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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br> SERVI&Ccedil;OS AMBIENTAIS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Quem deve pagar para conservar as florestas?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patricia Santos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a08fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As florestas cobrem 30% da superf&iacute;cie terrestre. Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), 25% da popula&ccedil;&atilde;o mundial depende diretamente dessa biodiversidade para viver. Foi para lembrar da import&acirc;ncia das florestas que a ONU estabeleceu o dia 21 de mar&ccedil;o como o Dia Internacional de Florestas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil &eacute; o principal guardi&atilde;o da maior floresta tropical do mundo, a floresta amaz&ocirc;nica. Na m&eacute;dia, o esfor&ccedil;o para reduzir o desmatamento tem tido melhores resultados do que em d&eacute;cadas passadas, mas o bioma permanece vulner&aacute;vel. Um exemplo recente &eacute; o caso da Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca) localizada entre os estados do Par&aacute; e Amap&aacute;. Em agosto de 2017, por meio de um decreto presidencial, o governo federal pretendia abrir a &aacute;rea para ser explorada por mineradoras, setor que foi respons&aacute;vel por 9% do desmatamento ocorrido entre 2005 e 2015 na Amaz&ocirc;nia brasileira, como aponta estudo publicado no peri&oacute;dico <i>Nature Communications </i>em outubro de 2017 (volume 8, edi&ccedil;&atilde;o 1013). Ap&oacute;s forte resist&ecirc;ncia de diversos setores da sociedade, em &acirc;mbito nacional e internacional (incluindo uma manifesta&ccedil;&atilde;o da modelo Gisele B&uuml;ndchen), o governo recuou.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A minera&ccedil;&atilde;o &eacute; apenas uma das amea&ccedil;as &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o da floresta amaz&ocirc;nica que, ao lado de queimadas, constru&ccedil;&atilde;o de hidrel&eacute;tricas, avan&ccedil;o do plantio de soja e uso da terra para pecu&aacute;ria rondam a Amaz&ocirc;nia e os povos da floresta. Um dos pontos cr&iacute;ticos entre as medidas para a prote&ccedil;&atilde;o das florestas &eacute; encontrar formas de financiamento que viabilizem mant&ecirc;-las de p&eacute;. Esse &eacute; um dos desafios elencados no Plano Estrat&eacute;gico das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para as Florestas, elaborado durante reuni&atilde;o do F&oacute;rum das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre as Florestas em 2017. Segundo o documento, &eacute; papel de todas as na&ccedil;&otilde;es e seus parceiros - organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, da sociedade civil e do setor privado - se mobilizarem para financiar o manejo sustent&aacute;vel das florestas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VALOR DE MERCADO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Manoel Sobral Filho, diretor do F&oacute;rum sobre Florestas da ONU, ressalta que, globalmente, as maiores perdas acontecem nas &aacute;reas tropicais, onde as florestas tamb&eacute;m t&ecirc;m menor valor de mercado. O desafio, portanto, &eacute; tornar essas florestas mais valiosas para quem det&eacute;m o poder sobre elas, sejam governos, setor privado ou mesmo comunidades locais e ind&iacute;genas. A sa&iacute;da seria pagar pelos servi&ccedil;os oferecidos pelas florestas, como a capta&ccedil;&atilde;o do CO&sup2; da atmosfera que promove o equil&iacute;brio do clima afetando todo o planeta. Para Sobral Filho, essa fatura caberia &agrave; comunidade internacional e agentes privados. "Os ind&iacute;genas brasileiros t&ecirc;m quase 100 milh&otilde;es de hectares de florestas e a maior parte vive na pobreza. Eles n&atilde;o recebem compensa&ccedil;&atilde;o financeira nem podem usar os recursos florestais, e nem a gente quer que use a n&atilde;o ser com um manejo sustent&aacute;vel. &Eacute; um problema ser&iacute;ssimo", exemplifica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o diretor, o pagamento pelos servi&ccedil;os oferecidos pelas florestas &eacute; mais importante do que mecanismos de ajuda como o Fundo Amaz&ocirc;nia, que capta doa&ccedil;&otilde;es para investimentos n&atilde;o-reembols&aacute;veis para conserva&ccedil;&atilde;o e uso sustent&aacute;vel na Amaz&ocirc;nia Legal ou projetos pontuais. "D&aacute;-se um valor tremendo para esses recursos principalmente porque as ONGs dependem desses subs&iacute;dios estrangeiros, quando na verdade eles n&atilde;o t&ecirc;m grande import&acirc;ncia para o pa&iacute;s porque o valor &eacute; irris&oacute;rio e demoram anos para serem usados. N&oacute;s precisamos de um programa de 20 bilh&otilde;es de d&oacute;lares anuais. N&atilde;o de 100 milh&otilde;es, 200 milh&otilde;es", declara.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a08fig02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Ronaldo Seroa da Motta, professor de economia do meio ambiente e dos recursos naturais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), existem experi&ecirc;ncias bem-sucedidas com outros mecanismos financeiros para a manuten&ccedil;&atilde;o das florestas. No caso brasileiro, s&atilde;o exemplos o cr&eacute;dito rural e o Programa Agricultura de Baixa Emiss&atilde;o de Carbono (ABC). Por&eacute;m, segundo ele, &eacute; necess&aacute;rio que esses programas sejam mais diversificados e tenham maior escala.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um artigo publicado na revista <i>Science</i> de junho de 2014 (volume 344, edi&ccedil;&atilde;o 6188), juntamente com colaboradores, Motta analisou pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e interven&ccedil;&otilde;es na cadeia de produ&ccedil;&atilde;o de carne e soja, dois dos principais motivadores do desmatamento na Amaz&ocirc;nia. Essas medidas contribu&iacute;ram para a queda do desmatamento amaz&ocirc;nico, mas para que isso se mantenha ser&aacute; preciso, entre outros fatores, uma percep&ccedil;&atilde;o de risco associado &agrave; perda da floresta, o que por sua vez tem rela&ccedil;&atilde;o com a vontade pol&iacute;tica de impor medidas restritivas. Em momentos de crise econ&ocirc;mica s&atilde;o propostas que tendem a se enfraquecer.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>C&Oacute;DIGO FLORESTAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No fim de fevereiro o Supremo Tribunal Federal colocou fim a um impasse que j&aacute; durava seis anos, votando pela constitucionalidade de um conjunto de artigos do C&oacute;digo Florestal (Lei 12.651/2012). Um dos artigos mais pol&ecirc;micos concede anistia aos propriet&aacute;rios que desmataram &aacute;reas de floresta acima do permitido. Em entrevista para o Globo Rural (04/03), o assessor t&eacute;cnico da Confedera&ccedil;&atilde;o da Agricultura e Pecu&aacute;ria do Brasil (CNA), Rodrigo Justos, declarou que a decis&atilde;o regulariza a situa&ccedil;&atilde;o dos produtores e traz seguran&ccedil;a jur&iacute;dica. J&aacute; o Instituto Socioambiental, em editorial (01/03), considerou que o julgamento foi um retrocesso ao legitimar a anistia a desmatamentos ilegais ocorridos antes de 2008, permitindo que a maior parte das &aacute;reas indevidamente desflorestadas no passado continue sendo utilizada nas atividades agropecu&aacute;rias.</font></p>      ]]></body>
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