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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>TEND&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Como caminha o financiamento &agrave; ci&ecirc;ncia no Brasil: o que nos espera em 2018?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ildeu de Castro Moreira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Presidente da SBPC</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No final de dezembro de 2017, as entidades cient&iacute;ficas e acad&ecirc;micas nacionais, entre as quais a SBPC, fizeram um balan&ccedil;o dos cortes dr&aacute;sticos nos recursos para CT&amp;I ocorridos em 2017 e que se acentuaram no or&ccedil;amento de 2018. Foram apontadas as consequ&ecirc;ncias muito graves desses cortes: eles amea&ccedil;am o funcionamento do sistema nacional de CT&amp;I, comprometem a possibilidade de recupera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, em momento de crise, e podem afetar seriamente a qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o brasileira e a soberania do pa&iacute;s.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale historiar o processo de lutas da comunidade cient&iacute;fica, em 2017, para tentar reverter este quadro. Em agosto, o governo federal enviou o Projeto de Lei Or&ccedil;ament&aacute;ria (PLOA) para 2018, que destinava apenas R$ 2,7 bilh&otilde;es para custeio e investimento no Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Inova&ccedil;&otilde;es e Comunica&ccedil;&otilde;es (MCTIC). Houve, ent&atilde;o, uma movimenta&ccedil;&atilde;o intensa da comunidade cient&iacute;fica junto ao governo e aos parlamentares, com cartas, manifesta&ccedil;&otilde;es, mat&eacute;rias na m&iacute;dia e nas redes sociais, al&eacute;m da campanha "Conhecimento sem Cortes", que recolheu cerca de 82 mil assinaturas, entregues aos presidentes da C&acirc;mara e do Senado. Ao longo do ano, ocorreram atividades da Marcha pela Ci&ecirc;ncia no Brasil em algumas capitais brasileiras. No dia 10 de outubro de 2017 foi realizada no Congresso uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, com a presen&ccedil;a de 70 entidades cient&iacute;ficas, acad&ecirc;micas e empresariais, dirigentes de institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa e em torno de 50 parlamentares. Essas a&ccedil;&otilde;es contribu&iacute;ram significativamente para que houvesse uma recupera&ccedil;&atilde;o parcial de recursos para o MCTIC em 2017, fazendo com que cerca de R$ 1,5 bilh&atilde;o fosse descontingenciado e que os recursos or&ccedil;ament&aacute;rios de 2018 fossem aumentados para R$ 4,6 bilh&otilde;es, um valor ainda muito baixo e insuficiente para as necessidades m&iacute;nimas da &aacute;rea. Novas a&ccedil;&otilde;es foram feitas junto &agrave; Comiss&atilde;o Mista de Or&ccedil;amento (CMO) e ao executivo para elevar o or&ccedil;amento para valores pr&oacute;ximos ao aprovado para 2017, da ordem de R$ 6 bilh&otilde;es. No dia 5 de dezembro, as Comiss&otilde;es Tem&aacute;ticas do Conselho Nacional de C&amp;T (CCT) aprovaram uma manifesta&ccedil;&atilde;o nessa dire&ccedil;&atilde;o, proposta pela SBPC, e encaminhada &agrave; CMO. No entanto, a decis&atilde;o final do Congresso, definida pelo governo e sua &aacute;rea econ&ocirc;mica, foi manter o or&ccedil;amento quase igual &agrave; proposta governamental, com valores muito baixos para CT&amp;I.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O valor aprovado para o or&ccedil;amento geral do MCTIC para 2018 &eacute; cerca de 19% menor do que o aprovado para 2017. O or&ccedil;amento destinado a custeio e investimento ser&aacute; de R$ 4,7 bilh&otilde;es, 25% a menos do que o aprovado inicialmente para 2017 e um ter&ccedil;o do que se tinha cinco anos atr&aacute;s. Esses cortes afetar&atilde;o direta e profundamente as ag&ecirc;ncias de fomento (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico - CNPq, e Financiadora de Estudos e Projetos - Finep), as institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (FNDCT), o programa dos Institutos Nacionais de C&amp;T (INCTs), o apoio geral a projetos de pesquisa e de infraestrutura para os pesquisadores e as institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa brasileiras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cortes significativos tamb&eacute;m ocorreram em ag&ecirc;ncias, universidades p&uacute;blicas e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa ligadas a outros minist&eacute;rios. Com isso, os recursos para a Capes ter&atilde;o uma diminui&ccedil;&atilde;o de 20% em rela&ccedil;&atilde;o aos de 2017. Diversas institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa importantes para o pa&iacute;s, como a Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria (Embrapa) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) foram igualmente atingidas por cortes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A decis&atilde;o de cortes acentuados nos recursos para CT&amp;I &eacute; de responsabilidade do governo federal e foi aprovada pelo Congresso Nacional, apesar dos esfor&ccedil;os e da press&atilde;o da comunidade cient&iacute;fica e acad&ecirc;mica, do posicionamento do MCTIC e das manifesta&ccedil;&otilde;es de diversos parlamentares. N&atilde;o aceitamos como justificativa a crise econ&ocirc;mica e fiscal, j&aacute; que o or&ccedil;amento geral da Uni&atilde;o teve um aumento de 1,7% entre 2017 e 2018 conforme demonstram dados governamentais divulgados na m&iacute;dia. Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m est&atilde;o ocorrendo desonera&ccedil;&otilde;es e isen&ccedil;&otilde;es fiscais em in&uacute;meras &aacute;reas, que v&atilde;o de bancos privados a empresas petrol&iacute;feras estrangeiras, e cujos valores s&atilde;o uma centena de vezes maiores do que o solicitado para CT&amp;I.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os cortes praticados colocam o Brasil na contram&atilde;o da hist&oacute;ria, se tomarmos como refer&ecirc;ncia os pa&iacute;ses mais desenvolvidos que investem de maneira acentuada em CT&amp;I. Apesar da atua&ccedil;&atilde;o intensa da comunidade cient&iacute;fica e acad&ecirc;mica, por meio de suas entidades e de dirigentes institucionais, foi parcial o &ecirc;xito obtido na discuss&atilde;o do or&ccedil;amento. A situa&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria &eacute; mais grave ainda porque a Emenda Constitucional 95, que estipula um teto de gastos para o governo federal durante 20 anos, dificultar&aacute; muito, durante seu per&iacute;odo de vig&ecirc;ncia, e caso n&atilde;o seja revogada, um aumento dos recursos or&ccedil;ament&aacute;rios para CT&amp;I. O or&ccedil;amento para CT&amp;I em 2018 &eacute; muito ruim, o que traduz a predomin&acirc;ncia de uma vis&atilde;o estreita sobre CT&amp;I e sobre as prioridades essenciais de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para o pa&iacute;s, tanto por parte do governo federal quanto do poder legislativo como um todo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para 2018, h&aacute; dois desafios importantes: n&atilde;o se pode admitir que ocorram contingenciamentos adicionais nos recursos para CT&amp;I, como aconteceu em 2017; e os recursos alocados na reserva de conting&ecirc;ncia, no or&ccedil;amento do MCTIC para 2018, devem ser progressivamente liberados ao longo do ano. Por outro lado, &eacute; necess&aacute;rio que o CCT volte a atuar em sua plenitude e discuta a situa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica da CT&amp;I no pa&iacute;s. Para que se efetivem tais medidas, que poder&atilde;o atenuar o impacto da grande redu&ccedil;&atilde;o de recursos para CT&amp;I no Brasil, &eacute; essencial uma atua&ccedil;&atilde;o vigorosa e permanente das entidades cient&iacute;ficas e acad&ecirc;micas, bem como das comunidades que elas representam. Necessitamos de uma mobiliza&ccedil;&atilde;o mais intensa dos pesquisadores, professores e estudantes, das entidades cient&iacute;ficas e das institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa brasileiras, para que essa press&atilde;o social leg&iacute;tima, sendo acolhida pela sociedade brasileira, possa ser determinante para a revers&atilde;o do atual quadro de retrocesso no apoio &agrave; CT&amp;I. Permanece sempre atual o mote: "Ci&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; gasto, &eacute; investimento!".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Elei&ccedil;&otilde;es gerais v&atilde;o ocorrer em outubro e espera-se que elas sejam realizadas com todas as garantias democr&aacute;ticas e de isen&ccedil;&atilde;o dos governos e dos tribunais e &oacute;rg&atilde;os da Justi&ccedil;a. Ser&aacute; uma oportunidade para serem redefinidos democraticamente novos rumos para o Brasil, que revertam os retrocessos ocorridos nas &aacute;reas da economia, das pol&iacute;ticas sociais e dos direitos humanos. A SBPC buscar&aacute; contribuir, como fez em anos anteriores, para o debate sobre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em CT&amp;I, educa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento sustent&aacute;vel e influenciar o processo com propostas para o executivo, nos &acirc;mbitos federal e estadual, e para o legislativo. Uma reuni&atilde;o do f&oacute;rum das sociedades cient&iacute;ficas discutir&aacute; estrat&eacute;gias para a atua&ccedil;&atilde;o da comunidade e como envolver outros setores da sociedade nessas a&ccedil;&otilde;es. Vamos organizar, no primeiro semestre deste ano, semin&aacute;rios tem&aacute;ticos sobre essas pol&iacute;ticas, em capitais diferentes, para definir os pontos centrais a serem defendidos e divulgados pela comunidade cient&iacute;fica. Os resultados desses debates convergir&atilde;o para a Reuni&atilde;o Anual da SBPC, que vai acontecer em julho, em Macei&oacute;, onde ser&atilde;o apresentados em pain&eacute;is referentes aos semin&aacute;rios anteriores. Nos debates que ocorrer&atilde;o nesse evento, esperamos contar com a participa&ccedil;&atilde;o de eventuais candidatos ao governo federal, como j&aacute; ocorreu em elei&ccedil;&otilde;es anteriores. Neste ano vamos buscar influenciar tamb&eacute;m nas elei&ccedil;&otilde;es de deputados (federais e estaduais) e senadores, destacando aqueles que se colocarem "ao lado" da ci&ecirc;ncia e que se comprometam publicamente com isto. Ser&aacute; importante criar uma estrutura e ter uma atua&ccedil;&atilde;o permanente e mais eficaz da comunidade junto ao Congresso Nacional (e &agrave;s Assembleias Legislativas), no sentido de defender os pontos centrais da CT&amp;I e da educa&ccedil;&atilde;o e de influenciar na aprova&ccedil;&atilde;o (ou rejei&ccedil;&atilde;o) de projetos de lei e nas defini&ccedil;&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;rias.</font></p>      ]]></body>
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