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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> INOVA&Ccedil;&Atilde;O E TRANSFORMA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A mat&eacute;ria mole e  a luz s&iacute;ncrotron</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Watson Loh<sup>I</sup>; N&aacute;dya Pesce da Silveira<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professor titular do Instituto de Qu&iacute;mica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi diretor do Instituto de Qu&iacute;mica da Unicamp. Atualmente &eacute; editor-chefe da revista Journal of Brasilian Chemical Society (JBCS)    <br> <sup>II</sup>Qu&iacute;mica, professora titular do Departamento de Qu&iacute;mica Inorg&acirc;nica do Instituto de Qu&iacute;mica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foi diretora cient&iacute;fica e diretora presidente da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). Atualmente &eacute; diretora do Instituto de Qu&iacute;mica da UFRGS</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Com o advento da nanoci&ecirc;ncia e da nanotecnologia, o mundo cient&iacute;fico passou a utilizar mais o conceito de mat&eacute;ria mole - <i>soft matter</i> na l&iacute;ngua inglesa. Essa nomenclatura &eacute; utilizada h&aacute; d&eacute;cadas pelos cientistas que realizam pesquisas em ci&ecirc;ncia b&aacute;sica envolvendo materiais moleculares das mais diversas origens. Trata-se de materiais que se auto-organizam, como resultado de intera&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas n&atilde;o-covalentes, originando sistemas qu&iacute;micos de grande interesse biom&eacute;dico e tecnol&oacute;gico, na forma de materiais funcionais (1). De acordo com De Gennes (2), pr&ecirc;mio Nobel de f&iacute;sica em 1991, a mat&eacute;ria mole se caracteriza pelo fato de, em sofrendo pequenas modifica&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas, apresentar grandes mudan&ccedil;as em suas caracter&iacute;sticas mec&acirc;nicas. A mat&eacute;ria mole tamb&eacute;m se caracteriza por apresentar flutua&ccedil;&otilde;es t&eacute;rmicas em temperaturas pr&oacute;ximas da temperatura ambiente. Originalmente, os principais materiais envolvidos no conceito de mat&eacute;ria mole s&atilde;o pol&iacute;meros, cristais l&iacute;quidos e surfactantes, todos classificados como sistemas coloidais (2).  Costumamos relacionar com a mat&eacute;ria mole os sistemas moleculares ou supramoleculares que s&atilde;o capazes de responder a est&iacute;mulos externos de diferentes naturezas, tais como press&atilde;o, temperatura e pH, dentre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a introdu&ccedil;&atilde;o de grandes equipamentos no estudo de materiais, especialmente a utiliza&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas de espalhamento (de luz, raios X e n&ecirc;utrons), a compreens&atilde;o das escalas mesosc&oacute;picas (dimens&otilde;es que se situam entre o regime at&ocirc;mico-molecular e o limite macrosc&oacute;pico) e suas din&acirc;micas na mat&eacute;ria mole ganhou grandes aliados. Isso deve-se ao fato de que as t&eacute;cnicas de espalhamento fornecem informa&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas acerca das diferentes dimens&otilde;es dessas estruturas supramoleculares e permitem o estudo das propriedades est&aacute;ticas e din&acirc;micas de materiais baseados em mat&eacute;ria mole, que s&atilde;o de interesse cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico (1). A manuten&ccedil;&atilde;o e amplia&ccedil;&atilde;o das fontes de radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron, como aquela disponibilizada no Laborat&oacute;rio Nacional de Luz S&iacute;ncrotron (LNLS) em Campinas, vem permitindo especialmente o avan&ccedil;o das t&eacute;cnicas de espalhamento de raios X utilizadas no estudo da mat&eacute;ria mole, com destaque para o espalhamento de raios X em &acirc;ngulos baixos (SAXS). Uma das principais caracter&iacute;sticas do SAXS realizado com luz s&iacute;ncrotron, quando comparado a outros m&eacute;todos espectrosc&oacute;picos utilizados no estudo de materiais, &eacute; que a t&eacute;cnica possibilita a resolu&ccedil;&atilde;o espacial da mat&eacute;ria mole a n&iacute;vel nanom&eacute;trico e sub-microm&eacute;trico, bem como a resolu&ccedil;&atilde;o de processos temporais (din&acirc;micos) que ocorrem ao n&iacute;vel do milissegundo/segundo (3). Por outro lado, similarmente ao que ocorre com a t&eacute;cnica de espalhamento de luz din&acirc;mico (DLS), utilizada para elucidar processos din&acirc;micos detect&aacute;veis na regi&atilde;o da luz vis&iacute;vel, o experimento de espalhamento din&acirc;mico de raios X coerentes, denominado espectroscopia de correla&ccedil;&atilde;o de f&oacute;tons de raios X (XPCS), permite o estudo de processos din&acirc;micos na regi&atilde;o de tamanhos estudada por SAXS.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O projeto Sirius (4), em implementa&ccedil;&atilde;o no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), onde est&aacute; localizado o LNLS, em Campinas, permitir&aacute; a consolida&ccedil;&atilde;o de uma nova fonte de luz s&iacute;ncrotron brasileira. O Sirius ser&aacute; uma das principais fontes de luz s&iacute;ncrotron de quarta gera&ccedil;&atilde;o do mundo. Uma das linhas de luz a ser desenvolvida no Sirius &eacute; a de espectroscopia de correla&ccedil;&atilde;o de f&oacute;tons de raios X (XPCS), que permitir&aacute; um grande avan&ccedil;o nos estudos dedicados &agrave; f&iacute;sico-qu&iacute;mica da mat&eacute;ria mole. A seguir, discorreremos brevemente sobre o princ&iacute;pio das t&eacute;cnicas espectrosc&oacute;picas de espalhamento, bem como sobre alguns sistemas de interesse tecnol&oacute;gico que s&atilde;o majoritariamente investigados utilizando a luz s&iacute;ncrotron, atrav&eacute;s da t&eacute;cnica de SAXS. Alguns desses sistemas poder&atilde;o ter suas principais propriedades din&acirc;micas elucidadas atrav&eacute;s da t&eacute;cnica de XPCS, em implementa&ccedil;&atilde;o no CNPEM.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A MAT&Eacute;RIA MOLE E A ESPECTROSCOPIA DE ESPALHAMENTO DE RAIOS X</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A t&eacute;cnica de espalhamento de raios X aplicada a sistemas meso-estruturados (que cont&ecirc;m um certo grau de organiza&ccedil;&atilde;o, possuindo dimens&otilde;es nanom&eacute;tricas a microm&eacute;tricas) utiliza como fundamento o princ&iacute;pio da interfer&ecirc;ncia das ondas eletromagn&eacute;ticas espalhadas por diferentes pontos em um mesmo material (5). Pode-se dizer que o espalhamento das ondas pelos materiais origina-se das flutua&ccedil;&otilde;es espaciais da densidade de el&eacute;trons nesses materiais. Em experimentos utilizando espalhamento de raios X, a radia&ccedil;&atilde;o espalhada &eacute; observada a uma dist&acirc;ncia relativamente grande da amostra (que &eacute; irradiada com raios X) e em diferentes &acirc;ngulos de observa&ccedil;&atilde;o (em rela&ccedil;&atilde;o ao feixe de radia&ccedil;&atilde;o que incide na amostra) que variam, tipicamente, de 0,1 a 10 graus. O experimento de espalhamento de raios X em &acirc;ngulos baixos (SAXS) utiliza, geralmente, um detector bidimensional, atrav&eacute;s do qual pode-se relacionar o quadrado da amplitude da onda espalhada (que chega ao detector) com o n&uacute;mero de f&oacute;tons produzidos. No experimento de SAXS, as ondas interferentes geralmente s&atilde;o originadas de pontos intra-part&iacute;cula (centros espalhadores de um exemplar m&eacute;dio da amostra), pois o comprimento da radia&ccedil;&atilde;o utilizada (raios X) possui dimens&atilde;o pr&oacute;xima &agrave;s estruturas componente</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa forma, a t&eacute;cnica de SAXS &eacute; muito utilizada para elucidar a dimens&atilde;o de estruturas componentes de um mesmo sistema espalhador (amostra), sendo menos aplicada ao dimensionamento de part&iacute;culas nanom&eacute;tricas. Entretanto, uma an&aacute;lise por modelagem do perfil das curvas de radia&ccedil;&atilde;o espalhada obtidas experimentalmente permite a determina&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o aproximada de part&iacute;culas, das dist&acirc;ncias entre as part&iacute;culas, e at&eacute; mesmo a elucida&ccedil;&atilde;o do tipo de geometria de uma determinada part&iacute;cula (esf&eacute;rica, tubular etc.). Para caracterizar todos esses aspectos de um mesmo sistema (amostra) utilizando a t&eacute;cnica de SAXS, a an&aacute;lise dos dados experimentais obtidos necessita ser feita com aplica&ccedil;&atilde;o de modelos te&oacute;ricos previamente estabelecidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos experimentos de SAXS com radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron s&atilde;o utilizados raios X com comprimentos de onda (</font>&#955;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) entre 0,01 e 0,4 nm e as energias dos feixes de raios X incidentes na amostra s&atilde;o da ordem de 10 keV (5). A diferen&ccedil;a de fase entre as ondas espalhadas pela amostra &eacute; de aproximadamente 0,1 nm<sup>-1</sup>. Energias ainda mais elevadas podem ser utilizadas em experimentos espec&iacute;ficos, nos quais a largura dos feixes de raios X incidentes tamb&eacute;m pode ser modificada. Uma vez que as ondas eletromagn&eacute;ticas incidentes e espalhadas na amostra podem ser representadas como vetores, &eacute; poss&iacute;vel definir a diferen&ccedil;a entre as mesmas como sendo o vetor de onda (<i>q</i>), cuja dimens&atilde;o depende do comprimento de onda (</font>&#955;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) da radia&ccedil;&atilde;o utilizada e do &acirc;ngulo (</font>&#952;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) de observa&ccedil;&atilde;o da radia&ccedil;&atilde;o espalhada: <i>q</i>=4</font>&#960;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">/</font>&#955;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> (sen </font>&#952;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">/2). Nos experimentos de SAXS, a regi&atilde;o de <i>q </i>acessada varia de 0,006 a 6 nm<sup>-1</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tipicamente, a t&eacute;cnica de SAXS permite a extra&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre a m&eacute;dia estat&iacute;stica de um volume de aproximadamente 1 mm<sup>3</sup> (6). As dimens&otilde;es (superestrutura de um dado sistema que chamamos de amostra) determinadas por SAXS ficam entre 1 nm e aproximadamente 1&mu;m, sendo dessa forma ideal para o estudo de sistemas coloidais. Assim, a t&eacute;cnica de SAXS convencional permite relacionar a intensidade m&eacute;dia da radia&ccedil;&atilde;o espalhada estaticamente pelos componentes de uma amostra (I<sub>q</sub>) com a sua mesoestrutura (composta de dimens&otilde;es que se situam entre o regime at&ocirc;mico-molecular e o limite macrosc&oacute;pico). Ainda, utilizando radia&ccedil;&atilde;o (raios X) altamente coerente, e se a intensidade da radia&ccedil;&atilde;o espalhada pela amostra &eacute; medida em uma escala de tempo compar&aacute;vel a uma din&acirc;mica caracter&iacute;stica do sistema em estudo, &eacute; poss&iacute;vel tamb&eacute;m obter informa&ccedil;&otilde;es sobre as din&acirc;micas intr&iacute;nsecas do sistema (amostra) em determinadas condi&ccedil;&otilde;es experimentais. Nesse caso estaremos realizando um experimento de espectroscopia de correla&ccedil;&atilde;o de f&oacute;tons de raios X (XPCS).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Convencionalmente, XPCS baseia-se na forma como um material relativamente desorganizado origina um padr&atilde;o de espalhamento. Esses padr&otilde;es de espalhamento possuem um tamanho determinado e originam-se da interfer&ecirc;ncia construtiva do espalhamento coerente a partir de centros espalhadores aleatoriamente distribu&iacute;dos na amostra (7). Em fun&ccedil;&atilde;o do movimento browniano (aleat&oacute;rio) dos centros espalhadores, os padr&otilde;es de espalhamento mudam com o tempo, permitindo a detec&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica intr&iacute;nseca do sistema em an&aacute;lise (amostra). Na pr&aacute;tica, um arranjo aleat&oacute;rio de unidades espalhadoras componentes da amostra &eacute; atingida por uma radia&ccedil;&atilde;o coerente (no caso, raios X) e a intensidade espalhada pode ser analisada na forma de uma imagem espacial, a qual est&aacute; relacionada com a configura&ccedil;&atilde;o moment&acirc;nea das unidades espalhadoras da mat&eacute;ria mole (amostra) em quest&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O movimento (din&acirc;mica) dessas unidades causar&aacute; uma modifica&ccedil;&atilde;o da imagem. Uma correla&ccedil;&atilde;o entre a imagem final e a inicial conter&aacute; informa&ccedil;&otilde;es sobre as din&acirc;micas caracter&iacute;sticas daquele sistema em an&aacute;lise (amostra). A t&eacute;cnica de XPCS &eacute; idealmente aplicada para estudar a rela&ccedil;&atilde;o entre cin&eacute;tica e estrutura na mat&eacute;ria mole. Uma das grandes vantagens da t&eacute;cnica &eacute; poder medir diretamente as flutua&ccedil;&otilde;es termodin&acirc;micas caracter&iacute;sticas de um determinado sistema de interesse (amostra). S&atilde;o essas flutua&ccedil;&otilde;es termodin&acirc;micas que permitem a evolu&ccedil;&atilde;o de um determinado sistema em fun&ccedil;&atilde;o do tempo quando a mat&eacute;ria sofre est&iacute;mulos externos, tais como press&atilde;o, temperatura e pH, dentre outros. Tipicamente, os tempos de relaxa&ccedil;&atilde;o (din&acirc;mica) determinados por XPCS situam-se entre 10<sup>-10</sup> e 10<sup>2</sup> s (<a href="#fig1">Figura 1</a>), correspondendo a dimens&otilde;es que variam do nan&ocirc;metro ao mil&iacute;metro.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a14fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EXEMPLOS DE SISTEMAS COLOIDAIS INVESTIGADOS POR SAXS E XPCS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Agregados de tensoativos</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tensoativos ou surfactantes s&atilde;o mol&eacute;culas que apresentam car&aacute;ter anfif&iacute;lico em rela&ccedil;&atilde;o ao solvente e, por este motivo, tendem a se agregar de modo a diminuir a energia do sistema pela diminui&ccedil;&atilde;o de contatos desfavor&aacute;veis com o solvente. O tipo mais simples de estrutura assim formada &eacute; a micela, que representa um arranjo pr&oacute;ximo do esf&eacute;rico decorrente da agrega&ccedil;&atilde;o de surfactantes, com tamanho de cerca de poucos nan&ocirc;metros. Solu&ccedil;&otilde;es mais concentradas de surfactantes tendem a apresentar outros arranjos geom&eacute;tricos, tais como fases lamelares, c&uacute;bicas e hexagonais. Genericamente, essas s&atilde;o chamadas de mesofases ou fases l&iacute;quido-cristalinas por apresentarem ordem, mas apenas de curto alcance, se considerado o sistema como um todo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A forma&ccedil;&atilde;o de agregados mais complexos &eacute; um processo cuja din&acirc;mica foi apenas recentemente investigada em um estudo que aplicou a t&eacute;cnica de SAXS resolvida no tempo para acompanhar a transi&ccedil;&atilde;o de forma de uma micela esf&eacute;rica para uma micela cil&iacute;ndrica alongada. O trabalho revelou que o processo deve ocorrer a partir de sucessivos processos de fus&atilde;o dos agregados globulares, formando agregados cada vez mais alongados, em uma escala de tempo de at&eacute; dezenas de nanosegundos (8).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">T&eacute;cnicas como SAXS s&atilde;o apropriadas para caracteriza&ccedil;&atilde;o estrutural das mesofases de surfactantes, sendo normalmente utilizadas para elucida&ccedil;&atilde;o, por exemplo, de diagramas de fase de surfactantes. Um exemplo dessa aplica&ccedil;&atilde;o pode ser verificado em estudo envolvendo misturas de surfactantes e copol&iacute;meros-em-bloco com cargas opostas (9). Nesse sistema, formado pelo surfactante dodeciltrimetilam&ocirc;nio e copol&iacute;mero poli(acrilato-b-acrilamida), formam-se nanopart&iacute;culas em que o interior tem arranjo l&iacute;quido-cristalino. A adi&ccedil;&atilde;o de quantidades crescentes de n-octanol leva a um rearranjo dessa estrutura interna, formando todas as mesofases mais comuns, inclusive as fases reversas (em que a &aacute;gua est&aacute; contida no interior dos agregados). Nesse caso, a t&eacute;cnica de SAXS &eacute; a &uacute;nica que permite identificar inequivocamente as estruturas formadas, al&eacute;m de fornecer as dimens&otilde;es desses arranjos. Uma conclus&atilde;o interessante desse estudo &eacute; que essas dimens&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o afetadas pelo confinamento no interior da nanopart&iacute;cula.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lipossomas s&atilde;o outras estruturas coloidais formadas pela auto-organiza&ccedil;&atilde;o de mol&eacute;culas lip&iacute;dicas (do tipo fosfolip&iacute;deos) em solu&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o estruturas supramoleculares utilizadas na pesquisa cient&iacute;fica b&aacute;sica como modelos de membranas biol&oacute;gicas ou na forma de reatores em nano-escala, por exemplo. Na &uacute;ltima d&eacute;cada, o desenvolvimento de lipossomas comp&oacute;sitos contendo polieletr&oacute;litos associados a lipossomas apresentou implica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas (10, 11). O emprego da quitosana como polieletr&oacute;lito deu origem aos chamados quitossomas, e aprimorou a estabilidade dos lipossomas tradicionais compostos apenas de lip&iacute;deos, bem como suas caracter&iacute;sticas f&iacute;sico-qu&iacute;micas e superficiais (10). Na &aacute;rea de alimentos, esses sistemas j&aacute; s&atilde;o empregados como estabilizantes; e na &aacute;rea farmac&ecirc;utica, como carreadores de subst&acirc;ncias bioativas e na produ&ccedil;&atilde;o de vacinas (11). Esses sistemas s&atilde;o preparados a partir da obten&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;cleo fosfolip&iacute;dico, o qual &eacute; revestido pela quitosana. Mesmo em pequenas quantidades, a quitosana mostrou-se capaz de promover a estabiliza&ccedil;&atilde;o da parede lip&iacute;dica dos lipossomas atrav&eacute;s de intera&ccedil;&otilde;es eletrost&aacute;ticas entre os grupamentos fosfato dos fosfolip&iacute;deos e o grupo amino da quitosana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como as t&eacute;cnicas de espalhamento - como SAXS - s&atilde;o bastante utilizadas para a determina&ccedil;&atilde;o da estrutura interna de sistemas nanom&eacute;tricos auto-organizados do tipo coloidal, a avalia&ccedil;&atilde;o do impacto de diferentes quantidades de quitosana sobre o tamanho dos quitossomas, o n&uacute;mero e a rigidez das bicamadas lip&iacute;dicas nos quitossomas foi realizada utilizando-se a t&eacute;cnica de SAXS em combina&ccedil;&atilde;o com DLS (<i>dynamic light scattering)</i>. Por meio da an&aacute;lise dos resultados aplicando ajustes te&oacute;ricos &agrave;s curvas (por exemplo, analisando o pico principal no espectro de SAXS como uma fun&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica lorentziana) e modelos matem&aacute;ticos (por exemplo, utilizando o modelo te&oacute;rico de Caill&eacute;) foi poss&iacute;vel determinar que a espessura da bicamada lip&iacute;dica nos quitossomas n&atilde;o variou grandemente conforme aumentou-se a quantidade de quitosana nas prepara&ccedil;&otilde;es, permanecendo em torno de 6,5 ± 0,1 nm. Entretanto, o n&uacute;mero de bicamadas lip&iacute;dicas em cada quitossoma aumentou de aproximadamente 1 (unilamelar) para 12 (multilamelar), quando se variou a quantidade de quitosana utilizada nas prepara&ccedil;&otilde;es. J&aacute; o par&acirc;metro de Caill&eacute; - que corresponde a uma medida das flutua&ccedil;&otilde;es de deforma&ccedil;&atilde;o na bicamada lip&iacute;dica originada nas ondula&ccedil;&otilde;es presentes naturalmente nas membranas em fun&ccedil;&atilde;o da temperatura - variou de 0,32 a 0,27 com o aumento da quantidade de quitosana presente na formula&ccedil;&atilde;o. Esses resultados apontam para uma maior rigidez da membrada lip&iacute;dica dos quitossomas pelo acr&eacute;scimo do polieletr&oacute;lito. A t&eacute;cnica de XPCS poder&aacute; ser &uacute;til na elucida&ccedil;&atilde;o da ordem de grandeza das flutua&ccedil;&otilde;es presentes em membranas lip&iacute;dicas, contribuindo para a determina&ccedil;&atilde;o da estabilidade mec&acirc;nica de tais membranas, quando da sua aplica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Pol&iacute;meros</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Superf&iacute;cies e interfaces presentes na mat&eacute;ria mole podem ser de grande import&acirc;ncia na aplica&ccedil;&atilde;o de materiais polim&eacute;ricos. Superf&iacute;cies contendo organiza&ccedil;&otilde;es polim&eacute;ricas do tipo escova, por exemplo, s&atilde;o reconhecidas como de grande import&acirc;ncia tecnol&oacute;gica e t&ecirc;m sido objeto de estudos cient&iacute;ficos bastante avan&ccedil;ados, com o intuito de reconhecer todas as suas propriedades intr&iacute;nsecas (12). O conhecimento sobre a din&acirc;mica de tais materiais &eacute; muito importante para sua aplicabilidade. Devido &agrave; complexidade desses sistemas em n&iacute;vel molecular, sua natureza compreende um grande intervalo de dimens&otilde;es e tempos caracter&iacute;sticos (din&acirc;micas). Dentro dessa perspectiva, os m&eacute;todos de espalhamento de radia&ccedil;&atilde;o s&atilde;o ferramentas muito importantes na sua caracteriza&ccedil;&atilde;o. Um artigo de revis&atilde;o publicado recentemente (12) ilustra perfeitamente todos os aspectos mais importantes do estudo desse tipo de mat&eacute;ria mole, quando se trata de elucidar suas caracter&iacute;sticas din&acirc;micas utilizando a t&eacute;cnica de espectroscopia de correla&ccedil;&atilde;o de f&oacute;tons de raios X (XPCS). Atrav&eacute;s dessa t&eacute;cnica, considerada essencial na compreens&atilde;o do comportamento das escovas polim&eacute;ricas, os movimentos t&iacute;picos de segmentos das cadeias e o movimento cooperativo entre os mesmos podem ser determinados. O trabalho ilustra claramente a correla&ccedil;&atilde;o entre as dimens&otilde;es das cadeias compostas por organiza&ccedil;&otilde;es polim&eacute;ricas do tipo escova e seus movimentos caracter&iacute;sticos, inclusive exemplificando o que outras t&eacute;cnicas, como o DLS, podem oferecer (12). Os autores consideram que muitas das propriedades dos materiais do tipo escovas polim&eacute;ricas, tais como capacidade de ades&atilde;o em superf&iacute;cies, molhabilidade etc., est&atilde;o intrinsicamente relacionadas com as propriedades superficiais desses materiais, incluindo a sua mobilidade (din&acirc;mica molecular). Na escala microsc&oacute;pica sabe-se, por exemplo, que a tens&atilde;o superficial dos materiais possui uma depend&ecirc;ncia espacial (depend&ecirc;ncia do vetor de onda <i>q</i>) devido ao efeito de intera&ccedil;&atilde;o superficial entre a mat&eacute;ria mole e o substrato (por exemplo, um filme de poliestireno que adere a um capilar). A t&eacute;cnica de XPCS pode acessar tempos de at&eacute; t &#126; 10<sup>0</sup> s, caracter&iacute;sticos, por exemplo, da mobilidade de poliestireno em meio capilar, cujo comportamento din&acirc;mico pode ser descrito pela mec&acirc;nica dos flu&iacute;dos, facilitando a interpreta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica dos resultados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, a aplica&ccedil;&atilde;o de campos externos (el&eacute;tricos, magn&eacute;ticos etc.) a sistemas polim&eacute;ricos pode ser um m&eacute;todo eficiente para controlar a organiza&ccedil;&atilde;o dos microdom&iacute;nios nessas estruturas compostas de mat&eacute;ria mole. Dessa forma podem-se induzir morfologias e diferentes dimens&otilde;es em arranjos moleculares caracter&iacute;sticos de separa&ccedil;&atilde;o de microfases. Resultados recentes (13) indicam que &eacute; poss&iacute;vel o estudo da indu&ccedil;&atilde;o de transi&ccedil;&otilde;es de fase em suspens&otilde;es coloidais, aplicando-se um campo el&eacute;trico externo acoplado &agrave;s medidas com a t&eacute;cnica de SAXS. Nesse estudo (13), o copol&iacute;mero dibloco poli (estireno-b-etileno-co-propileno)  (PS-b-PEP) foi dissolvido em uma mistura de solventes (cicloexano e dimetilformamida). Uma vez que os solventes puros s&atilde;o imisc&iacute;veis e os diferentes blocos do copol&iacute;mero interagem preferencialmente cada um com um dos solventes, na temperatura ambiente origina-se uma estrutura c&uacute;bica em 3 dimens&otilde;es (3D). Nessa estrutura em 3D, os microdom&iacute;nios esf&eacute;ricos de dimetilformamida ficam envolvidos em uma matriz l&iacute;quida de cicloexano, sendo que a interface l&iacute;quido-l&iacute;quido encontra-se recoberta pelas longas cadeias do copol&iacute;mero em bloco PS-b-PEP, em fun&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas de hidrofobicidade dos blocos. Uma vez aplicado o campo el&eacute;trico no experimento de SAXS, os resultados (combinados com a t&eacute;cnica similar que usa feixes de n&ecirc;utrons, SANS) demonstraram que a estrutura c&uacute;bica havia se convertido em um arranjo hexagonal. Sob um campo externo, os microdom&iacute;nios esf&eacute;ricos de dimetilformamida s&atilde;o deformados e interconectados levando &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de cilindros, com organiza&ccedil;&atilde;o hexagonal. Devido ao grande contraste diel&eacute;trico entre a matriz l&iacute;quida de cicloexano  (=2.0) e os microdom&iacute;nios contendo a dimetilformamida  (=38.0), um campo el&eacute;trico da ordem de &#126; 1.25 kV/mm foi suficiente para que ocorresse uma transi&ccedil;&atilde;o de fase do arranjo c&uacute;bico para hexagonal, no seio da suspens&atilde;o coloidal. A t&eacute;cnica de XPCS poder&aacute; ser &uacute;til na elucida&ccedil;&atilde;o dos tempos caracter&iacute;sticos para a completa transforma&ccedil;&atilde;o das estruturas (reorganiza&ccedil;&atilde;o dos microdom&iacute;nios 3D para arranjo hexagonal), em fun&ccedil;&atilde;o do campo el&eacute;trico aplicado e da temperatura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sabe-se que massas fundidas de copol&iacute;meros em bloco podem formar microestruturas tais como esferas, cilindros e lamelas, bem como estruturas bicont&iacute;nuas mais complexas, dependendo da raz&atilde;o de comprimento dos blocos, da intera&ccedil;&atilde;o intermolecular entre os copol&iacute;meros ou da presen&ccedil;a de homopol&iacute;meros adicionais (14). Nesses casos h&aacute; necessidade de investigar a resposta din&acirc;mica e reol&oacute;gica desses fluidos complexos, o que requer informa&ccedil;&otilde;es experimentais sobre as escalas microsc&oacute;picas de comprimento que caracterizam suas estruturas hier&aacute;rquicas. A t&eacute;cnica de XPCS &eacute; capaz de revelar a din&acirc;mica desses sistemas, que se caracterizam por escalas de comprimento relativamente pequenas e escalas de din&acirc;mica temporal relativamente longas, tratando-se nesses casos de din&acirc;mica estrutural. Informa&ccedil;&otilde;es relevantes sobre o comportamento viscoel&aacute;stico desses sistemas podem ser obtidas (14).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A t&eacute;cnica de XPCS tamb&eacute;m permite o estudo de sistemas v&iacute;treos e g&eacute;is. Do ponto de vista da reologia desses sistemas, a t&eacute;cnica permite o estudo da din&acirc;mica desses materiais fluidos e desordenados, principalmente em suas transi&ccedil;&otilde;es de fase caracter&iacute;sticas. Microscopicamente, transi&ccedil;&otilde;es v&iacute;treas e gelifica&ccedil;&atilde;o originam fen&ocirc;menos de espalhamento m&uacute;ltiplo, o que &eacute; um grande problema experimental na investiga&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica desses sistemas por DLS. Por outro lado, o fen&ocirc;meno do espalhamento m&uacute;ltiplo n&atilde;o afeta a t&eacute;cnica de XPCS. A compreens&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre a din&acirc;mica desses sistemas (vidros e g&eacute;is) e suas transi&ccedil;&otilde;es de fase s&atilde;o os principais desafios a serem elucidados, o que pode ser estudado atrav&eacute;s de XPCS (14).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Sistemas coloidais mais complexos</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A t&eacute;cnica de SAXS n&atilde;o requer, a priori, que as amostras sejam transparentes, como nas medidas com as t&eacute;cnicas de espalhamento de luz. Dessa forma, pode ser empregada para o estudo de sistemas coloidais mais complexos como amostras de petr&oacute;leo, por exemplo. Neste caso, medidas com SAXS (e com a t&eacute;cnica similar que usa feixes de n&ecirc;utrons, SANS) mostram que amostras de petr&oacute;leo cont&eacute;m part&iacute;culas coloidais, em alguns casos formadas por agregados de mol&eacute;culas polares chamadas de asfaltenos (15). Na tentativa de compreender a origem microsc&oacute;pica da alta viscosidade dos &oacute;leos brutos pesados, medidas macrosc&oacute;picas (medi&ccedil;&otilde;es reol&oacute;gicas) e microsc&oacute;picas (SAXS) s&atilde;o aplicadas. Estudos recentes (15) indicam uma clara rela&ccedil;&atilde;o entre o conte&uacute;do de asfalteno e a viscosidade do &oacute;leo. Por outro lado, a remo&ccedil;&atilde;o de asfalteno por flocula&ccedil;&atilde;o leva a uma grande queda de viscosidade, confirmando o asfalteno como a origem da alta viscosidade nesse meio. As an&aacute;lises SAXS dos &oacute;leos brutos confirmaram a presen&ccedil;a de agregados de asfaltenos como part&iacute;culas de dimens&otilde;es coloidais de tipo fractal. O estudo desses agregados &eacute; importante porque sua deposi&ccedil;&atilde;o pode levar a problemas de entupimento na rocha de onde o petr&oacute;leo &eacute; extra&iacute;do ou em tubula&ccedil;&otilde;es durante sua extra&ccedil;&atilde;o, sendo por isso comparado com o colesterol para a sa&uacute;de humana.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nanotubos de carbono s&atilde;o um outro exemplo de materiais auto-organizados utilizados na prepara&ccedil;&atilde;o de sistemas de interesse tecnol&oacute;gico. Estes t&ecirc;m atra&iacute;do muita aten&ccedil;&atilde;o devido &agrave; sua aplicabilidade na eletr&ocirc;nica, na mec&acirc;nica e na &oacute;tica. A partir da d&eacute;cada de 1990, especialmente os nanotubos de carbono de parede &uacute;nica (SWCNT) t&ecirc;m sido bastante investigados. Um estudo envolvendo pept&iacute;deos fotoativos ancorados sobre nanotubos de carbono  (SWCNT) demonstrou que, em solu&ccedil;&atilde;o, esses nanotubos se associam, mediados pelas macromol&eacute;culas de pept&iacute;deo (16). A t&eacute;cnica de SAXS permitiu a determina&ccedil;&atilde;o da espessura dos SWCVT (8,97 nm), bem como a determina&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de estruturas agregadas (2D) em solu&ccedil;&atilde;o, compostas de nanotubos de parede &uacute;nica (SWCNT). Com base nos resultados, os autores sugerem que a excelente estabilidade encontrada nos sistemas &eacute; aumentada pela ordem de longo alcance detectada por SAXS. Indicam ainda que esses comp&oacute;sitos com organiza&ccedil;&atilde;o na mesoescala podem ser transferidos para substratos s&oacute;lidos, para serem utilizados como modelos para o controle de morfologias em uma variedade de dispositivos eletr&ocirc;nicos, cuja efici&ecirc;ncia &eacute; altamente influenciada pela organiza&ccedil;&atilde;o molecular intr&iacute;nseca (16).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amostras de solo constituem outro sistema coloidal em que SAXS &eacute; uma ferramenta fundamental, uma vez que o tamanho das estruturas porosas e a &aacute;rea superficial das part&iacute;culas ali presentes s&atilde;o fundamentais para o sequestro e o transporte de carbono (17). O solo cont&eacute;m coloides que podem ser facilmente dispersos em contato com a &aacute;gua presente no material. S&atilde;o part&iacute;culas com dimens&otilde;es inferiores a 2 &mu;m e incluem principalmente aluminosilicato e part&iacute;culas de &oacute;xidos met&aacute;licos que podem ser liberados a partir de estruturas agregadas do solo, promovendo a dispers&atilde;o da mat&eacute;ria org&acirc;nica. Medidas de SAXS nesses sistemas permitem comparar o efeito de col&oacute;ides met&aacute;licos na capacidade de compacta&ccedil;&atilde;o dos solos, bem como a rugosidade caracter&iacute;stica, em fun&ccedil;&atilde;o da natureza fractal dos materiais dispersos. Esse estudo prop&otilde;e que o empacotamento das nanopart&iacute;culas e a sua &aacute;rea superficial s&atilde;o determinantes na capacidade de reten&ccedil;&atilde;o de carbono desses solos, indicando a import&acirc;ncia dos resultados fornecidos pelas an&aacute;lises de SAXS. Tamb&eacute;m pelo benef&iacute;cio da penetra&ccedil;&atilde;o dos raios X em amostras escuras e concentradas, a t&eacute;cnica de XPCS poder&aacute; ser utilizada em sistemas coloidais complexos desse tipo (solos) para avaliar a din&acirc;mica desses agregados e part&iacute;culas fractais, respons&aacute;veis pelas propriedades reol&oacute;gicas desses sistemas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PERSPECTIVAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na breve descri&ccedil;&atilde;o acima procuramos demonstrar a import&acirc;ncia das t&eacute;cnicas de espalhamento de raios X em &acirc;ngulos baixos (SAXS) e espectroscopia de correla&ccedil;&atilde;o de f&oacute;tons de raios X (XPCS) no estudo de sistemas importantes em nanoci&ecirc;ncia. Os materiais apresentados podem ser classificados como mat&eacute;ria mole e s&atilde;o compostos por mol&eacute;culas org&acirc;nicas a partir da sua organiza&ccedil;&atilde;o supramolecular que ocorre por intera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o covalentes. Esses sistemas envolvem surfactantes, pol&iacute;meros (em alguns casos biopol&iacute;meros) e outras mol&eacute;culas, produzindo sistemas complexos que normalmente apresentam um arranjo estrutural caracter&iacute;stico. Pelas suas dimens&otilde;es coloidais - na faixa de nan&ocirc;metros (nm) a micr&ocirc;metros (&#181;m) -, essas estruturas se situam na faixa de tamanho ideal para a aplica&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica de SAXS. Investiga&ccedil;&otilde;es utilizando SAXS, muitas vezes aliadas ao ajuste das curvas obtidas utilizando modelos te&oacute;ricos, fornecem n&atilde;o apenas o tamanho e a forma dos objetos nanom&eacute;tricos, como tamb&eacute;m informa&ccedil;&otilde;es sobre o seu arranjo espacial. Dessa forma, essas t&eacute;cnicas permitem entender os processos envolvidos na associa&ccedil;&atilde;o molecular e supramolecular e, a partir dessas informa&ccedil;&otilde;es, imaginar aplica&ccedil;&otilde;es que se beneficiem de suas estruturas e propriedades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; interessante ressaltar que, em alguns sistemas coloidais, esse arranjo de nanopart&iacute;culas pode ser associado ao arranjo de &aacute;tomos para formar mol&eacute;culas, as chamadas "mol&eacute;culas coloidais" (18), o que levou Tomalia e Khanna a propor a busca por arranjos nano-peri&oacute;dicos como um conceito unificador em nanoci&ecirc;ncia (19). A maioria das rotas sint&eacute;ticas para a prepara&ccedil;&atilde;o desses novos materiais consiste, por um lado, no controle do processo de forma&ccedil;&atilde;o de agregados por meio de coalesc&ecirc;ncia, rotas f&iacute;sicas e qu&iacute;micas e confinamento em m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es e, por outro lado, no uso de fen&ocirc;menos bem conhecidos como separa&ccedil;&atilde;o de fases ou mecanismos de nuclea&ccedil;&atilde;o e crescimento controlado de agregados. O estudo da din&acirc;mica de processos de forma&ccedil;&atilde;o de "mol&eacute;culas coloidais" utilizando experimentos de SAXS e XPCS poder&aacute; levar ao descobrimentos de processos e configura&ccedil;&otilde;es intermedi&aacute;rias que n&atilde;o podem ser observadas por outro m&eacute;todo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A divulga&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas de espalhamento de raios X em &acirc;ngulos baixos (SAXS) e espectroscopia de correla&ccedil;&atilde;o de f&oacute;tons de raios X (XPCS), bem como das informa&ccedil;&otilde;es que permitem obter, &eacute; muito importante para o desenvolvimento da nanoci&ecirc;ncia no Brasil, principalmente se considerada a infraestrutura j&aacute; em funcionamento em laborat&oacute;rios como o LNLS ou, no caso de XPCS, sua futura disponibilidade dentro das linhas a serem instaladas no laborat&oacute;rio Sirius.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	Engelskirchen, S.; Kulkarni, C. V. <i>Phys. Chem. Chem. Phys.</i>, 13, 3003, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.	De Gennes, P. G. <i>Science</i>, 256, 495, 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.	Narayanan, T.; <i>Current Opinion in Colloid &amp; Interface Science</i>, v. 14, n. 6, 409, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.	&lt;<a href="http://lnls.cnpem.br/sirius/" target="_blank">http://lnls.cnpem.br/sirius/</a>&gt;. Acesso em mar&ccedil;o de 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.	Borsali, R.; Pecora, R. (editors); <i>Soft-Matter Characterization</i>, Springer, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.	Craievich, A. 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Leheny, R., L. <i>Current Opinion in Colloid &amp; Interface Science</i>, v. 17, n. 1, p. 3, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15.	Padula<sup>, </sup>L.; da Silveira Balestrin, L. B.; Rocha, N. O.; Monteiro de Carvalho, C.  H.; Westfahl Jr., H.; Cardoso, M. B.; Sabadini, E.; Loh, W. <i>Energy Fuels</i>, v. 30, n. 5, p. 3644, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16.	Brunetti, F. G.; Romero-Nieto, C.; Lopez-Andarias, J.; Atienza, C.; L&oacute;pez, J. L.; Guldi, D. M.; Martin, N.; <i>Angew Chem</i>., v. 52, n. 8, p. 2180, 2013.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17.	Jiang, C.; S&eacute;quaris, J. M.; Wacha, A.; <u>B&oacute;ta</u>, A.; Vereecken, H.; Klumpp, E. <i>Geoderma</i>, 260, p. 235-236, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18.	Duguet, E.; Desert, A.; Perro, A.; Ravaine, S. <i>Chem. Soc. Rev.</i> 40, 941, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19.	Tomalia, D. A.; Khanna, S. N. <i>Chem. Rev</i>., v. 116, n. 4, p. 2705, 2016.    </font></p>      ]]></body><back>
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