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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Como alimentar 10 bilhões de cidadãos na década de 2050?]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS     <br> CI&Ecirc;NCIA E AGRICULTURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Como alimentar 10 bilh&otilde;es de cidad&atilde;os na d&eacute;cada de 2050?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Decio Luiz Gazzoni</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Engenheiro agr&ocirc;nomo, pesquisador da Embrapa Soja. E-mail: <a href="mailto:decio.gazzoni@embrapa.br">decio.gazzoni@embrapa.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O impacto da agricultura sobre o ambiente &eacute; um tema recorrente ao longo da hist&oacute;ria da humanidade. Poder&iacute;amos situar sua g&ecirc;nese quando os primeiros agrupamentos humanos decidiram substituir o nomadismo, a ca&ccedil;a, a pesca e o extrativismo pela fixa&ccedil;&atilde;o da comunidade em locais onde plantas e animais domesticados passaram a ser cultivados ou criados. O simples fato de cultivar uma &aacute;rea homog&ecirc;nea, dominada por uma determinada esp&eacute;cie, altera o equil&iacute;brio da cadeia alimentar, exigindo sofistica&ccedil;&atilde;o crescente na produ&ccedil;&atilde;o de alimentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O advento da agricultura permitiu a forma&ccedil;&atilde;o de n&uacute;cleos, aglomerados, vilas, cidades e regi&otilde;es, organizando as sociedades e especializando o trabalho. No curso do tempo, a demanda de alimentos guarda uma rela&ccedil;&atilde;o linear com o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o, sempre acompanhada do desafio de produzir com sustentabilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) projeta tr&ecirc;s diferentes cen&aacute;rios para o futuro da popula&ccedil;&atilde;o mundial, baseados na varia&ccedil;&atilde;o da taxa de natalidade no tempo &#91;1&#93;. No s&eacute;culo XXI, a popula&ccedil;&atilde;o equilibrar-se-ia com a taxa de 2,05 filhos por mulher, e o estudo usa taxas de 1,55 para o cen&aacute;rio de baixo crescimento, de 2,55 para alto crescimento, e o cen&aacute;rio de m&eacute;dio crescimento situar-se-ia entre os dois extremos. Considerando que o maior crescimento da popula&ccedil;&atilde;o ocorrer&aacute; em pa&iacute;ses com baixo &iacute;ndice de desenvolvimento, mormente regi&otilde;es da &Aacute;frica, Sudeste Asi&aacute;tico e Am&eacute;rica Latina, a curva populacional mais prov&aacute;vel dever&aacute; situar-se entre os cen&aacute;rios m&eacute;dio e alto. Ao final da d&eacute;cada de 2050, a popula&ccedil;&atilde;o mundial variar&aacute; entre 9,3 e 10,6 bilh&otilde;es de pessoas, sendo 10 bilh&otilde;es uma estimativa razo&aacute;vel (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a12fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fator que mais impulsionar&aacute; a demanda de alimentos ser&aacute; o crescimento da renda per capita &#91;2&#93;, ou seja, o dinheiro dispon&iacute;vel para as fam&iacute;lias atenderem as suas necessidades. Percebe-se na <a href="#fig1">Figura 1</a> que o crescimento da renda per capita entre 2020 e 2060 assume forma exponencial, impondo dois impactos principais: (a) a diminui&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com car&ecirc;ncias nutricionais, atualmente estimada pela FAO (Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura) entre 800 milh&otilde;es e 1 bilh&atilde;o de pessoas, que dever&aacute; atingir valores marginais no final do per&iacute;odo; e (b) as mudan&ccedil;as de h&aacute;bitos de consumo, em especial com o aumento da demanda de prote&iacute;nas de origem animal. O aumento da produ&ccedil;&atilde;o pecu&aacute;ria, particularmente su&iacute;nos, aves e bovinos confinados, exigir&aacute; volumes exponencialmente maiores de ra&ccedil;&otilde;es. O consumo estimado de 250kg de gr&atilde;os por cidad&atilde;o, para atender suas necessidades alimentares, ter&aacute; um incremento ponder&aacute;vel, pois, em m&eacute;dia, para cada quilo de carne produzida, estima-se que sejam necess&aacute;rios 6kg de gr&atilde;os &#91;5&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considere-se que produtos agr&iacute;colas n&atilde;o se restringem a alimentos. A sociedade demanda fibras, madeira, mat&eacute;ria-prima para biocombust&iacute;veis e para a ind&uacute;stria qu&iacute;mica, plantas medicinais e ornamentais, al&eacute;m da competi&ccedil;&atilde;o crescente do espa&ccedil;o rural com outras atividades, como turismo rural, fazendas e&oacute;licas e fotovoltaicas, infraestrutura de transportes e industrial, avan&ccedil;o dos limites das cidades, espa&ccedil;os de lazer, entre outros. De acordo com a FAO &#91;6&#93;, no ano de 2014 foram produzidos 2,5 Gt de gr&atilde;os e 316 Mt de carnes, ocupando 1,4 GHa para produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os, hortali&ccedil;as e frutas; 3,4 GHa em pastagens; e cerca de 270 MHa destinados para florestas plantadas. A FAO estima a necessidade de produzir 70% mais alimentos entre 2010 e 2050 e, conforme Bruinsma &#91;7&#93;, ser&aacute; necess&aacute;rio produzir, anualmente, mais 1 Gt de gr&atilde;os e 200 Mt de carnes para atender a demanda em 2050.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESTRI&Ccedil;&Otilde;ES &Agrave; PRODU&Ccedil;&Atilde;O </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira grande restri&ccedil;&atilde;o que se antep&otilde;e ao atendimento da demanda prevista para a d&eacute;cada de 2050 &eacute; a disponibilidade de terras minimamente adequadas para o cultivo. As &aacute;reas com melhor voca&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e mais pr&oacute;ximas dos centros de consumo j&aacute; foram ocupadas, logo a expans&atilde;o ocorreria em &aacute;reas marginais, com s&eacute;rias restri&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e/ou ed&aacute;ficas e topogr&aacute;ficas, portanto com necessidade de irriga&ccedil;&atilde;o e/ou intenso aporte de corretivos e fertilizantes, e dificuldades de mecaniza&ccedil;&atilde;o. Alternativamente, a &aacute;rea agr&iacute;cola teria que avan&ccedil;ar sobre forma&ccedil;&otilde;es de matas remanescentes, criando um enorme passivo ambiental. Um &iacute;ndice que bem expressa essa limita&ccedil;&atilde;o &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre terra ar&aacute;vel dispon&iacute;vel no mundo e a popula&ccedil;&atilde;o mundial, que j&aacute; foi de 38 ha/pessoa em 1960 e hoje situa-se em 19,6 ha/pessoa, uma redu&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima a 50% &#91;8&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A segunda restri&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, vinculada &agrave; anterior, &eacute; o avan&ccedil;o de outras atividades no espa&ccedil;o rural, decorrente da expans&atilde;o populacional e da renda per capita, algumas ligadas &agrave; agricultura, como produ&ccedil;&atilde;o de biocombust&iacute;veis, insumos para a ind&uacute;stria qu&iacute;mica ou farmac&ecirc;utica, plantas ornamentais e de florestas cultivadas. Outras demandas, como &aacute;reas de lazer, infraestrutura, avan&ccedil;o das &aacute;reas urbanas, demarca&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas ind&iacute;genas e reservas florestais limitam a &aacute;rea para produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. Em consequ&ecirc;ncia das duas restri&ccedil;&otilde;es at&eacute; aqui citadas, o pre&ccedil;o da terra tende a aumentar desproporcionalmente, majorando custos fixos, requerendo maior aporte de capital, em teoria encarecendo o produto agr&iacute;cola para o consumidor e restringindo o n&uacute;mero de pequenas propriedades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A terceira restri&ccedil;&atilde;o decorre das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais atualmente em curso, sendo as previs&otilde;es do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas) &#91;9&#93; muito sombrias quanto &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de alta adequa&ccedil;&atilde;o para determinados cultivos, bem como maior risco de perda de produ&ccedil;&atilde;o por extremos clim&aacute;ticos, como secas ou inunda&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quarta restri&ccedil;&atilde;o deriva da intensifica&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio internacional de produtos agr&iacute;colas, o que aumenta o risco de introdu&ccedil;&atilde;o de pragas agr&iacute;colas ex&oacute;ticas. Esse aspecto &eacute; agravado pelo mencionado anteriormente, seja a respeito de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, que tornar&atilde;o determinados ambientes mais prop&iacute;cios &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o das pragas agr&iacute;colas; ou da intensifica&ccedil;&atilde;o da agricultura (duas a tr&ecirc;s colheitas dentro do mesmo ano agr&iacute;cola), que &eacute; uma forma de contornar as limita&ccedil;&otilde;es &agrave; expans&atilde;o da &aacute;rea cultiv&aacute;vel, mas que cria "pontes verdes" e permite a adapta&ccedil;&atilde;o de pragas a hospedeiros n&atilde;o tradicionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quinta restri&ccedil;&atilde;o decorre do intenso fen&ocirc;meno de urbaniza&ccedil;&atilde;o, que se acentua em escala mundial. De acordo com a FAO, desde 2010 existem mais pessoas vivendo nas cidades que nos campos. Como tal, &eacute; cada vez mais dif&iacute;cil encontrar pessoas dispostas a trabalhar no campo, seja como empres&aacute;rios ou trabalhadores rurais - mesmo com sal&aacute;rios ou rendas maiores. A progressiva falta de m&atilde;o de obra for&ccedil;a a necessidade de automa&ccedil;&atilde;o e mecaniza&ccedil;&atilde;o em larga escala, bem como o cultivo de propriedades cada vez maiores, para que possam ser conduzidas por menor n&uacute;mero de pessoas envolvidas na produ&ccedil;&atilde;o. Prev&ecirc;-se uma reforma agr&aacute;ria &agrave;s avessas, com a coalesc&ecirc;ncia de pequenas e m&eacute;dias propriedades. O desaparecimento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Brasil, &eacute; um exemplo concreto de como as pessoas n&atilde;o mais almejam viver no campo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>QUEST&Otilde;ES DIRETRIZES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Pelo exposto, imp&otilde;em-se algumas perguntas, cujas respostas indicar&atilde;o o modelo de agricultura que permitir&aacute; atender a demanda global por alimentos em 2060:</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> Como produzir alimentos suficientes, a pre&ccedil;os acess&iacute;veis, para abastecer a popula&ccedil;&atilde;o do planeta?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> Qual &eacute; o limite para expans&atilde;o de &aacute;rea cultivada e de pastagens?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> Quais s&atilde;o as novas tecnologias que podem nos ajudar a usar os escassos recursos de forma mais eficiente e aumentar os rendimentos, para garantir colheitas e a produ&ccedil;&atilde;o pecu&aacute;ria?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> Estamos investindo o suficiente em pesquisa e desenvolvimento na &aacute;rea agron&ocirc;mica, de forma a dispor de inova&ccedil;&otilde;es para superar os desafios que se anteveem?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> A sociedade mundial, em particular os governos, est&atilde;o dispostos a enfrentar o problema das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais, reduzindo o impacto negativo sobre a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> Ser&aacute; poss&iacute;vel expandir a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola de forma sustent&aacute;vel, respeitando o ambiente e preservando os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos?</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O acesso &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute;, primariamente, fun&ccedil;&atilde;o da renda dispon&iacute;vel para aquisi&ccedil;&atilde;o de alimentos e, subsidiariamente, da oferta de produtos agr&iacute;colas. A afirmativa decorre do fato de que, em havendo demanda, esta induz uma oferta correspondente, desde que existam os meios para sua produ&ccedil;&atilde;o. Os pre&ccedil;os s&atilde;o um mediador entre a oferta e a demanda, sendo modulados pelos estoques dispon&iacute;veis, pelos custos de produ&ccedil;&atilde;o e pelas expectativas quanto &agrave; oferta e demanda futura. Em havendo uma demanda n&atilde;o sazonal, ou seja, uma tend&ecirc;ncia clara de aumento cont&iacute;nuo ou de salto de patamar, os pre&ccedil;os tendem a subir e enviam sinais claros aos produtores para que aumentem a produ&ccedil;&atilde;o. Atendida a demanda, pelo novo patamar de oferta, os pre&ccedil;os encontram um novo ponto de equil&iacute;brio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso posto, pode-se considerar o &iacute;ndice de pre&ccedil;os da FAO (<a href="#fig2">Figura 2</a>), atualizado mensalmente, como um <i>proxy</i> adequado que permite aferir se a oferta de alimentos est&aacute; condizente com a sua demanda. Verifica-se que o &iacute;ndice oscila, com picos e vales, que podem ser explicados por (a) incremento de custos (crise do petr&oacute;leo, d&eacute;cada de 1970); (b) redu&ccedil;&atilde;o da demanda e ganhos de produtividade agr&iacute;cola (d&eacute;cada de 1990); (c) aumento da demanda (intenso crescimento da renda per capita entre 2003 e 2009); (d) elevados estoques (redu&ccedil;&atilde;o da renda per capita global conjuminada com aumento da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, no per&iacute;odo 2011-2015).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a12fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Abstraindo-se as varia&ccedil;&otilde;es intra per&iacute;odo, observa-se pela linha de tend&ecirc;ncia uma cont&iacute;nua redu&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os entre 1960 e 1990, seguida por uma ascens&atilde;o posterior. Muito provavelmente essa recente tend&ecirc;ncia altista perdurar&aacute; nos pr&oacute;ximos 40 anos, pelos fatores expostos anteriormente, tanto aqueles ligados ao aumento da demanda quanto os vinculados aos desafios para a expans&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entrementes, a quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; t&atilde;o simples, outros elementos precisam ser colocados na equa&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, o simples fato de haver aumento de renda per capita (mais dinheiro dispon&iacute;vel para comprar alimentos) pode ser um fator que leve o mercado a testar os limites de alta, para verificar quanto os consumidores est&atilde;o dispostos a pagar pelo produto, independente de altera&ccedil;&otilde;es de custo, qualidade, oferta ou demanda. O mesmo fen&ocirc;meno de aumento de renda leva a novas exig&ecirc;ncias e mudan&ccedil;as de h&aacute;bito. O consumidor exige mais qualidade, o que leva as cadeias de abastecimento a criarem processos de certifica&ccedil;&atilde;o e de rastreabilidade, o que agrega valor, aumenta custos e eleva pre&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O consumidor tamb&eacute;m passa a selecionar marcas, que se imp&otilde;em no mercado por elementos acess&oacute;rios, como apresenta&ccedil;&atilde;o, forma e marketing, o que eleva seu valor no mercado e o pre&ccedil;o ao consumidor. A mudan&ccedil;a de h&aacute;bitos de maior impacto vai ocorrer no aumento do consumo de prote&iacute;nas animais, o que exige maior produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os (em especial soja e milho) para o seu arra&ccedil;oamento, for&ccedil;ando a curva de demanda per capita acima dos n&iacute;veis hist&oacute;ricos. Finalmente, a sociedade anseia por alimentos seguros e in&oacute;cuos, exigindo dos governos legisla&ccedil;&otilde;es cada vez mais r&iacute;gidas e severas, em especial no que tange ao uso de insumos (fertilizantes, agrot&oacute;xicos, antibi&oacute;ticos, OGMs, contaminantes), o que imp&otilde;e custos de pesquisa e desenvolvimento e de atendimento aos regulamentos, consequentemente elevando pre&ccedil;os.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>COMO ATENDER &Agrave; DEMANDA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Partindo do estudo da FAO que estima a necessidade de aumento da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola em cerca de 70%, entre 2010 e 2050, obt&eacute;m-se a m&eacute;dia geom&eacute;trica de 1,34% ao ano, para atender a demanda de alimentos. Assumindo as restri&ccedil;&otilde;es de disponibilidade de terra agricult&aacute;vel e o consequente aumento do pre&ccedil;o da terra, &eacute; l&iacute;cito concluir que a expans&atilde;o horizontal da produ&ccedil;&atilde;o ser&aacute; muito pequena, provavelmente respondendo por n&atilde;o mais que 10% do aumento da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola. Parcela dos restantes 60% dever&aacute; ser atendida por intensifica&ccedil;&atilde;o da agricultura, com segunda e terceira safras na mesma &aacute;rea, e no mesmo ano agr&iacute;cola. Entretanto, essa alternativa apenas est&aacute; dispon&iacute;vel para pa&iacute;ses situados na faixa tropical ou subtropical do planeta, com ofertas de chuva e temperatura adequadas, n&atilde;o sendo aplic&aacute;vel a regi&otilde;es temperadas e frias. Por fim, o restante da demanda dever&aacute; ser provido por ganhos de produtividade, decorrentes de otimiza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o dos fatores de produ&ccedil;&atilde;o e de inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas. Considerando que uma parcela entre 20 e 25% da produ&ccedil;&atilde;o ser&aacute; obtida por expans&atilde;o de &aacute;rea ou intensifica&ccedil;&atilde;o da agricultura, &eacute; razo&aacute;vel admitir que um ganho de produtividade geom&eacute;trico de 1,1% no per&iacute;odo permitir&aacute; atingir a meta de produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste particular, &eacute; interessante verificar na <a href="#tab1">Tabela 1</a> que, entre 1961 e 2014, a m&eacute;dia geom&eacute;trica de incremento de produtividade global, para os quatro principais gr&atilde;os, foi de 1,83%, variando entre 1,56% para a soja e 2,08% para o trigo. Analisando-se o caso isolado do Brasil - seguramente o protagonista do atendimento da demanda adicional requerida pelo mundo nos pr&oacute;ximos 45 anos -, o incremento da produtividade de gr&atilde;os no mesmo per&iacute;odo foi de 2,24%, variando entre 1,21% para o arroz irrigado a 2,67% para o trigo. Portanto, o desafio de obter um incremento m&eacute;dio anual de 1,1% na produtividade agr&iacute;cola mostra-se fact&iacute;vel, do ponto de vista pr&aacute;tico, pelo hist&oacute;rico j&aacute; obtido e pela gera&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de novas tecnologias, que permitir&atilde;o novos saltos de produtividade.</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a12tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para tanto, alguns quesitos que fundamentam a produtividade necessitam ser observados, todos eles com fundamento tecnol&oacute;gico, iniciando-se pelo correto manejo do solo, permitindo que o perfil do solo seja adequado do ponto de vista f&iacute;sico e qu&iacute;mico, com acidez dentro de par&acirc;metros aceit&aacute;veis, teor adequado de mat&eacute;ria org&acirc;nica, disponibilidade de macro e micronutrientes e porosidade e aera&ccedil;&atilde;o adequada. O manejo deve ser efetuado de forma a melhorar continuamente a qualidade do solo, reduzindo a eros&atilde;o, mantendo o n&iacute;vel de fertilidade do solo compat&iacute;vel com a obten&ccedil;&atilde;o de alta produtividade, com adequada capacidade de drenagem, absor&ccedil;&atilde;o e reten&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua, criando condi&ccedil;&otilde;es para manuten&ccedil;&atilde;o da microflora do solo que presta servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos indispens&aacute;veis &agrave; agricultura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os materiais gen&eacute;ticos a serem cultivados devem atender diversos quesitos, como adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es edafoclim&aacute;ticas locais, dispor de elevada toler&acirc;ncia ou resist&ecirc;ncia &agrave;s pragas chaves do cultivo, sendo semeado na &eacute;poca mais adequada, observando a popula&ccedil;&atilde;o &oacute;tima por unidade de &aacute;rea. A prote&ccedil;&atilde;o fitossanit&aacute;ria deve obedecer a r&iacute;gidos crit&eacute;rios t&eacute;cnicos, permitindo evitar perda de produ&ccedil;&atilde;o ao tempo em que minimiza impactos negativos sobre o ambiente, particularmente sobre servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos essenciais, como o controle biol&oacute;gico, a fixa&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica de nitrog&ecirc;nio ou a poliniza&ccedil;&atilde;o. Para tanto, ser&aacute; fundamental observar criteriosamente as recomenda&ccedil;&otilde;es dos programas de manejo de pragas de cada cultivo, bem como utilizar as melhores t&eacute;cnicas para aplica&ccedil;&atilde;o das medidas fitossanit&aacute;rias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O processo de colheita, armazenagem e transporte deve obedecer a protocolos t&eacute;cnicos que preservem a qualidade e minimizem as perdas de produto agr&iacute;cola.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DISCURSAR OU PRODUZIR? </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O descrito anteriormente representa a continuidade do paradigma dominante na oferta de produtos agr&iacute;colas e pecu&aacute;rios no mundo. Entretanto, existem nichos de mercado que s&atilde;o atendidos por outros modelos de produ&ccedil;&atilde;o - por exemplo, com produtos da agricultura org&acirc;nica, a qual n&atilde;o permite o uso de fertilizantes sol&uacute;veis ou de produtos fitossanit&aacute;rios sint&eacute;ticos. Tamb&eacute;m existem correntes de pensamento que se op&otilde;em a in&uacute;meras tecnologias agr&iacute;colas, mormente aquelas contr&aacute;rias ao uso de agrot&oacute;xicos sint&eacute;ticos e de sementes geneticamente modificadas. Assim como existe o sistema denominado agroecologia, cuja proposta inicial foi elaborada na R&uacute;ssia, por Basil Bensin &#91;10&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atente-se ao conceito de Enio Guterres &#91;11&#93; para agroecologia:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"A abordagem agroecol&oacute;gica prop&otilde;e mudan&ccedil;as profundas nos sistemas e nas formas de produ&ccedil;&atilde;o. Na base dessa mudan&ccedil;a est&aacute; a filosofia de se produzir de acordo com as leis e as din&acirc;micas que regem os ecossistemas - uma produ&ccedil;&atilde;o com e n&atilde;o contra a natureza. Prop&otilde;e, portanto, novas formas de apropria&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais que devem se materializar em estrat&eacute;gias e tecnologias condizentes com a filosofia-base." </i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto texto discursivo, os defensores da agroecologia s&atilde;o pr&oacute;digos em elaborar narrativas que representam o ideal ut&oacute;pico que qualquer ser humano defenderia com entusiasmo. No entanto, a maioria dos te&oacute;ricos da agroecologia envereda por trilhas que objetivam, claramente, embates ideol&oacute;gicos, olvidando que o problema &eacute; demonstrar, com fatos e n&uacute;meros incontest&aacute;veis, que a agroecologia pode solver o desafio central de abastecer o mundo de produtos agr&iacute;colas, a pre&ccedil;os compat&iacute;veis com a renda da popula&ccedil;&atilde;o, em bases sustent&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Causa-me esp&eacute;cie o fato de que as tentativas de buscar um modelo alternativo &agrave; agricultura moderna, respons&aacute;vel por 99% da produ&ccedil;&atilde;o mundial de alimentos e outros produtos agr&iacute;colas, pecu&aacute;rios e madeireiros, tenha sua g&ecirc;nese sempre em pa&iacute;ses ricos, mormente na Europa Ocidental, com renda per capita elevada, em geral acima dos US$ 50 mil anuais &#91;2&#93;. Com renda desse quilate &eacute; f&aacute;cil contestar e afrontar a corrente dominante, posto que n&atilde;o mais que 10% da renda do cidad&atilde;o &eacute; destinado &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, em contraste com valores entre 50-80% em pa&iacute;ses pobres ou remediados. Portanto, se o alimento produzido nas condi&ccedil;&otilde;es exigidas pelos que contestam o modelo dominante custar, por hip&oacute;tese, o dobro do pre&ccedil;o, esta elite privilegiada pode arcar com o seu custo, sem que isto afete seu n&iacute;vel de consumo de outros bens. Se houver redu&ccedil;&atilde;o de oferta, e o pre&ccedil;o subir, essa elite tamb&eacute;m n&atilde;o ter&aacute; problemas de nutri&ccedil;&atilde;o. Viajo frequentemente por pa&iacute;ses pobres da &Aacute;frica, Sudeste Asi&aacute;tico e Am&eacute;rica Latina, onde a renda mal passa dos US$1.000 anuais, por vezes muito abaixo disto. O que sempre percebi entre os cidad&atilde;os desses pa&iacute;ses &eacute; a &acirc;nsia por alimentos, que atendam condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a alimentar, e que caibam no seu or&ccedil;amento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em segundo lugar, noto que a preocupa&ccedil;&atilde;o com tecnologias modernas n&atilde;o &eacute; um princ&iacute;pio p&eacute;treo, uma constante do comportamento da vida do mesmo cidad&atilde;o, j&aacute; que a avers&atilde;o &agrave; inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica tem o foco assestado na produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, n&atilde;o sendo aplicada a outros setores como farm&aacute;cia, medicina, comunica&ccedil;&atilde;o ou transporte. Por exemplo, j&aacute; fui testemunha de um fato intrigante, visitando um colega em outro pa&iacute;s. Referido cidad&atilde;o pontuou com veem&ecirc;ncia que apenas utilizava produtos da agricultura org&acirc;nica em sua alimenta&ccedil;&atilde;o, raz&atilde;o pela qual o acompanhei na compra de dois p&eacute;s de alface org&acirc;nica para preparar o almo&ccedil;o. Para tanto usamos uma SUV para viajar quase 40 km (ida e volta) a fim de comprar a referida alface. Haja polui&ccedil;&atilde;o para t&atilde;o pouco alimento! Durante a conversa percebi a alegria desfrutada pelo mesmo cidad&atilde;o - que abominava variedades transg&ecirc;nicas - pela manuten&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida de seus progenitores diab&eacute;ticos, gra&ccedil;as ao uso de insulina produzida por microrganismos transg&ecirc;nicos. Haja contradi&ccedil;&atilde;o!</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em dois artigos publicados na revista <i>Cultivar</i>, chamei a aten&ccedil;&atilde;o para fal&aacute;cias que s&atilde;o aceitas sem contesta&ccedil;&atilde;o, distorcendo a vis&atilde;o da sociedade a respeito dos fatos. O primeiro deles &#91;12&#93;, chama a aten&ccedil;&atilde;o para a declara&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio de que a reforma agr&aacute;ria no Brasil j&aacute; distribu&iacute;ra 63 milh&otilde;es de hectares para produtores rurais. No artigo em tela, alertei que as estat&iacute;sticas mostravam que, nos 30 anos mencionados no informe, a &aacute;rea cultivada no Brasil havia aumentado apenas 9 Mha. Mesmo que essa &aacute;rea proviesse t&atilde;o somente de assentamentos - e n&atilde;o o era! - ainda faltariam 54 Mha, nos quais, pela produtividade da &eacute;poca, seria poss&iacute;vel produzir 193 Mt. Fiz a pergunta &oacute;bvia: <i>Cad&ecirc; a produ&ccedil;&atilde;o?</i> N&atilde;o &eacute; um volume que pudesse ser escondido ou sonegado, pois significaria aumentar em 147% a produ&ccedil;&atilde;o brasileira. Admito que seja verdade que uma &aacute;rea agr&iacute;cola superior ao tamanho da Fran&ccedil;a houvesse sido distribu&iacute;da. Mas, o objetivo da reforma agr&aacute;ria era apenas distribuir terra? Ou deveria fornecer meios de produ&ccedil;&atilde;o, conferir renda aos produtores e abastecer os consumidores de produtos agr&iacute;colas?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No segundo artigo &#91;13&#93;, comentei um estudo de Seufert e colaboradores &#91;14&#93;, que, utilizando t&eacute;cnicas de meta-an&aacute;lise de resultados publicados na literatura cient&iacute;fica, conclu&iacute;ram que a produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica apresenta produtividade entre 5% e 34% inferior &agrave; produ&ccedil;&atilde;o convencional. A partir destes n&uacute;meros &eacute; poss&iacute;vel inferir o impacto de uma mudan&ccedil;a do padr&atilde;o mundial - superior a 99% de agricultura convencional - para org&acirc;nico. De imediato, enfrentar-se-ia uma escolha de Sofia: aumentar a fome no mundo ou desmatar as florestas que sobraram. Em artigo publicado em 2014, Hoffmann &#91;16&#93;, cuja trajet&oacute;ria acad&ecirc;mica e orienta&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica o tornam insuspeito, reagiu firmemente quando autoridades do governo federal afirmaram que a agricultura familiar produziria 70% dos alimentos consumidos no Brasil &#91;15&#93;: "<i>A afirmativa &eacute; falsa. O valor monet&aacute;rio de toda a produ&ccedil;&atilde;o da agricultura familiar corresponde a menos de 25% do total das despesas das fam&iacute;lias brasileiras com alimentos</i>" &#91;16&#93;. Entrementes, decorridos tr&ecirc;s anos, &eacute; recorrente o uso da afirmativa de que 70% dos alimentos prov&eacute;m da agricultura familiar, sem contestar os n&uacute;meros elucidativos apresentados por ele.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A prestigiosa revista <i>New Scientist</i> publicou, em sua edi&ccedil;&atilde;o de 30/11/2016, uma mat&eacute;ria intitulada "Stop buying organic food if you really want to save the planet" &#91;17&#93;. O t&iacute;tulo &eacute; t&atilde;o contundente quanto pol&ecirc;mico, tendo atra&iacute;do violentas rea&ccedil;&otilde;es dos defensores da agricultura org&acirc;nica. O artigo aponta diretamente para a diferen&ccedil;a de produtividade entre a agricultura org&acirc;nica e a convencional, bem como mostra que aquela emite mais gases de efeito estufa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O texto da <i>New Scientist</i> est&aacute; em linha com diversos autores, como Tuomisto e colaboradores &#91;18&#93;, que analisaram quase uma centena de artigos cient&iacute;ficos sobre impacto ambiental de agricultura org&acirc;nica e convencional na Europa. Os autores verificaram que a agricultura org&acirc;nica causa menor impacto ambiental por unidade de &aacute;rea, por&eacute;m seu impacto &eacute; maior por unidade de produto, tendo em vista a menor produtividade. As emiss&otilde;es de gases de efeito estufa (GEE), como am&ocirc;nia e &oacute;xido nitroso, e a lixivia&ccedil;&atilde;o de nitrog&ecirc;nio tamb&eacute;m foram maiores por unidade produzida, tendo sido verificado tamb&eacute;m haver maior potencial de eutrofiza&ccedil;&atilde;o e acidifica&ccedil;&atilde;o do solo por unidade produzida. Similarmente, McGee &#91;19&#93; afirma que, nos Estados Unidos, a produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica est&aacute; positivamente associada com a emiss&atilde;o de GEE. De sua parte, Smith-Spangler e colaboradores &#91;20&#93; chamam a aten&ccedil;&atilde;o para a fal&aacute;cia de afirmar que produtos org&acirc;nicos s&atilde;o mais nutritivos ou saud&aacute;veis, um mito desmentido pelos artigos cient&iacute;ficos por eles revisados. Esses autores tamb&eacute;m afirmaram que foram encontrados mais res&iacute;duos de agrot&oacute;xicos em produtos org&acirc;nicos que em convencionais, embora em teores que atendiam a legisla&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 24/01/2017, o Conselho de Direitos Humanos da ONU divulgou um relat&oacute;rio produzido pela Dra. Hilal Elver, intitulado "Right to Food" &#91;21&#93;. O documento afirma: "&Eacute; hora de derrubar o mito de que os pesticidas s&atilde;o necess&aacute;rios para alimentar o mundo e criar um processo global de transi&ccedil;&atilde;o para uma produ&ccedil;&atilde;o mais segura e saud&aacute;vel de alimentos". Discursos n&atilde;o bastam, eles n&atilde;o resolvem problemas. Elver tem uma hip&oacute;tese: pesticidas matam pessoas e s&atilde;o dispens&aacute;veis para produzir alimentos, portanto devemos alimentar o mundo com lavouras agroecol&oacute;gicas. Destarte, sugeri a ela, como doutora em leis, que proponha ao seu pa&iacute;s, a Turquia, uma lei que pro&iacute;ba terminantemente a produ&ccedil;&atilde;o, a comercializa&ccedil;&atilde;o e o uso de qualquer pesticida destinado a combater pragas agr&iacute;colas, urbanas ou vetores de doen&ccedil;as. Se, ao final de cinco anos utilizando exclusivamente a agroecologia, a Turquia produzir mais alimentos e mais baratos, ent&atilde;o devemos eliminar pesticidas de cinco pa&iacute;ses que sejam chave para o abastecimento de alimentos. Se, novamente, for poss&iacute;vel produzir mais, melhor e mais barato sem pesticidas e sem fertilizantes, ent&atilde;o todos os pa&iacute;ses do mundo devem aboli-los e utilizar exclusivamente a agroecologia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em conclus&atilde;o, h&aacute; uma base comum que precisa ser preservada: todos pugnamos por uma agricultura que seja sustent&aacute;vel, que cause o menor impacto poss&iacute;vel sobre o ambiente. Falece consenso no que tange a um acordo acerca do modelo de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola que, ao tempo em que se preserva o ambiente, permita alimentar n&atilde;o apenas as gera&ccedil;&otilde;es presentes, mas todas as futuras gera&ccedil;&otilde;es que habitar&atilde;o o planeta Terra. Para tanto precisamos de menos discurso, menos ideologia, mais pragmatismo e decis&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es baseadas em fatos e n&uacute;meros lastreados em ci&ecirc;ncia, al&eacute;m de qualquer d&uacute;vida razo&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. FAO. <i>How to feed the world in 2050?</i> Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.fao.org/fileadmin/templates/wsfs/docs/expert_paper/How_to_Feed_the_World_in_2050.pdf" target="_blank">http://www.fao.org/fileadmin/templates/wsfs/docs/expert_paper/How_to_Feed_the_World_in_2050.pdf</a>. Acessado em 24/6/2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. World Bank, World Development Indicators. Dispon&iacute;vel em <a href="http://data.worldbank.org/products/wdi" target="_blank">http://data.worldbank.org/products/wdi</a>. Acessado em 24/6/2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. PWC. <i>The world in 2050</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.pwc.com/gx/en/issues/the-economy/assets/world-in-2050-february-2015.pdf" target="_blank">https://www.pwc.com/gx/en/issues/the-economy/assets/world-in-2050-february-2015.pdf</a>. Acessado em 25/6/17.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. OECD. <i>GDP long term forecast</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="https://data.oecd.org/gdp/gdp-long-term-forecast.htm" target="_blank">https://data.oecd.org/gdp/gdp-long-term-forecast.htm</a>. Acessado em 25/6/17.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Shike, D. W. "Beef cattle feed efficiency". Driftless Region Beef Conference 2013. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://lib.dr.iastate.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1027&amp;context=driftlessconference" target="_blank">http://lib.dr.iastate.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1027&amp;context=driftlessconference</a>. Acessado em 24/6/2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. FAOSTAT/FAO. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.fao.org/faostat/en/#home" target="_blank">http://www.fao.org/faostat/en/#home</a>. Acessado em 25/6/2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Bruinsma, J. <i>The resource outlook to 2050: by how much do land, water use and crop yields need to increase by 2050? </i>Expert Meeting on How to Feed the World in 2050. Rome, FAO and ESDD. Dispon&iacute;vel em <a href="ftp://ftp.fao.org/docrep/fao/012/ak542e/ak542e06.pdf" target="_blank">ftp://ftp.fao.org/docrep/fao/012/ak542e/ak542e06.pdf</a>. Acessado em 25/6/2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. The World Bank. Arable Land (Hectares per person). Dispon&iacute;vel em <a href="http://data.worldbank.org/indicator/AG.LND.ARBL.HA.PC" target="_blank">http://data.worldbank.org/indicator/AG.LND.ARBL.HA.PC</a>. Acessado em 25/6/2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. IPCC. <i>Quinto Informe de Evaluaci&oacute;n del IPCC: Cambio Clim&aacute;tico</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.ipcc.ch/report/ar5/index_es.shtml" target="_blank">https://www.ipcc.ch/report/ar5/index_es.shtml</a>. Acessado em 24/6/2017</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Wezel, A.; Soldat, V. "A quantitative and qualitative historical analysis of the scientific discipline agroecology"<i>.International Journal of Agricultural Sustainability, p. 3-18,</i> 7, 1, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Guterres, I. <i>Agroecologia militante</i>. Editora Express&atilde;o Popular, 2006. Dispon&iacute;vel em <a href="http://xa.yimg.com/kq/groups/22192126/1226852867/name/Agroecologia+Militante.PDF" target="_blank">http://xa.yimg.com/kq/groups/22192126/1226852867/name/Agroecologia+Militante.PDF</a>. Acessado em 25/6/2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Gazzoni, D. L. "Questionando dogmas I". <i>Cultivar Grandes Culturas</i>, 18, 213, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Gazzoni, D. L. "Questionando dogmas II". <i>Cultivar Grandes Culturas</i>, 18, 214, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Seufert, V.; Ramankutty, N.; Foley, J. A. "Comparing the yields of organic and conventional agriculture". <i>Nature</i>, p. 229-232, 485, 2012.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Portal Brasil. "Agricultura familiar produz 70% de alimentos do pa&iacute;s, mas ainda sofre na comercializa&ccedil;&atilde;o". Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2011/07/agricultura-familiar-precisa-aumentar-vendas-e-se-organizar-melhor-diz-secretario" target="_blank">http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2011/07/agricultura-familiar-precisa-aumentar-vendas-e-se-organizar-melhor-diz-secretario</a>. Acessado em 25/6/2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Hoffmann, R. "A agricultura familiar produz 70% dos alimentos consumidos no Brasil?". Dispon&iacute;vel em <a href="http://coral.ufsm.br/ppgagr/images/Documentos/AF70.pdf. 2014" target="_blank">http://coral.ufsm.br/ppgagr/images/Documentos/AF70.pdf. 2014</a>. Acessado em 24/06/2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. le Page, M. "Stop buying organic food if you really want to save the planet". <i>New Scientist</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.newscientist.com/article/mg23231022-900-stop-buying-organic-food-if-you-really-want-to-save-the-planet/" target="_blank">https://www.newscientist.com/article/mg23231022-900-stop-buying-organic-food-if-you-really-want-to-save-the-planet/</a>. Acessado em 25/6/2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Tuomisto, H. L.; Hodge, I. D.; Riordan, P.; Mcdonald, D. W. "Does organic farming reduce environmental impacts? A meta-analysis of European research". <i>J. Environ. Manag.</i>, p. 309-320, 112, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. McGee, J. A. "Does certified organic farming reduce greenhouse gas emissions from agricultural production?" <i>Agriculture and Human Values</i>, p. 255-263, 32, 2, 2015.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Smith-Spangler, C. et al. "Are organic foods safer or healthier than conventional alternatives? A systematic review". <i>Annals of Internal Medicine</i>, p. 348-366, 157, 5. 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21 United Nations. <i>Right to Food</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.unscn.org/uploads/web/news/A-71-282-Nutrition-EN.pdf" target="_blank">https://www.unscn.org/uploads/web/news/A-71-282-Nutrition-EN.pdf</a>. Acessado em 25/6/17</font> ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>FAO</collab>
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<collab>OECD</collab>
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<collab>FAOSTAT/FAO</collab>
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