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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS     <br> CI&Ecirc;NCIA E AGRICULTURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>&Eacute; poss&iacute;vel produzir alimentos para o Brasil sem agrot&oacute;xicos?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos A. Lopes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pesquisador na Embrapa Hortali&ccedil;as. Doutor em fitopatologia pela Universidade da Fl&oacute;rida. E-mail: <a href="mailto:carlos.lopes@embrapa.br">carlos.lopes@embrapa.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil &eacute; hoje um dos maiores usu&aacute;rios de produtos praguicidas agr&iacute;colas -  que fazem parte do complexo grupo de subst&acirc;ncias chamado de "agrot&oacute;xicas" - do mundo, o que pode ser explicado, pelo menos em parte, pela sua aptid&atilde;o agr&iacute;cola e pelo seu consolidado protagonismo como extraordin&aacute;rio produtor de alimentos. N&atilde;o h&aacute; como negar que essa evolu&ccedil;&atilde;o se deve &agrave; moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola introduzida pela "revolu&ccedil;&atilde;o verde", intensificada nas d&eacute;cadas de 1960 e 1970, com a recomenda&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias que resultaram em profundas mudan&ccedil;as na agricultura. Por outro lado, esse r&aacute;pido desenvolvimento tecnol&oacute;gico se deu em descompasso com o desenvolvimento humano no meio rural, em que uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o, despreparada, com pouco ou nenhuma assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica, foi exposta a um grande n&uacute;mero de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas potencialmente t&oacute;xicas (n&atilde;o s&oacute; de agroqu&iacute;micos), gerando, assim, um efeito colateral indesej&aacute;vel desse processo de "moderniza&ccedil;&atilde;o" &#91;1&#93;. &Eacute; evidente que essa situa&ccedil;&atilde;o, que perdura, mas &eacute; cada vez menor em fun&ccedil;&atilde;o da profissionaliza&ccedil;&atilde;o do produtor que visa renda, &eacute; preocupante, e a solu&ccedil;&atilde;o tem sido buscada por recorrentes a&ccedil;&otilde;es interinstitucionais e multidisciplinares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o do uso dos agrot&oacute;xicos na agricultura tem sido alvo de constantes discuss&otilde;es em diferentes f&oacute;runs, cient&iacute;ficos ou nem tanto, muitas vezes pautadas por cansativos, inocentes ou desqualificados argumentos para justificar seu uso ou sua condena&ccedil;&atilde;o. De um lado, alguns defendem a ideia de que eles deveriam ser sumariamente banidos, pelo mal que causam &agrave; sa&uacute;de humana e ao meio ambiente. E, no outro extremo, como tem sido moda no Brasil polarizar ideias, h&aacute; os que contextualizam que eles s&atilde;o imprescind&iacute;veis para garantir o suprimento de alimento para a popula&ccedil;&atilde;o. Outros, mais sensatos, acreditam que os agrot&oacute;xicos s&atilde;o necess&aacute;rios, por&eacute;m seu uso indiscriminado deve ser rigorosamente combatido para o bem das sustentabilidades econ&ocirc;mica, ambiental e social da agricultura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas seriam mesmo os agrot&oacute;xicos vil&otilde;es, ou seja, venenos desnecess&aacute;rios servindo basicamente aos interesses das multinacionais? Ou seriam aliados dos agricultores: insumos necess&aacute;rios para o combate das pragas que destroem as lavouras? A inten&ccedil;&atilde;o deste artigo n&atilde;o &eacute; alimentar essa pol&ecirc;mica, mas sim deixar alguns pontos para reflex&atilde;o no sentido de contribuir para que o leitor tenha condi&ccedil;&otilde;es de formar sua pr&oacute;pria opini&atilde;o sobre o tema, obviamente sem a pretens&atilde;o de esgot&aacute;-lo. Se for notado nele algum vi&eacute;s, n&atilde;o foi intencional, a n&atilde;o ser pelo lado da busca de vis&atilde;o pautada pelo rigor da pesquisa cient&iacute;fica, com respeito &agrave;s eventuais correntes ideol&oacute;gicas que perigosamente podem nos afastar da verdadeira ci&ecirc;ncia. Adam Smith, economista e fil&oacute;sofo escoc&ecirc;s do s&eacute;culo XVII, j&aacute; disse que "a ci&ecirc;ncia &eacute; o grande ant&iacute;doto do veneno do entusiasmo e da supersti&ccedil;&atilde;o".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A QUEST&Atilde;O CONCEITUAL DOS AGROT&Oacute;XICOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O uso de agrot&oacute;xicos no Brasil &eacute; regido pela Lei Nº 7.802, de 11 de julho de 1989 (Lei dos Agrot&oacute;xicos), regulamentada pelo Decreto nº 4.074/2002. De acordo com o seu Artigo 1º, esta lei versa sobre a "pesquisa, a experimenta&ccedil;&atilde;o, a produ&ccedil;&atilde;o, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercializa&ccedil;&atilde;o, a propaganda comercial, a utiliza&ccedil;&atilde;o, a importa&ccedil;&atilde;o, a exporta&ccedil;&atilde;o, o destino final dos res&iacute;duos e embalagens, o registro, a classifica&ccedil;&atilde;o, o controle, a inspe&ccedil;&atilde;o e a fiscaliza&ccedil;&atilde;o de agrot&oacute;xicos, seus componentes e afins" &#91;2&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seu Artigo 2º, para os efeitos desta Lei, consideram-se: "I - agrot&oacute;xicos e afins: a) os produtos e os agentes de processos f&iacute;sicos, qu&iacute;micos ou biol&oacute;gicos, destinados ao uso nos setores de produ&ccedil;&atilde;o, no armazenamento e beneficiamento de produtos agr&iacute;colas, nas pastagens, na prote&ccedil;&atilde;o de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e tamb&eacute;m de ambientes urbanos, h&iacute;dricos e industriais, <i>cuja finalidade seja alterar a composi&ccedil;&atilde;o da flora ou da fauna, a fim de preserv&aacute;-las da a&ccedil;&atilde;o danosa de seres vivos considerados nocivos</i> (grifo pr&oacute;prio); b) subst&acirc;ncias e produtos, empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento; II - componentes: os princ&iacute;pios ativos, os produtos t&eacute;cnicos, suas mat&eacute;rias-primas, os ingredientes inertes e aditivos usados na fabrica&ccedil;&atilde;o de agrot&oacute;xicos e afins."</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Certamente, boa parte das diverg&ecirc;ncias sobre esse tema se deve &agrave; falta de clara defini&ccedil;&atilde;o do termo oficial "agrot&oacute;xico e afins". Anteriormente chamado de "defensivo agr&iacute;cola", esse grupo de produtos e agentes &eacute; informalmente referido como "praguicida" ou "pesticida". Mais recentemente, recebeu tamb&eacute;m a denomina&ccedil;&atilde;o de "produto fitossanit&aacute;rio com uso aprovado para a agricultura org&acirc;nica", sutilmente usada para evitar o termo "t&oacute;xico", quando a sua finalidade &eacute; evitar as pragas em sistemas org&acirc;nicos de produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Peres e colaboradores &#91;3&#93; j&aacute; alertaram sobre essa fragilidade de conceitos ao declararem que "t&atilde;o extensa quanto a lista de efeitos nocivos dos agrot&oacute;xicos &agrave; sa&uacute;de humana &eacute; a discuss&atilde;o sobre a nomenclatura correta dessa gama de produtos, a qual, de acordo com os interesses de grupo (ou grupos) envolvido(s), pode dar-lhes conota&ccedil;&otilde;es muitas vezes opostas ao sentido real". Infelizmente quase 15 anos depois do alerta desses autores, essa fragilidade persiste.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa maneira, mesmo os movimentos contr&aacute;rios ao seu uso, como a "Campanha permanente contra os agrot&oacute;xicos e pela vida" (<a href="http://contraosagrotoxicos.org/" target="_blank">http://contraosagrotoxicos.org/</a>), encontram s&eacute;rios problemas para se expressar diante de algumas situa&ccedil;&otilde;es, dificultando, assim, at&eacute; louv&aacute;veis a&ccedil;&otilde;es em prol da sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, ser&aacute; que, ao recomendarem &agrave; popula&ccedil;&atilde;o alimentos oriundos de sistemas org&acirc;nicos para evitar a exposi&ccedil;&atilde;o do consumidor aos res&iacute;duos de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, alertariam tamb&eacute;m para o perigo de nadar em uma piscina tratada com cloro que, por defini&ccedil;&atilde;o, &eacute; considerado um agrot&oacute;xico, se usado nas lavouras? Ou mesmo usar, no preparo de alimentos, uma &aacute;gua que se tornou pot&aacute;vel pelo tratamento qu&iacute;mico? Ou utilizar um antibi&oacute;tico ou fungicida, de mesma composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica que produto usado na lavoura (agrot&oacute;xicos), para combater uma infec&ccedil;&atilde;o, e que neste caso s&atilde;o chamados de "rem&eacute;dios"?  Ou leite de vaca para combater o o&iacute;dio das cucurbit&aacute;ceas, doen&ccedil;a causada por um fungo? Em suma, &eacute; praticamente imposs&iacute;vel produzir qualquer alimento totalmente isento do que hoje &eacute; chamado de "agrot&oacute;xico e afins" que, pela sua defini&ccedil;&atilde;o, nem sempre &eacute; de uso agr&iacute;cola e nem sempre &eacute; veneno.  E, por falar em veneno, n&atilde;o h&aacute; como n&atilde;o recorrer &agrave; c&eacute;lebre frase de Paracelsus, m&eacute;dico su&iacute;&ccedil;o da Idade M&eacute;dia: "todas as subst&acirc;ncias s&atilde;o venenosas. O que diferencia um veneno de um rem&eacute;dio &eacute; apenas a dose".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>S&Atilde;O OS AGROT&Oacute;XICOS REALMENTE VIL&Otilde;ES?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Se, simplificadamente, considerarmos como o tema principal neste artigo apenas o grupo de agrot&oacute;xicos usado na agricultura mais vilanizados, ou seja, o das subst&acirc;ncias qu&iacute;micas comercializadas por grandes empresas e aplicadas para controlar as pragas das lavouras (insetos, bact&eacute;rias, fungos, nemat&oacute;ides e plantas daninhas), h&aacute; evid&ecirc;ncias cada vez maiores que, mesmo pequenas doses de grande parte deles - e de outros produtos qu&iacute;micos de diferentes naturezas (como fuma&ccedil;a, materiais de limpeza e medicamentos) - podem ter efeito delet&eacute;rio de longa dura&ccedil;&atilde;o na sa&uacute;de das pessoas. Isso implica em alertar que &eacute; importante que cada ator envolvido nos processos correspondentes (desde a produ&ccedil;&atilde;o, transporte, armazenamento, comercializa&ccedil;&atilde;o, aplica&ccedil;&atilde;o e consumo) esteja consciente da dose e a toxicidade de cada produto, para que esse efeito delet&eacute;rio seja dimensionado e minimizado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa) classifica esses produtos em quatro classes considerando seus efeitos agudos: I - Extremamente t&oacute;xicos (Faixa vermelha); II - Altamente t&oacute;xicos (Faixa amarela); III - Moderadamente t&oacute;xicos (Faixa azul); e  IV - Pouco t&oacute;xicos (Faixa verde) &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em sua an&aacute;lise de res&iacute;duos em um grupo de alimentos, a Anvisa monitora periodicamente dois tipos de n&atilde;o conformidade. O primeiro &eacute; relacionado com a detec&ccedil;&atilde;o de qualquer quantidade de produto (agrot&oacute;xico) n&atilde;o registrado para uso naquela esp&eacute;cie de alimento. O segundo se refere &agrave; detec&ccedil;&atilde;o de produto registrado, por&eacute;m encontrado em n&iacute;veis acima do limite definido para aquele produto. O primeiro &eacute; mais frequente nas frutas e hortali&ccedil;as, mas ambos s&atilde;o igualmente indesej&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aos que sistematicamente procuram demonizar os agrot&oacute;xicos e as empresas que os produzem, &eacute; bom esclarecer que:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Os agrot&oacute;xicos s&atilde;o produtos legais, regulamentados pela Lei nº 7.802/89, "que julga a import&acirc;ncia do seu uso racional e de forma sustent&aacute;vel, ou seja, que n&atilde;o causem danos ao meio ambiente e &agrave; sa&uacute;de humana";</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. A contamina&ccedil;&atilde;o de alimentos n&atilde;o &eacute; somente de origem qu&iacute;mica. A contamina&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, de a&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e perigosa, tamb&eacute;m merece constantes alertas e a&ccedil;&otilde;es em qualquer modelo agr&iacute;cola. Esta se d&aacute; pelo uso de &aacute;gua contaminada durante a produ&ccedil;&atilde;o, pela lavagem ou pela higieniza&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria no processamento, embalagem e transporte. A contamina&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica, a n&atilde;o ser que a aplica&ccedil;&atilde;o seja muito abusiva e o produto muito t&oacute;xico, &eacute; geralmente cumulativa, podendo se manifestar somente ap&oacute;s v&aacute;rios anos. Estudos de intoxica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o normalmente complexos e de longa dura&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. A maneira de as plantas se defenderem quando sofrem o ataque de pragas, que s&atilde;o mais frequentes em sistemas org&acirc;nicos de produ&ccedil;&atilde;o, &eacute; sintetizando grande n&uacute;mero de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, muitas ainda desconhecidas, que s&atilde;o os "praguicidas" naturais. Essas subst&acirc;ncias podem ser t&oacute;xicas tamb&eacute;m aos seres humanos, em escala at&eacute; maior do que muitos agrot&oacute;xicos usados na agricultura convencional &#91;5&#93;;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. A agricultura org&acirc;nica, alternativa recomendada (de forma inocente ou com finalidade de marketing) para desvincular o produto dos res&iacute;duos de agrot&oacute;xicos, de fato, tamb&eacute;m faz uso desses produtos, mesmo que de forma limitada. Na se&ccedil;&atilde;o III da Instru&ccedil;&atilde;o Normativa 17/2014/Mapa, que trata o manejo de pragas, o par&aacute;grafo 3º do artigo 106 diz que "Fica permitida a utiliza&ccedil;&atilde;o dos agrot&oacute;xicos e afins registrados no Minist&eacute;rio da Agricultura, Pecu&aacute;ria e Abastecimento, cujas subst&acirc;ncias ativas constem no Anexo VII desta Instru&ccedil;&atilde;o Normativa" &#91;6&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OS AGROT&Oacute;XICOS S&Atilde;O MESMO NECESS&Aacute;RIOS PARA A PRODU&Ccedil;&Atilde;O DE ALIMENTOS?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As frutas e as hortali&ccedil;as s&atilde;o especialmente afetadas por pragas que, al&eacute;m de reduzirem a produtividade, comprometem a apar&ecirc;ncia do produto. No Brasil e em outros pa&iacute;ses tropicais, os riscos de ocorr&ecirc;ncia e a magnitude dos danos s&atilde;o ainda maiores, pois o clima permite a sobreviv&ecirc;ncia dessas pragas mesmo durante o inverno, diferentemente do que acontece em pa&iacute;ses de clima temperado. Assim, essa diferen&ccedil;a clim&aacute;tica explica, em grande parte, a maior necessidade da aplica&ccedil;&atilde;o dos "agrot&oacute;xicos" que, inegavelmente, s&atilde;o fortes aliados dos produtores no controle de insetos, pat&oacute;genos e plantas daninhas. Em suma, o produtor convencional respons&aacute;vel n&atilde;o gosta de "jogar veneno" na lavoura. Ele o faz para evitar as perdas quantitativas e qualitativas que podem inviabilizar a sustentabilidade econ&ocirc;mica da sua propriedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por exemplo, algumas doen&ccedil;as de plantas podem causar perda total da lavoura, como a requeima da batata e do tomate causada pelo oomiceto Phytophthora infestans. Na indisponibilidade de cultivares resistentes a esta doen&ccedil;a e na presen&ccedil;a constante de prop&aacute;gulos do pat&oacute;geno no ambiente, o produtor n&atilde;o tem outra alternativa a n&atilde;o ser proteger as plantas com fungicidas sempre que ocorrer condi&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica favor&aacute;vel &agrave; doen&ccedil;a (temperatura amena e alta umidade). Como essa condi&ccedil;&atilde;o &eacute; frequente, em especial para a cultura da batata, esse &eacute; um dilema f&aacute;cil de ser resolvido pelo produtor: ou ele aplica o fungicida e vai dormir tranquilo ou fica exposto ao grande risco de perder a lavoura, de alto custo de implanta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora a rela&ccedil;&atilde;o custo/benef&iacute;cio seja vari&aacute;vel em fun&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios fatores (principalmente as esp&eacute;cies de planta, o local de plantio e a presen&ccedil;a hist&oacute;rica de pragas na regi&atilde;o) para as condi&ccedil;&otilde;es vigentes nos Estados Unidos, Schumann e D'Arcy &#91;7&#93; relatam que, em m&eacute;dia, para cada d&oacute;lar gasto com fungicidas, h&aacute; um retorno de mais de 14 d&oacute;lares. Em pa&iacute;ses de clima tropical, esse ganho tende a ser ainda maior. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Justificada a import&acirc;ncia do uso de agrot&oacute;xicos, certamente h&aacute; que se reduzir os custos (financeiro, ambiental e de sa&uacute;de humana) de seu uso, atitude que a grande maioria dos produtores empresariais j&aacute; toma, por consci&ecirc;ncia ou por necessidade em fun&ccedil;&atilde;o de fiscaliza&ccedil;&otilde;es diversas. A decis&atilde;o de consumir produtos tratados com agrot&oacute;xicos se baseia no risco – da mesma maneira que tomamos antibi&oacute;ticos ou vacinas – e passa tamb&eacute;m por uma quest&atilde;o de confian&ccedil;a e da clara percep&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cio/custo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A observ&acirc;ncia da racionalidade do seu uso, entretanto, &eacute; um desafio enorme em fun&ccedil;&atilde;o da vasta &aacute;rea agricult&aacute;vel no pa&iacute;s. Como consequ&ecirc;ncia, grande n&uacute;mero de pequenos produtores, com alta propor&ccedil;&atilde;o de baixa escolaridade, n&atilde;o &eacute; devidamente atendida pela assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o, de modo a proporcionar adequada produtividade pela ado&ccedil;&atilde;o das boas pr&aacute;ticas culturais, al&eacute;m de identificar as n&atilde;o conformidades de comercializa&ccedil;&atilde;o e uso &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ajustes e certa customiza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rios, mas n&atilde;o h&aacute; como pensar em retroceder a t&eacute;cnicas primitivas em prol exclusivamente do "politicamente correto" a favor dos ecossistemas, assim desqualificando tecnologias modernas e seguras, como pregam algumas correntes agroecol&oacute;gicas mais radicais. A ci&ecirc;ncia traz r&aacute;pido e constante avan&ccedil;o nas diferentes &aacute;reas de atividade, e a agricultura deve seguir o mesmo rumo, <i>o qual &eacute; um caminho sem volta</i>. A agricultura org&acirc;nica comercial, em evidente expans&atilde;o, &eacute; mais flex&iacute;vel na ado&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas ambientalmente aceit&aacute;veis desenvolvidas pela boa pesquisa, que serve a todas as correntes de pensamento, e que permitem o uso dos recursos naturais em prol de nossas necessidades e nosso bem-estar. Nada contra, por&eacute;m, aos que preferem manter contato &iacute;ntimo com a natureza, sem ambi&ccedil;&otilde;es financeiras na atividade agr&iacute;cola. Manter usu&aacute;rios nos sistemas eivados de ideologias com recursos p&uacute;blicos, no entanto, &eacute; temer&aacute;rio; apoi&aacute;-los com pol&iacute;ticas sociais, &eacute; aceit&aacute;vel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em suma, a preocupa&ccedil;&atilde;o causada pelos agrot&oacute;xicos n&atilde;o deveria centrar-se nos agrot&oacute;xicos em si, cujo uso &eacute; legal, por&eacute;m em seu mau uso, quando s&atilde;o utilizados produtos n&atilde;o registrados (muitas vezes at&eacute; contrabandeados) e quando n&atilde;o se respeitam dosagens e nem os per&iacute;odos de car&ecirc;ncia. Quando isso acontece, muitos alimentos que v&atilde;o para as nossas mesas realmente cont&ecirc;m res&iacute;duos indesej&aacute;veis de produtos qu&iacute;micos. Um paralelo pode ser tra&ccedil;ado com as doen&ccedil;as humanas e as graves consequ&ecirc;ncias do uso de "rem&eacute;dios" mal administrados para combat&ecirc;-las, seja pela qualidade ou quantidade do medicamento. Em ambos os casos, seu mau uso n&atilde;o justifica o seu combate sistem&aacute;tico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A complexidade conceitual do termo agrot&oacute;xico e das diversas formas de agricultura apresentadas at&eacute; aqui &eacute; muito bem representada por Rosolem &#91;8&#93;, quando diz que</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"&#91;...&#93; org&acirc;nico, ou biodin&acirc;mico, tanto quanto empresarial, pode ou n&atilde;o ser sustent&aacute;vel ou saud&aacute;vel. A associa&ccedil;&atilde;o de sustent&aacute;vel, ou saud&aacute;vel, ou ecol&oacute;gico, tem sido uma ferramenta de marketing poderosa na coloca&ccedil;&atilde;o dos produtos, agregando valor e definindo grupos de consumidores. Assim, temos a liberdade de escolha ao adquirir nossos alimentos, sejam produzidos por meios ditos alternativos ou ditos tradicionais. Entretanto, &eacute; fundamental a consci&ecirc;ncia de que a associa&ccedil;&atilde;o de um tipo de produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o garante sa&uacute;de ou qualidade. S&atilde;o coisas diferentes " &#91;8&#93;.</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PESQUISA AGR&Iacute;COLA PARA OS ALIMENTOS MAIS SAUD&Aacute;VEIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O mote de v&aacute;rios grupos de pesquisa comprometidos com as cadeias produtivas &eacute; a busca constante de alternativas de controle de pragas que sejam cada vez menos dependentes dos produtos qu&iacute;micos. No entanto, essas alternativas devem merecer a confian&ccedil;a do produtor e ter custo competitivo. At&eacute; que possamos abrir m&atilde;o definitivamente dos agrot&oacute;xicos, situa&ccedil;&atilde;o que, com muito otimismo, levar&aacute; ainda muitos anos, &eacute; realista pensar que a Embrapa, as universidades e os institutos estaduais de pesquisa v&ecirc;m diligentemente procurando essas alternativas. Tratam-se de pesquisas sobre medidas de controle pautadas em ensaios com o devido rigor cient&iacute;fico: substitui&ccedil;&atilde;o de produtos muito t&oacute;xicos por outros menos t&oacute;xicos (qu&iacute;micos ou biol&oacute;gicos), obten&ccedil;&atilde;o de cultivares resistentes ou tolerantes &agrave;s pragas, uso racional da &aacute;gua em diferentes sistemas de irriga&ccedil;&atilde;o, rota&ccedil;&atilde;o de culturas, vazio fitossanit&aacute;rio, tecnologias de aplica&ccedil;&atilde;o de produtos, solariza&ccedil;&atilde;o do solo, corre&ccedil;&atilde;o e aduba&ccedil;&atilde;o do solo, sistemas de produ&ccedil;&atilde;o de sementes e mudas sadias, cultivo protegido, entre outras. A ado&ccedil;&atilde;o dessas medidas dentro da filosofia de controle (ou manejo) integrado, certamente reduzir&aacute; a necessidade do uso de agrot&oacute;xicos, independente do modelo de produ&ccedil;&atilde;o (convencional, org&acirc;nico, agroecol&oacute;gico, biodin&acirc;mico etc.).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em recente publica&ccedil;&atilde;o de Lopes e Pedroso &#91;9&#93;, a sustentabilidade de diferentes modelos de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola &eacute; discutida por especialistas de v&aacute;rias &aacute;reas de conhecimento atentos aos avan&ccedil;os cient&iacute;ficos, normalmente pautados na seguran&ccedil;a alimentar (oferta de alimentos em quantidade) associada a alimentos seguros (sem contamina&ccedil;&otilde;es de diferentes tipos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Melhores resultados poderiam advir da continuada capacita&ccedil;&atilde;o de produtores e extensionistas nessas pr&aacute;ticas de cultivo, muitas delas j&aacute; fartamente divulgadas pela pesquisa. No que se refere &agrave; ci&ecirc;ncia b&aacute;sica, &eacute; necess&aacute;rio ainda desenvolver e aperfei&ccedil;oar t&eacute;cnicas de detec&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos para fins de monitoramento dos alimentos, apoiar as empresas de agrot&oacute;xicos no desenvolvimento e avalia&ccedil;&atilde;o de produtos menos t&oacute;xicos, al&eacute;m de incentivar e fortalecer no ambiente acad&ecirc;mico a cultura da import&acirc;ncia de produzir alimentos saud&aacute;veis.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 1. A informa&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel, isenta de interesses e ideologias, &eacute; importante para que se formem opini&otilde;es sobre temas t&atilde;o complexos como agrot&oacute;xicos, venenos e sustentabilidade. Assim como &eacute; bom assistir aos filmes <i>O veneno est&aacute; na mesa</i> &#91;10&#93; e <i>O veneno est&aacute; na mesa</i> 2 &#91;11&#93;, de Silvio Tendler, &eacute; bom ler tamb&eacute;m o livro <i>Agrade&ccedil;a aos agrot&oacute;xicos por estar vivo</i>, de Nicholas Vital &#91;12&#93;;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 2. N&atilde;o h&aacute; como negar que a tecnologia agr&iacute;cola avan&ccedil;ou muito e permitiu impressionantes aumentos de produtividade em &aacute;reas pouco produtivas, como os cerrados, que hoje concorrem com significativa parcela do PIB brasileiro. Sem os agroqu&iacute;micos, isso seria imposs&iacute;vel. A agricultura menos eficiente demandaria maior &aacute;rea de cultivo e provavelmente resultaria em maior dano ambiental;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Os agrot&oacute;xicos, quando usados indiscriminadamente, oferecem s&eacute;rios riscos &agrave; sa&uacute;de, em especial aos agricultores, que manuseiam os produtos, e aos consumidores. Por outro lado, os benef&iacute;cios do seu uso, desde que de forma racional, s&atilde;o inquestion&aacute;veis, independentemente do modelo de produ&ccedil;&atilde;o, seja ele convencional ou org&acirc;nico; 4. Os sistemas org&acirc;nicos de produ&ccedil;&atilde;o podem conviver harmonicamente com a agricultura convencional, desde que ambos sejam conduzidos de acordo com as boas pr&aacute;ticas de cultivo. A agricultura convencional oferece mais seguran&ccedil;a econ&ocirc;mica, enquanto a produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica &eacute; mais complexa, oferece mais riscos, mas &eacute; ambientalmente mais amig&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS E SUGEST&Otilde;ES BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Oliveira-Silva, J. J., Meyer, A. "Sistema de notifica&ccedil;&atilde;o de intoxica&ccedil;&otilde;es: o fluxograma da joeira". In: Peres, F.; Moreira, J. C. (orgs.) <i>&Eacute; veneno ou &eacute; rem&eacute;dio?: agrot&oacute;xicos, sa&uacute;de e ambiente</i> &#91;online&#93;. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2003.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Brasil. Lei Nº 7.802, de 11/07/1989 (Lei dos agrot&oacute;xicos). Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7802.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7802.htm</a>&gt;. Acesso em: 14 de julho de 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Peres, F.; Moreira, J.C.; Dubois, G.S. "Agrot&oacute;xicos, sa&uacute;de e ambiente: uma introdu&ccedil;&atilde;o ao tema". In: Peres, F.; Moreira, J. C. (orgs.) <i>&Eacute; veneno ou &eacute; rem&eacute;dio?: agrot&oacute;xicos, sa&uacute;de e ambiente</i> &#91;online&#93;. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2003.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Brasil - Anvisa. Classifica&ccedil;&atilde;o toxicol&oacute;gica. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.aenda.org.br/painel/images/files-legislacoes/136/u/portaria--anvisa-03-992---avaliacao-toxicologica.pdf" target="_blank">http://www.aenda.org.br/painel/images/files-legislacoes/136/u/portaria--anvisa-03-992---avaliacao-toxicologica.pdf</a>. Acessado em: 15 de julho de 2017.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Winter, C. "Is organic food better for you?". <i>WebMD</i>, 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.webmd.com/food-recipes/features/organic-food--better#3" target="_blank">http://www.webmd.com/food-recipes/features/organic-food--better#3</a>. Acessado em: 15 de julho de 2017.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Brasil – Mapa. Instru&ccedil;&atilde;o Normativa 17/2014/MAPA. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://biodinamica.org.br/pdf/IN-17.pdf" target="_blank">http://biodinamica.org.br/pdf/IN-17.pdf</a>. Acesso em: 15 de julho de 2017.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Schumann, G. L.; D'Arcy, C. J. "Chemicals to protect plants: Pesticides". In: Schumann, G. L.; D'Arcy, C. J. <i>Hungry planet. Stories of plant diseases</i>. APS Press. St. Paul, MN. 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Rosolem, C. A. "Muitas agriculturas". <i>Agro olhar</i>, 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://agro.olhardireto.com.br/artigos/exibir.asp?id=314&amp;artigo=muitas-agriculturas" target="_blank">http://agro.olhardireto.com.br/artigos/exibir.asp?id=314&amp;artigo=muitas-agriculturas</a>. Acesso em: 17 de setembro de 2017.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Lopes, C. A;, Pedroso, M. T. M. (eds. t&eacute;cnicos). <i>Sustentabilidade e horticultura no Brasil: da ret&oacute;rica &agrave; pr&aacute;tica. Embrapa</i>, Bras&iacute;lia, DF. 436 p. 2017.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Tendler, S.<i> O veneno est&aacute; na mesa</i>. 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fyvoKljtvG4" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=fyvoKljtvG4</a> </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Tendler, S. <i>O veneno est&aacute; na mesa </i>2. 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://contraosagrotoxicos.org/o-veneno-esta-na-mesa/" target="_blank">contraosagrotoxicos.org/o-veneno-esta-na-mesa/</a> </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Vital, N. <i>Agrade&ccedil;a aos agrot&oacute;xicos por estar vivo</i>. Ed. Record. 252 p. 2017.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Ara&uacute;jo, S. L. "Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; toxicologia". In: <i>Curso de Ver&atilde;o em Farmacologia, III</i>. Paran&aacute;, fev. 2011. Anais eletr&ocirc;nicos. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://insightltda.com.br/images/dinamica/pdf_7fe1310c8e894324299fcfd3b8f760ef.pdf" target="_blank">http://insightltda.com.br/images/dinamica/pdf_7fe1310c8e894324299fcfd3b8f760ef.pdf</a>&gt; Acesso em: 10 de setembro de 2012.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Brasil. Decreto Nº 4.074/2002 (Decreto do Executivo) 04/01/2002. Regulamenta a Lei Nº 7.802, de 11 de julho de 1989. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4074.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4074.htm</a>&gt;. Acesso em: 14 de julho de 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Brasil - Mapa. "XLVII - produto fitossanit&aacute;rio com uso aprovado para a agricultura org&acirc;nica - agrot&oacute;xico ou afim contendo exclusivamente subst&acirc;ncias permitidas, em regulamento pr&oacute;prio, para uso na agricultura org&acirc;nica". Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos/produtos-fitossanitarios" target="_blank">http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos/produtos-fitossanitarios</a>. Acesso em 15 de julho de 2017.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Matos, S. S. An&aacute;lise das intoxica&ccedil;&otilde;es ex&oacute;genas por agrot&oacute;xicos no Brasil, entre 2007 a 2012. Trabalho de conclus&atilde;o de curso apresentado &agrave; Faculdade de Ceil&acirc;ndia UnB/FCE, como requisito parcial para obten&ccedil;&atilde;o do grau de bacharel em sa&uacute;de coletiva da Universidade de Bras&iacute;lia. 2013. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://bdm.unb.br/bitstream/10483/6913/1/2013_AntonioDaSilvaMatos.pdf" target="_blank">http://bdm.unb.br/bitstream/10483/6913/1/2013_AntonioDaSilvaMatos.pdf</a>. Acesso em: 14 de julho de 2017.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 17. Aquino, Y.M.; Rohlfs, D.B. "Intoxica&ccedil;&otilde;es por agrot&oacute;xicos no Brasil: o papel da vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de". Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.cpgls.pucgoias.edu.br/8mostra/Artigos/SAUDE%20E%20BIOLOGICAS/Intoxica%C3%A7%C3%B5es%20por%20agrot%C3%B3xicos%20no%20Brasil%20o%20papel%20da%20vigil%C3%A2ncia%20em%20sa%C3%BAde.pdf" target="_blank">http://www.cpgls.pucgoias.edu.br/8mostra/Artigos/SAUDE%20E%20BIOLOGICAS/Intoxica%C3%A7%C3%B5es%20por%    <!-- ref --><br> 20agrot%C3%B3xicos%20no%20Brasil%20o%20papel%20da%20vigil%C3%A2ncia%20em%20sa%C3%BAde.pdf</a>. Acessado em: 14 de setembro de 2017.    </font></p>      ]]></body><back>
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