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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> ENSAIOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mulheres na ci&ecirc;ncia:  por que ainda somos t&atilde;o poucas?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vanderlan da Silva Bolzani</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora titular do Instituto de Qu&iacute;mica da Universidade Estadual Paulista (IQ-Unesp), campus Araraquara; vice-presidente da Funda&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp), PQ-1A/CNPq e vice-presidente da SBPC</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando se pensa na presen&ccedil;a da mulher no mundo da ci&ecirc;ncia, uma foto de 1927 marca um momento simb&oacute;lico. Ela registra os 29 participantes da quinta edi&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia de Solvay, em Bruxelas, B&eacute;lgica. Ali estavam os principais expoentes internacionais da f&iacute;sica e da qu&iacute;mica, linha de frente da revolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em plena ebuli&ccedil;&atilde;o no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Dezessete deles eram ou seriam detentores do Pr&ecirc;mio Nobel, entre os quais Max Plank (1858 - 1947), Albert Einstein (1879 - 1955) e Niels Bohr (1885 - 1962).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marie Sklodowska Curie (1867 - 1934) era a &uacute;nica mulher a figurar entre os cientistas daquela confer&ecirc;ncia. Eternizada nessa foto hist&oacute;rica, foi tamb&eacute;m ganhadora do Pr&ecirc;mio Nobel por duas vezes. O primeiro em 1903, na f&iacute;sica, e o segundo em 1911, na qu&iacute;mica, conferidos pelas suas pesquisas sobre o isolamento de is&oacute;topos radioativos e a descoberta de dois elementos qu&iacute;micos, o pol&ocirc;nio e o r&aacute;dio, respectivamente. Primeira mulher a ganhar um Pr&ecirc;mio Nobel, Marie Curie foi tamb&eacute;m a primeira pessoa a ganhar dois pr&ecirc;mios e a &uacute;nica at&eacute; hoje a vencer em duas &aacute;reas distintas. Sua extraordin&aacute;ria investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica resultou numa nova &aacute;rea de conhecimento, a radioqu&iacute;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O exemplo de Marie Curie deve ter inspirado milhares de jovens a buscarem a carreira cient&iacute;fica, entre elas a autora deste texto. Mas quando se toma a referida premia&ccedil;&atilde;o como medida dos resultados desse est&iacute;mulo, eles podem ser considerados ainda muito modestos. Nos 90 anos que se seguiram &agrave;quela Confer&ecirc;ncia de Solvay, somando as &aacute;reas de f&iacute;sica, qu&iacute;mica e medicina, somente 16 pr&ecirc;mios Nobel foram concedidos a mulheres, em um total de 320 premia&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Artigo publicado no ano passado no jornal ingl&ecirc;s <i>The Guardian</i> ("Why aren't there more women in science? The industry structure is sexist", 31 de maio de 2016) traz &agrave; tona a quest&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o feminina na ci&ecirc;ncia, assunto que tem sido objeto de estudos e discuss&otilde;es mundiais e se mant&eacute;m atual. Embora o n&uacute;mero de mulheres supere o de homens em muitas disciplinas cient&iacute;ficas nos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o, ao come&ccedil;arem suas carreiras como cientistas ou em outra profiss&atilde;o elas se deparam com v&aacute;rias barreiras, muitas at&eacute; hoje intranspon&iacute;veis. No caso do cen&aacute;rio europeu a que o artigo se reporta, a an&aacute;lise olha sobretudo para as carreiras cient&iacute;ficas dentro da ind&uacute;stria. Um dos v&aacute;rios aspectos destacados aponta para o fato de que as carreiras de pesquisa cient&iacute;fica s&atilde;o regidas por contratos de curto prazo, com baixa seguran&ccedil;a de emprego, o que criaria um impasse entre a carreira e a maternidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fen&ocirc;meno da representa&ccedil;&atilde;o desigual das mulheres nas carreiras cient&iacute;ficas de forma geral, e mais especificamente no campo conhecido como STEM (da sigla em ingl&ecirc;s para science, technology, engineering and mathematics), est&aacute; presente tanto nos pa&iacute;ses de economias avan&ccedil;adas como nas economias em desenvolvimento. E continua sendo um desafio para educadores e formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Segundo dados do governo dos Estados Unidos para 2013, apesar de as mulheres constitu&iacute;rem 46% da for&ccedil;a de trabalho no pa&iacute;s, elas ocupavam apenas 27% dos postos em ci&ecirc;ncia e engenharia e 12% no segmento exclusivo de engenharia. S&atilde;o n&uacute;meros que representam um avan&ccedil;o em rela&ccedil;&atilde;o aos anos anteriores, mas revelam tamb&eacute;m a dificuldade que ainda existe em vencer as barreiras das estruturas tradicionais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v69n4/a17fig01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a17thumbfig01.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Figura 1 - Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O amplo e detalhado relat&oacute;rio divulgado pela editora cient&iacute;fica Elsevier, "Gender in the global research landscape" (2017) mostra os ganhos registrados nos &uacute;ltimos vinte anos, em um conjunto de 12 pa&iacute;ses/regi&otilde;es (Estados Unidos, Uni&atilde;o Europeia, Reino Unido, Canad&aacute;, Austr&aacute;lia, Fran&ccedil;a, Brasil, Jap&atilde;o, Dinamarca, Portugal, M&eacute;xico e Chile), em 27 &aacute;reas do conhecimento nas quais as mulheres t&ecirc;m se destacado. O documento da Elsevier salienta oito conclus&otilde;es:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> a propor&ccedil;&atilde;o de mulheres entre cientistas e inventores cresceu nesse per&iacute;odo nos doze pa&iacute;ses/regi&otilde;es  analisados;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> mulheres apresentam menor n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas que homens, em m&eacute;dia, mas n&atilde;o h&aacute; uma evid&ecirc;ncia clara de que isso afete a forma como seus artigos s&atilde;o citados e baixados;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> mulheres registram menor probabilidade de manter colabora&ccedil;&otilde;es internacionais em trabalhos de pesquisa;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> mulheres registram menor probabilidade de manter colabora&ccedil;&otilde;es entre a academia e setores corporativos;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> em geral, a produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica das mulheres mostra-se ligeiramente maior no que se refere &agrave; interdisciplinaridade;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> pesquisadoras mostram menos mobilidade internacional que os homens;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> pesquisas sobre g&ecirc;nero est&atilde;o crescendo em tamanho e complexidade, com novos t&oacute;picos surgindo ao longo  do tempo;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/quad01.jpg"> a tradicional predomin&acirc;ncia dos Estados Unidos em pesquisas de g&ecirc;nero vem declinando enquanto essa atividade de pesquisa cresce na Uni&atilde;o Europeia.</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a17fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo traz um dado bastante interessante: no segundo per&iacute;odo analisado (2011 - 2015), Brasil e Portugal j&aacute; apresentavam n&uacute;meros representativos da paridade de g&ecirc;nero, com mulheres constituindo 49% da popula&ccedil;&atilde;o de pesquisadores. Outros pa&iacute;ses/regi&otilde;es superam os 40% nesse quesito (Estados Unidos, Uni&atilde;o Europeia, Reino Unido, Canad&aacute;, Austr&aacute;lia, Fran&ccedil;a e Dinamarca) ou caminham nessa dire&ccedil;&atilde;o (38% no M&eacute;xico, Chile). Uma mudan&ccedil;a frente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o que a pesquisa identificou no primeiro per&iacute;odo analisado (1996 - 2010), quando essa propor&ccedil;&atilde;o era de 60% para homens e 40% para mulheres.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, a representa&ccedil;&atilde;o desigual das mulheres &eacute; um fen&ocirc;meno em movimento e vem se alterando rapidamente na base da pir&acirc;mide educacional. De acordo com o censo escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An&iacute;sio Teixeira), o n&uacute;mero de mulheres que concluiu o ensino m&eacute;dio &eacute; ligeiramente superior ao de homens no per&iacute;odo de 2000 a 2012. Nos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o, considerando-se todas as carreiras, a&iacute; inclu&iacute;das &aacute;reas onde a predomin&acirc;ncia feminina &eacute; marcante - como pedagogia, letras, ci&ecirc;ncias humanas -, em 2012, elas representavam 57,1% dos concluintes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ponto de equil&iacute;brio num&eacute;rico quanto ao g&ecirc;nero dos pesquisadores registrados no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico) foi atingido em 2010, quando os 128,6 mil pesquisadores relacionados na base de dados estavam divididos igualmente entre homens e mulheres. Tamb&eacute;m naquele ano, o n&uacute;mero de mulheres (52%) ultrapassou o de homens (48%) como l&iacute;deres dos grupos de pesquisa registrados no CNPq.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um olhar sobre as bolsas de produtividade (PQ) do CNPq, considerada uma premia&ccedil;&atilde;o ao m&eacute;rito acad&ecirc;mico, demonstra que, em 2011, havia 62,8% de homens PQ n&iacute;vel 2 (in&iacute;cio de carreira) e 37,2 % de mulheres para o mesmo n&iacute;vel. Bolsas PQ n&iacute;vel 1A, concedidas a pesquisadores seniores de excel&ecirc;ncia nas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o, totalizavam 77,7% para homens e 22,3% para mulheres. Em 2015, as mulheres representavam 24,6% dos bolsistas PQ n&iacute;vel 1A. O pequeno aumento percentual nesse n&iacute;vel altamente competitivo demonstra que o reconhecimento do m&eacute;rito acad&ecirc;mico das cientistas brasileiras ainda &eacute; bastante insignificante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A&ccedil;&otilde;es que ampliam a participa&ccedil;&atilde;o feminina na atividade cient&iacute;fica devem gerar ganhos substantivos nos pr&oacute;ximos anos. Mas os n&uacute;meros totalizados n&atilde;o revelam a desigualdade da propor&ccedil;&atilde;o entre os g&ecirc;neros quando se olha para as &aacute;reas de conhecimento separadamente. &Aacute;reas tradicionalmente tidas como masculinas continuam com perfil de distribui&ccedil;&atilde;o fortemente desigual. Por exemplo, em ci&ecirc;ncias agr&iacute;colas essa propor&ccedil;&atilde;o &eacute; de 74% de homens e 36% de mulheres; em ci&ecirc;ncias exatas e da terra, que engloba f&iacute;sica, qu&iacute;mica e matem&aacute;tica, a participa&ccedil;&atilde;o feminina &eacute; de 32% e nas engenharias, 39%.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dados para avaliar tal realidade s&atilde;o mais escassos quando se trata de identificar a divis&atilde;o de g&ecirc;nero nos postos de dire&ccedil;&atilde;o das universidades e dos institutos de pesquisa. No entanto, &eacute; sabido que esses postos - chefias de departamentos, diretorias de institutos e reitorias - s&atilde;o majoritariamente ocupados por homens. Um reflexo disso est&aacute; na mais importante sociedade cient&iacute;fica do pa&iacute;s, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), que ao longo de seus 69 anos teve apenas tr&ecirc;s mulheres na presid&ecirc;ncia &#91;1&#93;.  Em seus 40 anos de exist&ecirc;ncia, por sua vez, a Sociedade Brasileira de Qu&iacute;mica (SBQ) contabilizou somente uma mulher presidente &#91;2&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um n&uacute;mero crescente de iniciativas vem buscando alterar esse quadro mais recentemente. Elas partem de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, como as expressas pelo CNPq por meio de editais que estimulam e apoiam estudos sobre g&ecirc;nero, visando aprofundar o conhecimento sobre o tema; de ag&ecirc;ncias de fomento como as funda&ccedil;&otilde;es estaduais de amparo &agrave; pesquisa (FAPs), que inclu&iacute;ram em suas agendas semin&aacute;rios e premia&ccedil;&otilde;es de reconhecimento &agrave; atua&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica das mulheres; das sociedades cient&iacute;ficas, cujas programa&ccedil;&otilde;es em congressos ampliam o espa&ccedil;o para quest&otilde;es de g&ecirc;nero; e de funda&ccedil;&otilde;es e empresas privadas, para quem o engajamento no combate &agrave;s desigualdades torna-se um importante valor corporativo, e v&ecirc;m se reunindo a esse movimento, com a cria&ccedil;&atilde;o de premia&ccedil;&otilde;es a jovens cientistas mulheres.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas iniciativas permitem um olhar otimista para os pr&oacute;ximos anos, tamb&eacute;m considerando os esfor&ccedil;os realizados at&eacute; agora para a incorpora&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho feminina em todos os n&iacute;veis e campos da ci&ecirc;ncia e tecnologia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mudan&ccedil;a desse quadro de desigualdade comporta, a meu ver, algumas medidas b&aacute;sicas, que devem come&ccedil;ar no ensino fundamental. A escola precisa despertar na crian&ccedil;a, independente de g&ecirc;nero, a curiosidade e a consci&ecirc;ncia de que conhecer o universo &eacute; uma atividade que a torna mais rica como ser humano. Para isso n&atilde;o faltam recursos pedag&oacute;gicos, mas sim determina&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Devemos nos empenhar firmemente para atuar no processo de desconstru&ccedil;&atilde;o de uma cultura que trata meninas e meninos de forma diferente. &Eacute;, sem d&uacute;vida, uma tarefa dif&iacute;cil, j&aacute; que n&oacute;s mulheres muitas vezes tamb&eacute;m incorporamos a vis&atilde;o de mundo na qual a ideia de feminilidade est&aacute; associada ao papel principal de cuidadora da fam&iacute;lia; na qual as meninas s&atilde;o "naturalmente" mais afeitas &agrave;s carreiras das &aacute;reas de humanidades, por exemplo. Uma vis&atilde;o que, enquanto isso, estimula meninos a serem competitivos e a se exercitarem continuamente em jogos que desenvolvem a capacidade de racioc&iacute;nio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma pr&aacute;tica positiva, que tem crescido nos &uacute;ltimos anos e que pode ser ampliada, &eacute; o incentivo a adolescentes e universit&aacute;rias por meio de premia&ccedil;&otilde;es e homenagens. Ag&ecirc;ncias governamentais, entidades cient&iacute;ficas, &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o precisam dar visibilidade a esses reconhecimentos, aumentando a autoconfian&ccedil;a de mulheres estudantes e profissionais em todo o pa&iacute;s, essenciais a qualquer ascens&atilde;o profissional, independente da quest&atilde;o de g&ecirc;nero.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; muito importante que continuemos exercitando o debate sobre a quest&atilde;o de g&ecirc;nero de forma que ele envolva homens e mulheres. A universidade &eacute; um espa&ccedil;o privilegiado e ideal para essa pr&aacute;tica, pois &eacute; seu papel discutir ideias em busca de uma sociedade mais igualit&aacute;ria e justa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. As tr&ecirc;s mulheres que ocuparam a presid&ecirc;ncia da SPBC foram Carolina Bori (1987-1989), Glaci Zancan (1999-2003) e Helena Nader (2011-2017).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. A autora deste artigo foi presidente da SBQ de junho de 2008 e maio de 2010.</font></p>      ]]></body>
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