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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Aniversário de 50 anos da agência abre caminho para refletir sobre futuro tecnológico do país]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> ENTREVISTA: MARCOS CINTRA - PRESIDENTE DA FINEP</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Anivers&aacute;rio de 50 anos da ag&ecirc;ncia abre caminho para refletir sobre futuro tecnol&oacute;gico</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Mariuzzo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) foi criada em 1967, em plena ditadura, a partir de um projeto dos economistas Paulo dos Reis Velloso e Roberto Campos. Seu primeiro nome foi Fundo de Financiamento de Projetos e Programas e seu objetivo era ser um instrumento para estimular o desenvolvimento tecnol&oacute;gico nacional. Ao longo dos 50 anos, a ag&ecirc;ncia tem se destacado por financiar investimentos em novas &aacute;reas de conhecimento, novos mercados, novas tecnologias. Um dos exemplos mais emblem&aacute;ticos &eacute; o Embraer EMB-312, mais conhecido como Tucano, avi&atilde;o de treinamento e ataque leve desenvolvido pela Embraer (Empresa Brasileira de Aeron&aacute;utica). "O apoio da Finep teve in&iacute;cio nos anos 1970, quando ningu&eacute;m acreditava no potencial da empresa", conta o economista Marcos Cintra, presidente da ag&ecirc;ncia desde 2016,  nesta entrevista para a revista <i>Ci&ecirc;ncia&amp;Cultura.</i> Segundo ele, a &uacute;ltima linha de avi&otilde;es executivos da Embraer tamb&eacute;m est&aacute; sendo financiada pela Finep. Outras &aacute;reas estrat&eacute;gicas tamb&eacute;m contaram com o apoio da ag&ecirc;ncia, como, por exemplo, o agroneg&oacute;cio e a minera&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo em &aacute;guas profundas. Al&eacute;m das descobertas tecnol&oacute;gicas, o grande desafio da Finep &eacute; seguir com seu programa de financiamento diante dos cortes or&ccedil;ament&aacute;rios que afetaram fortemente o Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Inova&ccedil;&otilde;es e Comunica&ccedil;&otilde;es (MCTIC), ao qual ela est&aacute; subordinada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque &eacute; vice-presidente licenciado da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas (FGV), cargo que ocupa desde 1997. Economista, obteve quatro t&iacute;tulos superiores pela Universidade de Harvard (EUA): bacharel em economia, mestre em planejamento regional e em economia e doutor em economia. Cintra &eacute; professor titular da Escola de Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas de S&atilde;o Paulo - EAESP/FGV. Nesta entrevista ele fala sobre a import&acirc;ncia da Finep para o desenvolvimento tecnol&oacute;gico do pa&iacute;s e destaca algumas alternativas para proteger o or&ccedil;amento para essa &aacute;rea porque "como sabemos, n&atilde;o h&aacute; investimento que gere maior retorno que o investimento em CT&amp;I".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Ci&ecirc;ncia&amp;Cultura: A Finep foi criada em 1967, ainda na ditadura, com objetivo de estimular o desenvolvimento tecnol&oacute;gico do pa&iacute;s. O que o senhor destacaria em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; atua&ccedil;&atilde;o da ag&ecirc;ncia nessa trajet&oacute;ria de meio s&eacute;culo?</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marcos Cintra: A Finep tem uma import&acirc;ncia muito grande para o avan&ccedil;o da pesquisa cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica no Brasil. Nesses 50 anos foram apoiados mais de 30 mil projetos. Em seu bra&ccedil;o cient&iacute;fico, por exemplo, este apoio foi fundamental para a cria&ccedil;&atilde;o e a consolida&ccedil;&atilde;o da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, e tamb&eacute;m para a cria&ccedil;&atilde;o de um grande aparato de pesquisa no pa&iacute;s. In&uacute;meros centros de pesquisa foram instalados ou ampliados com o apoio da Finep, como, por exemplo: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria (Embrapa), Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz), Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Instituto Tecnol&oacute;gico de Aeron&aacute;utica (ITA), Instituto Alberto Luiz Coimbra de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa de Engenharia (Coppe), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto de Matem&aacute;tica Pura e Aplicada (Impa), Centro Tecnol&oacute;gico do Ex&eacute;rcito (CTEx), Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunica&ccedil;&otilde;es (CPqD), Ag&ecirc;ncia Espacial Brasileira (AEB), Instituto Butantan, dentre muitos outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos &uacute;ltimos 15 anos, a Finep apoiou projetos em 59 universidades federais (94% das existentes) e 39 universidades estaduais (87% das existentes).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O apoio da Finep foi tamb&eacute;m fundamental para o desenvolvimento tecnol&oacute;gico e para a difus&atilde;o de uma cultura inovadora nas empresas brasileiras, desde as maiores e mais avan&ccedil;adas tecnologicamente, at&eacute; para empresas de menor porte. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Embraer, por exemplo, o apoio da Finep teve in&iacute;cio nos anos 1970, quando ningu&eacute;m acreditava no potencial da empresa, com o apoio ao projeto Tucano. Este apoio continua at&eacute; os dias atuais. A &uacute;ltima linha de avi&otilde;es executivos, por exemplo, est&aacute; sendo financiada pela Finep. Ressalto ainda a import&acirc;ncia da Finep para a estrutura&ccedil;&atilde;o dos parques tecnol&oacute;gicos e das incubadoras, dos n&uacute;cleos de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e tamb&eacute;m dos segmentos de <i>venture capital </i>e <i>private equity</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O senhor defende uma mudan&ccedil;a na lei que regula o Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (FNDCT) de um fundo cont&aacute;bil para um fundo financeiro. Pode explicar melhor o que isso significa?</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como sabemos, a situa&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria da nossa ci&ecirc;ncia &eacute; muito delicada. O or&ccedil;amento autorizado para o Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Inova&ccedil;&otilde;es e Comunica&ccedil;&otilde;es (MCTIC) &eacute; o menor desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo. Descontada a infla&ccedil;&atilde;o, o valor autorizado para 2017, de apenas R$ 3,2 bilh&otilde;es, corresponde a apenas 37% do disponibilizado em 2010. Dentro do or&ccedil;amento do MCTIC est&aacute; o Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (FNDCT), que tem a Finep como secretaria-executiva e &eacute; historicamente a principal fonte de recursos para financiamento de pesquisas tecnol&oacute;gicas no Brasil. O or&ccedil;amento do fundo, que j&aacute; chegou a R$ 4 bilh&otilde;es em anos anteriores, foi reduzido a R$ 1,2 bilh&atilde;o neste ano - sendo que o limite de execu&ccedil;&atilde;o autorizado &eacute; de apenas a metade desse total (cerca de R$ 600 milh&otilde;es).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das alternativas para retomarmos as atividades de P&amp;D no pa&iacute;s de forma linear &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o do FNDCT - hoje fundo cont&aacute;bil - em fundo financeiro, de modo que seus valores, quando contingenciados, n&atilde;o voltem para o tesouro nacional e, assim, deixem de ser empregados em ci&ecirc;ncia e tecnologia - destino para o qual s&atilde;o originalmente recolhidos. Em vez disso, o dinheiro permaneceria no fundo, rendendo juros at&eacute; ser liberado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No modelo atual, os recursos contingenciados voltam para o tesouro e s&atilde;o utilizados para o pagamento da d&iacute;vida p&uacute;blica e para o super&aacute;vit fiscal. Se essa medida tivesse sido implantada h&aacute; quinze anos, com todos os contingenciamentos ocorridos nesse per&iacute;odo, o FNDCT teria um saldo acumulado de R$ 45 bilh&otilde;es. Precisamos preservar a espinha dorsal dos recursos de ci&ecirc;ncia e tecnologia, que &eacute; o FNDCT.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a Finep prop&ocirc;s uma mudan&ccedil;a na lei que regula o fundo, na tentativa de amenizar os graves impactos da crise sobre os investimentos p&uacute;blicos em pesquisa. Atualmente, a Finep tem recursos para pagar os projetos de inova&ccedil;&atilde;o j&aacute; assinados no passado, mas n&atilde;o consegue investir em novos. Como parte desse esfor&ccedil;o, o MCTIC enviou recentemente &agrave; Casa Civil proposta de medida provis&oacute;ria: se aprovada, o FNDCT come&ccedil;aria 2018 j&aacute; com R$ 9 bilh&otilde;es em patrim&ocirc;nio e, at&eacute; 2030, acumularia R$ 50 bilh&otilde;es, tornando-se uma fonte de investimentos em pesquisa totalmente autossustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>A Finep tem se destacado por fazer investimentos em novas &aacute;reas de conhecimento e novas tecnologias. Em 2016, por exemplo, a ag&ecirc;ncia investiu R$ 40 milh&otilde;es no reator multiprop&oacute;sito brasileiro (RMB) para que o pa&iacute;s tenha autonomia em radiof&aacute;rmacos. Pode-se dizer que essa &eacute; uma das &aacute;reas de investimento estrat&eacute;gico da Finep? Al&eacute;m dessa, que outras &aacute;reas de pesquisa receberam os maiores investimentos nos &uacute;ltimos anos?</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O reator brasileiro &eacute; um projeto muito estrat&eacute;gico para o pa&iacute;s. Ele visa produzir radiois&oacute;topos (especialmente o molibd&ecirc;nio-99) que t&ecirc;m aplica&ccedil;&otilde;es em &aacute;reas diversas, como a sa&uacute;de, especialmente para o diagn&oacute;stico do c&acirc;ncer e doen&ccedil;as card&iacute;acas, al&eacute;m da ind&uacute;stria e agricultura. Atualmente, todo o Mo-99 utilizado no Brasil &eacute; importado e a instabilidade de seu fornecimento deixa o pa&iacute;s vulner&aacute;vel para atender mais de tr&ecirc;s mil pacientes por dia. Por ser t&atilde;o estrat&eacute;gico &eacute; certo que o projeto seja uma prioridade para a Finep.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m &eacute; importante citar os casos recentes do apoio aos projetos Sirius, Navio de Pesquisa Hidroceanogr&aacute;fico "Vital de Oliveira" (NPqHo), Torre Alta de Observa&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia (Atto/Inpa), Sat&eacute;lite Geoestacion&aacute;rio de Defesa e Comunica&ccedil;&otilde;es (SGDC), o projeto "Andar de Novo" (exoesqueleto de Miguel Nicolelis), as pesquisas sobre o v&iacute;rus da Zika, as pesquisas e infraestrutura para produ&ccedil;&atilde;o da vacina da dengue no Instituto Butantan, o supercomputador Santos Dumont, do Laborat&oacute;rio Nacional de Computa&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica (LNCC), o Sat&eacute;lite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Inpe), Tanque Oce&acirc;nico (Coppe), Navio Polar Almirante Maximiano, o Laborat&oacute;rio Multiusu&aacute;rio de Sequenciamento de DNA da Universidade Federal do Vale do S&atilde;o Francisco (Univasf), dentre muitos outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s ICTs, a maior parte dos recursos foi direcionada para projetos multidisciplinares, depois para a &aacute;rea da sa&uacute;de, meio ambiente e ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s empresas, os principais setores-alvo t&ecirc;m sido os seguintes nos &uacute;ltimos cinco anos: i) sa&uacute;de, especialmente para o desenvolvimento e aperfei&ccedil;oamento de novos medicamentos e processos hospitalares; ii) energias renov&aacute;veis, especialmente para o desenvolvimento do etanol de 2Âª gera&ccedil;&atilde;o, novas variedades de cana-de-a&ccedil;&uacute;car, cadeia produtiva da gera&ccedil;&atilde;o solar e e&oacute;lica, al&eacute;m da produ&ccedil;&atilde;o de energia a partir de res&iacute;duos agroindustriais; iii) setor metal-mec&acirc;nico, com projetos relacionados &agrave; melhoria da produtividade e competitividade das nossas empresas; e iv) setor agr&iacute;cola e de alimentos, com pesquisas para o aumento da produtividade agr&iacute;cola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Qual o impacto da PEC do teto de gastos p&uacute;blicos (PEC 55/2016) na Finep e quais estrat&eacute;gias t&ecirc;m sido adotadas para lidar com esse contingenciamento em rela&ccedil;&atilde;o aos projetos em andamento e futuros?</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O impacto da PEC 55/2016 &eacute; muito grande sobre todas as a&ccedil;&otilde;es de investimento do governo e a Finep n&atilde;o fica imune a isso. Temos trabalhado em defesa da eleva&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento para a CT&amp;I defendendo principalmente a ado&ccedil;&atilde;o do chamado or&ccedil;amento base zero, que difere do atual processo or&ccedil;ament&aacute;rio brasileiro, que &eacute; incremental. No nosso atual sistema or&ccedil;ament&aacute;rio, adota-se a premissa de que gastos e a&ccedil;&otilde;es em andamento s&atilde;o justific&aacute;veis pelo simples fato de j&aacute; existirem, cabendo aos que elaboram, aprovam e executam os or&ccedil;amentos p&uacute;blicos interferirem apenas em decis&otilde;es marginais de acr&eacute;scimos ou redu&ccedil;&otilde;es. Os or&ccedil;amentos tornam-se r&iacute;gidos, inflex&iacute;veis e com in&uacute;meras vincula&ccedil;&otilde;es obrigat&oacute;rias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Or&ccedil;amentos de base zero invertem a l&oacute;gica atual. T&ecirc;m a grande qualidade de partirem a cada ano de uma p&aacute;gina or&ccedil;ament&aacute;ria em branco. A manuten&ccedil;&atilde;o de programas e atividades preexistentes, a exclus&atilde;o ou altera&ccedil;&atilde;o, bem como a cria&ccedil;&atilde;o de novas a&ccedil;&otilde;es e gastos, exigem criteriosas avalia&ccedil;&otilde;es anuais, a partir de avalia&ccedil;&otilde;es dos custos e dos benef&iacute;cios das a&ccedil;&otilde;es. E como sabemos, n&atilde;o h&aacute; investimento que gere maior retorno que o investimento em CT&amp;I. Algumas pesquisas internacionais mostram que cada d&oacute;lar investido em ci&ecirc;ncia chega a oito d&oacute;lares em retorno &agrave; sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por isso a import&acirc;ncia de avan&ccedil;armos cada vez mais na agenda da avalia&ccedil;&atilde;o de resultados. No fim de agosto, por exemplo, organizamos um grande semin&aacute;rio para tratar desse tema, em parceria com a Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC). Tamb&eacute;m temos estudado e implantado alguns instrumentos para apoiar os investimentos e que n&atilde;o gerem impacto fiscal. Um dos exemplos &eacute; o Finep Conecta por meio do qual as empresas que tiverem projetos em parceria com ICTs ter&atilde;o excelentes condi&ccedil;&otilde;es de apoio via mecanismo reembols&aacute;vel, com prazos de pagamento que chegar&atilde;o at&eacute; 16 anos. Isso certamente estimular&aacute; que muitas empresas realizem projetos em parceria com as ICTs, auxiliando, assim, no financiamento da atividade. Estamos atentos e estudando outras alternativas, como o pr&oacute;prio fundo financeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>No Brasil ainda h&aacute; uma defasagem muito grande entre o investimento p&uacute;blico e privado em pesquisa, desenvolvimento e inova&ccedil;&atilde;o. O que &eacute; necess&aacute;rio para criar um "ecossistema favor&aacute;vel" ao investimento privado em ci&ecirc;ncia e tecnologia no pa&iacute;s?</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a03fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A insufici&ecirc;ncia no investimento privado em inova&ccedil;&atilde;o adv&eacute;m de diversos fatores, como o nosso mercado altamente protegido, que diminui a concorr&ecirc;ncia e dificulta a importa&ccedil;&atilde;o de insumos necess&aacute;rios &agrave; inova&ccedil;&atilde;o; os nossos investimentos em educa&ccedil;&atilde;o, que apesar de altos em n&iacute;vel mundial, ainda deixam grandes lacunas principalmente na forma&ccedil;&atilde;o de engenheiros e nos resultados da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica; o nosso ambiente econ&ocirc;mico e de neg&oacute;cios inst&aacute;vel e, at&eacute; mesmo,  um n&iacute;vel de coopera&ccedil;&atilde;o ICT-empresa aqu&eacute;m do desejado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O programa Finep Startup, lan&ccedil;ado recentemente pela ag&ecirc;ncia, &eacute; um dos caminhos para reduzir esse gap? Como funciona o programa?</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sim, tanto por apoiarmos diretamente o investimento em inova&ccedil;&atilde;o de uma empresa startup, como por estimularmos que investidores-anjo se associem &agrave; Finep nos investimentos. O Finep Startup busca investir em empresas com faturamento anual de at&eacute; R$ 3,6 milh&otilde;es. A startup selecionada poder&aacute; receber at&eacute; R$ 1 milh&atilde;o da Finep via um contrato de op&ccedil;&atilde;o de compra. No processo seletivo, ser&atilde;o aceitas empresas que tenham pelo menos um prot&oacute;tipo desenvolvido. As &aacute;reas contempladas s&atilde;o agritech (ramo de startups que unem tecnologia e agricultura), biotecnologia, cidades sustent&aacute;veis, defesa, economia criativa, educa&ccedil;&atilde;o, energia, fintechs (empresas startups que desenvolvem inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas voltadas para o mercado financeiro), al&eacute;m das relacionadas &agrave; minera&ccedil;&atilde;o, petr&oacute;leo e qu&iacute;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As startups ser&atilde;o avaliadas nos quesitos inova&ccedil;&atilde;o do projeto, potencial do mercado e pela experi&ecirc;ncias dos fundadores da empresa. Se a proposta vier associada a investidores-anjo, a chance de a companhia ser selecionada aumenta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o investimento realizado, a  Finep se tornar&aacute; s&oacute;cia minorit&aacute;ria na empresa. O percentual &eacute; vari&aacute;vel e ser&aacute; definido posteriormente, com base no valor futuro da empresa e no valor do aporte da Finep.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O senhor j&aacute; declarou o desejo de "copiar" experi&ecirc;ncias internacionais, especialmente as norte-americanas, para criar novos instrumentos de est&iacute;mulo &agrave; inova&ccedil;&atilde;o no Brasil. Al&eacute;m do Finep Startup, existem outros exemplos a serem implementados?</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Temos feito v&aacute;rios estudos sobre experi&ecirc;ncias internacionais no apoio &agrave; ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o. Certamente cada modelo tem suas virtudes e problemas e mesmo as experi&ecirc;ncias positivas n&atilde;o podem ser perfeitamente replicadas em outros pa&iacute;ses, em raz&atilde;o das diferentes caracter&iacute;sticas institucionais e culturais de cada pa&iacute;s. No entanto, estudar as experi&ecirc;ncias internacionais &eacute; fundamental para que consigamos desenvolver melhores a&ccedil;&otilde;es e programas. Por conta disso, temos realizado diversas parcerias com ag&ecirc;ncias de CT&amp;I internacionais. Al&eacute;m do Finep Startup, o Finep Conecta tamb&eacute;m surgiu a partir de estudos de modelos internacionais. Outros estudos que est&atilde;o mais avan&ccedil;ados s&atilde;o os relativos aos instrumentos h&iacute;bridos, como as subven&ccedil;&otilde;es convers&iacute;veis e os empr&eacute;stimos mezanino ou <i>quasi-equity</i> (um tipo de financiamento que funciona como um h&iacute;brido de d&iacute;vida e participa&ccedil;&atilde;o porque d&aacute; ao credor direitos de converter a d&iacute;vida em participa&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria na empresa investida).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Um dos marcos da atua&ccedil;&atilde;o da Finep &eacute; o apoio a projetos nas universidades, especialmente as federais. Nesse sentido, em sua opini&atilde;o qual seria a contribui&ccedil;&atilde;o do  Marco Legal da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (Lei 13.243/2016), aprovado no ano passado?</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aprova&ccedil;&atilde;o do novo Marco Legal foi um passo muito importante, tanto para a pesquisa universit&aacute;ria como um todo, que se v&ecirc; agora menos burocratizada, como pela possibilidade de maior coopera&ccedil;&atilde;o entre ICTs e empresas. Em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro ponto, destaco, por exemplo, a dispensa da necessidade de licita&ccedil;&atilde;o para a "aquisi&ccedil;&atilde;o ou contrata&ccedil;&atilde;o de produto para pesquisa e desenvolvimento", que agilizar&aacute; bastante as pesquisas. Afinal, nossos pesquisadores t&ecirc;m de se concentrar nas pesquisas, n&atilde;o em burocracias. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; possibilidade de maior coopera&ccedil;&atilde;o, ressalto que conforme previsto na Lei nÂº 13.243/16, professores em regime de dedica&ccedil;&atilde;o integral poder&atilde;o, por exemplo, desenvolver pesquisas dentro de empresas e laborat&oacute;rios p&uacute;blicos poder&atilde;o ser usados pelas empresas para a pesquisa de novas tecnologias - em ambos os casos, com remunera&ccedil;&atilde;o. Essa a&ccedil;&atilde;o, complementada por outras, como o Finep Conecta, poder&atilde;o trazer mais esperan&ccedil;a para a situa&ccedil;&atilde;o da pesquisa e da inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica no pa&iacute;s, que, como sabemos, n&atilde;o &eacute; nada confort&aacute;vel.</font></p>      ]]></body>

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