacute;m das iniciativas dos Ceffas, acima mencionadas, existem experi&ecirc;ncias recentes sendo implementadas a partir de programas de indu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, como &eacute; o caso do Programa Projovem Campo - Saberes da Terra. A cria&ccedil;&atilde;o de estruturas nos governos para trabalhar com o tema da educa&ccedil;&atilde;o no campo, no final dos anos 2000 (14), impulsionou alguns programas governamentais que, embora concebidos na rela&ccedil;&atilde;o de press&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais, passaram a desenvolver a&ccedil;&otilde;es ligadas aos governos em seus diferentes n&iacute;veis (federal, estadual e municipal).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Projovem Campo – Saberes da Terra &eacute; uma iniciativa que objetiva realizar a forma&ccedil;&atilde;o profissional associada ao aumento de escolaridade dos jovens que n&atilde;o tiveram a oportunidade de concluir seu ensino fundamental. &Eacute; um esfor&ccedil;o para reunir os princ&iacute;pios pol&iacute;ticos e metodol&oacute;gicos acumulados nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a partir das primeiras a&ccedil;&otilde;es da educa&ccedil;&atilde;o popular at&eacute; as recentes reflex&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; educa&ccedil;&atilde;o do campo. &Eacute; fruto de uma demanda dos movimentos dos jovens camponeses por uma educa&ccedil;&atilde;o mais apropriada a suas realidades. Os princ&iacute;pios pol&iacute;tico-pedag&oacute;gicos que apoiam/orientam o programa s&atilde;o guiados pelas refer&ecirc;ncias a uma Pol&iacute;tica Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o do Campo e &agrave;s diretivas curriculares nacionais para a escola prim&aacute;ria. S&atilde;o eles: a) a escola articulada a um projeto de emancipa&ccedil;&atilde;o humana; b) a valoriza&ccedil;&atilde;o do conhecimento diverso no processo educativo; c) a compreens&atilde;o de diferentes tempos e espa&ccedil;os educativos; d) a escola ligada &agrave; realidade dos sujeitos; e) a educa&ccedil;&atilde;o como estrat&eacute;gia para o desenvolvimento sustent&aacute;vel; f) a autonomia e a colabora&ccedil;&atilde;o entre os sujeitos do campo e o sistema nacional de educa&ccedil;&atilde;o; g) o trabalho como princ&iacute;pio educativo; h) a pesquisa como princ&iacute;pio educativo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar dessa complexidade, o programa est&aacute; "fixado" em alguns territ&oacute;rios e serve de base pol&iacute;tico-pedag&oacute;gica para a constru&ccedil;&atilde;o de um processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o do campo com enfoque agroecol&oacute;gico em alguns munic&iacute;pios (15).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, a maioria das propostas dos movimentos sociais de reformula&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es contra-hegem&ocirc;nicas frente &agrave;s for&ccedil;as conservadoras da sociedade. Geralmente, os camponeses t&ecirc;m ficado fora da grande maioria das reflex&otilde;es sobre educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o profissional para o desenvolvimento do espa&ccedil;o rural. O pensamento cartesiano e baseado nos produtos para a exporta&ccedil;&atilde;o e na constru&ccedil;&atilde;o de um conhecimento fragmentado &eacute; hegem&ocirc;nico nos processos de forma&ccedil;&atilde;o. A exclus&atilde;o das propostas dos camponeses tem uma raz&atilde;o, quase sempre ideol&oacute;gica, no sentido de garantir uma educa&ccedil;&atilde;o descontextualizada e centrada na forma&ccedil;&atilde;o de uma pessoa competente para engrossar as filas de m&atilde;o de obra para a agricultura industrial, repetindo uma pr&aacute;tica hist&oacute;rica no pa&iacute;s e refor&ccedil;ando o marco cognitivo hegem&ocirc;nico (16).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AS PROXIMIDADES E OS DESAFIOS DA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O DO CAMPO E A AGROECOLOGIA </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde o ponto de vista hist&oacute;rico no Brasil, podemos dizer que o enfoque agroecol&oacute;gico e a educa&ccedil;&atilde;o do campo t&ecirc;m a mesma base social de constru&ccedil;&atilde;o inicial - a resist&ecirc;ncia dos agricultores familiares camponeses e seu processo de reorganiza&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s dos movimentos sociais. Conforme constataram Caporal e Petersen (17), uma das caracter&iacute;sticas marcantes da agroecologia no Brasil &eacute; um v&iacute;nculo com a defesa da agricultura familiar camponesa como base social de estilos sustent&aacute;veis de desenvolvimento rural.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O modelo de desenvolvimento implementado no espa&ccedil;o rural, a partir da moderniza&ccedil;&atilde;o da agricultura, impulsionou uma pr&aacute;tica educativa nas escolas do campo como refor&ccedil;o a uma vis&atilde;o de atraso e sem perspectivas para a popula&ccedil;&atilde;o rural. O modo de produ&ccedil;&atilde;o campon&ecirc;s &eacute; situado na invisibilidade dessa l&oacute;gica formativa hegem&ocirc;nica e suas identidades s&atilde;o rejeitadas. A forma&ccedil;&atilde;o profissional serve como correia de transmiss&atilde;o dos conhecimentos da revolu&ccedil;&atilde;o verde e tem o papel de forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra para as empresas agroindustriais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A educa&ccedil;&atilde;o do campo nasce em suas origens a partir da contesta&ccedil;&atilde;o dessa l&oacute;gica, questionando n&atilde;o somente as pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas baseadas no ruralismo pedag&oacute;gico e o tecnicismo das escolas agr&iacute;colas, mas tamb&eacute;m o paradigma que sustentava essa concep&ccedil;&atilde;o de ensino e, principalmente, o modelo de campo estabelecido a partir desse paradigma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A disputa social e cient&iacute;fica da sociedade, em defesa de mudan&ccedil;as estruturais no campo, como a proposta da reforma agr&aacute;ria maci&ccedil;a no Brasil, tamb&eacute;m s&atilde;o caracter&iacute;sticas comuns dos dois enfoques. Neste sentido, a defesa de uma nova proposta de desenvolvimento rural e a nega&ccedil;&atilde;o do modelo baseado no agroneg&oacute;cio s&atilde;o parte integrante dessa aproxima&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-filos&oacute;fica da agroecologia com a educa&ccedil;&atilde;o do campo. Isso significa claramente uma postura contra-hegem&ocirc;nica dos dois enfoques, considerando o atual modo de produ&ccedil;&atilde;o agroindustrial e do conhecimento estabelecido em nossa sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa disputa se manifesta, inclusive, nos cursos e a&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas com o enfoque agroecol&oacute;gico. O surgimento de in&uacute;meros cursos de forma&ccedil;&atilde;o em agroecologia no Brasil nos &uacute;ltimos anos, por um lado ratifica a import&acirc;ncia dessa ci&ecirc;ncia emergente no contexto atual, por outro traz como consequ&ecirc;ncia um conjunto de a&ccedil;&otilde;es formativas com perspectivas de encorajar a "produ&ccedil;&atilde;o" de m&atilde;o de obra especializada para um nicho de mercado que vem crescendo em n&iacute;vel mundial - a agricultura org&acirc;nica, que n&atilde;o prop&otilde;e, em princ&iacute;pio, a ruptura com o modelo hegem&ocirc;nico e aceita&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios estabelecidos pelo movimento agroecol&oacute;gico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O aspecto metodol&oacute;gico convencional tamb&eacute;m &eacute; um elemento question&aacute;vel para os dois enfoques. As cr&iacute;ticas aos m&eacute;todos lineares e unidirecionais de produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de conhecimentos s&atilde;o totalmente semelhantes. A busca de uma rela&ccedil;&atilde;o educador-educando, t&eacute;cnico-campon&ecirc;s de forma mais horizontal e participativa &eacute; constantemente perseguida nos cursos de forma&ccedil;&atilde;o profissional agroecol&oacute;gica. A ado&ccedil;&atilde;o de uma educa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e transformadora tamb&eacute;m &eacute; buscada como estrat&eacute;gia central.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A defesa de uma produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento baseada na rela&ccedil;&atilde;o direta entre o conhecimento cient&iacute;fico e a sabedoria dos povos do campo - a partir do di&aacute;logo de saberes - usando a problematiza&ccedil;&atilde;o da realidade; a revaloriza&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos sociais dos camponeses; a gera&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o de tecnologias adaptadas &agrave;s realidades territoriais, respeitando o conhecimento e n&atilde;o degradando o meio ambiente; a transforma&ccedil;&atilde;o da realidade social das fam&iacute;lias camponesas e a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos saud&aacute;veis para seu consumo e o abastecimento dos mercados locais, s&atilde;o alguns dos elementos centrais da mudan&ccedil;a metodol&oacute;gica e est&atilde;o inclusos na educa&ccedil;&atilde;o do campo com enfoque agroecol&oacute;gico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para isso, a ruptura epistemol&oacute;gica com a ci&ecirc;ncia dominante e a constru&ccedil;&atilde;o de uma perspectiva cient&iacute;fica que valorize as sabedorias dos povos do campo, tanto do ponto de vista da sua cultura (Kosmos e corpus), quanto de seu sistema de trabalho (epistemologia camponesa), s&atilde;o elementos comuns nos dois enfoques (18).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ensino profissional em agroecologia, como foi desenvolvido na maioria dos cursos articulados ao enfoque da educa&ccedil;&atilde;o do campo, permitiu a produ&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&otilde;es, mas inova&ccedil;&otilde;es surgidas a partir do di&aacute;logo entre saberes e pr&oacute;ximas aos interesses, controle e saber dos camponeses. Esse aspecto comprovou a hip&oacute;tese de que os camponeses est&atilde;o produzindo novos conhecimentos, para al&eacute;m de sua sabedoria ancestral, mas em profundo di&aacute;logo com a mesma. Essas inova&ccedil;&otilde;es camponesas s&atilde;o contextualizadas, adaptadas e dialogam com a complexidade dos agroecossistemas do territ&oacute;rio onde moram e trabalham.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O di&aacute;logo de saberes teve um papel fundamental na produ&ccedil;&atilde;o das inova&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o seria poss&iacute;vel sem um conjunto de contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e metodol&oacute;gicas pr&oacute;prias da educa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e transformadora que, mesmo em contradi&ccedil;&atilde;o com a realidade das escolas, tornou poss&iacute;vel a mudan&ccedil;a de atitude dos professores nos processos formativos. Isso foi constru&iacute;do a partir da forma&ccedil;&atilde;o continuada dos professores e t&eacute;cnicos pedag&oacute;gicos que participaram diretamente nas iniciativas de forma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro ponto fundamental &eacute; a incorpora&ccedil;&atilde;o da realidade socioecol&oacute;gica dos camponeses no ensino. Mas, uma realidade problematizada, refletida, a partir dos conhecimentos das diferentes ci&ecirc;ncias de forma interdisciplinar, associada &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o da sabedoria camponesa no territ&oacute;rio, promovendo assim o di&aacute;logo de saberes. Pensar uma pedagogia da transforma&ccedil;&atilde;o socioecol&oacute;gica - al&eacute;m dos diagn&oacute;sticos da realidade agr&aacute;ria e das reflex&otilde;es sem a&ccedil;&otilde;es concretas na realidade, e com uma participa&ccedil;&atilde;o ativa dos camponeses do territ&oacute;rio - &eacute; imprescind&iacute;vel. Fortalecer os princ&iacute;pios da vida, da diversidade, da complexidade e da transforma&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial (19).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Sarand&oacute;n, S. "El desarrollo y uso de indicadores para evaluar la sustentabilidad de los agroecosistemas". Cap&iacute;tulo 20 en Agroecolog&iacute;a: El camino hacia una agricultura sustentable. - SJ Sarand&oacute;n (editor) - Ediciones Cient&iacute;ficas Americanas. 2002.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Chambers, R. et al. Whose reality counts?: <i>putting the first last</i>. Intermediate Technology Publications Ltd (ITP), 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Jim&eacute;nez, C.G.; Faz, G.R. <i>Educaci&oacute;n rural alternativa: memoria del primer foro nacional</i>. M&eacute;xico: Centro de Estudios para el Desarrollo Rural Sustentable y la Soberan&iacute;a Alimentaria, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 4. Brand&atilde;o, C.R. <i>Educa&ccedil;&atilde;o popular</i>. Editora Brasiliense, 1984.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 5. Estes centros educativos s&atilde;o origin&aacute;rios das experi&ecirc;ncias francesas e italianas de forma&ccedil;&atilde;o de camponeses (7). Os pilares dos Ceffa foram sendo constru&iacute;dos at&eacute; os dias atuais e se constituem em: a) Pilares meios - associa&ccedil;&atilde;o local (pais, fam&iacute;lias, profissionais, institui&ccedil;&otilde;es) e pedagogia da altern&acirc;ncia (metodologia pedag&oacute;gica); e b) Pilares fins - forma&ccedil;&atilde;o integral dos jovens e desenvolvimento sustent&aacute;vel do meio (social, econ&ocirc;mico, humano, pol&iacute;tico...) (MEC/CNE, 2006). </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Arroyo, M.G.; Caldart, R.S.; Molina, M. C. <i>Por uma educa&ccedil;&atilde;o do campo</i>. Editora Vozes, 2004.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Queiroz, J. B.P; Silva, V. C.; Pacheco, Z. <i>Pedagogia da altern&acirc;ncia: construindo a educa&ccedil;&atilde;o do campo</i>. Editora UCG, 2006.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 8. Caldart, R. S.; Pereira, I. B.; Aletejano, P.; Frigotto, G.(orgs.) D<i>icion&aacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o do Campo</i>. Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo: Escola Polit&eacute;cnica de Sa&uacute;de Ven&acirc;ncio, Express&atilde;o Popular, p. 748-759, 2012.     </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Havia uma grande preocupa&ccedil;&atilde;o com o alto n&iacute;vel de analfabetismo nos assentamentos rurais. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Molina, M.C.; Jesus, S. M. "Contribui&ccedil;&otilde;es do Pronera &agrave; educa&ccedil;&atilde;o do campo no Brasil: reflex&otilde;es a partir da tr&iacute;ade: campo–pol&iacute;tica p&uacute;blica– educa&ccedil;&atilde;o". Santos, C.A. dos; Molina, M.C.; Jesus, S.M. dos S.A. In: <i>Mem&oacute;ria e hist&oacute;ria do Pronera</i>. Bras&iacute;lia: Pronera/Incra/MDA, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 11. Michelotti, F.; Guerra, G.A.D. "Ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias e educa&ccedil;&atilde;o do campo". In: Santos, C.A. dos; Molina, M.C.; Jesus, S.M. dos S. A. In: <i>Mem&oacute;ria e hist&oacute;ria do Pronera</i>. Bras&iacute;lia: Pronera/Incra/MDA, 2010.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Molina, M. C.; Santos, C.A.; Michelotti, F.; Sousa, R.P. (2014). <i>Pr&aacute;ticas contra-hegem&ocirc;nicas na forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais das ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias: reflex&otilde;es sobre agroecologia e educa&ccedil;&atilde;o do campo nos cursos do Pronera</i>. (orgs). - Bras&iacute;lia: MDA, 2014. 292 p. (S&eacute;rie Nead Debate; 22).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 13. Santos, C.; Michelotti, F.. e Sousa, R.. "Educa&ccedil;&atilde;o do campo, agroecologia e protagonismo social: a experi&ecirc;ncia do Programa Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o na Reforma Agr&aacute;ria (Pronera)". <i>Revista Agriculturas</i>, v. 7. n. 4, ASPTA, dezembro de 2010.     </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. O Minist&eacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o criou o Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o Continuada, Alfabetiza&ccedil;&atilde;o e Diversidade (Secad) para, entre outras a&ccedil;&otilde;es, trabalhar pol&iacute;ticas de fortalecimento da educa&ccedil;&atilde;o do campo no pa&iacute;s. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Sousa, R. da P. "Educaci&oacute;n profesional y sabidur&iacute;as de los j&oacute;venes campesinos en la Amazon&iacute;a: una reflexi&oacute;n desde la agroecolog&iacute;a pol&iacute;tica". (Doctoral disertaci&oacute;n, Universidad Pablo de Olavide), 2015.     </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. O conceito de Ploeg (2008, p. 20) de imp&eacute;rio, entendido como "um modo de ordenamento fortemente centralizado, formado por grandes empresas de processamento e comercializa&ccedil;&atilde;o de alimentos que cada vez mais operam a escala mundial e tende a se tornar dominante" ajuda a compreender a forte influ&ecirc;ncia das empresas nacionais e transnacionais na constru&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o dos processos educativos e a forma&ccedil;&atilde;o profissional, principalmente nas ci&ecirc;ncias agrarias. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Caporal, F.R.; Petersen, P. "Agroecologia e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas na Am&eacute;rica Latina: o caso do Brasil". Agroecolog&iacute;a. Murcia, 2012.v.6, p.63-74.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Toledo, V. M.; Barrera-Bassols, N. <i>La memoria biocultural: la importancia ecol&oacute;gica de las sabidur&iacute;as tradicionales</i> (Vol. 3). Icaria Editorial, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 19. SNA/ABA. <i>Princ&iacute;pios e diretrizes da educa&ccedil;&atilde;o em agroecologia</i>. Recife: ABA-Agroecologia, 2013.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tradu&ccedil;&atilde;o:</b><i> Marcela Salazar Granada, a partir do original em espanhol. </i></font></p>      ]]></body><back>
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