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<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602017000300015</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Radiação síncrotron na agricultura e ciência do solo]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> INOVA&Ccedil;&Atilde;O E TRANSFORMA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron na agricultura e ci&ecirc;ncia do solo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Dean Hesterberg<sup>I</sup>; Leonardus Verg&uuml;tz<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Docente do Departamento de Ci&ecirc;ncia do Solo da North Carolina State  University, Estados Unidos    <br> <sup>I</sup>Docente do Departamento de Solos da Universidade Federal de  Vi&ccedil;osa</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os solos est&atilde;o entre os recursos naturais mais importantes para sustentar a vida na Terra, sendo essenciais para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos - para atender uma popula&ccedil;&atilde;o mundial crescente -, de fibras para vestu&aacute;rio, de produtos florestais para abrigo e, mais recentemente, para produ&ccedil;&atilde;o de energia com os biocombust&iacute;veis. No Brasil, os solos s&atilde;o particularmente importantes para os setores agr&iacute;cola e florestal, muito relevantes economicamente. Por defini&ccedil;&atilde;o, os solos s&atilde;o o material mineral ou org&acirc;nico n&atilde;o consolidado na superf&iacute;cie da Terra que serve como meio natural para o crescimento de plantas terrestres (Glossary of Soil Science Terms - Soil Science Society of America). Assim, todos os ecossistemas agr&iacute;colas, florestais e naturais, bem como humanos, dependem dos solos para suporte vital. Ao remover contaminantes e excesso de nutrientes da &aacute;gua, os solos tamb&eacute;m s&atilde;o cr&iacute;ticos para sustentar o fornecimento de &aacute;gua pot&aacute;vel de fontes subterr&acirc;neas e superficiais. Esse papel &eacute; importante para mitigar a dispers&atilde;o de contaminantes qu&iacute;micos, por exemplo, da minera&ccedil;&atilde;o, outro setor importante da economia brasileira. Os solos s&atilde;o tamb&eacute;m o maior reservat&oacute;rio terrestre de carbono (1), o que ressalta seu papel central no ciclo global do carbono e nas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Solos s&atilde;o meios porosos que compreendem misturas complexas e heterog&ecirc;neas de minerais, mat&eacute;ria org&acirc;nica e organismos vivos em associa&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima, com &aacute;gua e gases migrando atrav&eacute;s dos poros. Solos s&atilde;o formados pelo intemperismo das rochas e, essencialmente, todos os elementos qu&iacute;micos da tabela peri&oacute;dica de ocorr&ecirc;ncia natural podem ser encontrados nos solos. No entanto, os elementos qu&iacute;micos dominantes em solos de todo o mundo s&atilde;o oxig&ecirc;nio, sil&iacute;cio, alum&iacute;nio, carbono, ferro, pot&aacute;ssio, c&aacute;lcio, magn&eacute;sio e s&oacute;dio (<a href="#fig1">Figura 1</a>). Nitrog&ecirc;nio, f&oacute;sforo, pot&aacute;ssio, c&aacute;lcio, magn&eacute;sio e enxofre s&atilde;o macronutrientes essenciais para a vida que s&atilde;o amplamente fornecidos a partir de solos, assim como uma s&eacute;rie de oligoelementos como mangan&ecirc;s, zinco, cobre, molibd&ecirc;nio e boro. No entanto, muitos micronutrientes s&atilde;o t&oacute;xicos quando absorvidos em excesso por organismos vivos. Os solos regulam o fornecimento desses elementos potencialmente t&oacute;xicos para plantas em n&iacute;veis que s&atilde;o suficientes para o seu crescimento, sem apresentarem toxicidade.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a15fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O gerenciamento adequado de macro e micronutrientes do solo &eacute; essencial para maximizar a produtividade agr&iacute;cola, sem degradar o meio ambiente pela dispers&atilde;o de excesso de nutrientes e contaminantes. Idealmente, o conhecimento sobre o comportamento de v&aacute;rios elementos qu&iacute;micos derivados de sistemas puros poderia ser traduzido diretamente para os solos. No entanto, os solos s&atilde;o muito diferentes dos sistemas qu&iacute;micos puros pois a din&acirc;mica dos fluxos de &aacute;gua e g&aacute;s, juntamente com a atividade biol&oacute;gica, resulta em associa&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas entre mat&eacute;ria org&acirc;nica, microrganismos e minerais, cristalinos ou amorfos, que possuem superf&iacute;cies quimicamente alteradas. &Eacute; dif&iacute;cil caracterizar essas associa&ccedil;&otilde;es minerais-org&acirc;nicas-biol&oacute;gicas em fase s&oacute;lida, e ainda mais as formas moleculares (esp&eacute;cies qu&iacute;micas) de nutrientes e contaminantes ligados a esses aglomerados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro desafio na ci&ecirc;ncia do solo &eacute; a tradu&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es em escalas espaciais diferentes. Os solos s&atilde;o sistemas espacialmente hier&aacute;rquicos, com camadas sobrepostas de complexidade qu&iacute;mica, f&iacute;sica e biol&oacute;gica que dificulta observa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas em escala espacial crescente. &Eacute; particularmente dif&iacute;cil traduzir o conhecimento sobre a natureza molecular de esp&eacute;cies qu&iacute;micas do solo para a escala de campo ou ambiente, que s&atilde;o aquelas manejadas para a agricultura e outros fins (<a href="#fig2">Figura 2</a>). Mesmo nessas escalas espaciais maiores, os solos apresentam propriedades que variam continuamente atrav&eacute;s do ambiente e, atualmente, existem cerca de 300.000 diferentes tipos de solo mapeados na escala de campo em todo o mundo.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a15fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar da natureza complexa dos solos, cientistas fazem uso de ferramentas espectrosc&oacute;picas e microsc&oacute;picas de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o em uma busca cont&iacute;nua para o entendimento da natureza molecular de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas nos solos, e para que tais informa&ccedil;&otilde;es sejam utilizadas para melhorar o manejo dos solos. As t&eacute;cnicas de radia&ccedil;&atilde;o de s&iacute;ncrotron emergiram como ferramentas particularmente poderosas para o estudo de solos em escalas espaciais variando de mil&iacute;metros a nan&ocirc;metros. E o desenvolvimento cont&iacute;nuo dessas t&eacute;cnicas em novas instala&ccedil;&otilde;es, como o Sirius, auxiliam no avan&ccedil;o das fronteiras do conhecimento sobre os solos e suas intera&ccedil;&otilde;es com organismos vivos em ecossistemas agr&iacute;colas e naturais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RADIA&Ccedil;&Atilde;O S&Iacute;NCROTRON PARA AN&Aacute;LISES DE SOLO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As t&eacute;cnicas de radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron frequentemente usadas em ci&ecirc;ncias do solo e da agricultura s&atilde;o a espectroscopia de absor&ccedil;&atilde;o de raios X (XAS, incluindo XANES e EXAFS), fluoresc&ecirc;ncia de raios X com microssonda (&mu;-XRF), tomografia de raios X e a difra&ccedil;&atilde;o de raios X (DRX), geralmente em escalas espaciais variando de milim&eacute;trica a submicrom&eacute;trica (2, 3, 4). Uma grande vantagem do XAS em rela&ccedil;&atilde;o a outras t&eacute;cnicas espectrosc&oacute;picas &eacute; a sua especificidade elementar. Ou seja, a borda de absor&ccedil;&atilde;o surge da absor&ccedil;&atilde;o de raios X por &aacute;tomos de um &uacute;nico elemento, com grandes separa&ccedil;&otilde;es de energia (centenas a milhares de el&eacute;tron volts) entre as bordas de absor&ccedil;&atilde;o de diferentes elementos. Imagine que, para uma matriz de solo contendo de oito a dez elementos dominantes (<a href="#fig1">Figura 1</a>) e v&aacute;rios outros elementostra&ccedil;o, os raios X em uma dada energia excitam efetivamente apenas os el&eacute;trons de &aacute;tomos do elemento de interesse.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse fen&ocirc;meno torna o XAS vantajoso em rela&ccedil;&atilde;o a outros tipos de espectroscopia, para os quais as interfer&ecirc;ncias de m&uacute;ltiplos elementos degradam os espectros. Al&eacute;m disso, quase todos os elementos da tabela peri&oacute;dica podem ser analisados por XAS para abordar problemas espec&iacute;ficos em agricultura e ci&ecirc;ncias ambientais. No entanto, como outros tipos de espectroscopia, a complexidade dos materiais do solo dificulta a deconvolu&ccedil;&atilde;o dos espectros XAS para identifica&ccedil;&atilde;o altamente espec&iacute;fica de esp&eacute;cies qu&iacute;micas presentes (5). Como os raios X penetram a mat&eacute;ria e excitam os el&eacute;trons em todos os &aacute;tomos de interesse, o espectro resultante &eacute; a m&eacute;dia ponderada dos sinais de todos os ambientes moleculares dos elementos de interesse e, muitas vezes, os espectros s&atilde;o ajustados com apenas tr&ecirc;s ou quatro padr&otilde;es de esp&eacute;cies qu&iacute;micas puras. Consequentemente, XAS n&atilde;o &eacute; uma t&eacute;cnica altamente sens&iacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o ao poss&iacute;vel n&uacute;mero de ambientes qu&iacute;micos de determinado elemento qu&iacute;mico nos solos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra dificuldade em interpretar esses espectros &eacute; que a maioria dos elementos qu&iacute;micos s&atilde;o ligados com oxig&ecirc;nio na primeira camada de coordena&ccedil;&atilde;o molecular (com sulfetos met&aacute;licos representando uma exce&ccedil;&atilde;o not&aacute;vel), e qualquer outro elemento pode estar presente em camadas de coordena&ccedil;&atilde;o mais altas. Adicionalmente, a probabilidade de que existam esp&eacute;cies qu&iacute;micas m&uacute;ltiplas de um mesmo elemento em um dado solo &eacute; elevada, o que contribui para os desafios de (i) interpretar espectros XAS para compreender o arranjo molecular das esp&eacute;cies qu&iacute;micas presentes e (ii) traduzir essa informa&ccedil;&atilde;o para prever o comportamento do elemento em escala macro e de campo em um determinado solo (<a href="#fig2">Figura 2</a>). O estado de oxida&ccedil;&atilde;o dos elementos do solo, que tipicamente influencia a mobilidade e din&acirc;mica dos elementos, pode ser facilmente obtido por meio de XAS, uma vez que a energia de liga&ccedil;&atilde;o dos el&eacute;trons muda com o estado de oxida&ccedil;&atilde;o. As linhas de luz s&iacute;ncrotron do Sirius abranger&atilde;o uma gama de energias que permitir&atilde;o a an&aacute;lise de diversos elementos de import&acirc;ncia na agricultura e na ci&ecirc;ncia do solo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde a primeira aplica&ccedil;&atilde;o geoqu&iacute;mica do XAS baseado em radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron para determinar a configura&ccedil;&atilde;o molecular do selenato em um mineral de &oacute;xido de ferro puro (6), o uso dessa t&eacute;cnica nas ci&ecirc;ncias do solo, ambiental e geoci&ecirc;ncias explodiu (2). Muitos dos primeiros estudos utilizando radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron foram realizados em minerais puros (sint&eacute;ticos ou geol&oacute;gicos), considerados modelos an&aacute;logos de minerais de solo mais degradados e heterog&ecirc;neos. Para esses minerais de estrutura bem definida, as configura&ccedil;&otilde;es de liga&ccedil;&atilde;o molecular de esp&eacute;cies qu&iacute;micas podem ser determinadas com um alto grau de especificidade. Por exemplo, Brown e Sturchio (2) tabularam mais de 100 configura&ccedil;&otilde;es moleculares de 20 elementos em superf&iacute;cies de minerais, a maioria das quais foi medida usando EXAFS (uma das t&eacute;cnicas espectrosc&oacute;picas de XAS). No entanto, quando m&uacute;ltiplos minerais e mat&eacute;ria org&acirc;nica heterog&ecirc;nea est&atilde;o associados, como &eacute; t&iacute;pico das matrizes de solo, a especificidade molecular do XAS diminui (5). Este fen&ocirc;meno, em oposi&ccedil;&atilde;o aos sistemas sint&eacute;ticos, &eacute; um aspecto peculiar e desafiador do estudo de elementos qu&iacute;micos em solos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Maior especificidade anal&iacute;tica pode ser obtida empregando-se feixe de radia&ccedil;&atilde;o de tamanho reduzido, permitindo o estudo em escalas espaciais cada vez menores. Por exemplo, as an&aacute;lises de &mu;-XRF espacialmente resolvidas de amostras de solo (mapeamento qu&iacute;mico) tiram proveito da heterogeneidade natural dos solos. Como os solos geralmente compreendem misturas de diferentes esp&eacute;cies qu&iacute;micas de um dado elemento, espera-se que as esp&eacute;cies estejam isoladas em diferentes regi&otilde;es (micro ou nanos&iacute;tio), dependendo da qu&iacute;mica e mineralogia local (<a href="#fig2">Figura 2</a>). Uma combina&ccedil;&atilde;o de an&aacute;lises de &mu;-XRF, &mu;-DRX e &mu;-XAS baseadas em luz s&iacute;ncrotron &eacute; particularmente poderosa para caracterizar um elemento do solo e seu ambiente qu&iacute;mico/mineral&oacute;gico (7). Al&eacute;m disso, o &mu;-XRF permite a an&aacute;lise de elementos em concentra&ccedil;&otilde;es muito baixas (ppm) em uma amostra de solo porque a concentra&ccedil;&atilde;o em <i>hotspots</i> &eacute; muito maior do que a concentra&ccedil;&atilde;o na massa total do solo. As an&aacute;lises de &mu;-XRF e tomografia s&atilde;o &uacute;teis para avaliar processos qu&iacute;micos em interfaces, como a interface solo-raiz, onde nutrientes e toxinas s&atilde;o transferidos entre solos e plantas. O Sirius contar&aacute; com microssondas de raios X de alta resolu&ccedil;&atilde;o  qu&iacute;mica e espacial que s&atilde;o particularmente favor&aacute;veis &agrave; an&aacute;lise do solo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ELEMENTOS QU&Iacute;MICOS DE INTERESSE NA AGRICULTURA E NA CI&Ecirc;NCIA DO SOLO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Dada a ampla gama de problemas agr&iacute;colas, ambientais e biol&oacute;gicos na sociedade moderna, in&uacute;meros elementos qu&iacute;micos s&atilde;o de interesse para an&aacute;lise de radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron. Na agricultura, nutrientes das plantas, como f&oacute;sforo e micronutrientes que est&atilde;o fortemente ligados a s&oacute;lidos do solo, s&atilde;o de particular interesse porque a solubiliza&ccedil;&atilde;o desses elementos no solo determina sua absor&ccedil;&atilde;o pelas plantas. A vasta gama de energia abrangida pelas v&aacute;rias linhas de luz do Sirius permitir&aacute; a continuidade de estudos sobre a troca de c&aacute;lcio pelo t&oacute;xico alum&iacute;nio em solos agr&iacute;colas que receberam calagem, a libera&ccedil;&atilde;o de nutrientes a partir de res&iacute;duos e reuso de subprodutos da ind&uacute;stria em rotas alternativas de produ&ccedil;&atilde;o de fertilizantes (8), bem como a qu&iacute;mica da interface raiz-solo (rizosfera) para melhorar a absor&ccedil;&atilde;o de nutrientes, evitando a absor&ccedil;&atilde;o de elementos t&oacute;xicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O f&oacute;sforo &eacute; um dos tr&ecirc;s macronutrientes prim&aacute;rios (juntamente com nitrog&ecirc;nio e pot&aacute;ssio) para o crescimento das plantas. Ocorre nos solos como f&oacute;sforo org&acirc;nico e biomassa, al&eacute;m de v&aacute;rias esp&eacute;cies qu&iacute;micas de fosfato mineral ou adsorvido, tipicamente associado com c&aacute;lcio, ferro e alum&iacute;nio. O fosfato &eacute; particularmente importante para o crescimento de culturas no Brasil. Isso porque nossos solos s&atilde;o altamente intemperizados e com grande quantidade de &oacute;xidos de Fe e Al. Latossolos de colora&ccedil;&atilde;o avermelhada ou amarelada espalhados por todo pa&iacute;s tendem a fixar parcela significativa do fosfato adicionado via fertilizante, transformando-o em esp&eacute;cies que s&atilde;o em grande parte indispon&iacute;veis para culturas (9). O desenvolvimento de melhores pr&aacute;ticas de manejo da aduba&ccedil;&atilde;o fosfatada e da calagem dos solos do vasto bioma Cerrado transformou essa terra improdutiva em uma das regi&otilde;es que mais produzem soja no mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A t&eacute;cnica de (&mu;-)XAS baseada em radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron &eacute; capaz de diferenciar muitas dessas esp&eacute;cies qu&iacute;micas (5). No entanto, como mostrado na <a href="#fig2">Figura 2</a>, mesmo quando concentrado em micros&iacute;tios, o f&oacute;sforo do solo provavelmente n&atilde;o est&aacute; em formas qu&iacute;micas ou minerais puras. Essa caracter&iacute;stica de fases m&uacute;ltiplas ou impuras desafia os cientistas a desenvolverem modelos de mobiliza&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica em solos, que s&atilde;o potencialmente mais complexos que modelos convencionais baseados em processos termodin&acirc;micos e cin&eacute;ticos de an&aacute;logos qu&iacute;micos puros desses componentes presentes no solo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como uma agricultura mais tecnifi cada exige um controle otimizado da disponibilidade de nutrientes de fontes variadas, incluindo o uso de res&iacute;duos diversos, a especifi cidade qu&iacute;mica das an&aacute;lises de raios X baseadas em radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron ser&aacute; cada vez mais importante para otimizar o manejo desses nutrientes. Por exemplo, micronutrientes como ferro, mangan&ecirc;s, zinco, cobre, n&iacute;quel e molibd&ecirc;nio s&atilde;o necess&aacute;rios em baixas concentra&ccedil;&otilde;es nas plantas e suas disponibilidades mudam com o pH do solo. &Agrave; medida que a produtividade das culturas no Brasil continue aumentando ao longo do tempo, torna-se cada vez mais importante o manejo correto dos solos para prevenir defi - ci&ecirc;ncias de micronutrientes que limitariam os rendimentos de tais produ&ccedil;&otilde;es. A biofortifi ca&ccedil;&atilde;o agron&ocirc;mica, que visa a melhoria da qualidade nutricional dos alimentos atrav&eacute;s do manejo agron&ocirc;mico, &eacute; especialmente importante para ferro e zinco. A especia&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica obtida a partir de t&eacute;cnicas de raios X baseadas em luz s&iacute;ncrotron continuar&aacute; sendo importante para o manejo de micronutrientes. Al&eacute;m disso, em solos que cont&ecirc;m elementos potencialmente t&oacute;xicos, como chumbo, ars&ecirc;nio, c&aacute;dmio e merc&uacute;rio em n&iacute;veis elevados, a absor&ccedil;&atilde;o das culturas &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; qualidade dos alimentos para consumo humano e por animais. Os solos s&atilde;o frequentemente utilizados para a disposi&ccedil;&atilde;o fi nal de res&iacute;duos que contenham metais "pesados" potencialmente perigosos, como res&iacute;duos industriais, de minera&ccedil;&atilde;o e humanos e animais. A radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron &eacute; muito &uacute;til para o desenvolvimento de tratamentos de remedia&ccedil;&atilde;o do solo que convertam subst&acirc;ncias t&oacute;xicas em formas menos sol&uacute;veis com disponibilidade biol&oacute;gica diminu&iacute;da.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O di&oacute;xido de carbono &eacute; um g&aacute;s causador do efeito de estufa que tem recebido muita aten&ccedil;&atilde;o devido ao seu papel nas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. O carbono do solo &eacute; derivado da fi xa&ccedil;&atilde;o do CO<SUB>2</sub> atmosf&eacute;rico pelas plantas e outros produtores prim&aacute;rios atrav&eacute;s da fotoss&iacute;ntese. A oxida&ccedil;&atilde;o respirat&oacute;ria do carbono da biomassa de volta ao CO<SUB>2</sub> &eacute; fonte vital de energia para humanos, animais, plantas e microrganismos. A estabiliza&ccedil;&atilde;o do carbono nos solos como forma de diminuir a ciclagem do CO<SUB>2</sub> atmosf&eacute;rico &eacute; uma &aacute;rea de pesquisa de grande interesse e import&acirc;ncia para o ciclo global de carbono. A microscopia de raio X de transmiss&atilde;o por varredura baseada em radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron (<i>scanning transmission X-ray microscopy</i> – STXM) e a espectroscopia de estrutura fina de absor&ccedil;&atilde;o de raios X pr&oacute;xima &agrave; borda (near-edge X-ray absorption fine structure - NEXAFS) utilizando raios X de baixa energia (raios X moles) tem sido utilizadas para analisar ambientes qu&iacute;micos em micro e nanoescala que afetam o sequestro de carbono org&acirc;nico nos solos (10).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em s&iacute;ntese, a nova fonte de radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron brasileira - Sirius fornecer&aacute; capacidades de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o para analisar uma ampla gama de elementos qu&iacute;micos em solos que s&atilde;o de import&acirc;ncia agr&iacute;cola e ambiental. A integra&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas de imageamento, espectroscopia, tomografia e difra&ccedil;&atilde;o para an&aacute;lise de componentes do solo espacialmente co-localizados, compostos por m&uacute;ltiplos elementos qu&iacute;micos, pode permitir um conhecimento altamente espec&iacute;fico da qu&iacute;mica de nutrientes e contaminantes nos solos. Esse conhecimento levar&aacute; &agrave; melhoria e maior precis&atilde;o do manejo desses sistemas altamente heterog&ecirc;neos, otimizando o uso da terra para ecossistemas agr&iacute;colas e naturais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Scharlemann, J. P. W.; Tanner, E. V. J.; Hiederer, R.; Kapos, V. "Global soil carbon: understanding and managing the largest terrestrial carbon pool". <i>Carbon Manag</i>. 5, p.81-91, 2014.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Brown, G. E.; Sturchio, N. C. "An overview of synchrotron radiation applications to low temperature geocheeistry and environmental science". In: Fenter, P. A.; Rivers, M. L.; Sturchio, N. C.; Sutton, S. R. (eds.), <i>Applications of synchrotron radiation in low-temperature geochemistry and environmental sciences</i>. Geochemical Society - Mineralogical Society of America, Washington, D.C., p. 1-115, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Fenter, P. A.; Rivers, M. L.; Sturchio, N. C.; Sutton, S. R .E. <i>Applications of synchrotron radiation in low-temperature geochemistry and environmental sciences</i>. Geochemical Society - Mineralogical Society of America, Washington, D. C., 2002.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Kelly, S. D.; Hesterberg, D.; Ravel, B. "Analysis of soils and minerals using X-ray absorption spectroscopy". In: Ulery, A. L.; Drees, L. R. (eds.),<i> Methods of soil analysis part 5 - mineralogical methods</i>. Soil Science Society of America, Inc., Madison, WI, p. 387-463, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 5. Kizewski, F.; Morris, A.; Liu, Y.-T.; Hesterberg, D. "Spectroscopic approaches for phosphorus speciation in soils and other environmental systems". <i>Journal of Environmental Quality,</i> 40, p. 751-766, 2011.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Hayes, K. F.; Roe, A. L.; Brown, G. E.; Hodgson, K. O.; Leckie, J. O.; Parks, G. A. "InSitu X-ray absortpion study of surface complexes - selenium oxyanions on alpha-FeOOH". <i>Science</i>, 238, p. 783-786, 1987.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 7. Manceau, A.; Tamura, N.; Marcus, M. A.; MacDowell, A. A.; Celestre, R. S.; Sublett, R. E.; Sposito, G.; Padmore, H. A. "Deciphering Ni sequestration in soil ferromanganese nodules by combining X-ray fluorescence, absorption, and diffraction at micrometer scales of resolution". <i>American Mineralogist</i>, 87, p. 1494-1499, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 8. Santos, W. O.; Hesterberg, D.; Mattiello, E. M.; Vergutz, L.; Barreto, M. S. C.; Silva, I. R.; Souza, L. F. S. "Increasing soluble phosphate species by treatment of phosphate rocks with acidic waste". <i>Journal of Environmental Quality</i>, 45, p. 1988-1997, 2016.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Roy, E. D.; Richards, P. D.; Martinelli, L. A.; Della Coletta, L.; Lins, S. R. M.; Vazquez, F. F.; Willig, E.; Spera, S. A;, VanWey, L. K.; Porder, S. "The phosphorus cost of agricultural intensification in the tropics". <i>Nat. Plants</i>, 2, 6, 2016.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Solomon, D.; Lehmann, J.; Harden, J.; Wang, J.; Kinyangi, J.; Heymann, K.; Karunakaran, C.; Lu, Y. S.; Wirick, S.; Jacobsen, C. "Micro- and nano- environments of carbon sequestration: Multi-element STXM-NEXAFS spectromicroscopy assessment of microbial carbon and mineral associations". <i>Chem. Geol</i>., 329, p. 53-73, 2012.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Agradecimentos: </b>A colabora&ccedil;&atilde;o entre os coautores foi apoiada pela concess&atilde;o nº A105/2013 do programa Ci&ecirc;ncias Sem Fronteiras, Capes, Brasil. Parte deste trabalho foi inspirada por pesquisas realizadas sob o projeto nº 1349374 do programa de Geobiologia e Geoqu&iacute;mica de Baixa Temperatura da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Ci&ecirc;ncia dos Estados Unidos (NSF). A imagem STEM na <a href="#fig2">Figura 2</a> foi coletada pelo prof. James LeBeau na NC State University Analytical Instrumentation Facility (AIF), que &eacute; financiada pelo estado da Carolina do Norte e pela NSF (projeto ECCS-1542015). O AIF &eacute; membro da North Carolina Research Triangle Nanotechnology Network (RTNN), que faz parte da National Nanotechnology Coordinated Infrastructure (NNCI). As imagens de &mu;-XRF e o espectro da <a href="#fig2">Figura 2</a> foram coletados no Advanced Photon Source, uma instala&ccedil;&atilde;o do escrit&oacute;rio de ci&ecirc;ncia do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) operado pelo Argonne National Laboratory sob o contrato DE-AC02-06CH11357.</font></p>      ]]></body><back>
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