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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br> PERCEP&Ccedil;&Atilde;O DE C&amp;T</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Linha de pesquisa se fortalece na Am&eacute;rica Latina</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Santos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que a sociedade pensa sobre investimentos em ci&ecirc;ncia e tecnologia? &Eacute; poss&iacute;vel medir o interesse por assuntos cient&iacute;ficos na m&iacute;dia? Qual o perfil do p&uacute;blico interessado? Especialmente depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a busca por respostas para essas quest&otilde;es deu origem a uma linha de pesquisa cujos primeiros trabalhos foram publicados nos Estados Unidos e Europa. Hoje, os estudos de percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da ci&ecirc;ncia e tecnologia s&atilde;o feitos periodicamente em diversos pa&iacute;ses, inclusive no Brasil. De base quantitativa, eles usam question&aacute;rios estruturados e entrevistas aplicadas a grupos populacionais. Assim, dados sobre percep&ccedil;&atilde;o de C&amp;T t&ecirc;m sido acumulados com diferentes escopos: nacionais, por munic&iacute;pio, por tipos de p&uacute;blicos (como professores ou estudantes), constituindo uma fonte imprescind&iacute;vel para compreender as rela&ccedil;&otilde;es entre ci&ecirc;ncia e sociedade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma pesquisa mexicana que teve como foco as metodologias utilizadas nesses estudos, trouxe mais uma contribui&ccedil;&atilde;o para essa &aacute;rea de estudos. Em sua tese de doutorado, Milagros Varguez Ram&iacute;rez analisou seis enquetes nacionais de percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de ci&ecirc;ncia e tecnologia realizadas no M&eacute;xico de 2001 a 2011. O trabalho foi defendido em 2016 no Instituto Tecnol&oacute;gico e de Estudos Superiores de Monterrey, no M&eacute;xico. Entre os objetivos da pesquisadora estavam a identifica&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es metodol&oacute;gicos usados nas enquetes de percep&ccedil;&atilde;o e avaliar o n&iacute;vel de pertin&ecirc;ncia dos enunciados, ou seja, se as quest&otilde;es serviriam para responder aquilo a que se propunham.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as conclus&otilde;es do estudo, a pesquisadora apontou a falta de base conceitual para as enquetes aplicadas no pa&iacute;s que induz a erros, tanto na elabora&ccedil;&atilde;o dos question&aacute;rios como na interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados. Varguez enfatiza que o question&aacute;rio &eacute; o elo entre a informa&ccedil;&atilde;o que se busca e os dados a serem coletados. Assim, a defini&ccedil;&atilde;o das perguntas que ser&atilde;o feitas e para que grupos de pessoas deve ser coerente com o processo e a t&eacute;cnica da entrevista escolhidos. Nas enquetes que Varguez analisou, ela observou que, em algumas, o objetivo chegou a ser alterado pelos &oacute;rg&atilde;os respons&aacute;veis - o Consejo Nacional de Ciencia y Tecnologia (Conacyt) e o Instituto Nacional de Estad&iacute;stica y Geograf&iacute;a (Inegi) - na fase de edi&ccedil;&atilde;o das pesquisas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro problema observado na elabora&ccedil;&atilde;o das amostragens foi a maior propor&ccedil;&atilde;o de pessoas da base da pir&acirc;mide socioecon&ocirc;mica. Na an&aacute;lise da pesquisadora, &eacute; poss&iacute;vel que seja uma neglig&ecirc;ncia consciente j&aacute; esse tipo de erro j&aacute; foi reconhecido pela pr&oacute;pria Enpecyt (Enquete de Percep&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica da Ci&ecirc;ncia e da Tecnologia, na sigla em espanhol) em diversas enquetes realizadas no M&eacute;xico. A literatura sobre estudos de percep&ccedil;&atilde;o aponta que pessoas com maior forma&ccedil;&atilde;o educacional tendem a contestar e desconfiar das inten&ccedil;&otilde;es e da aplica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e tecnologia. J&aacute; a popula&ccedil;&atilde;o da base da pir&acirc;mide tende a ser mais favor&aacute;vel. "&Eacute; fact&iacute;vel considerar que o M&eacute;xico mant&eacute;m um interesse em reportar dados estat&iacute;sticos e informa&ccedil;&atilde;o errada, mas considerada como ideal a n&iacute;vel internacional", segundo a tese.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESAFIOS NA ELABORA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No Brasil, n&atilde;o h&aacute; trabalho similar ao mexicano, comparando diferentes question&aacute;rios j&aacute; aplicados. Aqui foram feitas quatro pesquisas nacionais, al&eacute;m de estudos com outras abrang&ecirc;ncias. A mais recente &eacute; de 2015, realizada pelo Centro de Gest&atilde;o e Estudos Estrat&eacute;gicos (CGEE) e o ent&atilde;o Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. Para Adriana Badar&oacute;, que coordenou essa pesquisa, &eacute; grande o desafio de construir esse tipo de question&aacute;rio. O instrumento deve permitir a compara&ccedil;&atilde;o com enquetes anteriores feitas no pa&iacute;s e tamb&eacute;m com os indicadores internacionais. Deve ainda ter abertura para abordar tend&ecirc;ncias ou temas espec&iacute;ficos como nanotecnologia. Na revis&atilde;o mexicana, esse processo apresentou falhas. Perguntas usadas em enquetes feitas nos Estados Unidos e Europa foram traduzidas e aplicadas no M&eacute;xico - e isso &eacute; comum em outros pa&iacute;ses, como o Brasil. No entanto, faltou adequar quest&otilde;es para a cultura local, segundo Varguez.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ela menciona tamb&eacute;m a falta de preparo dos entrevistadores. Eles devem ser capazes de esclarecer o objetivo do estudo e as d&uacute;vidas que possam surgir ao longo das entrevistas. Ananias Queiroga Filho, pesquisador do Laborat&oacute;rio de Estudos Avan&ccedil;ados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor-Unicamp), estuda ferramentas estat&iacute;sticas para pesquisas de percep&ccedil;&atilde;o e concorda com Varguez. "Nas pesquisas de percep&ccedil;&atilde;o, se a pergunta &eacute; sobre nanotecnologia ou sobre clonagem isso pode gerar alguma d&uacute;vida e o entrevistador precisa de um conhecimento razo&aacute;vel desses assuntos", explica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma maneira de lidar com isso, na enquete brasileira de 2015, foi a contrata&ccedil;&atilde;o da mesma empresa que realizou as entrevistas para a enquete de 2010, inclusive com os mesmos entrevistadores daquela ocasi&atilde;o. A fase de testes do question&aacute;rio tamb&eacute;m levou em conta a compreens&atilde;o das perguntas pelo p&uacute;blico e se o n&uacute;mero de perguntas tornaria o processo cansativo ou n&atilde;o, segundo Badar&oacute;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AL&Eacute;M DAS ENQUETES</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em seu estudo, Varguez tamb&eacute;m analisou se as pesquisas tinham rela&ccedil;&atilde;o com o que acontecia na arena p&uacute;blica. As enquetes passaram a ser mais relevantes quando o M&eacute;xico passou a fazer parte da OCDE, a partir de 1994, j&aacute; que a organiza&ccedil;&atilde;o usa indicadores estat&iacute;sticos dos pa&iacute;ses membros para respaldar suas atividades. Tamb&eacute;m foram realizadas quando houve o debate p&uacute;blico sobre energias renov&aacute;veis no pa&iacute;s, em 2001. A pesquisadora analisa que a motiva&ccedil;&atilde;o para esses estudos est&aacute; mais relacionada a projetos pol&iacute;ticos e investimentos. No entanto, "eles deveriam apoiar pol&iacute;ticos na tomada de decis&otilde;es, servir para comunicadores conhecerem seus p&uacute;blicos e motivar os meios de comunica&ccedil;&atilde;o a divulgar ci&ecirc;ncia", diz.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; no Brasil, Badar&oacute; observa desdobramentos a partir das enquetes. Um deles foi a cria&ccedil;&atilde;o do Instituto Nacional de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (INCT) com foco em comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da ci&ecirc;ncia e tecnologia. A institui&ccedil;&atilde;o &eacute; composta por membros do grupo que desenvolveu a pesquisa de 2015. Os resultados ser&atilde;o publicados no livro <i>A ci&ecirc;ncia e a tecnologia no olhar dos brasileiros - percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da C&amp;T no Brasil 2015 </i>cujo lan&ccedil;amento vai acontecer durante a Reuni&atilde;o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Esperamos que ele sirva para fortalecer essa &aacute;rea de pesquisa no Brasil e tamb&eacute;m para atrair novos pesquisadores", diz.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda faltam an&aacute;lises secund&aacute;rias, a partir dos dados obtidos nas enquetes, no caso mexicano. Queiroga Filho acrescenta que a subutiliza&ccedil;&atilde;o de recursos anal&iacute;ticos tamb&eacute;m &eacute; comum no Brasil j&aacute; que os relat&oacute;rios costumam apresentar apenas frequ&ecirc;ncia de respostas, m&eacute;dia ou desvio padr&atilde;o.  Badar&oacute; ressalta que outras abordagens estat&iacute;sticas poderiam ser feitas, por&eacute;m an&aacute;lises aprofundadas e que permitam compara&ccedil;&otilde;es internacionais sobre as motiva&ccedil;&otilde;es, opini&otilde;es, atitudes de diferentes grupos sociais sobre ci&ecirc;ncia e tecnologia t&ecirc;m que ser complementadas por trabalhos qualitativos. &Eacute; preciso aperfei&ccedil;oar os m&eacute;todos usados, sem deixar de reconhecer o que j&aacute; foi feito, segundo Queiroga Filho. "Quando a informa&ccedil;&atilde;o est&aacute; com problemas a gente ainda pode utiliz&aacute;-la dentro do que &eacute; poss&iacute;vel. Quando n&atilde;o estamos cientes disso, podem surgir interpreta&ccedil;&otilde;es e conclus&otilde;es equivocadas", finaliza.</font></p>      ]]></body>
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