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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Agricultores familiares e cientistas: diálogo de saberes sobre as variedades crioulas de milho no estado da Paraíba]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> AGROECOLOGIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Agricultores familiares e cientistas: di&aacute;logo de saberes sobre as variedades crioulas de milho no estado da Para&iacute;ba</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Maria Jos&eacute; Ramos da Silva<sup>I</sup>; Fillipe Silveira Marini<sup>II</sup>; Aline Carneiro de Paula<sup>III</sup>; Alexsandro Alves Coelho<sup>IV</sup>; Amaury da Silva dos Santos<sup>V</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Mestre em ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias (agroecologia) pelo Centro de  Ci&ecirc;ncias Humanas Sociais e Agr&aacute;rias-CCHSA, da Universidade Federal da Para&iacute;ba  (UFPB). Email: <a href="mailto:maryramos8@hotmail.com">maryramos8@hotmail.com</a>    <br> <sup>II</sup>Agr&ocirc;nomo e doutor em produ&ccedil;&atilde;o vegetal e professor da UFPB.  Email: <a href="mailto:fsmarini@yahoo.com.br">fsmarini@yahoo.com.br</a>    <br> <sup>III</sup>Mestranda em ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias pelo Centro de Ci&ecirc;ncias Humanas Sociais e Agr&aacute;rias-CCHSA, da UFPB. Email: <a href="mailto:alinecarneiro_paula@hotmail.com">alinecarneiro_paula@hotmail.com</a>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup>IV</sup>Graduado em tecnologia em agroecologia pelo Instituto Federal  de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia da Para&iacute;ba, campus Sousa e agricultor experimentador  do assentamento Acau&atilde; do munic&iacute;pio de Aparecida (PB)    <br> <sup>V</sup>Agr&ocirc;nomo e doutor em produ&ccedil;&atilde;o vegetal e pesquisador da  Embrapa Tabuleiros Costeiros. Email: <a href="mailto:amaury.santos@embrapa.br">amaury.santos@embrapa.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O manejo de sementes crioulas pelos agricultores familiares &eacute; uma pr&aacute;tica adotada para a conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos gen&eacute;ticos locais e manuten&ccedil;&atilde;o da vida. No estado da Para&iacute;ba, agricultores familiares t&ecirc;m como uma de suas estrat&eacute;gias para conviv&ecirc;ncia com o clima semi&aacute;rido a utiliza&ccedil;&atilde;o de variedades crioulas, pois apresentam elevada estabilidade e resist&ecirc;ncia a estresses bi&oacute;ticos e abi&oacute;ticos em fun&ccedil;&atilde;o de suas resili&ecirc;ncias e adapta&ccedil;&atilde;o a menores escalas de insumos artificiais. Variedades crioulas s&atilde;o aquelas mantidas pelos pr&oacute;prios agricultores ao longo de muitas gera&ccedil;&otilde;es e, ao serem cultivadas e selecionadas por eles, adquirem caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias de adapta&ccedil;&atilde;o ao agroecossistema local (1).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos gen&eacute;ticos, vem sendo utilizada pelos agricultores familiares, h&aacute; s&eacute;culos, a partir da conserva&ccedil;&atilde;o <i>in situ</i>, metodologia estabelecida para a manuten&ccedil;&atilde;o dos agroecossistemas produtivos, no qual, cultivam, selecionam e conservam esp&eacute;cies vegetais, com o uso de t&eacute;cnicas agr&iacute;colas menos agressiva &agrave; natureza (2).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora o uso de variedades crioulas seja uma caracter&iacute;stica da agricultura familiar no estado da Para&iacute;ba e em outras regi&otilde;es no Brasil, essa pr&aacute;tica est&aacute; cada vez mais amea&ccedil;ada, seja pela distribui&ccedil;&atilde;o de sementes de cultivares comerciais por meio de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas - o que vem causando a contamina&ccedil;&atilde;o e perda de sementes locais -, ou pelas pr&aacute;ticas de intensifica&ccedil;&atilde;o da agricultura com depend&ecirc;ncia de variedades comerciais (h&iacute;bridas e transg&ecirc;nicas), de irriga&ccedil;&atilde;o e da utiliza&ccedil;&atilde;o de insumos agroqu&iacute;micos. Isso, sem d&uacute;vida, est&aacute; provocando a deteriora&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de humana e da qualidade ambiental, amea&ccedil;ando tamb&eacute;m a manuten&ccedil;&atilde;o da agrobiodiversidade (3). Assim, existe um crescente aumento no interesse em se conhecer as variedades crioulas e saber como e onde est&atilde;o sendo conservadas pelos agricultores (4).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra estrat&eacute;gia importante desses agricultores &eacute; o interc&acirc;mbio frequente de materiais gen&eacute;ticos, seja em feiras e mercados, em eventos envolvendo agricultores e tamb&eacute;m em visitas informais entre parentes e vizinhos. Este fato &eacute; bem exemplificado por Gazzola &amp; Schneider (5), quando relatam os momentos em que uma fam&iacute;lia perde sua semente e a busca com vizinhos. Essa busca normalmente desencadeia processos de trocas ou mesmo empr&eacute;stimos que podem ser pagos (ou n&atilde;o) de diferentes formas, inclusive com outro tipo de semente. Nesse processo de troca, nomes de materiais gen&eacute;ticos podem se perder e serem alterados sistematicamente, ou mesmo acabarem recebendo nomes iguais mesmo sendo geneticamente diferentes. No entanto, os pr&oacute;prios agricultores guardi&otilde;es conhecem e distinguem os seus materiais de outros com o mesmo nome, uma vez que este foi selecionado para as suas pr&oacute;prias condi&ccedil;&otilde;es, por&eacute;m mantendo muitas das caracter&iacute;sticas do gen&oacute;tipo (material gen&eacute;tico) comum. Mais precisamente no estado da Para&iacute;ba, a variedade de milho Jaboat&atilde;o ou Jabat&atilde;o &eacute; bastante disseminada em diferentes territ&oacute;rios e ambientes, assim como existe um grande n&uacute;mero de variedades crioulas com diferentes nomes, por&eacute;m com caracter&iacute;sticas semelhantes a ela.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O DI&Aacute;LOGO DE SABERES: CIENT&iacute;FICO E TRADICIONAL </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentro da perspectiva da constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento agroecol&oacute;gico, exige-se que sejam estabelecidos canais de di&aacute;logo entre o conhecimento dos agricultores, dos t&eacute;cnicos e dos cientistas, por meio de processos participativos. A participa&ccedil;&atilde;o social pode ocorrer de diversas formas e existe um conjunto crescente de t&eacute;cnicas e din&acirc;micas que permitem a sua materializa&ccedil;&atilde;o, desde a consulta nos processos de interven&ccedil;&atilde;o na comunidade at&eacute; a incorpora&ccedil;&atilde;o dos saberes e pr&aacute;ticas dos agricultores nos processos de pesquisa, como na pesquisa participativa (6).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diferindo da pesquisa agron&ocirc;mica convencional, a pesquisa ou experimenta&ccedil;&atilde;o agroecol&oacute;gica tem como premissa a participa&ccedil;&atilde;o de agricultores em todas as suas fases, ou seja, desde seu planejamento at&eacute; a avalia&ccedil;&atilde;o e a divulga&ccedil;&atilde;o dos resultados, sem, no entanto, em nenhum momento, desvalorizar o rigor cient&iacute;fico. A pesquisa participativa tem como um de seus prop&oacute;sitos a constru&ccedil;&atilde;o de conhecimentos a partir de saberes (cient&iacute;fico e emp&iacute;rico) nos quais, conjuntamente, s&atilde;o identificados os avan&ccedil;os e desafios para determinar as poss&iacute;veis a&ccedil;&otilde;es que possam contribuir com o processo de constru&ccedil;&atilde;o social da comunidade. Segundo Leitgeb e colegas (7), os agricultores exercem papel de relev&acirc;ncia na constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento, difus&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de experimenta&ccedil;&atilde;o e troca din&acirc;mica em espa&ccedil;os coletivos, na perspectiva de melhoria da gest&atilde;o dos recursos gen&eacute;ticos dispon&iacute;veis em sua comunidade. Assim, agricultores e cientistas possuem diferentes saberes e habilidades, sendo que cada um deles complementa o outro, de tal forma que quando trabalham em conjunto produzem melhores resultados do que se obtidos de forma isolada (8).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As experimenta&ccedil;&otilde;es realizadas pelos pr&oacute;prios agricultores ganham grande dimens&atilde;o na domestica&ccedil;&atilde;o e melhoramento de plantas, que se iniciou h&aacute;, pelo menos, 10 mil anos, quando os humanos se tornaram agricultores. Enquanto as experi&ecirc;ncias acad&ecirc;micas com o melhoramento de plantas iniciaram-se apenas h&aacute; cerca de 100 anos. E, mesmo com o poder econ&ocirc;mico das grandes corpora&ccedil;&otilde;es do agroneg&oacute;cio, estima-se que, atualmente, nos pa&iacute;ses em desenvolvimento cerca de 60-90% das variedades de plantas utilizadas s&atilde;o frutos da inova&ccedil;&atilde;o e sele&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios agricultores (8). Assim, vislumbra-se que a pesquisa para o melhoramento de plantas deveria estar intimamente ligada aos agricultores, considerando os seus pr&oacute;prios indicadores e o "olhar" do agricultor, n&atilde;o limitando-se apenas as caracter&iacute;sticas agron&ocirc;mico-produtivistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, em muitos casos, segmentos da pesquisa e extens&atilde;o rural negligenciam a import&acirc;ncia dos agricultores e de suas variedades tradicionais. Ao mesmo tempo, nem todas as comunidades dominam essa t&eacute;cnica de resgatar, caracterizar, selecionar e conservar os recursos gen&eacute;ticos dispon&iacute;veis. E o envolvimento dos agricultores em pesquisas participativas com sementes crioulas &eacute; vital. Witcombe e co-autores (9) relataram que o processo de sele&ccedil;&atilde;o das variedades deve ocorrer na comunidade, de forma participativa, pois permite aos agricultores acompanharem todo o processo de avalia&ccedil;&atilde;o e melhor identifica&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas consideradas desej&aacute;veis. Assim, envolver os agricultores na identifica&ccedil;&atilde;o de variedades &eacute; particularmente importante para a sele&ccedil;&atilde;o das variedades mais adaptadas &agrave; sua realidade local (10).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PESQUISAS COM A(S) VARIEDADE(S) CRIOULA(S) DE MILHO JABOAT&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No estado da Para&iacute;ba vem sendo desenvolvida metodologia participativa para caracteriza&ccedil;&atilde;o de variedades crioulas com o prop&oacute;sito de conservar e valorizar a sua diversidade, al&eacute;m de empoderar os agricultores no manejo dos recursos naturais para a constru&ccedil;&atilde;o de um ambiente mais equilibrado, o que infere autonomia &agrave;s fam&iacute;lias na reprodu&ccedil;&atilde;o de suas sementes e, consequentemente, uma maior rela&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o/consumo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse trabalho teve por objetivo avaliar exemplares coletados da variedade de milho Jaboat&atilde;o (tamb&eacute;m chamado por Jabat&atilde;o) e outras variedades crioulas, por meio de avalia&ccedil;&atilde;o participativa, visando identificar gen&oacute;tipos superiores, nos ambientes estudados, e identificar tamb&eacute;m poss&iacute;veis diverg&ecirc;ncias e similaridades fenot&iacute;picas entre essas variedades, para conservar e valorizar a sua diversidade. Procurou-se, ainda, valorizar os agricultores no manejo das sementes crioulas, buscando a constru&ccedil;&atilde;o de um ambiente mais sustent&aacute;vel e conferindo &agrave;s fam&iacute;lias autonomia na produ&ccedil;&atilde;o e posterior seguran&ccedil;a alimentar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desenvolvimento do estudo aconteceu mediante a realiza&ccedil;&atilde;o de reuni&otilde;es com a Rede Sementes da Para&iacute;ba, onde foi apresentada a demanda sobre os diferentes nomes da variedade Jaboat&atilde;o e de outras muito parecidas, por&eacute;m com nomes distintos. Em uma dessas reuni&otilde;es, foram determinados os locais onde seriam executadas as a&ccedil;&otilde;es de pesquisa assim como as variedades que seriam testadas e os seus guardi&otilde;es. Assim, o trabalho foi desenvolvido no assentamento Acau&atilde; do munic&iacute;pio de Aparecida (experimento I) e no campus III de Bananeiras (experimento II) do Centro de Ci&ecirc;ncias Humanas Sociais e Agr&aacute;rias (CCHSA) da Universidade Federal da Para&iacute;ba (UFPB).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os materiais gen&eacute;ticos utilizados foram variedades crioulas de gen&oacute;tipos com diferentes denomina&ccedil;&otilde;es (Adelaide, Bom e Jaboat&atilde;o) de agricultores guardi&otilde;es, por&eacute;m com caracter&iacute;sticas fenot&iacute;picas semelhantes &agrave; variedade Jaboat&atilde;o. As sementes de cada variedade foram coletadas a partir de visitas &agrave;s unidades produtivas de agricultores familiares da regi&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os ensaios foram conduzidos nas condi&ccedil;&otilde;es usualmente adotadas pelos agricultores com plantio em cova, capina manual e utiliza&ccedil;&atilde;o de extrato de Nim para controle das principais pragas, sem utiliza&ccedil;&atilde;o de calagem e aduba&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em reuni&otilde;es pr&eacute;vias, agricultores com base em suas experi&ecirc;ncias e conhecimentos adquiridos na cultura de milho, definiram os indicadores para avalia&ccedil;&atilde;o qualitativa e participativa das variedades, que ocorreram no ponto verde, que &eacute; a fase de matura&ccedil;&atilde;o da espiga, e no ponto seco. Realizou-se a avalia&ccedil;&atilde;o quantitativa considerando-se produ&ccedil;&atilde;o de palha da planta (kg/ha) e produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os (kg/ha) quando as espigas estavam aptas para a colheita de gr&atilde;os.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foram convidados agricultores familiares dos munic&iacute;pios que fazem parte da din&acirc;mica de conserva&ccedil;&atilde;o das sementes crioulas da Articula&ccedil;&atilde;o do Semi&aacute;rido Paraibano (ASA-PB), que avaliaram os gen&oacute;tipos de milho com base em suas experi&ecirc;ncias e conhecimentos, atribuindo notas em ordem crescente, que representou a ordem de prefer&ecirc;ncia para cada vari&aacute;vel/caracter&iacute;stica, sendo: 1 fraco; 2 m&eacute;dio; 3 bom; e 4 &oacute;timo. As vari&aacute;veis analisadas foram: tamanho da planta (TP); produ&ccedil;&atilde;o de palha da planta e da espiga (PP); forma&ccedil;&atilde;o da espiga (FE); enchimento das espigas (EE) e; vis&atilde;o geral da planta (PG).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na ocasi&atilde;o, os convidados foram divididos em grupos. Cada grupo tinha a presen&ccedil;a de um t&eacute;cnico, que era imparcial e tinha o papel de auxiliar na avalia&ccedil;&atilde;o, no sentido de fazer as anota&ccedil;&otilde;es e manter uma sequ&ecirc;ncia, evitando que uma variedade fosse avaliada v&aacute;rias vezes. A avalia&ccedil;&atilde;o participativa deixou os avaliadores livres para expor caracter&iacute;sticas produtivas relevantes para as unidades familiares, o que permitiu uma melhor intera&ccedil;&atilde;o com os pesquisadores desmitificando a cren&ccedil;a de incapacidade a qual os agricultores eram classificados no per&iacute;odo de moderniza&ccedil;&atilde;o da agricultura, conforme menciona (12): "o reconhecimento dos diversos conhecimentos &eacute; um componente essencial para manter vivos diferentes sistemas produtivos".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os resultados foram submetidos &agrave; an&aacute;lise de vari&acirc;ncia em software estat&iacute;stico Assistat vers&atilde;o 7.7 (11), para o teste F a 5% de probabilidade, sendo as m&eacute;dias comparadas pelo teste Tukey. Todas as vari&aacute;veis foram submetidas &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o dos dados pela f&oacute;rmula &lt;X = raiz quadrada de x&gt;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na avalia&ccedil;&atilde;o realizada pelos agricultores no ensaio em Aparecida (PB), observou-se que a variedade de milho Bom do munic&iacute;pio de Patos foi bem avaliado para todas as vari&aacute;veis, com exce&ccedil;&atilde;o para o tamanho e produ&ccedil;&atilde;o de palha que foi notificado como m&eacute;dio, divergindo da variedade Jaboat&atilde;o do munic&iacute;pio de Montadas, que foi notificado como fraco para todas as vari&aacute;veis estudadas. As demais variedades foram atribu&iacute;das como m&eacute;dio na maior parte das vari&aacute;veis, o que remete a semelhan&ccedil;as em suas caracter&iacute;sticas (<a href="/img/revistas/cic/v69n2/a12tab01.jpg">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse resultado denota a heterogeneidade de comportamento t&iacute;pica das variedades crioulas, que tendem a se expressar positivamente ou negativamente para determinada caracter&iacute;stica. Verificou-se tamb&eacute;m que os resultados atribu&iacute;dos pelos agricultores em espigas ainda verdes (ponto verde) das variedades de milho Jaboat&atilde;o de Montadas e Bom de Patos se repetiram na avalia&ccedil;&atilde;o quantitativa no ponto seco, o que mostra que cada ator e atriz envolvidos nesse processo possui dom&iacute;nio na sele&ccedil;&atilde;o de variedades (<a href="/img/revistas/cic/v69n2/a12tab01.jpg">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; de se ressaltar que, na concep&ccedil;&atilde;o dos agricultores, uma variedade &eacute; considerada boa para semente quando apresenta espiga totalmente coberta por palha, fileiras retas de sementes e completas com aus&ecirc;ncia de carreira falhas ou "banguelas", como vulgarmente denominado pelos agricultores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na avalia&ccedil;&atilde;o realizada pelos agricultores em Bananeiras (PB), observou-se que as variedades receberam atribui&ccedil;&otilde;es variadas com destaque para determinadas caracter&iacute;sticas. Podemos visualizar na <a href="/img/revistas/cic/v69n2/a12tab01.jpg">Tabela 1</a> que o milho Jaboat&atilde;o de Massaranduba, Alagoa Nova, Matinhas e Soledade foram considerados bons para as vari&aacute;veis tamanho da planta e produ&ccedil;&atilde;o de palha no momento da avalia&ccedil;&atilde;o no ponto verde, repetido no ponto seco para as variedades Jaboat&atilde;o do munic&iacute;pio de Massaranduba (1). A contradi&ccedil;&atilde;o observada para alguns gen&oacute;tipos nos per&iacute;odos seco e verde pode estar relacionada ao manuseio <i>in loco </i>das espigas, diferente do ponto verde, que utiliza o aspecto visual e o tato para apalp&aacute;-las e avali&aacute;-las.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao avaliar o aspecto geral das plantas/espigas/gr&atilde;os, observa-se que as variedades de milho Jaboat&atilde;o de Casserengue, Bom de Cacimbas, Jaboat&atilde;o de Rem&iacute;gio (2), Jaboat&atilde;o de Matinhas e Adelaide do munic&iacute;pio de Soledade foram considerados m&eacute;dio e bom pelos avaliadores. As demais variedades Jaboat&atilde;o de Rem&iacute;gio, de Massaranduba, de Montadas e de Alagoa Nova apresentaram maior oscila&ccedil;&atilde;o nas notas, variando entre fraco, m&eacute;dio e bom. Nesse ensaio verificou-se que houve uma maior similaridade de comportamento das variedades de milho Jaboat&atilde;o dos diferentes munic&iacute;pios e guardi&otilde;es. A semelhan&ccedil;a entre as variedades foi observada tamb&eacute;m para a produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os. Esse resultado pode estar relacionado &agrave; proximidade do local do ensaio com o local de adapta&ccedil;&atilde;o dessas variedades, localizadas na regi&atilde;o da Borborema. Por outro lado, as variedades de milho Bom e Adelaide s&atilde;o oriundas do Sert&atilde;o e Cariri, respectivamente, e apresentaram comportamento semelhante &agrave;s variedades Jaboat&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando que a produ&ccedil;&atilde;o de palha &eacute; uma das caracter&iacute;sticas mais importantes para os agricultores que participaram dos ensaios, verifica-se que em Bananeiras as variedades que obtiveram melhores avalia&ccedil;&otilde;es foram Jaboat&atilde;o Alagoa Nova, Jaboat&atilde;o Matinhas, Adelaide e Jaboat&atilde;o Masaranduba 1. Ao comparar com a produ&ccedil;&atilde;o de palha (kg/ha) no mesmo ensaio, observamos algumas coincid&ecirc;ncias entre as de melhor desempenho, no caso Jaboat&atilde;o Massaranduba 1 e Jaboat&atilde;o Matinhas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base em apenas dois ensaios em distintas regi&otilde;es, observa-se a grande diversidade de resultados. Mesmo sabendo que isso n&atilde;o &eacute; nenhuma novidade, verifica-se que, em alguns casos, as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas insistem que o semi&aacute;rido &eacute; uma regi&atilde;o &uacute;nica e que apenas uma variedade de milho atenda a toda a regi&atilde;o, ignorando os pr&oacute;prios anseios dos agricultores. Muitas vezes, essas pol&iacute;ticas direcionam ao agricultor sementes de variedades super precoces que produzem gr&atilde;os em tempo curto, como estrat&eacute;gia para conviv&ecirc;ncia no semi&aacute;rido. No entanto, muitos desses agricultores est&atilde;o mais preocupados em produzir palha para alimentar os seus animais, enquanto as sementes distribu&iacute;das originam plantas de baixo porte com pouca produ&ccedil;&atilde;o de palha. Este &eacute; apenas um exemplo que demonstra a necessidade de di&aacute;logo entre todos os atores envolvidos na agricultura familiar, onde todos ensinam e todos aprendem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Bellon, M. R.; Brush, S. B. "Keepers of maize in Chiapas, Mexico". <i>Economic Botany</i>, New York, v. 48, n.2, p. 196-209, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096761&pid=S0009-6725201700020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Nodari, R. O.; Guerra, M. P. "A agroecologia: estrat&eacute;gias de pesquisa e valores". <i>Estudos Avan&ccedil;ados</i>, v. 29, n.83, p. 183-207, S&atilde;o Paulo, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096763&pid=S0009-6725201700020001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Evenson, R. E.; Gollen, D. "Assessing the impact of the green revolution, 1960 to 2000". <i>Science</i> 300, 758–762. 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096765&pid=S0009-6725201700020001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Jarvis, D. I.; Zoes, V.; Nares, D.; Hodgkin, T. "On-farm management of crop genetic diversity and the Convention on Biological Diversity's programme of work on agricultural biodiversity". <i>Plant Genet</i>. Resour. Newslett. 138, 5–17. 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096767&pid=S0009-6725201700020001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Gazzola, M.; Schneider, S. "A produ&ccedil;&atilde;o da autonomia: os 'pap&eacute;is' do autoconsumo na reprodu&ccedil;&atilde;o social dos agricultores familiares". <i>Estudos Sociedade Agricultura</i>, v. 15, n. 1, p. 89-122, Rio de Janeiro, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096769&pid=S0009-6725201700020001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 6. Santos, A. S.; Curado, F. F. "Perspectiva para a pesquisa agroecol&oacute;gica: di&aacute;logo de saberes". Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2012, 20p. (Embrapa CPATC. Documentos, 172).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096771&pid=S0009-6725201700020001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Leitbeg, F.; Funes-Monzote, F. R.; Kummer, S.; Vogl C. R. "Contribution of farmer's experiments and innovation to Cuba's agricultural innovation system". <i>Renewable Agriculture and Food Systems</i> 26: 354–367, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096773&pid=S0009-6725201700020001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Hoffmann, V.; Probst, K.; Christinck, A. "Farmers and researchers: how can collaborative advantages be created in participatory research and technology development?". <i>Agriculture and Human Values</i> 24: 355-368, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096775&pid=S0009-6725201700020001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 9. Witcombe, J. R.; Joshia, A.; Goyal, S. N. "Participatory plant breeding in maize: A case study from Gujarat, India". <i>Euphytica</i>, v.130, p. 413-422, 2003. DOI 10.1007/s10681-006-9333-y.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096777&pid=S0009-6725201700020001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Dorward, P.; Craufurd, P.; Marfo, K.; Dogbe, W.; Bam, R. "Improving participatory varietal selection processes: participatory varietal selection and the role of informal seed diffusion mechanisms for upland rice in Ghana". <i>Euphytica</i>, v.155, p. 315–327, 2007. DOI 10.1007/s10681-006-9333-y.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096779&pid=S0009-6725201700020001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Silva, F. A. S. E.; Azevedo, C. A. V. de. Principal components analysis in the software assistat-statistical attendance". In: World Congress on Computers in Agriculture, 7, Reno-NV-USA: American Society of Agricultural and Biological Engineers, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096781&pid=S0009-6725201700020001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Shiva, V. <i>Biopirataria: a pilhagem da natureza e do conhecimento</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o: Laura Cardellini de Oliveira. Petr&oacute;polis, RJ: Vozes, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=096783&pid=S0009-6725201700020001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
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