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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> URBANISMO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Novos atores na humaniza&ccedil;&atilde;o de cidades</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Alice Wassall; Leonor Assad</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cidade &eacute; uma aglomera&ccedil;&atilde;o humana multifacetada, povoada por uma multiplicidade de pessoas que se manifestam por meio de diferentes linguagens, formas e atividades. O arquiteto argentino Jorge Enrique Hardoy, em artigo publicado na revista <i>Problemas delDesarollo</i> (vol.9, nº 34, 1978), aponta que cada gera&ccedil;&atilde;o constr&oacute;i cidades em fun&ccedil;&atilde;o de seus n&iacute;veis de conhecimento e possibilidades e como reflexo da estrutura da sociedade e seus valores. Portanto, o conceito de cidade &eacute; din&acirc;mico e evolui com o tempo e o lugar, estando condicionado pelo ambiente, pela estrutura socioecon&ocirc;mica e pelo n&iacute;vel tecnol&oacute;gico da sociedade &agrave; qual pertence o observador.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a05fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fran&ccedil;ois Ascher, urbanista e soci&oacute;logo franc&ecirc;s (1946-2009), &eacute; autor de uma obra considerada fundamental no debate sobre as metamorfoses daquilo a que ainda chamamos cidade. Em seu livro <i>Os novos princ&iacute;pios do urbanismo</i>, traduzido no Brasil em 2010, Ascher afirma que as transforma&ccedil;&otilde;es da nossa sociedade, e especialmente das cidades, est&atilde;o apenas come&ccedil;ando. Segundo ele, vivemos a terceira revolu&ccedil;&atilde;o urbana moderna que se caracteriza por cinco evolu&ccedil;&otilde;es: a metapoliza&ccedil;&atilde;o (as cidades mudam de escala e de forma e surgem grandes aglomera&ccedil;&otilde;es urbanas, distendidas e descont&iacute;nuas, heterog&ecirc;neas e multipolarizadas), a transforma&ccedil;&atilde;o do sistema de mobilidade urbana (a cidade se move e se telecomunica), a forma&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os individuais (cidad&atilde;os se esfor&ccedil;am cada vez mais para controlar individualmente seu espa&ccedil;o e seu tempo), a redefini&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre interesses individuais e coletivos (os v&iacute;nculos sociais s&atilde;o mais fr&aacute;geis, menos est&aacute;veis por&eacute;m mais numerosos e mais variados e conectados), e os riscos (preocupa&ccedil;&atilde;o crescente com a seguran&ccedil;a f&iacute;sica, econ&ocirc;mica, social e familiar), que resultam de incertezas de toda ordem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n1/a05fig02.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a05fig02thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, o livro de Ascher foi traduzido por Nadia Somekh, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie. Na apresenta&ccedil;&atilde;o do livro ela afirma que nas cidades brasileiras, apesar de existirem planos e leis, a legisla&ccedil;&atilde;o exclui a maioria da popula&ccedil;&atilde;o: "nossas cidades n&atilde;o previram a localiza&ccedil;&atilde;o dos pobres, que informalmente ocupam &aacute;reas de risco, de prote&ccedil;&atilde;o ambiental, de pre&ccedil;os fundi&aacute;rios depreciados, com a anu&ecirc;ncia velada das autoridades governamentais". Um dos caminhos para amenizar os efeitos dessas rela&ccedil;&otilde;es desiguais &eacute; por meio do engajamento comunit&aacute;rio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>HUMANIZA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O enfrentamento desses desafios fez com que novos conceitos, como espa&ccedil;o coletivo e engajamento social, entrassem no cotidiano das discuss&otilde;es sobre humaniza&ccedil;&atilde;o e melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida nas grandes metr&oacute;poles. A cria&ccedil;&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os p&uacute;blicos s&atilde;o uma forma de resist&ecirc;ncia ao individualismo das grandes cidades. O foco &eacute; o plural, o encontro entre pessoas, a busca por atitudes e a&ccedil;&otilde;es coletivas sustent&aacute;veis que beneficiem o maior n&uacute;mero de cidad&atilde;os. Nesse sentido, a pra&ccedil;a Irm&atilde; Carmela Stecchi, mais conhecida como pra&ccedil;a do Coco, no distrito de Bar&atilde;o Geraldo, em Campinas (SP), e a pra&ccedil;a Roosevelt, no centro da cidade de S&atilde;o Paulo s&atilde;o bons exemplos. Esses lugares foram alvo de reformas nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, com consequ&ecirc;ncias evidentes tanto para a sociabilidade e ressignifica&ccedil;&atilde;o enquanto espa&ccedil;os p&uacute;blicos, quanto para suas fun&ccedil;&otilde;es sociais e culturais. A trajet&oacute;ria das duas pra&ccedil;as se assemelha no engajamento de seus frequentadores, na prote&ccedil;&atilde;o pelos moradores que as circundam e, principalmente, pelos atrativos culturais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pra&ccedil;a Roosevelt, que ao longo do tempo abrigou casas noturnas e a sede de importantes grupos de teatro paulistanos, como Os Satyros e o Parlapat&otilde;es, &eacute; reconhecida pelo seu apelo cultural, em especial pelas atividades ligadas ao teatro. Na pra&ccedil;a do Coco, pai e filho, Valdir e Vagner dos Santos, se norteiam pelos princ&iacute;pios do desenvolvimento sustent&aacute;vel para resgatar e preservar a hist&oacute;ria do distrito de Bar&atilde;o Geraldo. V&aacute;rios s&atilde;o os agentes p&uacute;blicos e privados que concorrem para sua manuten&ccedil;&atilde;o. Nos dois casos, percebe-se uma motiva&ccedil;&atilde;o comum para realiza&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as e, em certo sentido, ultrapassar os entraves colocados pelo poder p&uacute;blico, ao transformar as adversidades e preservar os espa&ccedil;os p&uacute;blicos, transformando-os em lugares no sentido antropol&oacute;gico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa foi a motiva&ccedil;&atilde;o de um movimento recente, tamb&eacute;m na cidade de S&atilde;o Paulo, batizado de "A Batata precisa de voc&ecirc;", idealizado pela arquiteta Laura Cabral. Formado por moradores e frequentadores do largo da Batata, no distrito de Pinheiros, desde 2014 o movimento vem fazendo a&ccedil;&otilde;es de ocupa&ccedil;&atilde;o do largo. Conforme descrito no texto do site do movimento, os objetivos s&atilde;o fortalecer a rela&ccedil;&atilde;o afetiva da popula&ccedil;&atilde;o local; evidenciar o potencial de um espa&ccedil;o hoje ainda &aacute;rido como local de conviv&ecirc;ncia; testar possibilidades de ocupa&ccedil;&atilde;o e reivindicar infraestrutura permanente que melhore a qualidade do largo como espa&ccedil;o p&uacute;blico. "&Eacute; um exerc&iacute;cio de democracia em escala local, um movimento de cidadania e concretiza&ccedil;&atilde;o social e urbana".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PARCERIAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, incorporou-se pela primeira vez no Brasil um cap&iacute;tulo espec&iacute;fico sobre pol&iacute;tica urbana (cap&iacute;tulo II, t&iacute;tulo VII). Nele consta ser de responsabilidade do poder p&uacute;blico municipal a execu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de desenvolvimento urbano, articulando-se &agrave;s a&ccedil;&otilde;es promovidas pelo governo federal. Mas um grande entrave para um planejamento urbano, de m&eacute;dio e longo prazos, s&atilde;o os recursos financeiros dispon&iacute;veis. No Brasil, pouqu&iacute;ssimas cidades conseguem gerar receita pr&oacute;pria e muitas dependem de recursos do governo federal que, face &agrave;s crises atuais, est&atilde;o cada vez mais escassos. Objetivos como diminuir as desigualdades sociais, reestruturar a mobilidade urbana e promover a sustentabilidade t&ecirc;m sido apontados em planos estrat&eacute;gicos, j&aacute; elaborados ou em elabora&ccedil;&atilde;o, de cidades como S&atilde;o Paulo (SP), Salvador (BA) e Sinop (MT). Mas garantir a sobreviv&ecirc;ncia de um planejamento urbano de longo prazo n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil no Brasil. E um dos principais entraves &eacute; que n&atilde;o se tem ainda, no Brasil, uma cultura de continuidade da gest&atilde;o p&uacute;blica: muda o prefeito, muda o planejamento urbano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda assim algumas prefeituras t&ecirc;m conseguido implantar projetos de m&eacute;dio prazo, contando com apoio da iniciativa privada e de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais (ONGs). Um exemplo &eacute; a a&ccedil;&atilde;o do World Resources Institute (WRI) que atua no momento em 18 cidades brasileiras. N&iacute;vea Oppermann, diretora de desenvolvimento urbano da WRI Brasil e professora de planejamento urbano da Unisinos, aponta que o foco dos projetos est&aacute; voltado para cidades m&eacute;dias e grandes: "Temos v&aacute;rias frentes de trabalho em planejamento metropolitano e urbano, transporte coletivo, transportes ativos, seguran&ccedil;a vi&aacute;ria, DOTS (desenvolvimento orientado ao transporte sustent&aacute;vel), qualidade do ar, efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, financiamento urbano, governan&ccedil;a e resili&ecirc;ncia", explica. Em S&atilde;o Paulo e em Fortaleza est&atilde;o sendo feitas in&uacute;meras interven&ccedil;&otilde;es para ampliar a seguran&ccedil;a vi&aacute;ria e promover maior integra&ccedil;&atilde;o das pessoas ao espa&ccedil;o p&uacute;blico. Tamb&eacute;m est&atilde;o sendo feitas discuss&otilde;es com grupos de mulheres para qualificar a quest&atilde;o de g&ecirc;nero no transporte coletivo em S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Arquiteta de forma&ccedil;&atilde;o, Oppermann destaca o projeto Ruas Completas, uma parceria da WRI Brasil com a Frente Nacional de Prefeitos, que est&aacute; colaborando com 11 cidades para aumentar o espa&ccedil;o de pedestres e ciclistas nas vias p&uacute;blicas. Segundo ela, em v&aacute;rios projetos ocorre a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade local, "porque entendemos que diversos atores precisam dar sua contribui&ccedil;&atilde;o para que as solu&ccedil;&otilde;es atendam o interesse do maior n&uacute;mero de pessoas".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As cidades est&atilde;o em constante transforma&ccedil;&atilde;o por causa das pessoas que ali vivem, que a frequentam. Muitos s&atilde;o os exemplos que mostram que &eacute; poss&iacute;vel romper com a barreira do desencantamento, desde que o foco da mudan&ccedil;a esteja nas pessoas e n&atilde;o exclusivamente em fins lucrativos.</font></p>     ]]></body>
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