<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252017000400019</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602017000400019</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Algoritmo das emoções]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bueno]]></surname>
<given-names><![CDATA[Chris]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<volume>69</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>62</fpage>
<lpage>64</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252017000400019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252017000400019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252017000400019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> REDES SOCIAIS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Algoritmo das emo&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Chris Bueno</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voc&ecirc; est&aacute; se sentindo feliz. Ent&atilde;o decide acessar uma rede social e postar uma foto. Num instante, recebe uma s&eacute;rie de sugest&otilde;es de filmes e viagens que combinam com seu estado de humor. Ou ent&atilde;o est&aacute; triste e posta um coment&aacute;rio expressando seu abatimento, e passa a receber indica&ccedil;&otilde;es de livros de autoajuda e mensagens de apoio. Isso pode at&eacute; parecer parte de um conto de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica futurista, mas j&aacute; &eacute; realidade. Algoritmos de an&aacute;lise de emo&ccedil;&otilde;es j&aacute; s&atilde;o utilizados rotineiramente por v&aacute;rias empresas em diversos setores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A an&aacute;lise de emo&ccedil;&otilde;es por computador &eacute; uma combina&ccedil;&atilde;o interessante de psicologia e tecnologia. Os algoritmos (sequ&ecirc;ncia de instru&ccedil;&otilde;es que mostra os procedimentos necess&aacute;rios para a resolu&ccedil;&atilde;o de uma tarefa) de an&aacute;lise de sentimentos processam a linguagem - tanto verbal, como em um texto, quanto n&atilde;o verbal, como a express&atilde;o facial em uma foto - para determinar seu teor emocional. A princ&iacute;pio pode-se analisar se um texto ou uma foto expressam algo positivo, negativo ou neutro em rela&ccedil;&atilde;o a uma situa&ccedil;&atilde;o ou evento. Por&eacute;m, an&aacute;lises mais detalhadas podem detectar estados emocionais como tristeza, felicidade, surpresa ou raiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aplica&ccedil;&otilde;es de intelig&ecirc;ncia artificial como essa se baseiam em um conjunto de t&eacute;cnicas chamadas genericamente de <i>machine learning</i> ("aprendizado de m&aacute;quina", em portugu&ecirc;s). Por meio dessa t&eacute;cnica, s&atilde;o utilizados algoritmos que aprendem interativamente a partir de dados, ou seja, conforme os modelos s&atilde;o expostos a novos dados, eles s&atilde;o capazes de se adaptar de forma independente. Assim, eles "aprendem" com os c&aacute;lculos anteriores para produzir decis&otilde;es e resultados confi&aacute;veis e reproduz&iacute;veis. "De uma forma geral, nessa categoria de algoritmos, um certo conjunto de exemplos do que se quer determinar (por exemplo, estado emocional feliz) s&atilde;o apresentados ao algoritmo, que determina as caracter&iacute;sticas que indicam esse estado. Podem ser padr&otilde;es da face (boca entreaberta &eacute; um indicativo), de voz (fala mais r&aacute;pida, frequ&ecirc;ncia elevada) ou de texto (palavras como '&oacute;timo', 'f&eacute;rias' etc.)", explica o engenheiro mec&acirc;nico Marcos Pereira-Barretto, professor do Departamento de Engenharia Mecatr&ocirc;nica e de Sistemas Mec&acirc;nicos da Escola Polit&eacute;cnica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SEM FRONTEIRAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A detec&ccedil;&atilde;o de emo&ccedil;&otilde;es por meio de algoritmos &eacute; um campo que vem crescendo velozmente e que pode ter enormes consequ&ecirc;ncias n&atilde;o apenas na publicidade, mas tamb&eacute;m nas &aacute;reas de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a. Em aeroportos, por exemplo, esses algoritmos podem ser utilizados para interpretar a rea&ccedil;&atilde;o n&atilde;o verbal das pessoas e detectar poss&iacute;veis amea&ccedil;as. No setor empresarial, essa tecnologia pode detectar o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o ou de estresse de funcion&aacute;rios, identificando a necessidade de a&ccedil;&otilde;es de melhoria como promo&ccedil;&otilde;es ou incentivos. Na educa&ccedil;&atilde;o a dist&acirc;ncia, pode ser aplicada para oferecer incentivo quando um aluno est&aacute; desmotivado. E, na &aacute;rea da sa&uacute;de, esses algoritmos podem ser utilizados para detectar o grau de ansiedade do paciente e at&eacute; mesmo captar ind&iacute;cios de depress&atilde;o. "Em um futuro n&atilde;o t&atilde;o remoto, &eacute; poss&iacute;vel que os sensores de um carro "percebam" uma condi&ccedil;&atilde;o de embriaguez do motorista, impedindo que ele ligue o carro", diz o cientista da computa&ccedil;&atilde;o Jos&eacute; Fernando Rodrigues J&uacute;nior, professor e pesquisador do Instituto de Ci&ecirc;ncias Matem&aacute;ticas e de Computa&ccedil;&atilde;o (ICMC) da USP em S&atilde;o Carlos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas a &aacute;rea na qual a tecnologia tem encontrado terreno mais f&eacute;rtil &eacute;, notadamente, a publicidade. As empresas de propaganda e marketing v&ecirc;m investindo pesadamente no desenvolvimento de algoritmos que podem detectar emo&ccedil;&otilde;es para maximizar suas campanhas publicit&aacute;rias e de pesquisa de mercado. "Medir a rea&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico a uma campanha/produto recentemente lan&ccedil;ados, direcionar campanhas pol&iacute;ticas a partir da opini&atilde;o dos eleitores s&atilde;o alguns exemplos de aplica&ccedil;&otilde;es", explica Fernanda Andal&oacute;, pesquisadora do Instituto de Computa&ccedil;&atilde;o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Esses algoritmos tamb&eacute;m s&atilde;o empregados para recomendar filmes, livros, m&uacute;sicas ou outros produtos que possam interessar aos usu&aacute;rios de diversas redes sociais. V&aacute;rias empresas, principalmente as de com&eacute;rcio eletr&ocirc;nico e de entretenimento, como Amazon e Netflix, investem em algoritmos de aprendizado de m&aacute;quina. "Elas fazem isso para otimizar as recomenda&ccedil;&otilde;es aos usu&aacute;rios, aumentando seu n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o e, &eacute; claro, as vendas", diz o cientista da computa&ccedil;&atilde;o Andr&eacute; Carlos Carvalho, outro pesquisador do ICMC da USP.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v69n4/a19fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DE OLHO NO FUTURO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Algoritmos de detec&ccedil;&atilde;o de emo&ccedil;&otilde;es, e todo o aprendizado de m&aacute;quina de forma geral, &eacute; uma &aacute;rea que vem crescendo muito e atraindo investimentos de diversos setores. "O desenvolvimento dessa tecnologia est&aacute; crescendo em taxas muito elevadas. No mundo existem polos de desenvolvimento em muitos pa&iacute;ses. Os principais s&atilde;o Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e China", afirma Barretto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; certo, portanto, que esses algoritmos estar&atilde;o cada vez mais presentes na vida das pessoas, em todas as &aacute;reas. O pr&oacute;ximo passo &eacute; torn&aacute;-los mais precisos e detalhados. "O futuro da tecnologia est&aacute; exatamente nisso: a busca por algoritmos que se adequem a cen&aacute;rios mais desafiadores e que possam relacionar o conte&uacute;do, produzido por pessoas, a escalas multidimensionais e cont&iacute;nuas de sentimentos e emo&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o somente em categorias, como 'positivo' e 'negativo'. Isso garante que qualquer tipo de sentimento/opini&atilde;o, por mais sutil que seja, possa ser compreendido, em textos e imagens", aponta Andal&oacute;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>QUEST&Otilde;ES &Eacute;TICAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Qual o limite para o uso de t&eacute;cnicas de detec&ccedil;&atilde;o de emo&ccedil;&otilde;es? Documentos vazados da sede do Facebook na Austr&aacute;lia, no come&ccedil;o do ano, mostram como a rede social se aproveitou da vulnerabilidade emocional de usu&aacute;rios jovens para promover publicidade em algumas ocasi&otilde;es. Esse epis&oacute;dio tornou-se emblem&aacute;tico de que h&aacute; claramente uma linha t&ecirc;nue na quest&atilde;o &eacute;tica quando se fala de algoritmos de an&aacute;lise de sentimento e pol&iacute;ticas de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; privacidade. "Os computadores conectados, especialmente os celulares com seus in&uacute;meros sensores, suscitam quest&otilde;es &eacute;ticas de toda natureza. A detec&ccedil;&atilde;o de emo&ccedil;&otilde;es de uma pessoa &eacute; mais uma pois representa uma forte invas&atilde;o da privacidade caso ocorra sem o consentimento do indiv&iacute;duo. Trata-se de um n&iacute;vel mais elaborado e profundo de coleta de informa&ccedil;&otilde;es do usu&aacute;rio, j&aacute; que extrapola o que ele pretende expressar usando apenas palavras. Tentar inferir os sentimentos de algu&eacute;m s&oacute; pode ser feito com expl&iacute;cito consentimento e para fins muito bem definidos", alerta Rodrigues.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Casos de mau uso de dados de usu&aacute;rios de internet n&atilde;o s&atilde;o raros e podem se tornar cada vez mais frequentes se os devidos cuidados n&atilde;o forem tomados. O principal &eacute; colocar a quest&atilde;o em pauta e exigir pol&iacute;ticas que garantam cada vez mais a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; privacidade dos usu&aacute;rios. Igualmente essencial &eacute; se conscientizar da import&acirc;ncia de ler os contratos de uso antes de instalar qualquer aplicativo ou software - e de exigir que esses contratos sejam compreens&iacute;veis, para saber realmente com o que se est&aacute; concordando.</font></p>      ]]></body>
</article>
