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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> TEATRO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Brecht menos conhecido chega ao Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mariana Castro Alves</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O mundialmente consagrado dramaturgo alem&atilde;o Bertolt Brecht (1898-1956) tamb&eacute;m foi poeta, narrador e escritor de textos sobre est&eacute;tica e pol&iacute;tica. Ao longo deste ano, essas faces menos lembradas do autor podem ser exploradas por meio de v&aacute;rias tradu&ccedil;&otilde;es, que revelam para o leitor brasileiro a incurs&atilde;o do dramaturgo em diversos g&ecirc;neros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a18fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Editora 34 lan&ccedil;ou <i>Conversas de refugiados</i>, que mostra um Brecht prosador. Segundo o professor de literatura alem&atilde; da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), Tercio Redondo, que fez a tradu&ccedil;&atilde;o desse livro, tradicionalmente a prosa brechtiana tem sido relegada a um segundo plano, n&atilde;o apenas no Brasil. "Espero que essa lacuna editorial comece de fato a ser preenchida", diz ele. Apesar de ter sido escrito na forma de di&aacute;logo, <i>Conversas</i> n&atilde;o &eacute; uma pe&ccedil;a teatral. De acordo com Redondo, seu modelo seria <i>Jacques, o fatalista</i>, do fil&oacute;sofo e escritor franc&ecirc;s Diderot (1713-1784), dado que foi registrado por Brecht em seus di&aacute;rios de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com cap&iacute;tulos relativamente curtos, <i>Conversas de refugiados</i> descreve os encontros de dois refugiados pol&iacute;ticos alem&atilde;es em Helsinque, capital da Finl&acirc;ndia, no in&iacute;cio da Segunda Guerra Mundial. Com o ex&eacute;rcito hitlerista &agrave;s portas da cidade, eles aguardam o visto de entrada de qualquer pa&iacute;s que os acolha. Com origem social distinta - um &eacute; oper&aacute;rio e o outro um f&iacute;sico - o ex&iacute;lio os torna observadores argutos. A dial&eacute;tica, caracter&iacute;stica da composi&ccedil;&atilde;o brechtiana, mostra-se nesse texto como "um exerc&iacute;cio &iacute;mpar de compreens&atilde;o do mundo", segundo o tradutor. "O debate entre os refugiados gira em torno do esfor&ccedil;o por compreender as raz&otilde;es hist&oacute;ricas do nazi-fascismo e das possibilidades de super&aacute;-lo, numa luta em que o  conhecimento figura como arma fundamental", aponta Redondo. Brecht foi ele mesmo um exilado. A ascens&atilde;o de Hitler o obriga a sair da Alemanha em 1933 e viver na Dinamarca, Finl&acirc;ndia e nos Estados Unidos. O dramaturgo s&oacute; retorna ao seu pa&iacute;s natal em 1948.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CR&Iacute;TICA POL&Iacute;TICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; o Brecht cr&iacute;tico e pensador pode ser encontrado nos escritos de Walter Benjamin (1892-1940) publicados este ano pela Boitempo. A edi&ccedil;&atilde;o <i>Ensaios sobre Brecht</i> traz a primeira tradu&ccedil;&atilde;o integral para o portugu&ecirc;s de <i>Versuche &uuml;ber Brecht</i>, de 1966, uma compila&ccedil;&atilde;o que inclu&iacute;a manuscritos de Benjamin sobre Brecht. Antes da publica&ccedil;&atilde;o, apenas alguns desses textos haviam sido editados no Brasil, em colet&acirc;neas de Walter Benjamin. "H&aacute; o ineditismo de reunir todos os ensaios que Benjamin escreveu sobre Brecht, al&eacute;m de trechos de seu di&aacute;rio que ajudam a lan&ccedil;ar luz sobre essa rela&ccedil;&atilde;o de amizade e colabora&ccedil;&atilde;o intelectual", afirma Andr&eacute; Albert, editor-adjunto da Boitempo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Marxistas de relev&acirc;ncia no cen&aacute;rio intelectual da Alemanha - e, depois, no ex&iacute;lio - Brecht e Benjamin se empenharam contra o avan&ccedil;o do nazi-fascismo e tamb&eacute;m convergiram no ceticismo em rela&ccedil;&atilde;o aos rumos do stalinismo. "Podemos dizer que essa obra contribui n&atilde;o s&oacute; para a compreens&atilde;o da poesia e da dramaturgia de Brecht, mas tamb&eacute;m para conhecer o que ele pensava sobre teoria e a pol&iacute;tica", afirma o editor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos <i>Ensaios sobre Brecht</i> tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel conhecer melhor a produ&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica brechtiana. Em "Guia para o habitante das cidades", escrito a partir de meados dos anos 1920, por exemplo, Brecht d&aacute; tratamento l&iacute;rico, em chave experimental, ao fen&ocirc;meno da vida metropolitana. "&Eacute; um ponto alto em sua poesia, tendo introduzido uma grande novidade na l&iacute;rica alem&atilde;", afirma Tercio Redondo. Para o professor da USP, nessa obra, a fina observa&ccedil;&atilde;o dos novos modos da conviv&ecirc;ncia citadina teria levado Brecht a entrever os mecanismos de persegui&ccedil;&atilde;o e exterm&iacute;nio que o regime nazista levaria a cabo anos depois.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; ainda muito o que explorar na obra de Brecht. O diretor, dramaturgista e pesquisador no Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas da USP, Pedro Mantovani, est&aacute; analisando o "Complexo Fatzer", um conjunto de manuscritos sob a guarda do Arquivo Bertolt Brecht, em Berlim. Parte do manuscrito, uma pequena pe&ccedil;a, foi publicada pelo pr&oacute;prio Brecht em 1930 e j&aacute; teve tradu&ccedil;&otilde;es para diversos idiomas. No Brasil, pela Paz e Terra e pela Cosac &amp; Naify (em vers&atilde;o do escritor Heiner M&uuml;ller &#91;1929-1995&#93;). Mas, ainda restava material sem tradu&ccedil;&atilde;o para nenhuma outra l&iacute;ngua. "Eu acredito que &eacute; poss&iacute;vel ver no "Complexo" todo o m&eacute;todo de configura&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de Brecht em a&ccedil;&atilde;o, ou seja, o uso da dial&eacute;tica para a configura&ccedil;&atilde;o de suas pe&ccedil;as", afirma Mantovani. Escrito entre 1926 e 1930, o "Complexo Fatzer" n&atilde;o foi finalizado. "At&eacute; onde entendo, a ascens&atilde;o do nazismo o levou a interromper o trabalho. Ele est&aacute; escrevendo a pe&ccedil;a em uma determinada conjuntura que se modifica a tal ponto que j&aacute; n&atilde;o faz mais sentido terminar", acredita o pesquisador da USP.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>TEATRO DIAL&Eacute;TICO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Debates sobre a apropria&ccedil;&atilde;o da obra de Brecht seguem gerando quest&otilde;es em torno da contemporaneidade do dramaturgo. O teatro &eacute;pico (ou dial&eacute;tico) brechtiano insta o espectador a estar ali como indiv&iacute;duo consciente e cr&iacute;tico e a se envolver intelectualmente com o debate e com a trama, em vez de emocionalmente. O efeito de distanciamento seria um recurso para mostrar um evento como sendo hist&oacute;rico. Por exemplo, as quebras, os apartes do teatro cl&aacute;ssico e o uso do coro podem dar esse efeito de distanciamento ao espectador, que desnaturaliza a cena, mostrando que o que se v&ecirc; &eacute; resultado de determinada forma&ccedil;&atilde;o social. "O princ&iacute;pio formal da obra de Brecht - seja a dramat&uacute;rgica, po&eacute;tica ou te&oacute;rica - &eacute; a dial&eacute;tica, o movimento perpetuamente cr&iacute;tico, vivo, das rela&ccedil;&otilde;es sociais postas pelas condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o. O m&eacute;todo &eacute; fazer que a obra gere contradi&ccedil;&otilde;es sobre as imagens de mundo que ela mostra e sobre o lugar dela mesma como obra de arte", explica S&eacute;rgio de Carvalho, professor do Departamento de Artes C&ecirc;nicas da Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes (ECA), da USP.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Roberto Schwarz, um dos nomes mais importantes da cr&iacute;tica liter&aacute;ria no Brasil e tamb&eacute;m tradutor das pe&ccedil;as <i>A Santa Joana dos matadouros</i> (1929-31 e 1959) e <i>Vida de Galileu</i> (1937-38 e 1943), a ideia subjacente ao teatro &eacute;pico &eacute; a de que, no fundo, bastaria conhecer o funcionamento do capitalismo para transform&aacute;-lo. Esse pressuposto teria se mostrado falso no decorrer do s&eacute;culo XX. "Brecht tem um esquema de desnaturaliza&ccedil;&atilde;o por meio do qual voc&ecirc; indica para as pessoas que o sistema capitalista n&atilde;o &eacute; natural e, ent&atilde;o, elas se sentem liberadas e v&atilde;o fazer uma coisa que &eacute; favor&aacute;vel a elas: &eacute; a ideia de revolu&ccedil;&atilde;o", descreve. "Eu tenho a convic&ccedil;&atilde;o de que isso n&atilde;o funciona mais. Ningu&eacute;m acha que nada &eacute; natural. Muita gente entendeu o problema e ningu&eacute;m apareceu com a solu&ccedil;&atilde;o. A situa&ccedil;&atilde;o das pessoas que se consideram de esquerda hoje, &eacute; essa", afirma o professor no document&aacute;rio <i>Brecht na Companhia do Lat&atilde;o</i> (2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Carvalho, no entanto, o teatro &eacute;pico n&atilde;o pode ser reduzido a uma quest&atilde;o puramente formal. "O importante &eacute; em que medida ele &eacute; capaz de despertar um olhar hist&oacute;rico cr&iacute;tico", afirma. Segundo o professor, que tamb&eacute;m &eacute; fundador da Companhia do Lat&atilde;o, que h&aacute; vinte anos vem levando Brecht aos palcos brasileiros, Brecht deveria ser mais conhecido e encenado, mas "desde que fosse por um palco cr&iacute;tico, que desconfiasse do imagin&aacute;rio dominante, que em alguma medida pensasse que a fun&ccedil;&atilde;o do artista n&atilde;o &eacute; abastecer o aparelho de mais produtos culturais e sim modificar o pr&oacute;prio aparelho cultural", completa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a18fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na opini&atilde;o de Andr&eacute; Albert, com a crise do "socialismo real" nos anos 1980 e 1990, alguns apostaram que a obra brechtiana envelheceria mal e que o p&uacute;blico e os criadores perderiam o interesse por ela. "Nada poderia ser mais equivocado porque a cr&iacute;tica brechtiana incide sobre aspectos (e, ouso dizer, cada vez mais) presentes em nossa realidade social", diz.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SERVI&Ccedil;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conversas de refugiados</b></font>    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Autor: Bertolt Brecht</font>    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Editora 34</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ensaios sobre Brecht</b></font>    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Autor: Walter Benjamin</font>    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cole&ccedil;&atilde;o Marxismo e  Literatura - Boitempo Editorial</font></p>      ]]></body>
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