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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A luta em defesa dos animais no Brasil: uma perspectiva histórica(1)]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> ENSAIOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A luta em defesa dos animais no Brasil: uma perspectiva hist&oacute;rica(1)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Natascha Stefania Carvalho de Ostos </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Historiadora, bolsista de p&oacute;s-doutorado j&uacute;nior do CNPq no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cachorros, gatos, cavalos e outros bichos s&atilde;o presen&ccedil;a constante nas redes sociais utilizadas pelos brasileiros. No Facebook, fotos e v&iacute;deos mostram animais interagindo com seus donos, provocando milhares de visualiza&ccedil;&otilde;es e "curtidas" por parte dos usu&aacute;rios. Em paralelo, Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o Governamentais (ONGs) em defesa dos animais s&atilde;o onipresentes na web, denunciando casos de maus-tratos e promovendo a ado&ccedil;&atilde;o de animais abandonados. O fen&ocirc;meno de populariza&ccedil;&atilde;o da chamada causa animal &eacute; confirmado por pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), que divulgou, em junho de 2015, a "Pesquisa Nacional de Sa&uacute;de", com dados coletados no ano de 2013. As informa&ccedil;&otilde;es obtidas evidenciam a import&acirc;ncia dos animais de estima&ccedil;&atilde;o na vida dos brasileiros:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>Em 2013, 44,3% dos domic&iacute;lios do pa&iacute;s possu&iacute;am pelo menos um cachorro, o equivalente a 28,9 milh&otilde;es de unidades domiciliares. &#91;...&#93; A popula&ccedil;&atilde;o de cachorros em domic&iacute;lios brasileiros foi estimada em 52,2 milh&otilde;es, o que indicou uma m&eacute;dia de 1,8 cachorro por domic&iacute;lio, considerando-se o conjunto de domic&iacute;lios com este animal. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a de gatos, 17,7% dos domic&iacute;lios possu&iacute;am pelo menos um, o equivalente a 11,5 milh&otilde;es de unidades domiciliares. &#91;...&#93; A popula&ccedil;&atilde;o de gatos em domic&iacute;lios brasileiros foi estimada em 22,1 milh&otilde;es, o que representa aproximadamente 1,9 gato por domic&iacute;lio com este animal. (2).</blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A imprensa deu grande destaque &agrave; pesquisa, pois ela evidenciava um detalhe curioso: existiam mais cachorros do que crian&ccedil;as nos domic&iacute;lios brasileiros, j&aacute; que o n&uacute;mero de crian&ccedil;as somava 44,9 milh&otilde;es (3). O certo &eacute; que, em nossa sociedade, o ativismo em defesa dos animais cresceu juntamente com o n&uacute;mero dos chamados pets, promovendo a ades&atilde;o de crian&ccedil;as e adultos &agrave; luta em favor dos direitos dos bichos, contra a crueldade e os maus-tratos a eles infligidos. Entretanto, a despeito da amplia&ccedil;&atilde;o desse engajamento nos dias de hoje, a luta em prol dos animais n&atilde;o &eacute; recente no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SOCIEDADES PIONEIRAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As primeiras leis de prote&ccedil;&atilde;o aos animais surgiram na Inglaterra, ao longo do s&eacute;culo XIX. Antes disso existiram restri&ccedil;&otilde;es &agrave; ca&ccedil;a, mas o intuito n&atilde;o era a prote&ccedil;&atilde;o dos bichos e sim garantir o privil&eacute;gio de ca&ccedil;a aos nobres (4). Na esteira da luta em defesa dos animais, foi criada, no ano de 1824, em Londres, a Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals. A partir de ent&atilde;o, postos da entidade inglesa e sociedades cong&ecirc;neres foram criados por toda a Europa e nos Estados Unidos (5). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, a pioneira foi a Uni&atilde;o Internacional Protetora dos Animais (Uipa), criada na cidade de S&atilde;o Paulo, em 1895, e que existe at&eacute; os dias de hoje. Composta por membros da elite paulista (pol&iacute;ticos, juristas, professores etc.), a sociedade teve como um dos seus fundadores Ign&aacute;cio Wallace da Gama Cochrane (1836-1912), que tamb&eacute;m participou da cria&ccedil;&atilde;o, em 1903, do Instituto Pasteur, de S&atilde;o Paulo, refer&ecirc;ncia no combate &agrave; raiva (6). A despeito de terem sido criadas outras organiza&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s, como por exemplo, a Sociedade Brasileira Protetora dos Animais (1907), no Rio de Janeiro, desde as primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX o estado de S&atilde;o Paulo se destacou na defesa dos animais, demonstrando um forte ativismo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v69n2/a18fig01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v69n2/a18fig01thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um exemplo, &eacute; a Sociedade Uni&atilde;o Infantil Protetora dos Animais (Suipa), que se estabeleceu em 1930 e que tinha como diferencial promover a causa animal por meio da educa&ccedil;&atilde;o infantil, o que se explica pela presen&ccedil;a marcante de professoras como s&oacute;cias e colaboradoras da organiza&ccedil;&atilde;o. Dentre as iniciativas da entidade figuravam dilig&ecirc;ncias em socorro aos animais abandonados, den&uacute;ncia &agrave;s autoridades em caso de maus-tratos, recolhimento de instrumentos que pudessem ferir os animais etc. Assim como a Uipa, a sociedade contou com a participa&ccedil;&atilde;o e o apoio de integrantes da elite paulista, garantindo, assim, espa&ccedil;o na m&iacute;dia impressa, fundamental para a divulga&ccedil;&atilde;o de suas iniciativas. (7). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Interessante notar que essas sociedades possu&iacute;am um alto grau de organiza&ccedil;&atilde;o e boa estrutura, mesmo se compararmos com as ONGs da atualidade. A Uipa dispunha de "hospital, cemit&eacute;rio e asilo zoophilos" (8), al&eacute;m de linhas telef&ocirc;nicas para receber den&uacute;ncias e pedidos de ajuda, com um n&uacute;mero exclusivo para o plant&atilde;o noturno. Nos casos mais graves, enviava socorristas em autom&oacute;vel para auxiliar animais de grande porte v&iacute;timas de acidentes, "&Agrave;s 7:30 da manh&atilde; de 13 do corrente, foi a U.I. Protetora dos Animais avisada que na Estrada de Santo Amaro n. 44, um burro tinha ca&iacute;do num po&ccedil;o. Dirigindo-se para l&aacute; o pessoal no carro de socorro &#91;...&#93; foi o burro retirado do po&ccedil;o, que era muito fundo e estreito, em boas condi&ccedil;&otilde;es "(9). Volunt&aacute;rios e empregados, dentre os quais veterin&aacute;rios, prestavam atendimento aos bichos cujos donos n&atilde;o podiam arcar com o tratamento, al&eacute;m de abrigar animais abandonados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, em que pese a causa comum partilhada entre os s&oacute;cios dessas entidades e a imagem de uni&atilde;o que gostavam de propagandear, existiram conflitos que chegaram a suscitar dissid&ecirc;ncias e at&eacute; acusa&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas em jornais da &eacute;poca. Assim &eacute; que, em raz&atilde;o de desentendimentos internos sobre a gest&atilde;o da Uipa, alguns dos seus membros abandonaram a associa&ccedil;&atilde;o e fundaram outra, chamada Sociedade Paulista Protetora dos Animais, em 1932, sob a alega&ccedil;&atilde;o de que aquela entidade "jamais cuidou dos verdadeiros fins zoophilos visados em seus estatutos, o que, por isso mesmo, nos obrigou a constituir uma nova sociedade" (10). Tais informa&ccedil;&otilde;es indicam a pujan&ccedil;a e o poder de mobiliza&ccedil;&atilde;o da causa animal no Brasil da d&eacute;cada de 1930, especialmente no estado de S&atilde;o Paulo, que assistiu &agrave; funda&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero significativo dessas entidades, todas formalmente constitu&iacute;das, com estatutos publicados no Di&aacute;rio Oficial do Estado, possuindo patrim&ocirc;nio e hierarquia funcional definidos. A capacidade de divulga&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o da luta em favor dos animais no Brasil se deveu muito &agrave;s estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o dessas organiza&ccedil;&otilde;es, sendo que algumas delas editavam seus pr&oacute;prios jornais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AS REVISTAS <i>AMIGO DOS ANIMAIS</i> E <i>ZOOPHILO PAULISTA</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A revista Amigo dos Animais era publicada mensalmente, em S&atilde;o Paulo, pela Sociedade Uni&atilde;o Infantil Protetora dos Animais, voltada para crian&ccedil;as e adolescentes. O peri&oacute;dico foi lan&ccedil;ado no in&iacute;cio de 1931 e contava com propagandas dirigidas a pais de crian&ccedil;as e donos de animais, estampando fotografias de crian&ccedil;as acompanhadas dos seus bichos de estima&ccedil;&atilde;o. Todas as edi&ccedil;&otilde;es anunciavam um concurso cultural orientado para meninos e meninas em idade escolar, propondo que elaborassem reda&ccedil;&atilde;o ou desenho sobre um tema. A publica&ccedil;&atilde;o se dizia adepta de uma educa&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica, mantendo se&ccedil;&otilde;es como "A escola da ro&ccedil;a" e "Conhecimentos &uacute;teis", buscando despertar n&atilde;o apenas o sentimento de amor aos animais, mas munir as crian&ccedil;as de informa&ccedil;&otilde;es que as capacitassem a compreender a utilidade das esp&eacute;cies existentes. Tratava-se, portanto, de formar cidad&atilde;os brasileiros esclarecidos e trabalhadores, de modo que a causa animal defendida pela revista integrava uma proposta de forma&ccedil;&atilde;o moral e pr&aacute;tica do homem brasileiro, com foco nas crian&ccedil;as, tidas como mais receptivas aos ensinamentos propostos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Por&eacute;m, para al&eacute;m do conte&uacute;do, a revista estava empenhada na mobiliza&ccedil;&atilde;o de educadores e da rede de ensino na campanha em prol dos animais. A publica&ccedil;&atilde;o tratou de firmar parcerias com escolas p&uacute;blicas, promovendo concursos para os alunos, distribuindo edi&ccedil;&otilde;es das revistas nos educand&aacute;rios, ministrando palestras, convocando os professores a direcionar as mat&eacute;rias de modo a informar as crian&ccedil;as sobre a necessidade de zelar pelos animais. Portanto, a revista possu&iacute;a uma estrat&eacute;gia editorial bem delimitada. Ao inv&eacute;s de investir na busca err&aacute;tica por um p&uacute;blico infantil pulverizado, os respons&aacute;veis pelo peri&oacute;dico procuraram as escolas p&uacute;blicas estaduais, que possu&iacute;am espa&ccedil;o estruturado, grande concentra&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e especialistas no trato infantil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> J&aacute; o peri&oacute;dico Zoophilo Paulista era editado mensalmente pela Uni&atilde;o Internacional Protetora dos Animais de S&atilde;o Paulo. A revista, criada no ano de 1919, comentava as experi&ecirc;ncias de prote&ccedil;&atilde;o aos animais em outros pa&iacute;ses, publicando artigos de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, sobre as qualidades enobrecedoras dos animais etc. Voltado para o p&uacute;blico adulto, o Zoophilo Paulista trazia maior diversidade de temas, como as condi&ccedil;&otilde;es do com&eacute;rcio dos animais, os procedimentos adotados nos abatedouros, debates sobre os direitos dos animais etc. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX as principais cidades do pa&iacute;s, particularmente Rio de Janeiro e S&atilde;o Paulo, passaram por profundas transforma&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas. Entre 1872 e 1920 a capital paulista saltou de 31 mil moradores para 580 mil (11), e com os recursos econ&ocirc;micos provenientes da atividade cafeeira expandiram-se servi&ccedil;os como ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, bondes el&eacute;tricos, abertura de vias, al&eacute;m do aumento do n&uacute;mero de autom&oacute;veis. Nessa transi&ccedil;&atilde;o, de um ambiente onde os animais eram fundamentais para o funcionamento da cidade para uma experi&ecirc;ncia temporal mais acelerada, ocorriam descompassos. Assim &eacute; que a revista Zoophilo Paulista enfatizava continuamente as mortes de animais por atropelamento, tanto por carros particulares como por bondes, denunciando a imprud&ecirc;ncia dos condutores e, ap&oacute;s o sinistro, o abandono dos bichos na via p&uacute;blica. Tais not&iacute;cias eram frequentemente acompanhadas por fotografias das cenas dos acidentes, expondo cavalos, burros e c&atilde;es mortos e feridos, focalizando sangue e at&eacute; v&iacute;sceras expostas. A crueza das imagens certamente tinha uma intencionalidade, sensibilizar o leitor para a brutalidade dos acidentes, evidenciar o sofrimento dos animais e a necessidade de evitar tais ocorr&ecirc;ncias. Na maioria dos relatos destacava-se a pronta atua&ccedil;&atilde;o da Uipa mas, dada a gravidade dos ferimentos, o resultado era quase sempre o sacrif&iacute;cio do animal, "vemos o animal da boleia sacrificado pelo veterin&aacute;rio da Uni&atilde;o Internacional Protetora dos Animais, por estar o muar com a barriga toda rasgada, pondo &agrave; vista o est&ocirc;mago muito perfurado, como mostra a fotografia. Ocasionou este desastre um auto-&ocirc;nibus" (12). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nota-se, portanto, que os impressos Amigo dos Animais e Zoophilo Paulista, mesmo que especializados no mesmo tema e publicados por sociedades protetoras, possu&iacute;am vi&eacute;s editorial diferenciado, cada qual priorizando um tipo de p&uacute;blico leitor e enfatizando aspectos distintos para alcan&ccedil;ar a meta de defesa dos animais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A necessidade de desenvolver estudos voltados para a investiga&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre os homens e os animais, ao longo do tempo, est&aacute; afinada com a preocupa&ccedil;&atilde;o da sociedade atual com a natureza. A hist&oacute;ria, sempre atenta ao presente, tem devotado esfor&ccedil;os importantes para a compreens&atilde;o das diversas representa&ccedil;&otilde;es da natureza constru&iacute;das pelo homem no tempo, ciente de que n&atilde;o existe apenas uma no&ccedil;&atilde;o de natureza e sim v&aacute;rias, produzidas no pr&oacute;prio devir hist&oacute;rico, pelas diferentes sociedades humanas (13). O Brasil, constantemente associado &agrave; uma natureza exuberante, ocupa o centro das discuss&otilde;es globais sobre o tema. Mas apesar da grande visibilidade do assunto nos dias de hoje, as reflex&otilde;es sobre o ambiente natural integram o campo intelectual e governamental brasileiro h&aacute; muito tempo, tendo mobilizado diversos sujeitos hist&oacute;ricos segundo os aportes sociais de cada conjuntura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas d&eacute;cadas de 1920, 1930 e 1940 as discuss&otilde;es sobre a necessidade de se estabelecer formas "racionais" e menos destrutivas de lidar com a natureza adquiriram grande for&ccedil;a e impulso no Brasil (14). Portanto, n&atilde;o &eacute; de se estranhar que tal per&iacute;odo tenha testemunhado a cria&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero significativo de sociedades protetoras dos animais. Essas entidades preocuparam-se predominantemente com os bichos domesticados, presentes na lida di&aacute;ria (cavalos, bois, burros) e com aqueles que, para al&eacute;m da utilidade, eram tidos como de estima&ccedil;&atilde;o, como c&atilde;es e gatos. Os animais ditos selvagens tamb&eacute;m mereceram considera&ccedil;&atilde;o, mas eram genericamente citados ao se admoestar a sociedade a respeitar as leis de ca&ccedil;a e pesca, no sentido de combater pr&aacute;ticas cru&eacute;is (como o uso de armadilhas), que pudessem causar sofrimento desnecess&aacute;rio. A proximidade com a realidade humana, principalmente na cidade, foi o par&acirc;metro para a maior ou menor aten&ccedil;&atilde;o que as sociedades, e as suas revistas, concederam aos diversos tipos de animais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O certo &eacute; que foi gra&ccedil;as &agrave; a&ccedil;&atilde;o e &agrave; press&atilde;o de tais organiza&ccedil;&otilde;es que foi promulgada, no ano de 1934, a primeira lei brasileira estabelecendo especificamente "medidas de prote&ccedil;&atilde;o aos animais" (15). A partir desse dispositivo legal todos os animais existentes no pa&iacute;s passaram a ser tutelados pelo Estado e os maus-tratos a eles dispensados tornaram-se pass&iacute;veis de gerar multas e at&eacute; pris&atilde;o. Assim, apesar da hist&oacute;ria dos movimentos de prote&ccedil;&atilde;o aos animais no Brasil ser um tema pouco estudado, ele pode ser de grande interesse para a sociedade contempor&acirc;nea, cada vez mais preocupada em problematizar as rela&ccedil;&otilde;es entre o homem e a natureza e as balizas &eacute;ticas dessa intera&ccedil;&atilde;o. A perspectiva hist&oacute;rica amplia os horizontes do debate e evidencia que os fundamentos que guiam a defesa dos animais ao longo do tempo variam conforme a realidade pol&iacute;tica, cultural e econ&ocirc;mica de cada sociedade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. 	Pesquisa em andamento, sob a supervis&atilde;o da prof.ª dr.ª Regina Horta Duarte, do Departamento de Hist&oacute;ria da UFMG, a quem agradecemos pelas sugest&otilde;es e pelo acesso ao seu acervo documental. Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico - CNPq (processo: 165936/2015-0).</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://saladeimprensa.ibge.gov.br/pt/noticias?view=noticia&amp;id=1&amp;idnoticia=2902&amp;busca=1&amp;t=pns-2013-tres-cada-quatro-brasileiros-costumam-buscar-atendimento-medico-rede-publica" target="_blank">http://saladeimprensa.ibge.gov.br/pt/noticias?view=noticia&amp;id=1&amp;idnoticia=2902&amp;busca=1&amp;t=pns-2013-tres-cada-quatro-brasileiros-costumam-buscar-atendimento-medico-rede-publica</a>&gt;. Acesso em 04 julho 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://f5.folha.uol.com.br/bichos/2015/06/1636937-brasileiros-tem-mais-cachorros-que-criancas-segundo-pesquisa-do-ibge.shtml" target="_blank">http://f5.folha.uol.com.br/bichos/2015/06/1636937-brasileiros-tem-mais-cachorros-que-criancas-segundo-pesquisa-do-ibge.shtml</a>&gt;. Acesso em 04 julho 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4 	Thomas, K. <i>O homem e o mundo natural: mudan&ccedil;as de atitude em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s plantas e aos animais</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras. 1988.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Para um mapeamento das leis e sociedades criadas ao longo do tempo, ver: M&oacute;l, S.; Venancio, R. <i>A prote&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica aos animais no Brasil: uma breve hist&oacute;ria</i>. Rio de Janeiro: Editora FGV. 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Teixeira, L. A.; Sandoval, M. R. C.; Takaoka, N. Y. "Instituto Pasteur de S&atilde;o Paulo: cem anos de combate &agrave; raiva".<i> Hist. Cienc. Sa&uacute;de-Manguinhos</i> &#91;online&#93;. 11, 3. 2004. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-59702004000300011" target="_blank">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-59702004000300011</a>&gt;. Acesso em 27 julho 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. "Exposi&ccedil;&atilde;o de comedouros para aves". <i>Correio Paulistano</i>, S&atilde;o Paulo, nº. 23.895, 21 junho 1930, p. 6.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. <i>Di&aacute;rio Nacional</i>, S&atilde;o Paulo, ano III, nº. 822, 04 mar&ccedil;o 1930, p 4.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. <i>Zoophilo Paulista</i>, S&atilde;o Paulo, ano XII, nº. 128, mar&ccedil;o 1931, s./p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. <i>Di&aacute;rio Nacional</i>, S&atilde;o Paulo, nº. 1483, 09 junho 1932, p 5.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Neto, J. M. A. "Primeira Rep&uacute;blica: economia cafeeira, urbaniza&ccedil;&atilde;o e industrializa&ccedil;&atilde;o". In: Ferreira, J.; Delgado, L. A. N. (orgs.). <i>O Brasil republicano</i>: O <i>tempo do liberalismo excludente - da proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o de 1930</i>. Livro 1. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, p 226-227. 2006.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. "Horr&iacute;vel desastre". <i>Zoophilo Paulista</i>, S&atilde;o Paulo, ano XII, nº. 121, junho 1930, s./p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Cronon, W. (org.). <i>Uncommon ground - rethinking the human place in nature</i>. New York: W. W. Norton &amp; Company, p 50-51. 1996;    <!-- ref --> Drummond, J. A. "A hist&oacute;ria ambiental: temas, fontes e linhas de pesquisa". <i>Estudos Hist&oacute;ricos</i>, Rio de Janeiro, 4, 8, pp 177-197. 1991;    <!-- ref --> Few, M.; Tortorici, Z. (eds.). <i>Centering Animals in Latin American History</i>. Durham: Duke University Press. 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Duarte, R. H. <i>A biologia militante: o Museu Nacional, especializa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, divulga&ccedil;&atilde;o do conhecimento e pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas no Brasil - 1926-1945</i>. Belo Horizonte: Ed. UFMG. 2010;    <!-- ref --> Ostos, N. S. C. "O Brasil e suas naturezas poss&iacute;veis (1930-1945) ". <i>Revista de Indias</i>, Madri, 72, 255, pp 581-614. 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Decreto nº. 24.645, de 10 julho 1934. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D24645.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D24645.htm</a>&gt;. Acesso em: 13 maio 2015.    <!-- ref --> Antes desse decreto existiram normas estaduais esparsas sobre o assunto; e uma lei nacional de 1920 que ao regular as "casas de divers&otilde;es e espet&aacute;culos p&uacute;blicos", estabelecia: "Art. 5º N&atilde;o ser&aacute; concedida licen&ccedil;a para corridas de touros, garraios e novilhos, nem briga de galos e can&aacute;rios ou quaisquer outras divers&otilde;es desse g&ecirc;nero que causem sofrimentos aos animais". Decreto nº. 14.529, 09 dezembro 1920. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1920-1929/decreto-14529-9-dezembro-1920-503076-republicacao-93791-pe.html" target="_blank">http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1920-1929/decreto-14529-9-dezembro-1920-503076-republicacao-93791-pe.html</a>&gt;. Acesso em 25 abril 2016.    </font></p>      ]]></body><back>
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