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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> RESENHA/SOCIOLOGIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desmistificando a riqueza</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Mariuzzo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a06fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em tempos de opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato, e de outros tantos esc&acirc;ndalos envolvendo pol&iacute;ticos e empres&aacute;rios, &eacute; bastante oportuna a publica&ccedil;&atilde;o do livro <i>Ricos, podres de ricos</i>, do soci&oacute;logo Antonio David Cattani, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Destinado ao grande p&uacute;blico, o texto foi publicado pelas editoras Marcavisual e Tomo Editorial. Um dos m&eacute;ritos do livro &eacute; adotar uma linguagem simples para tratar de um fen&ocirc;meno social sobre o qual a literatura nacional ainda &eacute; escassa: a concentra&ccedil;&atilde;o da riqueza. "Nunca na hist&oacute;ria da humanidade foi poss&iacute;vel gerar tanta riqueza como nas &uacute;ltimas quatro ou cinco d&eacute;cadas. Nunca na hist&oacute;ria da humanidade a riqueza foi apropriada por t&atilde;o poucos", afirma o autor. Em pouco mais de 50 p&aacute;ginas, Cattani busca apontar os aspectos mais relevantes da concentra&ccedil;&atilde;o de renda e suas consequ&ecirc;ncias nas vidas de pessoas comuns: "quanto maiores forem as diferen&ccedil;as entre os ricos e os outros, maior ser&aacute; a viol&ecirc;ncia, a incid&ecirc;ncia de problemas f&iacute;sicos e mentais, o n&uacute;mero de crimes e comportamentos incivilizados. O aumento desmedido na concentra&ccedil;&atilde;o de renda favorece os preconceitos e a discrimina&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de estar diretamente envolvido com a desagrega&ccedil;&atilde;o social. Por fim, debilita a democracia e a efici&ecirc;ncia econ&ocirc;mica", diz.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DE ONDE VEM O DINHEIRO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na primeira parte do livro, Cattani discute a import&acirc;ncia de qualificar as grandes fortunas. Isso significa identificar os muito ricos e a origem de suas fortunas, um grande desafio diante de v&aacute;rios subterf&uacute;gios utilizados para ocultar renda, patrim&ocirc;nio e capital. A subestima&ccedil;&atilde;o da riqueza ocorre, por exemplo, quando magnatas t&ecirc;m suas fortunas espalhadas em intricadas estruturas acion&aacute;rias envolvendo holdings, empresas de fachada, sucursais no exterior etc. A utiliza&ccedil;&atilde;o de contas secretas em para&iacute;sos fiscais &eacute; outro meio largamente utilizado, como ficou expl&iacute;cito no vazamento dos Panama Papers, em 2016.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seguida, o autor se ocupa de determinar a origem das fortunas. A partir de um referencial marxista, Cattani define riqueza como o valor acumulado do trabalho n&atilde;o pago aos produtores diretos, mas diferencia esse conceito de outro, o de riqueza substantiva: "riqueza que gera mais riqueza em volume suficiente para o exerc&iacute;cio do poder". E &eacute; esse poder que gera condi&ccedil;&otilde;es para manuten&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o das fortunas dos super ricos por meio de instrumentos como sonega&ccedil;&atilde;o fiscal e obten&ccedil;&atilde;o de privil&eacute;gios que se traduzem em financiamentos subsidiados, isen&ccedil;&otilde;es de todo tipo e regalias tribut&aacute;rias. Um trabalhador assalariado que recebe R$ 5000,00 l&iacute;quidos por m&ecirc;s paga compulsoriamente R$ 506,00, ou 10,1% de imposto. Um rentista que recebe R$ 5 milh&otilde;es de dividendos no m&ecirc;s n&atilde;o paga um &uacute;nico centavo. Pelos princ&iacute;pios da equidade e da justa tributa&ccedil;&atilde;o conforme a capacidade contributiva, este segundo indiv&iacute;duo deveria pagar R$ 1.374.000,00 de imposto sobre a renda, exemplifica o soci&oacute;logo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das consequ&ecirc;ncias da concentra&ccedil;&atilde;o da riqueza, de acordo com Cattani, &eacute; a corrup&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica pelas grandes corpora&ccedil;&otilde;es que financiam campanhas de pol&iacute;ticos para assegurar vantagens, privil&eacute;gios e impunidade, algo que conhecemos t&atilde;o bem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MITIFICA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Por que n&atilde;o protestamos? Segundo o autor, "n&atilde;o existe uma resposta &uacute;nica e sim um conjunto de fatores e processos articulados em diferentes graus de complexidade, levando a uma grande mistifica&ccedil;&atilde;o sobre a posse de riqueza desmedida, garantindo a sua naturaliza&ccedil;&atilde;o como se fosse um processo natural e espont&acirc;neo. Isso leva &agrave; legitimidade social e ideol&oacute;gica da desigualdade ao mesmo tempo em que enseja a criminaliza&ccedil;&atilde;o da cr&iacute;tica e do inconformismo".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com o autor, duas ideias colaboram para legitimar a desigualdade: o elitismo e a meritocracia. A primeira concep&ccedil;&atilde;o considera que sempre dever&aacute; haver chefes, grandes homens (nunca mulheres) capazes de guiar os ignorantes para o progresso. J&aacute; a meritocracia serviria como desculpa para a posse de riqueza, que, para Cattani, trata-se de uma adultera&ccedil;&atilde;o das virtudes da intelig&ecirc;ncia e do bom uso do talento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OUSE SABER</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No cap&iacute;tulo que fecha o livro, o autor aponta que o caminho para uma mudan&ccedil;a &eacute; indissoci&aacute;vel do conhecimento, "que permitir&aacute; desfazer a domina&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica que glorifica a riqueza e seus detentores, criminalizando a resist&ecirc;ncia dos subalternos", afirma. E acrescenta que esse conhecimento &eacute; do tipo abrangente, que alia a viv&ecirc;ncia popular e a ci&ecirc;ncia para orientar a a&ccedil;&atilde;o coletiva institucionalizada nos sindicados aut&ecirc;nticos, cooperativas, na economia solid&aacute;ria e colaborativa. Portanto, nada que se consolide em m&eacute;dio prazo. O que fazer antes: que os ricos paguem impostos, defende o autor. Ou seja, a regula&ccedil;&atilde;o do Estado &eacute; fundamental para regular a acumula&ccedil;&atilde;o do capital e das rendas. "O importante &eacute; o Estado necess&aacute;rio, Estado democr&aacute;tico que promova a equidade, o pacifismo, a igualdade de oportunidades e equil&iacute;brio ecol&oacute;gico", finaliza.</font></p>      ]]></body>

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