<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252017000300010</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602017000300010</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Materiais sob condições extremas]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Souza Neto]]></surname>
<given-names><![CDATA[Narcizo Marques]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="AFF"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Reis]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ricardo Donizeth dos]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AF1">
<institution><![CDATA[,Laboratório Nacional de Luz Síncrotron  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<volume>69</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>37</fpage>
<lpage>41</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252017000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252017000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252017000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> INOVA&Ccedil;&Atilde;O E TRANSFORMA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Materiais sob condi&ccedil;&otilde;es extremas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Narcizo Marques Souza Neto<sup>I</sup>; Ricardo Donizeth dos Reis<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>F&iacute;sico e pesquisador no Laborat&oacute;rio Nacional de Luz S&iacute;ncrotron (LNLS), em Campinas. Recebeu em 2015 o pr&ecirc;mio Dale Sayers Award da sociedade internacional de XAFS    <br> <sup>II</sup>F&iacute;sico, realizou as pesquisas de seu doutorado no Laborat&oacute;rio Nacional de Luz S&iacute;ncrotron (LNLS) e o seu est&aacute;gio de p&oacute;s-doutorado no Max Planck Institute for Chemical Physics of Solids em Dresden, Alemanha</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Condi&ccedil;&otilde;es extremas s&atilde;o aquelas atualmente consideradas como o limite, a fronteira do conhecimento. Com o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico mundial, o que &eacute; considerado um ambiente extremo hoje ser&aacute; em poucos anos algo convencionalmente obtido, com o desenvolvimento de condi&ccedil;&otilde;es experimentais para isso. Com a demanda mundial pelo desenvolvimento e entendimento de materiais com propriedades avan&ccedil;adas, ambientes extremos (de press&atilde;o, temperatura e campos el&eacute;trico e magn&eacute;tico) t&ecirc;m sido essenciais para suprir essa necessidade. Alguns exemplos de aplica&ccedil;&atilde;o desses m&eacute;todos na sociedade moderna v&atilde;o desde otimizar processos de conserva&ccedil;&atilde;o de alimentos, passando por promover a cristalografia de algumas prote&iacute;nas, otimizar propriedades de materiais magn&eacute;ticos, supercondutores e/ou ferroel&eacute;tricos para aplica&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, entender efeitos geol&oacute;gicos com poss&iacute;veis implica&ccedil;&otilde;es catastr&oacute;ficas, at&eacute; o desenvolvimento de novos materiais avan&ccedil;ados poss&iacute;veis apenas em ambientes extremos de outros planetas gigantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A press&atilde;o &eacute; provavelmente a vari&aacute;vel termodin&acirc;mica com a maior amplitude no universo, oscilando de 10<sup>-32</sup> atmosferas no espa&ccedil;o intergal&aacute;ctico at&eacute; 10<sup>31</sup> atmosferas no centro de estrelas de n&ecirc;utrons (<a href="#fig1">Figura 1</a>), tendo assim implica&ccedil;&otilde;es em todas as &aacute;reas do conhecimento e nos mais diversos tipos de materiais avan&ccedil;ados - desde os muito leves at&eacute; os ultradensos. Na natureza s&atilde;o observadas press&otilde;es do tipo est&aacute;tica, como a encontrada no centro da Terra ou nas profundezas dos oceanos, e tamb&eacute;m press&otilde;es din&acirc;micas, como as causadas pelo impacto de meteoros ou de um terremoto que pode originar um tsunami.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a10fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recentemente, se tornou poss&iacute;vel, em laborat&oacute;rios de ponta, usar t&eacute;cnicas de altas press&otilde;es para comprimir materiais at&eacute; o ponto em que os espa&ccedil;amentos entre os &aacute;tomos sejam reduzidos por at&eacute; dois fatores e as densidades aumentem mais de uma ordem de grandeza. Nessas densidades, as mudan&ccedil;as na estrutura eletr&ocirc;nica come&ccedil;am a influenciar nossas no&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de intera&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas e liga&ccedil;&otilde;es at&ocirc;micas (1). Em resumo, mudan&ccedil;as em estados eletr&ocirc;nicos ocorrem dramaticamente quando &aacute;tomos s&atilde;o colocados perto uns dos outros. H&aacute;, ainda hoje, v&aacute;rios desafios para um completo entendimento de mecanismos f&iacute;sicos da mat&eacute;ria sob forte compress&atilde;o: &eacute; poss&iacute;vel prever e controlar o movimento de el&eacute;trons para formar liga&ccedil;&otilde;es sob press&atilde;o? Existem formas totalmente novas de liga&ccedil;&otilde;es nesses regimes? Os materiais formados nessas condi&ccedil;&otilde;es ter&atilde;o propriedades f&iacute;sicas (eletr&ocirc;nica, magn&eacute;tica e supercondutora) &uacute;nicas? Esses conhecimentos abrir&atilde;o novas oportunidades no uso de condi&ccedil;&otilde;es termomec&acirc;nicas extremas para projetar novas classes de materiais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estudar materiais sob condi&ccedil;&otilde;es extremas nos propicia entender uma enorme gama de fen&ocirc;menos naturais e sintetizar novos materiais, al&eacute;m de possibilitar aplica&ccedil;&otilde;es em tecnologias de defesa e de gera&ccedil;&atilde;o de energia. Neste artigo nos concentramos em alguns exemplos de &aacute;reas de estudos em condi&ccedil;&otilde;es extremas para as quais laborat&oacute;rios s&iacute;ncrotrons t&ecirc;m grande potencial, considerando tamb&eacute;m a motiva&ccedil;&atilde;o da comunidade cient&iacute;fica brasileira. Al&eacute;m da &aacute;rea de geoci&ecirc;ncias, que tem sido a grande motivadora por desenvolvimentos t&eacute;cnicos em altas press&otilde;es e temperaturas nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas - devido &agrave; necessidade de entender as propriedades dos componentes qu&iacute;micos presentes no interior da Terra nas suas condi&ccedil;&otilde;es naturais de altas press&otilde;es e temperaturas -, outras &aacute;reas como magnetismo e supercondutividade e materiais baseados em carbono, dentre outros materiais avan&ccedil;ados, t&ecirc;m alavancado grande interesse mais recentemente visto o potencial destes para mudar completamente a sociedade e o mundo como conhecemos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MAGNETISMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O ordenamento magn&eacute;tico de materiais &eacute; uma propriedade f&iacute;sica normalmente bastante influenciada por altas press&otilde;es, visto que o cont&iacute;nuo aumento da densidade at&ocirc;mica por meio de uma press&atilde;o externa aplicada ao s&oacute;lido magn&eacute;tico deve eventualmente culminar com a supress&atilde;o de todas as formas de magnetismo no estado s&oacute;lido. Isso se d&aacute; porque os el&eacute;trons no s&oacute;lido precisam fazer uma escolha entre magnetismo ou liga&ccedil;&otilde;es at&ocirc;micas. No entanto, altas press&otilde;es podem por exemplo trazer &iacute;ons 4f em terras raras t&atilde;o pr&oacute;ximos que as suas fun&ccedil;&otilde;es de onda resultar&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o de bandas 4f. Durante esse processo de hibridiza&ccedil;&atilde;o de bandas eletr&ocirc;nicas, as press&otilde;es n&atilde;o suficientes para destruir as propriedades magn&eacute;ticas afetam fortemente as intera&ccedil;&otilde;es magn&eacute;ticas de troca. Sejam relativas &agrave; intera&ccedil;&atilde;o direta, indireta, de super troca ou RKKY, altas press&otilde;es podem fortalecer ou enfraquecer a capacidade de um s&oacute;lido apresentar alguma forma de magnetismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um bom exemplo disso s&atilde;o os semicondutores ferromagn&eacute;ticos baseados em eur&oacute;pio (Eu) e elementos calcog&ecirc;nios (EuX; sendo X = O, S, Se, Te) (2). Quando sujeitos a altas press&otilde;es, a temperatura de ordenamento magn&eacute;tico sobe de 70 K at&eacute; 200 K no caso de EuO, ou de 16 K at&eacute; 290 K para o caso de EuS (3). Esse dr&aacute;stico aumento da temperatura de ordenamento magn&eacute;tico at&eacute; muito pr&oacute;ximo da temperatura ambiente (300 K), utilizando altas press&otilde;es, abre oportunidades para poss&iacute;veis aplica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas em termos de dispositivos semicondutores baseados em um material ferromagn&eacute;tico, o que possibilitaria, por exemplo, dispositivos eletr&ocirc;nicos que combinariam as fun&ccedil;&otilde;es de processamento e armazenamento de informa&ccedil;&otilde;es de forma ultrarr&aacute;pida. O entendimento completo do mecanismo que rege essa mudan&ccedil;a no magnetismo somente foi poss&iacute;vel, por&eacute;m, utilizando a t&eacute;cnica de dicro&iacute;smo circular magn&eacute;tico como fun&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o aplicada, utilizando um laborat&oacute;rio s&iacute;ncrotron para sondar seletivamente as contribui&ccedil;&otilde;es dos orbitais 5d e 4f como fun&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o aplicada (2).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SUPERCONDUTIVIDADE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A descoberta do fen&ocirc;meno da supercondutividade aconteceu em 1911, quando foi observado que em temperaturas mais baixas que 4 K o merc&uacute;rio conduzia eletricidade sem nenhuma resist&ecirc;ncia. Desde ent&atilde;o, a busca por mecanismos que permitam aumentar essa temperatura de transi&ccedil;&atilde;o (Tc) de modo a aumentar o potencial de aplicabilidade desse fen&ocirc;meno tornou-se um dos grandes desafios modernos na f&iacute;sica. A descoberta de um material supercondutor em temperaturas pr&oacute;ximas da ambiente mudaria completamente a sociedade moderna, visto que todas perdas de energia pelo efeito de resist&ecirc;ncia el&eacute;trica (seja em eletrodom&eacute;sticos, motores, eletr&ocirc;nicos, industrias, transportes etc.) seriam eliminados. Al&eacute;m de propiciar, por exemplo, equipamentos de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica de muito mais alta performance a custos mais baixos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa &aacute;rea, a aplica&ccedil;&atilde;o de press&atilde;o pode aumentar/diminuir instabilidades estruturais (presentes em todos os materiais supercondutores de alta Tc) promovendo varia&ccedil;&otilde;es nas propriedades b&aacute;sicas que determinam a supercondutividade em um material.  A uma press&atilde;o alta o suficiente praticamente qualquer estrutura cristalina se torna inst&aacute;vel e &eacute; transformada em uma estrutura de maior densidade e, frequentemente, de maior simetria. Por exemplo, dentre os elementos da tabela peri&oacute;dica a aplica&ccedil;&atilde;o de press&atilde;o fez com que o n&uacute;mero de elementos supercondutores aumentasse de 29 (a press&atilde;o ambiente) para 52 sob press&atilde;o aplicada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em supercondutores convencionais as vibra&ccedil;&otilde;es na rede cristalina de um material ligam el&eacute;trons em pares, os quais podem fluir sem resist&ecirc;ncia. Em princ&iacute;pio, considera-se que os elementos mais leves sejam melhores candidatos a se tornarem supercondutores porque os seus &aacute;tomos podem vibrar em frequ&ecirc;ncias mais altas, facilitando a supercondutividade a temperaturas mais elevadas. Nesse sentido, previa-se que alguns materiais como o hidrog&ecirc;nio teoricamente poderiam apresentar uma fase supercondutora em temperaturas t&atilde;o altas quanto a temperatura ambiente (4). No entanto, a temperatura cr&iacute;tica mais elevada alcan&ccedil;ada experimentalmente entre os materiais leves era de 39 K no diboreto de magn&eacute;sio (MgB<sub>2</sub>), que &eacute; bastante inferior &agrave; temperatura de 164 K reportada para os &oacute;xidos de cobre. Mais recentemente, Eremets (5) e seu grupo mostraram que os sulfetos de hidrog&ecirc;nio (H<sub>2</sub>S), quando submetidos a 150 GPa, se tornam supercondutores abaixo de 203 K. Eles prop&otilde;em que, sob press&atilde;o, o sulfureto de hidrog&ecirc;nio se decomp&otilde;e e muda de H<sub>2</sub>S para H<sub>3</sub>S com o surgimento de supercondutividade convencional originada atrav&eacute;s das vibra&ccedil;&otilde;es da rede cristalina. Tal descoberta nos remete &agrave; ideia de que pode ser poss&iacute;vel conseguir um material supercondutor a temperatura ambiente desde que se aplique press&atilde;o alta o suficiente, uma vez que n&atilde;o existe limita&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica para isso. Essa nova possibilidade tem renovado o interesse pela &aacute;rea de f&iacute;sica com t&eacute;cnicas de altas press&otilde;es, visto o grande impacto que pode trazer &agrave; sociedade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MATERIAIS BASEADOS EM CARBONO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nanotubos de carbono, grafeno, pol&iacute;meros avan&ccedil;ados, compostos medicamentosos, prote&iacute;nas e outros, s&atilde;o exemplos de materiais baseados em carbono que t&ecirc;m alavancado grande interesse da comunidade cient&iacute;fica devido &agrave;s suas v&aacute;rias aplica&ccedil;&otilde;es em diferentes &aacute;reas de grande import&acirc;ncia para a sociedade. O efeito da press&atilde;o aplicada nas propriedades desses materiais tem atra&iacute;do aten&ccedil;&atilde;o na comunidade cient&iacute;fica, j&aacute; que algumas funcionaliza&ccedil;&otilde;es ou rotas de produ&ccedil;&atilde;o apenas podem ser acessadas em condi&ccedil;&otilde;es de alta press&atilde;o. Isso acontece em particular na cristaliza&ccedil;&atilde;o e modifica&ccedil;&atilde;o de algumas prote&iacute;nas sob efeito de press&atilde;o aplicada (6). O uso de altas press&otilde;es tamb&eacute;m tem auxiliado na compreens&atilde;o seletiva de nanotubos de carbono com parede dupla e tripla, principalmente pelo grupo de pesquisa na Universidade Federal do Cear&aacute; (7, 8, 9). Estudos de medicamentos (como betacaroteno, &aacute;cido acetilsalic&iacute;lico, dentre outros) nas condi&ccedil;&otilde;es de altas press&otilde;es tamb&eacute;m t&ecirc;m sido desenvolvidos recentemente por v&aacute;rios grupos no Brasil. Em rela&ccedil;&atilde;o aos materiais org&acirc;nicos, at&eacute; mesmo o processamento de comida em "ultra altas press&otilde;es" tem atra&iacute;do grande interesse desde a d&eacute;cada de 1980 (10) e continua com grande atividade e implica&ccedil;&otilde;es at&eacute; hoje. Nessa &aacute;rea de materiais grande esfor&ccedil;o &eacute; concentrado em press&otilde;es n&atilde;o t&atilde;o extremas, com muitos estudos na faixa de at&eacute; 30 GPa (300 mil atmosferas), uma vez que a estrutura cristalina desses compostos normalmente &eacute; destru&iacute;da em altas press&otilde;es (o composto se transforma em amorfo).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, a press&atilde;o em conjunto com alta temperatura &eacute; tamb&eacute;m utilizada para sintetizar materiais ultraduros de forma &uacute;nica. Exemplos s&atilde;o os diamantes nanopolicristalinos sintetizados diretamente a partir de grafite, fulereno e grafeno (9, 11, 12), o que tem atra&iacute;do grande interesse recentemente devido &agrave;s suas propriedades (principalmente dureza) terem melhor performance que as dos diamantes naturais. Esse material &eacute; tamb&eacute;m um exemplo de composto que, apesar de n&atilde;o ser encontrado no nosso planeta, possivelmente poderia ser comum em outros planetas maiores onde essas condi&ccedil;&otilde;es de press&atilde;o e temperatura s&atilde;o mais facilmente encontradas. O estudo de materiais similares a esse tem sido realizado no Brasil nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas pelo grupo de altas press&otilde;es da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde o trabalho de Jo&atilde;o Alziro Herz da Jornada e seu grupo foi um precursor de altas press&otilde;es no Brasil. A utiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas de difra&ccedil;&atilde;o de raios X em laborat&oacute;rios s&iacute;ncrotrons tem sido essencial para entender qual o comportamento cristalino desses materiais como fun&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o aplicada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>T&Eacute;CNICAS DE ALTAS PRESS&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os estudos de materiais em condi&ccedil;&otilde;es de altas press&otilde;es s&atilde;o conduzidos a partir de tr&ecirc;s principais classes de desenvolvimentos t&eacute;cnicos. O mais difundido entre eles baseia-se em colocar a amostra entre duas bigornas de diamante com uma ponta de &aacute;rea muito pequena. A uma dada for&ccedil;a exercida sobre a bigorna, quanto menor a &aacute;rea da sua ponta maior ser&aacute; a press&atilde;o aplicada sobre a amostra (<a href="/img/revistas/cic/v69n3/a10fig02.jpg">Figura 2</a>). Outra estrat&eacute;gia comumente utilizada em processos de s&iacute;ntese em altas press&otilde;es &eacute; utilizar grandes prensas hidr&aacute;ulicas (14) para aplicar altas press&otilde;es em amostras de grandes dimens&otilde;es (at&eacute; alguns cent&iacute;metros) utilizando uma grande for&ccedil;a aplicada. Enquanto esses dois m&eacute;todos s&atilde;o aplicados para estudar materiais sob condi&ccedil;&otilde;es est&aacute;ticas de press&atilde;o aplicada, um terceiro m&eacute;todo pode ser empregado para estudar materiais em condi&ccedil;&otilde;es din&acirc;micas de press&otilde;es aplicadas utilizando a incid&ecirc;ncia de ondas de choque, o que produz press&otilde;es de ordens de grandeza maior que nos dois primeiros m&eacute;todos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">C&eacute;lulas de bigorna de diamante (DAC, do ingl&ecirc;s <i>diamond anvil cell</i>) t&ecirc;m impulsionado a &aacute;rea de altas press&otilde;es desde a d&eacute;cada de 1980, sendo hoje poss&iacute;vel alcan&ccedil;ar press&otilde;es mais altas que as encontradas no centro da Terra (365 GPa e 5500ºC). T&eacute;cnicas recentes, como o uso dos raios X para obter informa&ccedil;&otilde;es de estruturas eletr&ocirc;nicas, at&ocirc;micas e magn&eacute;ticas, adaptadas a aparatos experimentais com DAC, fornecem um bom nicho de pesquisa ainda pouco explorado no mundo. Para isso, o feixe de raios X pode incidir na amostra atrav&eacute;s dos diamantes ou atrav&eacute;s da gaxeta met&aacute;lica (<a href="/img/revistas/cic/v69n3/a10fig02.jpg">Figura 2</a>). Em ambos os casos a limita&ccedil;&atilde;o para atingir alt&iacute;ssimas press&otilde;es &eacute; o tamanho da focaliza&ccedil;&atilde;o do feixe de raios X, que define qu&atilde;o pequena &eacute; a &aacute;rea da ponta do diamante que pode ser usada. No LNLS, atualmente, &eacute; poss&iacute;vel usar feixes t&atilde;o pequenos quanto 0.1mm, o que deve permite experimentos de at&eacute; no m&aacute;ximo 80 GPa. Na futura fonte de luz s&iacute;ncrotron - Sirius - ser&aacute; poss&iacute;vel atingir feixes t&atilde;o pequenos quanto 80nm, o que possibilitar&aacute; experimentos a press&otilde;es t&atilde;o altas quanto os desenvolvimentos na t&eacute;cnica de c&eacute;lulas de diamante permitirem (hoje &eacute; poss&iacute;vel atingir &gt;800 GPa estaticamente com c&eacute;lulas de diamante).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro dispositivo utilizado para gerar altas press&otilde;es em laborat&oacute;rio &eacute; um arranjo de m&uacute;ltiplas bigornas em conjunto com uma grande prensa hidr&aacute;ulica (14), que possibilita experimentos nos quais o volume pressurizado &eacute; da ordem de cent&iacute;metros c&uacute;bicos (c&eacute;lulas de bigorna de diamante, por sua vez, possuem volume pressurizado da ordem de dezenas de micr&ocirc;metros c&uacute;bicos). Essa classe de equipamento &eacute; essencial para, por exemplo, produzir amostras em condi&ccedil;&otilde;es de altas press&otilde;es e temperaturas, como diamantes nanocristalinos (11). Como a defini&ccedil;&atilde;o de press&atilde;o &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a pela &aacute;rea, para se atingir altas press&otilde;es em um grande volume &eacute; necess&aacute;rio aplicar uma grande for&ccedil;a no sistema. Isso &eacute; poss&iacute;vel usando prensas hidr&aacute;ulicas industriais de 1000 a 6000 toneladas (10 a 60 MN). Altas temperaturas s&atilde;o alcan&ccedil;adas atrav&eacute;s de um sistema de resist&ecirc;ncias el&eacute;tricas em contato com um material condutor envolvendo a montagem da amostra. Al&eacute;m de uma press&atilde;o hidrost&aacute;tica, tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel usar o mesmo arranjo para causar deforma&ccedil;&otilde;es e tens&otilde;es na amostra (15). Em laborat&oacute;rios s&iacute;ncrotron, essa metodologia &eacute; empregada para acompanhar a s&iacute;ntese <i>in situ</i> de materiais sujeitos a altas press&otilde;es e temperaturas utilizando difra&ccedil;&atilde;o de raios X, bem como para a realiza&ccedil;&atilde;o de experimentos de tomografia de raios X com resolu&ccedil;&atilde;o microm&eacute;trica de amostras sujeitas a altas press&otilde;es aplicadas (13).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto esses m&eacute;todos para alcan&ccedil;ar altas press&otilde;es na amostra estudada utilizam m&eacute;todos de compress&atilde;o est&aacute;tica, &eacute; tamb&eacute;m poss&iacute;vel realizar experimentos de compress&atilde;o din&acirc;mica nos quais as altas press&otilde;es (e tamb&eacute;m as altas temperaturas) podem ser alcan&ccedil;adas por meio do impacto de ondas de compress&atilde;o din&acirc;mica ou ondas de choque, que s&atilde;o direcionadas ao material atrav&eacute;s de uma r&aacute;pida deposi&ccedil;&atilde;o de energia - por meio de explosivos, lasers ou feixes de part&iacute;culas. Esse m&eacute;todo &eacute; baseado nas rela&ccedil;&otilde;es de Rankine-Hugoniot (16) que relacionam par&acirc;metros din&acirc;micos com vari&aacute;veis termodin&acirc;micas. Nesses casos a taxa de deposi&ccedil;&atilde;o de energia ir&aacute; determinar o m&aacute;ximo de press&atilde;o da onda de choque. O m&eacute;todo de compress&atilde;o din&acirc;mica j&aacute; demonstrou em laborat&oacute;rios ser capaz atingir press&otilde;es e temperaturas mais altas que 1 TPa (=10<sup>7</sup> atmosferas) e 50.000 K respectivamente (17).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em press&otilde;es e temperaturas extremas, tais como as encontradas dentro de planetas e estrelas, materiais comuns formam novas fases com arranjos at&ocirc;micos compactos e propriedades f&iacute;sicas intrigantes. A s&iacute;ntese e o estudo de novas fases da mat&eacute;ria em press&otilde;es acima de 100 GPa e temperaturas acima de 10000 K podem revelar detalhes funcionais dos interiores de outros planetas e estrelas, levando &agrave; descoberta de materiais com propriedades extraordin&aacute;rias para aplica&ccedil;&atilde;o cotidiana. Recentemente, um experimento de prova de conceito (esquematizado na <a href="/img/revistas/cic/v69n3/a10fig02.jpg">Figura 2</a>) realizado em parceria entre o LNLS (Laborat&oacute;rio Nacional de Luz S&iacute;ncroton) e o IPEN (Instituto de Pesquisas Energ&eacute;ticas e Nucleares) mostrou ser poss&iacute;vel gerar diamantes nano estruturados a partir de grafite comum usando ondas de choque geradas por um laser de alta pot&ecirc;ncia e pulso ultracurto, que gerou uma press&atilde;o de 15 GPa e temperaturas de aproximadamente 2500ºC (18).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas v&aacute;rias possibilidades de m&eacute;todos e aplica&ccedil;&otilde;es de t&eacute;cnicas de altas press&otilde;es, para o estudo de propriedades de materiais quando sujeitos a condi&ccedil;&otilde;es extremas, levou a equipe do LNLS a propor a constru&ccedil;&atilde;o de uma linha de luz para estudos em condi&ccedil;&otilde;es extremas na nova fonte de luz s&iacute;ncrotron, Sirius, como descrito a seguir.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LINHA DE CONDI&Ccedil;&Otilde;ES EXTREMAS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A linha de condi&ccedil;&otilde;es extremas que est&aacute; sendo constru&iacute;da no Sirius foi pensada de forma a aproveitar a baixa emit&acirc;ncia da fonte, para permitir feixes de raios x focalizados a tamanhos entre 80 nan&ocirc;metros at&eacute; 5 micr&ocirc;metros com um fluxo de f&oacute;tons alt&iacute;ssimo (10<sup>13</sup> f&oacute;tons/s) chegando na amostra. Isso ser&aacute; essencial para possibilitar diversos experimentos em condi&ccedil;&otilde;es extremas de press&atilde;o e temperatura utilizando c&eacute;lulas de bigorna de diamante. Considerando as necessidades para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas cient&iacute;ficos de fronteira em condi&ccedil;&otilde;es extremas, nessa linha de luz ser&aacute; poss&iacute;vel utilizar v&aacute;rios tipos de t&eacute;cnicas de raios x nas condi&ccedil;&otilde;es extremas de press&atilde;o, temperatura e campo magn&eacute;tico, como esquematicamente apresentado na <a href="#fig3">Figura 3</a>.</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a10fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As duas principais t&eacute;cnicas implementadas nessa linha s&atilde;o experimentos de dicro&iacute;smo circular magn&eacute;tico e espectroscopia de absor&ccedil;&atilde;o de raios X em condi&ccedil;&otilde;es de altas press&otilde;es (at&eacute; 250 GPa), baixas temperaturas (1.6 K) e altos campos (11 T), e experimentos de difra&ccedil;&atilde;o de raios X em condi&ccedil;&otilde;es de altas press&otilde;es (&gt; 400 GPa) e altas temperaturas (&gt;6000 K) utilizando um feixe focalizado a tamanhos de at&eacute; 80x80 nm<sup>2</sup>. Essas duas t&eacute;cnicas ser&atilde;o fortemente correlacionadas visto que em materiais magn&eacute;ticos, por exemplo, ambas s&atilde;o essenciais para entender a f&iacute;sica dos materiais objetos de estudo (2). Outra t&eacute;cnica que est&aacute; sendo implementada &eacute; a de espalhamento inel&aacute;stico de raios X com resolu&ccedil;&atilde;o de energia m&eacute;dia (0.4 eV) para sondar bordas de absor&ccedil;&atilde;o de elementos leves (19, 20) como o boro, por exemplo, em condi&ccedil;&otilde;es de altas press&otilde;es em um material <i>bulk</i>. Tal t&eacute;cnica ser&aacute; essencial para toda a comunidade brasileira com interesse em materiais baseados em carbono, por exemplo, n&atilde;o somente em condi&ccedil;&otilde;es de altas press&otilde;es, mas tamb&eacute;m em condi&ccedil;&atilde;o ambiente. Por fim, o alto fluxo de f&oacute;tons coerentes nessa linha de luz possibilitar&aacute; utilizar a t&eacute;cnica de imagem por difra&ccedil;&atilde;o coerente (CDI) em amostras dentro de c&eacute;lulas de bigorna de diamante para sondar mapas de tens&otilde;es nanom&eacute;tricas em cristais quando sujeitos a altas press&otilde;es (21, 22). A gama de possibilidades abertas com essas instrumenta&ccedil;&otilde;es deve certamente impulsionar a comunidade brasileira em altas press&otilde;es de forma singular.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; necess&aacute;rio ter em mente, no entanto, que um instrumento apenas n&atilde;o &eacute; suficiente para produzir resultados cient&iacute;ficos inovadores. Para isso, s&atilde;o essenciais o envolvimento e a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade cient&iacute;fica. Nesse sentido, nos &uacute;ltimos anos, v&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas t&ecirc;m sido realizadas na comunidade de altas press&otilde;es no Brasil: dois workshops internacionais foram realizados no LNLS, como tentativa para fomentar uma maior comunica&ccedil;&atilde;o da comunidade brasileira nessa &aacute;rea, tendo em mente os grandes desafios atuais no mundo; um projeto INCT (Instituto Nacional de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia) na &aacute;rea de altas press&otilde;es coordenado por Jo&atilde;o Alziro Herz da Jornada foi recomendado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico); est&atilde;o sendo organizados simp&oacute;sios anuais da &aacute;rea de altas press&otilde;es dentro da reuni&atilde;o anual da SBPMat (Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais); a confer&ecirc;ncia internacional AIRAPT, a maior do mundo na &aacute;rea de altas press&otilde;es, ser&aacute; realizada no Rio de Janeiro, em 2019. Com todas essas iniciativas e com a abertura da linha de condi&ccedil;&otilde;es extremas no Sirius, em 2019, as comunidades brasileira e mundial poder&atilde;o desfrutar de oportunidades &uacute;nicas para resolver problemas cient&iacute;ficos em condi&ccedil;&otilde;es extremas de forma nunca antes poss&iacute;vel em outros lugares. Assim, essa nova linha de luz j&aacute; come&ccedil;a a ser vista pela comunidade brasileira n&atilde;o apenas como uma grande oportunidade de pesquisa, mas tamb&eacute;m como um catalisador e elo de uni&atilde;o para fomentar um grande futuro para a comunidade cient&iacute;fica em condi&ccedil;&otilde;es extremas no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REFER&Ecirc;NCIAS</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	Ashcroft, N. W. <i>Proceedings of the International School of Physics Course CXLVII</i>, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.	Souza-Neto, N. M. et al. <i>Physical Review Letters</i>, v. 102, 057206, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.	Rupprecht, K. Tese de doutorado, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.	Ashcroft, N. W. <i>Physical Review Letters,</i> v. 21, n. 26, p. 1748-1749, 1968.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.	Drozdov, A. P. et al. <i>Nature</i>, 525, p.73-76, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.	Fourme et al. <i>Journal of Synchrotron Radiation</i> 18, p. 31-6, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7.	Andrade et al. <i>Journal of Physical Chemistry</i>, 119, p. 10669-76, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.	Alencar et al. <i>Journal of Physical Chemistry</i>, 118, p. 8153-8, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.	Lim et al. Nature Communication 4, 1556, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.	Hendrickx and Knorr. <i>Ultra high pressure treatment of foods</i>, Springer US, 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11.	Irifune, et al. <i>Nature</i>, 421, 600, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.	Dubrovinskaia et al. <i>Diamond &amp; Related Materials</i>, 14, 16, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13.	Y. Wang et al. <i>Review of Scientific Instruments</i>, 76, 073709, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14.	Liebermann, R. C.<i> High Pressure Research</i>, 31, 493, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15.	Wang et al. <i>Review of Scientific Instruments</i>, 74, 3002, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16.	Mitchell and Nellis. <i>Journal of Chemical Physics</i>, 76, 6273, 1982.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17.	McWilliams et al. <i>Science</i>, 338, 1330, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18.	Maia F. C. B. et al. <i>Scientific Reports</i> 5, 11812, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19.	Mao, W. L. et al. <i>Science</i>, 302, 425, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20.	 Sahle et al. <i>Journal of Synchrotron Radiation</i>, 24, p. 269-275, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21.	Robinson, I.; Harder, R. <i>Nature Materials</i>, 8, 291, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22.	Yang, W. et al. <i>Nature Communications</i> 4, 1680, 2013.    </font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ashcroft]]></surname>
<given-names><![CDATA[N. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Proceedings of the International School of Physics Course CXLVII]]></source>
<year>2002</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Souza-Neto]]></surname>
<given-names><![CDATA[N. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Physical Review Letters]]></source>
<year>2009</year>
<volume>102</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rupprecht]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[]]></source>
<year>2004</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ashcroft]]></surname>
<given-names><![CDATA[N. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Physical Review Letters]]></source>
<year>1968</year>
<volume>21</volume>
<numero>26</numero>
<issue>26</issue>
<page-range>1748-1749</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Drozdov]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Nature]]></source>
<year>2015</year>
<volume>525</volume>
<page-range>73-76</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fourme]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Journal of Synchrotron Radiation]]></source>
<year>2011</year>
<volume>18</volume>
<page-range>31-6</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Andrade]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Journal of Physical Chemistry]]></source>
<year>2015</year>
<volume>119</volume>
<page-range>10669-76</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alencar]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Journal of Physical Chemistry]]></source>
<year>2014</year>
<volume>118</volume>
<page-range>8153-8</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lim]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Nature Communication]]></source>
<year>2013</year>
<volume>4</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hendrickx]]></surname>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Knorr]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ultra high pressure treatment of foods]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Springer ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Irifune]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Nature]]></source>
<year>2003</year>
<volume>421</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dubrovinskaia]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Diamond & Related Materials]]></source>
<year>2005</year>
<volume>14</volume>
<numero>16</numero>
<issue>16</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wang]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Review of Scientific Instruments]]></source>
<year>2005</year>
<volume>76</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Liebermann]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[High Pressure Research]]></source>
<year>2011</year>
<volume>31</volume>
<numero>493</numero>
<issue>493</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wang]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Review of Scientific Instruments]]></source>
<year>2003</year>
<volume>74</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mitchell]]></surname>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nellis]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Journal of Chemical Physics]]></source>
<year>1982</year>
<volume>76</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[McWilliams]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Science]]></source>
<year>2012</year>
<volume>338</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<label>18</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Maia]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. C. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Scientific Reports]]></source>
<year>2015</year>
<volume>5</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<label>19</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mao]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Science]]></source>
<year>2003</year>
<volume>302</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<label>20</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sahle]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Journal of Synchrotron Radiation]]></source>
<year>2017</year>
<volume>24</volume>
<page-range>269-275</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<label>21</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Robinson]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Harder]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Nature Materials]]></source>
<year>2009</year>
<volume>8</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<label>22</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Yang]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Nature Communications]]></source>
<year>2013</year>
<volume>4</volume>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
