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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> ARTE GR&Aacute;FICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jo&atilde;o Baptista da Costa Aguiar e o exerc&iacute;cio da s&iacute;ntese visual</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Mariuzzo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Capas de livros s&atilde;o como pistas, luzes que acendem em meio a um emaranhado de sinais e mensagens com os quais nos deparamos todos os dias. Como traduzir em um pequeno espa&ccedil;o o conte&uacute;do de um livro, a identidade de seu autor e ainda a marca de uma editora? Esse era um dos desafios de Jo&atilde;o Baptista da Costa Aguiar, artista gr&aacute;fico, morto em abril deste ano. "Ele tinha uma for&ccedil;a criativa, uma sensibilidade para trabalhar com tra&ccedil;os, formas e cores e criar uma marca que o distinguia de maneira exemplar", afirma o poeta e linguista Carlos Vogt, o primeiro autor a ter uma capa de livro feita pelo artista. A aproxima&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Baptista com o mundo dos livros se deu justamente pela amizade com Vogt. Foi ele que o apresentou ao editor paulista Caio Graco, ent&atilde;o presidente da editora Brasiliense, que editava um dos livros do poeta, <i>Gera&ccedil;&atilde;o</i> (1985).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na capa de <i>Cantografia: o itiner&aacute;rio do carteiro cartogr&aacute;fico</i> (Ed. Massao Ohno &amp; Hucitec &amp; INL/MEC, 1982), ele transforma a mensagem do t&iacute;tulo em um enredo de fios e imagens, como em um mapa do tesouro, que antecipa, inclusive, os t&iacute;tulos dos cap&iacute;tulos do livro. Aqui est&aacute; uma das principais caracter&iacute;sticas do trabalho do artista: estabelecer uma simbiose entre capa e texto, dando uma solu&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica para a narrativa liter&aacute;ria.  "A capa dos livros &eacute; um dos espa&ccedil;os mais privilegiados, pois, enquanto o desenho de um jornal dura um dia e o de uma revista, um m&ecirc;s, a capa de um livro dura pelo menos dez anos na casa de uma pessoa", declarou ele, em entrevista para a <i>Folha de S.Paulo</i>, em 2007.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a18fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi assim com os trabalhos feitos para a editora Companhia das Letras, para a qual ele criou o logotipo e dezenas de capas de livros, especialmente na d&eacute;cada de 1990. Boa parte desses trabalhos est&aacute; reunido no livro <i>Jo&atilde;o Baptista da Costa Aguiar: desenho gr&aacute;fico, 1980-2006</i> (Senac Editores, 2006), com texto cr&iacute;tico da estudiosa da hist&oacute;ria do design brasileiro, Ethel Leon. Ela destaca, entre as qualidades de Jo&atilde;o Baptista, o tr&acirc;nsito f&aacute;cil entre as escalas micro e macro, bem como a utiliza&ccedil;&atilde;o de imagens inspiradas em objetos pr&oacute;ximos, presentes em seu ambiente dom&eacute;stico e cotidiano, mas sem nunca ser &oacute;bvio. "Muitos dos seus trabalhos t&ecirc;m uma esp&eacute;cie de obviedade dif&iacute;cil, aquela reconhec&iacute;vel depois de alguns segundos, depois de instantes de estranheza", escreveu Ethel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MARCAS DE UM ARTISTA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na verdade, a liga&ccedil;&atilde;o de Baptista com a Companhia das Letras &eacute; bem anterior ao trabalho com as capas. Ele ajudou a escolher o nome da editora e foi respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o de seu logotipo. Para Ethel, a cria&ccedil;&atilde;o de marcas e logotipos mostram o grande poder de s&iacute;ntese visual desse artista gr&aacute;fico, onde ele demonstra capacidade de contar uma hist&oacute;ria por meio da justaposi&ccedil;&atilde;o de elementos figurativos. "Ele foi um dos primeiros a quebrar a l&oacute;gica construtiva, presente nos programas de identidade corporativa desde os anos 1950", lembra a pesquisadora.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso da Companhia das Letras, a marca &eacute; constru&iacute;da com tr&ecirc;s elementos: o desenho de um meio de transporte, os fios que sustentam esse desenho e o logotipo da editora. De acordo com Ethel, trata-se de uma constru&ccedil;&atilde;o coerente com os novos tempos j&aacute; que, no momento da inaugura&ccedil;&atilde;o da editora, o mundo empresarial mudava aceleradamente. Baptista captura essa transforma&ccedil;&atilde;o ao substituir uma gr&aacute;fica seca, n&atilde;o ornamental e de imagens monol&iacute;ticas pela flexibilidade e o movimento. Para ele, uma empresa ou institui&ccedil;&atilde;o tinha que ser traduzida de modo mais pessoal, da&iacute; que uma marca deveria contar uma hist&oacute;ria. "Jo&atilde;o marcou nossas vidas, de todos que fizemos a Companhia, escolhendo a sua cara, desenhando m&uacute;ltiplos logos premiados (...) que ajudaram a determinar quem somos at&eacute; hoje. Foi sem d&uacute;vida um dos melhores capistas da hist&oacute;ria do livro no Brasil", escreveu Luiz Schwarcz no <i>Blog da Companhia das Letras</i>, um dia depois da morte do artista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com trabalho extenso, Baptista tamb&eacute;m foi respons&aacute;vel por diversos projetos editoriais de revistas. Em 1970 iniciou carreira na Editora Abril e pouco tempo depois assumiu a dire&ccedil;&atilde;o de arte da revista <i>Vogue Brasil </i>(1976-1978).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n3/a18fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SUAVES CAMINHOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Desde 2002, Baptista era o respons&aacute;vel pelo projeto gr&aacute;fico da revista <i>Ci&ecirc;ncia&amp;Cultura</i>. "Quando eu apresentei o projeto de reformula&ccedil;&atilde;o da revista para a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), eu convidei o Jo&atilde;o Baptista para criar a identidade visual da revista, que acabou permanecendo at&eacute; hoje", conta Vogt, editor chefe da publica&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m do projeto editorial, s&atilde;o mais de 60 capas ao longo de 15 anos, conferindo &agrave; revista uma identidade &uacute;nica entre as revistas de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica no Brasil. A caracter&iacute;stica que prevalece nesse trabalho &eacute; a composi&ccedil;&atilde;o de t&iacute;tulos unicamente com as letras, mostrando as possibilidades expressivas das fontes. O pr&oacute;prio Baptista explicou essa op&ccedil;&atilde;o como sendo inspirada nos desenhos da cartilha "Caminho suave", utilizada em sua alfabetiza&ccedil;&atilde;o, e que faz aproxima&ccedil;&atilde;o visual de palavras e coisas, um procedimento similar ao efeito perseguido pelo desenho gr&aacute;fico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paulistano, Jo&atilde;o Baptista estudou desenho e pintura na Funda&ccedil;&atilde;o Armando &Aacute;lvares Penteado (FAAP). Ao longo de seu trabalho, cultivou a tradi&ccedil;&atilde;o e a inova&ccedil;&atilde;o, segundo Leon, estabelecendo um delicado equil&iacute;brio entre t&eacute;cnicas antigas e contempor&acirc;neas, cultivando um percurso muito particular e que envolvia brincar e refletir sobre o pr&oacute;prio fazer do desenho. Sua morte precoce, aos 68 anos, interrompe a carreira brilhante. Brincadeiras, riscos, rabiscos e desenhos far&atilde;o falta.</font></p>      ]]></body>

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