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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> SA&Uacute;DE</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Pesquisa relaciona amamenta&ccedil;&atilde;o e intelig&ecirc;ncia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&aacute;rcio Derbli</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a04fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em mar&ccedil;o deste ano, o epidemiologista Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas (RS), recebeu o pr&ecirc;mio Gairdner, a mais importante premia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do Canad&aacute;. Ele ganhou a distin&ccedil;&atilde;o na categoria Sa&uacute;de Global e &eacute; o primeiro brasileiro contemplado pelo pr&ecirc;mio. Juntamente com seu grupo de pesquisa, Victora &eacute; respons&aacute;vel por importantes pesquisas relacionando os cuidados nos anos iniciais de vida - especialmente sobre amamenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o materno-infantil - e os seus impactos na qualidade de vida e sa&uacute;de dos adultos. Seus achados serviram como base para formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de pelo Brasil. Ainda na d&eacute;cada de 1980, ele demonstrou que a amamenta&ccedil;&atilde;o exclusiva com leite materno at&eacute; os seis meses de idade pode reduzir consideravelmente o risco de morte por diarreia nos beb&ecirc;s. Os resultados, replicados em outros pa&iacute;ses, foram incorporados pela OMS em suas recomenda&ccedil;&otilde;es sobre amamenta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Victora tamb&eacute;m ajudou a definir a tabela com a curva de crescimento infantil ideal, utilizada em 140 pa&iacute;ses, al&eacute;m do Brasil. A pesquisa, que resultou na tabela e acompanhou mais de oito mil crian&ccedil;as, com a participa&ccedil;&atilde;o de grupos de pesquisa do mundo todo, come&ccedil;ou com o grupo do pesquisador, em Pelotas. "A grande contribui&ccedil;&atilde;o do grupo que o Cesar coordena foi demonstrar rela&ccedil;&otilde;es entre v&aacute;rios fatores de risco que poderiam resultar em diferentes desfechos. Essas informa&ccedil;&otilde;es acabaram contribuindo muito com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em v&aacute;rios temas", comenta a especialista em sa&uacute;de materno-infantil, Sonia Venancio, do Instituto de Sa&uacute;de  da Secretaria de Estado da  Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos &uacute;ltimos anos, Victora conduziu diversas revis&otilde;es sistem&aacute;ticas de literatura, junto a um grupo da OMS, procurando a rela&ccedil;&atilde;o da amamenta&ccedil;&atilde;o com doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas e obesidade. As revis&otilde;es indicaram que quanto mais tempo a crian&ccedil;a &eacute; amamentada menor o risco de desenvolver diabetes tipo 1, sobrepeso, obesidade e otite.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LEITE MATERNO E QI</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Uma pesquisa recente, coordenada pelo pesquisador, indicou uma rela&ccedil;&atilde;o positiva entre o tempo de amamenta&ccedil;&atilde;o e o quociente de intelig&ecirc;ncia (QI), o grau de escolaridade e a renda. O estudo, publicado em 2015 na revista <i>The Lancet Global Health</i>, avaliou quase 3.500 adultos com cerca de 30 anos, todos pertencentes &agrave; coorte pelotense (em estat&iacute;stica, coorte &eacute; um grupo de pessoas que tem em comum um evento em um mesmo per&iacute;odo, por exemplo, o nascimento). O grupo era monitorado desde 1982. Para chegar a essa conclus&atilde;o, ele mediu a dura&ccedil;&atilde;o do aleitamento materno em um grupo de beb&ecirc;s e, posteriormente, avaliou QI, anos de escolaridade e a renda no mesmo grupo de indiv&iacute;duos, agora com 30 anos de idade em m&eacute;dia. "&Eacute; uma pesquisa muito bem conduzida. Controlando poss&iacute;veis vari&aacute;veis que poderiam comprometer o estudo, ele chegou &agrave; conclus&atilde;o que a amamenta&ccedil;&atilde;o favorece o n&iacute;vel de QI mais alto, aumenta os anos de escolaridade e repercute na renda tamb&eacute;m", explica Venancio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do ponto de vista biol&oacute;gico, o que explicaria o impacto da amamenta&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel de intelig&ecirc;ncia seria a presen&ccedil;a dos &aacute;cidos graxos saturados de cadeia longa no leite, influenciando a forma&ccedil;&atilde;o dos tecidos neuronais.  "Eu sinto que ainda estamos arranhando a superf&iacute;cie do conhecimento sobre as propriedades biol&oacute;gicas do leite materno. Estudos muito recentes mostram a presen&ccedil;a de c&eacute;lulas-tronco (que podem se diferenciar em c&eacute;lulas progenitoras neurais) no leite humano. Ele modula o microbioma intestinal e cada vez mais se fala sobre o eixo entero-cerebral (comunica&ccedil;&atilde;o do intestino com o c&eacute;rebro). Al&eacute;m disso, o leite materno tem propriedades epigen&eacute;ticas, de ligar e desligar genes que podem ser importantes para as fun&ccedil;&otilde;es neurais", aponta Victora.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a04fig02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tempo m&eacute;dio de aleitamento no Brasil passou de menos de tr&ecirc;s meses, na d&eacute;cada 1980, para mais de um ano atualmente. Segundo Victora, isso aconteceu devido a uma combina&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, treinamento de m&eacute;dicos e outros profissionais de sa&uacute;de, campanhas na m&iacute;dia, o estabelecimento da maior rede mundial de bancos de leite humano e outras medidas envolvendo toda a sociedade. "No entanto, e apesar disso, apenas metade de nossas crian&ccedil;as &eacute; amamentada exclusivamente at&eacute;  os seis meses, como recomendam  as nossas pesquisas. Garantir a licen&ccedil;a maternidade por seis meses ou mais &eacute; uma pol&iacute;tica essencial para melhorar esse &iacute;ndice. &Eacute; muito preocupante que, dentro do contexto da reforma trabalhista, essas pol&iacute;ticas estejam sendo amea&ccedil;adas", finaliza Victora.</font></p>      ]]></body>
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