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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS     <br> CI&Ecirc;NCIA E AGRICULTURA    <br> APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ci&ecirc;ncia e agricultura</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Zander Navarro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pesquisador na Embrapa Sede (Bras&iacute;lia, DF). &Eacute; PhD em sociologia pela Universidade de Sussex (Inglaterra). E-mail: <a href="mailto:Zander.Navarro@embrapa.br">Zander.Navarro@embrapa.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os artigos que comp&otilde;em este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico e seguem esta breve introdu&ccedil;&atilde;o destinam-se a apresentar os aspectos que configuram o importante papel da ci&ecirc;ncia para a agricultura. Se do ponto de vista hist&oacute;rico a agricultura &eacute; fortemente pautada, desde a sua origem, pelo conhecimento baseado em evid&ecirc;ncias, a incorpora&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos da ci&ecirc;ncia moderna foram cruciais para a sua caracteriza&ccedil;&atilde;o atual. No contexto mais recente de grande expans&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o do planeta e redu&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas cultiv&aacute;veis, o conhecimento cient&iacute;fico, a tecnologia e a inova&ccedil;&atilde;o no setor agr&aacute;rio s&atilde;o essenciais para uma produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria suficiente e sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma breve analogia pode ser reveladora, no entanto, como pre&acirc;mbulo a este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico. Comentando sobre uma poderosa tradi&ccedil;&atilde;o do pensamento pol&iacute;tico e social, iniciada por Marx no s&eacute;culo XIX, o lend&aacute;rio fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Jean-Paul Sartre alertou, em 1957, que "o marxismo &eacute; ainda muito jovem, quase em sua inf&acirc;ncia" - mais de setenta anos depois da morte de Marx. Ressaltou, igualmente, que adotar esse modelo de interpreta&ccedil;&atilde;o sobre o desenvolvimento das sociedades exigiria, como pressuposto, <i>conhecer a realidade</i>, confrontar o mundo como ele realmente existe, sem se apegar &agrave; ilus&atilde;o de julgar que as respostas aos problemas e desafios podem ser localizadas em cita&ccedil;&otilde;es de textos sagrados, frases ret&oacute;ricas ou a reitera&ccedil;&atilde;o do autoengano. "Precisamos achar o m&eacute;todo e constituir a ci&ecirc;ncia", concluiu Sartre, igualmente ressaltando que esse seria um esfor&ccedil;o, particularmente, para entender a hist&oacute;ria e suas "verdades mais profundas". Conhecer o passado e interpret&aacute;-lo, para explicar o presente e, somente assim, ser capaz de projetar com robustez o futuro, esse seria um dos predicamentos metodol&oacute;gicos do materialismo proposto por Marx. De fato, um preceito derivado da sensatez l&oacute;gica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse fato hist&oacute;rico pode ser analiticamente &uacute;til, sob uma proveitosa analogia, para a caracteriza&ccedil;&atilde;o do chamado "campo agroecol&oacute;gico". Uma avalia&ccedil;&atilde;o inicial, suave e simp&aacute;tica ao esfor&ccedil;o empreendido pela agroecologia, acompanharia a historieta acima citada, pois, embora ainda muito jovem, "quase em sua inf&acirc;ncia", a agroecologia estaria sugerindo <i>prima facie</i> uma s&eacute;rie de iniciativas sociais, produtivas, tecnol&oacute;gicas (quem sabe, at&eacute; cient&iacute;ficas) que poderiam estar anunciando em algum futuro long&iacute;nquo uma "nova agricultura", em substitui&ccedil;&atilde;o ao atual padr&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria dominante em todo o mundo. Seria, assim, um ousado esfor&ccedil;o coletivo, embora (ainda) sem rigor conceitual ou te&oacute;rico, e nem mesmo algum modelo tecnol&oacute;gico, para indicar diversos caminhos, abrigados sob o guarda-chuva de uma "agricultura ecol&oacute;gica", qualquer que fosse a sua vertente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A simpatia imediata a esta vers&atilde;o edulcorada, pueril e mais emocional do que racional, ocorre porque sempre ser&aacute; melhor pensar, em acordo com o senso comum, no acesso a alimentos que sejam <i>naturais</i>, sem aditivos agroindustriais de nenhum tipo, pois esta seria "a ordem natural das coisas", desde tempos imemoriais. Apenas se estaria enfatizando uma via de interpretar o passado e o presente da agricultura principalmente em fun&ccedil;&atilde;o de seus impactos, especialmente os ambientais e, desta forma, construir um futuro no qual a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos obedeceria a outros ditames mais sustent&aacute;veis. No entanto, para oferecer a explica&ccedil;&atilde;o, ainda faltaria um esfor&ccedil;o redobrado para <i>"achar o m&eacute;todo e construir a ci&ecirc;ncia", </i>pois permaneceria a pergunta sem resposta - existe um m&eacute;todo agroecol&oacute;gico associado a uma problem&aacute;tica cient&iacute;fica correspondente?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, existe outra leitura acerca da emerg&ecirc;ncia da agroecologia no Brasil, cr&iacute;tica, realista e mais assentada nos fatos e nas "verdades profundas" da hist&oacute;ria, abandonando a interpreta&ccedil;&atilde;o r&oacute;sea acima referida. Essa segunda interpreta&ccedil;&atilde;o sugere que, na realidade, os proponentes desse campo n&atilde;o pretendem (sen&atilde;o discursivamente) garantir a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos baratos e produzidos sob formas sustent&aacute;veis para a popula&ccedil;&atilde;o como um todo e, menos ainda, garantir prosperidade econ&ocirc;mica aos produtores que forem atra&iacute;dos para a proposta. Seus discursos p&uacute;blicos podem at&eacute; ser assim, enfatizando esses generosos objetivos, mas suas inten&ccedil;&otilde;es reais, nunca afirmadas publicamente, s&atilde;o outras. Em uma curta s&iacute;ntese, a agroecologia, no Brasil, &eacute; apenas, e exclusivamente, uma a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que, sob o pretexto de atacar o padr&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria dominante no pa&iacute;s, desenvolve, de fato, uma narrativa anticapitalista oculta sob a ret&oacute;rica da sustentabilidade. E &eacute; assim porque a maioria de seus proponentes principais e not&oacute;rios ostentam conhecidas trajet&oacute;rias no campo da chamada "esquerda agr&aacute;ria" e seus objetivos s&atilde;o primordialmente pol&iacute;ticos, n&atilde;o tecnol&oacute;gicos, cient&iacute;ficos e nem mesmo sociais ou ambientais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Afirmado mais sucintamente, a marcha da "agroecologia" em nosso pa&iacute;s seria, na realidade, a express&atilde;o de uma (pobre) ideologia. O termo, entendido no seu sentido mais cl&aacute;ssico que foi popularizado na sociologia, indica uma ilus&atilde;o, uma falsa consci&ecirc;ncia, um conjunto de ideias manipuladas por uma classe ou grupo, para idealizar o mundo e aparentar que os interesses desse grupo seriam tamb&eacute;m "o interesse coletivo", de toda a sociedade. Nas manifesta&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas, que Marx analisou em um de seus mais famosos livros, <i>A ideologia alem&atilde;</i> (1846), "os homens e as suas rela&ccedil;&otilde;es nos surgem invertidos", o que parece ser admiravelmente o caso dos comportamentos e argumentos associados &agrave; "agroecologia" e suas manifesta&ccedil;&otilde;es no Brasil. Sem nenhuma surpresa, a maior parte do que vem a p&uacute;blico sob esse r&oacute;tulo se assemelha &agrave;s evid&ecirc;ncias concretas de dogmas religiosos, seitas ou de cultos assentados em ideias r&iacute;gidas, pois n&atilde;o requerem fatos, provas ou outras evid&ecirc;ncias. Novamente se recorre aqui &agrave; advert&ecirc;ncia de Sartre, pois n&atilde;o existe m&eacute;todo e, muito menos, algum laivo, ainda que superficial, de ci&ecirc;ncia propriamente dita.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como seria esperado, nem todos os proponentes da agroecologia seguem tais roteiros de ambi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica ou, talvez, sequer imaginam estar desenvolvendo uma ideologia, nesse sentido negativo de desenvolver uma manipula&ccedil;&atilde;o coletiva. Uma propor&ccedil;&atilde;o significativa dos defensores desse campo parece <i>realmente</i> acreditar que estaria sendo constru&iacute;do um "novo formato tecnol&oacute;gico ecol&oacute;gico e sustent&aacute;vel" aplic&aacute;vel &agrave; produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria, o qual sustentaria economicamente as fam&iacute;lias rurais, especialmente aquelas de menor porte econ&ocirc;mico (a chamada "agricultura familiar"). A explica&ccedil;&atilde;o para esta aceita&ccedil;&atilde;o acr&iacute;tica seria simples, pois o termo "agroecologia" sugere imediatamente uma vaga associa&ccedil;&atilde;o com "agricultura ecol&oacute;gica", uma ambi&ccedil;&atilde;o que &eacute; socialmente desej&aacute;vel. Como desconhecem a hist&oacute;ria passada das perip&eacute;cias desta palavra (ou conhecem-na apenas superficialmente), os atores envolvidos, as motiva&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, as rela&ccedil;&otilde;es entre as ONGs dedicadas ao assunto, os v&iacute;nculos partid&aacute;rios e as disfar&ccedil;adas ambi&ccedil;&otilde;es de "transforma&ccedil;&atilde;o social", s&atilde;o colegas que, na pr&aacute;tica, acabam sendo joguetes em uma estrat&eacute;gia pol&iacute;tica. Aceitam passivamente e sem postura cr&iacute;tica o jarg&atilde;o proposto, sem se perguntarem se a "agroecologia", concretamente, poderia representar, de fato, um caminho promissor para as fam&iacute;lias empobrecidas do Brasil rural &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma brev&iacute;ssima s&iacute;ntese do termo "agroecologia" registra que a sua introdu&ccedil;&atilde;o no Brasil se deu pelas m&atilde;os de um entomologista chileno, Miguel Altieri, o qual, ainda morador naquele pa&iacute;s, militava politicamente &agrave; esquerda e conhecia em alguma medida os encantadores sistemas de produ&ccedil;&atilde;o ind&iacute;genas das terras altas dos Andes &#91;2&#93;. Com o golpe militar, em 1973 (que dep&ocirc;s o presidente Allende), Altieri rumou ao ex&iacute;lio nos Estados Unidos, onde concluiu seu doutoramento e vinculou-se &agrave; Universidade da Calif&oacute;rnia. Na d&eacute;cada de 1980, iniciou suas incurs&otilde;es pelo Brasil e, primeiramente, ainda naqueles anos, aliou-se a militantes brasileiros com os mesmos prop&oacute;sitos. Ou seja, ativistas anticapitalistas contestadores da chamada "agricultura moderna", o padr&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o produtiva da agropecu&aacute;ria que havia sido incentivado durante os anos do regime militar e se expandido fortemente, enraizando-se em diversas regi&otilde;es rurais. Entre os brasileiros, a proemin&ecirc;ncia ficou &agrave; cargo de uma ONG carioca, depois renomeada como sendo a atual AS-PTA. O nome "agroecologia", contudo, n&atilde;o se disseminou imediatamente, pois os demais grupos de ativistas com o mesmo objetivo geral preferiam ent&atilde;o a designa&ccedil;&atilde;o de "agricultura alternativa" e os esfor&ccedil;os eram na dire&ccedil;&atilde;o de aprofundar suas vertentes principais, da agricultura org&acirc;nica &agrave; biodin&acirc;mica e, em menor envergadura, da agricultura ecol&oacute;gica &agrave; natural (ver o riqu&iacute;ssimo depoimento de um produtor, em &#91;3&#93;).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na virada do s&eacute;culo, a palavra "agroecologia" emergiu com mais for&ccedil;a, gra&ccedil;as especialmente &agrave; decis&atilde;o do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de abra&ccedil;ar o termo para animar a sua a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica mais geral. Desenhou-se ent&atilde;o a estrat&eacute;gia a ser seguida que, alguns anos depois, vem observando fatos inacredit&aacute;veis, como cursos de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em "agroecologia" e at&eacute; surrealistas editais do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico) destinados a estimular pesquisas nesse "novo campo", os quais sequer apresentam aos interessados o que se entenderia por "agroecologia". A culmina&ccedil;&atilde;o desta sequ&ecirc;ncia espantosa foi a aprova&ccedil;&atilde;o de uma lei nacional, em 2012, na qual se vincula uma vertente tecnol&oacute;gica reconhecida e aceita (a agricultura org&acirc;nica) com o novo termo, que foi contrabandeado na lei, para garantir a sua institucionaliza&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; o sucinto roteiro dos &uacute;ltimos anos, o qual explica o s&uacute;bito e gradual surgimento da palavra e a sua crescente repeti&ccedil;&atilde;o, em diferentes &acirc;mbitos, assim garantindo a sua "naturaliza&ccedil;&atilde;o", embora sem oferecer sequer alguma defini&ccedil;&atilde;o a respeito.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico &eacute; constitu&iacute;do de seis artigos, al&eacute;m desta introdu&ccedil;&atilde;o, sob a lavra de cientistas de reconhecida reputa&ccedil;&atilde;o em suas respectivas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o, o primeiro deles professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e os demais pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria (Embrapa). Deve ser enfatizado que nenhum dos autores esbo&ccedil;a a menor oposi&ccedil;&atilde;o, remota que possa ser, &agrave; proposi&ccedil;&atilde;o geral da "ecologiza&ccedil;&atilde;o do sistema agroalimentar", pois esta &eacute; meta social (e cient&iacute;fica) que hoje motiva cora&ccedil;&otilde;es e mentes, em todo o mundo. Seria quixotesco opor-se a essa ambi&ccedil;&atilde;o coletiva. Mas os autores s&atilde;o comprometidos com a seguran&ccedil;a alimentar, com a efici&ecirc;ncia do sistema produtivo, com o progresso tecnol&oacute;gico e a ci&ecirc;ncia em geral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro artigo, de Am&iacute;lcar Baiardi, discorre sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do pensamento cient&iacute;fico, para introduzir a agronomia, um campo de inquiri&ccedil;&atilde;o humana que, desde o seu nascedouro, esteve sempre "baseado em evid&ecirc;ncias e n&atilde;o em cren&ccedil;as", visando "o aprimoramento do conhecimento aplicado". Ainda mais relevante, Baiardi destaca que os esfor&ccedil;os realizados pela "arte agron&ocirc;mica" estabeleceram, j&aacute; em seus prim&oacute;rdios, uma trajet&oacute;ria "em harmonia com a natureza (...) um compromisso de g&ecirc;nese com a preserva&ccedil;&atilde;o da natureza, que nunca foi negligenciado". Conclui, em face da hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia e seu legado, que a chamada agroecologia n&atilde;o poderia se apresentar propriamente como ci&ecirc;ncia, ainda que "em forma&ccedil;&atilde;o".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo artigo, de autoria de D&eacute;cio Luiz Gazzoni, argumenta que o padr&atilde;o tecnol&oacute;gico que organiza todas as agriculturas do mundo &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica que moldou n&atilde;o apenas a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos e mat&eacute;rias-primas de origem agropecu&aacute;ria, mas at&eacute; mesmo a configura&ccedil;&atilde;o das sociedades. No texto, o pesquisador discute diversas restri&ccedil;&otilde;es &agrave; produ&ccedil;&atilde;o que v&atilde;o se tornando mais agudas, no tocante &agrave; necessidade de alimentar o mundo, especialmente a limita&ccedil;&atilde;o relativa ao aumento da &aacute;rea plantada. Restaria, sobretudo, a imposi&ccedil;&atilde;o de ganhos de produtividade como o caminho principal para aumentar a oferta de alimentos. Portanto, &eacute; tend&ecirc;ncia que afirma, ainda mais vigorosamente, a chamada agricultura moderna, e n&atilde;o algum modelo alternativo a esse padr&atilde;o tecnol&oacute;gico hoje dominante em todo o mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Evaristo de Miranda relaciona, no terceiro artigo, as t&eacute;cnicas e tecnologias empregadas na agricultura moderna que a permitem reduzir os impactos ambientais da atividade. Dados estat&iacute;sticos recentes, extra&iacute;dos de mais de quatro milh&otilde;es de declara&ccedil;&otilde;es georreferenciadas decorrentes da aplica&ccedil;&atilde;o do Cadastro Ambiental Rural em quase todo o pa&iacute;s, demonstram que o nascimento e o desenvolvimento da agricultura moderna no Brasil foram alicer&ccedil;ados, de fato, em um padr&atilde;o sustent&aacute;vel baseado na prote&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas nativas n&atilde;o cultivadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No artigo seguinte, Carlos Bloch Jr. assenta-se na filosofia aristot&eacute;lica para enfatizar sobre os comportamentos sociais que n&atilde;o distinguem a diferen&ccedil;a entre ess&ecirc;ncia e apar&ecirc;ncia e, por isso, se distanciam da "estrutura do real. Real este que &eacute; a mat&eacute;ria-prima sem a qual nenhuma suposta atividade cient&iacute;fica pode ser levada a s&eacute;rio". Embora sem citar a agroecologia, o autor demonstra a necessidade de pensar e orientar as atividades relacionadas &agrave; agropecu&aacute;ria, necessariamente, a partir da concretude da produ&ccedil;&atilde;o (ou "a realidade"). Por esta raz&atilde;o, &eacute; texto crucial para apontar, sob uma l&oacute;gica conceitual, a impossibilidade das iniciativas autointituladas de agroecologia, pois estas s&atilde;o, sobretudo, ret&oacute;ricas e sem rela&ccedil;&atilde;o com situa&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O quinto artigo, de autoria de Maria Thereza Macedo Pedroso, oferece uma resposta emp&iacute;rica &agrave; pergunta: "qual &eacute; a verdadeira quest&atilde;o social no campo brasileiro, em nossos dias?". No texto, a autora argumenta que o maior desafio, atualmente posto &agrave; vasta maioria dos produtores de porte m&eacute;dio e pequeno, &eacute; o acesso &agrave; melhor tecnologia poss&iacute;vel para sobreviverem ao acirramento concorrencial, em face da espantosa concentra&ccedil;&atilde;o da riqueza que vem caracterizando o curso da agropecu&aacute;ria brasileira. Na segunda parte de seu artigo, a pesquisadora ilustra a impossibilidade de outro caminho tecnol&oacute;gico, uma vez que, segundo ela, a pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o de agroecologia &eacute; contradit&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artigo que conclui o conjunto de curtos ensaios &eacute; de autoria de Carlos Alberto Lopes, que discute se seria poss&iacute;vel "produzir alimentos sem agroqu&iacute;micos". Lopes apresenta e pondera em seu texto as diversas nuances do tema. S&atilde;o facetas que apontam que, em nossos dias, retirar esses insumos da produ&ccedil;&atilde;o representaria, t&atilde;o somente, a propaga&ccedil;&atilde;o da fome e da eleva&ccedil;&atilde;o absurda dos pre&ccedil;os dos produtos. Os agricultores utilizam os agroqu&iacute;micos, enfatiza o autor, "n&atilde;o porque gostam, mas porque &eacute; preciso", tamb&eacute;m alertando que a preocupa&ccedil;&atilde;o maior com esses produtos "n&atilde;o deveria ser os agrot&oacute;xicos em si, cujo uso &eacute; legal, por&eacute;m o seu mau uso, quando s&atilde;o utilizados produtos n&atilde;o registrados e quando n&atilde;o se respeitam dosagens e nem os per&iacute;odos de car&ecirc;ncia".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Navarro, Z. "Agroecologia: as coisas em seu lugar (A agronomia brasileira visita a terra dos duendes)". In:<i> Col&oacute;quio, </i>2013, vol. 10, n.1, pp. 11-45. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://seer.faccat.br/index.php/coloquio/article/view/23/pdf_11" target="_blank">https://seer.faccat.br/index.php/coloquio/article/view/23/pdf_11</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099144&pid=S0009-6725201700040001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Altieri, M. <i>Agroecologia: as bases cient&iacute;ficas da agricultura alternativa</i>. Rio de Janeiro: PTA/FASE, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099145&pid=S0009-6725201700040001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Mesquita, F. F. "Agricultura org&acirc;nica: relato de uma experi&ecirc;ncia". In:<i> Col&oacute;quio </i>&#91;online&#93;, 2013, vol. 10, n.2, pp. 149-156. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://seer.faccat.br/index.php/coloquio/article/view/86/pdf_26" target="_blank">https://seer.faccat.br/index.php/coloquio/article/view/86/pdf_26</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099147&pid=S0009-6725201700040001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body>
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