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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br> REVOLU&Ccedil;&Atilde;O RUSSA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Superpot&ecirc;ncia exerce papel central na geopol&iacute;tica mundial</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patricia Piacentini</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em outubro deste ano, comemora-se o centen&aacute;rio de um dos marcos da hist&oacute;ria do s&eacute;culo XX: a revolu&ccedil;&atilde;o russa, momento &iacute;mpar pela quebra de um paradigma que instaurou a primeira experi&ecirc;ncia socialista da humanidade. Foi uma iniciativa da massa popular pela busca de liberdade e justi&ccedil;a social. "O maior legado da revolu&ccedil;&atilde;o russa foi a mensagem de que os homens podem mudar as condi&ccedil;&otilde;es de sua exist&ecirc;ncia, desde que imbu&iacute;dos da vontade de lutar pela utopia de um mundo melhor, mais justo", afirma Lenina Pomeranz, professora de economia pol&iacute;tica contempor&acirc;nea da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a08fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cem anos depois da revolu&ccedil;&atilde;o de 1917 (ver box) e 26 anos depois da dissolu&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o das Rep&uacute;blicas Socialistas Sovi&eacute;ticas (URSS) e do fim da Guerra Fria, a Federa&ccedil;&atilde;o Russa segue como superpot&ecirc;ncia com grande capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o. Rico em recursos naturais como petr&oacute;leo, g&aacute;s natural e madeira, o pa&iacute;s &eacute; uma das maiores economias do mundo, o que lhe assegura um lugar no G20. &Eacute; um dos cinco Estados com armas nucleares (EAN), ao lado de Estados Unidos, China, Fran&ccedil;a e Reino Unido, al&eacute;m de abrigar o maior arsenal de armas de destrui&ccedil;&atilde;o de massa do planeta. "A partir da reestrutura&ccedil;&atilde;o de suas for&ccedil;as militares nos anos 2000, passou a exercer importante papel em conflitos que v&atilde;o do leste da Europa ao Oriente M&eacute;dio", destaca Fabiano Pellin Mielniczuk, professor de rela&ccedil;&otilde;es internacionais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). A R&uacute;ssia tenta ocupar o espa&ccedil;o que a China est&aacute; abrindo pela incapacidade de administrar seu aliado norte-coreano. "Isso pode conferir mais poder em negocia&ccedil;&otilde;es internacionais envolvendo pa&iacute;ses como a S&iacute;ria e Ucr&acirc;nia, por exemplo", diz.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A import&acirc;ncia geopol&iacute;tica russa &eacute; muito grande, por isso n&atilde;o &eacute; raro que os movimentos do pa&iacute;s no cen&aacute;rio internacional despertem a aten&ccedil;&atilde;o - e tens&atilde;o - no resto do mundo. Segundo Pomeranz, &eacute; essa caracter&iacute;stica que, mais recentemente, tem colocado Estados Unidos e R&uacute;ssia mais uma vez em campos opostos. "Isso se deve a v&aacute;rios fatores como a R&uacute;ssia ser a porta voz de uma ordem internacional multipolarizada, de certa forma desafiando a hegemonia decrescente dos Estados Unidos". Para exemplificar, a professora cita o protagonismo russo na solu&ccedil;&atilde;o de conflitos em v&aacute;rios pa&iacute;ses, como o acordo obtido com o governo s&iacute;rio - durante a gest&atilde;o de Barack Obama - de elimina&ccedil;&atilde;o das armas qu&iacute;micas; a oferta de ficar com o lixo nuclear do Ir&atilde; no acordo fechado para suspender as san&ccedil;&otilde;es contra esse pa&iacute;s; a participa&ccedil;&atilde;o no grupo de pa&iacute;ses que tentam resolver pacificamente o conflito Israel-Palestina e a participa&ccedil;&atilde;o no combate ao terrorismo na S&iacute;ria. "N&atilde;o faltaram elementos de coopera&ccedil;&atilde;o com os Estados Unidos, como a cobertura da retirada de suas tropas do Afeganist&atilde;o. Por outro lado, embora a difus&atilde;o do dom&iacute;nio da tecnologia nuclear n&atilde;o seja mais restrita aos dois pa&iacute;ses - Estados Unidos e R&uacute;ssia - estes s&atilde;o detentores dos maiores arsenais nucleares do mundo, tornando a sua rela&ccedil;&atilde;o especialmente estrat&eacute;gica e preocupante", conclui.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RECUPERA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Por tr&aacute;s desses movimentos no xadrez internacional est&aacute; o pol&ecirc;mico governante Vladimir Putin, hoje no terceiro mandato como presidente da R&uacute;ssia e, mesmo com v&aacute;rios problemas sociais e a crise econ&ocirc;mica da qual o pa&iacute;s ainda se recupera, tem chance de vencer as pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es. "Os anos 1990 foram marcados pela pior crise econ&ocirc;mica da hist&oacute;ria russa e por sucessivas crises pol&iacute;ticas. No entanto, ao que parece, o orgulho perdido pela R&uacute;ssia foi resgatado nos anos 2000 quando a pol&iacute;tica centralizadora de Putin evitou a dissolu&ccedil;&atilde;o da Federa&ccedil;&atilde;o Russa por guerras separatistas, ao mesmo tempo em que a reorganiza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica resultou em um aumento de mais de 150% no poder de compra dos russos", explica Mielniczuk. Apesar da crise moment&acirc;nea da economia, em fun&ccedil;&atilde;o das san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas impostas pelos ocidentais por conta das a&ccedil;&otilde;es militares na Ucr&acirc;nia, o professor afirma que a popula&ccedil;&atilde;o ainda v&ecirc; em Putin a figura do pol&iacute;tico que resgatou a R&uacute;ssia do abismo dos anos 1990.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pomeranz salienta que &eacute; da tradi&ccedil;&atilde;o do povo russo, refor&ccedil;ada pelos anos vividos no sistema sovi&eacute;tico, esperar a solu&ccedil;&atilde;o dos seus problemas pelas autoridades superiores do pa&iacute;s. Segundo ele, o exemplo mais consp&iacute;cuo &eacute; o famoso Domingo Sangrento, quando o povo foi ao czar pedir apoio contra os maus tratos que atribu&iacute;a aos burocratas, n&atilde;o a ele, o czar. "Foram massacrados, mas o que quero demonstrar &eacute; a esperan&ccedil;a,  a perspectiva da solu&ccedil;&atilde;o dos  seus problemas na figura  do czar", justifica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, o regime sovi&eacute;tico, com a universalidade do sistema de bem-estar, mesmo com todos os seus problemas, dava ao povo a seguran&ccedil;a do emprego e outros benef&iacute;cios. "Nesta perspectiva, uma 'm&atilde;o forte' do mandante era n&atilde;o s&oacute; tolerada como desejada. Utilizando esse expediente, Putin restabeleceu a dignidade que o povo considerava perdida quando Gorbachev eliminou o Pacto de Vars&oacute;via, estabeleceu a pol&iacute;tica de n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o nos ex pa&iacute;ses membros dessa organiza&ccedil;&atilde;o e propiciou a uni&atilde;o das duas Alemanhas", afirma Pomeranz.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A popularidade do presidente russo se deve ainda a outros fatores: "No seu primeiro mandato, Putin reconstituiu os s&iacute;mbolos do pa&iacute;s (bras&atilde;o, a bandeira e o hino) e atacou firmemente os oligarcas, odiados pelo povo, eliminando sua interfer&ecirc;ncia/influ&ecirc;ncia nos neg&oacute;cios de Estado, embora rumores mais recentes o acusem de manter liga&ccedil;&atilde;o com magnatas russos", acrescenta a professora. Durante os demais mandatos, conseguiu elevar consideravelmente o padr&atilde;o de vida dos trabalhadores e pensionistas, multiplicando os seus rendimentos. Ao mesmo tempo, busca manter di&aacute;logo com a popula&ccedil;&atilde;o por meio de programas de televis&atilde;o organizados anualmente e, em seu discurso, insiste em mostrar que as dificuldades pelas quais o pa&iacute;s est&aacute; passando s&atilde;o resultado das san&ccedil;&otilde;es impostas &agrave; R&uacute;ssia. "Cabe ressaltar que Putin enfrentou as san&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o somente atrav&eacute;s de contra san&ccedil;&otilde;es, como tamb&eacute;m por um bem-sucedido programa de substitui&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es e de acordos de com&eacute;rcio e investimentos significativos com a China. Com rela&ccedil;&atilde;o ao petr&oacute;leo, mesmo n&atilde;o sendo um membro da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Pa&iacute;ses Exportadores de Petr&oacute;leo (Opep), negocia os pre&ccedil;os do barril com esses pa&iacute;ses para impedir a queda dos pre&ccedil;os", explica Pomeranz.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MULTIPOLARIDADE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recentemente, chama aten&ccedil;&atilde;o a aproxima&ccedil;&atilde;o entre Putin e o presidente norte-americano Donald Trump. De acordo com Mielniczuk, R&uacute;ssia e os Estados Unidos t&ecirc;m muitos interesses divergentes e a maioria deles resulta em conflitos armados, como nas guerras da S&iacute;ria e da Ucr&acirc;nia, ou em posi&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas expl&iacute;citas, como as cr&iacute;ticas de Washington ao car&aacute;ter autorit&aacute;rio do regime de Putin e as cr&iacute;ticas russas &agrave; participa&ccedil;&atilde;o dos EUA em movimentos pol&iacute;ticos anti-russos no espa&ccedil;o da antiga URSS. "Por isso, temos a sensa&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; uma bipolaridade semelhante &agrave; Guerra Fria. Enquanto essa afirma&ccedil;&atilde;o carrega uma grande parcela de verdade, n&atilde;o podemos nos esquecer de que o mundo tende hoje para um cen&aacute;rio multipolar. O relacionamento entre os dois presidentes ainda &eacute; uma inc&oacute;gnita e a suposta aproxima&ccedil;&atilde;o pode mudar de acordo com as investiga&ccedil;&otilde;es no Congresso norte-americano sobre a interfer&ecirc;ncia russa nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais e a participa&ccedil;&atilde;o de aliados de Trump nesse processo", ressalta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Pomeranz, Trump tem interesses econ&ocirc;micos pessoais na R&uacute;ssia e Putin busca a manuten&ccedil;&atilde;o de um clima de paz e do eventual cancelamento das san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas infligidas pelos EUA e seus aliados a seu pa&iacute;s, aventado por Trump. "O mundo tem todo o interesse que as rela&ccedil;&otilde;es entre os dois l&iacute;deres se fa&ccedil;am num clima de paz e seguran&ccedil;a internacional".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PARA COME&Ccedil;AR A ENTENDER UMA REVOLU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Descrever e analisar os paradoxos da hist&oacute;ria da revolu&ccedil;&atilde;o sovi&eacute;tica &eacute; o objetivo do professor de rela&ccedil;&otilde;es internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Paulo Fagundes Vicentini, no livro <i>Os paradoxos da revolu&ccedil;&atilde;o russa: ascens&atilde;o e queda do socialismo sovi&eacute;tico (1917/1991)</i>, publicado este ano pela Alta Books. "A Revolu&ccedil;&atilde;o Russa de 1917 foi a mais impactante da hist&oacute;ria por seu alcance mundial e por sua dura&ccedil;&atilde;o (74 anos), pois foi o elemento catalisador de todo o s&eacute;culo XX", escreve Vicentini. No entanto, segundo ele, a revolu&ccedil;&atilde;o e o regime sovi&eacute;tico foram marcados por paradoxos ainda n&atilde;o suficientemente analisados com isen&ccedil;&atilde;o e objetividade. Assim, ao longo do livro, que tem como p&uacute;blico-alvo tanto leigos quanto estudantes, o autor identifica sete paradoxos da hist&oacute;ria da URSS. Em linguagem acess&iacute;vel e did&aacute;tica, o texto recupera conceitos b&aacute;sicos, como o significado de socialismo e comunismo, e descreve desde a forma&ccedil;&atilde;o do Estado russo no come&ccedil;o do s&eacute;culo XX at&eacute; a desintegra&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, nos anos noventa, marcada pelo s&eacute;timo paradoxo: como uma na&ccedil;&atilde;o poderosa, sem guerra civil e sem ser derrotada em um conflito externo, sofreu um colapso completo.</font></p>      ]]></body>
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