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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> AGROECOLOGIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Converg&ecirc;ncias e diverg&ecirc;ncias entre feminismo e agroecologia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ana Paula Lopes Ferreira<sup>I</sup>; Luis Cl&aacute;udio Mattos<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Doutora em agroecologia pela Universidade de C&oacute;rdoba,  Espanha,  no Instituto de Sociologia e Estudos Campesinos, e &eacute; coordenadora do Programa  de Direitos das Mulheres na ActionAid Brasil    <br> <sup>II</sup>Doutorando de ci&ecirc;ncias sociais em desenvolvimento, agricultura e  sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo est&aacute; alicer&ccedil;ado em estudos dos autores que analisaram o processo de aproxima&ccedil;&atilde;o, ora em curso, estabelecido entre as perspectivas feminista e agroecol&oacute;gica no Brasil. S&atilde;o analisados os elementos acerca do lugar de subordina&ccedil;&atilde;o ocupado pelas mulheres na agricultura familiar brasileira. Um elemento chave deste artigo reside na ideia de que, no &acirc;mbito da fam&iacute;lia rural camponesa, persistem processos que perpetuam rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero injustas, que refor&ccedil;am o poder patriarcal. Tratar a fam&iacute;lia como unidade monol&iacute;tica torna o desenvolvimento agroecol&oacute;gico incompleto e imperfeito, da&iacute; a import&acirc;ncia da aproxima&ccedil;&atilde;o entre a agroecologia e o feminismo. S&atilde;o tamb&eacute;m analisadas as dificuldades enfrentadas, os desafios superados e a superar, al&eacute;m do potencial sin&eacute;rgico dessa aproxima&ccedil;&atilde;o. Desta forma, procura-se contribuir para a evolu&ccedil;&atilde;o futura tanto da agroecologia como do feminismo, a partir dos passos dados e li&ccedil;&otilde;es aprendidas com a trajet&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, o debate agroecol&oacute;gico iniciou-se na d&eacute;cada de 1980 influenciado por discuss&otilde;es pautadas por movimentos de oposi&ccedil;&atilde;o ao processo de moderniza&ccedil;&atilde;o da agricultura que se intensificou na segunda metade do s&eacute;culo XX. Essa moderniza&ccedil;&atilde;o tem sido respons&aacute;vel pelo aumento das contamina&ccedil;&otilde;es causadas pelos agrot&oacute;xicos, descontrole das pragas e doen&ccedil;as, degrada&ccedil;&atilde;o dos solos e dos recursos h&iacute;dricos, entre outros danos. Pouco a pouco, o debate ampliou-se para consequ&ecirc;ncias sociais do modelo de desenvolvimento vigente, como a concentra&ccedil;&atilde;o de terra que leva &agrave; pobreza e exclus&atilde;o no campo, &agrave; precariza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es do trabalho e, por fim, ao &ecirc;xodo rural. Enquanto movimento, a agroecologia ganhou for&ccedil;a nos anos 2000 com a realiza&ccedil;&atilde;o do I Encontro Nacional de Agroecologia (I ENA) e a constru&ccedil;&atilde;o da Articula&ccedil;&atilde;o Nacional de Agroecologia (ANA).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em meio a consensos e dissensos, ao longo desse per&iacute;odo, emergiu no pa&iacute;s um novo processo pol&iacute;tico. As organiza&ccedil;&otilde;es que iniciaram seu trabalho no campo agroecol&oacute;gico, passaram a incorporar, mesmo que tangencialmente, uma abordagem de g&ecirc;nero. Por sua vez, as organiza&ccedil;&otilde;es feministas mesmo com origem urbana, ao se depararem com a realidade rural, passaram a incorporar a agroecologia em suas abordagens de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O termo agroecologia aqui descrito diz respeito, por um lado, a uma ci&ecirc;ncia e, por outro, a um movimento social, reunindo uma vis&atilde;o hol&iacute;stica e um enfoque sist&ecirc;mico. N&atilde;o se trata apenas de uma forma de praticar agricultura, nem t&atilde;o somente ao uso de tecnologias que n&atilde;o agridam ao meio ambiente. Sua proposta &eacute;, sobretudo, a partir da agricultura familiar romper com o modelo hegem&ocirc;nico de desenvolvimento rural baseado no monocultivo, no latif&uacute;ndio, no agroneg&oacute;cio que formam a base do modelo capitalista de desenvolvimento rural gerador de exclus&atilde;o social (1).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da mesma forma, o feminismo aqui abordado tamb&eacute;m est&aacute; relacionado a uma teoria e a um movimento que se retroalimentam e, de v&aacute;rias formas, p&otilde;e em relevo a opress&atilde;o que o g&ecirc;nero masculino exerce sobre o g&ecirc;nero feminino (2). Essa abordagem questiona o papel de subordina&ccedil;&atilde;o da mulher e os v&aacute;rios outros tipos de opress&atilde;o social que ela enfrenta. O feminismo traz uma valiosa contribui&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica sobre o conceito de patriarcado, revelando sua raiz hist&oacute;rica. Apesar de v&aacute;rias mudan&ccedil;as sociais e legais que beneficiaram as mulheres nos &uacute;ltimos anos, o patriarcado, que herda um passado de opress&atilde;o de classe e uma cultura escravocrata, ainda &eacute; muito presente na sociedade brasileira. Com isso o desrespeito aos direitos das mulheres ainda &eacute; pr&aacute;tica cotidiana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, os termos agroecologia e feminismo, trazidos por este artigo, se colocam dentro de projetos de transforma&ccedil;&otilde;es sociais amplas, que levam a novos entendimentos e novas concep&ccedil;&otilde;es sobre cidadania, democracia, pol&iacute;tica e pobreza. Ambos s&atilde;o tanto teorias cr&iacute;ticas quanto movimentos sociais e alimentam, e s&atilde;o alimentados, por viv&ecirc;ncias concretas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AGROECOLOGIA E AS MULHERES AGRICULTORAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; agricultura camponesa, a agroecologia se expressa como um movimento de resist&ecirc;ncia ao modelo de desenvolvimento em vigor e seus problemas sociais, culturais, ambientais e econ&ocirc;micos. Representa uma luta dos/as camponeses/as pela autonomia frente ao capital e ao agroneg&oacute;cio.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isto por si deveria conferir aos processos agroecol&oacute;gicos um car&aacute;ter emancipat&oacute;rio para todas as pessoas. Todavia, ao aprofundar essa an&aacute;lise com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; condi&ccedil;&atilde;o da mulher agricultora, observamos que esse car&aacute;ter emancipat&oacute;rio deixa a desejar. Ou seja, muitas vezes os projetos e iniciativas com uma perspectiva agroecol&oacute;gica n&atilde;o avan&ccedil;am em suas propostas de emancipa&ccedil;&atilde;o das mulheres camponesas, que, na maioria das vezes, s&atilde;o desprovidas de poder dentro e fora de suas fam&iacute;lias. Pacheco (3) destaca a import&acirc;ncia que a perspectiva de g&ecirc;nero tem nas discuss&otilde;es sobre as pol&iacute;ticas que incluem sistemas de produ&ccedil;&atilde;o. A autora enfatiza a sua aus&ecirc;ncia dessa perspectiva afirmando que:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>(...) a invisibilidade do trabalho das mulheres agricultoras &eacute; antes que nada uma quest&atilde;o pol&iacute;tica. Os "sil&ecirc;ncios" sobre as mulheres requerem outra matriz de an&aacute;lise que parta dos ecossistemas e sistemas de produ&ccedil;&atilde;o, da amplia&ccedil;&atilde;o do conceito de trabalho e produtivo, em articula&ccedil;&atilde;o com a quest&atilde;o da diversidade social, como constitutiva de uma vis&atilde;o de agricultura sustent&aacute;vel que relacione g&ecirc;nero e agroecologia. O debate continua em aberto. (3, p.11) (Pacheco, 1997, p. 11)</blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A perspectiva agroecol&oacute;gica tem demonstrado potencial de abrir espa&ccedil;os para que as mulheres agricultoras enfrentem sua condi&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade e, neste sentido, conquistem mais poderes nas esferas pessoal, produtiva, familiar e pol&iacute;tica. Entretanto, o trabalho com a agroecologia, por si s&oacute;, n&atilde;o &eacute; suficiente para que a desvaloriza&ccedil;&atilde;o e a invisibilidade das mulheres sejam suficientemente problematizadas. Neste sentido, o di&aacute;logo entre as perspectivas agroecol&oacute;gica e feminista &eacute; um importante caminho para o enfrentamento pol&iacute;tico sobre alguns dos dilemas vivenciados pelas mulheres no meio rural.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mulheres agricultoras s&atilde;o desprovidas de poder porque enfrentam uma "dupla depend&ecirc;ncia". A primeira depend&ecirc;ncia est&aacute; relacionada ao fato de serem camponesas e, historicamente, o campesinato &eacute; um grupo cuja inser&ccedil;&atilde;o social se d&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es subordinadas em rela&ccedil;&atilde;o ao conjunto da sociedade. Ser campon&ecirc;s em uma sociedade industrializada e urbanizada est&aacute; associado ao atraso, &agrave; ignor&acirc;ncia, ao apego &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o, ao conservadorismo. Significa, nesse contexto, n&atilde;o ser moderno e, portanto, ser inferior. E a segunda depend&ecirc;ncia est&aacute; relacionada ao fato de serem mulheres imersas em rela&ccedil;&otilde;es familiares desiguais e hier&aacute;rquicas, onde a opress&atilde;o feminina &eacute; naturalizada (4).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Siliprandi (5) questiona a exist&ecirc;ncia da fam&iacute;lia idealizada - monol&iacute;tica e harm&ocirc;nica - pela sociedade. A autora afirma que nem todos os membros da fam&iacute;lia contribuem para o &ecirc;xito do empreendimento familiar da mesma forma, nem todos t&ecirc;m os mesmos objetivos e estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o. Essa fam&iacute;lia &eacute; uma fic&ccedil;&atilde;o e se ela existe, em alguns contextos, n&atilde;o ser&aacute; sem tens&otilde;es (6). Existem fatores, inclusive la&ccedil;os afetivos, que fazem com que as pessoas colaborem dentro da fam&iacute;lia. Por&eacute;m, existem tamb&eacute;m for&ccedil;as que levam as pessoas a competirem entre si, tudo isso permeado por rela&ccedil;&otilde;es de poder historicamente constru&iacute;das (7). A perpetua&ccedil;&atilde;o dessa situa&ccedil;&atilde;o se apoia em aspectos materiais, institucionais e, n&atilde;o raro, sacramentado em leis (8). Sem o questionamento sobre a fam&iacute;lia idealizada, parte das organiza&ccedil;&otilde;es que trabalha com a agroecologia acredita que, ao trabalhar com a fam&iacute;lia, est&atilde;o trabalhando com a perspectiva emancipat&oacute;ria para as mulheres. Naturaliza-se o fato de que trabalhar a "fam&iacute;lia como um todo" &eacute; o mesmo que trabalhar com "todos os membros da fam&iacute;lia". Na pr&aacute;tica, as mulheres n&atilde;o usufruem dos mesmos direitos dos homens por ser membro da fam&iacute;lia (9). Tratar monoliticamente as fam&iacute;lias oculta as rela&ccedil;&otilde;es desiguais de poder que as mulheres agricultoras sofrem em suas rela&ccedil;&otilde;es familiares.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PROCESSO DE APROXIMA&Ccedil;&Atilde;O ENTRE O FEMINISMO E A AGROECOLOGIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A aproxima&ccedil;&atilde;o entre o feminismo e a agroecologia se confunde com a pr&oacute;pria hist&oacute;ria das lutas feministas, que no Nordeste foram protagonizadas por organiza&ccedil;&otilde;es como a Casa da Mulher do Nordeste (CMN), em Pernambuco, o Centro Feminista Oito de Mar&ccedil;o (CF8), no Rio Grande do Norte, e o Cunh&atilde; Coletivo Feminista, na Para&iacute;ba.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n2/a13fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil a luta feminista surgiu no final dos anos de 1970, durante a redemocratiza&ccedil;&atilde;o, influenciada pelos movimentos feministas europeu e estadunidense fortemente baseado em quest&otilde;es de sa&uacute;de e direitos reprodutivos. A emancipa&ccedil;&atilde;o pelo corpo feminino era um debate relevante. Na &eacute;poca, crescia no pa&iacute;s o lema "nosso corpo nos pertence", uma das principais bandeiras do movimento internacional de mulheres. Em um segundo momento, a emancipa&ccedil;&atilde;o das mulheres passou a incorporar tamb&eacute;m sua autonomia econ&ocirc;mica. Essa discuss&atilde;o envolveu parte das pessoas que constitu&iacute;ram, em 1980, a Casa da Mulher do Nordeste. Pouco a pouco, no campo, crescia a necessidade de dar visibilidade &agrave;s experi&ecirc;ncias protagonizadas pelas mulheres (10).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A redemocratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s fez crescer a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na esfera p&uacute;blica. Al&eacute;m disso, o pr&oacute;prio Estado criou in&uacute;meras secretarias e coordenadorias que ampliaram as pol&iacute;ticas da agricultura familiar como um todo com rebatimentos positivos sobre as mulheres rurais. Parte dessas pol&iacute;ticas j&aacute; foram fruto das reivindica&ccedil;&otilde;es dos diferentes movimentos de mulheres e organiza&ccedil;&otilde;es feministas e agroecol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo diante do ac&uacute;mulo desse debate, o I Encontro Nacional de Agroecologia, realizado em 2002, n&atilde;o considerou a centralidade da pauta dos movimentos das mulheres e, por isso, o evento acabou por se tornar um marco para a aproxima&ccedil;&atilde;o dos dois movimentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Realizado em um contexto de revis&atilde;o de pol&iacute;ticas neoliberais e amplia&ccedil;&atilde;o das demandas sociais, o evento teve fundamental apoio do governo federal, al&eacute;m das entidades de coopera&ccedil;&atilde;o internacional que historicamente apoiavam as organiza&ccedil;&otilde;es l&iacute;deres nas esferas agroecol&oacute;gica e feminista. Criaram-se, assim, as condi&ccedil;&otilde;es para uma intensa troca de experi&ecirc;ncias entre agricultores e agricultoras de v&aacute;rias partes do pa&iacute;s, com apresenta&ccedil;&atilde;o de 432 iniciativas agroecol&oacute;gicas protagonizadas por agricultores e agricultoras de base familiar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A presen&ccedil;a de mulheres, no entanto, ficou aqu&eacute;m do esperado. Apenas 297 em um total de 1.100 participantes. J&aacute; de partida, essa propor&ccedil;&atilde;o despertou um intenso debate, uma vez que 27% n&atilde;o refletia o n&iacute;vel de envolvimento das mulheres em experi&ecirc;ncias agroecol&oacute;gicas nas comunidades. Ademais, a metodologia do I ENA contemplava oficinas tem&aacute;ticas sobre temas relevantes do movimento agroecol&oacute;gico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma dessas oficinas referia-se "&agrave; quest&atilde;o de g&ecirc;nero no desenvolvimento agroecol&oacute;gico". A inclus&atilde;o desse tema na programa&ccedil;&atilde;o representou a tentativa de demonstrar sua relev&acirc;ncia como tema transversal para o conjunto de participantes do movimento agroecol&oacute;gico. Entretanto, a oficina com esse tema teve somente a participa&ccedil;&atilde;o de 3 (tr&ecirc;s) homens, refor&ccedil;ando a ideia de que as quest&otilde;es de g&ecirc;nero estavam somente relacionadas &agrave;s mulheres, uma ideia fortemente criticada no &acirc;mbito do feminismo. Em fun&ccedil;&atilde;o disso, o grupo participante tomou a iniciativa de dissolver-se e distribuir-se em outros temas, um ato pol&iacute;tico marcante durante o evento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com isso, tornou-se clara a reflex&atilde;o de que a decis&atilde;o de ter formatado um espa&ccedil;o exclusivo para a discuss&atilde;o de g&ecirc;nero, n&atilde;o possibilitaria sua intera&ccedil;&atilde;o com as demais oficinas tem&aacute;ticas. Esse mesmo grupo tamb&eacute;m elaborou uma carta, lida na plen&aacute;ria final do encontro, expressando que, tanto a discuss&atilde;o do pr&oacute;prio grupo, quanto as discuss&otilde;es dos demais grupos, tinham sido prejudicadas com a metodologia prevista de criar um espa&ccedil;o espec&iacute;fico para a tem&aacute;tica g&ecirc;nero no desenvolvimento agroecol&oacute;gico. Esse epis&oacute;dio dentro do I ENA desencadeou um processo de articula&ccedil;&atilde;o no sentido de incorporar a quest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais de g&ecirc;nero na pauta pol&iacute;tica do movimento agroecol&oacute;gico na fase p&oacute;s evento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro desdobramento desse encontro foi a cria&ccedil;&atilde;o da Articula&ccedil;&atilde;o Nacional de Agroecologia (ANA), onde participariam um conjunto de movimentos, pesquisadores/as, redes e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. Essa articula&ccedil;&atilde;o vem ent&atilde;o ampliando o debate de temas mobilizadores, valorizando as din&acirc;micas regionais existentes, al&eacute;m das experi&ecirc;ncias concretas de promo&ccedil;&atilde;o da agroecologia. Esse trabalho tem influenciado a formula&ccedil;&atilde;o de propostas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, levando tamb&eacute;m a uma aproxima&ccedil;&atilde;o do governo com a sociedade civil organizada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na estrutura de funcionamento da ANA, foram criados grupos de trabalho (GTs) sobre os temas de: cr&eacute;dito, certifica&ccedil;&atilde;o participativa e assessoria t&eacute;cnica e extens&atilde;o rural (Ater). Foi uma decis&atilde;o pol&iacute;tica das mulheres n&atilde;o criar um GT de mulheres nesse momento, e sim atuar nos demais GTs.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A CONSTITUI&Ccedil;&Atilde;O DOS GT-MULHERES DA ANA E GT-G&Ecirc;NERO DA ABA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Logo ap&oacute;s o I ENA, fortalecia-se o debate sobre a possibilidade de forma&ccedil;&atilde;o de um grupo espec&iacute;fico de mulheres para tratar a tem&aacute;tica de g&ecirc;nero, todavia n&atilde;o se chegou a nenhuma proposta concreta de imediato, visto que algumas pessoas tinham o receio de que a cria&ccedil;&atilde;o de um GT sobre g&ecirc;nero viesse a refor&ccedil;ar a separa&ccedil;&atilde;o entre g&ecirc;nero e os demais temas, como havia acontecido no I ENA. Naquele momento, o passo mais importante para incorporar a perspectiva de g&ecirc;nero na ANA era ampliar e qualificar o envolvimento de mulheres de v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es, nos GTs constitu&iacute;dos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa estrat&eacute;gia manteve-se viva por um conjunto de grupos e organiza&ccedil;&otilde;es que possu&iacute;am ac&uacute;mulo simult&acirc;neo em discuss&otilde;es de g&ecirc;nero e de agroecologia, notadamente o grupo de trabalho de g&ecirc;nero e agroecologia da regi&atilde;o Sudeste, a Rede Economia e Feminismo (REF), al&eacute;m da ONG Fase.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2004, essas mesmas entidades animaram a realiza&ccedil;&atilde;o do I Semin&aacute;rio Nacional sobre G&ecirc;nero e Agroecologia. A estrat&eacute;gia de incorpora&ccedil;&atilde;o do enfoque de g&ecirc;nero na ANA configurou-se o principal ponto de debate do semin&aacute;rio. Se, por um lado, a cria&ccedil;&atilde;o de um GT espec&iacute;fico sobre g&ecirc;nero apresentava riscos de refor&ccedil;ar uma fragmenta&ccedil;&atilde;o, por outro lado, avaliou-se que o GT poderia se tornar uma importante estrat&eacute;gia de fortalecimento desse debate na ANA. Assim, nascia o GT G&ecirc;nero da ANA que, mais tarde, veio a se chamar GT Mulheres da ANA.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; preciso destacar que a cria&ccedil;&atilde;o desse GT n&atilde;o significava um retrocesso em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cr&iacute;tica sobre a metodologia do primeiro ENA, que criara um espa&ccedil;o de segrega&ccedil;&atilde;o para as mulheres. Ao contr&aacute;rio disso, esse GT nasceu como um espa&ccedil;o de auto-organiza&ccedil;&atilde;o exclusivamente das mulheres para qualificar sua participa&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os na ANA (GTs, n&uacute;cleo executivo, coordena&ccedil;&atilde;o dos ENAs) e al&eacute;m da ANA (Consea, Comit&ecirc; Gestor do Programa de Organiza&ccedil;&atilde;o Produtiva das Mulheres Rurais, Anater, Confer&ecirc;ncias Nacionais de Ater e Desenvolvimento Rural Sustent&aacute;vel etc). Hoje consideram-se v&aacute;rios outros espa&ccedil;os – Marcha das Margaridas, Rede Ater, Minist&eacute;rio de Desenvolvimento Agr&aacute;rio, entre outros – como essenciais para a discuss&atilde;o da agroecologia e o feminismo. Estrategicamente, o GT promove reuni&otilde;es ampliadas antes dos eventos mais relevantes para a agroecologia, para que as mulheres possam se distribuir em grupos tem&aacute;ticos diversos (11) (Cardoso, 2015).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O GT Mulheres da ANA abriu um caminho de di&aacute;logo entre as organiza&ccedil;&otilde;es que j&aacute; assessoravam os grupos de mulheres atuantes no campo agroecol&oacute;gico com as organiza&ccedil;&otilde;es feministas, tais como: Sempreviva Organiza&ccedil;&atilde;o Feminista, SOS-Corpo, Casa da Mulher do Nordeste e Centro Feminista 8 de Mar&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De 2004 at&eacute; o momento, o GT mulheres da ANA tem se nutrido da experi&ecirc;ncia de base protagonizadas por mulheres e da discuss&atilde;o qualificada das organiza&ccedil;&otilde;es feministas e agroecol&oacute;gicas. O di&aacute;logo do GT com a ANA como um todo n&atilde;o &eacute; livre de tensionamentos, mas cada vez se reconhece mais que h&aacute; muitos pontos de converg&ecirc;ncia. As trocas de aprendizagens entre as mulheres que atuam com perspectivas agroecol&oacute;gicas e feministas tem sido a chave para o crescimento da sinergia entre esses campos na Articula&ccedil;&atilde;o Nacional da Agroecologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) foi realizado em 2003. Organizado pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Agroecologia (ABA Agroecologia), o CBA acontece a cada dois anos, reunindo institui&ccedil;&otilde;es de ensino, pesquisa e extens&atilde;o, al&eacute;m da sociedade civil organizada envolvida com as demandas da agricultura familiar. Inicialmente pensado como espa&ccedil;o de valoriza&ccedil;&atilde;o da pesquisa acad&ecirc;mica em agroecologia, o CBA vem se constituindo como espa&ccedil;o de di&aacute;logo entre os conhecimentos cient&iacute;ficos e pr&aacute;ticos no &acirc;mbito da agricultura familiar e agroecol&oacute;gica tanto no Brasil, quanto no mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi a partir das demandas da pr&oacute;pria ABA, que se iniciaram as discuss&otilde;es para qualificar o debate de g&ecirc;nero nos CBAs. Isso abriu caminhos para que o GT Mulheres da ANA passasse a ter uma incid&ecirc;ncia nos CBAs. Mas foi somente em 2011, no VII CBA, que se formou o GT-G&ecirc;nero.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com forte influ&ecirc;ncia do GT Mulheres da ANA, o GT-G&ecirc;nero da ABA vem colocando enfaticamente no meio acad&ecirc;mico a import&acirc;ncia da converg&ecirc;ncia entre o feminismo e a agroecologia. Tal qual a experi&ecirc;ncia vivida na ANA, esse debate n&atilde;o tem se realizado sem tensionamentos. Diverg&ecirc;ncias acerca do pr&oacute;prio conceito de agroecologia na academia acirram os debates.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um marco desse acirramento ocorreu no VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia, em 2013, cujos enfrentamentos deram for&ccedil;a &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o do slogan "sem feminismo n&atilde;o h&aacute; agroecologia", adotado por muitas mulheres nesse campo. Isso tem gerado importantes reflex&otilde;es sobre o significado pol&iacute;tico do termo agroecologia na vida das pessoas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>QUEST&Otilde;ES LEVANTADAS A PARTIR DA TRAJET&Oacute;RIA DE APROXIMA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Percebe-se que, a partir da realiza&ccedil;&atilde;o do I ENA, v&aacute;rios eventos e processos ilustram a aproxima&ccedil;&atilde;o entre os dois movimentos. Ainda que tenham ocorrido diverg&ecirc;ncias, os avan&ccedil;os s&atilde;o indicadores das converg&ecirc;ncias e aprendizados m&uacute;tuos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, o que se viu foi que o maior esfor&ccedil;o para essa aproxima&ccedil;&atilde;o partiu dos movimentos de mulheres e das organiza&ccedil;&otilde;es feministas. Ora sob olhar reticente e resist&ecirc;ncias dos homens ora mais acolhidas. Mas, sempre partem delas as iniciativas e propostas de discuss&otilde;es relativas &agrave;s mulheres na composi&ccedil;&atilde;o das pautas de encontros, semin&aacute;rios, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O resultado do encontro da agroecologia com o feminismo tem um efeito sin&eacute;rgico no enfrentamento de dilemas vivenciados pelas mulheres no meio rural, ampliando os alcances tanto da agroecologia quanto do feminismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao valorizar o conhecimento local, a perspectiva agroecol&oacute;gica revela a import&acirc;ncia das mulheres na constru&ccedil;&atilde;o de sistemas agroflorestais, quintais, hortas, manejo da cria&ccedil;&atilde;o de animais, entre outros sistemas produtivos. Introduzir o feminismo na constru&ccedil;&atilde;o do campo agroecol&oacute;gico contribui na amplia&ccedil;&atilde;o do enfoque para al&eacute;m das quest&otilde;es tecnol&oacute;gicas, produtivas e ambientais. As quest&otilde;es sociais ganham evid&ecirc;ncia, incluindo a busca da justi&ccedil;a e equidade nas rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; consenso de que tais rela&ccedil;&otilde;es injustas e desiguais s&atilde;o socialmente constru&iacute;das e, portanto, podem e devem ser socialmente desconstru&iacute;das. Por isso, o feminismo se nutre dos debates acerca da soberania alimentar, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas rurais e sustentabilidade ambiental apresentados pela agroecologia. Dessa forma, a agroecologia passa a ser um instrumento a mais para essa desconstru&ccedil;&atilde;o, a partir do processo de empoderamento das mulheres.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O feminismo e a agroecologia, quando trabalhados de forma integrada, podem retirar as mulheres de v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es de opress&atilde;o, a saber: (i) proibi&ccedil;&otilde;es &agrave; pr&aacute;tica da agricultura sem agrot&oacute;xicos e adubos qu&iacute;micos; (ii) proibi&ccedil;&otilde;es &agrave; participa&ccedil;&atilde;o em atividades coletivas, tais como reuni&otilde;es e interc&acirc;mbios; (iii) proibi&ccedil;&otilde;es &agrave; vida econ&ocirc;mica e acesso a mercado, tais como inser&ccedil;&atilde;o em feiras e mercados institucionais; (iv) proibi&ccedil;&otilde;es &agrave; participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, reinvindica&ccedil;&atilde;o de direitos e acesso a pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, como cr&eacute;ditos agr&iacute;colas. Desta forma a integra&ccedil;&atilde;o das duas perspectivas ajuda no enfrentamento da naturaliza&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es sociais injustas, nos quais o papel das mulheres &eacute; tornado invis&iacute;vel.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aproxima&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es que trabalhavam no meio rural numa perspectiva agroecol&oacute;gica com organiza&ccedil;&otilde;es feministas surgidas em um contexto urbano, contribuiu para que o feminismo tivesse uma maior clareza sobre a realidade do meio rural. Dentre essas contribui&ccedil;&otilde;es est&aacute; a dimens&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no campo, como o acesso &agrave; terra, incluindo a luta pelo t&iacute;tulo da terra e o direito ao cr&eacute;dito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como exemplo, tem-se a cria&ccedil;&atilde;o do Pronaf Mulher, fruto da luta das mulheres, que criou mecanismos espec&iacute;ficos para sua aplica&ccedil;&atilde;o em moldes agroecol&oacute;gicos, incorporando a reflex&atilde;o sobre a opress&atilde;o sofrida pelas mulheres. Assim, a aplica&ccedil;&atilde;o do Pronaf Mulher &eacute; discutida por organiza&ccedil;&otilde;es feministas que prestam assessoria t&eacute;cnica &agrave;s agricultoras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A agroecologia representa uma ruptura com o paradigma convencional da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, altamente machista. A valoriza&ccedil;&atilde;o do conhecimento local, especialmente das mulheres, na abordagem agroecol&oacute;gica facilita a introdu&ccedil;&atilde;o dos temas do feminismo no &acirc;mbito rural.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A agroecologia vem ajudando a ampliar o olhar ambiental e pol&iacute;tico do feminismo. Temas como as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e os transg&ecirc;nicos, comuns na agroecologia, passaram a compor os debates feministas. Outros temas, como os quintais produtivos e seguran&ccedil;a alimentar, eram vistos com desconfian&ccedil;a pelas feministas que os associavam a uma extens&atilde;o do trabalho dom&eacute;stico atribu&iacute;do &agrave; mulher, refor&ccedil;ando o seu lugar dentro das cozinhas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A medida que foi se estreitando a aproxima&ccedil;&atilde;o entre as organiza&ccedil;&otilde;es feministas e as agroecol&oacute;gicas, passou-se a compreender a import&acirc;ncia hist&oacute;rica das mulheres na agroecologia, e o quanto elas ainda t&ecirc;m a contribuir na constru&ccedil;&atilde;o desse conhecimento. &Eacute; fundamental que esse conhecimento venha &agrave; tona como constru&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica das mulheres. Esta valoriza&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para garantir que isso n&atilde;o lhes seja expropriado pelos homens em sistemas economicamente patriarcais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A agroecologia permitiu ao feminismo refor&ccedil;ar o trabalho com gera&ccedil;&atilde;o de renda das mulheres, ao combinar elementos como a valoriza&ccedil;&atilde;o dos alimentos locais (caprinos, plantas medicinais, mel, hortali&ccedil;as etc) com o acesso ao mercado. Esse trabalho passa pelo desenvolvimento de sistemas agroecol&oacute;gicos em quintais produtivos (hortas e pomares), beneficiamentos em compotas, doces e queijos (12) (CMN/CMC, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A sinergia gerada por essa aproxima&ccedil;&atilde;o tem feito surgir outros temas relevantes para ambos os movimentos. Dentre eles est&aacute; a demanda por uma assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica espec&iacute;fica feminista e agroecol&oacute;gica. Essa experi&ecirc;ncia ainda embrion&aacute;ria, surgiu no &acirc;mbito das entidades de Ater agroecol&oacute;gicas. As sistematiza&ccedil;&otilde;es e interc&acirc;mbios das experi&ecirc;ncias e a valoriza&ccedil;&atilde;o do conhecimento local, s&atilde;o uma base importante para a sua evolu&ccedil;&atilde;o. Essas novas modalidades de Ater est&atilde;o diretamente relacionadas ao acesso aos mercados institucionais, &agrave;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e &agrave; maior participa&ccedil;&atilde;o e filia&ccedil;&atilde;o feminina nos sindicatos de trabalhadores/as rurais (STRs). Estes s&atilde;o importantes passos para o in&iacute;cio de um processo de empoderamento das mulheres (13) (MMC Brasil, 2004).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONCLUS&Atilde;O </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s cerca de 20 anos de trabalho, forma&ccedil;&otilde;es, publica&ccedil;&otilde;es, encontros, cria&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es feministas-agroecol&oacute;gicas, de setoriais de mulheres em diversas redes, movimentos e sindicados, j&aacute; h&aacute; um certo consenso em torno da import&acirc;ncia da aproxima&ccedil;&atilde;o entre a agroecologia e o feminismo. Considera-se essencial a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres nos espa&ccedil;os de decis&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o do movimento agroecol&oacute;gico. Entretanto, ainda h&aacute; necessidade de se monitorar constantemente essa participa&ccedil;&atilde;o para que esses avan&ccedil;os n&atilde;o retrocedam.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O reconhecimento das lutas das mulheres e, sobretudo, do feminismo na agroecologia n&atilde;o &eacute; fluido. Demanda um esfor&ccedil;o dos homens no sentido de compreender e contribuir para a altera&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;rica desigualdade enfrentada pelas mulheres. Mas, sobretudo, demanda um esfor&ccedil;o das mulheres para desnaturalizar a concep&ccedil;&atilde;o de que as suas ideias e seus trabalhos t&ecirc;m menos valor do que as dos homens. Isto implica em um despertar das pr&oacute;prias mulheres, uma vez que est&atilde;o inseridas numa sociedade machista e patriarcal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A trajet&oacute;ria de aproxima&ccedil;&atilde;o apresentada ao longo deste trabalho mostra que as mulheres constantemente precisam lutar para evidenciar o valor do seu trabalho. Isto n&atilde;o difere os ambientes feministas tradicionais da discuss&atilde;o na agroecologia. Muitas mulheres que trabalham diariamente na produ&ccedil;&atilde;o agroecol&oacute;gica s&atilde;o invisibilizadas em favor da valoriza&ccedil;&atilde;o exclusiva do trabalho masculino. Ou, em uma situa&ccedil;&atilde;o ainda pior, atribui-se aos homens o cr&eacute;dito do que foi de fato fruto do esfor&ccedil;o das mulheres.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, a quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra a mulher &eacute;, muitas vezes, naturalizada no meio rural. H&aacute; casos at&eacute; de que, em nome de uma prote&ccedil;&atilde;o da imagem positiva de alguns agricultores referenciais em agroecologia, epis&oacute;dios de viol&ecirc;ncia sejam sistematicamente omitidos. Ainda neste tema, muitas organiza&ccedil;&otilde;es da agroecologia tratam com receio da viol&ecirc;ncia contra a mulher, alegando n&atilde;o ter as compet&ecirc;ncias e capacidades para enfrentar essa quest&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se, por um lado, a abordagem agroecol&oacute;gica, com tratamento monol&iacute;tico das fam&iacute;lias n&atilde;o garante a emancipa&ccedil;&atilde;o da mulher, por outro, pode-se afirmar que n&atilde;o h&aacute; completude agroecol&oacute;gica em experi&ecirc;ncias cuja emancipa&ccedil;&atilde;o da mulher n&atilde;o esteja em perspectiva, e que n&atilde;o se insira um enfrentamento das estruturas do patriarcado. Assim, s&oacute; haver&aacute; agroecologia na medida em que forem introduzidas as quest&otilde;es do feminismo na pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o do fazer agroecol&oacute;gico, que deve estar presente em todos os seus n&iacute;veis, desde o cotidiano das experi&ecirc;ncias de campo at&eacute; a pesquisa em agroecologia, passando pela assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e formula&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria estimulada pelas perspectivas feministas e agroecol&oacute;gicas representa o in&iacute;cio de um processo de emancipa&ccedil;&atilde;o, que muda a vida das mulheres agricultoras, abrindo caminhos, trazendo autonomia e poder de decis&atilde;o. Verifica-se que todas as mulheres que iniciam uma participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, tem a preocupa&ccedil;&atilde;o de socializar suas aprendizagens e li&ccedil;&otilde;es com as outras mulheres que as cercam. Essa pr&aacute;tica se d&aacute; sob o argumento de que juntas ganham for&ccedil;a e se apoiam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, &eacute; importante destacar que a trajet&oacute;ria de aproxima&ccedil;&atilde;o da agroecologia com o feminismo, incluindo seus alcances, n&atilde;o seria poss&iacute;vel sem a participa&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico. Neste sentido, o atual contexto pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico nacional, que tem em perspectiva a diminui&ccedil;&atilde;o do papel do Estado e constri&ccedil;&atilde;o de gastos sociais, representa uma forte amea&ccedil;a aos alcances registrados ao longo da trajet&oacute;ria descrita neste artigo. Sinais desses retrocessos j&aacute; se fazem notar com a extin&ccedil;&atilde;o do MDA, com a mudan&ccedil;a de status da secretaria especial da mulher, al&eacute;m de uma significativa redu&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o de mulheres em escal&otilde;es do governo e o ressurgimento da figura decorativa de primeira dama.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Sevilla Guzm&aacute;n, E. . <i>De la sociolog&iacute;a rural a la agroecolog&iacute;a. </i>C&oacute;rdoba: Icaria Editorial, 2006.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Amor&oacute;s, C. &amp; De Miguel, A. . <i>Teor&iacute;a feminista: de la ilustraci&oacute;n a la globalizaci&oacute;n. </i>Madri: Minerva Ediciones. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Pacheco, M. . "Sistemas de produ&ccedil;&atilde;o: uma perspectiva de g&ecirc;nero". <i>Revista Proposta - Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, 25</i>(71). 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Ferreira, A. P. . <i>La import&acirc;ncia de la perspectiva feminista en el empoderamiento de las mujeres campesinas. </i>Universidad de C&oacute;rdoba e Universidad Internacional de Andaluc&iacute;a, Cordoba. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Siliprandi, E.. "O que se pensa, o que se faz, o que se diz: discursos sobre as mulheres rurais". <i>Educa&ccedil;&atilde;o em Debate, 2</i>(44), 106-110. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Agarwal, B.. <i>Engendering the environment debate: lessons from the Indian subcontinent</i> (Vol. vi). East Lansing, Michigan: Center for Advanced Study of International Development - Michigan State University. 1991.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Avila, M.. "Divis&atilde;o sexual do trabalho: desafio para a agroecologia". In: C. Silva, <i>Encontros poss&iacute;veis: feminismo e agroecologia</i> (1ª ed.). Recife: SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. SOS Corpo. . <i>Cadernos de Cr&iacute;ticas Feministas </i>(vols. V, nº 01). Recife: SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia. 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. CMN. <i>As rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero na agricultura familiar - diagn&oacute;stico do Paje&uacute;. </i>Casa da Mulher do Nordeste, Recife. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Ferreira, A. L.. <i>Acercamiento entre las perspectivas feminista y agroecol&oacute;gica potencializando procesos de empoderamiento de las mujeres rurales brasile&ntilde;as, desde el territorio del Paje&uacute;, Sert&atilde;o del Pernambuco. </i>C&oacute;rdoba. 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Cardoso, E. . <i>Hist&oacute;ria do processo de cria&ccedil;&atilde;o do GT-Mulheres da ANA. </i>2015.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. CMN/CMC. <i>Pr&aacute;ticas feministas: sistematiza&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias em meios de vida sustent&aacute;veis. </i>Casa da Mulher do Nordeste e Centro das Mulheres do Cabo, Recife. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. MMC Brasil. <i>Nenhuma trabalhadora rural sem documentos</i> (5ª ed.). MMC. 2004.    </font></p>      ]]></body><back>
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