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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> CULTURA CIENT&Iacute;FICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A ci&ecirc;ncia e a tecnologia no olhar dos brasileiros</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Raphaela Velho</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voc&ecirc; se interessa por ci&ecirc;ncia e tecnologia? O quanto se informa a respeito desses assuntos? Visitou um museu ou centro de ci&ecirc;ncia e tecnologia nos &uacute;ltimos doze meses? O que acha dos investimentos em ci&ecirc;ncia e tecnologia no Brasil? Estas s&atilde;o algumas perguntas feitas na &uacute;ltima enquete a n&iacute;vel nacional sobre percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da ci&ecirc;ncia e tecnologia, realizada em 2015 pelo Centro de Gest&atilde;o e Estudos Estrat&eacute;gicos (CGEE), &oacute;rg&atilde;o ligado ao Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Inova&ccedil;&otilde;es e Comunica&ccedil;&otilde;es (MCTIC). Trata-se da quarta de uma s&eacute;rie de enquetes realizadas em 1986, 2006 e 2010, que tiveram como objetivo saber o que pensam e como agem os brasileiros em rela&ccedil;&atilde;o a temas cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos. Os resultados da &uacute;ltima pesquisa e sua compara&ccedil;&atilde;o com as enquetes anteriores foram organizados na forma de livro e publicados na &uacute;ltima reuni&atilde;o anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), em julho deste ano, sob o t&iacute;tulo "A ci&ecirc;ncia e a tecnologia no olhar dos brasileiros: percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da C&amp;T no Brasil - 2015".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa consultou por telefone uma amostra de aproximadamente duas mil pessoas da popula&ccedil;&atilde;o brasileira adulta, respeitando as propor&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero, idade e classe socioecon&ocirc;mica. Para garantir comparabilidade dos resultados, inclusive a n&iacute;vel internacional, foram utilizados os question&aacute;rios das edi&ccedil;&otilde;es de 2006 e 2010, com algumas modifica&ccedil;&otilde;es. Uma delas foi coletar informa&ccedil;&otilde;es pessoais dos participantes, como religi&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, al&eacute;m da percep&ccedil;&atilde;o da qualidade da vida no seu local de moradia. Isso possibilitou o cruzamento dessas informa&ccedil;&otilde;es com as respostas do question&aacute;rio e apontar rela&ccedil;&otilde;es entre as categorias pesquisadas e os perfis demogr&aacute;ficos. Foram feitas ao todo 105 perguntas, abertas e fechadas, abrangendo temas como o interesse em ci&ecirc;ncia e tecnologia, grau de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, h&aacute;bitos informativos, atitudes, valora&ccedil;&otilde;es e vis&atilde;o dos brasileiros frente &agrave; C&amp;T e aos cientistas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a04gra01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INTERESSE E GRAU DE INFORMA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 61% dos entrevistados declararam-se interessados ou muito interessados em C&amp;T. &Eacute; um &iacute;ndice alto. Para termos de compara&ccedil;&atilde;o, 53% dos habitantes da Uni&atilde;o Europeia declararam interesse no tema. Os fatores que mais parecem influenciar o grau de interesse s&atilde;o renda e n&iacute;vel de escolaridade: quanto mais escolarizada e rica for uma pessoa, maiores as chances de ela se interessar pelo tema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os mesmos fatores tamb&eacute;m afetam o grau de informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, medida pelo n&uacute;mero de cientistas e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa brasileiros que os entrevistados conseguiam citar. Apenas 13% dos entrevistados conhecem alguma institui&ccedil;&atilde;o de pesquisa e s&oacute; 7% sabem o nome de pelo menos um cientista. Al&eacute;m disso, a maioria n&atilde;o sabe que o Estado &eacute; o maior financiador da ci&ecirc;ncia no Brasil. Para Ildeu de Castro Moreira, atual presidente da SBPC e um dos coordenadores do estudo, essa lacuna entre interesse e informa&ccedil;&atilde;o relaciona-se com a pouca oferta de espa&ccedil;os cient&iacute;fico-culturais abertos ao p&uacute;blico."Os espa&ccedil;os que ofertam esse tipo de atividade s&atilde;o muito reduzidos e isso se traduz no desconhecimento dos brasileiros sobre cientistas e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa. Estamos falhando gravemente nesse aspecto e na educa&ccedil;&atilde;o formal", afirma ele.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ATITUDES FRENTE &Agrave; C&amp;T</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s atitudes, notou-se que a maioria dos brasileiros acredita que a ci&ecirc;ncia traz mais benef&iacute;cios do que malef&iacute;cios para a humanidade. Essa opini&atilde;o prevalece em todas as faixas de escolaridade e vem crescendo desde 1986. Tamb&eacute;m &eacute; uma maioria que concorda que os governantes devem seguir as orienta&ccedil;&otilde;es dos cientistas. No entanto, esse otimismo n&atilde;o &eacute; acr&iacute;tico, j&aacute; que 50% concordam totalmente (e 30% concordam em parte) que &eacute; necess&aacute;rio que os cientistas exponham os riscos da ci&ecirc;ncia e tecnologia que produzem e 57% concordam, pelo menos em parte, que a ci&ecirc;ncia e a tecnologia s&atilde;o respons&aacute;veis pela maior parte dos problemas ambientais atuais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a04gra02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a04gra03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns assuntos ainda dividem muito as opini&otilde;es, como &eacute; o caso da responsabiliza&ccedil;&atilde;o (ou n&atilde;o) dos cientistas pelo mau uso das suas descobertas e de qual deveria ser o grau de liberdade do cientista na condu&ccedil;&atilde;o da sua pesquisa. Quanto &agrave; sua imagem, os cientistas s&atilde;o retratados por metade dos entrevistados como "pessoas inteligentes que fazem coisas &uacute;teis &agrave; humanidade", e como "pessoas comuns que t&ecirc;m tratamentos especiais" por 14% deles. Eles seriam motivados pelo ideal de "ajudar a humanidade" (de acordo com 34%) e de "contribuir para o avan&ccedil;o do conhecimento" (17%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A enquete tamb&eacute;m mostrou que os brasileiros t&ecirc;m uma grande vontade de se envolver mais ativamente com C&amp;T: 76% acreditam que a maioria das pessoas &eacute; capaz de entender o conhecimento cient&iacute;fico se ele for bem explicado e 84% concordam, ao menos em parte, que a popula&ccedil;&atilde;o deve ser ouvida nas grandes decis&otilde;es sobre o rumo do desenvolvimento cient&iacute;fico/tecnol&oacute;gico. Isso significa que a maior parte dos brasileiros cr&ecirc; que &eacute; poss&iacute;vel informar-se razoavelmente bem a ponto de participar de decis&otilde;es p&uacute;blicas sobre o tema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo sondou ainda as principais preocupa&ccedil;&otilde;es dos brasileiros relacionadas &agrave; C&amp;T. De uma escala em que zero &eacute; um assunto nada preocupante e dez um tema muito preocupante, t&oacute;picos como desmatamento da Amaz&ocirc;nia, mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, uso de pesticidas na agricultura e uso da energia nuclear pontuaram acima de oito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CI&Ecirc;NCIA NACIONAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A grande maioria dos brasileiros (78%) apoia o aumento dos investimentos p&uacute;blicos em C&amp;T. As &aacute;reas apontadas como priorit&aacute;rias para o desenvolvimento cient&iacute;fico nacional (era poss&iacute;vel marcar mais de uma op&ccedil;&atilde;o) foram a medicina, com 52% dos votos, o investimento em energias alternativas (37% dos votos) e a agricultura (27% dos votos). Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e explora&ccedil;&atilde;o dos recursos da Amaz&ocirc;nia aparecem logo em seguida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um ponto que chamou a aten&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores foi a piora na avalia&ccedil;&atilde;o dos brasileiros sobre a ci&ecirc;ncia no pa&iacute;s: apenas 12% consideram a ci&ecirc;ncia nacional avan&ccedil;ada, enquanto 43% dos entrevistados a classificam como atrasada. Estes &iacute;ndices s&atilde;o piores do que os das enquetes anteriores. Na enquete de 2010, 20% consideravam a ci&ecirc;ncia avan&ccedil;ada e 28% atrasada. Yurij Castelfranchi, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e um dos organizadores do estudo, aponta duas raz&otilde;es para isso: "De um lado, &eacute; &oacute;bvio que a maioria dos brasileiros percebeu claramente o impacto dos cortes no or&ccedil;amento da educa&ccedil;&atilde;o, das universidades e da pesquisa, que foi se agravando desde meados do governo Dilma. De outro lado, esses indicadores (avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade do funcionamento de uma institui&ccedil;&atilde;o, grau de confian&ccedil;a em pol&iacute;ticos e atores institucionais) n&atilde;o dependem tanto do conhecimento sobre o assunto, mas, principalmente, refletem a insatisfa&ccedil;&atilde;o e a desconfian&ccedil;a das pessoas em geral", avalia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>USOS DO ESTUDO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O estudo cont&eacute;m dados importantes para todos que trabalham com a produ&ccedil;&atilde;o e a divulga&ccedil;&atilde;o de conhecimento cient&iacute;fico no pa&iacute;s, como aponta Moreira. Segundo ele, "a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da ci&ecirc;ncia envolve a intera&ccedil;&atilde;o entre quem faz ci&ecirc;ncia e o p&uacute;blico, por isso todas as pessoas que trabalham com comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica - em museus de ci&ecirc;ncia, pesquisadores da &aacute;rea, divulgadores, jornalistas de ci&ecirc;ncia - poderiam se beneficiar dessa publica&ccedil;&atilde;o". O pesquisador elege ainda professores de ci&ecirc;ncia, pesquisadores de modo geral e formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas como p&uacute;blico-alvo do livro. Castelfranchi concorda, sugerindo que uma parceria com o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC), o MCTIC e outras institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas seria importante "de um lado, para elaborar pesquisas em conjunto que incluam mais vari&aacute;veis que auxiliem a avalia&ccedil;&atilde;o do impacto de pr&aacute;ticas ou pol&iacute;ticas de divulga&ccedil;&atilde;o. De outro, para mostrarmos as implica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas de nossos dados, que s&atilde;o muitas e podem contribuir para inovar as pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o e a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica", finaliza.</font></p>      ]]></body>

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